Sustentabilidade
Dessecação sequencial: Estratégia eficaz para áreas altamente infestadas – MAIS SOJA

O controle eficiente de plantas daninhas é indispensável para reduzir o impacto da matocompetição em culturas agrícolas. Além de reduzir significativamente a produtividade das culturas em função da competição por recursos ambientais, as plantas daninhas podem atuar como ponte verde para a sobrevivência de pragas e patógenos que acometem as lavouras, reduzindo também a qualidade dos grãos produzidos.
Algumas espécies de plantas daninhas possuem elevada habilidade competitiva, rápido crescimento e desenvolvimento, elevada produção de sementes e ainda casos de resistência a herbicidas. Espécies de difícil controle como Buva sp., Amaranthus sp. e Ambrosia artemisiifolia (cravorana) e capim-amargoso podem causar perdas expressivas na produção.
Dependendo da espécie e estádio em que matocompete com a cultura, uma planta de buva por m-2 pode causar perdas de produtividade de até 14% em soja, enquanto uma planta de capim-amargoso por m-2 pode reduzir em até 21% a produtividade da lavoura (Supra Pesquisa, 2019). Já espécies de caruru como o Amaranthus palmeri, podem causar perdas de produtividade de até 79% em soja, dependendo da densidade populacional da planta daninha (Gazziero & Silva, 2017).
Em função do rápido crescimento, desenvolvimento e elevada habilidade competitiva, o período anterior a interferência (PAI) de algumas espécies daninhas na cultura da soja é extremamente curto, a exemplo do capim-amargoso, que possui um PAI de 9 dias após a semeadura, considerando 5% de perda de produtividade (Piazentine, 2021). Nesse sentido, estabelecer a cultura “no limpo” (na ausência de plantas daninhas) é uma das principais estratégias de manejo para reduzir a interferência das plantas daninhas na cultura da soja, e para tanto, deve-se realizar uma adequada dessecação pré-semeadura.
No entanto, embora a dessecação pré-semeadura seja uma prática indispensável para o controle de plantas daninhas no pré-plantio da soja, nem sempre apenas uma aplicação de herbicidas é suficiente para garantir um adequado controle das plantas daninhas. Entre outros aspectos, a eficiência dos herbicidas está condicionada ao estádio de desenvolvimento das planta daninha a ser controlada. No geral, plantas daninhas são melhor controladas quando as aplicações dos herbicidas ocorrer nos estádios iniciais do desenvolvimento vegetal, preferencialmente até 3 a 4 folhas desenvolvidas.
Figura 1. Estádio recomendado para o controle de caruru em pós-emergência.
Contudo, nem sempre é possível observar populações de plantas daninhas em condições similares de desenvolvimento para realizar o controle no momento adequado. Em função das variações ambientais e das espécies daninhas presentes nas áreas agrícolas, distintos fluxos de emergência podem ser observados na lavoura, resultando em populações heterogêneas de planta daninhas, o que dificulta o controle efetivo, uma vez que plantas de maior porte tendem a apresentar maior tolerância aos herbicidas.
Figura 2. Amaranthus hybridus em diferentes estádios de desenvolvimento.

Atrelado a isso, a maioria das espécies problemáticas de plantas daninhas apresentam resistência aos principais herbicidas utilizados para a dessecação pré-semeadura, o que dificulta ainda mais o controle efetivo dessas populações. Como alternativa de manejo, a dessecação sequencial tem ganhado espaço e importância em áreas de cultivo, especialmente no sistema plantio direto.
O que é dessecação sequencial?
A dessecação sequencial consiste na realização de uma primeira aplicação de herbicidas sistêmicos entre 10 e 30 dias antes da semeadura, (dependendo das condições climáticas e do nível de infestação da área), seguida por uma segunda intervenção, realizada de dois a três dias antes da semeadura, utilizando um herbicida de contato, que pode ser associado ou não a produtos com efeito residual (herbicidas pré-emergentes), com o objetivo de garantir o controle efetivo das plantas daninhas remanescentes (Rizzardi, 2019).
Benefícios da dessecação sequencial
A dessecação sequencial permite o controle mais eficiente de elevadas populações de plantas daninhas, especialmente se tratando de plantas de grande porte. Um dos principais benefícios desse método é a possibilidade de realizar uma primeira aplicação que elimina a vegetação mais alta, abrindo espaço para que uma segunda aplicação, feita poucos dias antes da semeadura, atinja de forma mais eficiente as plantas rasteiras ou novos fluxos de emergência. Essa segunda aplicação também permite o controle de rebrotes e plantas que escaparam à primeira dessecação, proporcionando uma semeadura em área limpa, com menor competição inicial e maior uniformidade no estabelecimento da cultura (Rizzardi, 2019).
