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Sustentabilidade

Entrevista – John Landers, o “pai” do Sistema Plantio Direto no Cerrado – MAIS SOJA

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O agrônomo britânico John Nicholas Landers, de 87 anos, tem uma longa trajetória de disseminação das práticas de agricultura conservacionista no Brasil. Nascido em Watford, no Reino Unido, o bacharel em Agricultura pela Universidade de Reading e mestre em Irrigação pela Universidade da Califórnia chegou ao País em 1966 aos 28 anos, a serviço do IRI Research Institute dos Estados Unidos. Durante quase seis décadas, Landers vem contribuindo como pesquisador, consultor e produtor rural para o desenvolvimento da agricultura brasileira, sobretudo no Cerrado e na Amazônia. Na década de 1990, fundou a Associação do Plantio Direto no Cerrado (APDC), que contribuiu para a consolidação do Sistema Plantio Direto (SPD) no Cerrado. Os esforços em mostrar como a agricultura pode conservar os nossos solos lhe renderam diversas homenagens, como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Goiás, em 2017, pelo pioneirismo no desenvolvimento do SPD na palha. Nesta entrevista, que teve a participação da pesquisadora Ieda Mendes, Landers fala sobre a carreira no Brasil, os desafios na disseminação do SPD, uma curiosidade surpreendente sobre a pré-história da Embrapa Cerrados, além de apontar rumos para a pesquisa agropecuária.

Como surgiu o interesse do senhor pela agricultura?
Meu avô era gerente de uma série de fazendas que se chamava State, na Inglaterra. Com 10 anos de idade, eu dirigia trator. No meu tempo livre, sempre ficava em fazendas. Então, a única escolha que eu achava que tinha e perseguia era estudar Agricultura em Reading.

O senhor veio ao Brasil em 1966 para realizar um trabalho pelo IRI Research Institute. Do que se tratava esse trabalho?
Quem me trouxe ao Brasil foi meu tio. Ele veio em 1934 plantar café no Oeste de São Paulo e depois se mudou para Matão (SP). Era um homem inteligente e que me ajudou muito na forma de pensar sobre agricultura. Fiquei um mês em Matão e, como minha especialidade era irrigação, fui enviado a Recife (PE) para começar meu trabalho com o IRI. Comecei junto com a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), principalmente nas estações de Mandacaru e Bebedouro, que estavam desenvolvendo a irrigação para difundir na região.

E o que o fez permanecer no País até hoje?
Continuei com o IRI até 1974 e depois dois anos como especialista. Inclusive, implantei, na Estação Experimental de Brasília (atual Embrapa Cerrados), um experimento irrigado de milho com controles de umidade até 40 cm (de profundidade do solo) por tensiômetros e blocos de gesso. No início de 1968, fui transferido para a Venezuela. O IRI tinha captado um contrato para desenvolver a agricultura no delta do rio Orinoco. Fui como chefe de programa e implantei uma estação experimental na Ilha Iguana. Voltei para o Brasil em 1972, como chefe do IRI. O IRI havia perdido o contrato com a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e era difícil buscar recursos. Então, começamos a tornar a estação experimental em comercial, vendendo abacaxi e sementes de forrageiras. Depois, em 1974, o projeto de sementes forrageiras foi comprado por uma grande empresa inglesa, a Nickerson Seeds, que me colocou em São Paulo como encarregado do projeto. Eles também investiram em sementes de soja com um programa no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Como o senhor via a agricultura do Brasil no final da década de 1960, em especial no Bioma Cerrado? 
Obviamente, o Brasil era importador de alimentos naquela época e eu via que faltavam as últimas tecnologias para a agricultura evoluir. No Cerrado, a agricultura era mais pobre ainda, (havia) principalmente arroz de sequeiro, que era um desastre em termos econômicos (risos). Mas o IRI foi pioneiro em resolver os problemas da infertilidade dos solos do Cerrado. Eu tinha visto as soluções que o IRI preconizava para tornar os solos do Cerrado produtivos. O IRI descobriu a falta de cálcio, de fósforo e de micronutrientes, que foi a base para torná-los produtivos. Então, vi solos e topografia muito bons em termos de mecanização, mas faltava a parte técnica de adubação e correção de solo.

