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3 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Manchas e pintas: entenda como onças-pintadas são identificadas no Pantanal de MT

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O avistamento de onças-pintadas no Pantanal de Mato Grosso vem acompanhado de um turbilhão de emoções e, sobretudo, de uma técnica que está sendo aprimorada ano após ano. É a identificação dos felinos por meio das manchas e das pintas nas pelagens. Todo esse cuidado e rigor técnico foi catalogado em um documento do Sesc Pantanal, divulgado no sábado (29), que serve como guia de orientação na Reserva Particular do Patrimônio Natural do Brasil (RPPN), em Barão de Melgaço, a 121 km de Cuiabá.

As imagens que compõem o guia foram coletadas a partir de 165 armadilhas fotográficas espalhadas dentro da reserva. Ao menos 39 onças foram registradas entre 2020 e 2023, e algumas delas chegaram a ter nomes escolhidos por meio de uma votação popular. Esse número, contudo, não expressa a quantidade de onças que vivem na região, e sim apenas aquelas que foram avistadas.

Para o pesquisador Guilherme Servi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o guia separa as onças por machos e fêmeas, com imagens de diferentes regiões para identificar cada animal, além de árvores genealógicas dos felinos no final do documento.

“As onças-pintadas possuem um padrão único de pelagem para cada indivíduo, funcionando como uma impressão digital. Suas pintas e rosetas das laterais do corpo, da face e da cauda formam combinações exclusivas para cada animal”, explicou.

A iniciativa da catalogação também integra o Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS) e a Fiocruz.

“A expectativa é que no ano que vem possamos divulgar a estimativa populacional de uma área tão importante para a conservação da onça-pintada e do Pantanal como um todo, que é a RPPN Sesc Pantanal”, destacou.

O monitoramento de onças na região também é feito por outros tantos projetos que incentivam o ecoturismo. Um deles é o Jaguar Camp, em que o guia de turismo e gestor ambiental Ailton Lara mantém um extenso catálogo de onças que são fotografadas a cada passeio de barco pelo rio.

“Não se trata apenas de ver a onça, mas de conhecer cada indivíduo e sua história. Com base em observação direta e no uso de armadilhas fotográficas, é possível contribuir muito para o conhecimento local e para a experiência dos visitantes”, disse.

Ele ainda ressaltou que a observação do comportamento dos felinos ajuda a entender a dinâmica deles com o meio ambiente. “Esses guias podem reunir anos de registros de avistamentos, genealogias, interações entre indivíduos, possíveis casos de consanguinidade, formação de coalizões entre machos algo que já observamos algumas vezes, além de interações agonísticas, acasalamentos de machos com fêmeas que ainda têm filhotes (incluindo casos de falso cio como estratégia de proteção), entre outros comportamentos que ajudam a entender a dinâmica de cada indivíduo”.

Para Lara, a população só é capaz de proteger a natureza e os animais a partir do momento em que passa a conhecê-los. “Você só protege aquilo que ama e amar é o primeiro passo para proteger”, acrescentou.

🐆Como identificar uma onça?

Segundo a 12ª edição da coletânea “Conhecendo o Pantanal”, cada onça-pintada possui uma combinação única de manchas, que são chamadas de rosetas, e pintas em sua pelagem, de acordo com o guia.

Apesar das rosetas serem semelhantes, a combinação é exclusiva para cada onça, assim como as impressões digitais dos seres humanos (veja exemplo a seguir).

Entenda como identificar uma onça-pintada no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Entenda como identificar uma onça-pintada no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

O pesquisador Servi explica como proceder ao avistar, de longe, uma onça para ser identificada. “Ao vê-lo, pode-se tirar fotos do animal e marcar a localização. Depois, o fluxo a ser seguido é folhear o guia buscando por onças já encontradas naquele local ou nas proximidades. Se for possível definir o sexo da onça, o leitor já refina sua busca para a seção de machos ou fêmeas. E, a partir daí, a tarefa é procurar uma correspondência entre as fotos tiradas com as onças do guia que melhor se enquadrem no perfil”, orientou.

Para identificar visualmente cada roseta ou um conjunto delas, a forma que elas são associadas pode facilitar nesse achado, como a forma de um sol ou de um triângulo.

“Uma vez associada, essa roseta serve como uma referência e, a partir dela, podemos observar seu entorno e definir se há ou não uma correspondência. Cada flanco possui um padrão distinto. Por isso, o ideal é visualizar ambos os lados de um indivíduo. Nem sempre isso é possível, então podemos recorrer a outras regiões corporais”, diz a explicação de um trecho do guia.

