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6 de maio de 2026

Sustentabilidade

Uso de organismos vivos para proteger plantas cresce no Brasil – MAIS SOJA

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No esforço por uma agricultura mais segura, sustentável e eficiente, os bioprotetores vêm ganhando protagonismo como solução estratégica para o controle de doenças em plantas. Mais do que substituir agrotóxicos, esses produtos baseados em organismos vivos — como fungos, bactérias, vírus e até ácaros — atuam de forma inteligente, protegendo as culturas agrícolas sem agredir o meio ambiente, a saúde dos agricultores e dos consumidores.

Diferentemente dos chamados “fungicidas ou biofungicidas”, que pressupõem a morte do patógeno, os bioprotetores atuam por outros mecanismos, como competição, parasitismo, antibiose e indução da resistência da planta. Por isso, o termo bioprotetor tem sido cada vez mais defendido por especialistas como o mais apropriado para englobar os diversos tipos de ação desses organismos. Em vez de eliminar o agente causador da doença, muitos bioprotetores fortalecem as defesas naturais da planta, competem por nutrientes e espaço estabilizando o ambiente e prevenindo o surgimento de novos surtos.

A definição mais aceita de controle biológico de doenças considera a redução das atividades determinantes da doença por meio da ação de organismos vivos, excluindo-se o homem. Esse controle pode ocorrer de forma natural, conservacionista, clássica (introdução de inimigos naturais) ou aumentativa (aplicação em larga escala). Em qualquer uma dessas abordagens, os bioprotetores desempenham papel central.

Eles podem incluir microrganismos avirulentos, plantas melhoradas geneticamente, organismos antagonistas de patógenos e até produtos naturais derivados desses seres vivos. Seu uso pode ser integrado a práticas culturais, com o objetivo de criar ambientes mais favoráveis à planta e menos propícios à doença. Em muitos casos, os bioprotetores não “matam” o patógeno, mas interferem na sua reprodução ou impedem que ele cause danos à planta.

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Mercado aquecido: avanço acelerado no uso de bioprotetores

O mercado global de produtos de biocontrole movimentou US$ 8,2 bilhões em 2023 e deve atingir US$ 25,7 bilhões até 2030, segundo a consultoria Research and Markets. O Brasil lidera esse crescimento. Dados da empresa Kynitec mostram que a área potencial tratada com agentes de biocontrole passou de 35 milhões de hectares na safra 2021/2022 para 58 milhões em 2023/2024 — alta de mais de 29% em cinco anos.

O destaque vai para os bionematicidas, responsáveis por 47% da área tratada, à frente dos bioinseticidas (36%) e biofungicidas (17%). Em culturas como soja, milho e algodão, o uso de bionematicidas já supera o de produtos químicos. Em 2015, eles representavam apenas 6% do mercado nacional. Em 2022, atingiram 75%, enquanto os nematicidas químicos despencaram de 94% para 25%. Apesar do avanço, os bioprotetores ainda representam apenas 4% do total de produtos fitossanitários utilizados no Brasil, o que revela um enorme potencial de expansão.

Entre os agentes de biocontrole mais importantes e amplamente comercializados estão os fungos: Trichoderma spp., Beauveria bassianaMetarhizium anisopliaeIsaria fumosoroseaClonostachys rosea e as bactérias: Bacillus subtilisBacillus amyloliquefaciensBacillus licheniformisBacillus methylotrophicusBacillus velezensis e Bacillus thuringiensis.

Esses organismos combatem patógenos do solo e da parte aérea, com diferentes modos de ação. Trichoderma, por exemplo, age por parasitismo, competição, antibiose e estímulo à defesa da planta. Já as espécies de Bacillus se destacam pela capacidade de formar biofilmes, produzir metabólitos antimicrobianos e induzir resistência sistêmica.

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No Brasil, Trichoderma responde por cerca de 17% da área tratada com bioprotetores e Beauveria, por 16%. O grupo mais abrangente, no entanto, é o das espécies de Bacillus, que cobrem aproximadamente 25% da área protegida.

