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Fartura sem estrutura: Diamantino expõe crise de armazenagem no agro

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O ano de 2025 foi um ano diferenciado para a produção agrícola mato-grossense. Apesar do atraso das chuvas na soja, o clima trouxe surpresas no milho. “Choveu muito bem, até além do que esperávamos”, pontuam produtores na região de Diamantino. 

Tal fato contribui para a perspectiva de uma produtividade média na casa das 120 sacas por hectare no município, auxiliando a impulsionar o estado para mais um recorde de produção. 

Mas, a fatura vista nos campos de Mato Grosso escancara mais uma vez um problema crônico: a falta de armazenagem.

O presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kroling, conta ao Patrulheiro Agro desta semana que esta safra possui a melhor média histórica do município. 

“A gente teve uma surpresa com a produtividade razoavelmente boa. Eu acredito que Diamantino vai fechar numa média acima de 120 sacas, acredito que seja a melhor média da história de Diamantino”, destaca. 

De acordo com o Sindicato Rural, aproximadamente, 95% dos 260 mil hectares cultivados com milho nesta safra já foram colhidos.

“Esse ano tem soja no fundo do armazém. Então quando fica soja não tem como pôr milho, é um ano de uma safra muito boa… Então a gente esbarra nesse problema todo ano que é a armazenagem. O que vem aumentando são unidades dentro das fazendas mesmo que o produtor esteja viabilizando, mas de grandes empresas não têm vindo esses armazéns novos que a gente tanto necessitava”, pontua Kroling.

O produtor na região, Gilson Antunes já encerrou toda a colheita dos 4,2 mil hectares de milho cultivados este ano em Diamantino. 

De acordo com o agricultor, a escassez de espaço tem levado muitos produtores a recorrerem a alternativas improvisadas, como silo bolsa, que estão sujeitos a danos causados por animais e chuvas. 

“Tem milho fora do armazém, muita gente depositou e recebeu chuva, então só vai perdendo receita o produtor que fica com esse milho mal armazenado”, relata.

Para ele, o governo deveria ser o principal financiador de estruturas de armazenagem, oferecendo linhas de crédito com juros mais baixos para incentivar a construção de armazéns nas propriedades. 

“Isso garantiria segurança alimentar, reduziria o desperdício, desafogaria as estradas e ainda poderia melhorar os preços tanto para o produtor quanto para o consumidor final”, defende Gilson. 

Para conseguir armazenar parte dos 1,3 mil hectares de milho cultivados na propriedade, a família Kroling investiu na aquisição de cerca de 50 silos bolsa, com capacidade total para abrigar entre 120 mil e 150 mil sacas do cereal. “O que nos salva todo ano e esse ano não foi diferente foram os silos bolsa”. 

O uso de silos bolsa espalhados pelas propriedades pode até ser uma alternativa temporária, mas para muitos agricultores, essa solução improvisada escancara um problema estrutural mais profundo: a falta de capacidade de armazenagem dentro das fazendas e nos municípios produtores. 

“É uma medida eficaz, sim, mas mostra o grande déficit que temos de armazenamento no nosso município e no nosso estado. Nos Estados Unidos, por exemplo, 60% da capacidade estática está dentro das fazendas. Aqui, precisamos urgentemente discutir a infraestrutura de armazenagem e os modais logísticos no Brasil”, afirma Flávio Kroling. 

O produtor também alerta para a importância de olhar além da produtividade. 

Mato Grosso deve colher quase 105 milhões de toneladas de soja e milho nesta safra, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Mas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade de armazenagem é de 52,3 milhões de toneladas, o que representa apenas 49,87% da produção. O déficit chega a 52,6 milhões. 

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, volta a cobrar ações concretas para enfrentar o déficit de armazenagem no Brasil, especialmente em Mato Grosso, maior estado produtor do país. Segundo ele, apenas 15% da capacidade de estocagem está nas mãos dos produtores, o que reduz o poder de barganha e aumenta as perdas na comercialização.

“É uma questão de segurança alimentar. O mercado internacional sabe que o produtor brasileiro precisa vender rápido e paga menos por isso”, alertou. 

Beber defende que o Plano Safra amplie recursos com juros subsidiados e que o governo trate a armazenagem como uma questão estratégica, incluindo até isenção fiscal para componentes de construção. “O gargalo é reconhecido, mas faltam atitudes eficazes para resolvê-lo”.

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Caruru-gigante: SP publica regras para trânsito de máquinas; confira

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Foto: Gilberto Marques.

Em continuação aos trabalhos de prevenção, controle e erradicação do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante, a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo publicou nessa semana uma portaria que estabelece regras para o trânsito de máquinas, implementos agrícolas e veículos transportadores.

Segundo a norma, a limpeza técnica passa a ser obrigatória após o uso em campo e antes de qualquer deslocamento entre propriedades, municípios ou estados. Ela envolve, também, a remoção de solo, restos vegetais e sementes que possam estar aderidos aos equipamentos.

O responsável pela limpeza será o proprietário, arrendatário ou responsável legal pelo equipamento. Caso não seja possível identificar o responsável, a obrigação passa ao condutor do veículo transportador.

Fiscalização será ampliada

A Defesa Agropecuária informou que as ações de fiscalização serão direcionadas principalmente a áreas de produção de soja, milho e algodão. Em caso de irregularidades, poderão ser aplicadas autuações, além da determinação de retorno do equipamento à origem.

“A partir de agora daremos início aos trabalhos de operação das ações de fiscalização com o intuito de prevenir que novos focos surjam no Estado de São Paulo. Também estão previstas reuniões técnicas com o setor produtivo, com o objetivo de apresentar e discutir a Portaria”, afirmou Marileia Ferreira, chefe do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias Presentes, em comunicado.

Regras também valem para transporte de grãos

A norma também estabelece medidas para o transporte de grãos e produtos agrícolas a granel provenientes de áreas com ocorrência da praga. Entre elas estão a limpeza externa dos veículos e a cobertura adequada da carga.

As medidas entram em vigor 15 dias após a publicação da portaria.

Praga considerada quarentenária

O Amaranthus palmeri é classificado como praga quarentenária e possui capacidade de competição com culturas agrícolas. Segundo a Defesa Agropecuária, o plano estadual inclui ações para reduzir a disseminação por meio do trânsito de máquinas, movimentação de solo e transporte de cargas.

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O plano que pode mudar o café no Espírito Santo já está em campo

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Foto: Incaper

O Espírito Santo vem ampliando os esforços para consolidar uma cafeicultura mais produtiva, sustentável e competitiva por meio do Projeto de Cafeicultura Sustentável. A iniciativa reúne produtividade, qualidade e responsabilidade socioambiental em uma proposta que busca fortalecer o campo, ampliar a presença dos cafés especiais e estimular práticas mais eficientes nas propriedades rurais.

Coordenado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), o projeto foi estruturado para posicionar a cafeicultura capixaba em um patamar cada vez mais elevado de sustentabilidade, inovação tecnológica e agregação de valor.

A proposta oferece assistência técnica e extensão rural a produtores de café arábica e conilon, com atendimento voltado à realidade de cada propriedade. A partir do ingresso no programa, as áreas passam por um diagnóstico técnico baseado em indicadores de sustentabilidade alinhados a protocolos internacionais, o que permite identificar desafios, oportunidades e caminhos para aperfeiçoar o sistema produtivo.

Plano de ação individual para produtores de café

Com base nessa avaliação, é elaborado um plano de ação individualizado, com orientações que envolvem os aspectos ambiental, econômico e social da atividade.

A intenção é promover avanços no manejo da lavoura, elevar os níveis de adequação das propriedades e qualificar etapas decisivas da produção, como a colheita e o pós-colheita.

Outro eixo importante do projeto está na transferência de tecnologias para o campo. Entre as ações desenvolvidas estão unidades demonstrativas voltadas a manejo de irrigação, microterraceamento, jardins clonais, secagem de grãos e processamento de cafés especiais.

A iniciativa também estimula a capacitação contínua dos produtores por meio de dias de campo, cursos, excursões técnicas e eventos voltados à troca de experiências e à disseminação de boas práticas.

Ao unir diagnóstico técnico, acompanhamento em campo e difusão de tecnologias, o projeto reforça o papel estratégico da cafeicultura para a economia rural capixaba.

Presente em grande parte dos municípios do estado, a atividade segue como uma das bases da geração de renda, emprego e desenvolvimento no interior, agora com um olhar ainda mais atento à sustentabilidade e à competitividade.

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Pesquisa transforma ‘água de batata’ em farinha para produção de alimentos

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farinha de batata

O que a água utilizada no processamento da batata tem a ver com a poluição de rios? A resposta está no amido liberado pelo tubérculo ao entrar em contato com o líquido durante as etapas industriais, segundo informações do Jornal da Unicamp.

Sendo um dos alimentos mais consumidos no mundo, a batata possui uma produção em larga escala que exige volumes massivos de água, gerando um resíduo que pode causar danos ao meio ambiente.

De acordo com Eric Keven Silva, professor e pesquisador da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, o descarte inadequado desse efluente compromete a qualidade dos corpos d’água e dos lençóis freáticos

“Esse material possui uma alta carga orgânica. Quando descartado sem tratamento, ele contribui para a redução do oxigênio na água, causando o desequilíbrio de ecossistemas aquáticos”, explica o docente.

Alternativa sustentável

Nesse sentido, para enfrentar o problema, pesquisadores da FEA desenvolveram um processo capaz de recuperar o amido presente na chamada “água de batata”, transformando o resíduo em uma farinha rica em fibras.

“O ingrediente pode ser utilizado na produção de pães e bolos ou como espessante natural para molhos, ampliando as possibilidades de uso na indústria”, destaca Gabriela Milanezzi, doutoranda da FEA e responsável pelo estudo.

A proposta central da pesquisa é permitir que as próprias indústrias incorporem o reaproveitamento do resíduo em suas linhas de produção.

A iniciativa não apenas reduz o desperdício de recursos, mas também agrega valor comercial a um material que, anteriormente, a indústria descartaria apenas como efluente.

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