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5 de maio de 2026

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MT-140: logística crítica que custou R$ 50 mil em uma única chuva

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MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A precariedade da MT-140 expõe produtores e caminhoneiros a perdas que chegam a dezenas de milhares de reais em um único dia de chuva, afetando o escoamento de milho, soja, algodão e outras culturas na região. O trecho considerado mais crítico acumula tombamentos, atolamentos e interrupções frequentes.

O impasse sobre a responsabilidade pela manutenção agrava o problema, enquanto municípios, consórcios e governo estadual discutem recursos e autorizações. A falta de infraestrutura encarece o frete, reduz competitividade e ameaça o andamento da safra que se aproxima.

Em meio ao barro e à instabilidade da estrada, cargas inteiras têm sido perdidas. O agricultor Lucas Pasqualotto relata que um caminhão carregado dentro da propriedade tombou ao tentar vencer o trecho. “É uma estrada totalmente abandonada. Esse milho foi carregado em nossa propriedade. Tinha 900 sacos de milho”. Quando questionado se era possível aproveitar o produto, ele responde: “Não, esse milho foi totalmente perdido por conta das chuvas. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 50 mil, R$ 60 mil. Qualquer cultura que carrega aqui corre esse risco”.

A família Pasqualotto possui uma área de quatro mil hectares na região. O produtor Osvaldo Pasqualotto afirma que o cenário se repete chuva após chuva. “Por incrível que pareça é a terceira chuva que dá. Praticamente de seis meses para cá já aconteceu isso. É caminhão atolado, é caminhão tombado, é produto que se perde, prejuízo atrás de prejuízo e vai passando os anos e ninguém mexe nessa estrada”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Para ele, a sensação é de desamparo: “Vemos nas cidades tantas pessoas precisando, passando fome, passando dificuldade e a gente vai pegar esse produto que colhemos com amor, plantou com carinho e vai levar na cidade e acaba se perdendo no caminho por ter estradas ruins. A gente só quer trabalhar, só quer tirar os produtos entregar na cidade e a gente não consegue fazer isso”.

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MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízo no campo e na competitividade

Os produtores frisam que a cada dia mais enfrentam custos crescentes para manter a logística funcionando. Alberto Chiapinotto, que está na região há quatro décadas, afirma que uma chuva mais intensa é suficiente para bloquear o caminho. “Até outro dia era chuva de cinco milímetros, agora deu uma chuva de 50 milímetros. Nós não temos mais estrada e estamos aqui há 40 anos nesse espaço de tempo e não se tem ninguém fazendo uma conclusão de melhoria”.

Ele lembra ainda que a precariedade afeta até o acesso escolar: “O que mais judia para nós é as crianças sem ter a possibilidade de ir para a escola”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso. A Agrícola Irmãos Chiapinotto semeia 2.050 hectares de soja e milho no município de Juscimeira.

O custo do frete também dispara diante da situação. Alberto comenta que chega a pagar em frete “50% a mais do valor de mercado”. A competitividade regional cai junto: “Essa logística deixa uma margem de 12% no valor do grão a menos do que em outras regiões”.

Segundo os produtores, a área cultivada na região no entorno da MT-140 é de aproximadamente de 200 mil hectares e envolve cerca de 50 agricultores.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso 1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Caminhoneiros travados e risco constante

Ezequiel Victor, gerente agrícola da Girassol Agrícola, relata que as equipes da empresa chegam a mobilizar máquinas para garantir a passagem. “Todos os caminhoneiros sofrem muito para tirar a safra e nós temos que estar ajudando, tem que estar desengatando trator para poder puxar, pá carregadeira para tapar buraco, então recém começa as chuvas e já começa os problemas”. A Girassol Agrícola cultiva 8,2 mil hectares de lavoura e aproximadamente 7,5 mil hectares de eucalipto na região.

Para quem transporta, o desgaste é diário, a ponto de motoristas terem que aguardar horas para prosseguir. É o caso de Dionísio da Silva Campos. “Já era para eu estar carregando. Todo ano é essa labuta aí”.

Ele pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o buraco que bloqueia o trecho poderia ter sido reparado antes do período chuvoso. “Poderia ter tampado bem antes da chuva, mas infelizmente os órgãos públicos não fizeram nada”. O prejuízo atinge até o lucro da viagem: “Lucro fica totalmente aqui”.

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O caminhoneiro Daniel Luiz também enfrentou o atoleiro registrado na reportagem. “Pneu, mola, tudo vai judiando com a estrada ruim. É a primeira vez que entro aqui, já não venho mais, é a última também”, diz.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso2
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impasse político e lei parada desde 2024

Um dos trechos considerados mais críticos da MT-140, com pouco mais de 15 quilômetros, está oficialmente sob responsabilidade do município de Santo Antônio de Leverger. Porém, “nunca recebeu uma manutenção necessária”, como relatam aqueles que dependem da rodovia estadual. Conforme produtores e autoridades locais, Juscimeira — que está mais próximo — tenta assumir a gestão para viabilizar obras no local.

