Connect with us
18 de junho de 2026

Sustentabilidade

Sistemas integrados elevam produção de grãos e armazenam mais carbono no solo no Matopiba – MAIS SOJA

Published

on


Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Meio-Norte (PI) concluiu que a adoção de sistemas integrados de lavoura-pecuária é a estratégia mais adequada para dar sustentabilidade à produção de grãos na região do Matopiba — área que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A pesquisa avaliou a dinâmica do carbono orgânico no solo e dos estoques de carbono e nitrogênio sob diversos arranjos de cultivo: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF); Integração Lavoura-Pecuária (ILP) sob plantio direto; Integração Lavoura-Pecuária (ILP) com aração recente do solo; pastagem; e vegetação nativa do Cerrado. As duas opções de ILP e a pastagem apresentaram maiores estoques de carbono e nitrogênio. A Integração Lavoura-Pecuária também garantiu maior quantidade de substâncias húmicas, que são essenciais para a fertilidade, influenciando a retenção de água e nutrientes, a estrutura do solo e a atividade microbiana.

O pesquisador da Embrapa Edvaldo Sagrilo afirma que, com base nos dados dessa pesquisa, para obter maior estoque de carbono no solo, é fundamental que o produtor faça um bom manejo do sistema adotado. Tanto um pecuarista que implantar uma pastagem bem manejada, quanto um agricultor que investir em um sistema ILP bem conduzido terão como consequência esse benefício ambiental.

Vantagens de estocar carbono no solo
Foto: Edvaldo Sagrilo

O pesquisador ressalta que adotar sistemas que melhoram o estoque de carbono no solo traz várias vantagens. “Primeiramente, o agricultor ganha do ponto de vista financeiro, com a melhoria da fertilidade do solo e, consequentemente, o aumento sustentável da produtividade das culturas. Esses sistemas também otimizam o uso de insumos como fertilizantes, pois reduzem as perdas desse insumo para o meio ambiente, ” relata o cientista.

Além disso, Sagrilo explica que o aumento dos estoques de carbono no solo significa menos emissão para a atmosfera, o que contribui para mitigar o aquecimento global, beneficiando a sociedade como um todo. Por fim, ele lembra que, com o processo de regulamentação do mercado de carbono, o aumento dos estoques no solo poderá resultar, no futuro, no pagamento por serviços ambientais (créditos de carbono) aos produtores.

A capacidade dos solos de atuar como sumidouro (absorvendo e armazenando carbono da atmosfera) ou como fonte (liberando carbono para a atmosfera) depende do equilíbrio entre as entradas e saídas de carbono e está relacionada ao manejo da terra ou da cultura.

Como foi feita a pesquisa

A equipe de pesquisadores acredita que os sistemas de uso da terra afetam de forma distinta os estoques de carbono orgânico no solo, com frações mais estáveis (que demoram a se decompor) sendo obtidas em sistemas integrados como ILP e ILPF e que sistemas integrados estabelecidos no longo prazo podem aumentar os estoques de carbono e nitrogênio em comparação à vegetação nativa do Cerrado. Para estudar essas hipóteses, o grupo comparou estoques de carbono e nitrogênio e a dinâmica das frações de carbono no solo sob condições de pastagem, sistemas de manejo integrado (ILP e ILPF) e vegetação natural.

A pesquisa foi realizada no município de São Raimundo das Mangabeiras (MA), em áreas com características de clima e solo semelhantes, comparando área de Cerrado nativo próxima a outros sistemas de cultivo. Foram observados: sistema ILPF cultivado com braquiária por 13 anos; sistema ILP cultivado por 16 anos com milho consorciado com braquiária e posteriormente soja com milheto; sistema ILP com preparo superficial do solo cultivado da mesma forma, com posterior revolvimento do solo em profundidade para consorciação de milho com capim Marandu; e pastagem cultivada por 15 anos para produção de carne bovina. Cerca de um hectare de cada sistema de manejo foi escolhido para as amostragens de solo, realizadas em quatro profundidades diferentes.