Planta tratada com Bacillus. Photo: Arquivo Embrapa

Novos agentes e tecnologias ampliam fronteiras

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a explorar agentes não tradicionais como bioprotetores, incluindo Micovírus: vírus que infectam fungos e reduzem sua virulência. Já são utilizados em países como a China para o controle do crestamento do castanheiro, bacteriófagos: vírus que atacam bactérias específicas, sem afetar seres humanos ou animais. Têm potencial para o controle de doenças bacterianas em plantas, ácaros predadores e micófagos: como Orthotydeus lambi Ricoseius loxocheles, que atuam no controle de oídio da videira e ferrugem do cafeeiro, respectivamente. A criação desses organismos em laboratório e o desenvolvimento de formulações compatíveis com defensivos agrícolas são desafios que precisam ser superados para ampliar seu uso comercial.

O desenvolvimento de um novo bioprotetor exige um processo rigoroso de seleção, envolvendo etapas como avaliação da cultura e da doença-alvo, isolamento de organismos antagonistas no ambiente de interesse (por exemplo, semiárido brasileiro), testes de eficácia em laboratório e campo, produção massal e formulação estável e integração ao sistema produtivo. Essa abordagem permite selecionar agentes adaptados às condições locais e às necessidades específicas dos agricultores. O caso do controle do mofo-branco da soja com Trichoderma Bacillus ilustra a importância de integrar o bioprotetor ao manejo agrícola, incluindo culturas subsequentes.

Política pública impulsiona bioinsumos e inovação

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Criado em 2020, o Programa Bioinsumos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tem papel fundamental na ampliação do uso de bioprotetores no país. O programa promove produtos e tecnologias de origem biológica que favoreçam o crescimento das plantas, melhorem a saúde do solo e contribuam para a sustentabilidade dos sistemas agropecuários.

Segundo o decreto que criou o programa, bioinsumos são produtos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana que interferem positivamente no crescimento e defesa das plantas, e que podem ser utilizados na produção, armazenamento e beneficiamento de alimentos.

De acordo com Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito para consolidar o uso de bioprotetores no Brasil, como desenvolver bioherbicidas para reduzir o uso de químicos no controle de plantas daninhas, ampliar a diversidade de microrganismos disponíveis comercialmente, produzir fungos em sistemas mais sustentáveis (como fermentação líquida), desenvolver produtos adaptados às mudanças climáticas e que aumentem a eficiência do uso de nutrientes, abrir coleções microbianas públicas para empresas e pesquisadores desenvolverem novos produtos, investir em formação técnica e científica de profissionais da cadeia dos bioinsumos.

“A substituição de agrotóxicos por bioprotetores não é apenas uma tendência de mercado — é uma resposta à demanda por práticas agrícolas mais conscientes, seguras e resilientes. Ao proteger as plantas sem comprometer o meio ambiente, os bioprotetores restabelecem o equilíbrio dos agroecossistemas, reduzem a exposição de trabalhadores rurais a produtos tóxicos e oferecem alimentos mais seguros aos consumidores”, explica Bettiol.

“Com ciência, políticas públicas e inovação trabalhando em conjunto, o Brasil tem tudo para seguir como líder mundial no desenvolvimento e uso de bioprotetores. E, mais do que isso, tem a oportunidade de construir uma agricultura com menos veneno e mais vida”, conclui Bettiol.

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O estudo completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Cristina Tordin – Embrapa Meio Ambiente



 

FONTE

Autor:Cristina Tordin/Embrapa Meio Ambiente

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Site: Embrapa

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Sustentabilidade

MERCADO DE TRABALHO/CEPEA: Em 2025, agronegócio emprega mais de 26% da população ocupada no País – MAIS SOJA

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O agronegócio brasileiro somou 28,4 milhões de trabalhadores em 2025, se configurando como um novo recorde, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Esse contingente representa 26,3% do mercado de trabalho nacional, participação superior à observada em 2024 (26,1%). Entre 2024 e 2025, o número de pessoas atuando no agronegócio avançou 2,2% (equivalente a pouco mais de 600 mil pessoas). Na mesma comparação, o mercado de trabalho brasileiro cresceu 1,7% (equivalente a 1,8 milhão de pessoas).

Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, o resultado do agronegócio foi impulsionado sobretudo pelo segmento de agrosserviços, que registrou aumento de 6,1% no número de trabalhadores. De modo geral, a expansão das ocupações nesse segmento está fortemente associada à retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos agropecuários até a produção de insumos, refletindo, em última instância, as transformações estruturais em curso no setor. Adicionalmente, o bom desempenho da agropecuária – impulsionado pela renovação de recordes de safras e de abates de animais – tem ampliado a demanda por serviços de apoio e logística, intensificando a absorção de mão de obra nos agrosserviços e contribuindo para o aquecimento do mercado de trabalho no agronegócio.

O segmento de insumos avançou 3,4% em 2025 frente ao ano anterior. Pesquisadores do Cepea/CNA indicam que esse resultado foi impulsionado pelo desempenho positivo das indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. Para a agroindústria, o crescimento anual foi de 1,4%.

Já o segmento primário registrou queda nas ocupações, de 1,1%, resultado reflete, sobretudo, a queda do contingente na agricultura, em contraste com a relativa estabilidade observada na pecuária.

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PERFIL – De 2024 para 2025, houve crescimento no número de empregados com carteira assinada (4,6%, ou 440.337 pessoas) e sem carteira assinada (0,2%, ou 9.942 pessoas) – ambas as categorias atingindo os maiores níveis da série histórica –, além da expansão dos trabalhadores por conta própria (3,2%, ou 213.981 pessoas). No que se refere ao grau de escolaridade da população ocupada, em 2025, houve elevação do nível de instrução no agronegócio: reduziram-se os trabalhadores sem instrução (-7,6% ou 121.998 pessoas) e com ensino fundamental (-0,9% ou 101.876 pessoas), enquanto aumentaram os com ensino médio (4,2% ou 459.556 pessoas) e superior (8,3% ou 336.124 pessoas). A análise por gênero indica expansão da ocupação para ambos os grupos, com aumento de 1,9% no número de trabalhadores homens (ou 323.761 pessoas) e de 2,6% no contingente de trabalhadoras mulheres (ou 278.046 pessoas), sugerindo avanço, ainda que gradual, da participação feminina no mercado de trabalho do agronegócio.

FONTE

Autor:CEPEA

Site: CEPEA

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Sustentabilidade

Importação de insumos e geopolítica pautam 4º Congresso Abramilho – MAIS SOJA

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Dependente da importação de insumos, o produtor de milho e sorgo brasileiro precisa acompanhar de perto o cenário internacional antes de fazer planos para a próxima safra. Não à toa, a geopolítica é um dos destaques do 4º Congresso Abramilho, que ocorrerá no dia 13 de maio, no Unique Palace, em Brasília (DF). O painel “Geopolítica: como proteger o agro frente às incertezas globais?” analisa os reflexos de conflitos e tensões internacionais no setor.

O debate ocorre em um cenário de alta complexidade, onde a logística de fertilizantes, defensivos e diesel é diretamente afetada por instabilidades externas. Mesmo sendo o terceiro maior produtor de milho e um dos principais exportadores de alimentos do mundo, o Brasil enfrenta desafios logísticos. Um deles é a alta dependência externa, já que mais de 90% dos fertilizantes utilizados no país são importados. Além disso, parcela significativa do diesel e de moléculas essenciais para defensivos agrícolas vêm de mercados estrangeiros, como a China.

Para o diretor executivo da Abramilho e organizador do evento, Glauber Silveira, o momento exige atenção redobrada devido à sensibilidade da cadeia produtiva aos eventos externos. “A escolha desse tema foi feita porque vivemos um momento de geopolítica complexa. A instabilidade internacional afeta do preço do diesel à disponibilidade de defensivos agrícolas e fertilizantes”, ponderou Silveira.

Ele ressaltou que qualquer oscilação no mercado global atinge o produtor brasileiro rapidamente. O debate também abordará as negociações do Acordo Mercosul-União Europeia e outros tratados internacionais que influenciam o fluxo comercial. O objetivo é traçar diretrizes para que o agronegócio possa mitigar riscos e encontrar caminhos para reduzir a dependência de insumos estrangeiros.

