Connect with us
30 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Produtividade da soja cresce 11,1% a cada avanço nos níveis de manejo do solo

Published

on

Pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) validaram, em condições reais de campo, a eficiência da metodologia Zoneamento Agrícola de Risco Climático – Níveis de Manejo (ZarcNM). Os resultados evidenciam uma relação linear entre a qualidade do manejo do solo e o desempenho produtivo da soja. Para cada nível de avanço no manejo conquistado pelo produtor, observa-se um aumento médio de 11,1% na produtividade relativa da cultura. A metodologia classifica os talhões (unidades de cultivo) em quatro níveis de manejo – NM1 (menor qualidade) a NM4 (maior qualidade).

A pesquisa foi conduzida em um experimento de longa duração instalado há 30 anos no município de Dourados (MS) e analisou 28 safras consecutivas de soja , entre 1998 e 2026. Ao todo, mais de 4,3 mil pontos georreferenciados foram avaliados. Nesses pontos, ao longo dos anos foram registrados valores de análises químicas, da cobertura do solo e da produtividade dos cultivos, o que possibilitou aplicar a classificação dos níveis de manejo (NM) e relacioná-la às produtividades da soja em cada ponto e safra.

O trabalho comprova que o manejo do solo é importante para determinar o sucesso da produção de soja. Áreas onde são adotadas práticas conservacionistas apresentam maior produtividade, enfrentam melhor os períodos de estiagem e são menos vulneráveis a riscos de perdas, o que confirma a relevância da conservação do solo para a sustentabilidade da agricultura.

O pesquisador Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, reforça que a forma como o solo é manejado influencia diretamente a capacidade das lavouras de suportar períodos de deficiência hídrica. “Solos bem manejados armazenam mais água, oferecem melhores condições ao desenvolvimento das raízes e tornam a cultura da soja mais resistente às oscilações climáticas”, afirma.

Avaliação de risco climático

Tradicionalmente, o Zarc considera fatores como clima, tipo de solo, época de semeadura e ciclo das cultivares para indicar as janelas de semeadura com menor risco de perdas. A inovação do ZarcNM consiste em acrescentar a qualidade do sistema de manejo do solo adotado pelo agricultor a essa análise. A metodologia classifica os talhões em quatro níveis de manejo, identificados como NM1, NM2, NM3 e NM4.

Advertisement

O NM1 representa sistemas de menor qualidade, geralmente associados ao preparo convencional, ao monocultivo da soja e à degradação gradual do solo. Já o NM4 corresponde ao nível mais elevado, caracterizado por práticas conservacionistas, como o sistema plantio direto (SPD) e a integração lavoura-pecuária (ILP).

Na prática, quanto maior o nível de manejo, maior a capacidade do solo de funcionar como uma espécie de reservatório natural de água, reduzindo os efeitos provocados pelos veranicos – períodos sem chuvas que ocorrem em plena estação chuvosa, frequentes em Mato Grosso do Sul.

260929_ZarcNMemMS_Júlio_Cesar_Salton_lavoura de soja com reduzida cobertura de solo
Lavoura de soja com reduzida cobertura de solo
(Foto: Júlio Cesar Salton)

Modelos de produção

A validação do ZarcNM foi realizada com base em três modelos distintos de produção agrícola. O primeiro correspondeu ao preparo convencional, caracterizado pelo monocultivo da soja e pelo revolvimento constante do solo por meio de gradagens (preparo do solo que ocorre com o uso de grades de discos antes da semeadura).

O segundo envolveu o sistema plantio direto, no qual o solo permanece sem revolvimento e ocorre a rotação de diferentes culturas ao longo dos anos.

O terceiro avaliou a integração lavoura-pecuária, modelo em que a soja é alternada com pastagens, o que promove melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Os pesquisadores analisaram indicadores relacionados a atributos químicos, cobertura do solo, diversidade de culturas e tempo sem revolvimento do solo.

Advertisement

Avanço no manejo, maior produtividade

A pesquisa mostra que, para cada nível de qualidade do manejo conquistado pelo produtor – por exemplo, transicionar do NM2 para o NM3–, ocorre aumento médio de 11,1% na produtividade relativa. As médias obtidas durante as 28 safras foram expressivas, com produtividade relativa de 44,0% no NM1 ; de 55,1% no NM2; de 66,2% no NM3 ; e de 77,2% no NM4.

Ao longo do período avaliado, a produtividade variou bastante como ocorreu na região de Dourados, com valores, na maioria das vezes, oscilando entre duas e cerca de 90 sacas por hectare, resultado da interação entre a ocorrência de chuvas, o momento e a duração de veranicos e as práticas de manejo do solo.

