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Produtividade da soja é resultado da interação entre genética, clima, solo e manejo

Pesquisadores dos CTECNOs destacam fatores que interferem no potencial produtivo
A produtividade de uma lavoura de soja é resultado de uma combinação de fatores. Alguns deles podem ser diretamente influenciados pelo produtor, como a escolha da cultivar, o manejo do solo, a nutrição e as estratégias de controle de pragas e doenças.
Outros, como as características da área e condições climáticas ao longo do ciclo da cultura, estão fora do controle do agricultor, mas podem ser considerados no planejamento da safra. Essa interação entre fatores é determinante para que a planta consiga expressar seu potencial produtivo.
Para pesquisadores dos Centros Tecnológicos (CTECNOs) da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), conhecer as características da área, escolher materiais genéticos adaptados às condições locais e realizar o manejo adequado são etapas fundamentais para reduzir limitações ao desenvolvimento da cultura.
Entre os fatores que mais influenciam a produtividade está o clima. Temperatura, disponibilidade de água e incidência de radiação solar interferem diretamente no desenvolvimento da soja e ajudam a determinar, inclusive, as épocas mais adequadas para a semeadura. De acordo com o coordenador de pesquisa do CTECNO Araguaia, André Somavilla, o clima tem papel preponderante entre os fatores que impactam a produtividade das lavouras.
“O clima precisa ser ponderado, ter temperaturas e insolação adequadas, não pode ser muito chuvoso, nem pouco chuvoso. Por isso o clima é o que determina as épocas do ano de semeadura das culturas”, explica o pesquisador.
Segundo Somavilla, excesso ou falta de chuva, temperaturas muito elevadas ou muito baixas e condições inadequadas de luminosidade podem limitar o desenvolvimento das plantas. É nesse contexto que entra uma das ferramentas disponíveis ao produtor: o melhoramento genético. O desenvolvimento de novas cultivares permite selecionar características que podem contribuir para o desempenho da soja em diferentes ambientes.
Entre elas estão maior potencial produtivo, resistência ou tolerância a determinadas pragas e doenças e maior eficiência em componentes relacionados à formação da produtividade. “O melhoramento genético é extremamente importante porque ele consegue selecionar e mesmo cruzar indivíduos que possuem características desejáveis”, destaca Somavilla.
O pesquisador explica que a seleção de materiais com características específicas permite desenvolver genótipos mais adaptados a determinados ambientes e capazes de apresentar maior eficiência nos componentes de produção. Na prática, isso significa que a escolha da cultivar não deve ser feita apenas com base no potencial produtivo apresentado em condições ideais. É importante considerar também a adaptação do material às características da região e da propriedade, além do histórico de problemas fitossanitários e das condições de solo e clima.
A genética, entretanto, não funciona de maneira isolada. Mesmo uma cultivar com alto potencial produtivo depende de condições adequadas para expressar suas características. Outro componente decisivo está abaixo da superfície. A qualidade do solo influencia o desenvolvimento das raízes, a disponibilidade de nutrientes e as condições para o crescimento das plantas ao longo do ciclo.
Segundo a pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Facco, os principais atributos relacionados à qualidade do solo podem ser divididos em três grupos: químicos, físicos e biológicos. “Aqueles solos com má qualidade química, com baixa disponibilidade de nutrientes, acidez restritiva ao crescimento radicular, podem prejudicar a produtividade das culturas. Solos compactados também podem prejudicar o desenvolvimento radicular das culturas e reduzir o potencial produtivo. E a biologia também é um parâmetro essencial dos solos. Quando há uma baixa qualidade biológica desse solo, uma baixa atividade de microrganismos, baixo teor de matéria orgânica, isso tudo vai impactar negativamente a produtividade da soja”, explica.
Além das características químicas, físicas e biológicas, a disponibilidade de água no solo é essencial para o desenvolvimento da cultura. A água participa de diferentes processos fisiológicos da planta e também é fundamental para a absorção de nutrientes. De acordo com a pesquisadora, a disponibilidade hídrica depende não apenas do volume de chuva, mas também da sua distribuição ao longo do ciclo.
“Todos os processos envolvendo as plantas envolvem água. A absorção de nutrientes pela solução do solo é dependente da presença dessa água no solo que é abastecida pela chuva. Então, a presença de água, boas precipitações, é essencial para manter esse solo com uma boa disponibilidade hídrica e consequentemente a planta vai conseguir se manter naquele ambiente, absorver nutrientes e fazer todos os seus processos fisiológicos”, analisa a pesquisadora.
O manejo da lavoura é justamente o ponto em que diferentes decisões tomadas pelo produtor se encontram. A escolha da cultivar, a época de semeadura, a correção e a fertilidade do solo, a implantação da cultura e o acompanhamento da lavoura precisam estar alinhados às características do ambiente de produção. Isso porque uma limitação em determinada etapa pode comprometer o resultado mesmo quando os demais fatores estão adequados.
Uma cultivar de elevado potencial produtivo, por exemplo, precisa estar inserida em um ambiente capaz de oferecer condições para que esse potencial seja alcançado. A proteção da lavoura contra pragas e doenças é outro componente que merece atenção durante todo o ciclo da soja.
De acordo com Somavilla, plantas que sofrem danos deixam de apresentar seu desenvolvimento pleno e podem ter redução de produtividade. “Uma planta que não está sadia, não está em seu pleno desenvolvimento, ela vai ter perda de produtividade, independente do grau de intensidade dessas avarias na cultura”, afirma.
O pesquisador ressalta que existem níveis de dano considerados toleráveis dentro das estratégias de manejo, mas destaca que qualquer ocorrência que afete o desenvolvimento da planta pode representar algum impacto sobre o potencial produtivo. Por isso, o monitoramento da lavoura é uma ferramenta importante para identificar problemas e orientar as decisões de manejo. O acompanhamento permite avaliar a ocorrência de pragas e doenças e definir, de acordo com as características de cada situação, as medidas necessárias para preservar o desenvolvimento da cultura.
Para o produtor, a definição do potencial produtivo começa antes da entrada das máquinas na área. O histórico da propriedade, as características do solo, o comportamento das cultivares disponíveis, as condições climáticas da região e os principais desafios fitossanitários devem fazer parte da tomada de decisão. Nesse processo, a análise e o diagnóstico das condições do solo são importantes para identificar possíveis limitações químicas, físicas e biológicas.
A escolha do material genético deve considerar a adaptação ao ambiente e as características desejadas para a área. Já o calendário de implantação precisa levar em conta as condições climáticas e as particularidades da região produtora. O objetivo é criar condições para que a planta atravesse o ciclo com o menor número possível de limitações. Assim, produtividade não é resultado de um único fator. É consequência da combinação entre genética, ambiente, qualidade do solo, sanidade, manejo e principalmente planejamento.
Quanto mais alinhados esses componentes estiverem às características da propriedade, maiores são as condições para que a cultura desenvolva seu potencial produtivo.
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Seguro rural ganha novas regras para indenizações e crédito

Lei 15.526 estabelece prazos para análise de sinistros, prevê novas regras para subvenção e integra apólices às garantias
O seguro rural passa a contar com novas regras a partir desta quarta-feira (30/9). A Lei nº 15.526 estabelece normas para a contratação, regulação e pagamento de indenizações e inclui mudanças relacionadas à subvenção ao prêmio e ao uso das apólices como garantia em operações de crédito rural.
Publicada na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União (DOU), a legislação determina que os contratos informem de forma clara os documentos necessários para a análise de sinistros e estabelece prazos para a conclusão dos processos.
Prazos para sinistros
Nos casos em que não for necessária vistoria presencial, a regulação do sinistro deverá ser concluída em até 15 dias após o aviso feito pelo produtor. Para o pagamento da indenização, o prazo será de até 30 dias, contados a partir da entrega da documentação exigida ou da realização da vistoria técnica.
Seguro como garantia de crédito
A nova legislação também integra o seguro rural ao conjunto de garantias das operações de crédito rural. As instituições financeiras poderão exigir cláusulas que permitam a cessão dos direitos previstos na apólice como garantia da operação.
Em caso de sinistro, as indenizações poderão ser destinadas prioritariamente ao agente financeiro, conforme as condições estabelecidas na operação.
O governo federal deverá ainda estabelecer condições para estimular a contratação do seguro rural pelos produtores.
Incentivos e subvenção
A lei prevê incentivos para operações de crédito rural protegidas por seguro. Entre as medidas estão condições mais favoráveis de financiamento, prioridade na obtenção de crédito e acesso preferencial à prorrogação ou renegociação de dívidas rurais.
O texto também estabelece como obrigatórias as despesas da União destinadas à subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, respeitados os limites previstos no Orçamento Federal.
Para ter acesso à subvenção, os produtores deverão fornecer informações sobre suas atividades agropecuárias, conforme formato a ser definido pelo Poder Executivo.
Transparência
A legislação também prevê medidas voltadas à transparência do mercado de seguro rural. Entre elas estão a criação de bancos de dados públicos na internet com informações sobre as operações de seguro rural e a disponibilização de um manual com as regras da subvenção ao prêmio.
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Vazio sanitário do algodão começa em outubro em MT e exige atenção dos produtores

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) emitiu um alerta importante aos produtores rurais sobre o início do calendário fitossanitário do algodão no estado, definido pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) por meio da Instrução Normativa nº 003/2024 para a safra 2026/2027.
A partir do dia 1º de outubro, o vazio sanitário do algodão começa a vigorar em municípios mato-grossenses, seguindo até dezembro. A medida é considerada a principal estratégia para interromper o ciclo e conter a proliferação do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura.
📅 Calendário e regiões em Mato Grosso
O estado está dividido em duas regiões fitossanitárias, respeitando as particularidades dos calendários de produção locais:
- Região I: O vazio sanitário ocorre de 1º de outubro a 30 de novembro.
- Região II: O período sem plantas vivas vai de 15 de outubro a 14 de dezembro.
Durante essas datas, é terminantemente proibida a existência de plantas com risco fitossanitário no campo. De acordo com o assessor técnico em Agricultura da Famato, Alex Rosa, a presença de plantas remanescentes da safra anterior — especialmente soqueiras e tiguereiras — serve de abrigo e alimento para a praga, comprometendo o início do próximo ciclo produtivo.
🐛 O Perigo do Bicudo-do-Algodoeiro
Considerado o inseto mais destrutivo para a cotonicultura devido à sua alta capacidade de reprodução, o bicudo ataca diretamente os botões florais e as maçãs do algodão.
- Sintomas do ataque: Os botões florais caem após serem abertos, e as flores adquirem um aspecto de “balão” devido à abertura anormal das pétalas.
- Danos internos: As larvas destroem as fibras e sementes internamente, impedindo a abertura correta dos capulhos e escurecendo as estruturas.
- Fator climático: Períodos chuvosos favorecem o desenvolvimento do inseto, pois a umidade ajuda a conservar por mais tempo os botões atacados.
🌾 A Força do Algodão em Mato Grosso
Mato Grosso consolida-se de forma absoluta como o líder da cotonicultura no país, respondendo por aproximadamente 70% de todo o algodão produzido no Brasil. O modelo produtivo do estado destaca-se pelo cultivo em sistema de sucessão após a colheita da soja na segunda safra, tendo alcançado uma área plantada de 1,36 milhão de hectares na temporada 2025/2026.
O diretor técnico do Indea-MT, Renan Tomazele, reforça que o cumprimento rigoroso do vazio sanitário é indispensável para proteger essa cadeia produtiva multibilionária e garantir a sustentabilidade e a competitividade do algodão mato-grossense nos mercados nacional e internacional.
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