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22 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Entrevista – John Landers, o “pai” do Sistema Plantio Direto no Cerrado – MAIS SOJA

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O agrônomo britânico John Nicholas Landers, de 87 anos, tem uma longa trajetória de disseminação das práticas de agricultura conservacionista no Brasil. Nascido em Watford, no Reino Unido, o bacharel em Agricultura pela Universidade de Reading e mestre em Irrigação pela Universidade da Califórnia chegou ao País em 1966 aos 28 anos, a serviço do IRI Research Institute dos Estados Unidos. Durante quase seis décadas, Landers vem contribuindo como pesquisador, consultor e produtor rural para o desenvolvimento da agricultura brasileira, sobretudo no Cerrado e na Amazônia. Na década de 1990, fundou a Associação do Plantio Direto no Cerrado (APDC), que contribuiu para a consolidação do Sistema Plantio Direto (SPD) no Cerrado. Os esforços em mostrar como a agricultura pode conservar os nossos solos lhe renderam diversas homenagens, como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Goiás, em 2017, pelo pioneirismo no desenvolvimento do SPD na palha. Nesta entrevista, que teve a participação da pesquisadora Ieda Mendes, Landers fala sobre a carreira no Brasil, os desafios na disseminação do SPD, uma curiosidade surpreendente sobre a pré-história da Embrapa Cerrados, além de apontar rumos para a pesquisa agropecuária.

Como surgiu o interesse do senhor pela agricultura?
Meu avô era gerente de uma série de fazendas que se chamava State, na Inglaterra. Com 10 anos de idade, eu dirigia trator. No meu tempo livre, sempre ficava em fazendas. Então, a única escolha que eu achava que tinha e perseguia era estudar Agricultura em Reading.

O senhor veio ao Brasil em 1966 para realizar um trabalho pelo IRI Research Institute. Do que se tratava esse trabalho?
Quem me trouxe ao Brasil foi meu tio. Ele veio em 1934 plantar café no Oeste de São Paulo e depois se mudou para Matão (SP). Era um homem inteligente e que me ajudou muito na forma de pensar sobre agricultura. Fiquei um mês em Matão e, como minha especialidade era irrigação, fui enviado a Recife (PE) para começar meu trabalho com o IRI. Comecei junto com a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), principalmente nas estações de Mandacaru e Bebedouro, que estavam desenvolvendo a irrigação para difundir na região.

E o que o fez permanecer no País até hoje?
Continuei com o IRI até 1974 e depois dois anos como especialista. Inclusive, implantei, na Estação Experimental de Brasília (atual Embrapa Cerrados), um experimento irrigado de milho com controles de umidade até 40 cm (de profundidade do solo) por tensiômetros e blocos de gesso. No início de 1968, fui transferido para a Venezuela. O IRI tinha captado um contrato para desenvolver a agricultura no delta do rio Orinoco. Fui como chefe de programa e implantei uma estação experimental na Ilha Iguana. Voltei para o Brasil em 1972, como chefe do IRI. O IRI havia perdido o contrato com a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e era difícil buscar recursos. Então, começamos a tornar a estação experimental em comercial, vendendo abacaxi e sementes de forrageiras. Depois, em 1974, o projeto de sementes forrageiras foi comprado por uma grande empresa inglesa, a Nickerson Seeds, que me colocou em São Paulo como encarregado do projeto. Eles também investiram em sementes de soja com um programa no Rio Grande do Sul e no Paraná.

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Como o senhor via a agricultura do Brasil no final da década de 1960, em especial no Bioma Cerrado? 
Obviamente, o Brasil era importador de alimentos naquela época e eu via que faltavam as últimas tecnologias para a agricultura evoluir. No Cerrado, a agricultura era mais pobre ainda, (havia) principalmente arroz de sequeiro, que era um desastre em termos econômicos (risos). Mas o IRI foi pioneiro em resolver os problemas da infertilidade dos solos do Cerrado. Eu tinha visto as soluções que o IRI preconizava para tornar os solos do Cerrado produtivos. O IRI descobriu a falta de cálcio, de fósforo e de micronutrientes, que foi a base para torná-los produtivos. Então, vi solos e topografia muito bons em termos de mecanização, mas faltava a parte técnica de adubação e correção de solo.

