Agro Mato Grosso
Potência turística: Pantanal vira vitrine mundial e sustenta gerações em Mato Grosso

Com o avanço do turismo e novos investimentos, o Pantanal se consolida como força econômica em Mato Grosso, atraindo visitantes de vários países e garantindo renda a famílias tradicionais da região.
Foram apenas dois dias de viagem, mas suficientes para que a jornalista grega Marisofi Giannouli, de 42 anos, se apaixonasse pelo Pantanal, uma região que, segundo ela, “parece existir fora do tempo”. O bioma foi eleito pelo site norte-americano USA Today o quarto melhor destino do mundo para observação de vida selvagem, conforme divulgação da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O interesse crescente também aparece nos números oficiais. Em 2024, o estado registrou um crescimento de 19,07% na entrada direta de visitantes internacionais, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Um exemplo disso é Marisofi. Em entrevista a imprensa, ela contou que viajou ao Brasil a negócios, mas que decidiu estender a viagem para conhecer mais o país. Para ela, entre todas as belezas brasileiras, Mato Grosso foi o destino que mais surpreendeu pela biodiversidade e pelas paisagens de tirar o fôlego.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/X/i/PBJQJ6TuKE7wjFZ4BwPA/whatsapp-image-2025-11-27-at-10.04.01.jpeg)
Jornalista grega Marisofi Giannouli, de 42 anos, em visita ao Pantanal em 2025 — Foto: Reprodução
Segundo Marisofi, as paisagens, os rios e a vida selvagem deram a impressão de um ambiente ainda pouco tocado pelo homem, como se estivesse em uma fronteira ainda não explorada, algo raro nos dias atuais.
A turista grega afirmou que a região se mostrou limpa, autêntica e com uma diversidade animal extraordinária, e que espera que o bioma preserve justamente a autenticidade que tornou a viagem tão inesquecível.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/F/w/mlAI7PSiqfBrhVsy0Ifw/perdabiomas.png)
Proporcionalmente, pampa é o bioma mais devastado, enquanto o pantanal é o mais preservado — Foto: Economia/G1
O Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e é protegido internacionalmente pela Convenção de Ramsar, do qual o Brasil é signatário. O bioma é o mais preservado do mundo, com mais de 80% de sua cobertura original, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

Pantanal mato-grossense — Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT
Mas, para além da beleza natural, o bioma se consolidou como uma das principais fontes de renda para quem vive na região, sustentando tradições, impulsionando pequenos negócios e fortalecendo a preservação ambiental.
Nos municípios de Cáceres, Curvelândia, Poconé e Barão de Melgaço, região pantaneira de Mato Grosso, o setor de turismo reúne 12.348 empresas ativas, segundo levantamento feito pelo Sebrae.
- 🏠Microempreendedores Individuais (MEIs) – 6.244 empresas de turismo
- 🏨Microempresas – 3.981
- 🏢Médias e grandes empresas – 551
Dados enviados pela gestora estadual de Turismo no Sebrae Mato Grosso, Fabíola Lima, mostram que, entre 2015 e 2025, a região registrou uma média anual de abertura de mais de 600 novas empresas.
Em junho deste ano, o Governo de Mato Grosso anúncio de um investimento de US$ 150 mil — cerca de R$ 823 mil na cotação atual — para a campanha “Safari for the Senses”. A iniciativa conjunto com Mato Grosso do Sul, Embratur e a organização global National Geographic busca posicionar o bioma como um dos principais destinos de turismo de vida selvagem do mundo.
Neste mês, o Pantanal ganhou uma vitrine internacional em Nova York por meio de uma exposição na Visit Brazil Gallery, uma iniciativa da Embratur em parceria com o Sebrae para fomentar a cadeia turística e potencializar os negócios da região.
A expansão do turismo não mudou apenas a economia local, transformou histórias, trajetórias e o cotidiano de famílias inteiras.
👨👩👦👦Tradição que atravessa gerações
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/c/8/mmC2KwTi6WRJ38ocMpRA/whatsapp-image-2025-06-07-at-10.54.20.jpeg)
Família Costa atua no turismo pantaneiro há mais de 40 anos, mantendo viva a tradição entre gerações. — Foto: Arquivo pessoal
Na região de Porto Jofre, em Poconé, a 104 km de Cuiabá, a família Costa mantém viva uma tradição que atravessa gerações. São mais de quatro décadas dedicadas ao turismo no Pantanal.