Os resultados das análises indicaram maiores estoques de carbono em sistemas ILP e em pastagem, em todas as profundidades de solo. O sistema de produção ILPF e áreas de Cerrado nativo apresentaram os menores estoques em todas as profundidades.

A implantação de sistema de ILP e pastagem em áreas de Cerrado nativo aumentou consideravelmente os estoques de carbono orgânico e nitrogênio total no solo. Os valores de carbono em ILP com plantio direto, ILP com aração recente no solo, e áreas de pastagem tiveram um incremento de 84%, 108% e 66%, respectivamente.

Foto: Edvaldo Sagrilo

Os pesquisadores atribuem esse resultado a dois fatores. Primeiro, o estudo foi conduzido em uma área de vegetação nativa baixa com manchas de pastagem e árvores esparsas, que geralmente apresentam baixa fertilidade natural e plantas com pequena capacidade de produzir biomassa, características da região. Assim, os sistemas de ILP e pastagem com Urochloa brizantha proporcionaram a entrada de um volume consistente de resíduos orgânicos. Outro fator apontado é o tempo de adoção desses sistemas de manejo conservacionistas ao longo dos anos, cerca de 16 anos. A literatura aponta que esses sistemas possuem maior potencial para armazenamento de carbono após mais de uma década de adoção.

Fernando Devicari, produtor de soja no município de Brejo (MA), adotou o sistema ILP há 15 anos e o ILPF há nove anos. “O motivo da gente iniciar com esse sistema é que o que a gente fazia não estava dando resultado. Temos um problema bem sério de matéria orgânica aqui na região. A principal cultura era o milho e a gente avaliava a matéria orgânica ano a ano e vinha reduzindo. Aqui, a época chuvosa é muito, muito quente, muito úmido, então essa palhada se degradava muito rápido e aí você fazia uma palhada boa assim para aumentar a matéria orgânica do solo, você ia medir na outra safra e tinha menos em que a safra anterior. A ideia era entrar com algum outro sistema que fosse mais robusto em relação à matéria orgânica e a gente encontrou a integração lavoura-pecuária”.

Hoje, o consórcio de milho e capim ocupa anualmente cerca de 20% da propriedade de Devicari o que o fez perceber melhorias em relação à qualidade do solo. “Quando avaliamos o solo nas áreas em que começamos primeiro, a temos o dobro de matéria orgânica. Então, em áreas da ILP, dobramos a quantidade de matéria orgânica”. Devicari também afirma que, em função dessa mudança, colhe 7,8 sacas de soja a mais por hectare.

Sagrilo explica que embora os resultados apresentados tenham sido obtidos em uma condição e local específicos do Matopiba, o conceito de sustentabilidade embutido nas técnicas utilizadas pode ser extrapolado para outras áreas de Cerrado. “Na verdade, estudos similares vem sendo desenvolvidos em outras regiões do Matopiba e fora dele têm demonstrado uma tendência similar de resultados, em que a adoção de sistemas integrados resulta em melhoria dos indicadores de sustentabilidade produtiva e ambiental, comparados a sistemas convencionais”.

Foto de capa: Gabriel Faria

Fonte: Adriana Brandão/Embrapa Meio Norte



 

FONTE

Autor:Adriana Brandão/Embrapa Meio Norte

Site: Embrapa

Continue Reading

Sustentabilidade

Plantio do trigo prossegue e lavouras apresentam bom estabelecimento no RS – MAIS SOJA

Published

on


O plantio do trigo no Rio Grande do Sul prossegue de forma heterogênea, devido às condições meteorológicas nos últimos dias. Nas regiões onde ocorreram chuvas, foi possível a retomada da semeadura. Já onde as chuvas foram mais frequentes, a operação foi realizada apenas em curtas janelas de tempo firme. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18/06), nas lavouras com boa disponibilidade hídrica e temperaturas propícias, o estabelecimento e o desenvolvimento do trigo estão adequados. Já onde o tempo estável predominou, o excesso de umidade no solo, somado à alta nebulosidade e à elevada umidade do ar, limitou o progresso das máquinas de plantio.

