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5 de agosto de 2026

Business

Produção do agro em MT esbarra em gargalos históricos de armazenagem

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O agronegócio brasileiro enfrenta um paradoxo preocupante: enquanto a produção de grãos bate recordes consecutivos, a infraestrutura logística mostra-se cada vez mais insuficiente. Especialistas alertam que o atual déficit de 120 milhões de toneladas na capacidade de armazenagem pode quase dobrar na próxima década, alcançando 210 milhões de toneladas caso se mantenha o crescimento médio de 11% ao ano na produção agrícola.

Durante o AgroForum promovido pelo BTG Pactual, executivos do setor apontaram que o problema tende a se intensificar com a maturação dos solos em áreas agrícolas recentemente abertas. André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, explicou que após quatro ou cinco anos de cultivo de soja, essas terras passam a permitir o plantio de milho na segunda safra, elevando ainda mais a pressão sobre o sistema logístico.

Os números da safra 2024/25 ilustram o desafio: a produção estimada pela Conab em 339,6 milhões de toneladas representa um aumento de 14,2% em relação ao ciclo anterior, enquanto a área plantada cresceu apenas 2,3%. Essa disparidade entre ganhos de produtividade e infraestrutura disponível preocupa os agentes do setor.

Diante desse cenário, empresas e cooperativas têm buscado soluções alternativas. A Fazendão Agronegócio, por exemplo, investiu na ampliação de sua capacidade de esmagamento de soja no Tocantins e constrói uma usina de etanol de milho com previsão de inauguração ainda este ano. Paralelamente, estabeleceu parcerias estratégicas para melhorar o escoamento, incluindo acordos com a VLI e projetos portuários em Barcarena.

No âmbito cooperativo, a Coamo Agroindustrial planeja investir R$ 3,5 bilhões entre 2024 e 2026, com destaque para o aumento de 10% em sua capacidade estática de armazenagem. Airton Galinari, presidente-executivo da cooperativa, revelou que mesmo com os atuais 6,2 milhões de toneladas de capacidade e o uso de 500 mil toneladas em silos-bolsas, a demanda por espaço continua superando a oferta.

O contexto econômico atual acrescenta camadas de complexidade ao desafio logístico. Guillaumon projetou uma redução na rentabilidade da soja, com margens Ebitda caindo de 25-30% para 20-22%, enquanto alertou para os riscos cambiais – com projeção de queda do dólar de R$5,40 para R$4,80 durante a safra – e o impacto dos juros elevados (15% ao ano) nos custos financeiros.

Essa conjuntura tem levado os produtores a adotarem estratégias defensivas, como a antecipação de vendas – com 60% da safra de soja já negociada – e investimentos em armazenagem própria para evitar liquidações em momentos de preços desfavoráveis. A verticalização da produção surge como caminho estratégico não apenas para agregar valor, mas também para aliviar a pressão sobre o sistema de transporte de grãos.

O setor reconhece que a superação desses desafios exigirá esforços coordenados entre iniciativa privada e políticas públicas, garantindo que o potencial do agronegócio brasileiro não seja limitado por gargalos logísticos previsíveis. Enquanto isso, empresas e cooperativas seguem buscando soluções criativas para armazenar, processar e escoar uma produção que não para de crescer.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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CNA participa de feira internacional de frutas e verduras em São Paulo

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou da feira “The Brazil Conference & Expo 2026”, promovida pela Associação Internacional de Produtos Frescos (IFPA), na terça-feira (4) e nesta quarta-feira (5), em São Paulo. O encontro reuniu compradores, expositores e especialistas do segmento de frutas, verduras e produtos frescos.

Em sua 10ª edição, o evento reuniu representantes de toda a cadeia de produtos frescos para debates sobre inovação, inteligência de mercado e desafios ligados ao desenvolvimento sustentável do setor.

Pela CNA, acompanharam a programação a presidente da Comissão Nacional de Fruticultura, Mari Anna Batista, e a assessora técnica Madeliny Saracho Jara. Entre os temas discutidos estiveram o crescimento do mercado de produtos saudáveis, as mudanças no comportamento do consumidor e a agregação de valor aos produtos frescos.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

A programação também abordou sustentabilidade, rastreabilidade, logística, inovação e tecnologias voltadas ao aumento da eficiência e da competitividade das cadeias produtivas.

Segundo Mari Anna Batista, as discussões técnicas apresentadas no evento mostraram potencial de expansão do mercado brasileiro de produtos saudáveis e oportunidades para fortalecer a produção nacional e ampliar o consumo de alimentos frescos.

Como parte da agenda institucional da entidade na feira, as representantes da CNA participaram de reunião com a gerente nacional da IFPA Brasil, Valeska Oliveira, e com o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Manoel Oliveira. O encontro tratou de pontos estratégicos para os setores.

A participação da CNA na feira concentrou-se no acompanhamento de debates técnicos e em reuniões com representantes de entidades do setor de produtos frescos, em uma agenda voltada a temas de mercado, tecnologia, logística e produção.

Fonte: cnabrasil.org.br

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