Agro Mato Grosso
Justiça Federal nega recurso de fazendeiros e mantém estudos para ampliar terras indígenas

Seguindo entendimento do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) garantiu, por unanimidade, a continuidade de estudos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre a Terra Indígena Kapôt Nhinore, em Mato Grosso.
A decisão da 12ª Turma do TRF1 negou recurso de proprietários rurais contra a extinção de uma ação que buscava uma declaração de inexistência de ocupação tradicional indígena em duas fazendas localizadas em Santa Cruz do Xingu (MT).
Os autores alegam ser proprietários das Fazendas Arara Azul I e II, adquiridas do estado de Mato Grosso nos anos 1960 e 1961. Na ação, sustentaram que os estudos para ampliação da Terra Indígena Kapôt Jarina, denominada Terra Indígena Kapôt Nhinore, estariam provocando prejuízos financeiros e desvalorização dos imóveis.
A sentença de primeira instância extinguiu o processo sem analisar o mérito por entender que não havia interesse de agir. A decisão foi questionada por meio de recurso. Ao analisar o caso, o TRF1 concluiu que o procedimento administrativo referente à Terra Indígena Kapôt Nhinore ainda se encontrava em fase inicial de estudos técnicos.
De acordo com a decisão, não há relatório conclusivo nem definição dos limites capazes de demonstrar que as propriedades dos autores estariam efetivamente inseridas na área objeto da demarcação.
O Tribunal destacou ainda que os fazendeiros não haviam apresentado questionamento no próprio procedimento administrativo, apesar da possibilidade de manifestação e apresentação de provas prevista na legislação.
Autocontenção do Judiciário – O TRF1 destacou que uma decisão judicial excluindo previamente os imóveis da área estudada produziria, na prática, uma espécie de “demarcação negativa”, antes mesmo da conclusão do procedimento conduzido Funai. Além disso, apontou que nesse estágio, os estudos existentes não representavam ofensa concreta ao alegado direito de propriedade dos autores.
O Tribunal também aplicou a chamada teoria das capacidades institucionais, segundo a qual o Judiciário deve exercer autocontenção em matérias que dependem de conhecimento técnico especializado — como as análises antropológicas, históricas, fundiárias e cartográficas que compõem os estudos da Funai — sem substituir a avaliação técnica do órgão responsável.
Direito originário – A decisão do TRF1 também ressaltou que o procedimento de demarcação tem natureza declaratória, ou seja, ele busca reconhecer um direito originário sobre terras tradicionalmente ocupadas, assegurado pelo artigo 231 da Constituição Federal. Por essa razão, a demarcação não configura, por si só, esbulho possessório (privação injusta da posse de um bem) nem ato constitutivo de um novo direito.
No julgamento, a 12ª Turma aplicou ainda o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 1031, sobre a proteção constitucional aos direitos originários sobre terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas. De acordo com a Suprema Corte, esse direito independe da existência de um marco temporal em 5 de outubro de 1988.
Agro Mato Grosso
Imea estima área maior e produção de 6,65 milhões de toneladas de algodão em MT

Mato Grosso deve ampliar a área destinada ao algodão na safra 2026/27, mas a produtividade projetada abaixo do recorde alcançado no ciclo anterior deve limitar o crescimento da produção. A primeira estimativa do Imea aponta 1,427 milhão de hectares a serem cultivados e 6,645 milhões de toneladas de algodão em caroço na próxima temporada. Já a safra 2025/26 foi encerrada com 1,37 milhão de hectares, produtividade histórica de 330,25 arrobas por hectare e produção de 6,81 milhões de toneladas.
A área estimada para o próximo ciclo representa aumento de 3,84% em relação à temporada 2025/26. Conforme o Instituto, a intenção de ampliar o cultivo está relacionada ao cenário atual de preços da pluma, considerado mais atrativo pelos cotonicultores.
Apesar da expansão da área, o rendimento médio esperado é de 310,39 arrobas por hectare, queda de 6,01% frente ao recorde registrado em 2025/26. A projeção considera condições climáticas menos favoráveis para o desenvolvimento das lavouras, visto possíveis impactos do El Niño.
A estimativa ainda é inicial, reforça o Imea, e pode mudar conforme o andamento da soja, às condições climáticas durante a semeadura e o comportamento dos preços.
“O andamento da safra de soja, em conjunto com o clima no período da semeadura do algodão, bem como os patamares de preços nesse período, será fundamental para a decisão final do produtor”, ressalta a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira.
Safra 2025/26 teve rendimento histórico
Na temporada 2025/26, a área de algodão em Mato Grosso foi consolidada em 1,37 milhão de hectares, recuo de 11,18% em relação ao ciclo 2024/25. Mesmo com a redução, as lavouras encerraram a colheita com o maior rendimento já registrado na série histórica do Imea.
A produtividade de 330,25 arrobas por hectare ficou 2,13% acima da estimativa divulgada no mês anterior e 4,80% superior à da safra 2024/25. O resultado foi favorecido pelas chuvas ao longo do desenvolvimento da cultura, que contribuíram para a formação e o enchimento das maçãs.
“Com a finalização da colheita aqui em Mato Grosso e o avanço do beneficiamento, foi possível mensurar com maior precisão a real produtividade do ciclo 2025/26. Diante disso, agora em outubro de 2026, o Imea consolidou a produtividade do algodão em caroço em 330,25 arrobas por hectare, um aumento de cerca de 4,80% em relação ao último recorde, registrado na safra passada 24/25”, explica Cíntia.
O ganho de produtividade, porém, não foi suficiente para compensar a retração da área. Com isso, a produção de algodão em caroço foi consolidada em 6,81 milhões de toneladas, 6,92% abaixo do volume registrado na safra 2024/25.
Agro Mato Grosso
MT registra menor número de focos de calor em setembro em 28 anos

Estado teve 1.964 focos de calor no mês, uma redução de 82,6% em relação à média histórica para setembro, segundo dados do Inpe.
Mato Grosso registrou, em setembro de 2026, o menor número de focos de calor para o mês desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998. Ao todo, foram registrados 1.964 focos de calor em setembro deste ano, redução de 82,6%, em comparação com a média histórica para o mês, que é de 13.206.
Também foi registrada redução de 14,38% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram contabilizadas 2.294 ocorrências. Os dados são do Banco de Dados de Queimadas (BDQueimadas), do Inpe, que monitora os focos de calor por meio de imagens de satélite.
Segundo o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), tenente-coronel Heitor Alves de Souza, o trabalho de prevenção, monitoramento e resposta rápida das equipes contribuiu para o resultado registrado em setembro, mesmo diante das condições climáticas associadas aos efeitos do El Niño, que apontavam para um cenário de seca mais intensa e temperaturas elevadas.
“É um resultado muito importante para Mato Grosso, especialmente porque setembro é historicamente um dos meses mais críticos. A redução mostra que o trabalho preventivo, o monitoramento e a preparação das equipes são fundamentais para reduzir os impactos dos incêndios. Mesmo com esse cenário positivo, continuamos com nosso trabalho. O período de estiagem ainda exige atenção, e a prevenção continua sendo essencial”, destacou.
Neste ano, Mato Grosso mantém o reforço das ações de fiscalização e combate aos incêndios florestais e ao desmatamento ilegal, com investimento de R$ 134 milhões. Os recursos são aplicados em estratégias de proteção ambiental, ampliação da estrutura operacional e medidas preventivas.
As ações mobilizam diariamente bombeiros militares e brigadistas estaduais, com apoio de brigadistas municipais. As equipes atuam em diferentes regiões do Estado com o suporte de viaturas, máquinas e estrutura aérea. Entre os equipamentos empregados estão seis aeronaves do Grupamento de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) e da Defesa Civil, além de um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e do veículo anfíbio SHERP.
Também fazem parte das ações de prevenção a construção e a manutenção de aceiros em áreas estratégicas. Todas essas medidas ajudam a reduzir a propagação das chamas, amplia a capacidade de resposta das equipes e contribui para o controle dos incêndios florestais.
Agro Mato Grosso
Mercado de madeira tratada deve crescer 6,7% ao ano até 2030 segundo pesquisa

O mercado mundial de madeira tratada deve crescer, em média, 6,7% ao ano até 2030, segundo projeção da Grand View Research divulgada pela Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM). A construção concentra a maior parcela da demanda global e está entre as principais frentes de uso do material.
