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Monitoramento climático contribui para uma safra recorde de algodão

A colheita do algodão começou em boa parte das regiões produtoras no Brasil. Em Mato Grosso, responsável por cerca de 70% da produção da fibra, os trabalhos devem ganhar intensidade nos próximos dias. As projeções apontam recorde, tendo o monitoramento climático como contribuição para o resultado.
A previsão para a safra 2024/25 é que 3,9 milhões de toneladas de pluma sejam colhidas no Brasil, um crescimento de 5,7% em relação ao ciclo passado, de acordo com a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).
Em Mato Grosso, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), são projetadas 2,7 milhões de toneladas de pluma, 6,15% a mais que na safra 2023/24.
Em Mato Grosso, a colheita já começou, pontua o Imea, porém ainda em uma fase muito inicial até o momento.
“Não houve um avanço significativo para um desenvolvimento mais extenso da cultura, mas a expectativa é que nesta semana comece a colheita em algumas regiões com mais intensidade e de maneira mais significativa”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do Imea.
O monitoramento climático na fase final da lavoura é importante para não haver perdas de potencial produtivo, segundo especialistas. O relatório de junho da Conab aponta como o clima tem interferido na safra do país.
Em Minas Gerais o clima mais seco, a partir de junho, vem favorecendo a qualidade da fibra. Entretanto, para a Bahia a diminuição das chuvas tem restringido o desenvolvimento das lavouras, resultando em perdas de rendimento. Enquanto isso, o Mato Grosso do Sul enfrenta altos índices pluviométricos, o que exige um monitoramento constante de doenças, mas ao norte do estado, a colheita avança bem, uma vez que as chuvas regulares cessaram.
Especialistas apontam que o planejamento da colheita com base no clima é fundamental para garantir uma grande safra de algodão neste ano. A ocorrência de chuva neste período pode prejudicar a qualidade da fibra e trazer impactos negativos no processo de armazenamento da pluma. Por outro lado, se estiver muito seco e quente há maior risco para acidentes e focos de incêndio.
Para evitar perdas e obter o maior potencial das lavouras, o cotonicultor deve contar com as tecnologias já disponíveis no mercado. A integração de dados das estações meteorológicas das propriedades com modelos de previsão climática confiáveis (por talhão e por hora) é indicada para o sucesso desta fase final da safra.
“Cada vez mais, a tomada de decisão é feita com base em dados. É interessante unir as informações obtidas em um só local, para facilitar a análise. Além disso, o monitoramento das lavouras deve ser feito de maneira contínua, com a alimentação constante deste banco de dados que fica mais rico com o passar do tempo, fornecendo uma visão mais detalhada da realidade do campo”, explica Davi Köhntopp, pesquisador de Produtos Digitais do xarvio® Digital Farming Solutions, marca de agricultura digital da BASF Soluções para Agricultura.
Para reunir os dados de estações meteorológicas, previsão do tempo regionalizada com base em imagens de satélite e até dados das máquinas colhedoras o produtor pode contar com plataformas tecnológicas. Assim, é possível fazer a leitura das informações num mesmo local.
“Minimizar riscos na colheita é fundamental e o monitoramento climático é uma das ferramentas mais importantes desta etapa. Sabemos que o produtor colhe uma safra e já começa a pensar na próxima. Com as informações, é possível fazer comparações das áreas com mapas de potencial produtivo indicando os melhores talhões e onde será preciso investir mais nos próximos ciclos”, explica Davi.
A digitalização tem transformado o agronegócio com o uso de ferramentas tecnológicas para tomadas de decisão cruciais. Com base em tais dados, o produtor tem mais informações sobre manejos específicos, identificando gargalos e pontos de atenção para a próxima safra.
“Ao verificar a variabilidade da minha área e, considerando as previsões de problemas climáticos na safra, posso tomar decisões de manejo mais assertivas, como a semeadura em taxa variável, adiantar ou atrasar um plantio, ou até mesmo mudar a variedade a ser utilizada naquele talhão”, conclui Mariana Borges, gerente Técnica de Vendas do xarvio®.
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Pesquisa com 4,5 mil profissionais revela principais riscos éticos do agronegócio

O ato de manter uma conduta íntegra diante de pressões é chamado de resiliência ética no meio corporativo. Quando essa capacidade é menor, profissionais ficam mais vulneráveis a adotar atitudes condenáveis, algo que também ocorre no agronegócio em meio à pressão por produtividade, cumprimento de metas e continuidade das operações.