A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar, e será divulgada na próxima segunda-feira (22/06). Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, as boas condições de umidade do solo proporcionam adequada germinação e estabelecimento inicial das plantas. De modo geral, as lavouras apresentam condição satisfatória, embora o desenvolvimento vegetativo inicial esteja abaixo do esperado, devido à baixa incidência de radiação solar, fator que reduz a evapotranspiração e limita a absorção de nutrientes pelo sistema radicular. Observa-se ainda a adoção de menor nível tecnológico nesta safra, caracterizada pela redução dos investimentos em adubação de base e cobertura como uma estratégia de diminuição de custos e mitigação de riscos. Essas áreas poderão ser utilizadas tanto para a produção de grãos quanto para cobertura do solo, conforme a evolução das condições climáticas.

Aveia-branca – A semeadura da aveia-branca está praticamente concluída na maior parte das regiões produtoras do Estado. Nas áreas implantadas precocemente, observa-se o início do perfilhamento, e os produtores realizam a adubação nitrogenada em cobertura. As condições meteorológicas seguem favorecendo a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento inicial das lavouras, que apresentam população de plantas satisfatória e reduzida ocorrência de pragas e doenças.

Canola – A implantação das lavouras está em conclusão e deverá se encerrar nos próximos dias. A disponibilidade de umidade no solo e a ocorrência de precipitações favoreceram a germinação das sementes, a emergência das plântulas e o estabelecimento de estandes adequados. Contudo, em algumas regiões, as temperaturas e a incidência de radiação solar mais baixas têm dificultado o desenvolvimento vegetativo inicial e o controle de plantas invasoras. Devido ao desempenho econômico obtido em ciclos anteriores e ao interesse dos produtores em diversificar as alternativas de cultivo no inverno, há perspectiva de expressiva ampliação da área cultivada, em comparação à safra passada por meio da adoção de sistemas de rotação.

CULTURAS DE VERÃO

Soja – A colheita da soja está tecnicamente encerrada no Estado. Restam apenas áreas pontuais de segunda safra, sem expressão significativa na safra. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, os produtores aguardam melhores condições de umidade para realizar a colheita. Nas demais regiões, as áreas colhidas estão sendo destinadas ao cultivo de forrageiras e de plantas de cobertura. Os produtores têm se dedicado aos cultivos de inverno e ao planejamento da próxima safra de verão.

Milho – A colheita está finalizada na maior parte do Estado, chegando a 99% da área cultivada. Restam poucas lavouras de implantação tardia e áreas de safrinha, que representam menos de 5% dos 56.571 hectares cultivados na região de Bagé. Os produtores estão planejando a próxima safra. Em Maçambará, a previsão de El Niño tem estimulado os produtores de sequeiro a investir na cultura.

Milho Silagem – A colheita está tecnicamente encerrada no Estado. Algumas lavouras inicialmente destinadas à produção de grãos foram utilizadas para ensilagem, em virtude dos efeitos das condições de clima, que resultaram na redução do potencial produtivo dessas áreas.

Feijão 2ª Safra – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, onde foram plantados mais de 900 hectares, a cultura está em fase de maturação de grãos. A ocorrência de geada poderá trazer algum prejuízo às lavouras, principalmente em áreas de baixadas. Na região de Ijuí, há lavouras ainda em maturação. Os produtores aguardam melhores condições para iniciar a colheita. Percebe-se pequena redução do potencial produtivo em relação ao estimado inicialmente, devido a alguns danos ocasionados por geada no período vegetativo e reprodutivo da cultura. O ritmo de colheita segue lento, mas a expectativa é de que se encerre ainda em junho.

OLERÍCOLAS

Alho – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, os produtores deram continuidade ao preparo dos canteiros e ao plantio das primeiras lavouras, embora esta prática tenha sido prejudicada por chuva e alta umidade do solo. Na região de Passo Fundo, continua o preparo do solo e a vernalização dos bulbos de alho para posterior plantio.

