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3 de agosto de 2026

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MT-140: logística crítica que custou R$ 50 mil em uma única chuva

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MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A precariedade da MT-140 expõe produtores e caminhoneiros a perdas que chegam a dezenas de milhares de reais em um único dia de chuva, afetando o escoamento de milho, soja, algodão e outras culturas na região. O trecho considerado mais crítico acumula tombamentos, atolamentos e interrupções frequentes.

O impasse sobre a responsabilidade pela manutenção agrava o problema, enquanto municípios, consórcios e governo estadual discutem recursos e autorizações. A falta de infraestrutura encarece o frete, reduz competitividade e ameaça o andamento da safra que se aproxima.

Em meio ao barro e à instabilidade da estrada, cargas inteiras têm sido perdidas. O agricultor Lucas Pasqualotto relata que um caminhão carregado dentro da propriedade tombou ao tentar vencer o trecho. “É uma estrada totalmente abandonada. Esse milho foi carregado em nossa propriedade. Tinha 900 sacos de milho”. Quando questionado se era possível aproveitar o produto, ele responde: “Não, esse milho foi totalmente perdido por conta das chuvas. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 50 mil, R$ 60 mil. Qualquer cultura que carrega aqui corre esse risco”.

A família Pasqualotto possui uma área de quatro mil hectares na região. O produtor Osvaldo Pasqualotto afirma que o cenário se repete chuva após chuva. “Por incrível que pareça é a terceira chuva que dá. Praticamente de seis meses para cá já aconteceu isso. É caminhão atolado, é caminhão tombado, é produto que se perde, prejuízo atrás de prejuízo e vai passando os anos e ninguém mexe nessa estrada”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Para ele, a sensação é de desamparo: “Vemos nas cidades tantas pessoas precisando, passando fome, passando dificuldade e a gente vai pegar esse produto que colhemos com amor, plantou com carinho e vai levar na cidade e acaba se perdendo no caminho por ter estradas ruins. A gente só quer trabalhar, só quer tirar os produtos entregar na cidade e a gente não consegue fazer isso”.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízo no campo e na competitividade

Os produtores frisam que a cada dia mais enfrentam custos crescentes para manter a logística funcionando. Alberto Chiapinotto, que está na região há quatro décadas, afirma que uma chuva mais intensa é suficiente para bloquear o caminho. “Até outro dia era chuva de cinco milímetros, agora deu uma chuva de 50 milímetros. Nós não temos mais estrada e estamos aqui há 40 anos nesse espaço de tempo e não se tem ninguém fazendo uma conclusão de melhoria”.

Ele lembra ainda que a precariedade afeta até o acesso escolar: “O que mais judia para nós é as crianças sem ter a possibilidade de ir para a escola”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso. A Agrícola Irmãos Chiapinotto semeia 2.050 hectares de soja e milho no município de Juscimeira.

O custo do frete também dispara diante da situação. Alberto comenta que chega a pagar em frete “50% a mais do valor de mercado”. A competitividade regional cai junto: “Essa logística deixa uma margem de 12% no valor do grão a menos do que em outras regiões”.

Segundo os produtores, a área cultivada na região no entorno da MT-140 é de aproximadamente de 200 mil hectares e envolve cerca de 50 agricultores.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso 1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Caminhoneiros travados e risco constante

Ezequiel Victor, gerente agrícola da Girassol Agrícola, relata que as equipes da empresa chegam a mobilizar máquinas para garantir a passagem. “Todos os caminhoneiros sofrem muito para tirar a safra e nós temos que estar ajudando, tem que estar desengatando trator para poder puxar, pá carregadeira para tapar buraco, então recém começa as chuvas e já começa os problemas”. A Girassol Agrícola cultiva 8,2 mil hectares de lavoura e aproximadamente 7,5 mil hectares de eucalipto na região.

Para quem transporta, o desgaste é diário, a ponto de motoristas terem que aguardar horas para prosseguir. É o caso de Dionísio da Silva Campos. “Já era para eu estar carregando. Todo ano é essa labuta aí”.

Ele pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o buraco que bloqueia o trecho poderia ter sido reparado antes do período chuvoso. “Poderia ter tampado bem antes da chuva, mas infelizmente os órgãos públicos não fizeram nada”. O prejuízo atinge até o lucro da viagem: “Lucro fica totalmente aqui”.

O caminhoneiro Daniel Luiz também enfrentou o atoleiro registrado na reportagem. “Pneu, mola, tudo vai judiando com a estrada ruim. É a primeira vez que entro aqui, já não venho mais, é a última também”, diz.

MT-140 Juscimeira Santo Antônio do Leverger Foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso2
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Impasse político e lei parada desde 2024

Um dos trechos considerados mais críticos da MT-140, com pouco mais de 15 quilômetros, está oficialmente sob responsabilidade do município de Santo Antônio de Leverger. Porém, “nunca recebeu uma manutenção necessária”, como relatam aqueles que dependem da rodovia estadual. Conforme produtores e autoridades locais, Juscimeira — que está mais próximo — tenta assumir a gestão para viabilizar obras no local.

“Na MT-140 quatro quilômetros é do município de Juscimeira. Juscimeira fez o seu dever de casa, primeiro ano de mandato já arrumando todas MTs, todas as estradas vicinais, e arrumando todos os quatro quilômetros da MT-140. Gostaria de ter arrumado mais, gostaria de ter entrado e ter alcançado até o município de Jaciara, mas não tenho permissão”, afirma o prefeito Alexandre Russi ao Canal Rural Mato Grosso.

O prefeito reforça que a distância inviabiliza o atendimento por Santo Antônio de Leverger. “Fica mais próximo de Juscimeira a 60 quilômetros e a 150 quilômetros de Santo Antônio de Leverger, e Santo Antônio de Leverger não consegue dar esse atendimento”.

O prefeito explica que uma lei necessária para formalizar a transferência do trecho está parada desde 2024 na Assembleia Legislativa. “Recursos temos, maquinários temos, força de vontade não nos falta, mas precisamos do documento falando: ‘pode entrar que é Juscimeira’. E a gente entra para essa região”, afirma. Ele cita ainda que foi firmado um convênio de R$ 12,8 milhões com o governo do estado, por meio do Cidesasul, para manutenção de MTs e um novo acordo está em andamento para ampliar a atuação nas estradas de Dom Aquino, Campo Verde e Poxoréu.

A Aprosoja Mato Grosso também acompanha a situação. “Mal começaram as primeiras chuvas e já estamos com um cenário lamentável aqui. São vários anos com esse mesmo problema aqui neste local, justamente por causa dessa redivisão municipal”, relata o delegado da entidade Rogério Berwanger.

Em nota, a Sinfra-MT informou que firmou convênio com o Cidesasul, consórcio intermunicipal presidido pelo prefeito de Juscimeira, para manutenção de trechos não pavimentados das MTs 140, 373, 040, 469, 460 e 454 no município. Não há, por enquanto, projetos de pavimentação.

No meio de tantos entraves, a cobrança permanece por soluções definitivas. Como resume Osvaldo Pasqualotto: “E tem que ser um trabalho bem feito, tem que ser levantada, cascalhada”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Mato Grosso inaugura o primeiro centro de treinamento em segurança do trabalho da América Latina

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Sesi Experience Foto Viviane Petroli Canal Rural Mato Grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Trabalhadores de Mato Grosso passam a ter acesso a treinamentos que simulam situações reais de risco antes de chegar ao ambiente de trabalho. A estrutura foi inaugurada em Rondonópolis no dia 30 de junho e reúne 14 módulos voltados à segurança do trabalho, com equipamentos capazes de reproduzir ocorrências que vão de atividades em espaços confinados a situações envolvendo máquinas, eletricidade e trabalho em altura.

Dos 14 módulos especializados sete fixos e sete móveis. A proposta permite que parte dos treinamentos seja realizada dentro do próprio centro, enquanto os equipamentos móveis podem ser levados diretamente às empresas e a outras regiões do estado.

