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5 de agosto de 2026

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Mato Grosso aposta em floresta plantada para sustentar industrialização

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Mato Grosso tem mirado em uma nova fronteira de crescimento: a floresta plantada. O setor que ainda é baixo frente ao protagonismo de grãos e carne, ganha destaque no Florestar 2025. O recado dos debates é que a industrialização do estado dependerá de um insumo pouco explorado até aqui, a biomassa florestal, para sustentar o avanço de indústrias de etanol de milho, energia e agro-processamento.

“Não dá para falar de carvão em Mato Grosso. Nosso compromisso é com a produção sustentável”, disse Linacis Lisboa, secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT). 

Segundo ela, a estratégia estadual se ancora em quatro linhas: ampliação da produção, diversificação de culturas, conservação por meio do reflorestamento e práticas sustentáveis, além da agroindustrialização.

Os números dão sustentação ao discurso. O etanol de milho transformou a economia de Mato Grosso. Com 5,4 bilhões de litros produzidos em 2024/25, 69% de toda a oferta nacional, o setor já é o motor da industrialização local. 

A meta é dobrar esse volume até 2030/31, mas isso exigirá matéria-prima extra: milho, de um lado, e biomassa florestal, de outro. 

O governo do estado lançou recentemente uma campanha para consolidar o estado como novo pólo florestal do Brasil. O diferencial competitivo está no ciclo rápido de produção: enquanto em outras regiões o tempo de colheita chega a 14 anos, no estado o prazo médio é de sete. 

“Temos condições climáticas únicas e uma demanda crescente da agroindústria. Esses são bons problemas: expansão, abertura de mercados e novas oportunidades”, resumiu Lisboa.

Entre as frentes em curso, destacam-se a expansão do plantio de teca em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), estudos de adaptação de clones de eucalipto em seis municípios e o mapeamento das florestas plantadas. 

O início do cadastramento realizado em 2024 criou uma base inédita sobre a silvicultura local, ferramenta vista como chave para calibrar políticas de crédito e defesa florestal. 

O desafio, contudo, é o financiamento. Os valores arrecadados pelo fundo de desenvolvimento florestal, abastecido pela taxa de reposição, ainda são considerados insuficientes para atender à demanda de expansão. Uma alternativa em debate é a linha FCO Verde, subsidiada pelo Plano Safra. 

Mas a linha perdeu atratividade com a alta do custo de capital. Atualmente, a taxa já chega a 8,5% ao ano, em um momento em que o crédito para o agronegócio se mostra cada vez mais restritivo.

As ações estão ancoradas no Plano de Desenvolvimento Econômico Sustentável (PDEF-MT), lei criada em 2021 que direciona recursos da taxa de reposição florestal. O fundo é gerido pelo conselho do Desenvolve Floresta, que reúne governo, entidades e setor privado para financiar projetos, debater boas práticas e modelar linhas de crédito específicas.

Na leitura da Sedec-MT, a biomassa é o elo que dará sustentação à agroindustrialização mato-grossense. O desafio, agora, é transformar as intenções em ativos escaláveis, sem romper o compromisso com sustentabilidade, um dos pontos mais cobrados por investidores e clientes internacionais.


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Produtor troca escritório pela agricultura orgânica e encontra propósito no campo

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Instalado em um sítio em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, o produtor rural Eduardo dos Santos Faria transformou a tradição familiar em um projeto de agricultura orgânica.

Além de produzir hortaliças para abastecer os consumidores, o trabalho desenvolvido na propriedade contribui para a preservação de uma das principais áreas de mananciais responsáveis pelo abastecimento de água de São Paulo.

A história da família de Faria com a região começou ainda na década de 1960, quando seu avô materno, o português Manuel Maria, ficou conhecido em Parelheiros pela criação de suínos. Anos depois, em 1998, seus pais adquiriram a propriedade onde ele vive atualmente.

Embora tenha crescido frequentando o sítio, Eduardo seguiu um caminho profissional distante da agricultura. Trabalhou como motoboy, atuou em uma empresa de tecnologia e depois passou a trabalhar com marcenaria ao lado do pai e do irmão.

Segundo ele, o ambiente corporativo provocava uma sensação de desconexão com o tempo e com a natureza. “Você saía para almoçar e não sabia se tinha chovido, se era primavera ou qual era o ciclo da lua. Isso me incomodava”, relata.

Inicialmente, o sítio era apenas um refúgio para descansar nos fins de semana. Com o tempo, passou a enxergar a propriedade como uma possibilidade de vida e de trabalho.

Produtor rural
Foto: reprodução/Planeta Campo

Respeito ao tempo da natureza

Ao comparar a vida no campo com a rotina da cidade, Eduardo afirma que encontrou na agricultura uma relação diferente com o tempo. Enquanto no ambiente urbano predominam prazos curtos e cobranças constantes, no campo os processos seguem o ritmo natural das plantas.

“Você pode querer que a alface cresça mais rápido, mas ela respeita o próprio ciclo. Isso ensina que nem tudo acontece no nosso tempo”, afirma.

Para ele, compreender esses ciclos também ajuda a reduzir ansiedade e frustrações provocadas pela busca constante por resultados imediatos. Apesar disso, ressalta que a conexão com a natureza não depende exclusivamente de viver no campo, mas da forma como cada pessoa se relaciona com o presente.

Produção orgânica desde 2015

A família iniciou a produção de hortaliças orgânicas em 2015, dois anos depois, conquistou a certificação de produção orgânica, marco que consolidou a atividade como principal fonte de renda.

Desde então, Eduardo diz que a propriedade vem sendo construída com base em aprendizado contínuo, enfrentando desafios comuns à agricultura, mas mantendo o propósito de produzir alimentos e preservar o território.

Segundo ele, a atividade desempenha um papel que vai além da produção agrícola. Localizada em uma área de mananciais, a propriedade também contribui para a conservação ambiental, ajudando a proteger recursos hídricos e áreas verdes importantes para a capital paulista.

Consumo consciente e valorização do produtor

Pai de três filhos, Eduardo afirma que não espera que eles sigam a mesma profissão, mas considera essencial que conheçam a origem dos alimentos e compreendam o trabalho necessário para produzi-los.

Na avaliação do agricultor, consumidores precisam refletir sobre preços muito baixos encontrados no mercado. Para ele, alimentos excessivamente baratos costumam indicar que algum elo da cadeia produtiva está sendo prejudicado.

“A ideia é que todos possam ganhar: quem produz, quem transporta, quem comercializa e quem compra”, afirma.

Ele também defende que o consumo consciente deve fazer parte das relações cotidianas, não apenas na alimentação, mas em todas as escolhas feitas pela sociedade.

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Câmara setorial debate safra, dívidas rurais e manejo da soja em Londrina

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A 71ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) discutiu, na terça-feira (4), em Londrina (PR), temas estratégicos para a sojicultura brasileira. A pauta reuniu projeções para a safra, endividamento dos produtores, manejo da ferrugem-asiática, vazio sanitário, calendário de semeadura, atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e exigências fitossanitárias para a exportação de soja à China.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou do encontro com o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas, Endrigo Dalcin, e a assessora técnica Jerussa Rech.

Entre os pontos discutidos, ganharam espaço os entraves relacionados à Medida Provisória nº 1.376/2026, voltada à renegociação de dívidas rurais. Segundo Dalcin, produtores têm relatado dificuldades para acessar as medidas previstas na legislação. Ele também afirmou que há preocupação com a repetição, nos próximos ciclos, dos recordes projetados para a safra 2025/2026, diante da dificuldade de acesso ao crédito, dos custos de produção elevados e da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño nesta temporada.

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Durante a reunião, representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentaram dados do 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/2026, divulgado em 14 de julho. A estatal projeta produção recorde de 360,1 milhões de toneladas de grãos no ciclo, volume 2,2% superior ao da safra anterior. A apresentação também destacou a produção de sorgo estimada em 7,6 milhões de toneladas em 2026, além de informações sobre os estoques finais das principais culturas.

O pesquisador Maurício Meier, da Embrapa Soja, apresentou estudos sobre calendário de semeadura, vazio sanitário e atualizações do Zarc. Entre as mudanças em avaliação para a próxima safra está a possibilidade de antecipar o início da semeadura da soja em Mato Grosso do Sul para 1º de setembro. A proposta considera o desempenho de novos cultivares, com características que podem permitir o plantio antecipado sem comprometer o manejo fitossanitário.

As discussões da câmara setorial reuniram produção, crédito, sanidade vegetal e planejamento da próxima safra, com foco em medidas que afetam diretamente a organização da cadeia da soja no país.

Fonte: cnabrasil.org.br

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‘Cardápio Forrageiro’ orienta escolha de plantas resistentes para a pecuária no Semiárido baiano

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Foto: Daniel Fagundes/Trilux

Produzir carne e leite no Semiárido brasileiro é um dos maiores desafios da pecuária nacional. Em grande parte da Bahia, do Nordeste e do Norte de Minas Gerais, produtores rurais convivem com períodos que podem chegar a nove meses sem chuva. A estiagem prolongada reduz a oferta de pastagens, eleva os custos com a alimentação de bovinos, ovinos e caprinos e compromete a produtividade das propriedades. Nesse cenário, as forrageiras, plantas destinadas à alimentação dos rebanhos, tornam-se estratégicas para garantir alimento durante todo o ano.

Para enfrentar esse desafio, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar lançaram, em 2017, o Projeto Forrageiras para o Semiárido. A iniciativa nasceu a partir de uma demanda do presidente da CNA, João Martins, diante da necessidade de recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a abertura de novas áreas. Somente na Bahia, cerca de 14 milhões de hectares apresentam algum grau de degradação.

Após quase dez anos de pesquisas, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar apresentaram os avanços do Projeto Forrageiras para o Semiárido durante o encerramento da segunda etapa do Rally de Forrageiras, em Baixa Grande (BA).

O município, que abriga uma das principais Unidades de Referência Tecnológica (URTs), recebeu cerca de mil participantes. Nessas áreas, as espécies forrageiras são testadas em condições reais de produção antes de serem recomendadas ao campo. A próxima etapa do Rally percorrerá dez estados do Semiárido para disseminar as tecnologias desenvolvidas ao longo da última década.

Atualmente, o projeto conta com 12 URTs distribuídas pelo Semiárido brasileiro. Nelas, pesquisadores avaliaram diferentes combinações de capins, gramíneas anuais, palma forrageira e outras espécies para identificar as alternativas mais adaptadas às condições de clima, solo e regime de chuvas de cada região.

Também durante o evento, o vice-presidente da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, destacou o potencial do Semiárido para a expansão da pecuária.

Segundo ele, a difusão de conhecimento, aliada à assistência técnica e à inovação, é essencial para aumentar a produção, gerar renda e empregos e estimular a sucessão familiar no campo. “A região semiárida é o futuro da pecuária brasileira, mas precisamos cada vez mais implantar conhecimento e inovação”, afirmou.

Segundo dados apresentados durante o encontro, mais de 10 mil produtores foram atendidos diretamente pela iniciativa nos últimos dois anos. Já a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema CNA/Senar acumulava cerca de 500 mil produtores assistidos em todo o país.

Cardápio forrageiro

O principal resultado da pesquisa foi a criação de um cardápio forrageiro, ferramenta que orienta os produtores sobre as espécies mais indicadas para cada realidade. Entre as recomendações estão diferentes variedades de palma forrageira, sorgo, milheto e capins adaptados, além do uso da silagem como estratégia para garantir alimento ao rebanho durante os períodos de seca.

Segundo a coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, a principal conclusão das pesquisas é que não existe uma única forrageira capaz de atender todo o Semiárido. “Cada região precisa de uma combinação diferente de espécies, de acordo com o clima, o solo e a disponibilidade de água”, explica.

Ela destaca que as URTs permitiram validar as tecnologias em condições reais antes de levá-las aos produtores por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). “O manejo correto é tão importante quanto a escolha da forrageira. O objetivo é reduzir custos e garantir alimento para o rebanho durante todo o ano”, afirma.

Além da escolha das espécies, o projeto incentiva práticas como produção de silagem, rotação de pastagens, recuperação de áreas degradadas, análise de solo e planejamento alimentar dos rebanhos.

Durante a estiagem, quando os pastos perdem qualidade nutricional, os pesquisadores apontam três pilares para a alimentação animal no Semiárido: capim, palma forrageira e silagem.

A palma, considerada uma das principais alternativas para enfrentar a seca, exige investimento entre R$ 11 mil e R$ 13 mil por hectare. Em contrapartida, pode produzir cerca de 180 toneladas de matéria verde por hectare já no primeiro ano, garantindo elevada oferta de alimento aos animais.

Durante os dias de campo do Rally de Forrageiras, os participantes também têm acesso à Carreta Agro pelo Brasil, iniciativa do Sistema CNA/Senar que apresenta experiências imersivas sobre a evolução da agropecuária brasileira. A estrutura reúne vídeos em formato imersivo, óculos de realidade virtual e um estúdio de podcast para entrevistas realizadas durante os eventos.

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