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21 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Do comércio à agricultura, para Arlindo Cancian o mais importante foi ter persistência MT

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O produtor de Canarana construiu uma vida de trabalho e legado familiar no coração do agro mato-grossense

No final da década de 70, Arlindo Cancian deixou para trás a história com a madeireira que tocava com a família para enfrentar um novo desafio, a jornada de ser agricultor em Canarana, no Vale do Araguaia. Ele e a esposa, Silvia Rejane, vieram de Tenente Portela, no interior do Rio Grande do Sul, e o que parecia um salto no escuro, anos depois se transformaria em uma jornada marcada pela persistência e um forte senso de comunidade.

Arlindo conta que chegou à região sem experiência agrícola. Depois de atuar com comércio, caminhão e revenda de insumos, comprou sua primeira terra em sociedade com o irmão, Luiz Cancian (in memorian), que lhe foi um grande incentivador, até adquirir a área em que está hoje. “Juntamente com a minha família, trabalhava numa madeireira. Quando meu pai faleceu em 1978, eu já tinha vindo uma vez para a Canarana em 1977 e depois que ele se foi, eu e minha esposa acabamos por vir morar aqui. Trabalhamos com papelaria, bazar, eu trabalhei com revenda de adubo e de implementos, e caminhão. Depois, em 1984, eu comprei uma terra com meu irmão, mas algum tempo depois eu comprei a parte dele e troquei a terra por essa área próxima da cidade”, lembra.

Os primeiros anos foram difíceis. Arlindo se dividia entre a lavoura e o trabalho com caminhão para equilibrar as finanças. “Eu comecei o plantio aprendendo como fazer, passamos várias dificuldades, altos e baixos em planos agrícolas e em preço de produto, produtividade e adequação de semente. Na época nós trouxemos sementes de soja até do Rio Grande do Sul. Nunca me esqueço, era tudo muito difícil, plantava 79 hectares e colhia na faixa de 30 a 40 sacas. Porém, os compromissos que a gente fez, eu tinha outras coisas que eu fazia, como o caminhão, e ganhava mais ou menos bem para ajudar a pagar a dívida no banco”, explica.

A dedicação deu frutos. Casado desde 1977, Arlindo se emociona ao falar da esposa, dos filhos Piero e Letícia, e do papel da família em sua trajetória. Hoje, ele e o filho estão juntos na lida do campo. Com um modelo de produção diversificado, eles trabalham com até quatro culturas por ano, como soja, milho, gergelim e a pecuária.

“Graças a Deus, a gente conseguiu evoluir e melhorar, sempre fazendo a coisa certa e com pé no chão. Eu digo para o meu filho que o importante é a gente fazer corretamente. Não adianta, às vezes, querer dar um passo maior e não conseguir atender os compromissos. De lá para cá, as coisas foram mudando e hoje, com a tecnologia, inclusive com tudo que a Aprosoja MT tem feito pelo produtor, temos um conhecimento melhor para poder tocar a lavoura”, salienta.

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Entre as lições que aprendeu ao longo da vida, a de honrar os compromissos ele aprendeu com o pai. “Sempre falo que quando for levantar o pé, é importante deixar o rastro limpo. Lembro que em um domingo, perdi o horário de buscar o pai. Quando eu acordei, já eram 8h10 e a missa era às 8h. Eu peguei um fusca amarelo que eu tinha, dirigi cinco quadras e o pai já estava vindo. Quando eu parei o fusca, falei: ‘Pai, eu lhe levo à missa’. Ele olhou para mim e disse assim: ‘Não precisa, agora eu vou a pé’. Essa foi a surra que eu tomei do meu pai, você vê como a gente tinha vergonha na cara. Hoje eu vejo muitos filhos que pegam outros rumos, mas é bom quando um pai tem os filhos que acompanham, os filhos dizendo ‘eu te amo’ e a gente também”, recorda emocionado.

Tudo o que vivenciou ao longo de sua história fez com que atingisse suas conquistas pessoais, mas também, agregasse em entidades locais e do setor agrícola, contribuindo para que o Vale do Araguaia deixasse de ser o Vale dos Esquecidos. Entre tantas lidas, foi presidente do sindicato rural do município e 2º diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). “Em tantos anos de Canarana eu fui uma pessoa que quis agradecer aquilo que eu conquistei aqui. Então, em todas essas coisas, aprendi e troquei muitas ideias com pessoas de outros locais. Isso foi motivando, abre a cabeça, dá força para continuar e por isso nós estamos aqui. Eu pensava que, após sair das entidades, eu iria arrendar a minha terra, mas nós arrendamos a do Piero e ficamos aqui. Eu não quis arrendar porque eu preferi ficar, exatamente por ter a família junto ajudando”, conta.

Para Arlindo uma de suas maiores alegrias é saber que construiu um legado junto à família que permanecerá para as próximas gerações. “Minha esposa, meu filho e minha filha são meus braços direitos. Isso me deixa feliz e orgulhoso por saber que vai ter continuidade. Tem tanta coisa que marca a vida da gente, mas o que mais me marcou foi ter vindo para um local onde a gente não sabia o que iria encontrar e o que fazer, pois eu mexia com madeireira. Essas coisas vão deixando a gente chegar a encarar e tem que encarar, porque ou você encara ou volta para aquilo que você saiu, mas eu quero crescer. Então, o que mais me marcou é a família ter ficado unida e a gente ter, graças a Deus, vencido. Acredito que isso é o mais importante, a persistência”, finaliza.

Aos 70 anos, o produtor Arlindo Cancian é um dos exemplos de que o desenvolvimento se constrói com o suor, a humildade e as raízes firmes no campo, com a missão de contribuir com a sociedade através da produção de alimentos.

Vitória Kehl Araujo

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Entenda por que os combustíveis estão mais caros em Mato Grosso

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Quem abasteceu o carro nas últimas semanas percebeu que os combustíveis ficaram mais caros em Mato Grosso. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), a alta ocorre em meio à pressão sobre diferentes etapas da cadeia de abastecimento, influenciada pelo preço do petróleo, pelos custos do etanol e por dificuldades no fornecimento de diesel.

Os principais fatores apontados pelo setor são:

  • Disparada do barril de petróleo no mercado internacional, afetando diretamente os custos na origem;
  • Encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, aliado ao aumento do preço do açúcar no mercado externo, o que pressiona os custos do etanol;
  • Aumento do percentual obrigatório de etanol na gasolina A;
  • Redução drástica das importações de óleo diesel, gerando gargalos severos no suprimento nacional.

O movimento também aparece nos dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Entre 13 e 19 de setembro, a média em Cuiabá do litro da gasolina comum chegou a R$ 6,97etanol ficou na média de R$ 4,17 na capital, enquanto o diesel S-10 pode ser encontrado por R$ 7,57.

Mas por que o preço aumenta nas bombas?

1. Alta do petróleo no mercado internacional

Segundo o sindicato, o preço do petróleo é um dos principais componentes da formação dos preços dos combustíveis. Quando as cotações internacionais sobem, os custos de aquisição e importação de derivados também podem aumentar.

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No caso do diesel, a pressão tem sido maior. Segundo dados divulgados pela ANP, o preço do produto avançou na última semana pesquisada para R$ 6,65 na média nacional.

2. Etanol mais caro pressiona a gasolina

Outro fator apontado pelo Sindipetróleo-MT é o preço do etanol. O biocombustível é utilizado na composição da gasolina vendida nos postos e, por isso, alterações no preço do etanol podem influenciar o custo da gasolina.

Desde 1º de agosto, a gasolina comercializada no país passou a ter 32% de etanol na mistura, contra 30% anteriormente. Em setembro, o governo autorizou o início dos testes para aumentar a mistura de etanol na gasolina comum, chegando a 35%

O sindicato também aponta o encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste e a valorização do açúcar no mercado externo como fatores que pressionam os custos do etanol.

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3. Diesel e dificuldades de abastecimento

O Sindipetróleo-MT afirmou ainda que houve redução nas importações de óleo diesel, provocando dificuldades no suprimento e restrições no atendimento de pedidos às distribuidoras.

🔎 O diesel é especialmente importante para Mato Grosso, onde é utilizado em larga escala no transporte de cargas e nas atividades do agronegócio.

4. Quem define o preço na bomba?

preço pago pelo consumidor não é formado apenas pelo valor cobrado pelo produtor ou importador. A cadeia envolve diferentes etapas, como produção ou importação, refino, distribuição, transporte e revenda.

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O Sindipetróleo-MT apontou que os postos não são responsáveis pela formação dos preços e atuam como o último elo da cadeia, repassando os custos recebidos das distribuidoras.

5. O que diz o Sindipetróleo-MT?

Em nota divulgada nesta semana, o sindicato afirmou que os aumentos recebidos pelos postos são consequência de fatores que ocorrem antes da chegada do combustível à revenda.

A entidade também criticou cobranças direcionadas exclusivamente aos postos durante o período eleitoral e defendeu que eventuais fiscalizações sobre a formação de preços alcancem todos os elos da cadeia.

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MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

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Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga

A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.

Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.

O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.

Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.

Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).

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