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7 de outubro de 2026

Business

a estratégia de uma gigante do processamento de tomate

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A produção de tomate em escala industrial exige mais do que uma boa lavoura. Para garantir matéria-prima com características específicas e em volume suficiente, a estratégia envolve desde a escolha da semente até a chegada do fruto à fábrica.

É nesse processo que duas frentes ganharam espaço nos últimos anos: tecnologia e parceria com produtores. Segundo o CEO da Kraft Heinz, Ariel Grunkraut, os investimentos ajudaram a empresa a reduzir a dependência da importação de pasta de tomate e alcançar a autossuficiência na produção do insumo no Brasil.

A mudança foi construída ao longo dos últimos anos e envolve também o desenvolvimento de variedades adaptadas às diferentes condições de cultivo.

Escolha da semente começa antes do plantio

O tomate é uma cultura sensível e, segundo Grunkraut, a escolha do híbrido precisa considerar as condições específicas de cada área.

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“Cada região, cada área trabalha com tipos diferentes de sementes, dependendo do período do ano que você vai plantar, quanto de chuva vai ter, quanto de seca, um pouco mais alto, um pouco mais baixo, vai ser um pouco mais frio, um pouco mais calor”, afirmou.

No Brasil, a empresa tem atualmente mais de 150 tipos diferentes de sementes à disposição da equipe de agricultura, de acordo com o executivo. A escolha do material utilizado em cada área é feita em conjunto com os produtores parceiros.

A companhia também conta, segundo Grunkraut, com uma empresa de tecnologia na Califórnia voltada ao desenvolvimento de sementes.

No país, a operação trabalha com cerca de 5 mil hectares nas culturas de tomate, milho e pepino. Aproximadamente metade dessa área, 2,5 mil hectares, é destinada ao tomate.

A produção envolve cerca de 15 parceiros, conforme os números apresentados pelo CEO. Um deles é o produtor Fábio Alves, que cultiva mais de 400 hectares de tomate e espera colher cerca de 130 toneladas por hectare nesta safra.

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Para o produtor, o fornecimento de sementes e mudas faz diferença no dia a dia da lavoura. Segundo Alves, receber as mudas já produzidas pelo viveiro facilita o trabalho no campo.

“A Heinz tem a semente e a muda já vem do viveiro pra gente. É uma tranquilidade”, afirmou.

Clima é um dos principais desafios

Apesar dos avanços em tecnologia e manejo, o clima continua entre as principais preocupações de quem está no campo. Alves chama atenção para o risco de chuvas durante a colheita, já que o tomate é cultivado diretamente no solo.

“Esse ano já começou a vir chuva mais cedo, né? A gente já tem essa certa preocupação porque, como você vê, o fruto tá no chão, literalmente no chão. E se com chuva dificulta a colheita”, disse.

Segundo o produtor, a disponibilidade de produtos defensivos específicos para a cultura também contribui para dar mais segurança à condução da lavoura.

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Tomate precisa chegar rápido à indústria

Depois da colheita, o tempo passa a ser outro fator importante. Segundo Grunkraut, o tomate precisa chegar à fábrica em menos de seis horas.

Na unidade de Nerópolis (GO), a empresa recebe, em média, 100 caminhões de tomate por dia.

A velocidade é parte de um processo que começa ainda no campo e termina na seleção da matéria-prima utilizada na indústria. No caso do tomate destinado ao ketchup Heinz, o executivo citou critérios como cor, teor de açúcar e viscosidade.

“A gente tem muita clareza: para fazer o melhor ketchup do mundo, a gente tem que ter o melhor tomate do mundo”, afirmou.

Fábrica da Kraft Heinz em Nerópolis (GO) recebe, em média, 100 caminhões de tomate por dia (Foto: Evandro Bueno)

R$ 1 bilhão em investimentos

A busca por uma maior oferta de matéria-prima nacional também passou por investimentos em tecnologia, processos e estrutura industrial.

Segundo Grunkraut, foram mais de R$ 1 bilhão investidos nos últimos cinco anos nessas frentes. O objetivo, de acordo com ele, foi reduzir a dependência da importação de pasta de tomate e ampliar a produção no Brasil.

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Quando a empresa começou a ampliar a presença da marca Heinz no país, há cerca de dez anos, parte da pasta utilizada precisava ser trazida da Califórnia, segundo o CEO.

O cenário mudou em 2025, quando, pela primeira vez, toda a pasta de tomate Heinz utilizada no Brasil foi produzida nacionalmente.

Mais produção sem ampliar a área

A evolução não ocorreu apenas pela expansão da área cultivada. Segundo Grunkraut, a companhia vem aumentando o volume produzido sem ampliar proporcionalmente a área utilizada.

Para a safra atual, a empresa estima produzir 15% mais tomate, praticamente com a mesma área do ano anterior. O executivo também afirmou que houve redução no consumo de água ao longo desse processo.

Hoje, a produção brasileira destinada à empresa chega a aproximadamente 5 bilhões de tomates por ano, de acordo com os números apresentados por Grunkraut.

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Para ele, o aumento da oferta nacional também abriu espaço para o desenvolvimento de produtos no país. O executivo citou o extrato de tomate e o ketchup zero açúcar, lançados nos últimos meses.

No caso do ketchup zero, a retirada do açúcar exigiu uma mudança na formulação. Grunkraut explica que foi necessário aumentar a quantidade de tomate para compensar a perda de consistência provocada pela retirada do ingrediente.

“Quando você tira o açúcar, você perde um pouco de consistência. A gente teve que adicionar muito mais tomate Heinz para poder criar o ketchup zero”, explicou.

Do campo à prateleira

Para quem está na lavoura, a relação com a cultura vai além dos números de produção. Alves resume em uma palavra o que o tomate representa para ele: “alegria”.

O produtor também diz que é prazeroso encontrar no supermercado um produto feito com o tomate que saiu da própria propriedade.

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“A gente viaja e, quando chega numa mesa com os amigos, a primeira coisa que eu vou olhar é qual produto tem ali. Quero saber se é o nosso”, contou.

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Irregularidade das chuvas limita plantio da soja em Mato Grosso

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O plantio da soja 2026/27 deve enfrentar obstáculos distintos até meados de outubro em duas das principais regiões produtoras do país, segundo a Ampere Consultoria. Em Mato Grosso, a irregularidade das chuvas limita a semeadura de sequeiro e mantém o foco no estabelecimento das lavouras. No Paraná, a previsão de volumes acima de 100 milímetros pode reduzir as janelas de operação no campo.

Em Mato Grosso, as precipitações previstas até o fim da primeira quinzena de outubro devem seguir irregulares, com volumes de até 40 milímetros, principalmente nas faixas oeste e sul do estado, de acordo com a consultoria. As chuvas já permitem avanço pontual dos trabalhos, mas parte das regiões produtoras ainda registra baixa disponibilidade de água no solo.

Segundo a Ampere Consultoria, a distribuição das chuvas nas próximas semanas será determinante para garantir condições adequadas de germinação e emergência das plantas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a semeadura da soja alcançava 9,4% da área nacional em 5 de outubro.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

A meteorologista da Ampere Consultoria, Patrícia Cassoli, afirmou que, enquanto a umidade favorece o avanço da semeadura em áreas do Centro-Sul, no Centro-Norte a irregularidade das precipitações mantém a atenção voltada ao estabelecimento das lavouras.

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No Paraná, o cenário é inverso. As chuvas das últimas semanas melhoraram a umidade do solo e favoreceram o avanço da semeadura. Ainda assim, a previsão de temporais e acumulados superiores a 100 milímetros até a primeira quinzena do mês pode reduzir as janelas para as operações em campo.

A consultoria avalia que precipitações frequentes e volumes elevados podem dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e provocar paralisações pontuais. O contraste entre o excesso de umidade no Sul e a irregularidade das chuvas no Centro-Norte marca o início do plantio da safra 2026/27.