Mandioca – Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a cultura se encontra em colheita, apresentando, de modo geral, bom desenvolvimento. A alta umidade do solo tem provocado problemas pontuais de apodrecimento de raízes, especialmente em áreas mais adensadas e com menor drenagem, o que tem levado os produtores a anteciparem a colheita nessas áreas e a armazenar parte da produção congelada. Em função da previsão de geadas para os próximos dias, os produtores intensificaram o corte e o armazenamento das manivas em propriedades que ainda não tinham realizado a operação. A qualidade das raízes está satisfatória. Na região de Soledade, continua intensa a colheita da mandioca, favorecida pelas temperaturas amenas, que estendem a comercialização por mais tempo, além de protegerem as manivas. As agroindústrias trabalham intensamente para processamento do produto.

PASTAGENS E CRIAÇÕES

BOVINOCULTURA DE CORTE – Os rebanhos apresentam condição corporal de regular a boa. Houve recuperação nutricional em regiões favorecidas pela disponibilidade de pastagens cultivadas de inverno e pelo uso de suplementação. Já nas áreas com menor oferta e qualidade de forragem, especialmente em campo nativo, ocorre perda de condição corporal. O estado sanitário está satisfatório, e são realizadas ações de manejo e vacinação de rotina. O mercado está aquecido em função da oferta restrita de animais terminados e da forte demanda por reposição, embora os elevados custos de reposição tenham reduzido o interesse por novas aquisições em algumas regiões.

BOVINOCULTURA DE LEITE – Na maior parte do Estado, o desempenho da atividade está satisfatório, favorecido pela disponibilidade de forrageiras de outono-inverno e pela utilização de suplementação alimentar. Os rebanhos apresentam condição corporal e sanitária adequadas, com recuperação nutricional e aumento da produção em diversas regiões. Contudo, persistem as limitações pontuais relacionadas ao excesso de umidade e à menor oferta de forragem em algumas áreas.

OVINOCULTURA – As parições estão em andamento em diversas regiões, exigindo atenção dos produtores aos cuidados com cordeiros recém-nascidos e matrizes. Ainda há ocorrência de verminoses e problemas podais em áreas com elevada umidade. O mercado está aquecido, com boa liquidez e valorização dos ovinos, especialmente de cordeiros.

Fonte: Emater/RS



Continue Reading

Sustentabilidade

Preço do milho recua nos últimos cinco anos, enquanto custos de produção avançam e pressionam rentabilidade do produtor – MAIS SOJA

Published

on


A agricultura brasileira convive cada vez mais com os reflexos das instabilidades econômicas globais. Fatores climáticos, conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e mudanças nas políticas econômicas influenciam diretamente o desempenho do setor, especialmente de culturas com forte inserção no mercado internacional, como o milho.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, os últimos cinco anos foram marcados por um crescimento expressivo da área cultivada, da produção e da produtividade. Entretanto, apesar dos avanços produtivos, a rentabilidade do produtor rural não acompanhou o mesmo ritmo. A combinação entre queda nos preços do milho, aumento dos custos de produção e desvalorização do real vem reduzindo as margens e ampliando os desafios para quem produz.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a produção estadual de milho saltou de 32,56 milhões de toneladas na safra 2020/21 para uma estimativa de 53,35 milhões de toneladas na safra 2025/26. No mesmo período, a área cultivada passou de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares. O crescimento da produção foi impulsionado principalmente pelos ganhos de produtividade obtidos pelos produtores mato-grossenses.

Segundo o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o estado ampliou significativamente seu desempenho nos últimos anos. “Trabalhávamos em torno de 100 sacas por hectare e chegamos agora a 120 sacas por hectare. Nossa produção já ultrapassa 50 milhões de toneladas e, em alguns anos, superou até mesmo a produção de soja”, destaca.

Apesar da expansão produtiva, os preços do milho seguiram trajetória oposta. Em 2020, a média anual da saca foi de R$ 43,24. Em 2021, impulsionada por problemas climáticos, oferta restrita e forte demanda internacional, a cotação atingiu média de R$ 71,14 por saca, chegando a superar R$ 78 em alguns meses. A partir de 2022, porém, iniciou-se um movimento de acomodação do mercado. Em 2023, a média anual caiu para R$ 43,34 e, em 2024, ficou em R$ 41,33 por saca. Em 2026, considerando os valores registrados entre janeiro e junho, a média está em R$ 45,31.