As partes mais importantes de identificação de uma onça são os perfis, como a testa e a face, e o traseiro, que inclui a cauda.

“Essas regiões também possuem manchas características que possibilitam a individualização. Uma boa visualização lateral ou do flanco traseiro também permite a confirmação do sexo do indivíduo”, destaca o guia.

Manchas e pintas de uma onça-pintada no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Manchas e pintas de uma onça-pintada no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

O que pode atrapalhar nesse processo é a iluminação e o ângulo da foto. Isso porque pode alterar a forma com que se visualiza as rosetas. “Por isso, antes de dar um veredito a respeito da identidade de uma onça, é fundamental ter várias correspondências entre as rosetas da sua imagem de interesse com as imagens de referência”, esclarece o documento.

Este trabalho, nos próximos anos, deve ser cada vez mais ampliado, segundo Servi. “A expectativa para os próximos anos é expandir o alcance do guia e possibilitar o uso de dados de Ciência Cidadã e registros obtidos por turistas para ampliar o guia e aumentar o escopo do monitoramento das onças-pintadas na região da reserva”, conclui.

Refúgio das onças

 

O Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal mato-grossense, é considerado um dos maiores abrigos de onças-pintadas do mundo. O lugar fica localizado entre os rios Cuiabá e Piquiri, em Porto Jofre, entre Poconé e Barão de Melgaço.

Combinado com o ecoturismo, os turistas podem passear de barco pelo bioma enquanto fazem o monitoramento das onças através de fotos e vídeos.

Entenda como identificar uma onça-pintada fêmea no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Entenda como identificar uma onça-pintada fêmea no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Veja manchas e pintas como identificação de onças no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Veja manchas e pintas como identificação de onças no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

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Agro Mato Grosso

Lucas do Rio Verde é a campeã entre as médias no Centro-Oeste I MT

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A cidade se tornou um dos casos mais bem-sucedidos de desenvolvimento econômico do país

O projeto de transformar produção agrícola em riqueza industrial deu certo em Lucas do Rio Verde. Em pouco mais de quatro décadas, a cidade mato-grossense se tornou um dos casos mais bem-sucedidos de desenvolvimento econômico do país. Não por acaso, conquistou o primeiro lugar entre as cidades de médio porte da Região Centro-Oeste no ranking de VEJA NEGÓCIOS.

A classificação leva em conta indicadores como emprego, renda, educação, saúde e gestão pública e confirma que planejamento de longo prazo, continuidade administrativa e vocação produtiva podem se traduzir em qualidade de vida e prosperidade. Desde a emancipação, em 1988, a população do município saltou de pouco mais de 5 000 habitantes para mais de 80 000.

O PIB per capita já supera os 100 000 reais anuais, cerca do dobro da média brasileira. Em ruas largas, arborizadas e planejadas, o desenvolvimento não ocorreu por acaso.

Desde os anos 2000, lideranças do agronegócio e sucessivas administrações municipais passaram a seguir um plano voltado à atração de investimentos e à industrialização da produção agrícola do entorno da cidade. O resultado foi um modelo de crescimento raro no Brasil.

Nas últimas duas décadas, Lucas do Rio Verde atraiu alguns dos maiores grupos do agronegócio nacional. A FS, uma das principais produtoras de etanol de milho do país, comprou neste ano toda a safra próximo de 1 milhão de toneladas do grão.

A beneficiadora de soja Amaggi e a processadora de proteína animal BRF mantêm no município, há mais de uma década, algumas de suas principais unidades industriais.

A localização estratégica às margens da BR-163, corredor logístico que liga o Centro-Oeste aos portos das regiões Norte e Sul, e a perspectiva de se tornar um importante entroncamento ferroviário de cargas nos próximos anos reforçam o potencial de expansão da economia local.

“O desenvolvimento de Lucas superou todas as melhores expectativas”, afirma o catarinense Osvaldo Martinello, que chegou à cidade há 37 anos e fundou a rede varejista que leva o sobrenome da família. A primeira loja, de apenas 150 metros quadrados, deu origem a um grupo com 113 pontos de venda distribuídos por 75 municípios mato-grossenses. “Chegamos com uma malinha nas costas e hoje somos uma empresa com 3 500 colaboradores. Essa trajetória só foi possível graças ao dinamismo econômico de Lucas do Rio Verde”, diz Martinello.