Avaliado em aproximadamente US$5,9 bilhões em 2023, o mercado encontra no Brasil um potencial estimado de comercialização de 2,4 milhões de metros cúbicos de madeira tratada por ano provenientes de áreas de reflorestamento, segundo a ABPM. A estimativa brasileira foi divulgada em 2020 e indica o potencial calculado pela entidade, não o volume atualmente vendido no país.
Postes, cruzetas, dormentes e cercas estão entre as aplicações tradicionais da madeira tratada no Brasil. Na construção, o material também pode ser empregado em fachadas, decks, estruturas e sistemas industrializados, usos que submetem a madeira a condições bastante diferentes de exposição.
Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) indicam que determinados sistemas construtivos com madeira de árvores cultivadas podem reduzir em até 50% o tempo de execução em relação a métodos tradicionais. O desperdício de materiais pode ser de 20% a 30% menor.
As exigências técnicas mudam conforme o uso. Uma peça instalada sob cobertura não enfrenta as mesmas condições de uma fachada ou de um deck expostos diariamente ao sol, à chuva e à umidade. Espécie, projeto, instalação e exposição a fungos e insetos também interferem na conservação.
Elaine Guedes, diretora comercial da Montana Química, explica que o local de instalação é uma das primeiras variáveis a serem consideradas na especificação.
“Duas peças da mesma espécie podem ter comportamentos diferentes se uma estiver protegida e a outra receber sol e chuva diariamente. Antes de definir a proteção, precisamos saber onde a madeira será usada, qual será o nível de exposição e quais condições ela enfrentará ao longo do tempo, afirma.
Durabilidade começa antes do acabamento
A vida útil da madeira não depende apenas do acabamento escolhido. O próprio projeto pode reduzir ou aumentar a exposição à água. Pontos que dificultam o escoamento, por exemplo, favorecem a permanência de umidade sobre a peça e podem comprometer seu desempenho.
Em áreas externas, radiação ultravioleta, chuva e oscilações de umidade provocam alterações naturais na madeira e desgastam os acabamentos. A necessidade de manutenção, portanto, varia conforme a exposição e o estado da superfície.
“Quando aparece um problema no acabamento, nem sempre ele começou ali. Água acumulada, umidade persistente ou algum detalhe construtivo podem estar por trás do desgaste. Por isso, olhar apenas para o produto aplicado é insuficiente para avaliar o que aconteceu”, diz Elaine.
Tratamento industrial e acabamento não são a mesma coisa
Tratamento industrial e acabamento superficial também cumprem funções diferentes.
No primeiro, preservativos são introduzidos na madeira por processos específicos, como os realizados em autoclave, para aumentar a resistência a determinados agentes deterioradores. A atividade é regulamentada no Brasil.
Stains e vernizes são aplicados à superfície e têm indicações que variam de acordo com o ambiente e a exposição. Por isso, uma madeira submetida a tratamento industrial pode continuar precisando de acabamento adequado à aplicação.
“Há uma diferença de função. O tratamento industrial atende a determinadas necessidades de preservação da madeira, enquanto o acabamento atua na superfície. Em alguns usos, os dois processos são necessários e cumprem papéis distintos”, explica a executiva.
Com a construção concentrando a maior parcela da demanda mundial e o mercado global projetado para crescer 6,7% ao ano até 2030, fachadas, decks, estruturas e sistemas construtivos colocam a madeira em condições de uso bastante distintas. A expansão dessas aplicações traz para o centro da discussão questões como exposição, durabilidade e manutenção do material.
Sobre a Montana QuímicaSomos uma indústria química especialista na formulação de produtos de alta performance para a construção civil. Autoridade no mercado, possuímos uma linha completa de produtos para o tratamento, proteção, preservação e acabamento de madeiras, além de outros substratos como pedra, tecido, alvenaria, preservativos industriais para madeira e produtos de alta performance para indústria moveleira.
Com sede em São Paulo, filial em Porto Alegre e revendas em todo o Brasil, em 2014 lançou a marca Monsa para atender o mercado internacional. Atualmente, a Montana já conta com unidades de negócios em diversos países sul-americanos e com uma filial em Medellín, na Colômbia, instalada em 2017 e outra no Uruguai, instalada em 2019.
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