Nos anos mais favoráveis, algumas áreas ultrapassaram 80 sacas por hectare. Em contraste, durante eventos climáticos extremos, sistemas conduzidos sob preparo convencional chegaram a registrar perda total da produção.

“O estudo comprova que investir na qualidade do manejo significa reduzir riscos, aumentar a estabilidade produtiva e preparar o sistema para enfrentar eventos climáticos adversos”, destaca Salton.

260929_ZarcNMemMS_Júlio_Cesar_Salton_lavoura de soja com boa cobertura de solo
Lavoura de soja com boa cobertura de solo (Foto: Júlio Cesar Salton)

Seis indicadores

Para enquadrar cada área entre os níveis NM1 e NM4, são utilizados no ZarcNM seis indicadores considerados essenciais para avaliar a qualidade do manejo: o tempo sem revolvimento do solo, a quantidade de cobertura vegetal existente antes da semeadura, a saturação de bases na camada superficial, o teor de cálcio e a saturação por alumínio nas camadas mais profundas e a diversidade de cultivos nos três últimos anos agrícolas.

Segundo os pesquisadores, sistemas baseados em monocultivo tendem a permanecer nos níveis inferiores, enquanto áreas conduzidas com rotação de culturas e integração lavoura-pecuária alcançam mais facilmente os níveis superiores.

Advertisement

Um dos aspectos destacados pela pesquisa foi a importância da diversidade de culturas. O indicador considera o histórico dos três últimos anos agrícolas, avaliando se houve alternância de espécies vegetais ou predominância de monocultivo. “Essa diversidade favorece a melhoria da estrutura física do solo, aumenta a atividade biológica, amplia a infiltração de água e contribui para a formação de um ambiente mais favorável ao crescimento das raízes. Como consequência, as plantas conseguem explorar camadas mais profundas do perfil do solo, aumentando sua capacidade de suportar períodos de estiagem”, explica Salton.

Os resultados mostram que os maiores benefícios do manejo conservacionista aparecem em anos de déficit hídrico moderado. Nessas condições, áreas classificadas como NM3 e NM4 mantiveram níveis significativamente superiores de produtividade em comparação aos sistemas convencionais.

Mesmo assim, o estudo ressalta que existem limites impostos pelas condições climáticas. “Na região centro-sul de Mato Grosso do Sul, a ocorrência de veranicos frequentes e a baixa capacidade de retenção de água dos solos têm historicamente comprometido o rendimento da cultura, como nas safras 2003/04, quando a precipitação foi bastante reduzida (entre 150 mm e 200 mm), e 2020/21, em que as perdas foram expressivas, com o menor volume de chuva de toda a série de registros (inferior a 100 mm)”, relata o pesquisador Carlos Ricardo Fietz com base em dados históricos do Guia Clima, sistema de monitoramento agroclimático da Embrapa Agropecuária Oeste.

Enquanto áreas conduzidas sob manejo convencional chegaram à produção nula em alguns casos, sistemas conservacionistas conseguiram reduzir parcialmente os prejuízos. “O manejo adequado não elimina completamente os efeitos de uma seca extrema, mas aumenta significativamente a capacidade da lavoura de enfrentar déficits hídricos moderados e minimiza o risco de perdas severas”, ressalta Salton.

Impactos podem alcançar crédito e seguro rural

Além dos benefícios agronômicos, a validação do ZarcNM pode apoiar decisões técnicas e políticas públicas voltadas ao setor agropecuário, pois a metodologia permite identificar o risco climático associado à qualidade do manejo de forma mais precisa. “Isso contribui para o acesso mais justo ao seguro agrícola ao considerar atributos de manejo além da textura da terra. Ao investirem na conservação do solo, os produtores apresentam menor probabilidade de perdas decorrentes da seca”, diz a pesquisadora Michely Tomazi.

Advertisement

Segundo dados de 2022 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 80,5% dos sinistros registrados em Mato Grosso do Sul foram relacionados à deficiência hídrica. “O estudo demonstra que práticas como o sistema plantio direto e a integração lavoura-pecuária deixam de ser apenas recomendações técnicas e passam a constituir instrumentos concretos para ampliar a segurança produtiva, econômica e ambiental da soja em Mato Grosso do Sul e em outras regiões produtoras do País”, conclui Salton.

Equipe da pesquisa

A validação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático – Níveis de Manejo (ZarcNM) no experimento em Dourados (MS) foi conduzida pelos pesquisadores Júlio Cesar Salton, Michely Tomazi, Éder Comunello e Carlos Ricardo Fietz, da Embrapa Agropecuária Oeste. Participaram também os bolsistas Rafael Silva Ferreira e Fabrícia da Silva Ramos, do convênio entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped), a Itaipu Binacional e o centro de pesquisa da Embrapa.

