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18 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Dessecação sequencial: Estratégia eficaz para áreas altamente infestadas – MAIS SOJA

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O controle eficiente de plantas daninhas é indispensável para reduzir o impacto da matocompetição em culturas agrícolas. Além de reduzir significativamente a produtividade das culturas em função da competição por recursos ambientais, as plantas daninhas podem atuar como ponte verde para a sobrevivência de pragas e patógenos que acometem as lavouras, reduzindo também a qualidade dos grãos produzidos.

Algumas espécies de plantas daninhas possuem elevada habilidade competitiva, rápido crescimento e desenvolvimento, elevada produção de sementes e ainda casos de resistência a herbicidas. Espécies de difícil controle como Buva sp., Amaranthus sp. e Ambrosia artemisiifolia (cravorana) e capim-amargoso podem causar perdas expressivas na produção.

Dependendo da espécie e estádio em que matocompete com a cultura, uma planta de buva por m-2 pode causar perdas de produtividade de até 14% em soja, enquanto uma planta de capim-amargoso por m-2 pode reduzir em até 21% a produtividade da lavoura (Supra Pesquisa, 2019). Já espécies de caruru como o Amaranthus palmeri, podem causar perdas de produtividade de até 79% em soja, dependendo da densidade populacional da planta daninha (Gazziero & Silva, 2017).

Em função do rápido crescimento, desenvolvimento e elevada habilidade competitiva, o período anterior a interferência (PAI) de algumas espécies daninhas na cultura da soja é extremamente curto, a exemplo do capim-amargoso, que possui um PAI de 9 dias após a semeadura, considerando 5% de perda de produtividade (Piazentine, 2021). Nesse sentido, estabelecer a cultura “no limpo” (na ausência de plantas daninhas) é uma das principais estratégias de manejo para reduzir a interferência das plantas daninhas na cultura da soja, e para tanto, deve-se realizar uma adequada dessecação pré-semeadura.

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No entanto, embora a dessecação pré-semeadura seja uma prática indispensável para o controle de plantas daninhas no pré-plantio da soja, nem sempre apenas uma aplicação de herbicidas é suficiente para garantir um adequado controle das plantas daninhas. Entre outros aspectos, a eficiência dos herbicidas está condicionada ao estádio de desenvolvimento das planta daninha a ser controlada. No geral, plantas daninhas são melhor controladas quando as aplicações dos herbicidas ocorrer nos estádios iniciais do desenvolvimento vegetal, preferencialmente até 3 a 4 folhas desenvolvidas.

Figura 1. Estádio recomendado para o controle de caruru em pós-emergência.

Contudo, nem sempre é possível observar populações de plantas daninhas em condições similares de desenvolvimento para realizar o controle no momento adequado. Em função das variações ambientais e das espécies daninhas presentes nas áreas agrícolas, distintos fluxos de emergência podem ser observados na lavoura, resultando em populações heterogêneas de planta daninhas, o que dificulta o controle efetivo, uma vez que plantas de maior porte tendem a apresentar maior tolerância aos herbicidas.

Figura 2. Amaranthus hybridus em diferentes estádios de desenvolvimento.
Fonte: Fundação ABC (2020).

Atrelado a isso, a maioria das espécies problemáticas de plantas daninhas apresentam resistência aos principais herbicidas utilizados para a dessecação pré-semeadura, o que dificulta ainda mais o controle efetivo dessas populações. Como alternativa de manejo, a dessecação sequencial tem ganhado espaço e importância em áreas de cultivo, especialmente no sistema plantio direto.



O que é dessecação sequencial?

A dessecação sequencial consiste na realização de uma primeira aplicação de herbicidas sistêmicos entre 10 e 30 dias antes da semeadura, (dependendo das condições climáticas e do nível de infestação da área), seguida por uma segunda intervenção, realizada de dois a três dias antes da semeadura, utilizando um herbicida de contato, que pode ser associado ou não a produtos com efeito residual (herbicidas pré-emergentes), com o objetivo de garantir o controle efetivo das plantas daninhas remanescentes (Rizzardi, 2019).