Além disso, plantas maiores, não controladas efetivamente na primeira aplicação de herbicidas, mas debilitadas, tendem a ser controladas pela aplicação subsequente. Outro benefício dessa prática, é a possibilidade de inserção de diferentes mecanismos de ação nas diferentes aplicações a fim de atender a necessidade de controlar espécies distintas e/ou espécies de difícil controle.
Nesse sentido, herbicidas como os inibidores da PROTOX, podem ser inseridos no programa de dessecação, de forma isolada ou associada a outros herbicidas, possibilitando uma atuação mais sinérgica no controle de espécies resistentes como a buva. Contudo, visando posicionar adequadamente esse grupo de herbicidas, é necessário conhecer as limitações do seu uso, dando atenção para o intervalo entre a aplicação e a semeadura da soja.
Desde que realizada adequadamente, a dessecação sequencial permite reduzir as falhas de controle, evitando com que cenários como o da figura 3, sejam observados no momento a semeadura. Além disso, estudos demonstram que se tratando de espécies de difícil controle como a cravorana, e as demais supracitadas, a dessecação sequencial possibilita nível de controle iguais ou superiores a 90% (Bianchi, 2020).
Figura 3. População de buva estabelecida na semeadura da soja.

Além do controle de elevadas populações de plantas daninhas, a dessecação sequencial permite reduzir os fluxos de emergência das plantas daninhas, quando herbicidas pré-emergentes são associados a dessecação. Conforme observado por Brunetto et al. (2023), o uso de produtos pré emergentes, como por exemplo Imazethapyr + Flumioxazin (Zethamaxx®), possibilitou o controle de 100% do caruru-roxo (Amaranthus hybridus) aos 21 dias após o tratamento (tabela 1), demonstram a importância de se utilizar herbicidas pré-emergentes para reduzir os fluxos de emergência.
Tabela 1. Controle (%) de caruru-roxo (Amaranthus hybridus) em função da aplicação de herbicidas em pré-emergência das plantas.

Fonte: Brunetto et al. (2023)
Contudo, embora os pré-emergentes possam ser associados a herbicidas de contato na dessecação sequencial, vale destacar que o uso da dessecação sequencial com ou sem os pré-emergentes, não substitui a necessidade do controle pós-emergente de plantas daninhas em meio a cultura da soja, no entanto, favorece o estabelecimento da cultura no campo, possibilitando um bom desenvolvimento inicial, livre da competição com plantas daninhas.
Veja Mais: Dessecação pré-semeadura: Fundamentos e benefícios no manejo de plantas daninhas
Referências:
BIANCHI, M. A. DESSECAÇÃO DE LOSNA-DO-CAMPO (Ambrosia elatior). CCGL, Boletim Técnico, n. 83, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/Boletim%20T%C3%A9cnico%2083%20(M.Bianchi,%202020).pdf >, acesso em: 20/06/2025.
BRUNETTO, L. et al. MANEJO QUÍMICO DE CARURU-ROXO (Amaranthus hybridus) COM HERBICIDAS APLICADOS EM PRÉ E PÓS-EMERGÊNCIA. Weed Control Journal, 2023. Disponível em: < https://web.archive.org/web/20240224015416id_/https://www.weedcontroljournal.org/wp-content/uploads/articles_xml/2763-8332-wcj-22-e202300790/2763-8332-wcj-22-e202300790.pdf >, acesso em: 20/06/2025.
GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 20/06/2025.
PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRECE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL. Revista Fundação ABC, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 20/06/2025.
PIAZENTINE, A. E. PERÍODOS DE INTERFERÊNCIA DO CAPIM-AMARGOSO NA CULTURA DA SOJA E DO MILHO. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – UNESP, Dissertação de Mestrado, 2021. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/bb6e4558-e9ba-4c83-9816-4976be78e969/content >, acesso em: 20/06/2025.
RIZZARDI, M. A. DESSECAÇÃO PRÉ-SEMEADURA. Up. Herb, 2019. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/dessecacao-pre-semeadura#:~:text=A%20desseca%C3%A7%C3%A3o%20sequencial%20compreende%20a,antes%20da%20semeadura%20da%20cultura. >, acesso em: 20/06/2025.
