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24 de outubro de 2026

Sustentabilidade

A Tabela de Fretes e o Agro Brasileiro – MAIS SOJA

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Por Ricardo Arioli, engenheiro agrônomo, produtor rural e membro do CESB

A divulgação dos novos valores mínimos da Tabela de Fretes Rodoviários, em outubro de 2025, veio com uma novidade: a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) está cruzando os dados do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) com os valores da Tabela, e as empresas que descumprirem os preços mínimos, poderão ser multadas eletronicamente, “on line”.

A Tabela de Fretes Rodoviários foi instituída em 2018, para acalmar os ânimos do setor, e garantir que os transportadores sejam justamente remunerados por seus serviços. Faz todo o sentido, claro. Quem não quer ser justamente remunerado pelos serviços prestados?

No entanto, poucas empresas vem cumprindo a Tabela, e o mercado dos fretes rodoviários continuou a ser precificado pela velha fórmula da oferta e da procura.

Agora, complicou.

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Um tabelamento de fretes é um ponto fora da curva, principalmente no Agro.

Praticamente todos os insumos usados nas lavouras são precificados pela oferta e pela demanda, assim como a produção.

Na questão do frete, não tem jeito. Não temos armazenagem suficiente no Brasil, e os produtos da colheita precisam ser transportados rapidamente.

Tomando Mato Grosso como exemplo, o impacto do aumento dos fretes cai direto na renda dos produtores.

Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com 51,3 milhões de toneladas de soja (30% do total brasileiro) e 55,1 milhões de toneladas de milho (40%) na safra 2024/25. As produtividades foram recordes de 60,5 sacas/ha para soja e 116,6 sacas/ha para milho.

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O problema é que o consumo local da safra que produzimos é pequeno. Então, Mato Grosso precisa mandar boa parte da safra embora, para outros estados ou para exportação. No acumulado de 2025, o estado embarcou 31 milhões de toneladas de soja, respondendo por 30% de toda a soja exportada pelo país, e 28 milhões de toneladas de Milho, representando 50% das exportações nacionais do cereal.

Estamos a 2.300 km do porto de Paranaguá, a 2.000 km de Santos, no sul, e a 1.380 km de Miritituba, no norte (base Sorriso), e essa dependência de exportação ressalta como qualquer alteração na estrutura de custos logísticos impacta diretamente a receita bruta dos produtores e a receita do estado.

Produtores do Sul recebem valores superiores pela sua soja.

Em Sorriso, uma saca de soja vale em torno de R$ 104,00/saca (60 kg), enquanto em Paranaguá esse valor chega a R$ 142,00/saca. Essa diferença de R$ 38,00/saca, ou 37%, tem o frete como principal motivo.

O custo do frete atua nas duas pontas, quando impacta os produtores: aumenta o custo dos insumos, o que acaba aumentando os custos de produção, e diminui o valor recebido pela produção.

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Assim, o frete não é apenas um custo, mas um dos principais determinantes da rentabilidade dos produtores, principalmente os do Centro Oeste.

Como diminuir esse impacto do custo dos fretes, então?

Primeiro, produzir bem.

A maior produtividade não tem efeito no valor do frete do escoamento da produção. Mas tem efeito significativo na queda dos custos de produção, mesmo com fretes mais caros.

Segundo, agregar valor à produção.

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Um exemplo de agregação de valor vem do etanol de milho. Há poucos anos, era preciso mandar 2 caminhões de milho para o mercado: 1 deles era para pagar o frete do outro.

Hoje em dia, por conta da demanda das indústrias locais que produzem etanol a partir do milho, o preço pago aos produtores em Mato Grosso já é 90% do preço pago aos produtores do Sul.

Terceiro, investimentos em Ferrovias e Hidrovias, outros modais de transporte.

Certamente a concorrência entre modais de transporte, como acontece nos Estados Unidos e na Europa, serviria para reduzir custos com fretes, melhorar a renda dos produtores e diminuir o preço dos alimentos para os consumidores.

Mas, num país travado como o Brasil, onde toda a expansão da infraestrutura acaba nas gavetas do judiciário, a competição entre modais não tem prazo para acontecer.

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Dessas 3 possibilidades, o aumento da produtividade é a que está ao alcance imediato dos produtores. As outras duas: agregação de valor no próprio estado e maiores investimentos em logística, estão em outras esferas de decisão, fora da porteira.

Mas, como aumentar a produtividade?

Não é perigoso investir mais na lavoura, justamente quando as margens estão apertadas?

O Desafio Nacional de Máxima Produtividade do CESB (o Comitê Estratégico Soja Brasil), mostra que não.

Analisando os dados dos Campeões do Desafio, o CEPEA mostra que quanto maior a produtividade, mesmo com maior investimento, é maior o retorno por Real investido na lavoura.

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Os dados dos Campeões do Desafio, recolhidos e analisados pelo CESB, mostram que investir em produtividade é seguro e pode fazer toda a diferença em anos de margens apertadas.

Pense nisso.

Sobre o CESB

O CESB é uma OSCIP – organização sem fins lucrativos, composta por 20 membros especialistas e 31 organizações patrocinadoras que acreditam e contribuem para o avanço sustentável dos mais altos índices de produtividade de soja no Brasil, são elas: BASF, INTACTA I2X, JOHN DEERE, SYNGENTA, JACTO, SIMBIOSE, BIOMA, BIOGRASS, 3tentos, Acadian, Agro-sol Sementes, Alltech, Atto Sementes, Brandt, Brasmax, Cordius, Fecoagro, FMC, Gran7, HO Genética, ICL, Lallemand, Mosaic, Nitro, Solferti, Stine Seeds, Stoller, Timac Agro, Union Agro, Ubyfol, Valence, Elevagro e IBRA.

Fonte: Assessoria de imprensa CESB



 

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Sustentabilidade

Perdeu o Soja Brasil? Veja os destaques da última edição do programa

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O que movimenta a safra de soja 2026/27 no Brasil? A última edição do programa Soja Brasil reúne reportagens sobre pesquisa agrícola na China, os desafios do plantio no Paraná e os impactos do clima para os produtores rurais.

A expedição Soja Brasil percorre Mato Grosso para mostrar os desafios logísticos do escoamento da produção, desde o transporte rodoviário até a integração com as ferrovias. O programa também acompanha o avanço do plantio pelo país e traz a previsão do tempo para a primavera, com alertas para o calor e a irregularidade das chuvas em diferentes regiões.

Outro destaque é a tecnologia no campo. Na abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT), produtores conheceram máquinas e soluções voltadas à precisão das operações, à economia de fertilizantes e à eficiência no trabalho agrícola.

Na China, a equipe mostra como pesquisadores investem em melhoramento genético, manejo do solo e rotação de culturas para ampliar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações. Já no Paraná, o excesso de umidade dificulta a semeadura em algumas regiões e acende o alerta para possíveis impactos no calendário do milho safrinha.

O programa traz ainda informações sobre o ritmo do plantio no Brasil e os principais assuntos em destaque no portal Soja Brasil, incluindo o manejo de pragas e doenças e histórias de produtores rurais.

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Sustentabilidade

Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.

Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.

A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.

Confira:

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.

Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.

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As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.

Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.

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Sustentabilidade

Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

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Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.

Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.

O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).

A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).

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Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Fonte: Werle & Oliveira (2018)

Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.

Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.
Foto: André Consonni

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.


Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?


Referências:

ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.

WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.



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