Agro Mato Grosso
Entidades do agro de MT comemoram suspensão da Moratória da Soja a partir de 1º de janeiro de 2026

Até o final deste ano, contudo, a medida segue valendo apenas para dar tempo às empresas se adequarem a decisão.
Entidades do agronegócio de Mato Grosso celebraram nesta terça-feira (30) a decisão do Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de suspender a Moratória da Soja a partir de 1º de janeiro de 2026, caso a medida não seja indeferida pela Justiça.
Até o final deste ano, contudo, a Moratória segue valendo apenas para dar tempo às empresas se adequarem a decisão.
➡️O que é a Moratória da Soja? É um pacto entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, visando preservar a floresta.
Em agosto, o superintendente-geral do órgão determinou preventivamente a suspensão da Moratória porque entendia que o pacto “constitui um acordo anticompetitivo entre concorrentes que prejudicam a exportação de soja”.
Contudo, a Justiça derrubou essa ordem até que o caso fosse julgado pelo tribunal do Cade, o que foi decidido nesta terça-feira (30).
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) disse, em nota, que “o fim da moratória é um marco histórico na defesa da livre concorrência e da produção legal no campo, devolvendo segurança jurídica e dignidade aos milhares de produtores que sempre atuaram em conformidade com o Código Florestal e as leis ambientais brasileiras.”
A Aprosoja destacou que a Moratória da Soja “vem impondo barreiras comerciais injustas aos produtores, sobretudo os pequenos e médios, impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas.”
Já a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) disse, também em nota, que vê a decisão com alívio.
“A manutenção provisória do pacto até o fim de 2025 evita insegurança no curto prazo, mas reforça que sua suspensão definitiva é fundamental para devolver segurança jurídica aos produtores que já cumprem rigorosamente o Código Florestal e a legislação ambiental brasileira”, diz trecho da nota.
A entidade disse ainda que o “acordo viola a livre concorrência e penaliza agricultores que abriram novas áreas legalmente após 2008.”
Agro Mato Grosso
Bayer apresenta portfólio de inovação no 15º Congresso Andav

São Paulo, agosto de 2026 – A capital paulista recebe, entre os dias 11 e 13 de agosto, no Transamérica Expo Center, a 15ª edição do Congresso Andav, principal encontro do setor de distribuição de insumos agropecuários no Brasil. Durante o evento, a Bayer reforça seu compromisso com a rede de distribuidores parceiros, protagonistas dessa cadeia e responsáveis por fazer a ciência chegar ao campo com resultados reais para o agricultor.
Durante o evento, a empresa apresenta as principais inovações do portfólio, que incluem novas soluções para o manejo de plantas daninhas, pragas e doenças fúngicas nas culturas de soja, milho e algodão, que se somam a tecnologias já consolidadas no mercado. Entre as tecnologias recentes estão o Convintro Duo, usado no combate a plantas daninhas e com um ativo inédito no país, o diflufenicam, aplicado na pré-emergência da soja para elevar o controle de diversas plantas daninhas. Outra novidade em proteção é o XtendiMax 2, herbicida voltado ao controle no pré-plantio e na pós-emergência inicial na soja e no algodão, contra plantas daninhas que afetam as lavouras, como a buva e diversas espécies de caruru.
Na linha de fungicidas, a empresa destaca o Fox Ultra. O fungicida integra a Família Fox, com mais de 10 anos de liderança no mercado e mais de 500 milhões de hectares tratados com as soluções Fox Xpro e Fox Supra. Já para a proteção desde o plantio, a empresa apresenta o Guardião, um novo conceito em tratamento de sementes (TS) aliado ao nematicida Verango Prime. O manejo de pragas é complementado pelos inseticidas Curbix e pelo Valient, que é focado no combate à cigarrinha-do-milho e a pulgões por meio da alta sistematicidade da molécula flupiradifurone.
A evolução do portfólio até 2030
Além das tecnologias disponíveis para a safra atual, a Bayer projeta o futuro da produtividade no campo com soluções em fase de registro, como o Iblon, o Plenexos e o Icafolin.
Como líder no crescimento do setor agrícola nos últimos quatro anos, a Bayer planeja lançar cinco produtos por ano até 2030, além de 14 novas moléculas e seis modos de ação inéditos para expandir seu portfólio. O trabalho é impulsionado por um investimento global de 2 bilhões de euros anuais em pesquisa e desenvolvimento, que consolida a empresa como uma das que mais investem em inovação no campo, por meio de um portfólio diversificado, que integra proteção de cultivos, sementes, biotecnologia e uma plataforma de agricultura digital robusta.
Agro Mato Grosso
Pulgão-dos-cereais apresenta novas mutações ligadas à resistência

Estudo detecta variantes M918L e L932F em Sitobion avenae coletado na Irlanda
Pesquisadores identificaram pela primeira vez as mutações M918L e L932F no canal de sódio dependente de voltagem do pulgão-dos-cereais Sitobion avenae. As alterações apareceram em amostras coletadas na Irlanda entre 2022 e 2023. Ambas já haviam sido associadas à menor sensibilidade a piretroides em outras espécies de insetos. O impacto sobre a resistência em campo de Sitobion avenae ainda permanece desconhecido (doi 10.1002/ps.71178).
Variante de resistência
A mutação M918L corresponde a uma variante de resistência conhecida como super-kdr. O estudo encontrou essa alteração em três indivíduos. Dois vieram de uma torre de sucção instalada em Carlow, em 2022. O terceiro veio de Dublin, em 2023. Todos apresentaram a mutação em condição heterozigota.
Os dois exemplares de Carlow carregavam uma alteração do códon ATG para CTG. O indivíduo de Dublin apresentou mudança de ATG para TTG. As duas alterações resultaram na substituição do aminoácido metionina por leucina na posição 918.
A mutação L932F apareceu em um único espécime coletado em Carlow, em 2022. O indivíduo também carregava a mutação L1014F, já associada à resistência do tipo kdr. A variante L932F promove a substituição de leucina por fenilalanina na posição 932.
Reação em cadeia
Os cientistas confirmaram as mutações M918L e L932F por reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa e sequenciamento de alta profundidade. A validação utilizou o RNA extraído dos quatro exemplares portadores das alterações.
O trabalho analisou regiões do gene do canal de sódio dependente de voltagem. Esse canal representa o sítio de ação dos piretroides. Os inseticidas desse grupo interferem na função nervosa dos insetos e provocam paralisia e morte.
Espécimes avaliados
A equipe examinou 539 espécimes na região associada à super-kdr. O sequenciamento identificou 24 haplótipos. Um deles predominou na população analisada. A mutação M918L apareceu em dois haplótipos distintos.
O estudo também avaliou a mutação L1014F. Os pesquisadores conseguiram determinar a presença ou ausência dessa alteração em 366 amostras. Sessenta e cinco indivíduos coletados entre 2022 e 2024 carregavam a variante. Os exemplares resistentes ocorreram em todas as regiões e anos avaliados.
As amostras vieram de torres de sucção instaladas em Carlow, Dublin e Castlemartyr, no condado de Cork. Os equipamentos coletaram pulgões em voo a uma altura de doze vírgula dois metros. Os insetos passaram por identificação taxonômica e conservação em etanol antes das análises moleculares.
Levantamentos anteriores
A frequência da substituição L1014F manteve valores compatíveis com levantamentos anteriores realizados na Irlanda e no Reino Unido. Os dados não mostraram evidência forte de aumento da frequência de kdr, mesmo após a maior dependência de piretroides no manejo de pulgões em cereais.
A maior parte dos indivíduos com L1014F integrou um mesmo agrupamento genético. Esse grupo também incluiu um exemplar da linhagem laboratorial SA3, considerada uma das principais linhagens resistentes presentes no Reino Unido e na Irlanda. Outros indivíduos com L1014F surgiram fora desse agrupamento.
Aumento de resistência
Em Sitobion avenae, a mutação L1014F em condição heterozigota já foi relacionada a aumento próximo de quarenta vezes na resistência à lambda-cialotrina. Os pesquisadores destacam, porém, a ausência de indivíduos homozigotos detectados em campo. Essa limitação impede a avaliação direta da sensibilidade desses genótipos aos piretroides.
Em outras espécies de afídeos, a M918L apresenta relação com resistência elevada a piretroides dos tipos um e dois. Estudos com Rhopalosiphum padi associaram a alteração a resistência de 194,7 vezes à lambda-cialotrina. Os mesmos trabalhos apontaram custos biológicos, com redução de longevidade e fecundidade na ausência de pressão de seleção.
A ocorrência em amostras arquivadas impede a determinação imediata da resposta desses indivíduos aos inseticidas. O estudo recomenda novas coletas nas áreas próximas às torres de Carlow e Dublin. Os cientistas também indicam bioensaios de sensibilidade e avaliações de custo adaptativo.
O monitoramento regular pode revelar a incidência e a disseminação de linhagens resistentes. As torres de sucção oferecem vigilância independente das práticas de manejo e permitem a detecção antecipada de mecanismos de resistência. Esse acompanhamento ganha importância diante do número limitado de modos de ação disponíveis para o controle de pulgões em cereais.
Agro Mato Grosso
Soja sobe 10% em MT, a saca passou de R$ 115 para R$ 127 I MT

Julho trouxe um alívio para os produtores de soja. Depois de meses marcados por margens apertadas e cautela nos negócios, os preços reagiram nas principais regiões produtoras do país, impulsionados pela valorização da commodity na Bolsa de Chicago e pela firmeza dos prêmios de exportação.
Em Mato Grosso, principal produtor nacional da oleaginosa, a valorização foi expressiva. Em Rondonópolis, uma das principais referências de comercialização do estado, a saca passou de R$ 115 para R$ 127 ao longo do mês, alta superior a 10%.
O movimento acompanhou a recuperação observada em outras regiões do país. Em Passo Fundo (RS), os preços avançaram de R$ 129 para R$ 140 por saca. Em Cascavel (PR), a cotação passou de R$ 124 para R$ 134. Já no Porto de Paranaguá, importante referência para exportação, a saca alcançou R$ 145.
Apesar do cenário positivo no mercado atual, produtores e consultorias já direcionam a atenção para os desafios que poderão marcar a safra 2026/27.
Mercado internacional impulsionou as cotações
Grande parte da valorização observada em julho teve origem no mercado externo.
Na Bolsa de Chicago, os contratos mais negociados registraram alta de 4,26% no acumulado do mês, encerrando julho próximos de US$ 11,92 por bushel. Em alguns momentos, as cotações chegaram a superar US$ 12,50, alcançando os melhores níveis em mais de dois anos.
A recuperação foi sustentada por três fatores principais: a valorização do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, o aumento da demanda chinesa pela soja norte-americana e as preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
O mercado agora acompanha com atenção o mês de agosto, considerado decisivo para a definição do potencial produtivo da safra norte-americana. Qualquer mudança climática relevante pode provocar novas oscilações nos preços internacionais.
Mato Grosso deve ampliar área plantada
Mesmo diante das incertezas, a expectativa é que Mato Grosso continue expandindo sua área de cultivo.
As projeções indicam crescimento próximo de 1,5% na área destinada à soja na próxima temporada. O avanço reflete a força do agronegócio mato-grossense e os bons resultados produtivos obtidos nas últimas safras.
A elevada produtividade registrada recentemente ajudou muitos produtores a equilibrar custos e receitas, permitindo a continuidade dos investimentos, embora com rentabilidade mais apertada do que em anos anteriores.
Clima preocupa produtores
Se os preços trouxeram boas notícias em julho, o clima aparece como a principal preocupação para os próximos meses.
A possibilidade de formação de um evento El Niño mais intenso coloca o mercado em alerta. O fenômeno pode afetar justamente os períodos mais importantes para o desenvolvimento da soja no Brasil, influenciando diretamente a produtividade das lavouras.
Embora ainda não haja previsão de quebra de safra, especialistas avaliam que os rendimentos da temporada 2026/27 podem ficar abaixo dos níveis excepcionais registrados recentemente.
Fertilizantes continuam pressionando custos
Outro desafio está nos custos de produção.
Os fertilizantes acumularam altas importantes ao longo do primeiro semestre, elevando o custo de implantação da nova safra. Em algumas regiões, produtores já reavaliam estratégias de investimento para reduzir despesas e preservar margens.
A preocupação é que cortes em tecnologia, manejo ou adubação possam limitar o potencial produtivo das lavouras.
Mercado segue atento aos próximos meses
O cenário para a soja combina fatores positivos e riscos relevantes. De um lado, preços mais altos e demanda internacional aquecida sustentam o otimismo. De outro, clima incerto e custos elevados exigem cautela dos produtores.
Para Mato Grosso, que lidera a produção nacional, os próximos meses serão decisivos para definir se a próxima safra repetirá os recordes recentes ou enfrentará um ambiente mais desafiador para a rentabilidade do campo.
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