Naquele momento, o que o fazia acreditar que a agricultura brasileira poderia sofrer uma revolução tão profunda a ponto de transformar o País de importador, como o senhor disse, a grande exportador de alimentos algumas décadas depois?
O IRI havia publicado boletins sobre a correção dos solos do Cerrado. Eu tinha lido tudo isso e estava convicto de que havia um grande futuro para o Cerrado em termos de produtividade.

O senhor sempre demonstrou preocupação com a sustentabilidade da agricultura, o que nos dias de hoje é um discurso comum. Como os produtores e o setor agrícola lidavam com a questão no início dos seus trabalhos aqui no Brasil?
O conceito de sustentabilidade em si começou, me parece, há uns 20 anos. Naquela época, o conceito era de conservar o solo para continuar produzindo.

Quanto ao Sistema Plantio Direto (SPD), o senhor é considerado o pai dessa prática de manejo conservacionista do solo no Cerrado. Mas, no passado, foi considerado louco. Havia, de fato, uma resistência à adoção do SPD, mesmo com tantos benefícios demonstráveis?
Os agricultores de Morrinhos (GO), onde eu tinha uma fazenda, davam risadas de mim. E também havia resistência dentro da Embrapa Cerrados. Foram alguns dos pesquisadores menos preconceituosos que se aliaram a nós no início. O primeiro foi o (Eduardo) Assad (atualmente aposentado), que escreveu um capítulo sobre chuvas na publicação “Fascículo de Experiências de Plantio Direto no Cerrado”, de 1995. Foi uma das primeiras colaborações da Embrapa Cerrados com a Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), porque já estávamos trabalhando com alguns Clubes Amigos da Terra (CATs) (grupos e associações de produtores voltados à difusão do SPD), que haviam sido instalados aqui por gaúchos. O conceito de CAT foi o berço. O CAT de Jataí (GO), que já estava instalado, foi o modelo. Começamos a trabalhar com eles em 1994 para desenvolver a ideia de CAT para divulgar e também para ajudar a desenvolver o SPD, porque a pesquisa em estação experimental é muito boa, mas a pesquisa em fazenda tem outras dimensões e possibilita a rápida extensão ao produtor. Quando ele vê pequenas parcelas na estação experimental, não acredita. Ele quer ver um agricultor fazendo e ganhando dinheiro. Aí ele acredita.

Os CATs persistiram por muito tempo?
Eles começaram a se expandir muito rapidamente e, no auge, havia uma rede de 49 CATs e outras instituições como cooperativas no Cerrado. Eles perduraram enquanto o SPD foi uma coqueluche. Infelizmente, não vieram outras revoluções iguais para darmos seguimento. Comecei com controles biológicos com a COOPA-DF, mas fomos subvertidos pelos Correios. Estávamos usando os Correios para receber os ovos dos parasitas que estávamos utilizando e houve uma greve. Os agricultores perderam a confiança, e levou mais uns cinco a 10 anos para eles começarem a usar (o controle biológico).

O SPD é uma prática fundamental para a agricultura sustentável, permitindo a conservação do solo e da água, ganhos em produtividade, mitigação de gases de efeito estufa etc. Qual o panorama atual do SPD no Cerrado?
Estimo, por cima, 90% de aceitação do SPD. Então, em termos de expansão, a demanda não é tão grande. O que temos que olhar é a onda da agricultura regenerativa. É um termo que está sendo muito mal empregado, principalmente por empresas de insumos que querem colocar esse nome, sem critérios, aos alimentos produzidos com os seus produtos. Minha interpretação é a seguinte: sem o SPD, a agricultura regenerativa não vai funcionar! Deixando de revolver o solo, você engatilha a atividade biológica do solo, e isso é o segredo do sucesso do SPD e da agricultura regenerativa. De fato, regenerativo é o melhor adjetivo para descrever o que o SPD faz pelo solo, o resto é elucubração.

