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1 de outubro de 2026

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Safra americana mostra contrastes entre falta de chuva e alto potencial produtivo

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A safra de soja e milho nos Estados Unidos apresenta cenários distintos entre as principais regiões produtoras. Enquanto áreas do Sul enfrentam falta de chuva e redução no potencial das lavouras, outras localidades apresentam boas condições e perspectivas de produtividade elevada.

A constatação ocorreu durante a 5ª temporada do projeto América Clima e Mercado, realizada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), que percorreu 13 estados americanos para acompanhar as condições das lavouras e os fatores que podem influenciar a produção.

No Texas, Oklahoma e Kansas, a restrição hídrica chama atenção. Segundo o agrônomo Paulo Zorzanello, que trabalha em uma fazenda na região, a última chuva significativa ocorreu em 4 de julho. Desde então, foram registrados apenas volumes pontuais, de 16 a 20 milímetros, com até 8 milímetros na semana anterior à visita.

O impacto aparece no desenvolvimento da soja. Apesar de visualmente a lavoura apresentar bom aspecto à distância, o porte das plantas está reduzido e os grãos em formação são pequenos. “O porte está reduzido e se você olhar a soja, a granação é muito pequenininha, os grãos de soja”, observa Zorzanello.

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A diferença também aparece dentro das vagens. Há estruturas com grãos menores e casos de aborto de grãos, reduzindo o potencial produtivo. Na propriedade, a média da soja, que chegou a 55 sacas por hectare no ano anterior, tem expectativa de ficar entre 30 e 35 sacas nesta temporada. No milho, conforme o agrônomo, a produtividade esperada é de aproximadamente 150 sacas por hectare, diante das 210 sacas registradas anteriormente.

Foto: Aprosoja Mato Grosso/Reprodução

Falta de chuva reduz potencial das lavouras

O cenário encontrado no Sul dos Estados Unidos também foi acompanhado de perto pelos produtores brasileiros. Ao longo do trajeto, a percepção é de que diversas áreas apresentam algum nível de perda de potencial, ainda que muitas lavouras não aparentem visualmente uma condição tão severa.

Além da água, os custos pesam sobre o produtor americano. O diesel aparece entre os principais gastos, especialmente diante do número de operações realizadas nas propriedades. Fertilizantes e combustível também são apontados entre os itens que pressionam o custo de produção.

“Um dos maiores custos dele aqui é o óleo diesel por conta dos vários cultivos, várias operações que precisam ser feitas na lavoura”, afirmam Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso e Aprosoja Brasil. Ele também cita as reclamações relacionadas aos custos de fertilizantes e combustível.

A avaliação feita durante a viagem indica ainda diferenças importantes entre as regiões. Em Nebraska, cerca de 40 mil hectares de milho e soja foram afetados por ventos, com pivôs derrubados e lavouras acamadas. Em Iowa, especialmente na parte oeste, foram observados problemas que reduziram o potencial produtivo de soja e milho.

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Já no leste de Iowa, as condições melhoram, enquanto no Centro-Sul de Illinois foram encontradas lavouras de soja em boas condições, principalmente em estágio vegetativo. A variação reforça o contraste entre as áreas produtoras e dificulta uma leitura única sobre o desempenho da safra.

Condições melhores também aparecem no campo

Em Carrol, de acordo com a missão realizada pela Aprosoja Mato Grosso, uma das áreas visitadas apresentou uma das melhores lavouras de soja encontradas durante o percurso. A região recebeu mais chuva e, ao lado da soja, uma lavoura de milho também chamou atenção pelas condições apresentadas.

Mesmo assim, o agrônomo Ivam Franceschet identificou sinais de estresse hídrico na área, como falhas na população de plantas, formação de “chupeta” e rachaduras no solo, indicativos de um período anterior de baixa disponibilidade de água.

A área, por outro lado, apresenta solo com alto teor de matéria orgânica e boa fertilidade. A população observada ficou em torno de 88 mil plantas viáveis, enquanto a sanidade foliar do milho foi considerada muito boa. Para Franceschet, apesar de algumas espigas apresentarem redução, a lavoura mantém bom potencial produtivo.

Em Indiana, o cenário encontrado foi ainda diferente, pontua a entidade. Uma lavoura de soja já estava em plena colheita, com o monitor indicando produtividade de 80 bushels por acre, equivalente a aproximadamente 89 sacas por hectare. A área apresentava boa limpeza e poucas plantas daninhas.

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missão aprosoja mt aos estados unidos soja1
Foto: Aprosoja Mato Grosso/Reprodução

Produção americana entra no radar do mercado

As condições observadas nas diferentes regiões também alimentam o debate sobre as estimativas para a produção dos Estados Unidos. Parte dos produtores visitados pela missão da Aprosoja Mato Grosso aponta perdas em relação ao ciclo anterior, enquanto áreas com maior disponibilidade de água apresentam potencial produtivo elevado.