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Segundo ele, o painel buscará soluções que envolvam tanto políticas governamentais quanto iniciativas privadas. “Nossa perspectiva é trazer luz ao tema. O que nós, produtores, podemos ou devemos fazer a curto, médio e longo prazos? Existem soluções que podemos buscar junto ao Governo, ou então iniciativas setoriais que podem nos ajudar?”, questionou Glauber Silveira.

O painel “Geopolítica: como proteger o agro frente às incertezas globais?” será às 12h e terá a participação de Grace Tanno, chefe da Divisão de Política Agrícola do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Além dela, participarão Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); Maciel Silva, diretor técnico adjunto da CNA; Márcio Farah, diretor geral Brasil da Pivot Bio; e Arene Trevisan, diretor executivo de Suprimentos da JBS. A mediação será conduzida por Mauro Zafalon, da Folha de S. Paulo.

Serviço
Evento: 4º Congresso Abramilho
Data: 13 de maio de 2026, das 8h às 14h
Local: Unique Palace, Brasília/DF
Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/4-congresso-abramilho/3364808

Fonte: Abramilho

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Sustentabilidade

Oferta de Soja em MT deve recuar 4,47% na Safra 26/27, aponta Imea – MAIS SOJA

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Em mai/26, a oferta de soja para a safra 26/27 em Mato Grosso foi estimada em 49,53 mi de t, queda de 4,47% em relação à temporada anterior. Essa redução está atrelada à projeção de menor produção de soja no estado, sustentada por um cenário de incertezas, principalmente, quanto ao nível de investimentos.

Apesar, do recuo, a produção projetada para a safra é a terceira maior de toda a série histórica do instituto. No que se refere à demanda pela oleaginosa, a previsão é que sejam consumidas 49,39 mi de t na safra 26/27, retração de 3,54% em relação ao ciclo anterior. Desse total, 13,65 mi de t deverão ser destinadas ao consumo no estado e 5,23 mi de t para outros estados.

Em relação à destinação, as exportações foram estimadas em 30,51 mi de t, queda de 4,98% no comparativo entre safras. Esse movimento é reflexo da menor disponibilidade do grão mato-grossense. Por fim, o estoque final da safra 26/27 foi estimado em 0,14 mi de t, retração de 78,46% em relação à safra anterior.

Confira os principais destaques do boletim:
  • ALTA: diante da cautela quanto à oferta global, após a União Europeia rejeitar cargas oriundas da Argentina, o farelo de soja em Chicago registrou elevação de 1,85% em relação à semana passada.
  • ACRÉSCIMO: o preço da oleaginosa em Mato Grosso encerrou o período na média de R$103,68/sc, incremento de 1,39% no comparativo semanal.
  • AUMENTO: com a demanda aquecida pela soja em grão e a valorização nas cotações dos coprodutos da oleaginosa, o indicador Cepea apresentou alta de 1,20% frente à semana passada.
Imea divulga primeira projeção da safra 26/27 de soja com redução na produtividade em Mato Grosso.

A área de soja no estado foi projetada em 13,04 milhões de ha, alta de 0,25% em relação à safra 25/26. O avanço mais moderado reflete preços mais baixos da oleaginosa e custos de produção ainda elevados, o que pressiona as margens do produtor. Além disso, as condições de financiamento mais restritas, aliadas às altas taxas de juros, limitam a expansão sobre novas áreas.

Com relação ao rendimento, neste início, as projeções ainda incorporam incertezas associadas às condições climáticas e ao manejo fitossanitário das lavouras. Segundo a NOAA, no 1º trim de desenvolvimento da oleaginosa, a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño é próxima de 80%, podendo intensificar a irregularidade das chuvas em MT.

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Diante desse cenário, a produtividade da temporada foi estimada em 62,44 sc/ha, queda de 5,43% em relação à safra anterior. Por fim, com o recuo no rendimento, a produção de soja para a safra 26/27 foi projetada em 48,88 milhões de t, redução de 5,19% frente à safra 25/26.

Fonte: IMEA



 

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