Bom manejo traz maior subvenção no seguro

O ZarcNM está disponível, em caráter experimental, para a safra de soja nos estados da região Sul e no estado do Mato Grosso do Sul; e, para a segunda safra de milho, no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Os agricultores que participarem terão subvenção diferenciada na contratação do seguro agrícola por meio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Na safra de soja, talhões classificados no NM4 terão subvenção de 40%, enquanto no NM3 a subvenção será de 35% e no NM2, de 30%. Os talhões no NM1 terão a subvenção padrão do programa, de 20%.
Para o milho segunda safra, a subvenção será de 50% para os níveis de manejo 3 e 4, de 45% para NM2 e de 40% para NM1.

Os agricultores que quiserem participar devem buscar os operadores credenciados, que podem ser consultados na página sobre o tema. O primeiro passo é realizar análise de solo.

Advertisement

Os dados serão inseridos pelo laboratório no Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SiNM). Na sequência, o operador de contrato, que pode ser uma seguradora, banco ou cooperativa, irá inserir os dados do produtor e da fazenda e acionará um operador de geoprocessamento para levantamento das demais informações. Com base nos dados, o sistema calcula e classifica o nível de manejo.

Este é o segundo ano que o ZarcNM é testado. Na safra 2025/2026 a experiência piloto foi feita apenas com a cultura da soja, no Paraná. A expectativa é que a iniciativa se expanda gradualmente para outras regiões e outras culturas.

(com Assessoria Embrapa Oeste)

Continue Reading
Advertisement

Agro Mato Grosso

Produtividade da soja é resultado da interação entre genética, clima, solo e manejo

Published

on

Pesquisadores dos CTECNOs destacam fatores que interferem no potencial produtivo

A produtividade de uma lavoura de soja é resultado de uma combinação de fatores. Alguns deles podem ser diretamente influenciados pelo produtor, como a escolha da cultivar, o manejo do solo, a nutrição e as estratégias de controle de pragas e doenças.

Outros, como as características da área e condições climáticas ao longo do ciclo da cultura, estão fora do controle do agricultor, mas podem ser considerados no planejamento da safra. Essa interação entre fatores é determinante para que a planta consiga expressar seu potencial produtivo.

Para pesquisadores dos Centros Tecnológicos (CTECNOs) da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), conhecer as características da área, escolher materiais genéticos adaptados às condições locais e realizar o manejo adequado são etapas fundamentais para reduzir limitações ao desenvolvimento da cultura.

Entre os fatores que mais influenciam a produtividade está o clima. Temperatura, disponibilidade de água e incidência de radiação solar interferem diretamente no desenvolvimento da soja e ajudam a determinar, inclusive, as épocas mais adequadas para a semeadura. De acordo com o coordenador de pesquisa do CTECNO Araguaia, André Somavilla, o clima tem papel preponderante entre os fatores que impactam a produtividade das lavouras.

“O clima precisa ser ponderado, ter temperaturas e insolação adequadas, não pode ser muito chuvoso, nem pouco chuvoso. Por isso o clima é o que determina as épocas do ano de semeadura das culturas”, explica o pesquisador.

Advertisement

Segundo Somavilla, excesso ou falta de chuva, temperaturas muito elevadas ou muito baixas e condições inadequadas de luminosidade podem limitar o desenvolvimento das plantas. É nesse contexto que entra uma das ferramentas disponíveis ao produtor: o melhoramento genético. O desenvolvimento de novas cultivares permite selecionar características que podem contribuir para o desempenho da soja em diferentes ambientes.

Entre elas estão maior potencial produtivo, resistência ou tolerância a determinadas pragas e doenças e maior eficiência em componentes relacionados à formação da produtividade. “O melhoramento genético é extremamente importante porque ele consegue selecionar e mesmo cruzar indivíduos que possuem características desejáveis”, destaca Somavilla.

O pesquisador explica que a seleção de materiais com características específicas permite desenvolver genótipos mais adaptados a determinados ambientes e capazes de apresentar maior eficiência nos componentes de produção. Na prática, isso significa que a escolha da cultivar não deve ser feita apenas com base no potencial produtivo apresentado em condições ideais. É importante considerar também a adaptação do material às características da região e da propriedade, além do histórico de problemas fitossanitários e das condições de solo e clima.