Benefícios da dessecação sequencial

A dessecação sequencial permite o controle mais eficiente de elevadas populações de plantas daninhas, especialmente se tratando de plantas de grande porte. Um dos principais benefícios desse método é a possibilidade de realizar uma primeira aplicação que elimina a vegetação mais alta, abrindo espaço para que uma segunda aplicação, feita poucos dias antes da semeadura, atinja de forma mais eficiente as plantas rasteiras ou novos fluxos de emergência. Essa segunda aplicação também permite o controle de rebrotes e plantas que escaparam à primeira dessecação, proporcionando uma semeadura em área limpa, com menor competição inicial e maior uniformidade no estabelecimento da cultura (Rizzardi, 2019).

Além disso, plantas maiores, não controladas efetivamente na primeira aplicação de herbicidas, mas debilitadas, tendem a ser controladas pela aplicação subsequente. Outro benefício dessa prática, é a possibilidade de inserção de diferentes mecanismos de ação nas diferentes aplicações a fim de atender a necessidade de controlar espécies distintas e/ou espécies de difícil controle.

Nesse sentido, herbicidas como os inibidores da PROTOX, podem ser inseridos no programa de dessecação, de forma isolada ou associada a outros herbicidas, possibilitando uma atuação mais sinérgica no controle de espécies resistentes como a buva. Contudo, visando posicionar adequadamente esse grupo de herbicidas, é necessário conhecer as limitações do seu uso, dando atenção para o intervalo entre a aplicação e a semeadura da soja.

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Desde que realizada adequadamente, a dessecação sequencial permite reduzir as falhas de controle, evitando com que cenários como o da figura 3, sejam observados no momento a semeadura. Além disso, estudos demonstram que se tratando de espécies de difícil controle como a cravorana, e as demais supracitadas, a dessecação sequencial possibilita nível de controle iguais ou superiores a 90%  (Bianchi, 2020).

Figura 3. População de buva estabelecida na semeadura da soja.

Além do controle de elevadas populações de plantas daninhas, a dessecação sequencial permite reduzir os fluxos de emergência das plantas daninhas, quando herbicidas pré-emergentes são associados a dessecação. Conforme observado por Brunetto et al. (2023), o uso de produtos pré emergentes, como por exemplo Imazethapyr + Flumioxazin (Zethamaxx®), possibilitou o controle de 100% do caruru-roxo (Amaranthus  hybridus) aos 21 dias após o tratamento (tabela 1), demonstram a importância de se utilizar herbicidas pré-emergentes para reduzir os fluxos de emergência.

Tabela 1. Controle (%) de caruru-roxo (Amaranthus hybridus) em função da aplicação de herbicidas em pré-emergência das plantas.
*Médias seguidas de mesmas letras minúsculas na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.
Fonte: Brunetto et al. (2023)

Contudo, embora os pré-emergentes possam ser associados a herbicidas de contato na dessecação sequencial, vale destacar que o uso da dessecação sequencial com ou sem os pré-emergentes, não substitui a necessidade do controle pós-emergente de plantas daninhas em meio a cultura da soja, no entanto, favorece o estabelecimento da cultura no campo, possibilitando um bom desenvolvimento inicial, livre da competição com plantas daninhas.

Veja Mais: Dessecação pré-semeadura: Fundamentos e benefícios no manejo de plantas daninhas

Referências:

BIANCHI, M. A. DESSECAÇÃO DE LOSNA-DO-CAMPO (Ambrosia elatior). CCGL, Boletim Técnico, n. 83, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/Boletim%20T%C3%A9cnico%2083%20(M.Bianchi,%202020).pdf >, acesso em: 20/06/2025.

BRUNETTO, L. et al. MANEJO QUÍMICO DE CARURU-ROXO (Amaranthus hybridus) COM HERBICIDAS APLICADOS EM PRÉ E PÓS-EMERGÊNCIA. Weed Control Journal, 2023. Disponível em: < https://web.archive.org/web/20240224015416id_/https://www.weedcontroljournal.org/wp-content/uploads/articles_xml/2763-8332-wcj-22-e202300790/2763-8332-wcj-22-e202300790.pdf >, acesso em: 20/06/2025.

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GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 20/06/2025.

 PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRECE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL. Revista Fundação ABC, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 20/06/2025.

PIAZENTINE, A. E. PERÍODOS DE INTERFERÊNCIA DO CAPIM-AMARGOSO NA CULTURA DA SOJA E DO MILHO. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP, Dissertação de Mestrado, 2021. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/bb6e4558-e9ba-4c83-9816-4976be78e969/content >, acesso em: 20/06/2025.

