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7 de maio de 2026

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professor faz do campo sua nova sala de aula

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Um professor universitário que sempre quis viver a rotina do campo conseguiu transformar essa vontade em realidade. Com muita dedicação, busca por conhecimento e capacitação, Jackson Marques Pacheco hoje produz queijos artesanais diferenciados, reconhecidos com prêmios nacionais e internacionais, direto da Fazenda Campo Alegre, em Santo Antônio de Leverger, a poucos quilômetros de Cuiabá.

As construções que margeiam o Rio Cuiabá formam a área urbana de Santo Antônio de Leverger, município com parte do território inserido no bioma Pantanal. Ali está a propriedade de 100 hectares do “seo” Jackson, onde ele dedica tempo, alma e coração a cada detalhe.

“No tempo de criança, as férias escolares eram de três meses, diferente de hoje”, conta Jackson ao programa Senar Transforma desta semana. As férias longas daquela época, lembra ele, eram um convite para passar meses em propriedades rurais do Pantanal, em Paranatinga ou Barra dos Bugres, mesmo sem a posse das terras — pois a família da mãe tinha forte ligação com o campo.

O gosto pelo campo vem desde a infância. “Fui criado no mato, no campo. Então isso aí desperta em algumas pessoas o interesse pela área rural, que foi o meu caso”, afirma o produtor.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Da sala de aula ao campo

Apesar da paixão pelo campo, a carreira acadêmica de Jackson foi totalmente distinta. “Minha área acadêmica é professor universitário na área de engenharia, não tinha nada a ver com o campo”, explica a reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Mas o sonho de um dia deixar a cidade e morar na fazenda seguia. “Eu comprei a propriedade aqui tem 30 e poucos anos. Tudo foi construído pensando nisso. Hoje o senhor está realizado”.

Para garantir que a fazenda fosse financeiramente sustentável, o ex-professor buscou formas de gerar renda, focando em valor agregado mesmo sendo uma pequena propriedade.

“Eu trabalhei com gado de corte, produção de gado PO (puro origem), mas não era viável. Porque você tem de concorrer com os grandes produtores de raça. O leite é uma forma de agregar valor com menor quantidade de cabeça. Agora, o leite tem outro problema. No preço que ele está para o pequeno produtor também fica difícil, a não ser que não compute a mão de obra dele. Aí entra a história do queijo como forma de agregar valor ao pequeno produtor. Essa foi a lógica que eu adotei”.

O desafio e a paixão pela produção de queijos

Com a decisão de migrar para o leite, veio um outro problema. O produtor não sabia fazer queijo“só sabia comer, comer com bolo de queijo, com um café” —, mas, mesmo assim, decidiu começar a desenvolver queijos fora do padrão tradicional. A primeira tentativa foi há cerca de oito anos.

“Como optamos por fazer queijos diferenciados, que fogem desse queijo tradicional, perdemos muito leite. Quando não alcançava o padrão, descartava e não vendia, pois a nossa preocupação era entregar ao consumidor um produto com qualidade e sanidade”, relata.

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Para driblar a falta de conhecimento prático, o professor virou aluno. “Fiz vários cursos. Já fiz mais de oito cursos, inclusive pelo Senar”.

Ele reforça a importância da capacitação: “Se você quiser alcançar seu objetivo, a primeira coisa que você tem que fazer é se capacitar. Não adianta você querer trocar os pés pelas mãos. Primeiro capacita, que é importante, para depois você começar a produzir”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O sabor que conquistou o Pantanal

A dedicação deu resultado. Entre estudos, testes, falhas e acertos, Jackson chegou à fórmula ideal de sabor, consistência, textura e aroma para seus queijos. O curioso é que mesmo adotando o queijo tipo Canastra como referência, ele descobriu em uma ligação que tinha em mãos o produto diferenciado que tanto buscava.

“Ele disse: ‘Seu queijo não tem nada a ver com Canastra, mas a qualidade do seu queijo não perde em nada para o Canastra. Então, eu vou te dar uma sugestão. Muda de nome, porque se não a pessoa prova o queijo e fica aquela ideia, aquele sabor para ter região de Canastra. E não é. É diferente. Esse daí tem o sabor da região. Então, põe nome regional’”, conta Jackson.

E, assim nasceu o queijo Pantanal, com variações como Pantanal Ouro, Flor do Pantanal e Seminino — este último, nome regional que significa “garoto”.

O queijo regional ganhou destaque em concursos, acumulando prêmios, incluindo internacionais. “O primeiro queijo que fizemos, já ganhamos uma medalha internacional”. Em um concurso em Blumenau (SC), o produtor levou três queijos e os três foram premiados. Em Mato Grosso, quatro queijos foram premiados em um concurso estadual.

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“Esse ano nós levamos em Blumenau e tivemos duas premiações. E, também tivemos uma premiação a nível nacional em Brasília. Então já são 10 prêmios”, orgulha-se.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Produção artesanal e qualidade do leite

A ordenha é mecanizada, feita por colaboradores da fazenda. A produção diária gira entre 300 e 380 litros de leite. A fabricação de queijo, segundo Jackson, ocorre uma ou duas vezes por semana, utilizando cerca de 250 litros por vez, o que resulta em aproximadamente 40 quilos de queijo.

