Sustentabilidade
Análise mensal do mercado do trigo – MAIS SOJA

A área semeada com trigo no Brasil voltou a diminuir em 2025, especialmente no Paraná. A retração esteve diretamente relacionada à frustração da safra de 2024, quando adversidades climáticas comprometeram a produtividade e a rentabilidade da cultura, o que desestimulou produtores a realizarem novos investimentos. Segundo a Conab, a área cultivada em 2025 ficou cerca de 20% abaixo da registrada em 2024 e foi a menor desde 2020
Apesar da expressiva redução da área, a produção nacional e a produtividade devem encerrar 2025 acima dos patamares do ano anterior, favorecidas pelo clima e por ganhos de rendimento.
Quanto aos preços domésticos, apresentaram dois momentos em 2025. No primeiro semestre, os valores se mantiveram firmes, sustentados pela oferta doméstica abaixo da demanda. A liquidez esteve lenta nesse período e vendedores, cautelosos. A partir de maio, contudo, o avanço da semeadura nacional, os elevados estoques de passagem e, sobretudo, a crescente pressão vinda da ampla oferta mundial e também do trigo importado inverteram a tendência de preços.
No segundo semestre, com a intensificação da colheita brasileira – especialmente entre agosto e outubro, quando o volume do Paraná passou a entrar no mercado –, as cotações caíram de forma mais acentuada. Esse movimento foi reforçado por um cenário externo fortemente baixista, marcado por uma safra mundial recorde e por expectativas igualmente elevadas para a colheita na Argentina. As constantes quedas de preços nesse período suscitaram preocupações quanto à rentabilidade do produtor.
Adicionalmente, a apreciação do Real frente ao dólar ao longo do ano aumentou a competitividade do trigo importado, sobretudo o argentino. A redução das “retenciones” na Argentina, cuja alíquota para o trigo ficou em 7,5%, contribuiu para tornar o cereal externo ainda mais atrativo aos compradores brasileiros. Diante desse cenário, agentes vendedores no mercado interno foram pressionados a reduzir seus valores de negociação para acompanhar a queda das referências internacionais.
Entre 30 de dezembro de 2024 e 30 de dezembro de 2025, os preços no mercado balcão (valor ao produtor) recuaram 12,9% no Paraná, 16,9% no Rio Grande do Sul e 13,6% em Santa Catarina. No mercado de lotes, as quedas foram ainda mais intensas em algumas praças, atingindo 15,4% no Paraná, 19,5% no Rio Grande do Sul, 7,9% em Santa Catarina e 20,1% em São Paulo.
Em dezembro/25, a média mensal do trigo no mercado disponível do Rio Grande do Sul foi de R$ 1.036,09/tonelada, a mais baixa desde fevereiro de 2018, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI). No Paraná, a média de R$ 1.183,75/t foi a menor desde outubro de 2023. Em Santa Catarina, a média de dezembro foi de R$ 1.177,94/t, a mais baixa desde março de 2018. Em São Paulo, a média de outubro de 2025, de R$ 1.161,69/t, foi a menor desde novembro de 2016; em dezembro/25, os preços voltaram a se recuperar no estado paulista, atingindo média mensal de R$ 1.251,80/t.
OFERTA E DEMANDA NACIONAL – De acordo com dados da Conab divulgados em dezembro, a produção brasileira de trigo do segundo semestre de 2024 alcançou 7,9 milhões de toneladas. A soma dos estoques iniciais de agosto/24 (505,3 mil toneladas) acrescida da produção e das importações entre agosto/24 e julho/25 (6,83 milhões de toneladas) resultou em uma disponibilidade interna de 15,23 milhões de toneladas. Deste total, 11,9 milhões de toneladas foram consumidas internamente e cerca de 2 milhões de toneladas, exportadas. O estoque final de 1,38 milhão de toneladas, adicionado à produção de cerca de 8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, reforçou a pressão sobre as cotações domésticas.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – No cenário global, a safra 2025/26 deve ser recorde, com produção estimada pelo USDA em 837,8 milhões de toneladas, 4,6% acima da safra anterior. O consumo mundial deve crescer 1,5%, totalizando 822,97 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais são projetados em 274,87 milhões de toneladas, 5,7% acima dos de 2024/25. O comércio internacional também deve avançar, alcançando 218,66 milhões de toneladas, aumento de 7% em relação à safra passada.
DERIVADOS DE TRIGO – Em 2025, os preços dos derivados foram pressionados pela queda nos valores da matéria-prima. Diante desse movimento, compradores intensificaram a pressão sobre as moageiras para reduzir as ofertas de compras. Com o enfraquecimento das cotações do trigo e a necessidade de acompanhar as condições de mercado, as indústrias acabaram ajustando seus preços para baixo ao longo do ano.
MERCADO EXTERNO – Os preços do trigo recuaram em 2025, refletindo a ampliação da oferta global e as perspectivas de safra recorde em 2025/26. Entre 31 de dezembro de 2024 e 31 de dezembro de 2025, o primeiro vencimento do trigo Soft Red Winter na CME Group se desvalorizou 8,1%. A média anual de 2025, de US$ 5,3272/bushel, ficou 6,9% abaixo da de 2024. Na Bolsa de Kansas, os futuros do trigo Hard Winter recuaram 8% no mesmo período, com a média anual caindo 10%, para US$ 5,3240/bushel. Na Argentina, a safra 2025/26 caminha para um recorde histórico, estimada em 27,8 milhões de toneladas, 49,5% acima da safra anterior. Com a expectativa de oferta abundante, os preços argentinos também cederam ao longo de 2025: entre 23 de dezembro de 2024 e 30 de dezembro de 2025, os valores FOB recuaram 8,2%, chegando a US$ 206,00/t no dia 11 de dezembro, o menor patamar desde o final de 2019.
Fonte: Cepea

Autor:AGROMENSAIS DEZEMBRO/2025
Site: CEPEA
Sustentabilidade
Soja mais cara em Mato Grosso reduz margem da indústria de esmagamento, aponta Imea

A valorização da soja em Mato Grosso voltou a pressionar a rentabilidade da indústria de processamento. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a margem bruta de esmagamento recuou 20,52% em julho na comparação com junho, refletindo principalmente o aumento do custo de aquisição da matéria-prima.
Depois de vários meses de preços mais baixos, a soja registrou em julho a maior cotação média do ano no estado. A saca foi negociada, em média, a R$ 116,74, avanço de R$ 10,12 por saca (9,49%) em relação a junho e de R$ 4,39 (3,91%) na comparação com julho de 2025.
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Mesmo com a valorização dos coprodutos, o resultado não foi suficiente para compensar o aumento do preço do grão. No período, o farelo de soja acumulou alta de 4,46% e o óleo avançou 0,22%, enquanto a margem bruta de esmagamento fechou julho em média de R$ 435,43 por tonelada.
De acordo com o Imea, a entressafra e a menor disponibilidade de soja em Mato Grosso tendem a manter as cotações da oleaginosa em níveis elevados. Caso os preços do farelo e do óleo não acompanhem esse movimento, a margem das indústrias deverá seguir pressionada nos próximos meses.
Mercado acompanha safra dos Estados Unidos
No cenário internacional, o clima segue no radar dos agentes. Conforme o relatório, as lavouras norte-americanas classificadas como boas ou excelentes recuaram de 70,25% para 64,25% em relação ao mesmo período de 2025, em razão das altas temperaturas registradas no Corn Belt, que anteciparam a floração da soja.
Apesar da piora nas condições das lavouras, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) ainda aponta produção recorde de 131,6 milhões de toneladas na safra norte-americana. O Imea ressalta, porém, que agosto é um mês decisivo para o desenvolvimento das lavouras, o que mantém o clima no centro das atenções do mercado.
Na última semana, o indicador do Imea mostrou a soja em Mato Grosso cotada, em média, a R$ 122,88 por saca, alta de 0,99% em relação à semana anterior, sustentada pela menor oferta do grão no estado. No mesmo período, os contratos da soja negociados em Chicago recuaram 3,51%, influenciados pela queda nas cotações do petróleo Brent.
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Sustentabilidade
TRIGO/CEPEA: Preço médio atinge maior patamar desde agosto de 2025 no PR – MAIS SOJA

As cotações do trigo no Paraná voltaram aos patamares observados em agosto de 2025, em termos reais, refletindo a restrição da oferta disponível no mercado spot.
De acordo com pesquisadores do Cepea, diante da necessidade de recompor estoques, compradores elevaram gradualmente suas ofertas em busca de lotes de melhor qualidade. No entanto, vendedores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais.
Segundo o Cepea, além da restrição de oferta, a última semana de julho foi marcada pelos primeiros reflexos do fenômeno El Niño, com elevado volume de chuvas e ventos intensos, deixando triticultores em alerta no Sul do Brasil. Esse cenário contribuiu para a elevação dos preços, principalmente no mercado de balcão paranaense, ressalta o Centro de Pesquisas.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Nanofertilizante produzido com caroço de açaí estimula crescimento de milho e sorgo – MAIS SOJA

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo. O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.
O caroço do açaí (foto abaixo) é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.
Foram utilizadas nos testes, as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.
O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.
Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese.
O pesquisador Cláudio Carvalho (foto abaixo), da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), explica que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais. Eles também participam dos processos de transferência de energia dentro das células e fornecem compostos bioativos, que podem estimular a atividade de enzimas, como aquelas envolvidas nos estresses oxidativos.
Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente. “Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.
De resíduo a riqueza
“Apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades”, diz o pesquisador.
Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante. “Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.
Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro. “Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa.
“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine (foto abaixo), coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho. Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.
Avanço científico
Os resultados foram publicados no artigo Carbon-based nanopigments derived from açaí seed residues with tunable optical properties and biofunctional performance na revista internacional Dyes and Pigments. “Mostramos que um resíduo que normalmente seria descartado pode ser convertido em um material inteligente, capaz de interagir com sistemas biológicos e produzir efeitos mensuráveis no crescimento vegetal”, conta o professor.
Ele explica que, até chegar ao produtor rural, ainda é preciso vencer alguns desafios. O principal deles é manter a qualidade e a reprodutibilidade do material ao passar da escala de laboratório para a escala industrial. “Em laboratório, trabalhamos com pequenas quantidades e controle rigoroso das condições de síntese. Em uma fábrica, é necessário garantir que cada lote apresente as mesmas propriedades químicas, ópticas e biológicas”, esclarece. Outro desafio é a otimização dos custos de produção, incluindo consumo de energia, purificação do material e logística de coleta da biomassa.
Por que estudar pontos quânticos de carbono?
Os carbon quantum dots, ou pontos quânticos de carbono, são nanopartículas extremamente pequenas, milhares de vezes menores do que um fio de cabelo humano. Apesar do tamanho reduzido, possuem propriedades muito especiais, principalmente a capacidade de absorver e emitir luz.
Eles foram descobertos por acaso no início dos anos 2000, durante estudos envolvendo nanotubos de carbono. Desde então, despertaram enorme interesse científico porque são relativamente fáceis de produzir, apresentam baixa toxicidade e podem ser obtidos a partir de materiais naturais e resíduos orgânicos.
Hoje, os carbon quantum dots são estudados para aplicações em sensores químicos, diagnóstico médico, bioimagem, células solares, LEDs, tratamento de água e agricultura. Na agricultura, eles podem atuar como estimuladores do crescimento vegetal, aumentar a eficiência do aproveitamento da luz pelas plantas e auxiliar no transporte de nutrientes, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
No trabalho realizado pela Embrapa e a UFC, o pó da semente do açaí, rico em carbono e minerais, foi colocado em um ambiente “hostil” dentro de reatores de alta pressão, submetido a altas temperaturas por várias horas — um processo chamado de síntese hidrotermal. Sob essas condições, as moléculas orgânicas da semente se quebram e se reorganizam nos carbon quantum dots e outras substâncias com atividade biológica nas plantas, como precursores de hormônios vegetais, entre outras.
Fonte: Embrapa

Autor:Verônica Freire (MTB 01225JP) Embrapa Agroindústria Tropical
Site: Embrapa
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