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Frente fria derruba temperaturas em Mato Grosso e avanço do bicudo mobiliza propriedades

Os cotonicultores de Mato Grosso elevaram o sinal de alerta nos últimos dias diante do avanço do bicudo-do-algodoeiro em quase todas as áreas produtoras do estado. A mobilização fitossanitária ocorre em paralelo à chegada de uma frente fria, que derrubou os termômetros à noite e trouxe chuvas isoladas, sem gerar perdas no potencial das lavouras. As informações são do balanço do período de 10 a 15 de maio divulgado pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).
A mudança climática encontrou a maior parte das plantações com altos índices de frutificação e em fase final de maturação. Embora o frio recente não tenha quebrado o ritmo do ciclo, o estresse hídrico característico da época do ano já começa a prejudicar o desenvolvimento dos plantios mais tardios e das lavouras em solos arenosos.
A maior preocupação técnica, frisa a entidade, se concentra no avanço do inseto às vésperas da colheita. Para proteger a qualidade da pluma, a orientação das equipes de campo é intensificar o manejo químico e realizar a eliminação de plantas tigueras nas propriedades, evitando que sirvam de refúgio para a praga.
Logística e outras pragas
O monitoramento semanal da Ampa também identificou a presença de lagarta Spodoptera, ácaros e mosca-branca nos talhões. No balanço das doenças, a mancha-alvo e a ramulária continuam pontuando os relatórios, mas restritas a variedades de plantas mais suscetíveis ou a áreas com microclima úmido.
Paralelamente ao controle químico, as propriedades rurais intensificam os preparativos logísticos para receber a safra. De acordo com a Associação, o movimento é constante dentro de oficinas e galpões para finalizar os ajustes mecânicos em colhedoras, algodoeiras e nas estruturas de beneficiamento.
O início oficial das colheitadeiras em Mato Grosso depende agora apenas do encerramento do ciclo biológico das variedades tardias e do estabelecimento de janelas de tempo seco no estado.
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Controle biológico ajuda a reduzir pulgão-do-sorgo em lavouras de MG

A presença de moscas-sirfídeo contribuiu para reduzir a população do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi) em lavouras de sorgo forrageiro de Minas Gerais. O resultado foi observado em áreas sem aplicação de inseticidas, onde a preservação de insetos predadores favoreceu o controle biológico da praga.
O estudo foi conduzido pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), durante duas safras. Os pesquisadores compararam áreas com e sem aplicação de inseticidas e fizeram o acompanhamento semanal das populações de pragas e de insetos presentes nas lavouras.
Os resultados apontaram que o uso de defensivos, as condições climáticas e a presença de inimigos naturais interferem na população dos pulgões. O trabalho reforça a aplicação do Manejo Integrado de Pragas (MIP) no cultivo de sorgo.
Moscas-sirfídeo atuam sobre o pulgão
O pulgão-do-sorgo foi a praga com maior ocorrência nas áreas avaliadas. A população atingiu o pico durante o estágio vegetativo das plantas e apresentou relação com a presença de predadores da família Syrphidae, que reúne as moscas-sirfídeo, também chamadas de moscas-das-flores.
As larvas desses insetos atuam como predadoras de pulgões. Joaninhas, da família Coccinellidae, também participaram do controle das populações observadas no estudo.
A pesquisa identificou que a ausência de aplicação de produtos químicos favoreceu a presença desses inimigos naturais. Com isso, a relação entre predadores e pragas contribuiu para manter a população dos pulgões sob controle.
A pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo Simone Mendes destaca a necessidade de considerar as relações entre ambiente, pragas e organismos que atuam no controle biológico.
“Compreender essa dinâmica fornece subsídios à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, uma vez que permite gerar informações valiosas destinadas ao desenvolvimento de estratégias de manejo de pragas”, afirma.
Chuva reduz população de pulgões
As condições climáticas também influenciaram a ocorrência dos insetos. Durante os períodos de chuva, os pesquisadores observaram redução na população de pulgões no campo.
Segundo Simone Mendes, a temperatura, a umidade relativa e a precipitação interferem na dinâmica populacional da praga.
“A dinâmica populacional de pulgões é influenciada por parâmetros climáticos tais como a temperatura, a umidade relativa e principalmente a precipitação ou quantidade de chuvas. A precipitação, no caso, é o fator mais importante porque contribui para a mortalidade natural dos pulgões no campo”, explica.
A pesquisa também registrou a presença do pulgão-do-milho (Rhophalosiphum maidis). A população dessa espécie aumentou na segunda safra avaliada, período que teve maior volume de precipitação.
Pulgão prejudica a fotossíntese
O Melanaphis sorghi permanece na parte inferior das folhas e nas folhas mais baixas das plantas. A localização dificulta o monitoramento das lavouras e pode atrasar a identificação da infestação.
“Daí a dificuldade para o monitoramento. Porque, muitas vezes, quando o produtor percebe a infestação, ela já é grande. Nas infestações intensas, as colônias de pulgão produzem um tipo de melada, um líquido açucarado, sobre a qual cresce um fungo chamado fumagina que reduz a fotossíntese e, consequentemente, compromete a qualidade da silagem”, observa Simone Mendes.
A fumagina se desenvolve sobre a substância açucarada produzida pelos pulgões. A presença do fungo interfere na fotossíntese das plantas e pode afetar a qualidade da silagem.
Monitoramento integra o manejo
O acompanhamento das lavouras é uma das medidas indicadas pelos pesquisadores para identificar a presença da praga antes do aumento da população. “Monitorar as lavouras é parte fundamental do manejo dessa praga”, afirma Mendes.
O controle químico também deve considerar a preservação dos inimigos naturais. Segundo a pesquisadora, a escolha de produtos seletivos pode contribuir para manter joaninhas e moscas-sirfídeo nas áreas de cultivo.
“No caso do pulgão-do-sorgo, a aplicação correta de inseticidas com seletividade às joaninhas e moscas sirfídeo, inimigos naturais, pode contribuir muito, uma vez que, como observado nesse estudo, esses insetos ocorrem naturalmente na lavoura e são fundamentais para o controle.”
Ela acrescenta que a manutenção desses organismos ajuda a manter a população de insetos-praga abaixo de níveis que causem perdas econômicas à cultura.
Sorgo tem uso na produção de silagem
O estudo também avaliou a ocorrência de outros insetos-praga, como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a broca-da-cana. A pesquisa buscou informações para orientar estratégias de manejo em lavouras destinadas à produção de sorgo forrageiro.
O sorgo é utilizado na produção de silagem por apresentar produção de massa verde e concentração de energia. A cultura também apresenta tolerância a condições de seca e calor em comparação com o milho.
“Essa cultura tem grande produção de massa verde e alto valor energético, características valorizadas na produção de silagem. Além disso, o sorgo é resiliente ao estresse abiótico, que se refere a condições ambientais desfavoráveis ao crescimento das plantas, tais como a seca e o calor extremo, sobretudo quando comparado ao milho”, explica Guilherme Avellar, doutorando da UFSJ.
Sorgo selvagem entra no monitoramento
Outra frente apontada pelos pesquisadores envolve plantas que podem servir de hospedeiras para o pulgão na entressafra.
Estudo recente citado pelos pesquisadores indicou que milho e milheto não têm papel relevante como hospedeiros do Melanaphis sorghi. O capim-massambará, também conhecido como sorgo selvagem, deve ser avaliado como possível reservatório da praga.
“Contudo, o capim massambará (ou sorgo selvagem) deve ser avaliado, pois sua presença no campo pode servir como importante reservatório de pulgões do sorgo, principalmente na entressafra”, afirma Douglas Santos, doutorando da UFSJ.
Os resultados reforçam a necessidade de combinar monitoramento, avaliação das condições climáticas, preservação de inimigos naturais e uso criterioso de inseticidas no manejo do pulgão-do-sorgo.
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Entregas de fertilizantes caem 22,3% em julho, diz Anda

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, queda de 22,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram registradas 5,09 milhões de toneladas. De janeiro a julho, o volume entregue chegou a 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% ante as 25,21 milhões de toneladas de igual período do ano passado, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
A Anda informou que o primeiro trimestre teve apoio da boa safrinha de milho, com compras em ritmo normal no início do ano. Depois do início da guerra no Irã, houve arrefecimento de novos negócios, movimento que passou a aparecer a partir de maio, com entregas menores.
Na avaliação da entidade, esse quadro chega ao período crítico de compras de insumos com importações mais lentas, entregas domésticas em queda e menor poder de compra do produtor. A associação destacou que setembro é um mês importante para o acompanhamento dos estoques disponíveis para os próximos ciclos de aplicação.
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Mato Grosso liderou as entregas no acumulado até julho, com 5,83 milhões de toneladas, o equivalente a 25,4% do total. Na sequência aparecem Paraná, com 2,60 milhões de toneladas, Goiás, com 2,45 milhões, São Paulo, com 2,36 milhões, Rio Grande do Sul, com 1,70 milhão, Bahia, com 1,65 milhão, e Minas Gerais, com 1,64 milhão.
Entre os nutrientes, os nitrogenados concentram atenção. Segundo a Anda, as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos oito primeiros meses de 2025. A entidade afirmou que a segunda metade do ano costuma concentrar aceleração das compras desse grupo, principalmente para o planejamento das próximas safras e para aplicações no milho.
A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 517 mil toneladas em julho, queda de 19,9% na comparação anual. No acumulado de janeiro a julho, foram 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7% ante 2025. As importações de fertilizantes intermediários também caíram: 3,54 milhões de toneladas em julho, baixa de 21,4%, e 21,23 milhões de toneladas no acumulado do ano, retração de 7,6%.
No porto de Paranaguá, principal porta de entrada de adubos, ingressaram 5,40 milhões de toneladas entre janeiro e julho, volume 10,0% menor que em 2025. O terminal respondeu por 25,4% do total importado pelos portos do País.
Os dados da Anda mostram recuo nas entregas ao mercado, na produção nacional e nas importações de fertilizantes em 2026, com destaque para o comportamento dos nitrogenados no segundo semestre.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Produtor rural espera crescimento e juros menores no próximo governo

Juros, impostos e capacidade de ampliar a produção estão entre as principais preocupações dos produtores rurais de Mato Grosso para o próximo governo federal. Com a eleição estadual definida, o setor volta a atenção para o segundo turno presidencial e espera mudanças na condução da economia.
Mato Grosso reelegeu Otaviano Pivetta, do Republicanos, para o governo do estado, enquanto Mauro Mendes, do União Brasil, e José Medeiros, do PL, conquistaram as duas vagas ao Senado. Para os produtores, as decisões tomadas em Brasília têm impacto direto sobre as condições de produção.
O resultado também definiu a nova composição da bancada mato-grossense na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. A partir de 2027, o estado terá oito deputados federais. Na Assembleia, o Podemos ficou com seis cadeiras, enquanto PL e Republicanos elegeram quatro deputados cada.
Para o setor produtivo, a expectativa agora se concentra nas medidas econômicas que serão adotadas pelo próximo governo federal. Entre as principais preocupações estão os juros, impostos, geração de empregos e condições para ampliar a produção.
Reeleito para comandar Mato Grosso por mais quatro anos, Otaviano Pivetta agradeceu a confiança recebida nas urnas e reforçou a responsabilidade para o próximo mandato. “Eu estou sentindo a confiança da população”, afirmou. Segundo ele, o resultado também aumenta o compromisso com o estado: “Aumenta o meu compromisso, aumenta a minha responsabilidade porque o povo de Mato Grosso confiou em mim”.
Já entre os produtores rurais, a preocupação está nas condições para manter a atividade produtiva e movimentar a economia. Adalberto Grando chama atenção para os reflexos das decisões econômicas sobre quem produz e sobre a geração de renda.
Juros pesam sobre atividade produtiva
Grando também chama atenção para os reflexos da economia nas cidades. Na avaliação dele, o enfraquecimento da atividade aparece no comércio e no mercado imobiliário, com pequenos estabelecimentos fechando e imóveis disponíveis para venda ou locação, o que tem levado a geração de desemprego. Para ele, esses sinais estão relacionados às dificuldades enfrentadas pela economia.
Para o produtor, a economia brasileira precisa voltar a crescer e ter responsabilidade com o déficit e com a trajetória dos juros. Ele considera que o custo do dinheiro interfere diretamente na capacidade de investimento de setores que dependem de crédito.
O produtor também considera que os juros atuais dificultam a atividade de setores que dependem do campo. “Uma economia que nem a nossa, que depende do setor primário, ter juro de 14%, 15% ao ano não se sustenta”, resume Grando ao Canal Rural Mato Grosso.
Perfil técnico é expectativa
A expectativa também envolve a formação da equipe responsável pela condução da economia. O agricultor Dayan Della Justina Vieira defende que os próximos responsáveis pelas áreas econômicas tenham perfil técnico e credibilidade.
Dayan considera que o período eleitoral foi marcado por promessas e que, a partir de agora, o setor produtivo precisa conhecer quem estará à frente das decisões econômicas. Para ele, a escolha dos integrantes da equipe será um dos pontos importantes para mudar o cenário atual.
“A gente vinha vindo com promessas até o momento, então precisamos realmente que a equipe econômica seja conceituada e tenha credibilidade para a gente mudar o cenário atual”, afirma à reportagem.
O agricultor também diferencia uma equipe técnica de uma condução voltada exclusivamente para interesses políticos. A expectativa é por profissionais especializados nas áreas que irão assumir.
“Precisa realmente de uma equipe técnica, especializada, voltada à pasta que ela vai assumir, para melhorar esse cenário econômico”, acrescenta.
Com o governo de Mato Grosso e as duas vagas ao Senado já definidas no primeiro turno, a disputa presidencial segue para a segunda etapa. Entre as preocupações apresentadas pelos produtores estão os juros, a condução da economia e a formação da equipe responsável pelas decisões no próximo governo. Grando resume a expectativa em condições para ampliar a atividade e gerar renda: “A gente tem que colocar um governo lá que dê a oportunidade para a gente produzir mais, ganhar mais, gerar mais emprego”.
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