Naquele momento, o que o fazia acreditar que a agricultura brasileira poderia sofrer uma revolução tão profunda a ponto de transformar o País de importador, como o senhor disse, a grande exportador de alimentos algumas décadas depois?
O IRI havia publicado boletins sobre a correção dos solos do Cerrado. Eu tinha lido tudo isso e estava convicto de que havia um grande futuro para o Cerrado em termos de produtividade.

O senhor sempre demonstrou preocupação com a sustentabilidade da agricultura, o que nos dias de hoje é um discurso comum. Como os produtores e o setor agrícola lidavam com a questão no início dos seus trabalhos aqui no Brasil?
O conceito de sustentabilidade em si começou, me parece, há uns 20 anos. Naquela época, o conceito era de conservar o solo para continuar produzindo.

Quanto ao Sistema Plantio Direto (SPD), o senhor é considerado o pai dessa prática de manejo conservacionista do solo no Cerrado. Mas, no passado, foi considerado louco. Havia, de fato, uma resistência à adoção do SPD, mesmo com tantos benefícios demonstráveis?
Os agricultores de Morrinhos (GO), onde eu tinha uma fazenda, davam risadas de mim. E também havia resistência dentro da Embrapa Cerrados. Foram alguns dos pesquisadores menos preconceituosos que se aliaram a nós no início. O primeiro foi o (Eduardo) Assad (atualmente aposentado), que escreveu um capítulo sobre chuvas na publicação “Fascículo de Experiências de Plantio Direto no Cerrado”, de 1995. Foi uma das primeiras colaborações da Embrapa Cerrados com a Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), porque já estávamos trabalhando com alguns Clubes Amigos da Terra (CATs) (grupos e associações de produtores voltados à difusão do SPD), que haviam sido instalados aqui por gaúchos. O conceito de CAT foi o berço. O CAT de Jataí (GO), que já estava instalado, foi o modelo. Começamos a trabalhar com eles em 1994 para desenvolver a ideia de CAT para divulgar e também para ajudar a desenvolver o SPD, porque a pesquisa em estação experimental é muito boa, mas a pesquisa em fazenda tem outras dimensões e possibilita a rápida extensão ao produtor. Quando ele vê pequenas parcelas na estação experimental, não acredita. Ele quer ver um agricultor fazendo e ganhando dinheiro. Aí ele acredita.

Os CATs persistiram por muito tempo?
Eles começaram a se expandir muito rapidamente e, no auge, havia uma rede de 49 CATs e outras instituições como cooperativas no Cerrado. Eles perduraram enquanto o SPD foi uma coqueluche. Infelizmente, não vieram outras revoluções iguais para darmos seguimento. Comecei com controles biológicos com a COOPA-DF, mas fomos subvertidos pelos Correios. Estávamos usando os Correios para receber os ovos dos parasitas que estávamos utilizando e houve uma greve. Os agricultores perderam a confiança, e levou mais uns cinco a 10 anos para eles começarem a usar (o controle biológico).

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O SPD é uma prática fundamental para a agricultura sustentável, permitindo a conservação do solo e da água, ganhos em produtividade, mitigação de gases de efeito estufa etc. Qual o panorama atual do SPD no Cerrado?
Estimo, por cima, 90% de aceitação do SPD. Então, em termos de expansão, a demanda não é tão grande. O que temos que olhar é a onda da agricultura regenerativa. É um termo que está sendo muito mal empregado, principalmente por empresas de insumos que querem colocar esse nome, sem critérios, aos alimentos produzidos com os seus produtos. Minha interpretação é a seguinte: sem o SPD, a agricultura regenerativa não vai funcionar! Deixando de revolver o solo, você engatilha a atividade biológica do solo, e isso é o segredo do sucesso do SPD e da agricultura regenerativa. De fato, regenerativo é o melhor adjetivo para descrever o que o SPD faz pelo solo, o resto é elucubração.