A história começou com o bisavô de Ivan Freitas da Costa, de 54 anos, antes mesmo da construção da Transpantaneira, hoje uma das principais estradas de acesso ao bioma. Atualmente, a pousada leva o nome de Jamil, que é pai de Ivan, de 76 anos, e conta com a participação de toda a família na administração e no atendimento aos visitantes.
Ivan contou que mais de 90% da renda da família vem da pousada, o que torna o turismo fundamental para a manutenção do negócio.
“O turismo pra nós, sem sombra de dúvidas, é de extrema importância. É algo que mudou nossa vida. Por isso, a gente cuida de tudo pra que o turista realize o sonho dele aqui”, relatou Ivan.
A tradição empreendedora da família levou o filho mais velho, Luiz Felipe Amorim Costa, de 18 anos, a cursar administração para contribuir com a gestão no futuro. Enquanto isso, Jamil Rodrigues da Costa, patriarca da família, segue ativo no trabalho, mesmo aos 76 anos.
Jamil relembrou também que a relação da família com o turismo começou após uma das maiores enchentes já registradas no Pantanal, em 1974. Segundo ele, o evento pegou os pantaneiros de surpresa e marcou um ponto de virada na dinâmica da região, impactando fortemente a pecuária.
A partir dali, o movimento de pessoas interessadas em conhecer o bioma cresceu e as terras da família começaram a ser usadas também para receber visitantes, dando início à atividade turística que hoje sustenta várias gerações.
📸Mudança de vida
Fotógrafo e guia de turismo Tchaco Pantaneiro — Foto: Arquivo pessoal
Conhecido pelo apelido de ‘Tchaco Pantaneiro’, o fotógrafo e guia de turismo iniciou a vida profissional como auxiliar de serviços gerais em uma pousada do Pantanal mato-grossense. O contato diário com turistas estrangeiros despertou nele o interesse pela área.
“O turismo mudou a minha vida. Tudo que eu tenho é do turismo. Hoje ganho mais do que o dobro do que eu ganhava antes. Convivo com pessoas de vários países, aprendo todo dia. Nunca imaginei que poderia sustentar minha família mostrando o Pantanal”, disse.
O reconhecimento veio junto com a experiência e Tchaco se tornou um dos guias mais procurados da região e afirma que cerca de 80% dos clientes são estrangeiros, muitos deles, repetentes apaixonados.
“Tem grupos que já viajaram o mundo inteiro e voltaram ao Pantanal três, quatro vezes comigo”, contou.
🐆Observação de animais
Piloto flagra salto de onça-pintada antes ataque contra jacaré no Pantanal de MT — Foto: Gabriel Felipe
Se no imaginário africano o leão é o rei da savana, no Pantanal quem governa é a onça-pintada. O maior felino das Américas pode chegar a 135 kg e ganhou um protagonismo que vai muito além da fauna: virou símbolo econômico.
O avistamento de onças impulsiona boa parte do ecoturismo local. Barcos que percorrem rios e levam visitantes em busca do primeiro encontro, que, para muitos, é um dos momentos mais marcantes da vida.
As fotos e vídeos captadas de forma voluntária pelos turistas ajudam, inclusive, no monitoramento dos animais, reforçando o vínculo entre turismo e conservação.
🌱Turismo consciente
O biólogo e guia de turismo, Marcos Ardevino, que trabalha no Pantanal há mais de 11 anos, explicou que o ecoturismo pode contribuir ativamente na preservação do meio ambiente. Segundo ele, a atividade vai além da contemplação da natureza e envolve práticas sustentáveis que ajudam a proteger o bioma e a conscientizar os visitantes.
“É com o turismo que conseguimos sensibilizar as pessoas que preservar e conservar o nosso meio ambiente é de extrema importância e essencial para nossa sobrevivência como espécie. Eu gostaria muito que mais pessoas pudessem conhecer todo esse ecossistema que é o Pantanal”, disse.
Confira abaixo alguns pontos destacados pelo biólogo:
- 📚Educação e conscientização ambiental
As experiências oferecidas vão além do lazer: sensibilizam os visitantes sobre a importância do bioma, promovendo o respeito à natureza e incentivando a conservação.
