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Produtor rural de SC deverá emitir nota fiscal eletrônica; veja a partir de quando

Todos os produtores rurais de Santa Catarina, sem exceção, estarão obrigados a emitir nota fiscal eletrônica, a partir de 5 de janeiro de 2026. A medida encerra de vez a possibilidade de uso da nota fiscal modelo 4, em papel, que ainda era permitida para produtores com faturamento anual inferior a R$ 360 mil, conforme a legislação vigente até então, informou em comunicado o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc/Senar).
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Paralelamente à obrigatoriedade da nota fiscal eletrônica, o setor rural também terá impacto da Reforma Tributária, instituída pela lei complementar nº 214. Nesse primeiro momento, no entanto, a principal preocupação do produtor deve ser justamente a adequação à emissão da nota eletrônica, que passa a ser uma determinação legal, destacou a entidade sindical.
A mudança exige atenção especial do produtor rural, já que aqueles que se enquadravam nessa faixa de faturamento também deverão, obrigatoriamente, migrar para o sistema eletrônico a partir da nova data, afirmou na nota o coordenador de arrecadação do Senar-SC, Emerson Gava.
Ele observou que o cumprimento dessa exigência será o principal dever do produtor rural no próximo ano. Um ponto considerado fundamental pelo Sistema Faesc/Senar é que o produtor rural que utiliza o sistema de emissão de notas da Secretaria de Estado da Fazenda ou o Aplicativo NFF – Nota Fiscal Fácil não precisará se preocupar com ajustes adicionais. Esses sistemas já estão preparados para atender às novas regras da reforma tributária.
A atenção maior deve recair sobre os produtores que utilizam sistemas próprios de emissão de notas fiscais. Nesses casos, a orientação é que verifiquem junto às empresas fornecedoras de software se os sistemas já estão adequados às novas exigências legais e tributárias, explicou.
O Sistema Faesc/Senar ressaltou que a Reforma Tributária sobre o consumo terá um longo período de transição, que se inicia em 2026 e segue até 2032. Serão sete anos em que o produtor rural precisará avaliar, com planejamento e gestão, questões relacionadas ao seu enquadramento tributário, incluindo a decisão sobre atuar como contribuinte ou não contribuinte do novo regime.
Com a promulgação da lei complementar nº 214/2025, que trata da Reforma Tributária, todos os produtores rurais passam a estar contemplados nesse novo regime. A adoção ocorrerá de forma gradual: em 2026, em caráter de teste, e a partir de 2027 de forma definitiva, com a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substitui os tributos PIS/Cofins, conforme a LC 214/2025.
Além da CBS, a legislação criou o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ICMS estadual e o ISS municipal, conforme cronograma previsto para o período de 2029 a 2033.
O Sistema Faesc/Senar disse que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançou recentemente a Calculadora da Reforma Tributária, uma ferramenta desenvolvida para auxiliar produtores rurais e seus contadores a compreenderem os impactos da transição que começa em 1º de janeiro de 2026. Segundo a entidade, a calculadora é gratuita, simples e intuitiva, permitindo criar cenários reais para todo o período de transição, com base nas receitas e despesas – seja para pessoa física ou jurídica, cooperados ou integrados.
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Diálogo com Lula exige propostas concretas do agro, diz Ademiro Vian

O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva deve seguir os mesmos moldes de ministérios agrícolas adotados na gestão atual, com o Mapa e o MDA à frente dos assuntos que regem o setor. Essa é a avaliação do especialista em finanças do agro, Ademiro Vian.
Contudo, ele acredita que, com base no discurso feito pelo presidente neste domingo (25), será uma administração mais voltada ao diálogo, algo positivo para solucionar os grandes problemas da agropecuária brasileira: endividamento, financiamento para as próximas safras, custos de produção e seguro rural.
Para Vian, existem recursos e mecanismos que podem ser oferecidos pelo governo, mesmo que com taxas não tão atrativas e subsidiadas, para que o produtor consiga pagar suas dívidas. “O importante para o produtor é ele ter previsibilidade, ter recursos na hora certa e ter uma taxa de juros que ele consiga pagar. Isso é possível sim com diálogo, como o presidente prometeu, e com um pouco mais de audácia nas propostas que serão feitas”, diz.
O especialista lembra que o Projeto de Lei nº 2,951/2024, que reformula o marco legal do seguro rural no Brasil, já está aprovado e sancionado e precisa apenas resolver a questão orçamentária para colocá-lo em execução.
Diante de todos os desafios do agro, Vian ressalta que o essencial é que o Executivo e a bancada do agro exercitem o diálogo a despeito das diferenças ideológicas.
“Mas precisamos de um diálogo com propostas concretas, nada de radicalismos porque isso só vai trazer prejuízo para o agronegócio. [Se houver radicalismos] o setor vai ficar sem crédito, com o endividamento praticamente parado, sem solução, o que não é bom para ninguém. Quem acaba perdendo é o país, são os agricultores. Então estou apostando em um diálogo; mesma estrutura [de governo], mas um diálogo que consiga dar encaminhamento para esses problemas tão graves que a agricultura está vivendo hoje”, conclui.
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Oferta restrita sustenta alta do feijão preto no mercado brasileiro