Uma crítica que é ouvida com frequência é a de que existem produtores que falam que adotam o SPD, mas que, na verdade, o fazem de forma incompleta ou equivocada. Quais lacunas do manejo o senhor observa?
O principal é a falta de uma maior rotação de plurianual, em que você não repete a mesma cultura na mesma terra no ano seguinte. Bem mais da metade (dos produtores que adotam o SPD) não faz isso. O problema é que, até recentemente, a soja era, de longe, o (cultivo) mais lucrativo. Agora, temos pesquisas que mostram os valores de se manter uma rotação plurianual por vários anos. Por exemplo, o Juca Sá (João Carlos de Moraes Sá), junto com o (Lucien) Seguy fez um estudo em Mato Grosso que é sui generis. Mostra que, a longo prazo, os princípios do SPD trazem lucros acima de coisas feitas pela metade.

E que consequências podem ocorrer para os produtores que adotam o SPD de forma equivocada?
Não gosto do termo “equivocado”. Eles estão seguindo o que eles acham mais produtivo do sistema e deixando de lado a rotação plurianual. Até pouco tempo atrás, faltavam resultados de pesquisa contundentes mostrando o benefício a longo prazo dessas rotações. O problema é que é um pouco complicado a adoção disso. O agricultor não vai plantar uma cultura que vai produzir 60% do lucro da soja. Isso é o simples fato econômico e são os fatos econômicos que dirigem a forma de tocar as lavouras. Mas temos possibilidades de ir além do SPD como ele está agora e, para isso, precisamos dirigir a pesquisa a esse ponto.

Como ir além do SPD?
Por exemplo, introduzi o SPD na propriedade de um agricultor na Inglaterra 14 anos atrás. Primeiro, ele adotou o SPD e depois ele passou à agricultura regenerativa. Uma das descobertas dele é que se você mantém o pH da seiva da planta em 6.4, os insetos não gostam da seiva, então não há problema com insetos. Esse agricultor está fazendo outros controles que o permitem produzir praticamente sem pesticidas. Esse é um pioneiro, um homem inteligente que tem uma fazenda lucrativa e dinheiro para investir em pesquisa. Acho que a pesquisa teria que ficar no pé desses agricultores pioneiros, ajudando-os a levar essas tecnologias adiante. Já desafiei vários pesquisadores a encontrar uma tecnologia em que você, com uma pulverização ou de outra forma, modifica o pH da seiva, eliminando os pesticidas. Vai levar umas duas décadas, mas temos que ter isso como alvo.

Inicialmente, pode haver uma certa resistência na pesquisa, demora um tempo até que isso seja absorvido…
Por isso (deve haver) o apoio da pesquisa aos pioneiros, que são tomadores de risco. É fundamental, porque reduz o risco dos produtores.

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Em que outras áreas podemos progredir com a pesquisa?
Esse agricultor inglês que mencionei foi aos Estados Unidos e fez dois cursos. A aprendizagem dele é que o agricultor tem uma planta, e essa planta, quando falta alguma coisa, manda uma mensagem ao solo através dos exsudatos da raiz. Esses exsudatos encorajam outras entidades a produzirem o que está faltando na planta. A doutora Ieda identificou duas dessas substâncias (enzimas arilsulfatase e betaglicosidase) e as usa para caracterizar a atividade biológica do solo. Mas esse agricultor me contou que há 750 dessas substâncias no solo. Imagine a complexidade da pesquisa necessária para explorar tudo isso. Vai levar meio século.

