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5 de agosto de 2026

Business

Sanções da Otan contra Rússia podem elevar custo de fertilizantes no Brasil

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Um novo risco geopolítico pode impactar diretamente a agricultura brasileira. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com apoio dos Estados Unidos, anunciou a possibilidade de impor sanções secundárias a países que mantêm relações comerciais com a Rússia.

As informações constam no Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O documento destaca que o Brasil depende da Rússia para 26% das importações de fertilizantes e que, em caso de restrição, o país teria de buscar fornecedores alternativos, provavelmente mais caros, o que aumentaria os custos de produção.

Dependência brasileira dos fertilizantes russos

Segundo o relatório, em 2024 a Rússia foi responsável por 53% do fosfato monoamônico (MAP), 40% do cloreto de potássio (KCl) e 20% da ureia importados pelo Brasil.

O fornecimento russo é considerado estratégico por reunir disponibilidade e competitividade em relação a outras origens.

O Agro Mensal também mostra que os preços já registram pressão. Em julho, a ureia subiu 5,2% nos portos brasileiros, alcançando USD 455/t. O MAP recuou 0,3% no mês, para USD 757,5/t, enquanto o KCl permaneceu estável em USD 362,5/t.

O relatório aponta que, diante desse cenário, produtores — especialmente os de grãos — enfrentam uma relação de troca menos vantajosa entre produtos agrícolas e fertilizantes.

Oferta global em risco

O documento do Itaú BBA chama atenção ainda para os problemas de oferta global. Fábricas de ureia no Egito pararam, a produção no Irã foi reduzida devido à guerra contra Israel, e em julho uma planta russa de nitrogenados foi atingida por drone.

Esse quadro levou países com compras centralizadas, como a Índia, a anteciparem aquisições por precaução. Mesmo com a queda nos preços internacionais do gás natural — principal insumo dos nitrogenados —, a ureia e outros produtos seguem em trajetória de alta.

Perspectivas para o setor

De acordo com o Agro Mensal, caso a Otan avance com as sanções secundárias, o Brasil terá de avaliar alternativas de fornecimento em um mercado já pressionado. A medida pode elevar os custos da agricultura nacional e ampliar a dependência de origens mais caras.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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CNA participa de feira internacional de frutas e verduras em São Paulo

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou da feira “The Brazil Conference & Expo 2026”, promovida pela Associação Internacional de Produtos Frescos (IFPA), na terça-feira (4) e nesta quarta-feira (5), em São Paulo. O encontro reuniu compradores, expositores e especialistas do segmento de frutas, verduras e produtos frescos.

Em sua 10ª edição, o evento reuniu representantes de toda a cadeia de produtos frescos para debates sobre inovação, inteligência de mercado e desafios ligados ao desenvolvimento sustentável do setor.

Pela CNA, acompanharam a programação a presidente da Comissão Nacional de Fruticultura, Mari Anna Batista, e a assessora técnica Madeliny Saracho Jara. Entre os temas discutidos estiveram o crescimento do mercado de produtos saudáveis, as mudanças no comportamento do consumidor e a agregação de valor aos produtos frescos.

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A programação também abordou sustentabilidade, rastreabilidade, logística, inovação e tecnologias voltadas ao aumento da eficiência e da competitividade das cadeias produtivas.

Segundo Mari Anna Batista, as discussões técnicas apresentadas no evento mostraram potencial de expansão do mercado brasileiro de produtos saudáveis e oportunidades para fortalecer a produção nacional e ampliar o consumo de alimentos frescos.

Como parte da agenda institucional da entidade na feira, as representantes da CNA participaram de reunião com a gerente nacional da IFPA Brasil, Valeska Oliveira, e com o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Manoel Oliveira. O encontro tratou de pontos estratégicos para os setores.

A participação da CNA na feira concentrou-se no acompanhamento de debates técnicos e em reuniões com representantes de entidades do setor de produtos frescos, em uma agenda voltada a temas de mercado, tecnologia, logística e produção.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Produtor troca escritório pela agricultura orgânica e encontra propósito no campo

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Instalado em um sítio em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, o produtor rural Eduardo dos Santos Faria transformou a tradição familiar em um projeto de agricultura orgânica.

Além de produzir hortaliças para abastecer os consumidores, o trabalho desenvolvido na propriedade contribui para a preservação de uma das principais áreas de mananciais responsáveis pelo abastecimento de água de São Paulo.

A história da família de Faria com a região começou ainda na década de 1960, quando seu avô materno, o português Manuel Maria, ficou conhecido em Parelheiros pela criação de suínos. Anos depois, em 1998, seus pais adquiriram a propriedade onde ele vive atualmente.

Embora tenha crescido frequentando o sítio, Eduardo seguiu um caminho profissional distante da agricultura. Trabalhou como motoboy, atuou em uma empresa de tecnologia e depois passou a trabalhar com marcenaria ao lado do pai e do irmão.

Segundo ele, o ambiente corporativo provocava uma sensação de desconexão com o tempo e com a natureza. “Você saía para almoçar e não sabia se tinha chovido, se era primavera ou qual era o ciclo da lua. Isso me incomodava”, relata.

Inicialmente, o sítio era apenas um refúgio para descansar nos fins de semana. Com o tempo, passou a enxergar a propriedade como uma possibilidade de vida e de trabalho.

Produtor rural
Foto: reprodução/Planeta Campo

Respeito ao tempo da natureza

Ao comparar a vida no campo com a rotina da cidade, Eduardo afirma que encontrou na agricultura uma relação diferente com o tempo. Enquanto no ambiente urbano predominam prazos curtos e cobranças constantes, no campo os processos seguem o ritmo natural das plantas.

“Você pode querer que a alface cresça mais rápido, mas ela respeita o próprio ciclo. Isso ensina que nem tudo acontece no nosso tempo”, afirma.

Para ele, compreender esses ciclos também ajuda a reduzir ansiedade e frustrações provocadas pela busca constante por resultados imediatos. Apesar disso, ressalta que a conexão com a natureza não depende exclusivamente de viver no campo, mas da forma como cada pessoa se relaciona com o presente.

Produção orgânica desde 2015

A família iniciou a produção de hortaliças orgânicas em 2015, dois anos depois, conquistou a certificação de produção orgânica, marco que consolidou a atividade como principal fonte de renda.

Desde então, Eduardo diz que a propriedade vem sendo construída com base em aprendizado contínuo, enfrentando desafios comuns à agricultura, mas mantendo o propósito de produzir alimentos e preservar o território.

Segundo ele, a atividade desempenha um papel que vai além da produção agrícola. Localizada em uma área de mananciais, a propriedade também contribui para a conservação ambiental, ajudando a proteger recursos hídricos e áreas verdes importantes para a capital paulista.

Consumo consciente e valorização do produtor

Pai de três filhos, Eduardo afirma que não espera que eles sigam a mesma profissão, mas considera essencial que conheçam a origem dos alimentos e compreendam o trabalho necessário para produzi-los.

Na avaliação do agricultor, consumidores precisam refletir sobre preços muito baixos encontrados no mercado. Para ele, alimentos excessivamente baratos costumam indicar que algum elo da cadeia produtiva está sendo prejudicado.

“A ideia é que todos possam ganhar: quem produz, quem transporta, quem comercializa e quem compra”, afirma.

Ele também defende que o consumo consciente deve fazer parte das relações cotidianas, não apenas na alimentação, mas em todas as escolhas feitas pela sociedade.

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