Até meados de outubro, o avanço da semeadura da soja deve seguir condicionado ao comportamento das chuvas, com restrições por baixa regularidade em Mato Grosso e risco de interrupções pontuais dos trabalhos no Paraná.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Exportações de soja desaceleram em outubro e devem cair 13% em comparação ao mês passado

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A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta 6,18 milhões de toneladas de soja embarcadas pelo Brasil em outubro, queda de 3,4% em relação às 6,40 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025. Para o milho, a estimativa é de 5,34 milhões de toneladas, recuo de 6,2% ante as 5,69 milhões de toneladas embarcadas em outubro do ano passado.

Segundo o Informativo Mensal da entidade, as projeções são baseadas na programação de embarques. Na comparação com setembro, quando o Brasil exportou 7,11 milhões de toneladas de soja, a estimativa para outubro representa queda de 13,1%, acompanhando o movimento sazonal de desaceleração após o pico de embarques registrado no início do segundo semestre.

Com a projeção de outubro, os embarques de soja acumulados no ano chegam a 107,58 milhões de toneladas, alta de 6% em relação às 101,48 milhões de toneladas registradas entre janeiro e outubro de 2025. A Anec mantém a previsão de exportação de 114 milhões de toneladas de soja pelo Brasil em todo o ano de 2026.

Milho

No milho, a projeção de outubro indica estabilidade em relação a setembro. O Brasil exportou 5,31 milhões de toneladas do cereal no mês passado, enquanto a estimativa atual é de 5,34 milhões de toneladas, alta de 0,5%.

Considerando a programação de outubro, as exportações brasileiras de milho somam 24,80 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a outubro, queda de 16,3% ante as 29,64 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

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A Anec destaca ainda que a colheita do milho de segunda safra está praticamente concluída, com 99,9% da área já colhida. Restam apenas algumas áreas no Paraná e em São Paulo.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para 144 milhões de toneladas a estimativa da produção brasileira de milho na safra 2025/26. A projeção de consumo interno para 2026 também foi elevada, passando de 95 milhões para 98,2 milhões de toneladas.

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veja quem precisa, como fazer e o que muda para o produtor

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A adoção do CNPJ por produtores rurais pessoas físicas passa a fazer parte das novas exigências tributárias decorrentes da reforma tributária. A mudança, prevista para entrar em vigor em 2027, gera dúvidas sobre quem precisa se adequar, como será feita a inscrição e quais os impactos para quem atualmente exerce a atividade utilizando o CPF.

Um dos principais pontos é que ter um CNPJ não transforma automaticamente o produtor rural pessoa física em uma empresa. A inscrição funcionará como identificação da atividade dentro do novo sistema tributário, mantendo a condição jurídica do produtor.

Diante das mudanças, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recomenda que produtores acompanhem as orientações da Receita Federal, mantenham seus dados cadastrais atualizados e evitem alterações precipitadas em registros já existentes.

Veja, a seguir, os principais pontos que o produtor rural precisa conhecer para se preparar.

O produtor rural vai precisar de CNPJ?

A nova sistemática está relacionada à implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), criados pela reforma tributária.

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A Receita Federal estabeleceu a utilização do CNPJ como identificação para pessoas físicas enquadradas como contribuintes ou responsáveis tributários e para produtores rurais pessoas físicas abrangidos pela regulamentação da CBS.

A exigência começa em 1º de janeiro de 2027.

A mudança busca permitir a integração das informações cadastrais dos contribuintes aos novos sistemas tributários e à emissão dos documentos fiscais eletrônicos.

Ter CNPJ transforma o produtor em pessoa jurídica?

Não. Esse é um dos principais pontos destacados nas orientações sobre a mudança.

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A inscrição no CNPJ para identificação da atividade não altera, por si só, a natureza jurídica do produtor.

Na prática, o produtor que exerce a atividade rural como pessoa física poderá continuar sendo pessoa física, ainda que passe a utilizar um número de CNPJ relacionado à atividade.

Por isso, a obtenção do cadastro não deve ser confundida com a abertura convencional de uma empresa.

Como o produtor deverá obter o CNPJ?

