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5 de novembro de 2026

Business

MT-140: logística crítica que custou R$ 50 mil em uma única chuva

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MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A precariedade da MT-140 expõe produtores e caminhoneiros a perdas que chegam a dezenas de milhares de reais em um único dia de chuva, afetando o escoamento de milho, soja, algodão e outras culturas na região. O trecho considerado mais crítico acumula tombamentos, atolamentos e interrupções frequentes.

O impasse sobre a responsabilidade pela manutenção agrava o problema, enquanto municípios, consórcios e governo estadual discutem recursos e autorizações. A falta de infraestrutura encarece o frete, reduz competitividade e ameaça o andamento da safra que se aproxima.

Em meio ao barro e à instabilidade da estrada, cargas inteiras têm sido perdidas. O agricultor Lucas Pasqualotto relata que um caminhão carregado dentro da propriedade tombou ao tentar vencer o trecho. “É uma estrada totalmente abandonada. Esse milho foi carregado em nossa propriedade. Tinha 900 sacos de milho”. Quando questionado se era possível aproveitar o produto, ele responde: “Não, esse milho foi totalmente perdido por conta das chuvas. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 50 mil, R$ 60 mil. Qualquer cultura que carrega aqui corre esse risco”.

A família Pasqualotto possui uma área de quatro mil hectares na região. O produtor Osvaldo Pasqualotto afirma que o cenário se repete chuva após chuva. “Por incrível que pareça é a terceira chuva que dá. Praticamente de seis meses para cá já aconteceu isso. É caminhão atolado, é caminhão tombado, é produto que se perde, prejuízo atrás de prejuízo e vai passando os anos e ninguém mexe nessa estrada”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Para ele, a sensação é de desamparo: “Vemos nas cidades tantas pessoas precisando, passando fome, passando dificuldade e a gente vai pegar esse produto que colhemos com amor, plantou com carinho e vai levar na cidade e acaba se perdendo no caminho por ter estradas ruins. A gente só quer trabalhar, só quer tirar os produtos entregar na cidade e a gente não consegue fazer isso”.

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MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízo no campo e na competitividade

Os produtores frisam que a cada dia mais enfrentam custos crescentes para manter a logística funcionando. Alberto Chiapinotto, que está na região há quatro décadas, afirma que uma chuva mais intensa é suficiente para bloquear o caminho. “Até outro dia era chuva de cinco milímetros, agora deu uma chuva de 50 milímetros. Nós não temos mais estrada e estamos aqui há 40 anos nesse espaço de tempo e não se tem ninguém fazendo uma conclusão de melhoria”.

Ele lembra ainda que a precariedade afeta até o acesso escolar: “O que mais judia para nós é as crianças sem ter a possibilidade de ir para a escola”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso. A Agrícola Irmãos Chiapinotto semeia 2.050 hectares de soja e milho no município de Juscimeira.

O custo do frete também dispara diante da situação. Alberto comenta que chega a pagar em frete “50% a mais do valor de mercado”. A competitividade regional cai junto: “Essa logística deixa uma margem de 12% no valor do grão a menos do que em outras regiões”.

Segundo os produtores, a área cultivada na região no entorno da MT-140 é de aproximadamente de 200 mil hectares e envolve cerca de 50 agricultores.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso 1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Caminhoneiros travados e risco constante

Ezequiel Victor, gerente agrícola da Girassol Agrícola, relata que as equipes da empresa chegam a mobilizar máquinas para garantir a passagem. “Todos os caminhoneiros sofrem muito para tirar a safra e nós temos que estar ajudando, tem que estar desengatando trator para poder puxar, pá carregadeira para tapar buraco, então recém começa as chuvas e já começa os problemas”. A Girassol Agrícola cultiva 8,2 mil hectares de lavoura e aproximadamente 7,5 mil hectares de eucalipto na região.

Para quem transporta, o desgaste é diário, a ponto de motoristas terem que aguardar horas para prosseguir. É o caso de Dionísio da Silva Campos. “Já era para eu estar carregando. Todo ano é essa labuta aí”.

Ele pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o buraco que bloqueia o trecho poderia ter sido reparado antes do período chuvoso. “Poderia ter tampado bem antes da chuva, mas infelizmente os órgãos públicos não fizeram nada”. O prejuízo atinge até o lucro da viagem: “Lucro fica totalmente aqui”.