O rebanho é composto principalmente por vacas da raça Jersey, cerca de 90%, escolhidas pela qualidade e sabor do leite, mesmo produzindo menos que outras raças. A alimentação segue um padrão com cevada, capim-açu e milho para manter a uniformidade do leite.

“O que diferencia o queijo é o leite. Mas, depois do leite tem alguns fatores que influenciam. Primeiro, nosso leite é pasteurizado. Isso aí já muda, porque muda a estrutura do leite. Depois colocamos as bactérias que vão trabalhar e dar sabor aquele queijo que você quer. Depois de pronto, a maturação, a umidade e a temperatura vão se diferenciar e dar aquele tipo de queijo diferente”.

Hoje, o queijo do “seo” Jackson é comercializado a cerca de R$ 130 o quilo e tem como público pessoas que apreciam degustar queijos seja acompanhado de vinho, cerveja ou em pratos especiais. “Ele serve para dar sabor a alguns pratos específicos, tanto que entre os nossos clientes estão restaurantes. Os melhores restaurantes de Cuiabá”.

O sinal verde para a comercialização dos queijos foi outra conquista do produtor. A propriedade foi a primeira em Mato Grosso a obter o registro do CAPP, já estampado no rótulo do produto. O Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte é um programa do governo estadual com foco em impulsionar a geração de renda e segurança alimentar, além de promover a legalização de alimentos artesanais.

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Capacitação: o combustível para a transformação

A busca incessante por conhecimento marca a trajetória de Jackson. O professor que virou mestre na arte de produzir queijos não se acomoda com o que já alcançou. A mobilizadora do Sindicato Rural de Santo Antônio de Leverger, Gleice Kelly Alves da Silva, destaca a importância da capacitação para os produtores locais.

“A capacitação é um ponto primordial para os nossos produtores rurais e um meio de influenciá-los até a procurar o Sindicato Rural para estar se qualificando e entrar em nossos programas de assistência técnica e gerencial”, comenta Gleice ao Canal Rural Mato Grosso.

Jackson tem feito diversos treinamentos e cursos, inclusive na área de laticínios, e pretende participar do programa de Assistência Técnica Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso, que oferece acompanhamento por até três anos para grupos de produtores.

Rodrigo Gonçalves, supervisor regional do Senar Mato Grosso, ressalta que o conhecimento abre a mente e gera motivação para aprender cada vez mais. “O Senar oferece uma esteira com mais de 200 cursos para capacitar produtores, ajudando a reduzir custos e melhorar a produção”.

Planos para o futuro

Com mais de 30 anos na propriedade e oito anos produzindo queijo, o ex-professor universitário, hoje produtor rural, projeta crescimento para os próximos anos. “Quero continuar me capacitando e chegar a dois mil litros de leite produzidos por dia, que é o limite da legislação para esse padrão. Quero chegar a dois mil litros daqui a dois anos mais ou menos”.

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Ele reafirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso que o sonho é tornar a fazenda produtiva em termos de qualidade e financeiramente rentável, transmitindo esse conhecimento para o estado e o município. “O papel do educador não é só saber fazer, é saber transmitir”, finaliza.

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Nova geração de cana-de-açúcar do CTC é aprovada pela CTNBio

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Foto: Governo do Estado de São Paulo

A nova geração de cana-de-açúcar geneticamente modificada desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a VerdPRO2, foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A tecnologia foi desenvolvida para enfrentar a broca-da-cana e o manejo de plantas daninhas. A broca, presente em quase todos os canaviais do país, provoca perdas estimadas em cerca de R$ 8 bilhões por ano, afetando produtividade, peso da cana e teor de açúcar.

Já o controle de plantas daninhas demanda mais de R$ 6 bilhões anuais em herbicidas e operações agrícolas. Nesse aspecto, a VerdPRO2 promete simplificar o manejo de invasoras, como grama-seda, capim colonião, capim colchão e braquiária.

Segundo o CTC, a variedade reduz riscos de fitotoxicidade, oferece maior estabilidade ao longo do ciclo da cultura e contará com mais de 14 produtos.

Chegada ao mercado

Após a conclusão dos trâmites legais, a previsão de chegada da nova geração ao mercado é na safra 2026/27. “A introdução da tecnologia será realizada em proximidade com os clientes, com o intuito de demonstrar seus benefícios e valor no canavial”, informa o CTC.

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De acordo com o Centro, essa etapa combina a experimentação com acompanhamento técnico próximo, capturando as necessidades de manejo dos clientes e gerando dados em condições reais de cultivo sobre os benefícios da tecnologia.

A primeira geração da variedade foi lançada pela companhia em 2017 e a atual é considerada fundamental para impulsionar a estratégia do CTC em desenvolver soluções capazes de dobrar a produtividade da cana-de-açúcar até 2040.