Gilson observa que o produtor enfrentou uma forte oscilação de preços ao longo desse período. “Nos últimos cinco anos saímos da casa dos R$ 30, chegamos a R$ 70, tivemos picos próximos de R$ 80 e hoje trabalhamos novamente na faixa dos R$ 40. É uma oscilação muito grande”, afirma.

Entre os principais fatores que explicam o atual cenário de preços está o aumento da oferta de milho no Brasil. Além da expansão da produção em Mato Grosso, o país registrou safras recordes nos últimos anos, elevando os estoques e ampliando a disponibilidade do cereal. Para o diretor financeiro da Aprosoja MT, Nathan Belusso, o avanço da colheita da segunda safra intensifica ainda mais essa pressão.

“Historicamente, nessa época do ano, por conta do avanço da colheita do milho segunda safra, a pressão pelo excesso de oferta faz com que os preços tendam a cair”, explica. Nathan destaca ainda que o déficit de armazenagem e os gargalos logísticos contribuem para reduzir os preços pagos ao produtor. “O custo para armazenar aumenta e, consequentemente, o valor pago pelas tradings e armazenadores acaba sendo menor”, acrescenta.

Embora os preços permaneçam pressionados, a expansão das usinas de etanol de milho tem contribuído para dar sustentação ao mercado estadual. Segundo Gilson Antunes de Melo, a indústria de biocombustíveis já absorve uma parcela significativa da produção mato-grossense. “Este ano está estimado que as usinas processem cerca de 16 milhões de toneladas de milho, algo superior a 30% da produção estadual. Isso ajuda a equilibrar o mercado e dá maior segurança para o produtor”, afirma.

Desvalorização do real aumenta custos da produção

Se por um lado os preços do milho recuaram nos últimos anos, por outro os custos para produzir cresceram de forma consistente. Grande parte dos insumos utilizados na agricultura possui relação direta com o dólar, especialmente fertilizantes, defensivos agrícolas, peças, máquinas e combustíveis. Com a desvalorização do real frente à moeda norte-americana ao longo dos últimos anos, os custos de produção aumentaram significativamente.

Os números do Imea mostram essa evolução. O Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne desembolsos diretos da atividade, passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26, aumento superior a 42%. Já o Custo Total (CT), que considera também o custo de oportunidade do capital investido, avançou de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare no mesmo período, alta de aproximadamente 53%.

Os fertilizantes e corretivos seguem sendo o principal componente do custo de produção. Na safra 2021/22, representavam 34,55% do COE. Em 2025/26, responderam por 29,58% dos custos operacionais e permanecem como o item de maior peso para o produtor.

Segundo o produtor associado da Aprosoja MT pelo núcleo Vale do Arinos, Renato Tozzo, a atual relação entre preço do milho e custo de produção é uma das mais desafiadoras dos últimos anos. “Na minha visão, este está sendo o pior cenário dos últimos cinco anos. A margem está bastante apertada e os custos de fertilizantes, diesel e demais insumos continuam elevados”, afirma. Para ele, a inflação e a desvalorização da moeda brasileira agravam ainda mais o cenário. “A inflação vem impactando diretamente o agro. Fertilizantes, óleo diesel e outros insumos ficaram mais caros. Além disso, o ambiente econômico traz muitas incertezas para quem produz”, destaca.

O aumento dos custos vem reduzindo significativamente a rentabilidade do produtor. Dados do Imea mostram que o LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) saiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para apenas R$ 683,18 na safra 2025/26. Para a safra 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. Na prática, isso significa que o ganho financeiro do produtor está cada vez menor, mesmo diante do aumento da produtividade.

Na região de Itanhangá, o delegado coordenador do núcleo da Aprosoja MT, Ivam Franceschet, relata que os custos operacionais já consomem cerca de 100 sacas por hectare. “Hoje gastamos em torno de R$ 4.300 por hectare para produzir. O diesel está caro, o frete também está pesado e todos os custos aumentaram. Atualmente conseguimos algo entre 15 e 20 sacas por hectare de lucro. O ideal seria trabalhar entre 25 e 30 sacas”, avalia.