Uma crítica que é ouvida com frequência é a de que existem produtores que falam que adotam o SPD, mas que, na verdade, o fazem de forma incompleta ou equivocada. Quais lacunas do manejo o senhor observa?
O principal é a falta de uma maior rotação de plurianual, em que você não repete a mesma cultura na mesma terra no ano seguinte. Bem mais da metade (dos produtores que adotam o SPD) não faz isso. O problema é que, até recentemente, a soja era, de longe, o (cultivo) mais lucrativo. Agora, temos pesquisas que mostram os valores de se manter uma rotação plurianual por vários anos. Por exemplo, o Juca Sá (João Carlos de Moraes Sá), junto com o (Lucien) Seguy fez um estudo em Mato Grosso que é sui generis. Mostra que, a longo prazo, os princípios do SPD trazem lucros acima de coisas feitas pela metade.

E que consequências podem ocorrer para os produtores que adotam o SPD de forma equivocada?
Não gosto do termo “equivocado”. Eles estão seguindo o que eles acham mais produtivo do sistema e deixando de lado a rotação plurianual. Até pouco tempo atrás, faltavam resultados de pesquisa contundentes mostrando o benefício a longo prazo dessas rotações. O problema é que é um pouco complicado a adoção disso. O agricultor não vai plantar uma cultura que vai produzir 60% do lucro da soja. Isso é o simples fato econômico e são os fatos econômicos que dirigem a forma de tocar as lavouras. Mas temos possibilidades de ir além do SPD como ele está agora e, para isso, precisamos dirigir a pesquisa a esse ponto.

Como ir além do SPD?
Por exemplo, introduzi o SPD na propriedade de um agricultor na Inglaterra 14 anos atrás. Primeiro, ele adotou o SPD e depois ele passou à agricultura regenerativa. Uma das descobertas dele é que se você mantém o pH da seiva da planta em 6.4, os insetos não gostam da seiva, então não há problema com insetos. Esse agricultor está fazendo outros controles que o permitem produzir praticamente sem pesticidas. Esse é um pioneiro, um homem inteligente que tem uma fazenda lucrativa e dinheiro para investir em pesquisa. Acho que a pesquisa teria que ficar no pé desses agricultores pioneiros, ajudando-os a levar essas tecnologias adiante. Já desafiei vários pesquisadores a encontrar uma tecnologia em que você, com uma pulverização ou de outra forma, modifica o pH da seiva, eliminando os pesticidas. Vai levar umas duas décadas, mas temos que ter isso como alvo.

Inicialmente, pode haver uma certa resistência na pesquisa, demora um tempo até que isso seja absorvido…
Por isso (deve haver) o apoio da pesquisa aos pioneiros, que são tomadores de risco. É fundamental, porque reduz o risco dos produtores.

Em que outras áreas podemos progredir com a pesquisa?
Esse agricultor inglês que mencionei foi aos Estados Unidos e fez dois cursos. A aprendizagem dele é que o agricultor tem uma planta, e essa planta, quando falta alguma coisa, manda uma mensagem ao solo através dos exsudatos da raiz. Esses exsudatos encorajam outras entidades a produzirem o que está faltando na planta. A doutora Ieda identificou duas dessas substâncias (enzimas arilsulfatase e betaglicosidase) e as usa para caracterizar a atividade biológica do solo. Mas esse agricultor me contou que há 750 dessas substâncias no solo. Imagine a complexidade da pesquisa necessária para explorar tudo isso. Vai levar meio século.

Gostaria de comentar alguma outra questão sobre a pesquisa?
No trabalho de desenvolver um desenho de ensaio de pastoreio com coberturas (vegetais), eu me debrucei com uma série de perguntas para as quais não tinha resposta. Como vou selecionar tratamentos no experimento se não tenho essas respostas? Acho que não deve ser necessário, numa estação experimental, ter um projeto de pesquisa para fazer testes exploratórios que vão nortear o pesquisador em termos de seleção de tratamentos. Vou dar um exemplo. A Manah me financiou, em 1988, um trabalho exploratório para testar diferentes trabalhos de SPD. Selecionei 30 deles para fazer testes exploratórios sem replicação. Se tivesse optado por fazer três replicações, só teria testado 10 trabalhos. E quem iria me dizer que o melhor estava entre esses 10? Você vai colocar uns tratamentos inúteis, e a informação que vai receber será limitada.