RIZZARDI, M. A. DESSECAÇÃO PRÉ-SEMEADURA. Up. Herb, 2019. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/dessecacao-pre-semeadura#:~:text=A%20desseca%C3%A7%C3%A3o%20sequencial%20compreende%20a,antes%20da%20semeadura%20da%20cultura. >, acesso em: 20/06/2025.

SUPRA PESQUISA. INTERFERÊNCIA DA BUVA E CAPIM-AMARGOSO NA SOJA. Supra Pesquisa, 2019. Disponível em: < h https://drive.google.com/drive/folders/1c5_D4HcTMf59iK8043M3B06Fuv-M4bEr?fbclid=IwAR31wBNwoIMAmW1obmqtUY_pyg5CPN7HIqbOy4ODtHtb65CrlkJ0Hy3JRzI   >, acesso em: 20/06/2025.

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Plantio de soja no Paraná deve iniciar em ritmo acelerado, prevê consultoria

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Foto: Arquivo/Canal Rural

O Paraná deve iniciar a safra 2026/27 de soja em ritmo mais acelerado que outras importantes regiões produtoras do país.

Análise da consultoria Agro do Itaú BBA mostra que as previsões climáticas para as próximas semanas indicam volumes mais regulares de chuva no estado, favorecendo a reposição da umidade do solo e o avanço dos trabalhos de campo.

O cenário contrasta com o observado em parte do Centro-Oeste e da Região Norte. Enquanto produtores paranaenses devem encontrar condições mais favoráveis para o plantio, estados como Mato Grosso e Rondônia ainda convivem com precipitações irregulares e distribuídas de forma desigual, o que tende a resultar em uma semeadura mais gradual ao longo de setembro.

Segundo a consultoria, além das condições climáticas, o mercado inicia a nova temporada em um ambiente de preços mais sustentados. Em agosto, a soja em Sorriso (MT) registrou preço médio de R$ 129 por saca, alta de 7,9%, impulsionada pela valorização das cotações em Chicago e do câmbio, além dos prêmios de exportação firmes e da demanda ativa nos portos e no mercado interno.

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Já no cenário internacional, o mercado segue relativamente equilibrado. Segundo o especialista da consultoria do Itaú BBA Francisco Queiroz, embora os principais produtores mantenham expectativas de oferta robusta para a temporada 2026/27, o crescimento da produção continua sendo absorvido pela demanda global, especialmente pela China.

Como resultado disso, os estoques globais foram ligeiramente revisados para baixo, preservando um quadro considerado apertado para os padrões históricos.

“A evolução do clima será determinante para o ritmo de implantação da safra brasileira. Neste momento, o Paraná reúne condições mais favoráveis para o avanço do plantio, o que pode colocar o estado em uma posição de destaque no início da temporada. Ao mesmo tempo, o mercado continua acompanhando uma combinação de demanda internacional resiliente e estoques globais relativamente ajustados, fatores importantes para a formação dos preços nos próximos meses”, finaliza.  

Na safra 2025/26, o estado colheu 21,9 milhões de toneladas da oleaginosa, com produtividade média de 3.777 kg por hectare (63 sacas/ha), conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Soja sobe nos portos brasileiros, mas produtor segura vendas à espera de preços maiores

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O mercado brasileiro de soja apresentou poucas variações nesta quinta-feira (17), com negócios ocorrendo principalmente nos portos, onde os preços tiveram leve melhora. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca, porém, que não foram
indicados grandes volumes negociados.

Os prêmios permaneceram nos mesmos patamares, enquanto as cotações oscilaram entre estáveis e levemente mais altas. No físico, a movimentação continuou limitada.

“O produtor está olhando para um porto que pode chegar a R$ 170,00 por saca”, destaca Silveira. Segundo o analista, essa expectativa de preços ainda mais altos mantém os vendedores cautelosos para negociar o restante dos lotes.