- 🔍Monitoramento da fauna e flora
A presença de turistas e profissionais ajudam a identificar ameaças ao ambiente, como incêndios ou espécies invasoras, de forma mais rápida.
- 📉Redução de impactos de atividades predatórias
Ao gerar renda, o turismo pode substituir práticas como queimadas, garimpo e desmatamento em determinadas comunidades.
- 💡Energia limpa nas pousadas
Muitos empreendimentos da região têm adotado fontes alternativas de energia, como a solar, reduzindo o impacto ambiental da atividade turística.
- 🚮Gestão adequada de resíduos
As pousadas e operadoras locais buscam dar destino correto ao lixo produzido, contribuindo para a preservação da paisagem natural e dos cursos d’água.
- 🕺Turismo guiado por especialistas
Empresas de turismo têm se aliado a profissionais como biólogos, que acompanham as atividades para garantir informações precisas sobre fauna, flora e geologia, além de orientar práticas seguras e responsáveis.
O bioma
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/A/O/JWPJE4QNSyzVEsHV0c6w/whatsapp-image-2024-05-29-at-11.14.57.jpeg)
Animais ficaram brigando por cerca de duas horas — Foto: Branco Arruda
O Pantanal abriga uma diversidade única, incluindo várias espécies ameaçadas, ao todo são:
- 🌱3,5 mil espécies de plantas
- 🐟325 espécies de peixes
- 🐸53 espécies de anfíbios
- 🐊98 espécies de répteis
- 🦜656 espécies de aves
- 🐆159 tipos de mamíferos
Onça-pintada, jacaré, tuiuiú, ipês, jacarandás e entre outros integrantes representam o Pantanal. Além disso, ele atua como regulador natural de enchentes, porque absorve e armazena água durante períodos chuvosos.
O Pantanal também funciona como um reservatório de água doce com altitudes que alcançam 150 metros. Seus recursos hidrológicos são importantes para o abastecimento das cidades, onde vivem aproximadamente 3 milhões de pessoas, no Brasil, Bolívia e Paraguai.
Nos anos 2000, a Unesco concedeu ao bioma o título de ‘Reserva da Biosfera’, além de tombá-lo como Patrimônio da Humanidade.
Agro Mato Grosso
VÍDEO: onças-pintadas fazem ‘natação artística’ próximo a hidrelétrica de MT

Funcionários da empresa de energia registraram o momento em que os animais nadam de forma sincronizada contra correnteza.
Duas onças-pintadas foram flagradas em um raro ‘dueto aquático’, nadando lado a lado em um rio próximo à Usina Hidrelétrica Colíder, no norte do estado, em um registro feito por uma equipe da AXIA Energia.
No vídeo registrado, é possível ver os dois animais nadando de forma sincronizada contra correnteza em direção a uma área de terra (assista abaixo).
O registro se torna ainda mais impressionante porque as onças-pintadas costumam ter hábitos solitários e territorialistas. Segundo o biólogo Henrique Abrahão Charles, a presença em dupla pode indicar período de acasalamento ou se tratar de uma fêmea acompanhada de seu filhote.
De acordo com o biólogo Henrique, embora a cena pareça um verdadeiro ‘show aquático’, as onças estariam, na realidade, acuadas pela aproximação do barco da equipe.
VIDEO:
🐆A espécie
A espécie depende de extensas áreas preservadas, oferta de presas para caça e disponibilidade de água para sobreviver. Além de ser o maior felino das Américas, ela pode nadar em uma velocidade entre 50 e 80 km/h em arrancadas curtas e se destaca como uma caçadora de emboscada.
Ela possui uma das mandíbulas mais poderosas entre os grandes felinos, com a mordida mais forte proporcionalmente ao tamanho do corpo, e pode medir entre 1.10 e 1.85 metros de comprimento, sem contar a cauda, e pesar até 148 kg.
A espécie é considerada ameaçada no Brasil e enfrenta pressões como perda de habitat, caça e conflitos com atividades humanas.