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O caminhoneiro Daniel Luiz também enfrentou o atoleiro registrado na reportagem. “Pneu, mola, tudo vai judiando com a estrada ruim. É a primeira vez que entro aqui, já não venho mais, é a última também”, diz.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impasse político e lei parada desde 2024

Um dos trechos considerados mais críticos da MT-140, com pouco mais de 15 quilômetros, está oficialmente sob responsabilidade do município de Santo Antônio de Leverger. Porém, “nunca recebeu uma manutenção necessária”, como relatam aqueles que dependem da rodovia estadual. Conforme produtores e autoridades locais, Juscimeira — que está mais próximo — tenta assumir a gestão para viabilizar obras no local.

“Na MT-140 quatro quilômetros é do município de Juscimeira. Juscimeira fez o seu dever de casa, primeiro ano de mandato já arrumando todas MTs, todas as estradas vicinais, e arrumando todos os quatro quilômetros da MT-140. Gostaria de ter arrumado mais, gostaria de ter entrado e ter alcançado até o município de Jaciara, mas não tenho permissão”, afirma o prefeito Alexandre Russi ao Canal Rural Mato Grosso.

O prefeito reforça que a distância inviabiliza o atendimento por Santo Antônio de Leverger. “Fica mais próximo de Juscimeira a 60 quilômetros e a 150 quilômetros de Santo Antônio de Leverger, e Santo Antônio de Leverger não consegue dar esse atendimento”.

O prefeito explica que uma lei necessária para formalizar a transferência do trecho está parada desde 2024 na Assembleia Legislativa. “Recursos temos, maquinários temos, força de vontade não nos falta, mas precisamos do documento falando: ‘pode entrar que é Juscimeira’. E a gente entra para essa região”, afirma. Ele cita ainda que foi firmado um convênio de R$ 12,8 milhões com o governo do estado, por meio do Cidesasul, para manutenção de MTs e um novo acordo está em andamento para ampliar a atuação nas estradas de Dom Aquino, Campo Verde e Poxoréu.

A Aprosoja Mato Grosso também acompanha a situação. “Mal começaram as primeiras chuvas e já estamos com um cenário lamentável aqui. São vários anos com esse mesmo problema aqui neste local, justamente por causa dessa redivisão municipal”, relata o delegado da entidade Rogério Berwanger.

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Em nota, a Sinfra-MT informou que firmou convênio com o Cidesasul, consórcio intermunicipal presidido pelo prefeito de Juscimeira, para manutenção de trechos não pavimentados das MTs 140, 373, 040, 469, 460 e 454 no município. Não há, por enquanto, projetos de pavimentação.

No meio de tantos entraves, a cobrança permanece por soluções definitivas. Como resume Osvaldo Pasqualotto: “E tem que ser um trabalho bem feito, tem que ser levantada, cascalhada”.

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El Niño e dólar pressionaram o preço do café em outubro

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Os preços do café arábica encerraram outubro praticamente estáveis no mercado brasileiro, apesar das fortes oscilações registradas ao longo do mês. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações foram influenciadas por fatores climáticos, pelo ritmo das exportações brasileiras e pelas condições de oferta no mercado internacional.

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De acordo com pesquisadores do Cepea, as chuvas nas principais regiões produtoras do Brasil favoreceram as floradas da safra 2027/28, melhorando as perspectivas para a próxima temporada. Esse cenário, combinado ao ritmo elevado dos embarques nacionais, pressionou os preços em determinados momentos de outubro.

Por outro lado, as preocupações com os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a próxima safra brasileira contribuíram para a valorização do grão em outros períodos do mês.

Produção na Colômbia e estoques em Nova York influenciam preços

No mercado internacional, os dados que indicaram menor produção de café na Colômbia também deram sustentação às cotações.

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Outro fator de influência foi a lenta recomposição dos estoques certificados na Bolsa de Nova York (ICE Futures), situação que manteve a atenção dos agentes sobre a disponibilidade do produto no mercado.

Segundo o Cepea, esses fatores contribuíram para movimentos de alta, mesmo diante da pressão exercida pelas condições climáticas favoráveis nas lavouras brasileiras e pelo volume de exportações.

Alta do dólar também impactou o mercado de café

A valorização expressiva do dólar frente ao real no fim de outubro foi outro elemento que influenciou as cotações do arábica.

Apesar das oscilações provocadas pelos diferentes fatores de mercado, os movimentos de alta e baixa acabaram se compensando, fazendo com que os preços domésticos do café arábica terminassem o mês praticamente no mesmo patamar em que começaram.