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 154,00 para R$ 154,50.
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 155,00 para R$ 155,50.
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 151,50 para R$ 152,00.
  • Rondonópolis (MT): permaneceu em R$ 147,00.
  • Dourados (MS): permaneceu em R$ 147,00.
  • Rio Verde (GO): permaneceu em R$ 148,00.
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 162,50 para R$ 163,00.
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 163,00 para R$ 163,50.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam mistos na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta quinta-feira (17). A sessão foi bastante volátil, com as cotações oscilando em uma estreita margem. Do lado positivo, o bom desempenho do farelo e a expectativa favorável em relação à demanda chinesa. A queda do petróleo e um movimento de realização de lucros pressionaram.

A proximidade da reunião da próxima semana entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping manteve as atenções voltadas para a demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse na terça-feira que planejava se reunir com seu homólogo chinês, He Lifeng, neste fim de semana, antes da reunião entre os líderes na próxima semana.

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As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2026/27, com início em 1º de setembro, ficaram em 1.702.000 toneladas na semana encerrada em 10 de setembro. A China liderou as compras, com 875.300 toneladas. Analistas esperavam exportações entre 900 mil e 2,4 milhões de toneladas.

Contratos da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 0,75 centavo de dólar ou 0,05%, a US$ 13,19 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,37 por bushel, com retração de 0,25 centavo de dólar ou 0,01%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 5,70 ou 1,55% a US$ 371,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 69,15 centavos de dólar, com perda de 0,52 centavo ou 0,74%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,25%, sendo negociado a R$ 5,1393 para venda e a R$ 5,1373 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1253 e a máxima de R$ 5,1773.

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Quais impactos esperar da Lei Complementar 235/26 no setor de fertilizantes? – MAIS SOJA

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Uma lei de importante impacto econômico para o setor agrícola foi sancionada pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, sem vetos. A Lei Complementar 235/26 tem como principais objetivos, mitigar impactos econômicos no mercado internacional de energia, decorrentes do atual conflito do Oriente Médio (Agência Câmara de Notícias, 2026). A lei excepcionaliza os benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes e à realização da Copa do Mundo Feminina, e dá outras providências (Agência Câmara de Notícias, 2026).

A lei complementar prevê até R$ 5 bilhoes em créditos fiscais para projetos de produção de fertilizantes e bioinsumos entre 2027 e 2031. Dada a dependência nacional da maioria dos fertilizantes utilizados na agricultura, a lei pode impactar o mercado nacional de fertilizantes, proporcionando maior autonomia nacional da cadeia produtiva. Além do estímulo à produção de fertilizantes, a da Lei Complementar 235/26 prevê medidas importantes como a desoneração de combustíveis, adiamento de IBS/CBS para operações com produtos agropecuários, redução da porcentagem mínima de exportação para enquadramento de empresas como “predominantemente exportadoras”, entre outras medidas (figura 1).

Figura 1. Principais medidas revistas na Lei Complementar 235/26.
Fonte: Agência Câmara de Notícias (2026)

Sobretudo, mesmo com a aporte considerável de créditos, o comportamento do mercado nacional e fertilizantes frente a adoção da lei e como ela passa a influenciar no cultivo das culturas agrícolas é uma dúvida atual. Para elucidas essas e outras questões a respeito dos impactos da Lei Complementar 235/26, a equipe Mais Soja realizou uma entrevista com Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Mineração e especialista no ramo, com experiencia em gestão e desenvolvimento de negócios.

Figura 2. Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Mineração.
Fonte: Massari Mineração

Quando questionado se o volume de até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para fertilizantes entre 2027 e 2031 é suficiente para estimular novos investimentos no setor, Saurin respondeu: “É um volume relevante e capaz de melhorar a viabilidade de novos projetos, mas não é suficiente, isoladamente, diante da dimensão do desafio brasileiro. A medida pode reduzir parte do risco de empreendimentos que exigem investimentos elevados e apresentam longos prazos de implantação e retorno. Projetos de mineração e fertilizantes são intensivos em capital e enfrentam riscos geológicos, ambientais, logísticos e regulatórios. Por isso, além do crédito fiscal, precisamos de previsibilidade, segurança jurídica, infraestrutura adequada, energia competitiva e processos de licenciamento eficientes.  Com a integração entre Massari e Morro Verde, estamos ampliando nossa capacidade produtiva porque acreditamos que existe espaço para aumentar a oferta nacional e reduzir a vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional. Vejo, portanto, os incentivos como instrumentos importantes para viabilizar e acelerar projetos necessários ao país, desde que integrados a uma política de longo prazo.