Gostaria de comentar alguma outra questão sobre a pesquisa?
No trabalho de desenvolver um desenho de ensaio de pastoreio com coberturas (vegetais), eu me debrucei com uma série de perguntas para as quais não tinha resposta. Como vou selecionar tratamentos no experimento se não tenho essas respostas? Acho que não deve ser necessário, numa estação experimental, ter um projeto de pesquisa para fazer testes exploratórios que vão nortear o pesquisador em termos de seleção de tratamentos. Vou dar um exemplo. A Manah me financiou, em 1988, um trabalho exploratório para testar diferentes trabalhos de SPD. Selecionei 30 deles para fazer testes exploratórios sem replicação. Se tivesse optado por fazer três replicações, só teria testado 10 trabalhos. E quem iria me dizer que o melhor estava entre esses 10? Você vai colocar uns tratamentos inúteis, e a informação que vai receber será limitada.

O senhor é mestre em irrigação. Como vê esse tema na agricultura brasileira?
No geral, é marcar a garantia dos caudais dos rios pequenos em toda a região, porque a lei manda manter o caudal durante a época seca, em vez de secar e criar problemas para a dessedentação de animais. Outra linha de pensamento tem sido a forma de desenvolver mais a produção de hortaliças na região e, portanto, (gerar) empregos. Acho que o manejo do solo com irrigação, por causa do alto investimento, está sendo forçado a conservar o solo e a água.

Na sua trajetória profissional, o senhor testemunhou o nascimento e o crescimento da Embrapa, que em 2023 completou 50 anos. O que a Empresa, a seu ver, representa para o País?
Primeiro, ela é o esteio da atividade agro. Segundo, é uma apólice de seguro que assegura que as tecnologias sejam as mais produtivas possíveis, e sempre melhorando. Representa uma liderança mundial em termos de sustentabilidade por meio do SPD. É também uma entidade séria, muito respeitada em todo o mundo, e é imprescindível ao País a Embrapa apoiando a agropecuária.

Em 2025, é a Embrapa Cerrados que está completando 50 anos. Você participou, inclusive, da pré-história da nossa Unidade…
Antes, (a Unidade) era o Escritório Técnico de Agricultura (ETA-44) do Ministério da Agricultura. Edson Lobato (pesquisador aposentado) e outros agrônomos que haviam passado no concurso do ministério estavam trabalhando lá com dois técnicos do IRI. Isso era outro programa da USAID. Descobri, no mapa da estação experimental, que a administração de Planaltina-DF havia colocado a sua estação de tratamento de águas dentro da área do Ministério da Agricultura. Pedi uma audiência com o presidente da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e mostrei a ele. Ele disse: “Bom, o que você quer?”. E eu falei: “Gostaria de aumentar a área da estação experimental para abarcar toda a área de cima, que tem solos diferentes”. No ato, ele cedeu à Embrapa um topógrafo, que ficou três meses lá, medindo tudo. Pouca gente sabe disso.

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Então quer dizer que você foi um dos responsáveis pela enorme área que temos hoje na Embrapa Cerrados?
Fui O responsável (risos).

Pensando no futuro, para que direção a Unidade deve apontar as pesquisas?
Para cima! (risos). Penso que a área de agricultura regenerativa real deveria ser reforçada. Existe uma nova espécie de capim braquiária que vem da Namíbia, chamada Brachiaria negropedata. Isso tinha que ser pesquisado, porque a informação que tenho de técnicos da África do Sul é de que ela seria muito bem apropriada aqui. A área de pastagens consorciadas foi esquecida de tal forma que eu não encontro sementes de leguminosas como siratro, soja perene e tardia e centrosema no mercado. Sumiram. Acho que é preciso persistir na ideia de pastagens consorciadas, porque há varias leguminosas adaptadas à região e ao pastoreio. Soja perene e tardia e os híbridos de centrosema, feitos pelo R.H. MacArthur, um pesquisador australiano enquanto esteve aqui, são muito promissores. Estou desenhando um experimento junto com a Embrapa Cerrados para testar algumas dessas leguminosas num sistema um pouco diferente, que chamamos de tapete verde, em que usamos a leguminosa como cobertura do solo para receber culturas e o SPD. Quando esse projeto foi desenvolvido, em Morrinhos entre 1988 e 1992, não havia a safrinha. Então, terá que haver muito trabalho adaptando esse sistema à safrinha, mas é uma forma de também aumentar a oferta de forragens de boa qualidade na época seca, já que a leguminosa tem proteína. A quantidade em que você aumenta a capacidade de carga na época seca equivale ao incremento no rebanho. Isso é um ponto nevrálgico onde acho que deveria se concentrar a pesquisa.

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Sustentabilidade

Preços de soja sobem de R$ 1 a R$ 2 por saca nas praças do Brasil; confira as cotações do dia

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Cotação da soja

O mercado brasileiro de soja iniciou a semana com preços mais altos, acompanhando os fortes ganhos na Bolsa de Chicago, impulsionados pela valorização do farelo. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que, no físico, as cotações melhoraram, com avanços entre R$ 1,00 e R$ 2,00 por saca nos portos, dependendo do momento.

Os prêmios e o dólar recuaram um pouco, mas o movimento de Chicago teve maior peso na formação dos preços. Apesar das cotações ainda fortes, o mercado interno permaneceu bastante calmo para negócios.

“O produtor espera que o porto chegue a R$ 170,00 por saca. Então, temos preços ainda bem fortes, mas o mercado disponível segue bastante travado”, destaca Silveira.

Na safra nova, os preços também avançaram, com boas ofertas nos portos e cotações mais fortes em Minas Gerais e Goiás. “O produtor aproveitou o movimento para fechar custos da safra nova”, acrescenta o analista.

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Mercado de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 154,00 para R$ 155,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 154,00 para R$ 156,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 151,00 para R$ 152,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 149,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 162,00 para R$ 163,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 162,00 para R$ 163,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta segunda-feira (21). O mercado foi sustentado pelas expectativas em torno das negociações comerciais entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previstas para esta semana.

As compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e uma possível redução da tarifa chinesa de 10% sobre a oleaginosa e outros grãos dos Estados Unidos estão entre os principais temas esperados nas discussões. Apesar da queda de 12% nas importações de soja dos Estados Unidos pela China em agosto, para 10,66 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a agosto, o país já ultrapassou a metade da meta de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana prevista para este ano.

USDA

Na sexta-feira (18), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou uma venda privada de 111 mil toneladas de soja para a China, com entrega no ano comercial 2026/27. As inspeções de exportação de soja somaram 759.193 toneladas na semana encerrada em 17 de setembro, acima das 680.252 toneladas da semana anterior e das 565.630 toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

Desde o início do ano-safra, em 1º de setembro, o volume inspecionado chega a 1,68 milhão de toneladas, contra 1,65 milhão de toneladas no mesmo período da temporada anterior.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 24,50 centavos de dólar ou 1,87%, a US$ 13,28 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,44 por bushel, com avanço de 24,00 centavos de dólar ou 1,81%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 9,80 ou 2,73%, a US$ 368,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 68,85 centavos de dólar, com ganho de 0,63 centavo ou 0,92%.

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Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,74%, sendo negociado a R$ 5,1069 para a venda e a R$ 5,1049 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1024 e a máxima de R$ 5,1379.

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Sustentabilidade

Alta e queda dos fertilizantes refletem na safra 2026/27 – MAIS SOJA

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O MAP (fosfato monoamônico), que é um adubo considerado essencial para o cultivo de soja, ficou mais caro no Brasil, enquanto a ureia, muito utilizada na safra de milho, seguiu na direção oposta. Levantamento da consultoria de inteligência de mercado Aegro Insights revelou que o MAP granulado subiu para R$ 5.250 a tonelada, alta de 9,3% no trimestre em andamento entre maio e 10 de setembro, se comparado com o trimestre de abril a junho. Para a ureia, na comparação dos mesmos períodos analisados, a tonelada de ureia caiu para R$ 3.400 até 10 de setembro, um recuo de 8,7% ante o trimestre anterior.