SUPRA PESQUISA. INTERFERÊNCIA DA BUVA E CAPIM-AMARGOSO NA SOJA. Supra Pesquisa, 2019. Disponível em: < h https://drive.google.com/drive/folders/1c5_D4HcTMf59iK8043M3B06Fuv-M4bEr?fbclid=IwAR31wBNwoIMAmW1obmqtUY_pyg5CPN7HIqbOy4ODtHtb65CrlkJ0Hy3JRzI >, acesso em: 20/06/2025.

Sustentabilidade
Plantio do trigo prossegue e lavouras apresentam bom estabelecimento no RS – MAIS SOJA

O plantio do trigo no Rio Grande do Sul prossegue de forma heterogênea, devido às condições meteorológicas nos últimos dias. Nas regiões onde ocorreram chuvas, foi possível a retomada da semeadura. Já onde as chuvas foram mais frequentes, a operação foi realizada apenas em curtas janelas de tempo firme. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18/06), nas lavouras com boa disponibilidade hídrica e temperaturas propícias, o estabelecimento e o desenvolvimento do trigo estão adequados. Já onde o tempo estável predominou, o excesso de umidade no solo, somado à alta nebulosidade e à elevada umidade do ar, limitou o progresso das máquinas de plantio.
A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar, e será divulgada na próxima segunda-feira (22/06). Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, as boas condições de umidade do solo proporcionam adequada germinação e estabelecimento inicial das plantas. De modo geral, as lavouras apresentam condição satisfatória, embora o desenvolvimento vegetativo inicial esteja abaixo do esperado, devido à baixa incidência de radiação solar, fator que reduz a evapotranspiração e limita a absorção de nutrientes pelo sistema radicular. Observa-se ainda a adoção de menor nível tecnológico nesta safra, caracterizada pela redução dos investimentos em adubação de base e cobertura como uma estratégia de diminuição de custos e mitigação de riscos. Essas áreas poderão ser utilizadas tanto para a produção de grãos quanto para cobertura do solo, conforme a evolução das condições climáticas.
Aveia-branca – A semeadura da aveia-branca está praticamente concluída na maior parte das regiões produtoras do Estado. Nas áreas implantadas precocemente, observa-se o início do perfilhamento, e os produtores realizam a adubação nitrogenada em cobertura. As condições meteorológicas seguem favorecendo a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento inicial das lavouras, que apresentam população de plantas satisfatória e reduzida ocorrência de pragas e doenças.
Canola – A implantação das lavouras está em conclusão e deverá se encerrar nos próximos dias. A disponibilidade de umidade no solo e a ocorrência de precipitações favoreceram a germinação das sementes, a emergência das plântulas e o estabelecimento de estandes adequados. Contudo, em algumas regiões, as temperaturas e a incidência de radiação solar mais baixas têm dificultado o desenvolvimento vegetativo inicial e o controle de plantas invasoras. Devido ao desempenho econômico obtido em ciclos anteriores e ao interesse dos produtores em diversificar as alternativas de cultivo no inverno, há perspectiva de expressiva ampliação da área cultivada, em comparação à safra passada por meio da adoção de sistemas de rotação.
CULTURAS DE VERÃO
Soja – A colheita da soja está tecnicamente encerrada no Estado. Restam apenas áreas pontuais de segunda safra, sem expressão significativa na safra. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, os produtores aguardam melhores condições de umidade para realizar a colheita. Nas demais regiões, as áreas colhidas estão sendo destinadas ao cultivo de forrageiras e de plantas de cobertura. Os produtores têm se dedicado aos cultivos de inverno e ao planejamento da próxima safra de verão.
Milho – A colheita está finalizada na maior parte do Estado, chegando a 99% da área cultivada. Restam poucas lavouras de implantação tardia e áreas de safrinha, que representam menos de 5% dos 56.571 hectares cultivados na região de Bagé. Os produtores estão planejando a próxima safra. Em Maçambará, a previsão de El Niño tem estimulado os produtores de sequeiro a investir na cultura.
Milho Silagem – A colheita está tecnicamente encerrada no Estado. Algumas lavouras inicialmente destinadas à produção de grãos foram utilizadas para ensilagem, em virtude dos efeitos das condições de clima, que resultaram na redução do potencial produtivo dessas áreas.