Já com relação aos impactos da lei, e como a medida pode reduzir a dependência brasileira das importações de fertilizantes, Saurin destaca que “o principal caminho é aumentar a produção no próprio país. A elevada dependência das importações deixa o produtor brasileiro mais exposto às variações dos preços internacionais, do câmbio e dos fretes, além de conflitos geopolíticos e possíveis problemas de abastecimento. Precisamos aproveitar melhor nossas reservas de fosfato, potássio, cálcio, magnésio, e outros minerais, desenvolvendo soluções adaptadas aos solos e à agricultura tropical brasileira. Não se trata apenas de substituir um produto importado por outro nacional, mas de utilizar melhor os recursos existentes no país e aumentar a eficiência agronômica na aplicação dos nutrientes. É justamente nesse ponto que iniciativas como as da Massari Fértil e da Morro Verde ganham importância. Estamos ampliando a produção nacional e desenvolvendo soluções que combinam matérias-primas, tecnologia, micronização e conhecimento agronômico. A LC 235 de 2026 pode acelerar esse movimento, embora a redução da dependência seja um processo de longo prazo, que exige investimentos contínuos em capacidade produtiva, pesquisa, infraestrutura e logística”.

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 E quais seriam os segmentos da cadeia de fertilizantes mais beneficiados pelos incentivos previstos na lei? De acordo com Saurin, “a medida alcança diferentes segmentos ligados à produção nacional de fertilizantes e de matérias-primas. Entre os que podem receber maior impulso estão os fertilizantes e as matérias-primas nacionais, os fosfatos naturais, os remineralizadores, os biofertilizantes e os bioinsumos, além dos projetos de modernização e ampliação de unidades produtivas. Os fertilizantes fosfatados e as matérias-primas produzidas no Brasil têm papel estratégico nesse processo. Essa é uma área em que a Massari Fértil e a Morro Verde vêm investindo e ampliando sua atuação, porque o país possui reservas, conhecimento e condições para aumentar a produção e depender menos do mercado externo. Os critérios de seleção deveriam priorizar projetos com capacidade efetiva de gerar volume, escala, eficiência agronômica, inovação e substituição de importações. Também é importante assegurar espaço para diferentes produtores, tecnologias e regiões, fortalecendo uma cadeia diversificada e mais segura”.

 Marcado Nacional X Mercado Internacional de fertilizantes

A partir dos incentivos previstos na LC 235/2026, pode-se esperar que os fertilizantes produzidos no Brasil se tornem mais competitivos em relação aos importados? Saurin explica que, “existe esse potencial, mas é importante não confundir incentivo fiscal com a competitividade estrutural de que o setor precisa no longo prazo. Para empresas que já investem em produção nacional, um ambiente com custos e riscos menores pode acelerar projetos, estimular a modernização das unidades e permitir ganhos de escala. Com maior escala, torna-se possível diluir custos e competir em melhores condições com o produto importado. Ao mesmo tempo, outros fatores têm peso decisivo, como os custos de energia e logística, o acesso às matérias-primas, a infraestrutura, a tecnologia, o licenciamento e a segurança jurídica. O incentivo pode dar um impulso importante, mas não substitui a necessidade de enfrentar esses gargalos. O objetivo deve ser construir uma indústria nacional estruturalmente competitiva, capaz de se sustentar no longo prazo, mesmo após o encerramento dos incentivos”.

Considerando o histórico de dependência externa, e iniciativas anteriores como Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola de 1974 e o Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 o que diferencia a Lei Complementar 235/2026 das medidas anteriores e como evitar que ela repita resultados limitados?

O CEO da Massari Fértil explica que “a principal diferença é a criação de um instrumento fiscal diretamente associado à realização de projetos produtivos. A lei estabelece uma janela de incentivos entre 2027 e 2031, enquanto o Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 definiu uma estratégia de longo prazo, com horizonte até 2050. O diferencial não será apenas conceder o crédito, mas selecionar projetos capazes de efetivamente acrescentar produção, tecnologia e capacidade instalada. Sem regulamentação rápida, previsibilidade orçamentária e acompanhamento das contrapartidas, existe o risco de repetirmos planos corretos no diagnóstico, mas limitados na execução. A experiência mostra que o incentivo, sozinho, não resolve. O Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola de 1974 já buscava ampliar e modernizar a indústria nacional. Para que a nova medida produza resultados mais consistentes, ela precisa ser acompanhada por infraestrutura, energia competitiva, acesso às matérias-primas, licenciamento eficiente, financiamento e segurança para quem está disposto a investir no longo prazo. O resultado deve ser avaliado pelo aumento efetivo da produção e da capacidade instalada, pelo avanço tecnológico e pela redução concreta da vulnerabilidade externa. É isso que pode transformar o incentivo em uma verdadeira política industrial”.