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Agro Mato Grosso

MT intensifica combate ao bicudo na reta final da safra de algodão

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Com o beneficiamento do algodão entrando na reta final em Mato Grosso, a atenção do setor produtivo se volta para o controle do bicudo-do-algodoeiro. Na última semana de outubro, a incidência da praga aumentou na maioria das regiões do estado, segundo levantamento do IMAmt, braço técnico da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), em parceria com o Imea.

O cenário levou a Ampa a reforçar o alerta aos agricultores sobre a necessidade de manter as medidas de combate ao inseto mesmo durante o desenvolvimento da soja. As tigueras, plantas voluntárias de algodão que nascem entre as lavouras de grãos, servem de abrigo e alimento para o bicudo. Por isso, a recomendação é eliminar esses focos imediatamente, manter as armadilhas ativas e recorrer à aplicação de inseticidas quando necessário.

Nas unidades de beneficiamento, os trabalhos também se aproximam da conclusão. A maior parte das algodoeiras já processou entre 65% e 80% da produção, enquanto algumas instalações da região Centro-Leste atingiram 97% do volume previsto.

Plantio da soja chega a 89%

Paralelamente aos cuidados fitossanitários, Mato Grosso se aproxima da conclusão da semeadura da soja 2026/27. Até 30 de outubro, a operação havia alcançado 89,05% da área estimada, favorecida pelo retorno das chuvas em regiões que enfrentavam maior irregularidade climática, como o Noroeste do estado.

Com as lavouras apresentando bom desenvolvimento, o ritmo da semeadura contribui para o planejamento da próxima etapa do calendário agrícola. A conclusão dos trabalhos dentro do período adequado é importante para assegurar condições mais favoráveis ao cultivo do milho e do algodão de segunda safra no início do próximo ano.

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O processamento da fibra, a proximidade do fim da semeadura e a vigilância contra o bicudo marcam a transição entre as etapas da produção agrícola em Mato Grosso. Nesse período, o cumprimento das recomendações fitossanitárias e a atenção aos prazos de cultivo são fundamentais para preservar o potencial produtivo da próxima temporada.

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Business

Entregas de fertilizantes caem 10,4% até agosto no Brasil

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As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 27,31 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, queda de 10,4% ante os 30,47 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2025. Em agosto, o volume entregue foi de 4,33 milhões de toneladas, recuo de 17,6% na comparação com igual mês do ano passado, informou a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Segundo a Anda, o primeiro trimestre teve movimento sustentado pela demanda da safrinha. A entidade afirmou que o início da guerra no Irã, em fevereiro, reduziu os novos negócios. Entre maio e julho, as quedas nas entregas variaram de 15% a 20%, em um cenário marcado por adversidades geopolíticas globais e por dificuldades do produtor rural ligadas à escassez de crédito, riscos de recuperação judicial, taxas de juros, aumento de custos e riscos climáticos decorrentes do fenômeno El Niño.

No recorte regional, Mato Grosso liderou as entregas no acumulado de janeiro a agosto, com 6,77 milhões de toneladas, o equivalente a 24,8% do total nacional. Na sequência aparecem Paraná, com 3,07 milhões de toneladas, Goiás, com 2,90 milhões, São Paulo, com 2,79 milhões, Rio Grande do Sul, com 2,24 milhões, Minas Gerais, com 2,07 milhões, e Bahia, com 1,96 milhão de toneladas.

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A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou agosto em 418 mil toneladas, queda de 40,2% na comparação anual. Nos oito primeiros meses de 2026, o volume produzido foi de 3,75 milhões de toneladas, retração de 22,7% sobre as 4,86 milhões de toneladas de igual intervalo de 2025. A Anda destacou que mudanças na estrutura societária e a retomada da produção em ativos, especialmente nos casos da ureia e do cloreto de potássio, influenciaram a captura desses dados.

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As importações de fertilizantes intermediários totalizaram 3,03 milhões de toneladas em agosto, baixa de 34%. De janeiro a agosto, o volume importado alcançou 24,27 milhões de toneladas, queda de 12% frente às 27,58 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. O Porto de Paranaguá respondeu por 24% das importações brasileiras no intervalo, com 5,83 milhões de toneladas, recuo de 17,7% na comparação anual.

Na avaliação da Anda, o Brasil entra no período de compras de insumos com importações mais lentas, menor produção nacional e queda nas entregas internas. A entidade afirmou que a demanda estrutural do setor segue sustentada pelo crescimento das safras, com mudanças na capacidade financeira do produtor e no momento de decisão de compra.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agro MT