Agro Mato Grosso
GCB estrutura CRA de R$ 30,5 milhões para financiar reorganização de dívidas do Grupo Rizzi

Operação apoia produtor rural da Bahia e do Maranhão e reforça o uso do mercado de capitais no financiamento do agronegócio
A GCB, empresa financeira especializada em estruturação, securitização e distribuição de ativos de crédito privado, lançou uma operação de R$ 30,5 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) para o Grupo Rizzi, produtor rural com atuação na Bahia e no Maranhão.
Os recursos serão usados para quitar dívidas bancárias e substituí-las por uma estrutura mais adequada ao ritmo do agronegócio, em que o caixa depende do plantio, da colheita e da venda da produção. O Grupo Rizzi atua no cultivo e comercialização de grãos como soja, feijão, algodão e sorgo para indústrias alimentícias e o mercado de commodities.
O CRA Rizzi prevê investimento mínimo de R$ 1.000, prazo de 48 meses e remuneração prevista de CDI + 4,5% a.a., com pagamento mensal de juros. O ativo tem distribuição exclusivamente pela plataforma da GCB, reforçando a conexão entre o mercado de capitais e empresas que atuam diretamente na economia real.
O lançamento ocorre em um momento em que o mercado de capitais ganha espaço como fonte de financiamento para o agronegócio. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o valor total em aberto em instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,4 trilhão em fevereiro de 2026, sinal da maior participação do mercado privado no crédito ao campo.
“Essa operação combina duas necessidades importantes: de um lado, o produtor busca uma estrutura de financiamento mais compatível com o ciclo da safra; de outro, investidores procuram alternativas de crédito privado ligadas a setores produtivos da economia. O papel da GCB é conectar essas pontas com uma estrutura organizada e adequada ao perfil da operação”, afirma Victor Moura, diretor de DCM da GCB Investimentos.
Agro Mato Grosso
Vídeo: Incêndio atinge área de armazenagem de usina em MT

Fogo foi controlado com apoio de brigadistas da empresa; ninguém ficou ferido e a produção da unidade não foi afetada.
Um incêndio registrado na madrugada desta terça-feira (16) mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar e brigadistas de uma usina de etanol em Sinop, a 503 km de Cuiabá. As chamas atingiram um equipamento localizado no setor de armazenagem da unidade industrial.
Os bombeiros foram acionados por volta das 4h30 para atender à ocorrência. Segundo informações iniciais, o fogo se espalhou rapidamente na área afetada, exigindo uma operação conjunta para impedir que as chamas alcançassem outros pontos do local. (Video abaixo)

Durante o combate, as equipes concentraram esforços na contenção do incêndio e na proteção das estruturas vizinhas. A atuação integrada entre os bombeiros e a brigada interna evitou que o incidente provocasse danos em outros setores considerados estratégicos para o funcionamento da unidade.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/3/U/AtChdeSqaDGZo3JBKEqw/4e8a3-2023-02-07.jpg)
Unidade da Inpasa em Sinop – Mato Grosso — Foto: engedelta
Em nota, a Inpasa informou que a ocorrência foi identificada rapidamente e que os protocolos de segurança foram acionados imediatamente. A empresa destacou que o incêndio ficou restrito ao local atingido e não comprometeu as demais áreas nem a produção da usina.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas e deverão ser investigadas após a conclusão dos trabalhos no local.
VIDEO:
Ver essa foto no Instagram
Featured18 horas agoMutirão do Repesca atende pescadores em Rondonópolis até amanhã (18); veja documentos
Featured19 horas agoAfastado por suspeita de venda de sentenças, desembargador se aposenta com salário integral
Featured21 horas agoPM e PRF apreendem 6 quilos de drogas e prendem suspeito em Alto Araguaia
Agro Mato Grosso19 horas agoGCB estrutura CRA de R$ 30,5 milhões para financiar reorganização de dívidas do Grupo Rizzi
Sustentabilidade24 horas agoProteína da soja começa a ganhar valor no mercado brasileiro – MAIS SOJA
Featured20 horas agoBombeiros controlam incêndio de grandes proporções em residência de Alta Floresta
Business23 horas agoAgro mantém confiança no futuro apesar de juros altos e restrição de crédito
Sustentabilidade20 horas agoComo a disponibilidade de nitrogênio altera a distribuição da produtividade de grãos na planta de soja – MAIS SOJA
