Outro contraste aparece nas regiões irrigadas do oeste de Nebraska e em estados com maior potencial produtivo. Em áreas que receberam mais umidade, houve também relatos de excesso de chuva durante o plantio, situação que afetou a qualidade de algumas lavouras.

Para Lucas Costa Beber, a percepção encontrada no campo é de uma redução de produtividade em diferentes regiões. “Desde o Texas, subindo todo lugar que a gente para o produtor fala de pelo menos de 10% menos que o ano passado, e não parecem estar tão feias as lavouras”, relata.

O presidente da entidade também chama atenção para a influência dos números oficiais sobre as expectativas do mercado. Segundo ele, produtores americanos questionam algumas estimativas de produção e estoques divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Safras americana e brasileira influenciam oferta global

Enquanto as condições americanas são acompanhadas pelos produtores brasileiros, as expectativas para a próxima safra no Brasil também entram nas projeções para o mercado. A possibilidade de influência do El Niño sobre a produção brasileira é apontada como um dos fatores considerados pelos produtores dos Estados Unidos.

A leitura feita durante a viagem é de que uma eventual redução da produção americana pode alterar as perspectivas de oferta. O desempenho efetivo das lavouras, portanto, passa a ser observado além das estimativas divulgadas ao longo da temporada.

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“Eu não vejo possibilidade de pioras nesse cenário, já que os números ainda estão inflados da produção brasileira”, afirma Beber em entrevista ao Patrulheiro Agro. Na avaliação apresentada durante a visita, também é preciso considerar não apenas a quantidade de grãos, mas o peso que será obtido na colheita americana.

O acompanhamento das condições nos Estados Unidos ocorre em um momento em que produtores brasileiros também monitoram os efeitos do clima sobre a próxima safra. A combinação entre produção americana, desempenho brasileiro e estoques disponíveis será determinante para o equilíbrio da oferta e para a formação dos preços no mercado internacional.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Outubro começou: soja reagiu? Veja o que esperar dos preços no início do mês

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O mercado brasileiro de soja começou o mês de outubro com baixa movimentação e liquidez mínima. Nesta quinta-feira (1º), os preços apresentaram oscilações mistas nas principais praças, com quedas em algumas regiões e estabilidade em outras. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o produtor segue afastado das negociações, enquanto os compradores reduzem os bids, mantendo o mercado travado.

Na Bolsa de Chicago, as cotações recuaram, pressionadas principalmente pela expectativa de clima favorável ao avanço da colheita nos Estados Unidos, pelo cenário internacional de aversão ao risco e pela liquidação de posições por parte dos fundos.

Ao mesmo tempo, o dólar avançou e os prêmios registraram leves altas, fatores que ajudaram a limitar uma pressão maior sobre os preços brasileiros. A combinação dos indicadores, no entanto, não foi suficiente para estimular uma retomada mais forte dos negócios.

“O produtor segue fora do mercado, enquanto o comprador vem diminuindo os bids. Com isso, os negócios permanecem lentos”, observa Silveira.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): desceu de R$ 154,50 para R$ 153,00
  • Santa Rosa (RS): desceu de R$ 155,50 para R$ 154,00
  • Cascavel (PR): desceu de R$ 150,00 para R$ 149,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 146,00
  • Paranaguá (PR): desceu de R$ 161,00 para R$ 160,00
  • Rio Grande (RS): desceu de R$ 162,50 para R$ 162,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira com preços mais baixos. O mercado foi pressionado pela previsão de clima favorável à colheita nos Estados Unidos, pelo ambiente internacional de aversão ao risco e pela liquidação de posições por parte dos fundos.

Segundo informações da Reuters, dúvidas relacionadas à demanda também pesaram sobre as cotações, diante da expectativa de esmagamentos norte-americanos menores em setembro. O número é divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) após o fechamento da bolsa.

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As exportações líquidas norte-americanas de soja referentes à temporada 2026/27, com início em 1º de setembro, somaram 1,033 milhão de toneladas na semana encerrada em 24 de setembro. A China liderou as compras, com 589,4 mil toneladas. O volume ficou dentro das estimativas dos analistas, que variavam de 500 mil a 1,4 milhão de toneladas.

Apesar da demanda chinesa, o cenário internacional segue limitando uma recuperação mais consistente dos futuros. Dados recentes também apontam preocupações com o ritmo da demanda chinesa, enquanto os estoques nas unidades de esmagamento do país permanecem elevados.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com baixa de 4,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,36%, a US$ 12,88 1/4 por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 13,09 por bushel, recuo de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,26%.

Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 3,60 por tonelada, ou 1,00%, a US$ 353,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 67,38 centavos de dólar por libra-peso, retração de 0,91 centavo, ou 1,33%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,98%, sendo negociado a R$ 5,2237 para venda e a R$ 5,2217 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1697 e a máxima de R$ 5,2367.