 Redução da dependência externa 

Essa medida constitui uma iniciativa sólida na busca pela independência nacional no campo de fertilizantes ou mesmo com a medida a agricultura brasileira ainda irá depender majoritariamente dos fertilizantes importados? 

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 De acordo com Saurin, “é uma iniciativa importante para aumentar a autonomia do Brasil, mas ainda estamos longe de alcançar independência em relação aos fertilizantes importados. Somos um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, e a produção nacional ainda não consegue atender integralmente à demanda. O caminho passa por fortalecer empresas e projetos que já estão aumentando a oferta interna. Com a integração entre Massari e Morro Verde, temos capacidade superior a 3 milhões de toneladas por ano e planejamos alcançar 5 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos. Isso demonstra que há capacidade e disposição para investir no Brasil, mas também evidencia a dimensão do desafio nacional. Por isso, é mais realista falar em segurança de abastecimento, autonomia e menor vulnerabilidade do que em autossuficiência. O Brasil continuará participando do mercado internacional, mas pode reduzir sua exposição ao ampliar a produção interna, diversificar matérias-primas, tecnologias e fornecedores e aproveitar melhor suas próprias reservas minerais.

Finalizando a entrevista, Saurin foi questionado quanto a possíveis impactos negativos no setor. Apesar dos benefícios esperados, a Lei Complementar 235/2026 pode gerar impactos negativos ou efeitos não desejados no longo prazo?  “Todo incentivo fiscal precisa ser acompanhado de perto. Um dos riscos é o benefício sustentar projetos que não se tornem competitivos após o seu encerramento. Também é necessário evitar a captura dos recursos por poucos grupos, o financiamento de capacidades apenas anunciadas, mas não efetivamente implantadas, e a criação de competição desigual entre empresas beneficiadas e produtores nacionais que não consigam acessar o programa. Os investimentos também não devem ficar excessivamente concentrados em poucos projetos ou regiões. Uma cadeia diversificada, com diferentes produtores, matérias-primas e tecnologias, aumenta a segurança de abastecimento. Ao mesmo tempo, a expansão da produção precisa caminhar com eficiência, inovação e responsabilidade ambiental. O programa deve medir toneladas efetivamente adicionadas, investimentos executados, ganhos de produtividade, empregos, conteúdo nacional e redução concreta da exposição externa. Benefício fiscal sem contrapartida mensurável não pode ser considerado política industrial.  Com metas claras, acompanhamento dos investimentos e avaliação periódica dos resultados, será possível direcionar o recurso público para a construção de uma indústria nacional mais competitiva e capaz de oferecer maior segurança ao agronegócio brasileiro. O Brasil não deve tentar apenas reproduzir internamente a matriz de fertilizantes importados. Precisa aproveitar suas reservas minerais, sua capacidade tecnológica e o conhecimento acumulado sobre solos tropicais para desenvolver uma matriz de fertilização mais diversificada, eficiente e segura”.

A Lei Complementar Nº 235, de 27 de Agosto de 2026 pode ser acessada clicando aqui!



Referências:

AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 235, DE 27 DE AGOSTO DE 2026. Agência Câmara de Notícias, 2026. Disponível em: < https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leicom/2026/leicomplementar-235-27-agosto-2026-799870-norma-pl.html >, acesso em: 17/09/2026.

AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. NOVA LEI REDUZ TRIBUTOS SOBRE COMBUSTÍVEIS E PREVÊ INCENTIVOS PARA FERTILIZANTES. Agência Câmara de Notícias, 2026. Disponível em: < https://www.camara.leg.br/noticias/1301020-nova-lei-reduz-tributos-sobre-combustiveis-e-preve-incentivos-para-fertilizantes >, acesso em: 17/09/2026.

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Redação: Equipe Mais Soja.

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