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6 de agosto de 2026

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França diz que Comissão Europeia quer ‘impor’ acordo entre Mercosul e UE

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A ministra francesa da Agricultura elevou o tom nesta quarta-feira (25) contra a Comissão Europeia, que ela acusa de querer “impor” o acordo entre a UE e os países sul-americanos do Mercosul, mas há incertezas sobre a capacidade da França de bloquear esse acordo comercial.

“As preocupações são intensas porque a Comissão quer impor sua vontade. Isso é muito grave. Os Estados não foram realmente envolvidos na negociação. Os agricultores, ainda menos”, indignou-se Annie Genevard ao lado de seu homólogo polonês, Czesław Siekierski, que compartilha suas preocupações.

“Estamos sendo apoiados em nossa luta por Hungria, Áustria, Irlanda, Países Baixos, Romênia, Itália, que expressaram suas grandes preocupações. É necessário que a Comissão tenha maioria qualificada para poder aprovar esse texto. Isso não está garantido”, acrescentou ela, também mencionando o compromisso da Bélgica.

Esses países emitiram reservas, mas nem todos indicaram claramente se se absteriam ou votariam contra.

A minoria de bloqueio – pelo menos quatro Estados-membros do Conselho, representando mais de 35% da população da União Europeia – não parece garantida para a ministra, que afirma, há semanas, estar perto disso, embora “não tenha certeza de nada”, e multiplicou deslocamentos para bloquear a adoção do tratado comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

“Poderíamos fazer uma declaração conjunta (com o ministro italiano) nesta sexta-feira em Roma. A Itália tem as mesmas reservas que nós”, afirmou ela nesta quarta-feira, embora o país, peso pesado na votação, não tenha indicado claramente sua decisão.

Um responsável europeu afirmou na terça-feira que “a proposta para uma assinatura e conclusão seria adotada pela Comissão antes do final do mês” de junho.

“Alguns falam do dia 30 de junho, não sabemos. Mas, de qualquer forma, se a Comissão se aventurasse a passar rapidamente e impor, ela nos encontrará (…) em seu caminho”, ameaçou Annie Genevard, acrescentando que isso poderia “levar os agricultores de volta às ruas”.

“Que sentido teria uma decisão tomada pela Comissão enquanto uma maioria não seria favorável a ela”, disse ela ainda.

– PAC também “ameaçada” –

O texto prevê a possibilidade de a UE exportar, em particular, mais carros, máquinas ou bebidas destiladas. Em contrapartida, facilitaria a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos.

O comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen, declarou na terça-feira que as garantias para proteger os agricultores de concorrência desleal eram suficientes e rejeitou a ideia de um “protocolo adicional” mencionada pelo presidente Emmanuel Macron durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pressionava por uma rápida adoção.

Nesta quarta-feira, Annie Genevard declarou que seria de responsabilidade do presidente explicar em que consistiria um tal protocolo adicional.

Ela afirmou ter proposto na terça-feira aos 27 ministros da Agricultura, dos quais quinze eram favoráveis, uma medida prevendo uma “cláusula automática” para “todos os tratados de livre comércio” referente aos “limites máximos de resíduos” de pesticidas em produtos importados.

Assim, “nenhum produto tratado” com um pesticida proibido na Europa poderia “passar as fronteiras do mercado europeu”, acrescentou ela sem mais detalhes. Questionada sobre os prazos ou o instrumento legislativo que permitiria introduzir essa cláusula, a ministra não respondeu.

A crítica de Annie Genevard também se voltou para os “projetos da Comissão sobre a política agrícola comum”, enquanto as negociações sobre a próxima PAC estão apenas começando.

Questionado se esses projetos foram oficialmente comunicados pela Comissão, o ministério não respondeu.

“A PAC está ameaçada em seu orçamento e em seu caráter comum (…)”, alertou a ministra. As hipóteses de uma fusão dos fundos da PAC com fundos direcionados a outros setores e sua renacionalização, mencionadas em Bruxelas há meses sem comunicação oficial da Comissão até agora, “são verdadeiramente um perigo”, segundo Genevard.

