Sustentabilidade
Construção da Produtividade: técnica de manejo integrado pode elevar produtividade da soja em mais de 7 sacas por hectare, demonstra estudo recente – MAIS SOJA

Maior cultura agrícola do Brasil em volume e área, a soja deve alcançar 169,6 milhões de toneladas na safra 2024/25, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que representa um aumento de 14,8% em relação ao ciclo anterior. Apesar de sua relevância econômica e da contribuição direta para o PIB do agronegócio, a oleaginosa pode enfrentar perdas expressivas de produtividade por conta de doenças de solo causadas por fungos e ataques de nematoides, condições climáticas adversas e manejo inadequado da lavoura.
Nesse cenário, ganha relevância o conceito da Construção da Produtividade, técnica proposta pela Agrocete – multinacional brasileira especializada em fisiologia e nutrição vegetal, tecnologia de aplicação e bioinsumos –, que entende resultados consistentes não como frutos de ações isoladas, mas de um manejo integrado que vai desde o preparo da área de plantio até a colheita.
Resultados de estudos recentes reforçam a eficácia da prática: no Instituto Goiano de Agricultura (IGA), em Montividiu (GO), a prática elevou a produtividade em até 14,15%, resultando em mais 7,76 sacas por hectare, em comparação à área testemunha. Já em Arapoti (PR), os testes registraram um incremento ainda maior, de até 26,5% e 14,8 sacas por hectare, confirmando ganhos expressivos quando o manejo é aplicado de forma completa ao longo do ciclo da soja.
A Construção da Produtividade foi estruturada pela Agrocete a partir de mais de 330 estudos científicos, feitos em parceria com 90 instituições de pesquisa. O intuito é promover o equilíbrio do ambiente agrícola, maximizando os recursos disponíveis e os resultados no campo.
Para isso, é preciso combinar uma série de práticas que se complementam, seguindo três eixos principais: Plantio, Vigor e Enraizamento; Arranque e Força no Crescimento; e Tecnologia de Aplicação. “Em vez de buscar soluções pontuais diante de problemas já instalados, o manejo integrado antecipa as necessidades da lavoura e cria condições para que a planta expresse todo o seu potencial produtivo desde o início do ciclo.
Isso significa agir de forma preventiva, fortalecendo cada etapa do desenvolvimento para reduzir riscos e aproveitar ao máximo os recursos investidos. O portfólio da Agrocete, com cerca de 70 produtos, desempenha um papel central nessa estratégia, oferecendo soluções para cada etapa, todas compatíveis entre si”, pontua Andrea de Figueiredo Giroldo, diretora de marketing e desenvolvimento técnico da Agrocete.
O primeiro pilar, Plantio, Vigor e Enraizamento, é visto como a principal fase para que as demais também alcancem sucesso e gerem resultados expressivos em produtividade. Nesse momento, são utilizadas soluções biológicas para tratamento de sementes e aplicação no sulco, reforços nutricionais e compostos orgânicos benéficos, que promovem enraizamento vigoroso, fixação de nitrogênio, maior tolerância ao estresse e controle biológico de pragas e doenças de solo.
Depois, a etapa Arranque e Força no Crescimento sustenta o desenvolvimento robusto e saudável das plantas, essencial para o acúmulo de energia e assimilados que, posteriormente, serão convertidos em grãos. Nesse estágio, o manejo combina estímulos fisiológicos, reforços nutricionais e proteção biológica, formando plantas mais ramificadas, fortes e resistentes a estresses bióticos e abióticos. Por fim, o terceiro eixo, Tecnologia de Aplicação, assegura que todas as soluções biológicas, nutricionais e fisiológicas, tenham eficácia no campo, potencializando também a ação dos defensivos agrícolas. A aplicação correta de adjuvantes é determinante, pois mesmo os melhores insumos podem não render todo o seu potencial sem a técnica de aplicação adequada.
Resultados em campo
Dois estudos recentes, realizados durante a safra 2024/2025, validam os benefícios da prática. Em cada estudo, foram testadas diferentes combinações de produtos da linha GRAP, que abrange fertilizantes foliares com diferentes funções, adjuvantes, inoculantes para fixação biológica de nitrogênio, bioestimulantes, bionematicidas, biofungicidas e produtos biológicos multifuncionais capazes de promover crescimento, solubilizar fósforo e contribuir para o manejo integrado da lavoura.
“Além do aumento da produtividade, em um dos estudos registramos resultados como mais número e peso de vagens, mais grãos por planta e estrutura de planta capaz de sustentar carga maior. No outro, em que o foco era avaliar a eficácia dos produtos contra nematoides e outros patógenos do solo, observamos maior peso de mil grãos, controle de doenças de final de ciclo e redução desses organismos no solo e nas raízes”, explica Luis Felipe Dresch, gerente de desenvolvimento técnico e de mercado (DTM) da Agrocete.
Em Arapoti (PR), na Fazenda Mutuca – reconhecida por seu papel no desenvolvimento do Plantio Direto na Palha –, foram testados quatro tipos de manejo: área testemunha; padrão da fazenda, com uso de insumos concorrentes; aplicação de soluções da linha GRAP no sulco do plantio; e manejo completo, com diferentes produtos da linha ao longo do ciclo. O manejo completo superou a testemunha em 14,8 sacas por hectare (+26,5%) e o padrão da fazenda em 3,46 sacas por hectare (+4,9%), refletindo também em um ganho de 8,35% no retorno econômico. Além disso, as soluções aplicadas em conjunto durante todo o ciclo produtivo promoveram melhorias significativas na estrutura e na qualidade das plantas: as vagens ficaram mais pesadas (+46% e +60% frente à testemunha e ao padrão, respectivamente), com mais vagens (+7,4% e +12,1%) e mais grãos por planta (+8,8% e +7,8%). A estrutura da planta também foi beneficiada, com maior diâmetro de haste (+8,9% e +14,9%) e mais ramos laterais (+21,4% e +25,9%), indicando maior capacidade de sustentar a carga positiva.
O segundo estudo, conduzido na área experimental do Instituto Goiano de Agricultura (IGA), em Montividiu (GO), avaliou seis estratégias de manejo, que foram desde a área testemunha até diferentes combinações com os defensivos biológicos da linha GRAP da Agrocete – BIOSTAT (bionematicida) e BeesTRIC (biofungicida) –, aplicados no tratamento de sementes, no sulco de plantio e em estágios vegetativos da soja, além de um tratamento com produto concorrente. As estratégias testaram os biológicos isoladamente ou em combinação, com o objetivo de potencializar a proteção contra nematoides e doenças de solo e fortalecer o vigor das plantas ao longo do ciclo.
Na soja, a presença de nematoides e outros patógenos é um desafio constante: além de danificar diretamente as raízes, eles também criam condições favoráveis para o desenvolvimento de outras doenças, alteram a microbiota do solo e diminuem a longevidade das plantas, impactando diretamente a produtividade. Anteriormente, o controle era feito por meio de nematicidas químicos, mas o uso constante e aumento das doses pode criar resistência. “Introduzir produtos biológicos, como fungos e bactérias benéficas, aliados a soluções nutricionais que estimulam o crescimento radicular, reduz os dados e controla a população dessas pragas de forma natural, sem comprometer a saúde do solo. É um movimento estratégico e preventivo que, em vez de reagir aos problemas, protege a planta diariamente, acompanhando seu crescimento e desenvolvimento”, ressalta Dresch.
Os resultados do estudo do IGA confirmam a eficácia do manejo integrado. A combinação de BIOSTAT e BeesTRIC, aplicados no sulco e complementados pelo BeesTRIC nos estágios vegetativos V4 e V5, elevou a produtividade de 47,8 para 54,57 sacas por hectare, um aumento de 14,15% (+7,76 sc/ha). O peso de mil grãos também subiu em 3,9%, de 162 g para 168,4 g. As doenças de final de ciclo (DFCs), como crestamento foliar e mancha-parda, tiveram menor impacto quando os produtos foram aplicados, com destaque para o BeesTRIC no tratamento de sementes, que reduziu a severidade das DFCs em 57,4% aos 60 dias após a emergência. O BIOSTAT, aplicado no tratamento de sementes, mostrou eficiência contra a população de Helicotylenchus spp., com redução 49% no solo aos 45 dias e de 36% aos 75 dias. O efeito permaneceu significativo até o final do ciclo, sendo o único tratamento com eficácia relevante nesse período.
“Os patógenos de solo estão interligados e essa presença conjunta aumenta significativamente os problemas radiculares e a severidade das doenças. Para controlar esses efeitos de forma eficiente, é fundamental adotar um manejo que combine diferentes soluções biológicas e nutricionais, atuando de maneira preventiva e estratégica ao longo de todo o ciclo da soja. Integrar o manejo significa, por exemplo, utilizar um bionematicida junto a um biofungicida, reduzindo nematoides e fungos no solo, potencializando o efeito de controle e permitindo que a cultura se sobressaia”, explica Weder Nunes Ferreira Junior, pesquisador em fitopatologia e nematologia do Instituto Goiano de Agricultura (IGA).
No entanto, ele afirma que é preciso entender a dinâmica de cada tecnologia, para posicioná-las corretamente quanto a dose, forma de aplicação e combinação com outras soluções. “Temos observado um avanço significativo na questão de compatibilidade entre produtos, não apenas sobre um microrganismo inibir o outro, mas sobre como combiná-los potencializa o efeito de controle. No estudo, observamos que o biofungicida tem efeito nematicida e o bionematicida também apresenta grande efeito de controle para nematoides. Com o manejo integrado, conseguimos aumentar a eficácia de controle e o incremento de produtividade. Quando aplicamos novamente o biofungicida no quarto estágio vegetativo, esse efeito foi ainda maior, pois esses microrganismos também atuam como bioestimulantes e promotores de crescimento, além de reduzirem manchas foliares e doenças de solo a partir desse estágio”, complementa o pesquisador.
Sustentabilidade e manejo integrado
A Construção da Produtividade não busca apenas produzir mais, mas produzir melhor e de forma duradoura. Ao preservar a microbiota do solo, reduzir a dependência exclusiva de defensivos químicos e posicionar biológicos e nutrientes de forma estratégica, o manejo se torna mais seguro para aplicadores e para o meio ambiente, além de aumentar a resiliência do sistema produtivo. Em um setor que precisa ampliar a oferta de alimentos sem expandir a fronteira agrícola, ganhos de eficiência por hectare representam a estratégia mais responsável, unindo retorno econômico e práticas sustentáveis.
Nesse contexto, a Agrocete tem investido constantemente em soluções que promovem uma agricultura equilibrada, reunindo ciência, prática e tecnologia. Hoje, quase metade dos produtos da empresa é classificada como sustentável e, em 2024, essas soluções representaram 76% das vendas no Brasil. O portfólio inclui fertilizantes especiais, inoculantes biológicos e biodefensivos, com destaque para bioinsumos voltados à nutrição, estímulo ao crescimento e controle de pragas e doenças, além de produtos formulados com matérias-primas orgânicas ou capazes de reduzir o uso de defensivos químicos, tornando a lavoura mais eficiente e resiliente.
Reforçando esse movimento, a multinacional brasileira, com sede em Ponta Grossa (PR), anunciou um investimento de R$ 11 milhões na construção de uma nova planta dedicada à produção de biodefensivos, já em andamento. Além disso, a empresa destinará 5% do faturamento anual em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e prevê o lançamento de oito novos produtos biológicos até 2027, desenvolvidos internamente ou em parceria com empresas de biotecnologia. “Com a nova planta, os lançamentos previstos e o investimento contínuo em P&D, ampliamos nossa capacidade de oferecer produtos biológicos cada vez mais inovadores e sustentáveis, atendendo às demandas do mercado de forma consistente”, finaliza Andrea de Figueiredo Giroldo, diretora de marketing e desenvolvimento técnico da Agrocete.
Sobre a Agrocete:
Fundada em 1980, e completando 45 anos em 2025, a Agrocete é uma multinacional brasileira, com sede em Ponta Grossa (PR) e unidades nos Estados Unidos, México e Paraguai, com referência internacional na área de adjuvantes, fisiológicos, biológicos e nutrição.
A Agrocete tem uma das maiores e mais avançadas plantas fabris de inoculantes biológicos do mundo e é certificada pela ISO 9001, de gestão e qualidade, e pela ISO 14001, de gestão ambiental. Também é reconhecida pelo selo Together for Sustainability, iniciativa global que certifica empresas com uma indústria química segura e comprometida com o meio ambiente.
A empresa é pioneira na produção de fertilizantes especiais e inoculantes no Brasil e se destaca pela inovação e modernidade tecnológica, do laboratório ao campo. Prova disso, é a implantação de uma unidade para o desenvolvimento, validação e testagem de produtos inovadores, como os biológicos de controle e biofertilizantes, e da Universidade Agrocete, para capacitação dos colaboradores da empresa.
Para mais informações, acesse: www.agrocete.com.br
Fonte: Assessoria de imprensa Agrocete
Sustentabilidade
Demanda interna sustenta preços da soja e do milho em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

Em Mato Grosso do Sul, os mercados da soja e do milho encerraram julho de 2026 com um comportamento semelhante: embora as cotações internacionais tenham perdido força na segunda quinzena do mês, os preços pagos aos produtores no Estado apresentaram maior sustentação, refletindo a influência da demanda doméstica, do câmbio e das condições logísticas na formação dos preços.
A constatação faz parte dos boletins econômicos divulgados pela Aprosoja/MS, que analisam a evolução dos mercados das duas principais culturas produzidas no Estado. Apesar de cenários distintos para soja e milho, ambos registraram desempenho superior ao observado na Bolsa de Chicago (CBOT) durante o período de ajuste das cotações internacionais.
Na soja, o preço médio disponível alcançou R$ 119,90 por saca em julho, alta de 2,75% em relação ao mesmo mês de 2025. O mercado foi favorecido pela retomada das exportações após a entressafra e pela valorização das cotações internacionais ao longo da primeira metade do mês. No mercado futuro, os contratos para novembro registraram média de R$ 128,30 por saca, indicando expectativa positiva para a entrada da nova safra.
Já o milho apresentou estabilidade. O preço médio disponível ficou em R$ 47,23 por saca, praticamente no mesmo patamar observado há um ano. Em contrapartida, os contratos futuros recuaram 6,71% na comparação anual, pressionados pelas perspectivas de uma oferta global elevada e pela menor antecipação de compras por parte da demanda.
“Mesmo com a correção observada na Bolsa de Chicago no fim do mês, os preços em Mato Grosso do Sul permaneceram mais sustentados. Isso mostra que fatores como o câmbio, a demanda física e as condições logísticas exerceram papel importante na formação das cotações estaduais, reduzindo o impacto das oscilações do mercado internacional sobre o produtor”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Rafael Gimenes.
Outro ponto de destaque foi o avanço da comercialização da safra. Na soja, as vendas atingiram 73% da produção estimada, crescimento de nove pontos percentuais em julho. Embora o percentual permaneça ligeiramente abaixo do registrado no ciclo anterior, o ritmo foi impulsionado pela recuperação dos preços ao longo do mês.
No milho, a comercialização chegou a 38,5% da produção estimada, avanço de oito pontos percentuais em relação ao mês anterior. Apesar da evolução, o índice ainda permanece abaixo da safra passada, refletindo uma postura mais cautelosa dos produtores diante das perspectivas para o mercado futuro.
Para Rafael Gimenes, o comportamento distinto entre as duas culturas revela diferentes expectativas para os próximos meses. “A soja apresenta um ambiente mais favorável, sustentado pela retomada das exportações e pela demanda internacional consistente. Já o milho segue influenciado pelas expectativas de ampla oferta global, o que limita a recuperação dos preços futuros e faz com que muitos produtores mantenham uma estratégia mais conservadora na comercialização”.
Os boletins podem ser acessados clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS) e Laura Toledo (Comunicação Sistema Famasul)
Site: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Quais são as principais práticas de manejo que aumentam a produtividade da soja em terras baixas? – MAIS SOJA

A soja ocupa cada vez mais espaço nas terras baixas do Rio Grande do Sul (RS), nós últimos anos cerca de 60% das áreas de arroz realizam rotação com soja (IRGA, 2023, Ribas et al., 2021) isso como consequência do aumento nos custos de produção do arroz junto ao aumento da pressão de plantas daninhas, embora a rotação com soja em áreas de arroz seja uma alternativa para diminuir os custos de produção e a pressão de plantas daninhas (principalmente arroz vermelho, capim arroz e entre outros) nas lavouras tradicionalmente destinadas para a produção de arroz, tem se observado que a produtividade da soja ainda permanece em níveis considerados baixos (aprox. 3.0 ton ha-1), sendo tanto fatores ambientais (como disponibilidade hídrica) ou de manejo os que geram essas baixas produtividades (Tagliapietra et al., 2021).
Pesquisadores da Equipe FieldCrops, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), publicaram na Agronomy Journal um estudo que avaliou 240 lavouras comerciais de soja em terras baixas do Rio Grande do Sul, ao longo de seis safras (2015/16 a 2021/22). O objetivo foi identificar quais práticas de manejo explicam as diferenças de produtividade entre áreas de alta e baixa performance.
Para avaliar a influência combinada entre diversos fatores de manejo na produtividade da soja, aplicaram a análise não paramétrica conhecida como árvore de regressão, o qual identifica de forma hierárquica as relações entre as diferentes variáveis analisadas. A análise mostrou que o grupo de maturação foi o fator que mais explicou a variabilidade da produtividade, seguido de data de semeadura, fósforo, potássio e presença de camada compactada (Figura 1).

Figura 1. Análise de árvore de regressão mostrando os principais fatores que explicam a variabilidade da produtividade da soja. Cada nó terminal exibe a produtividade média (Mg ha-1) e a porcentagem de observações de campo que ele representa. Os painéis (A) e (C) mostram a classificação dos grupos de alta produtividade (HY – Alta produtividade) e baixa produtividade (LY, Baixa produtividade), enquanto os painéis (B) e (D) apresentam a importância relativa de cada variável na explicação da variação da produtividade. DOY (dia do ano).
Além disso, os resultados mostraram que áreas corrigidas com calcário apresentam produtividade superior, aprofundado mais, conseguimos que calagens anuais produziram maiores rendimentos do que aplicações realizadas em intervalos maiores (Figura 2), o que se explica devido a que aplicações cada ano mantem o pH do solo adequado, aumentando a disponibilidade de nutrientes, a eficiência dos fertilizantes e ajudando no ótimo desenvolvimento e crescimento de raízes.

Figura 2. Efeitos nas produtividades de soja e arroz em áreas de terras baixas do Rio Grande do Sul. (A) Comparação da produtividade da soja entre lavouras com e sem aplicação de calcário. (B) Produtividade da soja em diferentes intervalos de tempo desde a última aplicação de calcário. Letras diferentes indicam diferenças estatisticamente significativas (teste de Tukey, p < 0,05).

Referências bibliográficas.
IRGA. Soja em rotação com arroz. 2023. Disponível em: < https://irga.rs.gov.br/soja >, acesso: 01/07/2026
RIBAS, G. G. et al. Assessing yield and economic impact of introducing soybean to the lowland rice system in southern Brazil. Agricultural Systems, v. 188, p. 103036, 2021. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308521X20308970?via%3Dihub >, acceso: 01/07/2026
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Biophysical and management factors causing yield gap in soybean in the subtropics of Brazil. Agronomy Journal, v. 113, n. 2, p. 1882–1894, 2021. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/agj2.20586 >, acesso: 05/07/2026
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Key management practices driving soybean yield variability in lowland fields of southern Brazil. Agronomy Journal, v. 118, n. 2, 2026. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/agj2.70334 >, acesso: 30/06/2026

Sustentabilidade
Ceema: Soja recua em Chicago com clima favorável nos EUA e China no radar; prêmios sustentam preços no Brasil – MAIS SOJA

A cotação da soja, para o primeiro mês cotado, viveu uma semana de baixas nestes primeiros dias de agosto. O retorno das chuvas nas regiões produtoras dos EUA e a nova possibilidade de cessar-fogo entre EUA e Irã, além da confirmação de que a safra continua positiva na América do Norte, trouxeram o mercado para baixo desde o final de julho. Com isso, o bushel da oleaginosa veio a US$ 11,57 no fechamento desta quinta-feira (06), após US$ 11,51 na véspera, contra US$ 11,77 uma semana antes.
Por sua vez, a média do mês de julho fechou em US$ 11,96/bushel, com aumento de 6,2% sobre a média de junho. Um ano atrás, a média de julho/25 foi de US$ 10,09/bushel. Enquanto o mercado espera o novo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 12/08, ele acompanha a evolução das lavouras estadunidenses, pois o clima continua como elemento central, já que a colheita nos EUA se dará a partir de meados de outubro. Neste sentido, até o dia 02/08, 63% das lavouras de soja estadunidense estavam em condições entre boas a excelentes, outros 28% regulares e apenas 9% ruins a muito ruins.
Lembrando que, em 2025, nesta mesma época, 69% das lavouras estavam em condições entre boas a excelentes. Por outro lado, 88% das lavouras já estavam em fase de floração, contra 84% na média para esta época. A formação de vagens alcançava 62% das lavouras, contra 47% na semana anterior e 55% na média.
Em paralelo, a China voltou a realizar compras de soja nos EUA, dentro do acordo bilateral feito entre os dois países. A empresa estatal Sinograin estaria leiloando uma média de 500.000 toneladas de soja importada visando abrir espaço em seus estoques oficiais para as novas compras. Lembramos que o acordo entre os dois países dá conta de que a China compraria 25 milhões de toneladas de soja estadunidense, anualmente, até 2028. Em tal contexto, é possível que a demanda por soja brasileira diminua devido aos leilões da Sinograin, pois algumas indústrias chinesas de esmagamento podem optar por comprar da estatal.
Esse comportamento da estatal chinesa deve continuar já que há previsão de encontro dos presidentes dos EUA e da China, em setembro, para nova rodada de negociações comerciais. Por enquanto, as recentes compras chinesas foram feitas por compradores do governo, já que importadores comerciais, que normalmente representam cerca de dois terços do total das exportações de soja dos EUA para a China, continuaram comprando da América do Sul (cf. comerciantes chineses). Pelo sim ou pelo não, o fato é que os embarques brasileiros para a China permanecem mais baratos do que os embarques dos EUA.
E no Brasil, os preços recuaram um pouco, com praças gaúchas trabalhando ao redor de R$ 123,00/saco no balcão, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 120,00 e R$ 126,00/saco nas diferentes praças pesquisadas.
Dito isso, a futura safra de soja 2026/27, cujo plantio apenas se inicia no próximo mês de setembro, está projetada, inicialmente, em 183,1 milhões de toneladas, com leve aumento sobre o colhido neste último ano. Este crescimento se deve ao aumento de 0,76% previsto para a área a ser semeada, com a mesma passando a 49,5 milhões de hectares.
Em clima normal, a produtividade média poderá atingir a 3.700 quilos/hectare (cf. StoneX). A questão será combinar com o clima para que tais projeções se concretizem. Por outro lado, diante do forte recuo em Chicago e de um câmbio relativamente estável, ao redor de R$ 5,10 por dólar, o que vem segurando os preços nacionais da soja são os prêmios elevados para a oleaginosa disponível. Os mesmos continuam no melhor momento do ano, girando entre US$ 1,40 e US$ 1,60/bushel, porém, o ritmo de negócios, neste início de agosto, diminuiu em relação a julho. Assim, os produtores que ainda possuem soja, necessitando de caixa, estão realizando negócios (cf. Brandalizze Consulting).
Enfim, se o clima continuar positivo nos EUA, durante o mês de agosto, não se descarta novas baixas em Chicago. Diante disso, o que favorecerá o mercado será a manutenção das compras chinesas, o que ainda não é uma certeza, apesar dos sinais positivos dos últimos dias.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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