Esse diagnóstico é mostrado no novo recorte do Atlas PIR, estudo desenvolvido pela S2 Consultoria para mapear riscos comportamentais e éticos nas organizações.
Nesse cenário, o agronegócio registra Índice de Prontidão para Integridade e Resiliência (PIR) de 6,83, acima da média nacional de 6,75. Apesar do resultado, o setor apresenta situações em que a pressão por resultados e a necessidade de manter a operação funcionando podem fazer com que determinadas práticas inadequadas sejam incorporadas à rotina.
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Para chegar ao resultado, o Atlas PIR reuniu dados de 4.541 profissionais de 54 empresas do setor, em uma base nacional com mais de 48 mil respondentes de diferentes segmentos econômicos.
“O dado mais importante do estudo é que o agronegócio apresenta boa capacidade de resistência ética, mas também um conjunto de condições que favorecem racionalizações previsíveis. O problema não nasce da intenção de cometer desvios. Ele surge quando a cobrança por resultados faz determinadas exceções parecerem naturais ou inevitáveis”, afirma a psicóloga e sócia da S2, Alessandra Costa.
Principais desafios éticos
Entre os principais dilemas identificados pelo estudo está o vazamento de informações, que registra 21,9% de baixa resiliência ética no nível tático. O estudo indica que esses profissionais podem ter mais dificuldade para manter uma conduta ética quando estão em situações delicadas.
Nesse caso, o dilema envolve decidir entre preservar a confidencialidade de dados sobre safras, produtividade, negociações e clientes ou compartilhar informações para agilizar processos. Em cadeias produtivas conectadas, esse compartilhamento pode ser visto como uma forma de colaboração, fazendo com que o risco do comportamento pareça menor.
Na segunda posição aparecem as demonstrações fraudulentas, com 17,1% de baixa resiliência no nível tático. Conforme o estudo, a pressão por produtividade e resultados pode incentivar ajustes em indicadores, relatórios ou interpretações de desempenho para evitar impactos em metas, bônus ou contratos.
Segundo o levantamento, o risco não está necessariamente na fabricação de dados, mas na repetição de pequenos ajustes que passam a ser vistos como parte legítima da gestão.
O terceiro principal risco é o assédio moral, que registra 16,2% de baixa resiliência entre profissionais do nível operacional. O Atlas PIR aponta que ambientes marcados por forte exigência produtiva podem normalizar cobranças agressivas e outras práticas de gestão abusivas. Nesse cenário, comportamentos inadequados podem ser incorporados ao cotidiano como uma forma de garantir resultados.
Também aparecem entre os dilemas do setor os presentes e favorecimentos, com 13,6% de baixa resiliência no nível operacional, e os conflitos de interesse, que alcançam 13,1% no nível tático. A forte dependência de relações de longo prazo, característica marcante do agronegócio, pode dificultar a percepção dos limites entre parceria, favorecimento e independência nas decisões.
Entretanto, o maior bolsão de risco do setor está no nível tático, formado por profissionais que conciliam autonomia técnica, cobrança por resultados, controle de informações e relacionamento com terceiros. De acordo com Alessandra, é nessa camada que se concentram os maiores índices de baixa resiliência para vazamento de informações, demonstrações fraudulentas, conflitos de interesse e pagamentos indevidos.
Segundo a pesquisa, esses riscos estão relacionados principalmente ao acesso a informações, à autonomia para tomar decisões e à existência de justificativas consideradas plausíveis dentro da operação.
“O estudo mostra que os desvios mais relevantes do agronegócio não costumam ocorrer de forma abrupta. Eles surgem quando a pressão sustenta determinadas decisões, a racionalização torna essas decisões aceitáveis e a confiança entre as pessoas legitima a exceção. É um processo gradual, que muitas vezes passa despercebido até se transformar em cultura”, afirma a psicóloga.
Como reduzir os riscos
Para reduzir esses riscos, a pesquisa recomenda intervenções específicas para cada nível hierárquico. Entre as medidas estão a revisão de metas e incentivos organizacionais, a criação de mecanismos de accountability para decisões críticas, protocolos formais para a circulação de informações sensíveis, treinamentos voltados à tomada de decisão sob pressão, desenvolvimento de lideranças sem coerção e monitoramento contínuo de fadiga ética nas operações.
“O agronegócio não precisa apenas de mais controles ou mais regras. Precisa de sistemas capazes de reduzir as racionalizações que transformam pressões legítimas do negócio em permissões informais para comportamentos de risco. A prevenção mais eficaz acontece antes do desvio, quando a organização atua sobre as condições que tornam esse desvio provável”, conclui Alessandra.
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BNDES e Conab firmam acordo para modernizar hortomercados no Rio

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram nesta segunda-feira (21) um acordo de cooperação técnica para o planejamento preliminar da valorização imobiliária e da modernização dos hortomercados do Humaitá e do Leblon, no Rio de Janeiro. A iniciativa tem caráter preparatório e busca estruturar alternativas para revitalizar os espaços sem comprometer sua função social.
Administrados pela Conab, os dois hortomercados são referências históricas, culturais e econômicas na Zona Sul do Rio de Janeiro. Implantados na década de 1970 no contexto da política federal de abastecimento alimentar urbano, os equipamentos abrigam dezenas de comerciantes, além de bares e restaurantes, e são conhecidos pelos cariocas como Cobal.
Pelo acordo, o BNDES fará a análise preliminar dos imóveis para propor alternativas e diretrizes que subsidiem estudos técnicos. A Conab ficará responsável pelo fornecimento de dados e documentos para a construção de uma base de conhecimento compartilhada sobre os imóveis. A avaliação deverá considerar aspectos técnicos, jurídicos, fundiários, patrimoniais e institucionais.
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Segundo o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, o trabalho vai examinar possibilidades de valorização e de aproveitamento dos espaços, com diferentes modelagens jurídicas e organizacionais. Ele afirmou que a função pública dos imóveis deverá ser mantida, com espaço para comercialização de alimentos produzidos principalmente pela agricultura familiar.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que o acordo busca melhorar o uso dos hortomercados para a oferta de alimentos saudáveis e criar condições para que agricultores familiares acessem mercados e levem seus produtos diretamente aos consumidores cariocas.
O presidente da Conab, Sílvio Isoppo Porto, disse que a modelagem será definida a partir dos caminhos apresentados pelo BNDES. Ele destacou que parte da área está ociosa e que a proposta é recuperar e modernizar os imóveis, incorporando a agricultura familiar do estado à função de abastecimento.
O acordo terá vigência de 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até 60 meses e sem repasse de recursos financeiros entre as instituições. Entre os eixos centrais do projeto está a preservação da vocação hortifrutigranjeira dos dois hortomercados, com mecanismos de acesso para produtores da agricultura familiar fluminense em articulação com os programas de abastecimento da Conab.
Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br
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Trump anuncia negociação de acordo para compra de potássio de Belarus

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (21) que o governo norte-americano negocia um acordo de grande porte para a compra de potássio de Belarus. Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que a cotação do insumo será substancialmente inferior aos valores atualmente pagos ao Canadá. Segundo ele, a medida busca reduzir os custos operacionais dos produtores rurais e diminuir a dependência das importações canadenses.
O potássio é uma matéria-prima importante para sustentar o rendimento de culturas como milho, trigo e soja. Atualmente, o Canadá responde por cerca de 80% do potássio consumido pela agricultura norte-americana e por quase um terço da oferta global do insumo.
Belarus aparece entre os maiores produtores mundiais de potássio. O país teve retiradas por Washington as sanções relativas ao fertilizante, movimento citado no contexto da negociação anunciada por Trump.
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A sinalização da Casa Branca sobre a entrada de novo suprimento no mercado dos Estados Unidos repercutiu entre as empresas do setor na Bolsa de Valores de Nova York. As ações da canadense Nutrien, fornecedora de potássio para as lavouras norte-americanas, chegaram a cair 4,1%, para US$ 73,97.
Os papéis da Mosaic recuaram 2,9%, cotados a US$ 23,77. As ações da Intrepid Potash caíram 2,2%, para US$ 36,70, enquanto os títulos da CF Industries registraram desvalorização de 1,5%, negociados a US$ 125,80.
A negociação anunciada por Trump coloca o potássio no centro das discussões sobre custo de produção agrícola e suprimento de fertilizantes nos Estados Unidos, em meio aos atritos comerciais entre Washington e Ottawa.
Fonte: Estadão Conteúdo
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