Sustentabilidade
Entrevista – John Landers, o “pai” do Sistema Plantio Direto no Cerrado – MAIS SOJA

O agrônomo britânico John Nicholas Landers, de 87 anos, tem uma longa trajetória de disseminação das práticas de agricultura conservacionista no Brasil. Nascido em Watford, no Reino Unido, o bacharel em Agricultura pela Universidade de Reading e mestre em Irrigação pela Universidade da Califórnia chegou ao País em 1966 aos 28 anos, a serviço do IRI Research Institute dos Estados Unidos. Durante quase seis décadas, Landers vem contribuindo como pesquisador, consultor e produtor rural para o desenvolvimento da agricultura brasileira, sobretudo no Cerrado e na Amazônia. Na década de 1990, fundou a Associação do Plantio Direto no Cerrado (APDC), que contribuiu para a consolidação do Sistema Plantio Direto (SPD) no Cerrado. Os esforços em mostrar como a agricultura pode conservar os nossos solos lhe renderam diversas homenagens, como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Goiás, em 2017, pelo pioneirismo no desenvolvimento do SPD na palha. Nesta entrevista, que teve a participação da pesquisadora Ieda Mendes, Landers fala sobre a carreira no Brasil, os desafios na disseminação do SPD, uma curiosidade surpreendente sobre a pré-história da Embrapa Cerrados, além de apontar rumos para a pesquisa agropecuária.
Como surgiu o interesse do senhor pela agricultura?
Meu avô era gerente de uma série de fazendas que se chamava State, na Inglaterra. Com 10 anos de idade, eu dirigia trator. No meu tempo livre, sempre ficava em fazendas. Então, a única escolha que eu achava que tinha e perseguia era estudar Agricultura em Reading.
O senhor veio ao Brasil em 1966 para realizar um trabalho pelo IRI Research Institute. Do que se tratava esse trabalho?
Quem me trouxe ao Brasil foi meu tio. Ele veio em 1934 plantar café no Oeste de São Paulo e depois se mudou para Matão (SP). Era um homem inteligente e que me ajudou muito na forma de pensar sobre agricultura. Fiquei um mês em Matão e, como minha especialidade era irrigação, fui enviado a Recife (PE) para começar meu trabalho com o IRI. Comecei junto com a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), principalmente nas estações de Mandacaru e Bebedouro, que estavam desenvolvendo a irrigação para difundir na região.
E o que o fez permanecer no País até hoje?
Continuei com o IRI até 1974 e depois dois anos como especialista. Inclusive, implantei, na Estação Experimental de Brasília (atual Embrapa Cerrados), um experimento irrigado de milho com controles de umidade até 40 cm (de profundidade do solo) por tensiômetros e blocos de gesso. No início de 1968, fui transferido para a Venezuela. O IRI tinha captado um contrato para desenvolver a agricultura no delta do rio Orinoco. Fui como chefe de programa e implantei uma estação experimental na Ilha Iguana. Voltei para o Brasil em 1972, como chefe do IRI. O IRI havia perdido o contrato com a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e era difícil buscar recursos. Então, começamos a tornar a estação experimental em comercial, vendendo abacaxi e sementes de forrageiras. Depois, em 1974, o projeto de sementes forrageiras foi comprado por uma grande empresa inglesa, a Nickerson Seeds, que me colocou em São Paulo como encarregado do projeto. Eles também investiram em sementes de soja com um programa no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Como o senhor via a agricultura do Brasil no final da década de 1960, em especial no Bioma Cerrado?
Obviamente, o Brasil era importador de alimentos naquela época e eu via que faltavam as últimas tecnologias para a agricultura evoluir. No Cerrado, a agricultura era mais pobre ainda, (havia) principalmente arroz de sequeiro, que era um desastre em termos econômicos (risos). Mas o IRI foi pioneiro em resolver os problemas da infertilidade dos solos do Cerrado. Eu tinha visto as soluções que o IRI preconizava para tornar os solos do Cerrado produtivos. O IRI descobriu a falta de cálcio, de fósforo e de micronutrientes, que foi a base para torná-los produtivos. Então, vi solos e topografia muito bons em termos de mecanização, mas faltava a parte técnica de adubação e correção de solo.
Naquele momento, o que o fazia acreditar que a agricultura brasileira poderia sofrer uma revolução tão profunda a ponto de transformar o País de importador, como o senhor disse, a grande exportador de alimentos algumas décadas depois?
O IRI havia publicado boletins sobre a correção dos solos do Cerrado. Eu tinha lido tudo isso e estava convicto de que havia um grande futuro para o Cerrado em termos de produtividade.
O senhor sempre demonstrou preocupação com a sustentabilidade da agricultura, o que nos dias de hoje é um discurso comum. Como os produtores e o setor agrícola lidavam com a questão no início dos seus trabalhos aqui no Brasil?
O conceito de sustentabilidade em si começou, me parece, há uns 20 anos. Naquela época, o conceito era de conservar o solo para continuar produzindo.
Quanto ao Sistema Plantio Direto (SPD), o senhor é considerado o pai dessa prática de manejo conservacionista do solo no Cerrado. Mas, no passado, foi considerado louco. Havia, de fato, uma resistência à adoção do SPD, mesmo com tantos benefícios demonstráveis?
Os agricultores de Morrinhos (GO), onde eu tinha uma fazenda, davam risadas de mim. E também havia resistência dentro da Embrapa Cerrados. Foram alguns dos pesquisadores menos preconceituosos que se aliaram a nós no início. O primeiro foi o (Eduardo) Assad (atualmente aposentado), que escreveu um capítulo sobre chuvas na publicação “Fascículo de Experiências de Plantio Direto no Cerrado”, de 1995. Foi uma das primeiras colaborações da Embrapa Cerrados com a Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), porque já estávamos trabalhando com alguns Clubes Amigos da Terra (CATs) (grupos e associações de produtores voltados à difusão do SPD), que haviam sido instalados aqui por gaúchos. O conceito de CAT foi o berço. O CAT de Jataí (GO), que já estava instalado, foi o modelo. Começamos a trabalhar com eles em 1994 para desenvolver a ideia de CAT para divulgar e também para ajudar a desenvolver o SPD, porque a pesquisa em estação experimental é muito boa, mas a pesquisa em fazenda tem outras dimensões e possibilita a rápida extensão ao produtor. Quando ele vê pequenas parcelas na estação experimental, não acredita. Ele quer ver um agricultor fazendo e ganhando dinheiro. Aí ele acredita.
Os CATs persistiram por muito tempo?
Eles começaram a se expandir muito rapidamente e, no auge, havia uma rede de 49 CATs e outras instituições como cooperativas no Cerrado. Eles perduraram enquanto o SPD foi uma coqueluche. Infelizmente, não vieram outras revoluções iguais para darmos seguimento. Comecei com controles biológicos com a COOPA-DF, mas fomos subvertidos pelos Correios. Estávamos usando os Correios para receber os ovos dos parasitas que estávamos utilizando e houve uma greve. Os agricultores perderam a confiança, e levou mais uns cinco a 10 anos para eles começarem a usar (o controle biológico).
O SPD é uma prática fundamental para a agricultura sustentável, permitindo a conservação do solo e da água, ganhos em produtividade, mitigação de gases de efeito estufa etc. Qual o panorama atual do SPD no Cerrado?
Estimo, por cima, 90% de aceitação do SPD. Então, em termos de expansão, a demanda não é tão grande. O que temos que olhar é a onda da agricultura regenerativa. É um termo que está sendo muito mal empregado, principalmente por empresas de insumos que querem colocar esse nome, sem critérios, aos alimentos produzidos com os seus produtos. Minha interpretação é a seguinte: sem o SPD, a agricultura regenerativa não vai funcionar! Deixando de revolver o solo, você engatilha a atividade biológica do solo, e isso é o segredo do sucesso do SPD e da agricultura regenerativa. De fato, regenerativo é o melhor adjetivo para descrever o que o SPD faz pelo solo, o resto é elucubração.
Uma crítica que é ouvida com frequência é a de que existem produtores que falam que adotam o SPD, mas que, na verdade, o fazem de forma incompleta ou equivocada. Quais lacunas do manejo o senhor observa?
O principal é a falta de uma maior rotação de plurianual, em que você não repete a mesma cultura na mesma terra no ano seguinte. Bem mais da metade (dos produtores que adotam o SPD) não faz isso. O problema é que, até recentemente, a soja era, de longe, o (cultivo) mais lucrativo. Agora, temos pesquisas que mostram os valores de se manter uma rotação plurianual por vários anos. Por exemplo, o Juca Sá (João Carlos de Moraes Sá), junto com o (Lucien) Seguy fez um estudo em Mato Grosso que é sui generis. Mostra que, a longo prazo, os princípios do SPD trazem lucros acima de coisas feitas pela metade.
E que consequências podem ocorrer para os produtores que adotam o SPD de forma equivocada?
Não gosto do termo “equivocado”. Eles estão seguindo o que eles acham mais produtivo do sistema e deixando de lado a rotação plurianual. Até pouco tempo atrás, faltavam resultados de pesquisa contundentes mostrando o benefício a longo prazo dessas rotações. O problema é que é um pouco complicado a adoção disso. O agricultor não vai plantar uma cultura que vai produzir 60% do lucro da soja. Isso é o simples fato econômico e são os fatos econômicos que dirigem a forma de tocar as lavouras. Mas temos possibilidades de ir além do SPD como ele está agora e, para isso, precisamos dirigir a pesquisa a esse ponto.
Como ir além do SPD?
Por exemplo, introduzi o SPD na propriedade de um agricultor na Inglaterra 14 anos atrás. Primeiro, ele adotou o SPD e depois ele passou à agricultura regenerativa. Uma das descobertas dele é que se você mantém o pH da seiva da planta em 6.4, os insetos não gostam da seiva, então não há problema com insetos. Esse agricultor está fazendo outros controles que o permitem produzir praticamente sem pesticidas. Esse é um pioneiro, um homem inteligente que tem uma fazenda lucrativa e dinheiro para investir em pesquisa. Acho que a pesquisa teria que ficar no pé desses agricultores pioneiros, ajudando-os a levar essas tecnologias adiante. Já desafiei vários pesquisadores a encontrar uma tecnologia em que você, com uma pulverização ou de outra forma, modifica o pH da seiva, eliminando os pesticidas. Vai levar umas duas décadas, mas temos que ter isso como alvo.
Inicialmente, pode haver uma certa resistência na pesquisa, demora um tempo até que isso seja absorvido…
Por isso (deve haver) o apoio da pesquisa aos pioneiros, que são tomadores de risco. É fundamental, porque reduz o risco dos produtores.
Em que outras áreas podemos progredir com a pesquisa?
Esse agricultor inglês que mencionei foi aos Estados Unidos e fez dois cursos. A aprendizagem dele é que o agricultor tem uma planta, e essa planta, quando falta alguma coisa, manda uma mensagem ao solo através dos exsudatos da raiz. Esses exsudatos encorajam outras entidades a produzirem o que está faltando na planta. A doutora Ieda identificou duas dessas substâncias (enzimas arilsulfatase e betaglicosidase) e as usa para caracterizar a atividade biológica do solo. Mas esse agricultor me contou que há 750 dessas substâncias no solo. Imagine a complexidade da pesquisa necessária para explorar tudo isso. Vai levar meio século.
Gostaria de comentar alguma outra questão sobre a pesquisa?
No trabalho de desenvolver um desenho de ensaio de pastoreio com coberturas (vegetais), eu me debrucei com uma série de perguntas para as quais não tinha resposta. Como vou selecionar tratamentos no experimento se não tenho essas respostas? Acho que não deve ser necessário, numa estação experimental, ter um projeto de pesquisa para fazer testes exploratórios que vão nortear o pesquisador em termos de seleção de tratamentos. Vou dar um exemplo. A Manah me financiou, em 1988, um trabalho exploratório para testar diferentes trabalhos de SPD. Selecionei 30 deles para fazer testes exploratórios sem replicação. Se tivesse optado por fazer três replicações, só teria testado 10 trabalhos. E quem iria me dizer que o melhor estava entre esses 10? Você vai colocar uns tratamentos inúteis, e a informação que vai receber será limitada.
O senhor é mestre em irrigação. Como vê esse tema na agricultura brasileira?
No geral, é marcar a garantia dos caudais dos rios pequenos em toda a região, porque a lei manda manter o caudal durante a época seca, em vez de secar e criar problemas para a dessedentação de animais. Outra linha de pensamento tem sido a forma de desenvolver mais a produção de hortaliças na região e, portanto, (gerar) empregos. Acho que o manejo do solo com irrigação, por causa do alto investimento, está sendo forçado a conservar o solo e a água.
Na sua trajetória profissional, o senhor testemunhou o nascimento e o crescimento da Embrapa, que em 2023 completou 50 anos. O que a Empresa, a seu ver, representa para o País?
Primeiro, ela é o esteio da atividade agro. Segundo, é uma apólice de seguro que assegura que as tecnologias sejam as mais produtivas possíveis, e sempre melhorando. Representa uma liderança mundial em termos de sustentabilidade por meio do SPD. É também uma entidade séria, muito respeitada em todo o mundo, e é imprescindível ao País a Embrapa apoiando a agropecuária.
Em 2025, é a Embrapa Cerrados que está completando 50 anos. Você participou, inclusive, da pré-história da nossa Unidade…
Antes, (a Unidade) era o Escritório Técnico de Agricultura (ETA-44) do Ministério da Agricultura. Edson Lobato (pesquisador aposentado) e outros agrônomos que haviam passado no concurso do ministério estavam trabalhando lá com dois técnicos do IRI. Isso era outro programa da USAID. Descobri, no mapa da estação experimental, que a administração de Planaltina-DF havia colocado a sua estação de tratamento de águas dentro da área do Ministério da Agricultura. Pedi uma audiência com o presidente da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e mostrei a ele. Ele disse: “Bom, o que você quer?”. E eu falei: “Gostaria de aumentar a área da estação experimental para abarcar toda a área de cima, que tem solos diferentes”. No ato, ele cedeu à Embrapa um topógrafo, que ficou três meses lá, medindo tudo. Pouca gente sabe disso.
Então quer dizer que você foi um dos responsáveis pela enorme área que temos hoje na Embrapa Cerrados?
Fui O responsável (risos).
Pensando no futuro, para que direção a Unidade deve apontar as pesquisas?
Para cima! (risos). Penso que a área de agricultura regenerativa real deveria ser reforçada. Existe uma nova espécie de capim braquiária que vem da Namíbia, chamada Brachiaria negropedata. Isso tinha que ser pesquisado, porque a informação que tenho de técnicos da África do Sul é de que ela seria muito bem apropriada aqui. A área de pastagens consorciadas foi esquecida de tal forma que eu não encontro sementes de leguminosas como siratro, soja perene e tardia e centrosema no mercado. Sumiram. Acho que é preciso persistir na ideia de pastagens consorciadas, porque há varias leguminosas adaptadas à região e ao pastoreio. Soja perene e tardia e os híbridos de centrosema, feitos pelo R.H. MacArthur, um pesquisador australiano enquanto esteve aqui, são muito promissores. Estou desenhando um experimento junto com a Embrapa Cerrados para testar algumas dessas leguminosas num sistema um pouco diferente, que chamamos de tapete verde, em que usamos a leguminosa como cobertura do solo para receber culturas e o SPD. Quando esse projeto foi desenvolvido, em Morrinhos entre 1988 e 1992, não havia a safrinha. Então, terá que haver muito trabalho adaptando esse sistema à safrinha, mas é uma forma de também aumentar a oferta de forragens de boa qualidade na época seca, já que a leguminosa tem proteína. A quantidade em que você aumenta a capacidade de carga na época seca equivale ao incremento no rebanho. Isso é um ponto nevrálgico onde acho que deveria se concentrar a pesquisa.
Sustentabilidade
Palhada do milho melhora estabelecimento da cultura sucessora, contribui para conservação do solo e libera nutrientes – MAIS SOJA

É consenso que a palhada na cobertura do solo atua de forma benéfica na preservação e conservação do solo, reduzindo o impacto da gota da chuva e diminuindo as erosões superficiais. Sobretudo, além desses benefícios, a palhada atua de forma significativa no manejo fitossanitário das culturas agrícolas, reduzindo os fluxos de emergência de espécies daninhas fotoblásticas positivas.
As sementes dessas espécies necessitam de luz para germinar, e a palhada na superfície do solo atua como uma barreira física, restringindo a chegada de luz às sementes, diminuindo consequentemente os fluxos de emergência. De forma similar, a palhada reduz a amplitude térmica do solo, possibilitando um melhor desenvolvimento inicial de plântulas, minimizando os danos ocasionados pelo cancro de calor.
Figura 1. Tombamento fisiológico ou cancro de calor.
Por atuar na redução da temperatura do solo (figura 2), a palhada também reduz a perda de água no solo por evaporação, contribuindo para uma melhor conservação da umidade do solo.
Figura 2. Efeito da palhada em superfície na temperatura do solo.

Visando à produção de palhada a partir de culturas comerciais, o milho destaca-se como uma das principais espécies utilizadas nos sistemas de produção agrícola. Essa cultura apresenta elevada capacidade de gerar grande quantidade de palhada residual, além de alta eficiência na absorção de nutrientes do solo, atuando como importante planta recicladora.
Conforme relatado por Lange et al. (2015), o milho pode produzir mais de 14 t ha⁻¹ de palhada. Devido à elevada concentração de carbono (C) em sua matéria seca, essa palhada apresenta alta persistência na superfície do solo, favorecendo a cobertura e a conservação do sistema. Associado a isso, ocorre a liberação gradual de nutrientes para a cultura em sucessão.

Segundo Lange et al. (2015), dependendo das condições climáticas e ambientais, o milho pode acumular até 142 kg ha⁻¹ de potássio (K) ao longo de seu ciclo, nutriente que posteriormente se torna disponível para a soja cultivada em sucessão. Em função da lenta decomposição da palhada, a liberação de K pode coincidir com o período de maior exigência desse nutriente pela soja, contribuindo para um adequado suprimento nutricional e para a obtenção de elevadas produtividades. Além do potássio, nutrientes como cálcio (Ca), enxofre (S) e nitrogênio (N) também são reciclados pelo milho e disponibilizados à cultura sucessora.
Figura 3. Comportamento da palhada de milho submetida à condição de campo, decomposição da palhada e liberação de nutrientes para o sistema. Fósforo e magnésio não tiveram resposta significativa.

Fonte: Lange et al. (2015)
Nesse contexto, o milho desempenha papel estratégico nos sistemas de produção de grãos, contribuindo diretamente para a conservação do solo por meio da elevada produção de palhada e, de forma indireta, para o aumento do potencial produtivo das culturas em sucessão. Dessa forma, o milho pode ser considerado uma espécie-chave nos programas de rotação de culturas.
Confira o estudo completo desenvolvimento por Lange e colaboradores (2015) clicando aqui!
Veja mais: Compactação do solo e seu efeitos no crescimento e produtividade da soja
Referências:
IDR – PARANÁ. MANEJO E CONSERVAÇÃO DE SOLOS E ÁGUA: IDR-PARANÁ ORIENTA COMO UTILIZAR TÉCNICA PARA PROTEGER O SOLO DURANTE ESTIAGEM. Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná, 2020. Disponível em: < https://www.idrparana.pr.gov.br/Noticia/IDR-Parana-orienta-como-utilizar-tecnica-para-proteger-o-solo-durante-estiagem >, acesso em: 22/01/2026.
LANGE, A. et al. NUTRIENTES NA PALHADA DE MILHO E EFEITO RESIDUAL NA CULTURA DA SOJA. XXXV CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO SOLO, 2015. Disponível em: < https://eventossolos.org.br/cbcs2015/arearestrita/arquivos/160.pdf >, acesso em: 22/01/2026.

Sustentabilidade
Soja/RS: Semeadura na reta final, alcança 98% da área total – MAIS SOJA

A semeadura atingiu 98% da área projetada no Estado, e a floração está em fase inicial, representando 7% das lavouras estabelecidas. Na última semana, diversos produtores realizaram a implantação da cultura onde foi possível o acesso de máquinas e nas áreas de
milho recentemente colhidas.
De modo geral, a cultura se desenvolve bem, com potencial produtivo e estandes adequados. Contudo, foram registrados casos pontuais de mortalidade de plântulas e estandes abaixo do ideal em áreas de semeadura mais tardia. Em relação ao manejo fitossanitário, as principais dificuldades se concentraram no controle de plantas invasoras. As condições ambientais, como umidade e temperaturas propícias, têm contribuído para o desenvolvimento da cultura. Referente ao aspecto fitossanitário, as lavouras apresentam condições gerais satisfatórias, e não houve relatos generalizados de doenças, apenas sintomas pontuais de ferrugem-asiática, que estão sendo monitorados com o uso de coletores de esporos em áreas estratégicas.
A presença de insetospraga, como lagartas e percevejos, foi observada em algumas regiões, o que exige monitoramento contínuo para subsidiar a tomada de decisão de controle, especialmente em lavouras em transição para fases reprodutivas.
Para a Safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, a projeção da Emater/RS-Ascar indica o cultivo de 6.742.236 hectares e produtividade média de 3.180 kg/ha. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a ausência de chuvas expressivas nos municípios da Fronteira Oeste contribuiu para o avanço da semeadura nas lavouras em terras baixas, que estava atrasada pelo excesso de umidade nas semanas precedentes. Em São Gabriel, os cultivos mais tardios estão em estádio vegetativo V4, e as primeiras áreas implantadas atingiram a fase de florescimento pleno (R2).
Na região da Campanha, o plantio foi concluído. As chuvas esparsas e de baixos acumulados no período favoreceram a redução da umidade do solo, especialmente em áreas de várzea, como em Aceguá, onde o desenvolvimento da soja estava limitado. As melhores condições do solo permitiram o acesso às lavouras para a realização de aplicações de herbicidas. Em Hulha Negra, os produtores relataram mortalidade expressiva de plântulas nas últimas áreas semeadas, resultando em estandes abaixo do ideal, inclusive em cultivos replantados.
Na de Caxias do Sul, a maioria das lavouras está em desenvolvimento vegetativo. Em São Francisco de Paula, continua a coleta de esporos do agente patogênico da ferrugemasiática, com a finalidade de monitorar a presença de inóculo. Na de Erechim, a safra se desenvolve dentro do esperado, sem intercorrências. A fase reprodutiva representa 60% das lavouras – 40% em início de floração e 20% em floração plena.
Na de Frederico Westphalen, a cultura está predominantemente em fase de floração, abrangendo cerca de 60% da área. Algumas lavouras apresentaram dificuldades no estabelecimento inicial, mas, de modo geral, observa-se estande adequado de plantas. Os trabalhos se concentraram no controle de plantas invasoras e, nas áreas de semeadura mais tardia, na aplicação de fungicidas.
Na de Ijuí, cerca de 35% da área cultivada está em floração. O desenvolvimento da cultura é considerado apropriado para o período, assim como a sanidade e a área foliar. Nas lavouras semeadas com cultivares precoces em outubro de 2025, o aspecto geral e o desenvolvimento das plantas indicam potencial produtivo satisfatório.
Na de Passo Fundo, a totalidade da área projetada está semeada, e aproximadamente 30% dos cultivos em floração. As chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento da cultura. Na de Pelotas, mais de 99% da área projetada foi semeada. Nas lavouras estabelecidas, a maior parte da área (84%) está em desenvolvimento vegetativo, 14% em floração e 2% em enchimento de grãos. O desenvolvimento da cultura é considerado apropriado para o período, favorecido pelas condições meteorológicas e pela adequada umidade do solo, o que resulta em aceleração do crescimento das plantas.
Na de Santa Maria, em Capão do Cipó, Cacequi e Santa Maria, restam áreas a serem semeadas, pois a umidade do solo insuficiente prejudicou o avanço do plantio em novembro. Em São Francisco de Assis, a semeadura, sob sistema irrigado, ocorre de forma escalonada, acompanhando a colheita do milho precoce. O crescimento vegetativo está vigoroso, favorecido por precipitações expressivas e bem distribuídas em dezembro, que permitiram a recomposição da umidade do solo após o déficit hídrico registrado na segunda quinzena de novembro e início de dezembro.
Na de Santa Rosa, 94% da área projetada foi semeada. Das lavouras estabelecidas 71% estão em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração e 2% em enchimento de grãos. A elevada luminosidade favoreceu o desenvolvimento da cultura em toda a região, com efetiva floração observada principalmente nas áreas implantadas nos primeiros dias de novembro.
Em Garruchos, a ocorrência de lagartas foi relatada em grande parte do município, exigindo monitoramento contínuo para a avaliação de níveis populacionais e eventual necessidade de controle. Em função da redução das chuvas na região, observa-se o uso recorrente de irrigação nos cultivos que dispõem de sistemas instalados. Em Bossoroca, na lavoura onde está instalado o coletor de esporos do Programa Monitora Ferrugem, foram observadossintomas da doença.
Na de Soledade, a maior parte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo (60%), com fechamento das entrelinhas. Cerca de 30% dos cultivos estão na fase de enchimento de grãos e 10% em floração. Em áreas de semeadura tardia, foram realizadas aplicações de herbicidas em pós-emergência para o controle de plantas invasoras. Foram registrados focos de percevejos e ocorrência de vaquinha (Diabrotica spp.).
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,93 %, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 124,30 para R$ 123,14.
Fonte: Emater/RS

Sustentabilidade
Chicago fecha em alta no milho por desvalorização do dólar e melhor demanda – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com preços mais altos. A queda do dólar frente a outras moedas e a boa demanda pelo produto americano garantiram a elevação dos contratos.
A alta, no entanto, foi limitada pela queda do petróleo e pela expectativa de ampla oferta global. Levantamento semanal divulgado hoje pelo Ministério da Economia da Argentina, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca, indicou que o plantio de milho da safra 2025/26 atingiu 94% da área total prevista de 10,461 milhões de hectares.
De acordo com o Ministério, na semana anterior a semeadura estava em 92%. No mesmo período do ano passado, o plantio atingia 94% dos 9,244 milhões de hectares cultivados na temporada 2024/25.
Os contratos de milho com entrega em março fecharam a US$ 4,24, com alta de 2,25 centavos, ou 0,53%, em relação ao fechamento anterior. A posição maio fechou a sessão a US$ 4,32 1/4 por bushel, ganho de 2,50 centavos de dólar, ou 0,58%, em relação ao fechamento anterior.
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade12 horas agoMilho/RS: Colheita avança e chega a 21% da área total semeada – MAIS SOJA
Sustentabilidade17 horas agoSafra de grãos cresce 113%, entre 2012 e 2025, com alta na adesão de consórcios no Brasil – MAIS SOJA
Sustentabilidade19 horas agoManejo de defensivos assegura produtividade do milho contra lagarta-elasmo na Safra 2025/26 – MAIS SOJA
Business15 horas agoPromessa de chuvas acima da média desafia a colheita da soja em Querência
Sustentabilidade10 horas agoSoja/RS: Semeadura na reta final, alcança 98% da área total – MAIS SOJA
Sustentabilidade12 horas agoReta final: semeadura de soja no RS se aproxima da conclusão
Sustentabilidade18 horas agoInscreva-se para a Abertura Nacional da Colheita da Soja; faltam poucos dias!
Sustentabilidade9 horas agoPalhada do milho melhora estabelecimento da cultura sucessora, contribui para conservação do solo e libera nutrientes – MAIS SOJA