A Receita Federal trabalha na implementação de um procedimento simplificado para a inscrição das pessoas físicas abrangidas pela nova regra.

A expectativa é que o processo seja digital e integrado aos sistemas utilizados para cumprimento das obrigações tributárias e emissão de documentos fiscais.

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Como os procedimentos operacionais ainda estão sendo detalhados, o produtor deve acompanhar as orientações oficiais antes de realizar mudanças em seus cadastros.

A CNA também recomenda atenção às regras que serão divulgadas pela Receita Federal e pelas administrações tributárias estaduais.

O produtor deve cancelar a inscrição estadual?

Um dos cuidados durante a transição é não cancelar registros ou abrir novos cadastros sem verificar como ficará a vinculação das informações existentes.

O histórico cadastral do produtor pode ser importante em diferentes situações, inclusive nas relações comerciais e financeiras da atividade.

Por isso, antes de alterar inscrição estadual ou outros registros vinculados à propriedade, a recomendação é buscar orientação contábil e acompanhar as regras estabelecidas pela Receita Federal e pela Secretaria da Fazenda do respectivo estado.

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A adoção do CNPJ deverá funcionar como uma nova identificação da atividade, e não necessariamente como substituição automática de todos os registros utilizados atualmente.

Quem tem CNPJ rural terá de pagar IBS e CBS?

A obtenção de um CNPJ e o enquadramento como contribuinte do IBS e da CBS são questões diferentes.

Segundo as orientações da CNA sobre a reforma tributária, o enquadramento no regime regular dos novos tributos depende, entre outros fatores, do faturamento da atividade.

Produtores rurais com receita anual acima de R$ 3,6 milhões, valor sujeito à atualização pelo IPCA, estão entre aqueles obrigatoriamente enquadrados no regime regular.

Isso significa que ter um número de CNPJ não implica automaticamente recolher IBS e CBS da mesma forma que os produtores obrigatoriamente enquadrados no regime regular.

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As particularidades de cada propriedade devem ser avaliadas conforme o faturamento, a atividade desenvolvida e as regras tributárias aplicáveis.

O que muda na emissão de nota fiscal?

A identificação pelo CNPJ também estará relacionada à emissão dos documentos fiscais dentro do novo sistema tributário.

Com a implantação da CBS e do IBS, as informações cadastrais precisarão estar integradas aos documentos fiscais eletrônicos utilizados nas operações de comercialização.

A CNA alerta que a emissão correta desses documentos será fundamental para manter a regularidade das operações.

Problemas cadastrais ou fiscais podem gerar dificuldades na comercialização, no transporte de mercadorias e no aproveitamento de créditos tributários.

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O que o produtor pode fazer para se preparar?

Embora parte dos procedimentos operacionais ainda dependa de orientações complementares, o produtor pode começar a organizar sua situação cadastral.

Entre os principais cuidados estão:

  • verificar se CPF, inscrição estadual e demais registros da atividade rural estão atualizados;
  • não cancelar inscrições existentes antes de conhecer as regras de migração ou vinculação ao CNPJ;
  • conferir se as informações das propriedades e estabelecimentos estão corretas;
  • acompanhar as orientações da Receita Federal e da Secretaria da Fazenda do estado;
  • verificar se o sistema utilizado para emissão de documentos fiscais estará preparado para as mudanças;
  • buscar orientação de contador ou profissional especializado para avaliar o enquadramento tributário da atividade.

Quando começa a valer?

A utilização do CNPJ dentro da nova sistemática está prevista para 1º de janeiro de 2027.

A implementação havia sido prevista inicialmente para uma etapa anterior da transição da reforma tributária, mas o cronograma foi ajustado para permitir a adequação dos sistemas e dos contribuintes.

Até a entrada em vigor das novas exigências, o produtor deve aproveitar o período para revisar seus cadastros e acompanhar a divulgação das instruções operacionais.

Mais do que simplesmente obter um novo número de identificação, a mudança exige atenção à forma como o CNPJ será vinculado aos registros e às operações já realizadas pelo produtor rural.

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