A iniciativa do Sesi Experience foi desenvolvida ao longo de mais de três anos pelo Sesi Mato Grosso e conta com a parceria da empresa sul-coreana Youngwoo Industry, responsável pela fabricação dos equipamentos.

O centro foi instalado em Rondonópolis pela importância do município para a indústria e para a agroindústria mato-grossense. A estrutura permite que o trabalhador tenha contato, de forma controlada, com situações de risco que poderá encontrar durante sua atividade profissional, antes de vivenciá-las no ambiente real.

Para o supervisor regional do Sesi Mato Grosso, Alexandre Serafim, a proposta representa uma mudança na forma de capacitar os profissionais. “Nasceu da necessidade de se inovar na forma de como o Sesi Mato Grosso entrega a capacitação dos trabalhadores da indústria. Não baseados somente em dados, números e ciência, além da parte teórica e prática, a gente trouxe a experimentação com simuladores”.

Sesi Experience Foto Viviane Petroli Canal Rural Mato Grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Experiência prática para prevenir acidentes

A mudança na forma de capacitar os profissionais está justamente na possibilidade de combinar conhecimento teórico e prático com a experimentação.

“Nós temos aqui simuladores de espaço confinado, que consegue colocar o trabalhador dentro de uma realidade que ele vai encontrar numa agroindústria ou numa fazenda, antes mesmo dele estar lá, só que de forma simulada e controlada”, explica Serafim ao Canal Rural Mato Grosso.

O treinamento permite que o trabalhador compreenda como agir diante de uma situação de risco sem estar exposto às consequências de um acidente real. A estrutura também trabalha a percepção diante de ocorrências que exigem resposta rápida.

“Aqui simulamos os acidentes para que o trabalhador tenha a percepção, que ele sinta e aprenda de verdade como que ele deve agir”, acrescenta.

Os treinamentos oferecidos no Sesi Experience abrangem dez Normas Regulamentadoras (NRs): NR-06, sobre Equipamentos de Proteção Individual; NR-10, relacionada a instalações e serviços em eletricidade; NR-12, sobre máquinas e equipamentos; NR-13, que trata de caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos; e NR-17, voltada à ergonomia.

Também estão incluídas a NR-18, sobre segurança e saúde na indústria da construção; NR-20, para atividades com inflamáveis e combustíveis; NR-23, relacionada à proteção contra incêndios; NR-33, para trabalhos em espaços confinados; e NR-35, que trata de atividades realizadas em altura.

Sesi Experience Foto Viviane Petroli Canal Rural Mato Grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Estrutura acompanha avanço da indústria

A criação do centro ocorre em um momento de expansão da atividade industrial em Mato Grosso. De acordo com o Sistema Fiemt, nos últimos dez anos, o setor cresceu cerca de 40%, passando de aproximadamente 11,5 mil para 16,5 mil indústrias. O número de trabalhadores chegou a quase 198 mil no estado.

Para o presidente do Sistema Fiemt, Sílvio Rangel, o avanço da indústria aumenta também a necessidade de investir na preparação e na proteção dos profissionais. “Mato Grosso tem registrado nos últimos dez anos um dos maiores crescimentos da indústria no Brasil. Só isso já significa que a gente teria que cuidar também das pessoas que trabalham nas indústrias”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Segundo ele, a proposta é associar a qualificação profissional à experiência prática. “É uma inovação que nós estamos fazendo aqui, porque além da parte teórica, a pessoa também vai aprender de uma forma diferente, vivenciar também uma experiência, monitorada de um acidente de trabalho”, destaca.

Rangel ressalta ainda que a estrutura amplia o olhar sobre a segurança dos trabalhadores em um estado cuja economia industrial vem ganhando espaço. “São diversos setores que estão aqui em cursos de qualificação, então realmente é importante, porque além da gente produzir muito, a gente passa a ter um olhar também para o nosso funcionário da indústria de Mato Grosso”.