A genética, entretanto, não funciona de maneira isolada. Mesmo uma cultivar com alto potencial produtivo depende de condições adequadas para expressar suas características. Outro componente decisivo está abaixo da superfície. A qualidade do solo influencia o desenvolvimento das raízes, a disponibilidade de nutrientes e as condições para o crescimento das plantas ao longo do ciclo.

Segundo a pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Facco, os principais atributos relacionados à qualidade do solo podem ser divididos em três grupos: químicos, físicos e biológicos. “Aqueles solos com má qualidade química, com baixa disponibilidade de nutrientes, acidez restritiva ao crescimento radicular, podem prejudicar a produtividade das culturas. Solos compactados também podem prejudicar o desenvolvimento radicular das culturas e reduzir o potencial produtivo. E a biologia também é um parâmetro essencial dos solos. Quando há uma baixa qualidade biológica desse solo, uma baixa atividade de microrganismos, baixo teor de matéria orgânica, isso tudo vai impactar negativamente a produtividade da soja”, explica.

Advertisement

Além das características químicas, físicas e biológicas, a disponibilidade de água no solo é essencial para o desenvolvimento da cultura. A água participa de diferentes processos fisiológicos da planta e também é fundamental para a absorção de nutrientes. De acordo com a pesquisadora, a disponibilidade hídrica depende não apenas do volume de chuva, mas também da sua distribuição ao longo do ciclo.

“Todos os processos envolvendo as plantas envolvem água. A absorção de nutrientes pela solução do solo é dependente da presença dessa água no solo que é abastecida pela chuva. Então, a presença de água, boas precipitações, é essencial para manter esse solo com uma boa disponibilidade hídrica e consequentemente a planta vai conseguir se manter naquele ambiente, absorver nutrientes e fazer todos os seus processos fisiológicos”, analisa a pesquisadora.

O manejo da lavoura é justamente o ponto em que diferentes decisões tomadas pelo produtor se encontram. A escolha da cultivar, a época de semeadura, a correção e a fertilidade do solo, a implantação da cultura e o acompanhamento da lavoura precisam estar alinhados às características do ambiente de produção. Isso porque uma limitação em determinada etapa pode comprometer o resultado mesmo quando os demais fatores estão adequados.

Uma cultivar de elevado potencial produtivo, por exemplo, precisa estar inserida em um ambiente capaz de oferecer condições para que esse potencial seja alcançado. A proteção da lavoura contra pragas e doenças é outro componente que merece atenção durante todo o ciclo da soja.

De acordo com Somavilla, plantas que sofrem danos deixam de apresentar seu desenvolvimento pleno e podem ter redução de produtividade. “Uma planta que não está sadia, não está em seu pleno desenvolvimento, ela vai ter perda de produtividade, independente do grau de intensidade dessas avarias na cultura”, afirma.

Advertisement

O pesquisador ressalta que existem níveis de dano considerados toleráveis dentro das estratégias de manejo, mas destaca que qualquer ocorrência que afete o desenvolvimento da planta pode representar algum impacto sobre o potencial produtivo. Por isso, o monitoramento da lavoura é uma ferramenta importante para identificar problemas e orientar as decisões de manejo. O acompanhamento permite avaliar a ocorrência de pragas e doenças e definir, de acordo com as características de cada situação, as medidas necessárias para preservar o desenvolvimento da cultura.

Para o produtor, a definição do potencial produtivo começa antes da entrada das máquinas na área. O histórico da propriedade, as características do solo, o comportamento das cultivares disponíveis, as condições climáticas da região e os principais desafios fitossanitários devem fazer parte da tomada de decisão. Nesse processo, a análise e o diagnóstico das condições do solo são importantes para identificar possíveis limitações químicas, físicas e biológicas.

A escolha do material genético deve considerar a adaptação ao ambiente e as características desejadas para a área. Já o calendário de implantação precisa levar em conta as condições climáticas e as particularidades da região produtora. O objetivo é criar condições para que a planta atravesse o ciclo com o menor número possível de limitações. Assim, produtividade não é resultado de um único fator. É consequência da combinação entre genética, ambiente, qualidade do solo, sanidade, manejo e principalmente planejamento.

Quanto mais alinhados esses componentes estiverem às características da propriedade, maiores são as condições para que a cultura desenvolva seu potencial produtivo.

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Seguro rural ganha novas regras para indenizações e crédito

Published

on

Lei 15.526 estabelece prazos para análise de sinistros, prevê novas regras para subvenção e integra apólices às garantias

O seguro rural passa a contar com novas regras a partir desta quarta-feira (30/9). A Lei nº 15.526 estabelece normas para a contratação, regulação e pagamento de indenizações e inclui mudanças relacionadas à subvenção ao prêmio e ao uso das apólices como garantia em operações de crédito rural.

