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16 de junho de 2026

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Mato Grosso celebra colheita histórica de milho, mas falta de espaço preocupa

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Mato Grosso está praticamente com a colheita de milho 2024/25 encerrada. A safra, que começou com atrasos no plantio, é finalizada com bons resultados e produtividades acima da média, mesmo diante de pragas, custos elevados e preços em queda. Mas o que ameaça a rentabilidade do produto agora não está na lavoura, e sim fora dela: a falta de espaço para armazenar o cereal. Um gargalo antigo que ainda tira o sono do maior estado agrícola do país.

Na última sexta-feira (15), as colheitadeiras de milho chegaram a 99,71% da área semeada nesta temporada. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as regiões centro-sul, médio-norte, nordeste e noroeste já concluíram os trabalhos, enquanto no norte e oeste restavam menos de 1%. Já no sudeste mato-grossense 98,15% do cereal estava colhido.

Em várias partes do estado, a produtividade superou a média esperada. No Vale do Araguaia, Canarana deve fechar com média de 100 sacas por hectare, segundo o Sindicato Rural.

“Canarana esse ano plantou cerca de 100 mil hectares. O clima foi bom para o milho e o produtor conseguiu uma produtividade satisfatória”, conta o presidente do Sindicato Rural, Lino Costa.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O clima também contribuiu com Diamantino. Por lá, destaca o presidente do Sindicato Rural, Altemar Kroling, a expectativa é de 120 sacas por hectare de média. “Um ano diferenciado. Choveu muito bem, até além do que a gente esperava. Talvez seja a melhor média da história do município”.

Milho a céu aberto e investimento em silos bolsa

A fartura observada nas lavouras, diante das produtividades, traz à tona um problema antigo em Diamantino e que se estende por todo o estado: a falta de espaço para guardar a produção de grãos. Para tentar evitar perdas e montanhas de milho a céu aberto, muitas propriedades estão investindo em silos bolsas.

“Esse ano tem soja no fundo do armazém, então não tem como pôr o milho”, diz o presidente do Sindicato Rural ao projeto Mais Milho do Canal Rural Mato Grosso. “O que cresce são unidades dentro das fazendas, mas de grandes empresas não vêm os armazéns novos que tanto necessitamos”.

Para guardar parte dos 1,3 mil hectares de milho cultivados na propriedade em Diamantino, a família Kroling investiu em cerca de 50 silos bolsa, com capacidade para até 150 mil sacas. “É uma medida eficaz, mas por outro lado mostra o grande déficit de armazenamento no município e no estado”, diz o agricultor Flávio Kroling.

Segundo ele, o problema crônico tira o sono do produtor. “Quando a gente começa a pensar, até assusta. Acho que merece uma discussão muito grande. Não é questão de produtividade, e sim de rentabilidade. O que realmente importa é quanto sobra para o agricultor. Eu acredito que quem pode esperar com o milho consegue fechar a conta, mas quem colhe e tem que vender o produto a conta não fecha”.

De acordo com o Imea, Mato Grosso deve colher quase 105 milhões de toneladas de soja e milho nesta safra. Contudo, a Conab aponta que a capacidade de armazenagem no estado é de apenas 52,3 milhões de toneladas – menos da metade do necessário.

“É uma questão de segurança alimentar. O mercado internacional sabe que o Brasil tem esse déficit, por isso eles pagam menos, porque o produtor precisa escoar rapidamente”, frisa o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), Lucas Costa Beber.

Ao Canal Rural Mato Grosso, o presidente da Associação salienta ainda que se, por exemplo, o Brasil registrasse um ataque aos seus portos, assim como ocorreu na Ucrânia, “não teríamos onde colocar a produção”. “Precisamos pensar talvez em isenção fiscal para poder importar componentes para a produção de material de armazenagem, juros mais baratos subsidiados. O governo reconhece que é um gargalo, porém, não toma atitudes de fato que tragam eficiência e resultado para ampliar a capacidade de armazenagem em nosso país, principalmente para pequenos e médios”.

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Lucas Costa Beber assume presidência da Aprosoja Brasil

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Aprosoja MT/Assessoria

Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, assume agora um novo cargo como presidente da Aprosoja Brasil. À frente da entidade mato-grossense desde 2023, Beber dá um novo passo na representação dos produtores de soja no país.

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Ele passa a ocupar o cargo que era de Maurício Buffon, que deixa a presidência da Aprosoja Brasil. Buffon havia assumido o comando da entidade em abril de 2024, após ser eleito para o triênio 2024-2027.

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O boom do etanol de milho e o desafio de criar demanda

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Foto: Freepik

Impulsionada por mais de R$ 40 bilhões em investimentos, a produção saltou de cerca de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para uma projeção próxima de 10 bilhões de litros em 2025/26. Em apenas cinco anos, o setor quadruplicou de tamanho. Mas o desafio mudou. A questão já não é produzir mais. A pergunta agora é: quem vai consumir todo esse volume?

O modelo econômico do etanol de milho é altamente eficiente. Além do combustível, as usinas produzem DDGS, um farelo rico em proteína utilizado na alimentação de bovinos, aves e suínos. Isso amplia a rentabilidade da cadeia e ajuda a explicar a corrida de investimentos observada nos últimos anos.

O setor caminha para produzir cerca de 10 bilhões de litros por safra, consolidando o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.

O risco da superoferta

O crescimento da oferta começa a preocupar. Estimativas do setor indicam que o mercado brasileiro poderá receber aproximadamente 4 bilhões de litros adicionais de etanol em um único ciclo produtivo. Enquanto isso, o consumo cresce em ritmo muito menor, próximo de 2% ao ano. Em outras palavras, a produção avança muito mais rápido do que a demanda.

O Brasil possui uma das maiores frotas flex do mundo. Ainda assim, muitos motoristas continuam optando pela gasolina, especialmente quando a diferença de preço não compensa a menor autonomia do etanol.

Para ajudar a absorver a produção crescente, o governo elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. O setor já discute novos aumentos nos próximos anos. A medida ajuda, mas não resolve o problema estrutural da demanda.

A nova fronteira

O futuro do etanol não está apenas nos tanques dos automóveis. O combustível deverá ganhar espaço em novos mercados ligados à descarbonização, especialmente no SAF, o combustível sustentável de aviação, e em aplicações industriais de baixa emissão de carbono.

Além disso, o etanol brasileiro possui uma vantagem estratégica: baixa pegada de carbono e grande disponibilidade de matéria-prima, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais.

O boom do etanol de milho é uma vitória tecnológica, industrial e agrícola. O Brasil mostrou que consegue produzir. Agora precisa provar que consegue vender.

Sem novos mercados, maior competitividade nas bombas e expansão das exportações, o sucesso produtivo pode pressionar preços e reduzir margens justamente no momento em que o setor mais cresce.

O desafio dos próximos anos não será fabricar mais etanol. Será criar demanda suficiente para acompanhar a velocidade da oferta.

Miguel Daoud

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Esmagamento de soja em Mato Grosso registra novo recorde mensal

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso esmagou 1,28 milhão de toneladas de soja em maio diante da maior utilização das plantas industriais. O volume, considerado um novo recorde mensal, supera em 6,98% o total processado em abril e em 3,22% quando comparado com o mesmo período em 2025.

Tal resultado, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), está aliado à demanda externa por óleo de soja. Somente em maio 21,69 mil toneladas do derivado de soja foram exportadas pelo estado, 41,80% a mais do que em abril.

Outro fator apontado para o novo recorde é o avanço do setor de biodiesel no país.

Margens pressionadas, apesar do bom resultado

Apesar do desempenho positivo, a valorização de 1,18% da soja em grão no quinto mês de 2026 e o recuo nas cotações dos coprodutos pressionaram as margens das indústrias.

Conforme o Instituto, a margem bruta de esmagamento da soja em Mato Grosso fechou maio com retração de 7,82% no comparativo mensal, encerrando o período com média em R$ 639,84 a tonelada.


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