Feijão 2ª Safra – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, onde foram plantados mais de 900 hectares, a cultura está em fase de maturação de grãos. A ocorrência de geada poderá trazer algum prejuízo às lavouras, principalmente em áreas de baixadas. Na região de Ijuí, há lavouras ainda em maturação. Os produtores aguardam melhores condições para iniciar a colheita. Percebe-se pequena redução do potencial produtivo em relação ao estimado inicialmente, devido a alguns danos ocasionados por geada no período vegetativo e reprodutivo da cultura. O ritmo de colheita segue lento, mas a expectativa é de que se encerre ainda em junho.
OLERÍCOLAS
Alho – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, os produtores deram continuidade ao preparo dos canteiros e ao plantio das primeiras lavouras, embora esta prática tenha sido prejudicada por chuva e alta umidade do solo. Na região de Passo Fundo, continua o preparo do solo e a vernalização dos bulbos de alho para posterior plantio.
Mandioca – Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a cultura se encontra em colheita, apresentando, de modo geral, bom desenvolvimento. A alta umidade do solo tem provocado problemas pontuais de apodrecimento de raízes, especialmente em áreas mais adensadas e com menor drenagem, o que tem levado os produtores a anteciparem a colheita nessas áreas e a armazenar parte da produção congelada. Em função da previsão de geadas para os próximos dias, os produtores intensificaram o corte e o armazenamento das manivas em propriedades que ainda não tinham realizado a operação. A qualidade das raízes está satisfatória. Na região de Soledade, continua intensa a colheita da mandioca, favorecida pelas temperaturas amenas, que estendem a comercialização por mais tempo, além de protegerem as manivas. As agroindústrias trabalham intensamente para processamento do produto.
PASTAGENS E CRIAÇÕES
BOVINOCULTURA DE CORTE – Os rebanhos apresentam condição corporal de regular a boa. Houve recuperação nutricional em regiões favorecidas pela disponibilidade de pastagens cultivadas de inverno e pelo uso de suplementação. Já nas áreas com menor oferta e qualidade de forragem, especialmente em campo nativo, ocorre perda de condição corporal. O estado sanitário está satisfatório, e são realizadas ações de manejo e vacinação de rotina. O mercado está aquecido em função da oferta restrita de animais terminados e da forte demanda por reposição, embora os elevados custos de reposição tenham reduzido o interesse por novas aquisições em algumas regiões.
BOVINOCULTURA DE LEITE – Na maior parte do Estado, o desempenho da atividade está satisfatório, favorecido pela disponibilidade de forrageiras de outono-inverno e pela utilização de suplementação alimentar. Os rebanhos apresentam condição corporal e sanitária adequadas, com recuperação nutricional e aumento da produção em diversas regiões. Contudo, persistem as limitações pontuais relacionadas ao excesso de umidade e à menor oferta de forragem em algumas áreas.
OVINOCULTURA – As parições estão em andamento em diversas regiões, exigindo atenção dos produtores aos cuidados com cordeiros recém-nascidos e matrizes. Ainda há ocorrência de verminoses e problemas podais em áreas com elevada umidade. O mercado está aquecido, com boa liquidez e valorização dos ovinos, especialmente de cordeiros.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Preço do milho recua nos últimos cinco anos, enquanto custos de produção avançam e pressionam rentabilidade do produtor – MAIS SOJA

A agricultura brasileira convive cada vez mais com os reflexos das instabilidades econômicas globais. Fatores climáticos, conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e mudanças nas políticas econômicas influenciam diretamente o desempenho do setor, especialmente de culturas com forte inserção no mercado internacional, como o milho.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, os últimos cinco anos foram marcados por um crescimento expressivo da área cultivada, da produção e da produtividade. Entretanto, apesar dos avanços produtivos, a rentabilidade do produtor rural não acompanhou o mesmo ritmo. A combinação entre queda nos preços do milho, aumento dos custos de produção e desvalorização do real vem reduzindo as margens e ampliando os desafios para quem produz.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a produção estadual de milho saltou de 32,56 milhões de toneladas na safra 2020/21 para uma estimativa de 53,35 milhões de toneladas na safra 2025/26. No mesmo período, a área cultivada passou de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares. O crescimento da produção foi impulsionado principalmente pelos ganhos de produtividade obtidos pelos produtores mato-grossenses.
