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20 de junho de 2026

Agro Mato Grosso

Brasil e Japão desenvolvem projeto para recuperação de pastagens degradadas

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Pesquisadores japoneses e brasileiros vão trabalhar juntos em projeto direcionado à recuperação de pastagens degradadas no Cerrado do Brasil, com foco em produtividade e sustentabilidade. A iniciativa foi apresentada no dia 1º de agosto na Sede da Embrapa, em encontro entre o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa brasileira (na iniciativa, presidente em exercício), Clenio Pillon, e representantes da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) e do Centro Internacional de Pesquisa do Japão para Ciências Agrícolas (Jircas), além de professores da Universidade de Hokkaido, pesquisadores da Embrapa Cerrados e consultores do lado asiático.

A parceria em curso tem origem em projeto liderado por equipe da Embrapa Cerrados, selecionado pela Jica em 2024. A proposta tinha o propósito inicial de monitoramento da intensificação agrícola e da recuperação de pastagens degradadas no Cerrado brasileiro usando dados do satélite ALOS-4, a serem disponibilizados pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa).

A proposta avançadau e hoje inclui outras linhas de pesquisa, como a avaliação da saúde do solo (pela metodologia de Bioanálise do Solo – BioAS) e dinâmica de carbono, bem como a inserção de aspectos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a simulação de cenários de mudanças climáticas no contexto de recuperação de pastagens degradadas em longo prazo.

Proporção fungo-bactéria

Nenhum encontro, inicialmente, foi feito uma apresentação geral sobre a estrutura do projeto no curto e nos longos prazos pela consultora Ayana Katogi do Boston Consulting Group (BCG).

Em seguida, professores da Universidade de Hokkaido detalharam aspectos do projeto relacionados à avaliação da saúde do solo das pastagens degradadas. O objetivo é proporcionar um manejo sustentável das áreas por meio da criação de um novo indicador a ser integrado à tecnologia BioAS, desenvolvido pela equipe sob liderança da pesquisadora Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados, e utilizado em escala comercial desde julho de 2020.

“Para o indicador de saúde do solo já existente, baseado na atividade enzimática, nossa proposta é acoplar a relação fungo-bactéria”, afirmou Shoichiro Hamamoto, professor daquela Universidade. Segundo ele, a literatura mostra que a forma de manejo de determinada área afeta essa proporção, o que interfere também na retenção de carbono e na ciclagem de nutrientes.

O novo indicador deverá ser integrado, ainda, um modelo que traga previsibilidade para o manejo do solo com suporte em métricas. “O objetivo é que esse indicador e esse modelo de previsibilidade possam ser combinados às avaliações da saúde dos solos por satélite e às análises socioeconômicas, de forma a serem aplicadas em áreas de pastagens degradadas e também de ILPF e de ILP.

O pesquisador Tetsuji Oya do Jircas propôs, ainda, o desenvolvimento de sistemas de cultivo que permitam a produção agrícola sustentável e regenerativa por meio da utilização intensiva de solos no bioma Cerrado.

O projeto está em fase de prova de conceito, o que deverá se estender até março de 2026, sob a coordenação do pesquisador Edson Eyji Sano, da Embrapa Cerrados. A partir de abril do ano que vem, será iniciada uma articulação com outras Unidades Descentralizadas, como por exemplo a Embrapa Agricultura Digital, durante a construção do projeto de cooperação técnica de longo prazo (dez anos).

Na perspectiva do longo prazo, a ideia é monitorar as mudanças do solo e também as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Trata-se, portanto, de acordo com os pesquisadores, do monitoramento químico, biológico e físico da saúde do solo; do próprio processo de manipulação – e de como ela afeta o solo e a emissão de GEE -; e da recuperação das pastagens. As áreas a serem alvo das ações do projeto como Unidades de Referência Tecnológica (URT) estão em processo de definição.

Ieda Mendes ressaltou a agenda, segundo ela, “desafiadora e inovadora”, e a metodologia “complexa e instigante”, enfatizando também a importância da observação da atividade enzimática em conjunto com a proporção fungo-bactérias nos solos. “Ao juntarmos, aos levantamentos em campo, as informações geradas por satélites na análise da saúde dos solos, e identificarmos novas tecnologias para recuperação, pretendemos contribuir para que os atuais 40 milhões de hectares de pastagens degradadas no Brasil possam se transformar em áreas de solos saudáveis e produtivos”.

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Foto: Gabriel Faria

Pilares

O projeto está apoiado em quatro grandes pilares. O primeiro está centrado na identificação e monitoramento de áreas com pastagens degradadas, na coleta de amostras do solo, na análise de imagens de satélites, no levantamento de tecnologias para a recuperação das áreas, implantação de URTs, avaliações econômicas e na produção de dados. A Embrapa não está protagonizando essa fase, aprimorada por pesquisadores da Universidade de Hokkaido e do Jircas, bem como de outras instituições japonesas.