A força da agroindústria impulsionou também um amplo ecossistema de serviços.

“Ao longo do tempo, construímos um ciclo de crescimento acelerado, mas com equilíbrio social”, afirma o prefeito Miguel Vaz. O avanço da atividade econômica se refletiu no dinâmico mercado de trabalho local.

“Vivemos em pleno emprego desde o período pós-pandemia”, afirma o secretário municipal de Planejamento, Danilo Messias. Em 2025, considerando os municípios enquadrados na mesma faixa populacional dos critérios do Fundo de Participação dos Municípios, Lucas do Rio Verde liderou a geração de empregos no país. A boa gestão das contas públicas completa a equação. A arrecadação anual, próximo de 800 milhões de reais, supera despesas e investimentos, que giram em torno de 700 milhões.

Mais da metade do orçamento é destinada à saúde e à educação. O próximo desafio já está definido: ampliar a qualificação da mão de obra em inovação e tecnologia para atender às demandas de uma agroindústria cada vez mais sofisticada e preservar o ciclo de prosperidade que transformou Lucas do Rio Verde em uma referência nacional de desenvolvimento.

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Agro Mato Grosso

TCE mantém suspenso pregão de R$ 1,4 milhão de Prefeitura para compra de mobiliário escolar

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O Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) manteve a suspensão do pregão eletrônico de quase R$ 1,4 milhão lançado pela Prefeitura de Sapezal para a aquisição de mobiliário escolar. A tutela provisória de urgência, concedida em julgamento singular do conselheiro Alisson Alencar, foi homologada durante sessão ordinária desta terça-feira (28).

A medida cautelar foi solicitada em representação de natureza externa, na qual o requerente apontou possíveis restrições à competitividade do certame. Conforme a denúncia, o edital exigia uma marca específica para os conjuntos escolares, autorizava a solicitação de amostras e laudos de todos os participantes em qualquer fase da licitação e impunha a comprovação de regularidade fiscal perante o município por todos os licitantes, inclusive aqueles sediados em outras cidades.

Na análise preliminar do processo, o conselheiro verificou que a prefeitura justificou a exigência da marca com o argumento de manter a padronização estética do mobiliário e do ambiente escolar, que já conta com móveis do fabricante indicado no edital. Para o relator, contudo, a justificativa é insuficiente e carece de fundamentação técnica.

“Em uma análise preliminar, as normas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) podem garantir a harmonia visual necessária, sem necessidade de especificação de marca”, sustentou.

Em relação à exigência de regularidade fiscal perante o município, Alisson Alencar entendeu que a cláusula afronta o disposto no artigo 68 da Lei nº 14.133/2021, ao impor requisito incompatível com a legislação para empresas sediadas em outros municípios.

O conselheiro também apontou irregularidade na previsão que autoriza a administração a exigir amostras e laudos de todos os proponentes, por considerar que a medida contraria a sistemática prevista no artigo 41 da Lei de Licitações e impõe ônus desnecessário aos participantes do certame.

Ao votar pela manutenção da tutela provisória, o relator ressaltou ainda que a continuidade da licitação poderia resultar na adjudicação de um procedimento conduzido com regras potencialmente ilegais, causando prejuízos ao interesse público e ao erário.

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Com temperatura acima de 39°C, MT tem cinco cidades entre as mais quentes do Brasil

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🥵 Cinco cidades de Mato Grosso ficaram entre as mais quentes do Brasil nesta quinta-feira (30), segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O maior destaque foi Nova Xavantina, que registrou 39,1°C e teve a temperatura mais alta do país no dia.

Além de Nova Xavantina, também aparecem na lista das 20 mais quentes: Santo Antônio do Leverger, com 38°C, Cuiabá, com 37,8°C, e Espigão do Leste e Rondonópolis, ambas com 37,7°C.

As altas temperaturas reforçam o cenário de calor intenso que atinge Mato Grosso neste período de estiagem, com baixa umidade relativa do ar e maior risco de queimadas em diversas regiões do estado.

Confira as temperaturas registradas nas cidades de Mato Grosso que ficaram entre as mais quentes do Brasil nesta quinta-feira (30):

  • 1º Nova Xavantina – 39,1°C
  • 13° Santo Antônio do Leverger – 38°C
  • 14° Cuiabá – 37,8°C
  • 15° Espigão do Leste – 37,7°C
  • 17° Rondonópolis – 37,7°C
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