Segundo o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o estado ampliou significativamente seu desempenho nos últimos anos. “Trabalhávamos em torno de 100 sacas por hectare e chegamos agora a 120 sacas por hectare. Nossa produção já ultrapassa 50 milhões de toneladas e, em alguns anos, superou até mesmo a produção de soja”, destaca.
Apesar da expansão produtiva, os preços do milho seguiram trajetória oposta. Em 2020, a média anual da saca foi de R$ 43,24. Em 2021, impulsionada por problemas climáticos, oferta restrita e forte demanda internacional, a cotação atingiu média de R$ 71,14 por saca, chegando a superar R$ 78 em alguns meses. A partir de 2022, porém, iniciou-se um movimento de acomodação do mercado. Em 2023, a média anual caiu para R$ 43,34 e, em 2024, ficou em R$ 41,33 por saca. Em 2026, considerando os valores registrados entre janeiro e junho, a média está em R$ 45,31.
Gilson observa que o produtor enfrentou uma forte oscilação de preços ao longo desse período. “Nos últimos cinco anos saímos da casa dos R$ 30, chegamos a R$ 70, tivemos picos próximos de R$ 80 e hoje trabalhamos novamente na faixa dos R$ 40. É uma oscilação muito grande”, afirma.
Entre os principais fatores que explicam o atual cenário de preços está o aumento da oferta de milho no Brasil. Além da expansão da produção em Mato Grosso, o país registrou safras recordes nos últimos anos, elevando os estoques e ampliando a disponibilidade do cereal. Para o diretor financeiro da Aprosoja MT, Nathan Belusso, o avanço da colheita da segunda safra intensifica ainda mais essa pressão.
“Historicamente, nessa época do ano, por conta do avanço da colheita do milho segunda safra, a pressão pelo excesso de oferta faz com que os preços tendam a cair”, explica. Nathan destaca ainda que o déficit de armazenagem e os gargalos logísticos contribuem para reduzir os preços pagos ao produtor. “O custo para armazenar aumenta e, consequentemente, o valor pago pelas tradings e armazenadores acaba sendo menor”, acrescenta.
Embora os preços permaneçam pressionados, a expansão das usinas de etanol de milho tem contribuído para dar sustentação ao mercado estadual. Segundo Gilson Antunes de Melo, a indústria de biocombustíveis já absorve uma parcela significativa da produção mato-grossense. “Este ano está estimado que as usinas processem cerca de 16 milhões de toneladas de milho, algo superior a 30% da produção estadual. Isso ajuda a equilibrar o mercado e dá maior segurança para o produtor”, afirma.
Desvalorização do real aumenta custos da produção
Se por um lado os preços do milho recuaram nos últimos anos, por outro os custos para produzir cresceram de forma consistente. Grande parte dos insumos utilizados na agricultura possui relação direta com o dólar, especialmente fertilizantes, defensivos agrícolas, peças, máquinas e combustíveis. Com a desvalorização do real frente à moeda norte-americana ao longo dos últimos anos, os custos de produção aumentaram significativamente.
Os números do Imea mostram essa evolução. O Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne desembolsos diretos da atividade, passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26, aumento superior a 42%. Já o Custo Total (CT), que considera também o custo de oportunidade do capital investido, avançou de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare no mesmo período, alta de aproximadamente 53%.
Os fertilizantes e corretivos seguem sendo o principal componente do custo de produção. Na safra 2021/22, representavam 34,55% do COE. Em 2025/26, responderam por 29,58% dos custos operacionais e permanecem como o item de maior peso para o produtor.
Segundo o produtor associado da Aprosoja MT pelo núcleo Vale do Arinos, Renato Tozzo, a atual relação entre preço do milho e custo de produção é uma das mais desafiadoras dos últimos anos. “Na minha visão, este está sendo o pior cenário dos últimos cinco anos. A margem está bastante apertada e os custos de fertilizantes, diesel e demais insumos continuam elevados”, afirma. Para ele, a inflação e a desvalorização da moeda brasileira agravam ainda mais o cenário. “A inflação vem impactando diretamente o agro. Fertilizantes, óleo diesel e outros insumos ficaram mais caros. Além disso, o ambiente econômico traz muitas incertezas para quem produz”, destaca.
O aumento dos custos vem reduzindo significativamente a rentabilidade do produtor. Dados do Imea mostram que o LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) saiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para apenas R$ 683,18 na safra 2025/26. Para a safra 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. Na prática, isso significa que o ganho financeiro do produtor está cada vez menor, mesmo diante do aumento da produtividade.