O segundo pilar trata do desenvolvimento de um sistema que dê suporte à tomada de decisão, inclusive de órgãos do governo, diminuindo onde investir e com qual tecnologia de recuperação de pastagens. O terceiro está relacionado à transferência de tecnologia, assistência técnica e extensão rural (Ater) e ao acesso ao crédito por parte de produções rurais. O quarto é o desenvolvimento de tecnologias, que correrá em paralelo aos demais pilares.

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Foto: Paulo Lanzetta (arroz)

Parceria histórica e estratégica também para o futuro

No início do encontro, o diretor Clenio Pillon lembrou a importância histórica da parceria entre a Embrapa com as instituições japonesas. Registrou o papel de Jica no Programa de Desenvolvimento do Cerrado Brasileiro (Prodecer) e sua contribuição para a estruturação de laboratórios da Embrapa desde meados dos anos 1970. E ressaltou a relevância do projeto afinado com a política pública voltada à conversão de pastagens degradadas. Para ele, o trabalho conjunto pode trazer subsídios e ferramentas para a avaliação da própria efetividade daquela política.

Clenio Pillon enfatizou o interesse da Embrapa, tendo o projeto como oportunidade, na formalização de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Jica. Mencionou, ainda, o estreitamento de parcerias técnico-científicas com instituições japonesas de ciência e tecnologia e fomento, citando especialmente a Universidade de Hokkaido e o Jircas.

Fornecemos exemplos de possibilidades de pesquisa de interesse do Brasil e do Japão. Uma delas seria voltada para ampliar a resiliência climática dos cultivos. “A Embrapa tem hoje cerca de 90 projetos de melhoramento genético de espécies animais e vegetais. Praticamente a totalidade desses projetos tem direcionado a atenção à genética que busca maior grau de adaptação às mudanças climáticas. Nos interessa estabelecer colaboração mais eficaz focada nas espécies que temos em comum, como o arroz, e aos desafios envolvidos na sua tolerância a temperaturas extremas, sejam elas baixas ou altas”, disse Pillon.

Fruteiras de clima temperado e a redução da exigência de frio para sua produção, em função do aumento de temperatura, também foram mencionadas como possíveis conjuntas, assim como protocolos de produção, em sistemas de baixo carbono, de outras espécies que são comuns aos dois países.

Os representantes da Jica Matriz, Sota Koide, e da Jica Brasil, Akihiro Miyazaki, reforçaram a disponibilidade do Japão em cooperar com o Brasil no âmbito do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD), que está sendo estruturado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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Agro Mato Grosso

Aprosoja MT alerta para impactos da MP 1.343 sobre logística e competitividade

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifesta preocupação com a aprovação do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória nº 1.343/2026 pela Comissão Mista do Congresso Nacional e pelo Plenário da Câmara dos Deputados. A entidade avalia que o texto amplia a intervenção estatal nas relações de transporte de cargas e impõe novos custos e riscos regulatórios em um momento especialmente delicado para o setor produtivo, marcado pela elevação dos custos de produção, preços pressionados das commodities agrícolas e instabilidades geopolíticas que afetam o acesso e o custo de insumos essenciais para a atividade agropecuária.

As alterações propostas afetam diretamente produtores rurais, cooperativas, indústrias, transportadores e demais contratantes de frete. Entre os principais reflexos apontados estão o aumento dos custos logísticos, a redução da competitividade do agronegócio, dificuldades no escoamento da produção, insegurança jurídica nas relações contratuais e potenciais efeitos inflacionários ao longo da cadeia econômica.

Um dos dispositivos mais preocupantes do texto é a previsão de indenização equivalente a duas vezes o valor correspondente ao Piso Mínimo aplicável à operação. A medida cria uma penalidade excessiva, com valores significativamente superiores ao montante originalmente discutido entre as partes, gerando insegurança para todos os agentes envolvidos na contratação do transporte. Igualmente grave é o endurecimento do regime sancionatório previsto na proposta. O texto estabelece multas que podem variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão nos casos de reincidência.

Para o setor, além da desproporcionalidade dos valores, a sistemática adotada amplia significativamente o risco regulatório, uma vez que uma nova autuação ocorrida dentro de 12 meses após decisão administrativa definitiva anterior já pode resultar na aplicação das penalidades agravadas previstas na legislação. Além desses pontos, o texto aprovado contém dispositivos que demandam correção, entre eles a metodologia de cálculo do piso mínimo fixada em lei, a multa vinculada ao CIOT, a extensão das regras ao TAC-Agregado e a criação de um piso salarial nacional para motoristas dentro da mesma proposição.

Com a aprovação da matéria pela Câmara dos Deputados, a Aprosoja MT reforça sua preocupação com os impactos que as medidas previstas poderão gerar para o setor produtivo, a logística nacional e a economia brasileira. A entidade alerta que a manutenção de dispositivos que ampliam custos, penalidades e insegurança jurídica pode comprometer ainda mais a competitividade da produção nacional em um cenário já marcado por elevados custos de produção, preços pressionados das commodities agrícolas e incertezas no mercado internacional.