A necessidade desse tipo de treinamento também aparece nos dados de acidentes de trabalho. Conforme informações da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Brasil registrou 561,3 mil acidentes em 2025. Desse total, 196,4 mil ocorreram na indústria, o equivalente a 35% das ocorrências registradas no país.

No mesmo ano, foram contabilizados 2,4 mil óbitos decorrentes de acidentes de trabalho no Brasil, dos quais 885 ocorreram na indústria. Em Mato Grosso, foram 11.037 acidentes, sendo 4.268 no setor industrial, que concentrou 39% dos casos.

Sesi Experience Foto Viviane Petroli Canal Rural Mato Grosso
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Simulações chegam a outras regiões

Além dos módulos fixos em Rondonópolis, a estrutura móvel permite levar os treinamentos para dentro das empresas. A estratégia amplia o alcance do Sesi Experience e permite adaptar a capacitação às necessidades de diferentes atividades e regiões do estado.

“Ele já nasce aqui com uma parte dele estacionária e parte móvel, então eu já consigo atender outras regiões”, explica Serafim.

O projeto também terá uma segunda etapa voltada especificamente ao setor agroindustrial. A previsão é de implantação de uma nova estrutura em um terreno do Sesi em Sorriso, com ambientes que reproduzam equipamentos e operações comuns ao setor.

“Nós já temos a fase dois do SESI Experience, que é agroindustrial, num terreno nosso em Sorriso, onde nós vamos construir silo, moega e tombador simulados para que o trabalhador vivencie dentro do nosso centro de experiência, antes mesmo de colocar os pés na agroindústria”, detalha Serafim.


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Milho avança quase 3% em julho, apesar de mercado travado no fim do mês

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Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

O mercado de milho encerrou julho com pouca oscilação nos preços, embora o desempenho do mês tenha sido positivo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas/SP) registrou pequenas variações nos últimos dias do mês, mas acumulou valorização próxima de 3% em julho.

No fechamento de 31 de julho, o indicador ficou em R$ 65,25 por saca de 60 quilos, com leve queda de 0,08% em relação ao dia anterior. Ainda assim, o avanço mensal foi de 2,63%.

De acordo com o Cepea, os compradores seguem retraídos, acompanhando o avanço da colheita da segunda safra, que tende a elevar a oferta do cereal no mercado. Já os vendedores mantêm o foco nos trabalhos de campo, o que também limita o ritmo das negociações.

Nesse cenário, as operações no mercado spot e para entregas futuras continuam restritas, ocorrendo principalmente para atender demandas pontuais de compradores que precisam recompor estoques ou de vendedores que buscam fazer caixa ou liberar espaço nos armazéns, conforme avaliam os pesquisadores do Cepea.

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Preço da soja recua no fim de julho, mas fecha mês no maior nível de 2026

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Foto: Daniel Popov/Canal Rural

Após acumular fortes valorizações ao longo de julho, o mercado brasileiro de soja encerrou o mês em queda. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a redução das cotas disponíveis nos principais portos para embarques em agosto aumentou a oferta no mercado spot nacional e pressionou os preços.

No fechamento de 31 de julho, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paranaguá ficou em R$ 144,91 por saca de 60 kg, com recuo diário de 0,26%, enquanto o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná fechou em R$ 137,27 por saca, baixa de 0,40% no dia.

De acordo com o Cepea, outro fator que limitou os negócios foi o afastamento de parte dos compradores, que já haviam antecipado as aquisições nas semanas anteriores e reduziram o interesse por negociações de grandes volumes.

No cenário internacional, a melhora das condições climáticas para a safra norte-americana reforçou as expectativas de uma produção maior nos Estados Unidos. Além disso, a desvalorização do petróleo contribuiu para a pressão sobre as cotações da oleaginosa.

Apesar do movimento de baixa no encerramento de julho, o balanço do mês segue positivo. Conforme o Cepea, as médias mensais dos indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná atingiram os maiores patamares de 2026 em termos reais, refletindo a forte valorização observada ao longo do mês.

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