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6 de agosto de 2026

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Mato Grosso produz mais grãos do que consegue estocar: déficit chega a 52,6 milhões de toneladas

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Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, enfrenta mais uma vez um problema estrutural que ameaça parte de sua colheita: a falta de capacidade de armazenagem. Somando soja e milho, a produção da safra 2024/25 deve alcançar 104,91 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No entanto, a capacidade estática de armazenagem no estado é de 52,32 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado é um déficit de 52,60 milhões de toneladas, ou seja, Mato Grosso só consegue armazenar 49,87% do que produz.

A colheita da soja já foi concluída nesta safra, com produção confirmada de 50,893 milhões de toneladas em uma área de 12,795 milhões de hectares. Já o milho, cuja colheita ainda está em andamento, tem produção estimada em 54,019 milhões de toneladas, cultivadas em 7,131 milhões de hectares. Até o dia 25 de julho, 90,37% da área plantada com milho havia sido colhida, ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (99,28%) e também à média das últimas cinco safras (93,23%).

O déficit de armazenagem não é novidade, mas se agrava com o crescimento acelerado da produção. Desde a safra 2010/11, segundo o Imea, quando a estrutura de estocagem ainda era suficiente para a demanda local, a produção de soja e milho aumentou, em média, 9,89% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 4,25% ao ano.

O descompasso expõe a falta de investimentos e de políticas públicas voltadas ao setor, além do alto custo para implantação de armazéns, que limita o acesso dos produtores de pequeno porte — grande parte da base agrícola de Mato Grosso.

Sem espaço adequado para estocar a produção, salienta o Instituto, muitos agricultores são forçados a vender parte da safra para liberar os armazéns. Isso compromete o poder de barganha dos produtores e reduz as margens de lucro, já que a comercialização ocorre, muitas vezes, fora dos momentos mais favoráveis do mercado.

Fonte: Imea e Conab

Milho a céu aberto

Em algumas regiões produtoras de Mato Grosso já é possível ver milho estocado a céu aberto. No município de Peixoto de Azevedo as máquinas avançavam pelos últimos talhões da Fazenda Santa Margarida há 10 dias. Na propriedade, segundo o gerente de produção Daniel Batista Hoffmann, foram cultivados 12,6 mil hectares com milho na segunda safra 2024/25.

O clima, pontuou ele ao projeto Mais Milho, do Canal Rural Mato Grosso, até favoreceu com o desenvolvimento das plantas, trazendo boas expectativas de produtividade. Contudo, o otimismo no campo esbarra em dois velhos problemas do campo: a falta de estrutura para armazenar o grão e a logística considerada precária fora da porteira, limitando o escoamento da produção.

O gerente de produção contou à reportagem que a capacidade de armazenamento no local é de 720 mil sacas e que já estão com todos os silos cheios. “A única alternativa que está nos restando é jogar milho no chão, deixando a céu aberto”, disse Daniel Hoffmann, mesmo utilizando silo-bolsa.

Mas, tal alternativa encontrada por ele e vários outros produtores mato-grossenses gera risco de perda de qualidade do grão. “Fizemos um planejamento de venda antecipada de 70% da nossa produção para evitar esse tipo de situação que já vem recorrente de anos anteriores. Mas, não foi possível evitar. Desses 70% apenas 19% foram retirados até o momento”, disse ao Canal Rural.


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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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