O senhor é mestre em irrigação. Como vê esse tema na agricultura brasileira?
No geral, é marcar a garantia dos caudais dos rios pequenos em toda a região, porque a lei manda manter o caudal durante a época seca, em vez de secar e criar problemas para a dessedentação de animais. Outra linha de pensamento tem sido a forma de desenvolver mais a produção de hortaliças na região e, portanto, (gerar) empregos. Acho que o manejo do solo com irrigação, por causa do alto investimento, está sendo forçado a conservar o solo e a água.

Na sua trajetória profissional, o senhor testemunhou o nascimento e o crescimento da Embrapa, que em 2023 completou 50 anos. O que a Empresa, a seu ver, representa para o País?
Primeiro, ela é o esteio da atividade agro. Segundo, é uma apólice de seguro que assegura que as tecnologias sejam as mais produtivas possíveis, e sempre melhorando. Representa uma liderança mundial em termos de sustentabilidade por meio do SPD. É também uma entidade séria, muito respeitada em todo o mundo, e é imprescindível ao País a Embrapa apoiando a agropecuária.

Em 2025, é a Embrapa Cerrados que está completando 50 anos. Você participou, inclusive, da pré-história da nossa Unidade…
Antes, (a Unidade) era o Escritório Técnico de Agricultura (ETA-44) do Ministério da Agricultura. Edson Lobato (pesquisador aposentado) e outros agrônomos que haviam passado no concurso do ministério estavam trabalhando lá com dois técnicos do IRI. Isso era outro programa da USAID. Descobri, no mapa da estação experimental, que a administração de Planaltina-DF havia colocado a sua estação de tratamento de águas dentro da área do Ministério da Agricultura. Pedi uma audiência com o presidente da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e mostrei a ele. Ele disse: “Bom, o que você quer?”. E eu falei: “Gostaria de aumentar a área da estação experimental para abarcar toda a área de cima, que tem solos diferentes”. No ato, ele cedeu à Embrapa um topógrafo, que ficou três meses lá, medindo tudo. Pouca gente sabe disso.

Então quer dizer que você foi um dos responsáveis pela enorme área que temos hoje na Embrapa Cerrados?
Fui O responsável (risos).

Pensando no futuro, para que direção a Unidade deve apontar as pesquisas?
Para cima! (risos). Penso que a área de agricultura regenerativa real deveria ser reforçada. Existe uma nova espécie de capim braquiária que vem da Namíbia, chamada Brachiaria negropedata. Isso tinha que ser pesquisado, porque a informação que tenho de técnicos da África do Sul é de que ela seria muito bem apropriada aqui. A área de pastagens consorciadas foi esquecida de tal forma que eu não encontro sementes de leguminosas como siratro, soja perene e tardia e centrosema no mercado. Sumiram. Acho que é preciso persistir na ideia de pastagens consorciadas, porque há varias leguminosas adaptadas à região e ao pastoreio. Soja perene e tardia e os híbridos de centrosema, feitos pelo R.H. MacArthur, um pesquisador australiano enquanto esteve aqui, são muito promissores. Estou desenhando um experimento junto com a Embrapa Cerrados para testar algumas dessas leguminosas num sistema um pouco diferente, que chamamos de tapete verde, em que usamos a leguminosa como cobertura do solo para receber culturas e o SPD. Quando esse projeto foi desenvolvido, em Morrinhos entre 1988 e 1992, não havia a safrinha. Então, terá que haver muito trabalho adaptando esse sistema à safrinha, mas é uma forma de também aumentar a oferta de forragens de boa qualidade na época seca, já que a leguminosa tem proteína. A quantidade em que você aumenta a capacidade de carga na época seca equivale ao incremento no rebanho. Isso é um ponto nevrálgico onde acho que deveria se concentrar a pesquisa.

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Sustentabilidade

Condições de mercado estão difíceis para o produtor nacional de soja – MAIS SOJA

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O mercado mundial de soja passa por um momento de dificuldades. A ampla oferta da oleaginosa e as expectativas favoráveis pressionam as cotações. Em termos domésticos, a combinação de queda dos contratos futuros em Chicago e do dólar tornar o ritmo dos negócios ainda mais lento.

O cenário é cada vez mais complexo para a soja, tanto internamente como no exterior. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira, que participou nesta semana do 11o Safras Agri Week. “Para o Brasil, o maior desafio é o preço”, afirma.

Nos Estados Unidos, a demanda interna está aquecida, com bons esmagamentos, e ainda há a expectativa do retorno da China à ponta compradora. Para o produtor brasileiro, o consultor acredita que pode haver mais oportunidades no segundo semestre, se os estoques norte-americanos apertarem e sustentarem a Bolsa de Mercadorias de Chicago.

Na Argentina, a situação é bastante tranquila, conforme o analista Agustin Geier. “É muito cedo para se falar em atraso de colheita no país”, frisa. “Além disso, são esperadas 49,8 milhões de toneladas, o que é um patamar muito bom para nós”, relata, acrescentando que tudo está correndo bem e sem expectativa de quebra de safra argentina.

Nos subprodutos, a volatilidade tem sido muito grande com a guerra no Irã, que impulsionou os preços do petróleo. “Trouxe suporte ao óleo de soja, que é uma das alternativas para a produção de biodiesel”, finaliza o analista e consultor Gabriel Viana.

Conab e Abiove
A produção brasileira de soja deverá totalizar 179,151 milhões de toneladas na temporada 2025/26, com aumento de 4,5% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. A projeção faz parte do 7º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na estimativa anterior, a previsão estava em 177,85 milhões de toneladas.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) atualizou as estatísticas do complexo soja, elevando as projeções para o ano de 2026. O novo balanço aponta que o Brasil deve atingir um patamar recorde de esmagamento interno, impulsionado pela robustez da safra e pela crescente demanda por derivados.

As estimativas para 2026 foram revisadas positivamente em relação ao levantamento anterior, com o processamento de soja no país devendo alcançar 62,2 milhões de toneladas, um aumento de 1,1%. Esse avanço na atividade industrial reflete-se diretamente na oferta de produtos de maior valor agregado, com a produção de farelo de soja estimada em 47,9 milhões de toneladas e a de óleo de soja em 12,5 milhões de toneladas.

Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE, destaca que a atualização dos dados reforça o amadurecimento e a resiliência da indústria brasileira. “O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro”, afirma.

Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua e Rodrigo Ramos / Safras News

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Volatilidade marca mercado de soja e mantém ritmo moderado de negócios no Brasil

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com um ritmo moderado de negócios, em meio a oscilações ao longo do dia. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada por dois momentos distintos, refletindo a instabilidade nos principais formadores de preço.

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Pela manhã, o dólar e a Bolsa de Chicago operaram em queda, pressionando as cotações e reduzindo a oferta, especialmente nos portos. Esse movimento deixou os preços mais fracos no início do dia, com pouca disposição de venda por parte dos produtores.

Ao longo da sessão, no entanto, Chicago mudou de direção, ainda que com oscilações limitadas. Com isso, os preços passaram a variar entre estabilidade e leve baixa, dependendo da praça e das condições de pagamento. O produtor segue negociando conforme a necessidade de caixa, enquanto a indústria aproveita os níveis atuais para recompor margens.

No mercado físico brasileiro, as cotações apresentaram comportamento misto entre estabilidade e recursos pontuais. Saiba mais:

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 122,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 123,00
  • Cascavel (PR): caiu de R$ 119,00 para R$ 118,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 108,00
  • Dourados (MS): desceu de R$ 111,00 para R$ 110,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 110,00
  • Paranaguá (PR): queda de R$ 129,00 para R$ 128,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 128,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta nesta sexta-feira (17) na Bolsa de Chicago, em mais uma sessão volátil. O mercado foi influenciado pelo reposicionamento de carteiras antes do fim de semana e pelo comportamento de outros ativos.

Na semana, o contrato maio acumulou queda de 0,71%. A desvalorização do dólar frente a outras moedas trouxe algum suporte às cotações, ao aumentar a competitividade da soja americana no mercado internacional.

Por outro lado, a forte queda do petróleo, diante de expectativas de avanço em negociações no Oriente Médio, limitou a recuperação dos preços da oleaginosa.

O mercado também acompanha o início do plantio da nova safra nos Estados Unidos. A previsão de retorno das chuvas pode atrasar os trabalhos de campo, mas tende a beneficiar o desenvolvimento inicial das lavouras.

Contratos futuros

Os contratos com entrega em maio fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar, ou 0,30%, a US$ 11,67 1/4 por bushel. A posição julho encerrou cotada a US$ 11,83 por bushel, com ganho de 2,50 centavos, ou 0,21%.

Entre os subprodutos, o farelo para maio caiu US$ 0,90, ou 0,27%, para US$ 331,80 por tonelada. Já o óleo de soja, também com vencimento em maio, recuou 1,17 centavo, ou 1,68%, para 68,16 centavos de dólar por libra-peso.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,18%, cotado a R$ 4,9933 para venda e R$ 4,9813 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9502 e a máxima de R$ 4,9922. Na semana, a divisa acumulou desvalorização de 0,54%.

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Soja mantém patamar em Chicago com pressão do plantio nos EUA e cenário global instável – MAIS SOJA

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As cotações da soja, em Chicago, após ensaiarem um recuo, voltaram aos patamares da semana anterior. O primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (16) em US$ 11,63/bushel, contra US$ 11,65 uma semana antes.

A continuidade da guerra no Oriente Médio, com um cessar-fogo capenga, não permite que o mercado mundial do petróleo e outras commodities básicas se acomode. Além disso, o plantio da soja nos EUA começa a fazer pressão sobre Chicago, sendo que o chamado “mercado do clima” ganha espaço.

Por enquanto, o mercado vem sendo surpreendido pela aceleração no plantio da safra estadunidense. Até o dia 12/04 a área atingia a 6% do esperado, enquanto o mercado esperava menos, e a média para a data é 2%. Isso significa que, para o plantio, por enquanto, o clima é normal nos EUA.

Dito isso, os embarques de soja estadunidense, na semana encerrada em 9 de abril, chegaram a 814.562 toneladas, elevando o volume total, no ano comercial, para 31,5 milhões de toneladas, representando 25% a menos do que há um ano. Outra notícia que pesou sobre o mercado, e mais especificamente no mercado do farelo, foi o início da greve dos caminhoneiros autônomos na Argentina. Com isso houve bloqueio de rotas direcionadas aos portos de exportação. Isso elevou o preço do farelo em Chicago, com o mesmo atingindo a US$ 334,40/tonelada curta no dia 15/04.

A mais alta cotação para este subproduto desde o dia 02/10/2024. Se não houver acordo com o governo local, a greve pode interromper “a logística da principal colheita e o abastecimento normal dos portos, em um momento crucial para a entrada de divisas no vizinho país” (cf. Clarin).

E na China as importações de soja aumentaram 14,9% em março, sobre o mesmo mês do ano anterior, porém, ficaram abaixo do que esperava o mercado. Houve atraso nos embarques do Brasil devido a inspeções mais rigorosas para descartar contaminação.

O total importado chegou a 4,02 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava 6,4 milhões (cf. Reuters). Entre janeiro e março a China importou 16,6 milhões de toneladas, com um recuo de 3,1% sobre o mesmo período de 2025. Para o período de abril a junho espera-se que a média mensal importada pelos chineses seja de 10 milhões de toneladas.

Já nos EUA, a NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas) informou que o esmagamento de soja naquele país, em março, atingiu a 6,16 milhões de toneladas, sendo o segundo maior para o mês e 16% maior do que no mesmo período do ano passado.

E no Brasil, diante de um câmbio que rompeu o piso dos R$ 5,00 por dólar, fechando alguns dias da semana em R$ 4,99, os preços recuaram, com as principais praças gaúchas voltando aos R$ 117,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 99,00 e R$ 114,00/saco.

Enfim, em seu boletim de abril a Conab apontou que a safra brasileira de soja 2025/26 deverá atingir a 179,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões no ano anterior. O Rio Grande do Sul ficará com 18,9 milhões de toneladas, ou seja, com redução de 13,3% sobre o inicialmente previsto. A área total semeada no Brasil foi de 48,47 milhões de hectares e a produtividade média ficaria em 3.696 quilos/hectare (61,6 sacos/hectare), enquanto a produtividade média gaúcha cai para 46,2 sacos.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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