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Manga palmer fica mais barata e é destaque da semana na Ceagesp

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Em cotação realizada pela Seção de Economia e Desenvolvimento (Sedes) na última segunda-feira (28), a manga palmer (Mangifera indica L.) foi registrada a R$ 3,24/kg, sendo o produto destaque desta semana no atacado da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

No comparativo anual, que considera a mesma época do ano passado, ocorreu uma queda de 23,6% no valor dessa variedade, que havia sido cotada a R$ 4,24/kg. Já na comparação mensal, a redução foi de 34,1%, além de ter registrado uma redução média semanal de 4,5%.

Origem e características

Pertencente à família Anacardiaceae, a manga é nativa da Ásia Meridional e dos arquipélagos indianos e sua chegada ao território brasileiro deu-se por volta de 1700, na esteira das navegações portuguesas. Fruta de clima tropical, possui alta adaptabilidade em lugares com estações secas e chuvosas, além de temperaturas médias que variam entre 20 e 29 °C.

O Brasil foi o primeiro país das Américas a plantar mangas, que anteriormente já eram cultivadas na África desde o século XVI. A variedade palmer surgiu bem mais tarde, em 1945, no estado americano da Flórida. Pelos anos 1960, já era plantada no Brasil.

O formato dessa variedade é elíptico e coloração de casca varia entre o verde e o arroxeado quando ainda imatura, assumindo uma tonalidade vermelha escura quando madura. Sua consistência é firme e suculenta, apresentando sabor adocicado e poucas fibras, além de não ter fiapos e seu caroço ser menor que o de outras mangas.

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Para fins comerciais, tem boa vida de prateleira, sendo resistente a danos mecânicos, doenças e transporte de longa distância.

Perfil nutricional e formas de consumo

Consumida principalmente in natura, mas pode ser encontrada na forma de suco integral, polpa congelada, sorvete, doces, entre outros. É rica em vitaminas A, do complexo B e C, recomendada para fortalecimento do sistema imunológico e prevenção de inflamações.

Além disso, podem ser encontrados em sua composição compostos como polifenóis e carotenoides, além de minerais como ferro, fósforo, magnésio e potássio. Em receitas, pode virar suco integral, polpa congelada, sorvete e doces, podendo ser consumida também com leite.

Comercialização

Ao longo de 2025, foram comercializadas 54.682,25 toneladas de manga Palmer no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP), sendo os principais originários do produto os estados da Bahia (60,9%), São Paulo (16,5%), Pernambuco (12,8%) e Minas Gerais (9,7%).

Municípios que mais comercializam manga palmer na Ceagesp
PosiçãoMunicípioEstadoToneladasParticipação sobre o total
1Livramento de Nossa SenhoraBA15.37928,1%
2Dom BasílioBA7.00412,8%
3PetrolinaPE6.69912,3%
4JuazeiroBA5.0889,3%
5Vista Alegre do AltoSP2.6174,8%
6Matias CardosoMG1.5272,8%
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Chuvas abaixo da média podem dificultar plantio da soja no Centro-Oeste

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e demais órgãos que integram o Painel El Niño 2026-2027 projetam chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas no Centro-Oeste entre outubro e dezembro. No centro-norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e no Distrito Federal, o cenário pode reduzir o armazenamento de água no solo e comprometer a semeadura e o estabelecimento da soja, do milho e do feijão de primeira safra.

Segundo o relatório de setembro, a restrição hídrica deve atingir os próximos meses antes de uma recuperação a partir de novembro. O documento afirma que a melhora nos níveis de água no solo tende a favorecer o desenvolvimento das lavouras e das pastagens no decorrer da safra. Em dezembro, porém, algumas áreas podem registrar excesso de umidade, com risco maior de doenças fúngicas e limitações às operações de pulverização.

A previsão climática sazonal elaborada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe) e pelo Inmet indica que a estação chuvosa na porção central do País pode começar entre o fim de outubro e meados de novembro. Para o trimestre, há maior probabilidade de chuva abaixo da faixa normal em grande parte da Região Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, enquanto as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o Brasil.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

No Matopiba, a combinação de chuva abaixo da média e calor elevado também amplia o risco para a implantação da soja. No oeste da Bahia, a recuperação da água no solo em dezembro poderá favorecer o desenvolvimento das culturas.

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No Sudeste, o quadro é diferente. As chuvas acima da média previstas para São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais devem favorecer a semeadura da soja e do milho de primeira safra, além do pegamento dos frutos do café e da brotação da cana-de-açúcar. Em áreas de Minas Gerais e no norte do Espírito Santo, temperaturas elevadas e restrição de umidade podem prejudicar a florada do café arábica, o desenvolvimento do café conilon e o estabelecimento dos grãos.

No Sul, o excesso de chuva pode beneficiar o milho de primeira safra, mas elevar a incidência de doenças fúngicas no trigo, atrasar a colheita e reduzir a qualidade dos grãos no Paraná. As condições também podem dificultar a semeadura da soja e afetar o planejamento do milho de segunda safra.

O relatório também registra intensificação do El Niño, com previsão de permanência do aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Entre outubro e dezembro, o Painel mantém risco elevado de fogo principalmente na Amazônia, no Centro-Oeste e em áreas do interior do País.

Fonte: Estadão Conteúdo

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