O mercado brasileiro de feijão manteve trajetória de valorização entre 15 e 22 de outubro, apoiado pela oferta restrita de lotes de melhor qualidade e por compras pontuais de reposição do varejo. Segundo o Indicador de preços Cepea/CNA, o feijão preto liderou as altas, enquanto o carioca registrou avanços mais moderados. No campo, o plantio da primeira safra 2026/2027 atingiu 20,9% da área acompanhada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com o levantamento, o percentual semeado está abaixo da média histórica de 22,3%. O atraso do plantio no Paraná e as chuvas que dificultam a colheita em São Paulo mantêm o mercado atento ao comportamento da oferta nas próximas semanas.
No feijão carioca peneira 12 e nota 9 ou superior, os preços subiram, em média, 0,64% na semana. Itapeva (SP) teve alta de 1,91%, impulsionada pelo interesse nas primeiras ofertas da nova colheita. Em Barreiras (BA) e Sorriso (MT), houve recuo de 0,91% e 0,28%, respectivamente, em meio à resistência dos compradores aos preços pedidos.
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Para o feijão carioca notas 8,0 e 8,5, a valorização média foi de 1,17%, favorecida pela retomada das compras. As altas superaram 3% no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, em Sorriso (MT) e na capital paulista. Já Distrito Federal, Sul Goiano e Centro-Noroeste Goiano registraram queda de 0,45%, 0,81% e 1,85%, nessa ordem, refletindo diferenças na qualidade dos lotes e na necessidade de reposição.
No feijão preto tipo 1, a alta média foi de 2,70%, com valorização em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Sorriso (MT) liderou os avanços, com 4,52%, seguido por Itapeva (SP), com 1,44%, e Curitiba (PR), com 0,27%. A entressafra e a menor disponibilidade de grãos de qualidade seguem dando sustentação aos preços.
Na avaliação do indicador, a oferta restrita mantém os preços firmes, especialmente no feijão preto. Para o carioca, o avanço da colheita em São Paulo pode ampliar a disponibilidade. No Paraná, o plantio alcançou 65% da área prevista, ante 74% no mesmo período de 2025.
Fonte: cnabrasil.org.br
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Dólar mais alto deve favorecer preços do milho nos portos e na B3, aponta Grão Direto

O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com queda de 3,80% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência fechou a R$ 65,53 por saca, baixa de 1,56% no período.
A ferramenta de inteligência de mercado da Grão Direto, Grainsights, traz os elementos que devem mexer com os preços do cereal nos próximos dias, após a definição da eleição presidencial que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva. Confira:
- Mercado interno com oferta folgada: milho segue com preços pressionados no mercado brasileiro, segundo o Cepea, por causa da boa disponibilidade do cereal. Os compradores seguem cautelosos, abastecidos no curto prazo e observando o plantio, enquanto os produtores estão mais flexíveis para negociar, seja para fazer caixa, seja por receio de novas quedas. A demanda das usinas de etanol de milho e das fábricas de ração para aves e suínos segue firme e deve continuar crescendo, conforme a Conab, o que ajuda a dar um piso aos preços.
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- Dólar alto pode reanimar a exportação e a B3: a exportação de milho segue em ritmo mais lento que no ano passado, e a perda de competitividade nos portos vinha pesando sobre os preços internos. Com o dólar mais alto após as eleições, a paridade de exportação tende a melhorar, o que pode trazer algum fôlego às cotações nos portos e aos contratos na B3, que vinham com viés de baixa. Ainda assim, com oferta confortável, a reação no interior deve ser mais gradual do que nos portos. Na prática, a semana já começa com o milho valorizando mais de 3% na B3.
- Chicago com pouco peso, mas atenção à colheita norte-americana: em Chicago, o milho segue pressionado pelo avanço da colheita nos EUA, que, segundo o relatório de andamento de safra do USDA, ainda está abaixo da média, mas deve ganhar ritmo com o tempo seco no Meio-Oeste nos próximos dias. A demanda externa pelo milho norte-americano aparenta estar firme, o que limita quedas maiores. Para o produtor brasileiro, porém, o efeito de Chicago nesta semana deve ser bem menor do que o do câmbio e do ritmo de compra da indústria nacional.
- Macroeconomia e oportunidades: com a conclusão das eleições presidenciais, a Bolsa também teve uma manhã de forte turbulência. O Ibovespa caiu 10% ainda no leilão de abertura, pouco antes das 10h, e acionou o circuit breaker, uma pausa automática de 30 minutos nos negócios por causa da queda forte. Foi a primeira vez desde março de 2020, na pandemia. Na volta, o índice seguiu em queda forte e chegou a recuar mais de 16%, à casa dos 171 mil pontos. Os juros negociados na Bolsa para os próximos anos também dispararam: a taxa para 2031 passou de 12,58% para 14,46% ao ano logo cedo. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para esta semana. O Boletim Focus desta segunda, com projeções coletadas antes da votação, ainda previa dólar a R$ 5,05 no fim do ano, o que mostra o tamanho do ajuste. “Daqui para frente, o mercado vai acompanhar os primeiros sinais sobre as contas públicas e a composição da equipe econômica”, destaca o Grainsights.
Também estão no radar a decisão de juros nos Estados Unidos na quarta-feira (28), com expectativa de manutenção, e a reunião do Copom em 3 e 4 de novembro. Dólar alto melhora o preço em reais e a competitividade da soja e do milho, mas também encarece fertilizantes, defensivos e o crédito atrelado à moeda.
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