A Aprosoja MT faz um apelo à sua base parlamentar para que atue com sensibilidade e responsabilidade na análise da matéria, especialmente na apresentação e defesa dos destaques necessários para corrigir os pontos mais prejudiciais do texto aprovado. A entidade seguirá acompanhando a tramitação da proposta no Senado Federal e atuando em defesa da segurança jurídica, da livre iniciativa, da eficiência logística e da competitividade do agronegócio brasileiro.

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Agro Mato Grosso

Ipiranga do Norte (MT) sediará a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27

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O município de Ipiranga do Norte (MT) foi escolhido para sediar a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. O anúncio foi realizado durante a premiação do Personagem Soja Brasil 25/26 pela diretora de jornalismo do Canal Rural, que confirmou o evento para o dia 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, localizada no médio-norte mato-grossense.

A abertura marcará a chegada da 15ª temporada do Projeto Soja Brasil e reunirá produtores rurais, autoridades, empresas e lideranças do agronegócio para discutir as expectativas para a nova safra, além dos desafios e oportunidades que devem movimentar o setor nos próximos meses.

Para o prefeito do município, Juliano Berticelli, a escolha do município reforça a importância da região para a produção agrícola nacional. “É com muita satisfação que hoje estamos aqui na Fazenda Horizontina, local escolhido para a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27”, disse.

Para ele, Ipiranga do Norte terá a honra de receber produtores rurais, autoridades e empresas. ”Será um ótimo momento para discutirmos as expectativas da próxima safra, os desafios e as oportunidades do setor”, destacou.

Localizado em uma das áreas mais produtivas do país, o município é referência na produção de grãos e se consolidou como uma importante fronteira agrícola de Mato Grosso. Segundo Berticelli, a realização do evento representa uma oportunidade de mostrar a força do agronegócio local para todo o Brasil.

“Ipiranga do Norte fica localizado em uma das áreas mais produtivas do país. Por isso, temos a alegria de receber esse evento em nosso município”, afirmou.

A programação será transmitida ao vivo pelo Canal Rural, ampliando o alcance das discussões e levando informações diretamente aos produtores rurais de diferentes regiões do país.

“Em nome do município, convido todos para participarem conosco desse grande evento do agronegócio brasileiro”, reforçou o prefeito.

A Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 dará início a mais uma temporada do Projeto Soja Brasil, que há 15 anos acompanha os principais desafios, avanços e histórias da cadeia produtiva da soja brasileira.

“São todos convidados para estarem conosco no dia 17 de setembro. Que venham muitas e boas safras pela frente”, concluiu.

 

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Aprosoja MT participa do IOPD XXVIII, no Canadá, e propõe Fórum Global de Agricultura

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participa da 28ª edição do Diálogo Internacional de Produtores de Oleaginosas, encontro que reúne produtores de oleaginosas de quatro continentes em Niagara Falls, no Canadá, entre os dias 15 e 19 de junho de 2026. Representada pelo diretor administrativo, Diego Bertuol, a entidade integra a delegação brasileira em um fórum sediado pela Canadian Canola Growers Association (CCGA) e pela Grain Farmers of Ontario (GFO).

O evento reúne anualmente as principais lideranças mundiais do setor para alinhar posições diante de desafios comuns da cadeia produtiva global. Entre os principais temas em debate, estão o papel central da energia e dos biocombustíveis na descarbonização e na segurança energética, incluindo a descarbonização do transporte marítimo e a necessidade de que as políticas do setor não discriminem os biocombustíveis de origem agrícola.

Também tiveram papel central nas discussões o acesso a mercados diante do avanço de tarifas e de exigências crescentes de padrões ambientais e certificações, frequentemente enviesados, bem como o embate entre alimento e combustível, sustentado pelo argumento da mudança indireta do uso da terra (ILUC). Por fim, as lideranças produtivas diversas questionaram os ataques, sem base científica adequada, aos atributos dos óleos vegetais e a instabilidade crescente da renda do produtor rural.

Em todas as frentes, prevaleceu uma preocupação compartilhada: o uso de critérios regulatórios sem fundamento científico — ou apoiados em ciência ainda frágil — para definir as regras do jogo econômico global.

O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, defendeu a criação de um Fórum Global de Agricultura Tropical e Clima, com dois objetivos centrais. “Primeiro, construir uma agenda de tropicalização das métricas e dos parâmetros de sustentabilidade, capaz de reconhecer as características próprias da produção tropical e o esforço do produtor que concilia conservação e produção. Segundo, e a partir daí, valorizar os atributos ímpares da produção tropical no mercado global”, comenta ele.

Bertuol destaca ainda que, regulações construídas sobre ciência frágil são ruins para a produção, ruins para a segurança alimentar, ruins para a segurança energética e ruins até mesmo para a sustentabilidade ambiental que dizem proteger. Esta posição foi reconhecida pelas lideranças do IOPD, que defenderam o uso de parâmetros ancorados em empiria sólida — e não em modelos ou práticas importadas — bem como o reconhecimento das diferenças regionais entre os sistemas de produção.

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