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6 de agosto de 2026

Business

FAO registra alta nos alimentos em junho; carne bovina bate recorde

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O Índice de Preços de Alimentos da FAO atingiu média de 128 pontos em junho de 2025. O resultado representa alta de 0,7 ponto (0,5%) frente a maio, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Apesar da queda nos preços de cereais e açúcar, os aumentos nos índices de carnes, óleos vegetais e laticínios compensaram as perdas. Em relação a junho de 2024, o índice global ficou 5,8% acima, mas permanece 20,1% abaixo do pico registrado em março de 2022.

Cereais recuam com pressão da safra sul-americana

Os preços dos cereais caíram 1,5% em junho, atingindo média de 107,4 pontos. O milho recuou pelo segundo mês seguido, devido à maior oferta vinda do Brasil e da Argentina, que elevou a concorrência no mercado internacional.

Os preços de sorgo e cevada também caíram. Já o trigo teve leve alta, reflexo de preocupações climáticas em importantes regiões produtoras como Rússia, União Europeia e Estados Unidos. O arroz Indica caiu 0,8%, com menor demanda global.

Óleos vegetais avançam 2,3% com demanda firme

O índice de óleos vegetais subiu para 155,7 pontos, alta de 2,3% no mês e 18,2% em um ano. O destaque foi o óleo de palma, que subiu quase 5% em junho, apoiado pela forte demanda global e preços competitivos.

Os preços do óleo de soja também avançaram, puxados pela expectativa de maior demanda para biocombustíveis após medidas de incentivo no Brasil e EUA. Óleo de canola subiu por oferta restrita, enquanto o óleo de girassol caiu devido à perspectiva de aumento de produção no Mar Negro.

Carne bovina alcança recorde histórico

O índice de carnes cresceu 2,1% em junho, atingindo 126 pontos, o maior nível já registrado. A carne bovina teve alta expressiva pela oferta limitada do Brasil e alta demanda dos EUA, pressionando exportadores australianos.

Os preços da carne suína subiram com demanda firme, enquanto a carne ovina teve o terceiro aumento mensal seguido. Em contrapartida, a carne de aves recuou pela ampla oferta no Brasil após restrições impostas devido à gripe aviária, mas a retomada parcial das exportações no fim do mês deve reequilibrar o mercado.

Laticínios sobem 0,5%, com manteiga em recorde

Os laticínios avançaram para média de 154,4 pontos, alta de 0,5% no mês e 20,7% em um ano. A manteiga teve a maior elevação, subindo 2,8% para um novo recorde de 225 pontos, impulsionada pela oferta restrita na Oceania e Europa e pela demanda asiática aquecida.

Açúcar tem queda pelo quarto mês seguido

O índice do açúcar caiu 5,2%, chegando a 103,7 pontos, menor nível desde abril de 2021. A queda refletiu o aumento da produção no Brasil, favorecida pelo clima seco que acelerou colheita e moagem, além do maior uso de cana para açúcar.

Na Índia e Tailândia, as chuvas de monções acima da média melhoraram as perspectivas da próxima safra, pressionando ainda mais os preços globais dos alimentos.

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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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