Segundo a análise da Aegro Insights, a relação de troca entre fosfato e soja subiu o equivalente a quase um terço. Na prática, o produtor precisa destinar uma fatia maior da colheita para pagar a mesma quantidade de adubo fosfatado. “Os dois adubos seguem em caminhos opostos. A ureia barateou, mas o fosfato continua com preços altos. O que pesa na composição de preço não é o câmbio. Quem está adiando a compra porque espera o dólar abaixar está olhando para a variável errada”, afirma o engenheiro agrônomo Mathias Bergamin, coordenador de inteligência de mercado na Aegro.

Pode-se considerar que as compras para a adubação de base da soja na safra 2026/27 já foram encerradas, e o produtor vai sentir o peso desse custo ao longo da safra, à medida que outros insumos entrarem na conta. O gasto médio passou de R$ 842,10 por hectare na safra 2024/25 para R$ 1.058,00 na temporada 2025/26 e R$ 1.086,00 para a soja 2026/27, o equivalente a 9,44 sacas de soja por hectare atualmente.

“O preço do MAP vem num movimento de alta nos últimos quatro anos por causa da incerteza global, da guerra e da movimentação sociopolítica mundial. Mas, para lidar com isso, o produtor tem aprendido a ter um manejo mais eficiente com tecnologias de aplicação. É possível investir em boas práticas de manejo de solo e buscar alternativas. O produtor pode fazer uma análise prévia de solo para entender as zonas de manejo e fazer a fertilização linha a linha, no sulco, para aumentar a eficiência operacional no campo”, diz Bergamin.

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Já a ureia, insumo que costuma ter maior peso na adubação do milho, aponta em direção diferente. A série mensal de 2026 mostra a tonelada saltando para R$ 4.200 em abril e recuando à faixa de R$ 3.200 a R$ 3.300 nos meses seguintes, patamar em que se manteve até 10 de setembro. Esse movimento traz oportunidades para quem planeja a safrinha de milho de 2027.

“A ureia está com um preço bem atraente para o produtor que quer fechar a adubação do milho. O preço da ureia pode cair mais ainda, mas o produtor rural que quer se proteger financeiramente já pode comprar”, opina Bergamin. A pesquisa da consultoria Aegro Insights foi baseada em notas fiscais reais de insumos, com dados anonimizados de compras realizadas por produtores que utilizam o software de gestão Aegro.

Sobre a Aegro

A Aegro oferece o sistema de gestão para produtores rurais mais utilizado do Brasil. Líder do segmento, a Aegro simplifica a gestão de fazendas, unindo a operação do campo ao controle financeiro do escritório.

Além disso, a empresa opera um braço de inteligência de mercado que desenvolve pesquisas baseadas em dados anonimizados de milhares de hectares em todo o Brasil, em sua maioria destinados ao cultivo de grãos. Essa área de negócios é formada pelo Aegro Insights, que gera relatórios e painéis para os produtores rurais, incluindo o Compare Preços, ferramenta disponível gratuitamente.

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A empresa segue investindo em tecnologia e inovação. Por meio de suas soluções, a Aegro ajuda produtores brasileiros a tomarem decisões baseadas em números reais para garantir a sustentabilidade de seus negócios.

Fonte: Assessoria de imprensa



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Sustentabilidade

Dessecação sequencial contribui para o manejo de plantas daninhas de difícil controle – MAIS SOJA

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Estabelecer a lavoura “no limpo” (sem a presença de plantas daninhas) é uma das principais e mais eficazes estratégias de manejo para reduzir o impacto decorrente da matocompetição inicial na soja. No entanto, espécies complexas como caruru, buva, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e trapoeraba, entre outras, apresentam difícil controle em função de características fisiológicas e resistência a determinados herbicidas, e nem sempre são controladas com apenas uma aplicação e herbicidas, resultando em muitos casos, em falhas de manejo como plantas rebrotadas e/ou plantas remanescentes no estabelecimento da soja.