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Agro Mato Grosso

Pulgão-dos-cereais apresenta novas mutações ligadas à resistência

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Estudo detecta variantes M918L e L932F em Sitobion avenae coletado na Irlanda

Pesquisadores identificaram pela primeira vez as mutações M918L e L932F no canal de sódio dependente de voltagem do pulgão-dos-cereais Sitobion avenae. As alterações apareceram em amostras coletadas na Irlanda entre 2022 e 2023. Ambas já haviam sido associadas à menor sensibilidade a piretroides em outras espécies de insetos. O impacto sobre a resistência em campo de Sitobion avenae ainda permanece desconhecido (doi 10.1002/ps.71178).

Variante de resistência

A mutação M918L corresponde a uma variante de resistência conhecida como super-kdr. O estudo encontrou essa alteração em três indivíduos. Dois vieram de uma torre de sucção instalada em Carlow, em 2022. O terceiro veio de Dublin, em 2023. Todos apresentaram a mutação em condição heterozigota.

Os dois exemplares de Carlow carregavam uma alteração do códon ATG para CTG. O indivíduo de Dublin apresentou mudança de ATG para TTG. As duas alterações resultaram na substituição do aminoácido metionina por leucina na posição 918.

A mutação L932F apareceu em um único espécime coletado em Carlow, em 2022. O indivíduo também carregava a mutação L1014F, já associada à resistência do tipo kdr. A variante L932F promove a substituição de leucina por fenilalanina na posição 932.

Reação em cadeia

Os cientistas confirmaram as mutações M918L e L932F por reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa e sequenciamento de alta profundidade. A validação utilizou o RNA extraído dos quatro exemplares portadores das alterações.

O trabalho analisou regiões do gene do canal de sódio dependente de voltagem. Esse canal representa o sítio de ação dos piretroides. Os inseticidas desse grupo interferem na função nervosa dos insetos e provocam paralisia e morte.

Espécimes avaliados

A equipe examinou 539 espécimes na região associada à super-kdr. O sequenciamento identificou 24 haplótipos. Um deles predominou na população analisada. A mutação M918L apareceu em dois haplótipos distintos.

O estudo também avaliou a mutação L1014F. Os pesquisadores conseguiram determinar a presença ou ausência dessa alteração em 366 amostras. Sessenta e cinco indivíduos coletados entre 2022 e 2024 carregavam a variante. Os exemplares resistentes ocorreram em todas as regiões e anos avaliados.

As amostras vieram de torres de sucção instaladas em Carlow, Dublin e Castlemartyr, no condado de Cork. Os equipamentos coletaram pulgões em voo a uma altura de doze vírgula dois metros. Os insetos passaram por identificação taxonômica e conservação em etanol antes das análises moleculares.

Levantamentos anteriores

A frequência da substituição L1014F manteve valores compatíveis com levantamentos anteriores realizados na Irlanda e no Reino Unido. Os dados não mostraram evidência forte de aumento da frequência de kdr, mesmo após a maior dependência de piretroides no manejo de pulgões em cereais.

A maior parte dos indivíduos com L1014F integrou um mesmo agrupamento genético. Esse grupo também incluiu um exemplar da linhagem laboratorial SA3, considerada uma das principais linhagens resistentes presentes no Reino Unido e na Irlanda. Outros indivíduos com L1014F surgiram fora desse agrupamento.

Aumento de resistência

Em Sitobion avenae, a mutação L1014F em condição heterozigota já foi relacionada a aumento próximo de quarenta vezes na resistência à lambda-cialotrina. Os pesquisadores destacam, porém, a ausência de indivíduos homozigotos detectados em campo. Essa limitação impede a avaliação direta da sensibilidade desses genótipos aos piretroides.

Em outras espécies de afídeos, a M918L apresenta relação com resistência elevada a piretroides dos tipos um e dois. Estudos com Rhopalosiphum padi associaram a alteração a resistência de 194,7 vezes à lambda-cialotrina. Os mesmos trabalhos apontaram custos biológicos, com redução de longevidade e fecundidade na ausência de pressão de seleção.

A ocorrência em amostras arquivadas impede a determinação imediata da resposta desses indivíduos aos inseticidas. O estudo recomenda novas coletas nas áreas próximas às torres de Carlow e Dublin. Os cientistas também indicam bioensaios de sensibilidade e avaliações de custo adaptativo.

O monitoramento regular pode revelar a incidência e a disseminação de linhagens resistentes. As torres de sucção oferecem vigilância independente das práticas de manejo e permitem a detecção antecipada de mecanismos de resistência. Esse acompanhamento ganha importância diante do número limitado de modos de ação disponíveis para o controle de pulgões em cereais.

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Agro Mato Grosso

Soja sobe 10% em MT, a saca passou de R$ 115 para R$ 127 I MT

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Julho trouxe um alívio para os produtores de soja. Depois de meses marcados por margens apertadas e cautela nos negócios, os preços reagiram nas principais regiões produtoras do país, impulsionados pela valorização da commodity na Bolsa de Chicago e pela firmeza dos prêmios de exportação.

Em Mato Grosso, principal produtor nacional da oleaginosa, a valorização foi expressiva. Em Rondonópolis, uma das principais referências de comercialização do estado, a saca passou de R$ 115 para R$ 127 ao longo do mês, alta superior a 10%.

O movimento acompanhou a recuperação observada em outras regiões do país. Em Passo Fundo (RS), os preços avançaram de R$ 129 para R$ 140 por saca. Em Cascavel (PR), a cotação passou de R$ 124 para R$ 134. Já no Porto de Paranaguá, importante referência para exportação, a saca alcançou R$ 145.

Apesar do cenário positivo no mercado atual, produtores e consultorias já direcionam a atenção para os desafios que poderão marcar a safra 2026/27.

Mercado internacional impulsionou as cotações

Grande parte da valorização observada em julho teve origem no mercado externo.

Na Bolsa de Chicago, os contratos mais negociados registraram alta de 4,26% no acumulado do mês, encerrando julho próximos de US$ 11,92 por bushel. Em alguns momentos, as cotações chegaram a superar US$ 12,50, alcançando os melhores níveis em mais de dois anos.

A recuperação foi sustentada por três fatores principais: a valorização do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, o aumento da demanda chinesa pela soja norte-americana e as preocupações com o clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.

O mercado agora acompanha com atenção o mês de agosto, considerado decisivo para a definição do potencial produtivo da safra norte-americana. Qualquer mudança climática relevante pode provocar novas oscilações nos preços internacionais.

Mato Grosso deve ampliar área plantada

Mesmo diante das incertezas, a expectativa é que Mato Grosso continue expandindo sua área de cultivo.

As projeções indicam crescimento próximo de 1,5% na área destinada à soja na próxima temporada. O avanço reflete a força do agronegócio mato-grossense e os bons resultados produtivos obtidos nas últimas safras.

A elevada produtividade registrada recentemente ajudou muitos produtores a equilibrar custos e receitas, permitindo a continuidade dos investimentos, embora com rentabilidade mais apertada do que em anos anteriores.

Clima preocupa produtores

Se os preços trouxeram boas notícias em julho, o clima aparece como a principal preocupação para os próximos meses.

A possibilidade de formação de um evento El Niño mais intenso coloca o mercado em alerta. O fenômeno pode afetar justamente os períodos mais importantes para o desenvolvimento da soja no Brasil, influenciando diretamente a produtividade das lavouras.

Embora ainda não haja previsão de quebra de safra, especialistas avaliam que os rendimentos da temporada 2026/27 podem ficar abaixo dos níveis excepcionais registrados recentemente.

Fertilizantes continuam pressionando custos

Outro desafio está nos custos de produção.

Os fertilizantes acumularam altas importantes ao longo do primeiro semestre, elevando o custo de implantação da nova safra. Em algumas regiões, produtores já reavaliam estratégias de investimento para reduzir despesas e preservar margens.

A preocupação é que cortes em tecnologia, manejo ou adubação possam limitar o potencial produtivo das lavouras.

Mercado segue atento aos próximos meses

O cenário para a soja combina fatores positivos e riscos relevantes. De um lado, preços mais altos e demanda internacional aquecida sustentam o otimismo. De outro, clima incerto e custos elevados exigem cautela dos produtores.

Para Mato Grosso, que lidera a produção nacional, os próximos meses serão decisivos para definir se a próxima safra repetirá os recordes recentes ou enfrentará um ambiente mais desafiador para a rentabilidade do campo.

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Agro Mato Grosso

Fazenda em MT usa tecnologia para integrar máquinas, clima na Gestão Agrícola

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O agronegócio mato-grossense avança rumo a uma nova era de eficiência produtiva. Em uma propriedade rural localizada em Pedra Preta MT), pertencente à Polato Sementes, um ecossistema tecnológico integrado passou a monitorar mais de 50 máquinas agrícolas em tempo real, combinando dados meteorológicos, telemetria e plataformas digitais para otimizar operações, reduzir desperdícios expressivos de insumos e preparar o campo para a adoção definitiva de inteligência artificial.

Toda a movimentação do maquinário — que abrange desde a localização exata no talhão e a velocidade de deslocamento até o consumo instantâneo de combustível, ocorrências mecânicas e o histórico detalhado da safra — é centralizada em um moderno centro de operações. Segundo o Head de Operações Agrícolas, Fabio Andre Schmidt, o rigor tecnológico é determinante principalmente para a rastreabilidade dos campos de sementes, permitindo o acompanhamento minucioso desde o plantio até a colheita para preservar o padrão final do produto.

A transição do modelo tradicional para a chamada “agricultura de decisão” permitiu à empresa transformar um enorme volume de dados brutos em inteligência gerencial. Por meio de painéis de Business Intelligence (BI), a equipe técnica consegue cruzar variáveis climáticas, produtividade histórica e desempenho operacional para embasar escolhas logísticas e agronômicas com rapidez.

Um exemplo prático dessa guinada analítica ocorreu na reestruturação do parque de maquinários. Após cotejar o rendimento operacional de duas plantadeiras de portes diferentes, a equipe constatou que o modelo maior, de 48 linhas, sofria paralisações constantes devido ao acúmulo de palhada, entregando um volume de trabalho equivalente ao de uma máquina de 35 linhas, porém com maior desgaste mecânico e consumo elevado de combustível. Com base nessa constatação empírica baseada em dados, a frota foi padronizada com o modelo menor para maximizar a eficiência.

Os ganhos também se refletem na precisão de aplicação de defensivos e na economia de insumos. Sensores embarcados automatizam o desligamento de linhas para evitar superposições de sementes, enquanto pulverizadores direcionados aplicam produtos químicos estritamente onde há presença de plantas daninhas, alcançando reduções que chegam a impressionantes 90% em determinadas operações localizadas.

Conectividade própria e inovação desenvolvida internamente

Para garantir que o fluxo de informações ocorra sem interrupções em áreas extensas, a empresa investiu na instalação de torres exclusivas de comunicação nas fazendas. Essa infraestrutura de rede robusta sustenta não apenas o monitoramento de telemetria, mas também soluções de software criadas internamente.

A equipe de programação da empresa desenvolveu um sistema proprietário que dispara alertas instantâneos via WhatsApp para os responsáveis operacionais assim que identifica anomalias, como paradas imprevistas de maquinário, falhas mecânicas ou necessidades de manutenção preventiva. Com essa agilidade na resposta, evitam-se prejuízos financeiros e quedas no rendimento da lavoura, consolidando o uso de dados integrados como base para o futuro sustentável da produção no estado.

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Agro MT