Publicada na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União (DOU), a legislação determina que os contratos informem de forma clara os documentos necessários para a análise de sinistros e estabelece prazos para a conclusão dos processos.

Prazos para sinistros

Nos casos em que não for necessária vistoria presencial, a regulação do sinistro deverá ser concluída em até 15 dias após o aviso feito pelo produtor. Para o pagamento da indenização, o prazo será de até 30 dias, contados a partir da entrega da documentação exigida ou da realização da vistoria técnica.

Seguro como garantia de crédito

A nova legislação também integra o seguro rural ao conjunto de garantias das operações de crédito rural. As instituições financeiras poderão exigir cláusulas que permitam a cessão dos direitos previstos na apólice como garantia da operação.

Em caso de sinistro, as indenizações poderão ser destinadas prioritariamente ao agente financeiro, conforme as condições estabelecidas na operação.

Advertisement

O governo federal deverá ainda estabelecer condições para estimular a contratação do seguro rural pelos produtores.

Incentivos e subvenção

A lei prevê incentivos para operações de crédito rural protegidas por seguro. Entre as medidas estão condições mais favoráveis de financiamento, prioridade na obtenção de crédito e acesso preferencial à prorrogação ou renegociação de dívidas rurais.

O texto também estabelece como obrigatórias as despesas da União destinadas à subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, respeitados os limites previstos no Orçamento Federal.

Para ter acesso à subvenção, os produtores deverão fornecer informações sobre suas atividades agropecuárias, conforme formato a ser definido pelo Poder Executivo.

Transparência

A legislação também prevê medidas voltadas à transparência do mercado de seguro rural. Entre elas estão a criação de bancos de dados públicos na internet com informações sobre as operações de seguro rural e a disponibilização de um manual com as regras da subvenção ao prêmio.

Advertisement
Continue Reading

Agro Mato Grosso

Vazio sanitário do algodão começa em outubro em MT e exige atenção dos produtores

Published

on

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) emitiu um alerta importante aos produtores rurais sobre o início do calendário fitossanitário do algodão no estado, definido pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) por meio da Instrução Normativa nº 003/2024 para a safra 2026/2027.

A partir do dia 1º de outubro, o vazio sanitário do algodão começa a vigorar em municípios mato-grossenses, seguindo até dezembro. A medida é considerada a principal estratégia para interromper o ciclo e conter a proliferação do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura.

📅 Calendário e regiões em Mato Grosso

O estado está dividido em duas regiões fitossanitárias, respeitando as particularidades dos calendários de produção locais:

  • Região I: O vazio sanitário ocorre de 1º de outubro a 30 de novembro.
  • Região II: O período sem plantas vivas vai de 15 de outubro a 14 de dezembro.

Durante essas datas, é terminantemente proibida a existência de plantas com risco fitossanitário no campo. De acordo com o assessor técnico em Agricultura da Famato, Alex Rosa, a presença de plantas remanescentes da safra anterior — especialmente soqueiras e tiguereiras — serve de abrigo e alimento para a praga, comprometendo o início do próximo ciclo produtivo.

🐛 O Perigo do Bicudo-do-Algodoeiro

Considerado o inseto mais destrutivo para a cotonicultura devido à sua alta capacidade de reprodução, o bicudo ataca diretamente os botões florais e as maçãs do algodão.

  • Sintomas do ataque: Os botões florais caem após serem abertos, e as flores adquirem um aspecto de “balão” devido à abertura anormal das pétalas.
  • Danos internos: As larvas destroem as fibras e sementes internamente, impedindo a abertura correta dos capulhos e escurecendo as estruturas.
  • Fator climático: Períodos chuvosos favorecem o desenvolvimento do inseto, pois a umidade ajuda a conservar por mais tempo os botões atacados.

🌾 A Força do Algodão em Mato Grosso

Mato Grosso consolida-se de forma absoluta como o líder da cotonicultura no país, respondendo por aproximadamente 70% de todo o algodão produzido no Brasil. O modelo produtivo do estado destaca-se pelo cultivo em sistema de sucessão após a colheita da soja na segunda safra, tendo alcançado uma área plantada de 1,36 milhão de hectares na temporada 2025/2026.

O diretor técnico do Indea-MT, Renan Tomazele, reforça que o cumprimento rigoroso do vazio sanitário é indispensável para proteger essa cadeia produtiva multibilionária e garantir a sustentabilidade e a competitividade do algodão mato-grossense nos mercados nacional e internacional.

Advertisement
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT