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15 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Produtividade da soja é resultado da interação entre genética, clima, solo e manejo

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Pesquisadores dos CTECNOs destacam fatores que interferem no potencial produtivo

A produtividade de uma lavoura de soja é resultado de uma combinação de fatores. Alguns deles podem ser diretamente influenciados pelo produtor, como a escolha da cultivar, o manejo do solo, a nutrição e as estratégias de controle de pragas e doenças.

Outros, como as características da área e condições climáticas ao longo do ciclo da cultura, estão fora do controle do agricultor, mas podem ser considerados no planejamento da safra. Essa interação entre fatores é determinante para que a planta consiga expressar seu potencial produtivo.

Para pesquisadores dos Centros Tecnológicos (CTECNOs) da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), conhecer as características da área, escolher materiais genéticos adaptados às condições locais e realizar o manejo adequado são etapas fundamentais para reduzir limitações ao desenvolvimento da cultura.

Entre os fatores que mais influenciam a produtividade está o clima. Temperatura, disponibilidade de água e incidência de radiação solar interferem diretamente no desenvolvimento da soja e ajudam a determinar, inclusive, as épocas mais adequadas para a semeadura. De acordo com o coordenador de pesquisa do CTECNO Araguaia, André Somavilla, o clima tem papel preponderante entre os fatores que impactam a produtividade das lavouras.

“O clima precisa ser ponderado, ter temperaturas e insolação adequadas, não pode ser muito chuvoso, nem pouco chuvoso. Por isso o clima é o que determina as épocas do ano de semeadura das culturas”, explica o pesquisador.

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Segundo Somavilla, excesso ou falta de chuva, temperaturas muito elevadas ou muito baixas e condições inadequadas de luminosidade podem limitar o desenvolvimento das plantas. É nesse contexto que entra uma das ferramentas disponíveis ao produtor: o melhoramento genético. O desenvolvimento de novas cultivares permite selecionar características que podem contribuir para o desempenho da soja em diferentes ambientes.

Entre elas estão maior potencial produtivo, resistência ou tolerância a determinadas pragas e doenças e maior eficiência em componentes relacionados à formação da produtividade. “O melhoramento genético é extremamente importante porque ele consegue selecionar e mesmo cruzar indivíduos que possuem características desejáveis”, destaca Somavilla.

O pesquisador explica que a seleção de materiais com características específicas permite desenvolver genótipos mais adaptados a determinados ambientes e capazes de apresentar maior eficiência nos componentes de produção. Na prática, isso significa que a escolha da cultivar não deve ser feita apenas com base no potencial produtivo apresentado em condições ideais. É importante considerar também a adaptação do material às características da região e da propriedade, além do histórico de problemas fitossanitários e das condições de solo e clima.

A genética, entretanto, não funciona de maneira isolada. Mesmo uma cultivar com alto potencial produtivo depende de condições adequadas para expressar suas características. Outro componente decisivo está abaixo da superfície. A qualidade do solo influencia o desenvolvimento das raízes, a disponibilidade de nutrientes e as condições para o crescimento das plantas ao longo do ciclo.

Segundo a pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Facco, os principais atributos relacionados à qualidade do solo podem ser divididos em três grupos: químicos, físicos e biológicos. “Aqueles solos com má qualidade química, com baixa disponibilidade de nutrientes, acidez restritiva ao crescimento radicular, podem prejudicar a produtividade das culturas. Solos compactados também podem prejudicar o desenvolvimento radicular das culturas e reduzir o potencial produtivo. E a biologia também é um parâmetro essencial dos solos. Quando há uma baixa qualidade biológica desse solo, uma baixa atividade de microrganismos, baixo teor de matéria orgânica, isso tudo vai impactar negativamente a produtividade da soja”, explica.

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Além das características químicas, físicas e biológicas, a disponibilidade de água no solo é essencial para o desenvolvimento da cultura. A água participa de diferentes processos fisiológicos da planta e também é fundamental para a absorção de nutrientes. De acordo com a pesquisadora, a disponibilidade hídrica depende não apenas do volume de chuva, mas também da sua distribuição ao longo do ciclo.

“Todos os processos envolvendo as plantas envolvem água. A absorção de nutrientes pela solução do solo é dependente da presença dessa água no solo que é abastecida pela chuva. Então, a presença de água, boas precipitações, é essencial para manter esse solo com uma boa disponibilidade hídrica e consequentemente a planta vai conseguir se manter naquele ambiente, absorver nutrientes e fazer todos os seus processos fisiológicos”, analisa a pesquisadora.

O manejo da lavoura é justamente o ponto em que diferentes decisões tomadas pelo produtor se encontram. A escolha da cultivar, a época de semeadura, a correção e a fertilidade do solo, a implantação da cultura e o acompanhamento da lavoura precisam estar alinhados às características do ambiente de produção. Isso porque uma limitação em determinada etapa pode comprometer o resultado mesmo quando os demais fatores estão adequados.

Uma cultivar de elevado potencial produtivo, por exemplo, precisa estar inserida em um ambiente capaz de oferecer condições para que esse potencial seja alcançado. A proteção da lavoura contra pragas e doenças é outro componente que merece atenção durante todo o ciclo da soja.

De acordo com Somavilla, plantas que sofrem danos deixam de apresentar seu desenvolvimento pleno e podem ter redução de produtividade. “Uma planta que não está sadia, não está em seu pleno desenvolvimento, ela vai ter perda de produtividade, independente do grau de intensidade dessas avarias na cultura”, afirma.

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O pesquisador ressalta que existem níveis de dano considerados toleráveis dentro das estratégias de manejo, mas destaca que qualquer ocorrência que afete o desenvolvimento da planta pode representar algum impacto sobre o potencial produtivo. Por isso, o monitoramento da lavoura é uma ferramenta importante para identificar problemas e orientar as decisões de manejo. O acompanhamento permite avaliar a ocorrência de pragas e doenças e definir, de acordo com as características de cada situação, as medidas necessárias para preservar o desenvolvimento da cultura.

Para o produtor, a definição do potencial produtivo começa antes da entrada das máquinas na área. O histórico da propriedade, as características do solo, o comportamento das cultivares disponíveis, as condições climáticas da região e os principais desafios fitossanitários devem fazer parte da tomada de decisão. Nesse processo, a análise e o diagnóstico das condições do solo são importantes para identificar possíveis limitações químicas, físicas e biológicas.

A escolha do material genético deve considerar a adaptação ao ambiente e as características desejadas para a área. Já o calendário de implantação precisa levar em conta as condições climáticas e as particularidades da região produtora. O objetivo é criar condições para que a planta atravesse o ciclo com o menor número possível de limitações. Assim, produtividade não é resultado de um único fator. É consequência da combinação entre genética, ambiente, qualidade do solo, sanidade, manejo e principalmente planejamento.

Quanto mais alinhados esses componentes estiverem às características da propriedade, maiores são as condições para que a cultura desenvolva seu potencial produtivo.

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Agro Mato Grosso

Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

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Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura

Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.

Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.

“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.

A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.

Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.

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“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.

O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.

“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.

Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.

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Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

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Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões

A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.

De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.

Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.

Inseticidas seguem na liderança

Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26
Importância no mercado – segmentos agrupados; Mercado total | algodão 25/26

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.

Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.

Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.

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Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.

Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.

Estudo representa 97% da área culutivada no país

Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.

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Agro Mato Grosso

Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

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Projeção indica crescimento de 18,67% na produção estadual; em Lucas do Rio Verde, representantes da indústria e do setor agropecuário conheceram as operações da FS

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