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Safra de morango avança no Rio Grande do Sul com boa sanidade, diz Emater

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Foto: Freepik

A cultura do morango apresenta bom desenvolvimento no Rio Grande do Sul, com produção em andamento nas principais regiões produtoras. Segundo o Informativo Conjuntural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), divulgado nesta quinta-feira (7), a predominância de dias ensolarados favoreceu a sanidade das lavouras.

A baixa temperatura e a geada observada no dia 28 de abril não causaram prejuízos à emissão de flores, ao pegamento nem ao amadurecimento dos frutos.

Na região administrativa de Caxias do Sul, a colheita ainda ocorre em pequeno volume e se concentra em lavouras de um ano. Também começaram a ser retirados os primeiros frutos de plantas inseridas em fevereiro e março, oriundas da Espanha. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a menor oferta nesta época está relacionada à genética das plantas e ao período de renovação nos ambientes de cultivo.

Em Pelotas, os produtores estão na fase de implantação das primeiras mudas recebidas, que apresentam desenvolvimento considerado adequado. Além disso, seguem os trabalhos de limpeza de mudas de anos anteriores, reformas de estufas e preparação de novas estruturas. Em Santa Maria, o preparo de canteiros avança tanto para cultivo a campo quanto em bancada, com uso de mudas adquiridas no comércio local e também importadas do Chile.

Na região de Santa Rosa, a cultura está em fase de transplantio de mudas novas, em sua maioria importadas da Patagônia argentina e da Espanha. As plantas remanescentes da safra anterior têm baixa produtividade. Já em Soledade, chuvas e alta nebulosidade prejudicaram o crescimento de mudas recém-transplantadas e de plantas de segunda safra em fase vegetativa e reprodutiva.

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O quadro indica que o desempenho da cultura varia conforme as condições regionais de luminosidade e umidade. Onde o tempo firme predominou, houve melhor sanidade e evolução do pomar. Nas áreas com excesso de nebulosidade e chuva, o desenvolvimento ficou mais lento, o que pode influenciar o ritmo de formação das novas áreas.

A tendência de curto prazo, conforme o boletim técnico da Emater/RS-Ascar, é de continuidade da implantação e renovação das lavouras nas principais regiões produtoras. Não há, no informativo, dados de área total cultivada ou de volume estadual de produção para o morango nesta atualização.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Setor de biodiesel diz estar pronto para ampliar mistura e gerar mais empregos

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Imagem gerada por inteligência artificial

Diante da crise internacional envolvendo combustíveis fósseis e da pressão sobre os preços da energia, o setor de biocombustíveis vê uma oportunidade para ampliar a participação do biodiesel e do etanol na matriz energética brasileira. A avaliação é de Donizete Tokarski, diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), em entrevista ao programa Rural Notícias.

Segundo Tokarski, o setor brasileiro está preparado para atender ao aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. Atualmente, o percentual é de 15%, com previsão de avanço para 16% e meta de chegar a 20% até 2030.

“O setor está mais do que preparado. Hoje temos capacidade para produzir mais de 16 bilhões de litros de biodiesel por ano”, afirmou.

Durante a entrevista, Tokarski relacionou o cenário geopolítico internacional à importância dos combustíveis renováveis. “O biodiesel vem da terra e não da guerra”, disse, ao comentar os impactos dos conflitos internacionais sobre o petróleo e os combustíveis fósseis.

O dirigente ressaltou, no entanto, que o avanço dos biocombustíveis não deve ser tratado apenas como uma resposta momentânea à crise global, mas como uma política permanente para o país.

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Industrialização da soja

Tokarski também defendeu maior industrialização da soja dentro do Brasil. Segundo ele, o país exporta atualmente mais de 100 milhões de toneladas de soja em grão, enquanto poderia ampliar o processamento interno para gerar mais farelo, biodiesel e proteína animal.

“Nós temos que esmagar mais soja aqui no Brasil, aumentar a produção de farelo e, consequentemente, ampliar a produção de carne, que é um produto de maior valor agregado”, afirmou.

De acordo com o diretor da Ubrabio, atualmente existem cerca de 60 indústrias de biodiesel com capacidade ociosa no país, ao mesmo tempo em que o Brasil segue importando diesel fóssil.

“O importante é não importar combustível. Nós produzimos esse combustível aqui, gerando emprego, renda e desenvolvimento no interior do país”, destacou.

Impacto econômico e ambiental

Além do potencial econômico, Tokarski destacou os benefícios ambientais dos biocombustíveis. Segundo ele, o biodiesel contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e melhora a qualidade do ar.

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Durante a entrevista, ele também citou um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) que projeta impacto de R$ 403 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2030 com o avanço dos biocombustíveis previsto na Lei do Combustível do Futuro.

A legislação estabelece metas de ampliação da participação do biodiesel, etanol, diesel verde e bioquerosene na matriz energética nacional.

“O mundo exige mais alimentos e mais energia. O Brasil está pronto para fornecer energia de baixa emissão de carbono e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, concluiu Tokarski.

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