“Na MT-140 quatro quilômetros é do município de Juscimeira. Juscimeira fez o seu dever de casa, primeiro ano de mandato já arrumando todas MTs, todas as estradas vicinais, e arrumando todos os quatro quilômetros da MT-140. Gostaria de ter arrumado mais, gostaria de ter entrado e ter alcançado até o município de Jaciara, mas não tenho permissão”, afirma o prefeito Alexandre Russi ao Canal Rural Mato Grosso.

O prefeito reforça que a distância inviabiliza o atendimento por Santo Antônio de Leverger. “Fica mais próximo de Juscimeira a 60 quilômetros e a 150 quilômetros de Santo Antônio de Leverger, e Santo Antônio de Leverger não consegue dar esse atendimento”.

O prefeito explica que uma lei necessária para formalizar a transferência do trecho está parada desde 2024 na Assembleia Legislativa. “Recursos temos, maquinários temos, força de vontade não nos falta, mas precisamos do documento falando: ‘pode entrar que é Juscimeira’. E a gente entra para essa região”, afirma. Ele cita ainda que foi firmado um convênio de R$ 12,8 milhões com o governo do estado, por meio do Cidesasul, para manutenção de MTs e um novo acordo está em andamento para ampliar a atuação nas estradas de Dom Aquino, Campo Verde e Poxoréu.

A Aprosoja Mato Grosso também acompanha a situação. “Mal começaram as primeiras chuvas e já estamos com um cenário lamentável aqui. São vários anos com esse mesmo problema aqui neste local, justamente por causa dessa redivisão municipal”, relata o delegado da entidade Rogério Berwanger.

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Em nota, a Sinfra-MT informou que firmou convênio com o Cidesasul, consórcio intermunicipal presidido pelo prefeito de Juscimeira, para manutenção de trechos não pavimentados das MTs 140, 373, 040, 469, 460 e 454 no município. Não há, por enquanto, projetos de pavimentação.

No meio de tantos entraves, a cobrança permanece por soluções definitivas. Como resume Osvaldo Pasqualotto: “E tem que ser um trabalho bem feito, tem que ser levantada, cascalhada”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Após forte alta, preço da ureia começa a cair, mostra levantamento

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Após dois meses de forte valorização, os preços da ureia começaram a recuar no mercado internacional, movimento que já se reflete no Brasil. Segundo relatório da StoneX, as cotações acumulam a segunda semana consecutiva de queda, com negócios fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada.

A retração ocorre após os preços atingirem patamares considerados elevados para a demanda, que passou a exercer maior influência na formação das cotações.

Demanda mais fraca muda dinâmica do mercado

De acordo com a StoneX, o mercado global entra em uma fase de ajuste, com o enfraquecimento do consumo ganhando protagonismo, mesmo diante de limitações na oferta.

O movimento de queda não é isolado. Recuos também foram registrados em mercados relevantes como Estados Unidos, China, Oriente Médio e Egito, indicando uma tendência mais ampla de perda de força nos preços.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o cenário atual marca uma mudança no vetor de formação das cotações.

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“Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior, pressionando os preços após um período de alta intensa”, afirma.

Apesar do recuo recente, a expectativa é de que novas quedas ocorram de forma limitada no curto prazo.

Isso porque persistem gargalos logísticos no Oriente Médio, região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia, o que restringe a oferta internacional.

Mercado mais cauteloso

Nesse ambiente, os preços tendem a se manter relativamente sustentados, mesmo com a demanda enfraquecida.

A avaliação da StoneX aponta que fatores como o período de menor consumo em países-chave, relações de troca menos atrativas ao produtor e a postura mais cautelosa dos compradores têm reduzido o ritmo de novas negociações.

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Com isso, o mercado entra em uma fase de ajuste, com menor liquidez e maior seletividade nas compras.

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Pulgão-da-raiz deixa produtores de morango em alerta; saiba mais sobre a praga

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Foto: Divulgação.

O pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale) tem deixado os produtores de morango no Brasil em alerta. A praga atua no solo, o que dificulta a identificação nas lavouras, aponta o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

O inseto suga a seiva das raízes, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Entre os efeitos estão amarelamento, redução do crescimento e perda de plantas.

A infestação tende a aumentar em períodos de seca, quando o campo já se encontra sob estresse hídrico. A população é formada, em sua maioria, por fêmeas, e tanto as formas jovens quanto adultas se alimentam de forma contínua, liberando toxinas que afetam o sistema radicular.

O pulgão-da-raiz também pode atuar como vetor do vírus mosqueado-do-morangueiro, o que amplia os impactos na produção.

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“O enfrentamento da praga exige uma estratégia integrada, que combine o uso de inimigos naturais com a nutrição equilibrada do solo, evitando o excesso de nitrogênio, que favorece a infestação”, diz Fábio Kagi, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Sindiveg.

“O controle químico deve ser criterioso e baseado no monitoramento, com uso de inseticidas durante a frutificação e a colheita, enquanto outros defensivos podem ser aplicados em diferentes momentos do ciclo, desde que respeitadas as recomendações técnicas e o período adequado”, acrescenta.

Ainda de acordo com Kagi, o crescimento da produtividade precisa vir acompanhado de um controle fitossanitário eficiente. “O monitoramento constante e o uso integrado de ferramentas de defesa vegetal são fundamentais para evitar perdas e garantir a qualidade da produção”.

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Michelin lança pneus agrícolas em meio a debate acalorado sobre dumping no Brasil

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Foto: Divulgação

A Michelin apresentou dois novos pneus na 31ª Agrishow, o Michelin X Works Z2 e o Works D2, desenvolvidos para aplicações de uso misto e condições severas, mas também se posicionou sobre um tema que tem gerado debates acalorados no setor: o aumento da importação de produtos indianos.

O assunto ganhou mais um capítulo no último dia 15, quando a Circular nº 30, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), não adotou o pedido de medida antidumping provisória movido pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), estendendo o prazo de investigação para até 18 meses.

A indústria nacional quer limitar a importação de pneus agrícolas da Índia, impondo uma tarifa antidumping, assim como já ocorre com o produto chinês que desembarca no Brasil, que, dependendo do modelo, sofre encargo de até US$ 3.028,62 por tonelada (veja mais detalhes na tabela abaixo).

pneus chineses
Foto: Reprodução

O pedido de antidumping da Anip considera o período de julho de 2019 a junho de 2024, intervalo em que o Brasil importou da Índia 43.105 toneladas de pneus agrícolas, o equivalente a 215,5 mil unidades, considerando que são produtos voltados, majoritariamente, para tratores pequenos e médios.

Isonomia concorrencial

O diretor comercial para pneus de carga, urbanos e longa distância da Michelin, Ruy Ferreira, ressalta que aproximadamente 50% dos pneus importados que chegam ao país desembarcam com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima no Brasil. “Apenas este fator claramente já configura um dumping. O que queremos do governo é isonomia concorrencial.”

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Ferreira pontua que se não for possível aumentar o imposto para a entrada do pneu importado, deve-se, ao menos, ser adotada isenção tributária na compra da matéria-prima para a indústria nacional.

“No primeiro trimestre deste ano, falando apenas de pneus de caminhões, o mercado se compôs de 70% de pneus importados e apenas 30% de nacionais, levando em consideração que a indústria de pneus é estratégica para o Brasil. Por trás dela há uma indústria de produção de seringueiras em que alguns produtores já pensam seriamente se mantém os seringais em pé ou transformam em outra cultura. Em dez anos, se as condições mudam, estaremos em uma situação de déficit [de matéria-prima]”, diz.

Em nota enviada à reportagem, a Anip destaca que as importações vêm se intensificando de forma significativa nos últimos anos, alcançando atualmente seus maiores níveis, com preços progressivamente menores, cenário que evidencia o agravamento de práticas de dumping.

Outro lado

A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) contesta a ação que visa impor tarifas antidumping aos pneus vindos da Índia. Procurado pela reportagem, o presidente da entidade, Ricardo Alípio da Costa, ressaltou que do ponto de vista técnico e jurídico, dizer que pneus que chegam ao Brasil com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima nacional não é argumento adequado para caracterizar dumping.

“O comércio internacional funciona justamente com base em diferenças de custo entre países. Existem mercados com acesso a matérias-primas mais baratas, energia mais competitiva, maior escala de produção e, muitas vezes, cadeias produtivas integradas. Então é perfeitamente possível e legítimo que um produto importado chegue ao Brasil com preço inferior ao custo de produção local, sem que isso represente qualquer prática desleal”, destaca.

Para Costa, o ponto central da discussão é outro. “Dumping só existe quando há venda para exportação abaixo do valor praticado no próprio país de origem, e isso exige uma investigação técnica aprofundada. Não pode ser presumido a partir de uma comparação com o custo da indústria brasileira”, considera.

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Segundo o presidente da Abidip, o pedido de investigação antidumping da Anip em relação ao produto indiano se limita a definir pneus agrícolas por tamanho ou código tarifário, desconsiderando a sua engenharia, aplicação, pressão de uso, velocidade e tipo de terreno.

“Quando esses parâmetros são ignorados, o antidumping deixa de cumprir sua função legítima de defesa comercial e passa a atuar como uma reserva artificial de mercado”, finaliza.

Novos pneus da Michelin

Os pneus Michelin X Works Z2 e Michelin X Works D2 foram desenvolvidos para operações relacionadas ao transporte de cana-de-açúcar, madeira, construção e ambientes abrasivos.

De acordo com a companhia, o modelo Work D2 proporciona até 25% mais quilometragem (em comparação ao modelo anterior), em terrenos agressivos. “Já no modelo Michelin X Works Z2 é possível chegar a 10% mais de quilometragem. O acréscimo de até 800 kg de carga por eixo geminado, em ambas as ofertas, também é uma evolução”, destaca a Michelin.

Outro diferencial é o design em V dos sulcos, no modelo Works D2, e a tecnologia
Redan, no Works Z2, atributos que geram menor retenção de pedras e perfurações, preservando a carcaça.

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Durante a 31ª Agrishow, a empresa também mostrou que o Michelin AXIOBIB 2, pneu
agrícola premium específico para tratores de alta potência, passa agora a ser fabricado no Brasil.

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