Figura 1. Plantas de capim-amargoso em fase de rebrota após dessecação.

Nesse contexto, o posicionamento de herbicidas exerce um papel central no manejo e controle eficiente das plantas daninhas. Mesmo com o uso de herbicidas com amplo espectro de ação e eficácia comprovada, a complexidade que envolvem o controle de certas espécies daninhas demanda estratégias mais completas de controle, além da dessecação pré-semeadura.

Uma dessas estratégias é a dessecação sequencial, que consiste na realização de duas ou mais aplicações de herbicidas em momentos estratégicos na pré-semeadura da soja. Entre outros aspectos essa estratégia permite o uso de diferentes mecanismos de ação, ampliando a eficiência do manejo, o espectro de controle e o manejo da resistência das plantas daninhas aos herbicidas (HRAC-BR, 2026).

Figura 2. Aplicação sequencial de herbicidas na soja.
Fonte: HRAC-BR (2026)

Além de atuar sobre plantas remanescentes mais debilitadas, em processo de rebrote, a aplicação sequencial de herbicidas permite o controle de novos fluxos de emergência originários no intervalo entre as aplicações. Pesquisas demonstram que a aplicação sequencial de herbicidas é um dos métodos mais eficazes para o controle químico de espécies daninhas de difícil controle como a trapoeraba e que a associação entre herbicidas de diferentes mecanismos de ação é crucial para ampliar a eficácia do controle.

A exemplo, Bianchi; Sturmer; Somavilla (2018) observaram que para a trapoeraba, uma maior eficiência de controle é observada quando se adotam aplicações sequenciais, nas quais a primeira aplicação é composta por glifosato + 2,4-D (1458 g e.a. + 1340 g e.a. ha⁻¹), seguida de uma segunda aplicação com glufosinato de amônio (500 g ha⁻¹) ou diquat (400 g ha⁻¹), consolidando-se como uma estratégia tecnicamente consistente para a redução da infestação dessa espécie.

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Resultados similares demonstrando a importância da aplicação sequencial de herbicidas também foram observados por Grigolli (2017) e Raimond et al. (2019), que constataram que a aplicação de herbicidas no rebrote do capim-amargoso constitui uma importante estratégia e manejo. Não menos importante, a dessecação sequencial permite uma maior efetividade no controle de plantas daninhas decorrentes de novos fluxos de emergência, pós primeira aplicação de herbicidas e/ou sobreviventes em decorrência do “efeito guarda-chuva” desempenhado pelas plantas maiores, que limita a chegada de ingrediente ativo ao alvo.

Nesse contexto, principalmente se tratando de espécies de difícil controle e com resistência a herbicidas, a dessecação sequencial constitui uma importante estratégias de manejo para reduzir a população de plantas daninhas no estabelecimento da soja, possibilitando um maior controle de espécies invasoras e contribuindo para o manejo da resistência delas a herbicidas.



Referências:

BIANCHI, M. A.; STURMER, H.; SOMAVILLA, J. C. ESTRATÉGIAS DE CONTROLE PARA TRAPOERABA. CCGL. Boletim Técnica, n. 65, 2018. Disponível em: < https://upherb.com.br/ebook/boletim_t%C3%A9cnico_65.pdf >, acesso em: 21/09/2026.

GRIGOLLI, J. F. J. MANEJO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2016/2017, 2017. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Soja-20162017.pdf >, acesso em: 21/09/2026.

HRAC-BR. NECESSIDADE DO USO DE APLICAÇÃO SEQUENCIA. Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://www.hrac-br.org/post/necessidade-do-uso-de-aplicacao-sequencial >, acesso em: 21/09/2026.

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RAIMONDI, R. T. et al. ALTURA DE ROÇADA AFETA O CONTROLE DE CAPIM-AMARGOSO PERENIZADO. Cultura Agronômica, 2019. Disponível em: < https://ojs.unesp.br/index.php/rculturaagronomica/article/view/2446-8355.2019v28n3p254-267 >, acesso em: 21/09/2026.

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