Na região de Itanhangá, o delegado coordenador do núcleo da Aprosoja MT, Ivam Franceschet, relata que os custos operacionais já consomem cerca de 100 sacas por hectare. “Hoje gastamos em torno de R$ 4.300 por hectare para produzir. O diesel está caro, o frete também está pesado e todos os custos aumentaram. Atualmente conseguimos algo entre 15 e 20 sacas por hectare de lucro. O ideal seria trabalhar entre 25 e 30 sacas”, avalia.
O cenário de margens apertadas pode trazer consequências para os próximos ciclos produtivos. Com menor capacidade financeira, muitos produtores tendem a reduzir investimentos em tecnologia, fertilização e manejo. Nathan Belusso alerta que a atual faixa de preços não é suficiente para garantir a sustentabilidade econômica da atividade. “Para que a produção de milho seja viável e permita ao produtor financiar a próxima safra, o preço deveria estar entre R$ 50 e R$ 55 por saca. Hoje estamos trabalhando entre R$ 38 e R$ 44, muito abaixo da necessidade do setor”, afirma.
O produtor acaba diminuindo a aplicação de fertilizantes e outros insumos. Isso pode refletir na produção das próximas safras”, explica. Mesmo diante das dificuldades, Mato Grosso segue consolidando sua posição como principal produtor de milho do país. O crescimento da produtividade, a expansão da indústria de etanol de milho e os investimentos em tecnologia reforçam a competitividade da produção estadual.
A Aprosoja MT avalia que o desafio para os próximos anos será encontrar mecanismos que permitam ao produtor preservar sua rentabilidade em um ambiente cada vez mais influenciado por fatores globais, garantindo a continuidade dos investimentos e a sustentabilidade econômica de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro.
Fonte: Aprosoja MT
Sustentabilidade
Soja impulsiona exportações do Paraná e movimenta quase US$ 3 bilhões em cinco meses

O complexo soja segue sendo um dos principais motores da economia do Paraná. De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (18), as exportações paranaenses do setor somaram 6,72 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses de 2026, volume 8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando haviam sido embarcadas 6,2 milhões de toneladas.
O forte ritmo das exportações acelerou a comercialização da oleaginosa e ajudou a liberar espaço nos armazéns para a entrada da safra de milho. Em termos financeiros, o complexo soja gerou US$ 2,94 bilhões para a balança comercial do Paraná entre janeiro e maio, um crescimento de 18% em relação aos US$ 2,50 bilhões obtidos em igual período de 2025.
Segundo o analista do Deral, Edmar Gervasio, o óleo de soja foi um dos destaques do período. As exportações do produto alcançaram 338 mil toneladas, registrando aumento de 59% na receita.
“O desempenho do complexo soja também é positivo nacionalmente. As exportações brasileiras totalizaram 66,2 milhões de toneladas, crescimento de 7% em volume e de 15% em valor, movimentando mais de US$ 27 bilhões para a balança comercial do país”, destacou Gervasio.
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Outros produtos
Além da soja, o boletim aponta outros segmentos em evidência no estado. O Paraná consolidou-se como o segundo maior produtor de urucum do Brasil, atrás apenas de São Paulo, com uma produção de 1,6 mil toneladas em 1,4 mil hectares e um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 27,5 milhões. O município de Paranacity, principal produtor nacional, conquistou recentemente o selo de Indicação Geográfica (IG) de procedência junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
Na avicultura, o Paraná manteve posição de destaque na produção de ovos, ocupando o terceiro lugar nacional, com 119,35 milhões de dúzias produzidas no primeiro trimestre de 2026, volume 1,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O estado segue líder absoluto na produção de ovos férteis para incubação, respondendo por 30,9% de toda a produção brasileira.
Já na avicultura de corte, a redução nos preços do milho e do farelo de soja trouxe um alívio aos custos de produção. Em maio, o custo do frango vivo no Paraná recuou para R$ 4,68 por quilo, ficando ligeiramente abaixo do preço médio recebido pelos produtores, de R$ 4,69 por quilo.
O boletim também destaca o avanço da atividade leiteira. O Paraná registrou crescimento de 8,8% na captação de leite no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, alcançando quase 1,1 bilhão de litros adquiridos pelas indústrias e reduzindo a distância em relação a Minas Gerais, principal produtor nacional.
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