O cenário de margens apertadas pode trazer consequências para os próximos ciclos produtivos. Com menor capacidade financeira, muitos produtores tendem a reduzir investimentos em tecnologia, fertilização e manejo. Nathan Belusso alerta que a atual faixa de preços não é suficiente para garantir a sustentabilidade econômica da atividade. “Para que a produção de milho seja viável e permita ao produtor financiar a próxima safra, o preço deveria estar entre R$ 50 e R$ 55 por saca. Hoje estamos trabalhando entre R$ 38 e R$ 44, muito abaixo da necessidade do setor”, afirma.

O produtor acaba diminuindo a aplicação de fertilizantes e outros insumos. Isso pode refletir na produção das próximas safras”, explica. Mesmo diante das dificuldades, Mato Grosso segue consolidando sua posição como principal produtor de milho do país. O crescimento da produtividade, a expansão da indústria de etanol de milho e os investimentos em tecnologia reforçam a competitividade da produção estadual.

A Aprosoja MT avalia que o desafio para os próximos anos será encontrar mecanismos que permitam ao produtor preservar sua rentabilidade em um ambiente cada vez mais influenciado por fatores globais, garantindo a continuidade dos investimentos e a sustentabilidade econômica de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro.

Fonte: Aprosoja MT

Continue Reading

Sustentabilidade

Soja impulsiona exportações do Paraná e movimenta quase US$ 3 bilhões em cinco meses

Published

on


Foto: Governo Federal

O complexo soja segue sendo um dos principais motores da economia do Paraná. De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (18), as exportações paranaenses do setor somaram 6,72 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses de 2026, volume 8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando haviam sido embarcadas 6,2 milhões de toneladas.

O forte ritmo das exportações acelerou a comercialização da oleaginosa e ajudou a liberar espaço nos armazéns para a entrada da safra de milho. Em termos financeiros, o complexo soja gerou US$ 2,94 bilhões para a balança comercial do Paraná entre janeiro e maio, um crescimento de 18% em relação aos US$ 2,50 bilhões obtidos em igual período de 2025.

Segundo o analista do Deral, Edmar Gervasio, o óleo de soja foi um dos destaques do período. As exportações do produto alcançaram 338 mil toneladas, registrando aumento de 59% na receita.

“O desempenho do complexo soja também é positivo nacionalmente. As exportações brasileiras totalizaram 66,2 milhões de toneladas, crescimento de 7% em volume e de 15% em valor, movimentando mais de US$ 27 bilhões para a balança comercial do país”, destacou Gervasio.

  • Saiba as notícias mais recentes sobre a soja na comunidade Soja Brasil no WhatsApp!

Outros produtos

Além da soja, o boletim aponta outros segmentos em evidência no estado. O Paraná consolidou-se como o segundo maior produtor de urucum do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com uma produção de 1,6 mil toneladas em 1,4 mil hectares e um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 27,5 milhões. O município de Paranacity, principal produtor nacional, conquistou recentemente o selo de Indicação Geográfica (IG) de procedência junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Na avicultura, o Paraná manteve posição de destaque na produção de ovos, ocupando o terceiro lugar nacional, com 119,35 milhões de dúzias produzidas no primeiro trimestre de 2026, volume 1,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O estado segue líder absoluto na produção de ovos férteis para incubação, respondendo por 30,9% de toda a produção brasileira.

Já na avicultura de corte, a redução nos preços do milho e do farelo de soja trouxe um alívio aos custos de produção. Em maio, o custo do frango vivo no Paraná recuou para R$ 4,68 por quilo, ficando ligeiramente abaixo do preço médio recebido pelos produtores, de R$ 4,69 por quilo.

O boletim também destaca o avanço da atividade leiteira. O Paraná registrou crescimento de 8,8% na captação de leite no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando quase 1,1 bilhão de litros adquiridos pelas indústrias e reduzindo a distância em relação a Minas Gerais, principal produtor nacional.

O post Soja impulsiona exportações do Paraná e movimenta quase US$ 3 bilhões em cinco meses apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT