Sustentabilidade
Mercado de arroz têm setembro marcado por falta de celebrações e pior crise dos últimos anos – MAIS SOJA

O mês de setembro terminou sem motivos para comemoração no mercado brasileiro de arroz. Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, ao contrário do simbolismo da Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, berço da rizicultura brasileira, o setor enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos, com preços em forte queda, liquidez mínima e apreensão em toda a cadeia produtiva.
Conforme o analista, a saca gaúcha acumulou retração de 7,63% no mês, atingindo valores 50% inferiores aos de setembro de 2024 e registrando o menor nível desde maio de 2020. Na Fronteira Oeste, a queda chegou a 6,68%, em linha com o movimento de baixa em todas as regiões produtoras.
“O mercado vive um derretimento das cotações que não se via há anos. A indústria está com margens cada vez mais estreitas e algumas unidades relatam queda de até 50% no faturamento, operando com apenas 50% a 60% da capacidade”, destacou.
No varejo, a pressão se intensificou com promoções agressivas. “Encontramos pacotes de 5 kg de arroz entre R$ 11,99 e R$ 12,00. Esse valor é insustentável para a indústria e para o produtor”, afirmou Oliveira.
Do lado da oferta, os estoques elevados, estimados em mais de 2,3 milhões de toneladas (base casca), seguem como principal entrave à recuperação. “Temos um bloqueio natural de preços criado por estoques altos e pela dificuldade de escoamento. Parte das indústrias e cooperativas ainda resiste a atuar de forma agressiva no mercado externo, e isso reforça o gargalo interno”, explicou.
Na safra 2025/26, os sinais também são de atraso e incerteza. Até o fim de setembro, apenas 10% da área prevista no Rio Grande do Sul havia sido semeada, contra 30% no mesmo período do ano passado. No país, o plantio alcançou 7,2%, abaixo da média histórica de 10,6%. “A descapitalização dos produtores e o aumento do risco têm levado muitos a arrendar terras ou migrar para soja, milho e pecuária. O arroz vai perdendo área e importância”, avaliou Oliveira.
No cenário internacional, o Brasil perde espaço para os Estados Unidos, que reduziram seus preços de exportação do arroz em casca de US$ 300 para US$ 275/t durante a colheita. “Hoje, para recuperar mercados da América Central e do Caribe, precisaríamos de uma diferença de pelo menos US$ 100/t em relação aos americanos. Isso é inviável com os atuais custos e câmbio”, disse o analista. No porto de Rio Grande, o arroz é cotado entre US$ 260 e US$ 270/t, mas sem atratividade para novos embarques.
Os números de comércio exterior reforçam a leitura de perda de competitividade. Até a 4ª semana de setembro, o Brasil exportou 926 mil toneladas (base casca), ligeiramente acima do ciclo anterior, mas já apresenta reversão: no mês, foram 87 mil t exportadas contra 128,1 mil t importadas. “O câmbio ao redor de R$ 5,30 encarece nosso produto e favorece importações, piorando ainda mais o quadro”, acrescentou Oliveira.
Para ele, setembro deixou evidente a urgência de mudanças estruturais. “Se quisermos evitar crises cíclicas, o setor precisa assumir a exportação como prática obrigatória. Pelo menos 20% da produção deveria ser destinada ao mercado externo logo após a colheita. Isso significaria algo em torno de 2 milhões de toneladas por ano, desafogando o mercado interno e garantindo previsibilidade”, defendeu.
Fonte: Ritiele Rodrigues – Safras News
Sustentabilidade
Milho em MT: Exportações da Safra 24/25 Crescem 5%, mas Ritmo de Embarques Sofre Ajuste – MAIS SOJA

A exportação de milho da safra 24/25 foi projetada em 25,00 mi t, avanço de 5,04% em relação à safra 23/24. No entanto, na messma revisão de mai/26, o instituto reduziu a estimativa em 3,85% frente ao relatório anterior, refletindo a menor expectativa para o ritmo de embarques entre abril e junho.
Até o momento, o estado exportou 23,86 mi t, restando cerca de 1,14 mi t para o cumprimento da projeção. Isso é influenciado por fatores como a queda do dólar, menores preços do milho e questões externas, como o conflito no Irã, que impactam o volume escoado por MT. Para a safra 25/26, a Imea estima exportações de 25,90 mi t, volume 3,60% superior ao projetado para a temporada anterior. No mercado interno, o consumo da safra 24/25 está estimado em 18,91 mi t, alta de 15,93% em relação à safra anterior, motivado pela expansão da produção de etanol de milho e pela maior demanda da indústria de ração. Para a safra 25/26 o consumo deve somar 20,72 mi t, avanço de 9,54% frente à safra 23/24.
Confira os principais destaques do boletim:
- POSITIVO: na última semana, o preço do milho na CME – Group apresentou variação positiva de 2,25%, e fechou o período na média de US$ 4,64/bu, motivada pela alta demanda do milho americano.
- AUMENTO: o preço da paridade de exportação para o contrato de julho fechou a semana na média de R$ 36,05/sc. A alta de 2,46% é explicada pela volta da valorização do dólar na semana.
- INCREMENTO: na semana do dia 27/04, o valor do dólar compra Ptax fechou com alta em seu comparativo semanal de 0,21%, e finalizou o período a R$ 4,98/US$.
Em mai/26 o Imea manteve a área de milho da safra 25/26 em MT, projetada em 7,39 mi de ha.
Assim, a estimativa de área de milho da atual temporada está 1,83% maior que a da safra passada. Para a produtividade, a projeção cresceu 1,81% em relação ao mês anterior, atingindo 118,71 sc/ha. O melhor desempenho projetado está ligado às boas condições das lavouras, favorecidas pelas chuvas dos últimos três meses, que vêm beneficiando principalmente as áreas das regiões Médio-Norte, Noroeste e Oeste do estado. Na região Sudeste, ainda são necessários maiores volumes de chuva, especialmente nas áreas semeadas mais tardiamente, mantendo o cenário regional indefinido.
Nesse contexto, de acordo com dados da NOAA, a perspectiva indica baixos índices hídricos nas próximas semanas nessas áreas, que se encontram em estágios iniciais de desenvolvimento. Por fim, diante da manutenção da área e do avanço na expectativa do rendimento obtido, a produção da safra 25/26 cresceu em MT, e ficou estimada em 52,65 mi de t.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
Em tempos de nutrientes caros, usar calcário é uma das soluções mitigadoras, diz diretor do IAC – MAIS SOJA

Os efeitos da guerra no Irã sobre o agronegócio brasileiro podem ser reduzidos. Uma das ações mitigadoras é a calagem, que, a partir do uso do calcário, amplia os efeitos dos fertilizantes, um dos principais meios de obtenção de nutrientes pelo solo.
A avaliação é do diretor da Divisão de Solos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Heitor Cantarella. Recentemente, o pesquisador utilizou o perfil do IAC no Youtube para apresentar alternativas para os agricultores brasileiros diante do encarecimento dos preços dos produtos que contêm nutrientes.
O Brasil tem jazidas abundantes de calcário na maioria dos estados. Cantarella lembrou ainda que o calcário não tem cotação em dólar e nem passa pelo Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o comércio global e que foi afetada pela guerra.
O diretor do IAC destaca ainda a análise de solo como ferramenta fundamental nesse período.
Confira a apresentação de Heitor Cantarella. Fonte: Abracal
Sustentabilidade
IMEA: Safra 25/26 de algodão em MT tem queda na oferta e redução nos estoques finais – MAIS SOJA

Em mai/26, o Imea divulgou a nova estimativa de Oferta e Demanda do algodão em pluma de Mato Grosso para a safra 25/26. Desse modo, a Oferta foi projetada em 3,45 milhões de
toneladas, redução de 3,92% em relação ao ciclo anterior. Parte desse decréscimo está vinculado à menor produção prevista, com queda de 15,91% no comparativo entre safras,
ficando estimada em 2,52 milhões de toneladas. Já a demanda foi projetada em 2,69 milhões de toneladas, incremento de 1,02% em relação à safra passada. Esse avanço está associado à maior estimativa de exportação para o ciclo, projetada em 2,04 milhões de toneladas.
Dessa maneira, os estoques finais ficaram projetados em 762,92 mil toneladas, retração de 18,07% ante a safra anterior. Por fim, desse total, estima-se que 743,42 mil toneladas já estejam vendidas, mas que devem ser escoadas somente no próximo ciclo.
Confira os principais destaques do boletim:
- ALTA: o contrato jul/26 da Ice NY apresentou aumento de 0,62% em relação à última semana, sendo cotado na média de ¢ US$ 80,16/lp, impulsionado pela valorização do dólar.
- APRECIAÇÃO: o preço pluma Cepea teve alta de 1,41% no comparativo semanal, acompanhando o mercado externo e a postura mais cautelosa dos vendedores no período de entressafra.
- VALORIZAÇÃO: o preço do caroço de algodão em Mato Grosso registrou elevação de 1,26% frente à semana passada, ficando precificado na média de R$ 910,77/t.
Em mai/26, o Imea divulgou nova estimativa de safra para o algodão da temporada 25/26.
A área destinada à cotonicultura da safra 25/26 ficou projetada em 1,38 mi de hectares, representando redução de 3,33% em relação à estimativa anterior e 11,11% quando comparado ao consolidado do ciclo 24/25. Parte dessa redução está ligada às margens rentáveis da cultura apresentarem-se mais estreitas em relação aos anos anteriores, atrelada ao cenário de custos mais elevados.
Com isso, os cotonicultores tendem a reduzir a área de algodão, concentrando o cultivo nos melhores talhões e destinando os demais a outras culturas de segunda safra. Em relação à produtividade, houve incremento de 2,34% ante a estimativa passada, projetada em 297,69 @/ha, aumento relacionado às condições climáticas favoráveis, que têm proporcionado um melhor desenvolvimento vegetativo das lavouras. Por fim, a produção de algodão em caroço ficou prevista em 6,14 mi de t, redução de 16,04% em relação à safra passada.
Fonte: IMEA
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