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3 de agosto de 2026

Sustentabilidade

O Foco Agora é o Clima e Impactos do La Niña nos Grãos – MAIS SOJA

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Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br

Reflexões dos fatos e números do agro em novembro/dezembro e o que acompanhar em janeiro

Na economia mundial e brasileira,na atualização mais recente do Banco Central, o Boletim Focus de 12/12 apresentou nova queda nas projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), estimado em 4,36% para este ano e 4,10% para o próximo. Quanto ao PIB, as expectativas aumentaram ligeiramente em relação há quatro semanas, indicando crescimento de 2,25% em 2025 e 1,80% em 2026. O câmbio deve encerrar o ano atual em R$ 5,40 e atingir R$ 5,50 ao final do ano seguinte (ambas expectativas em manutenção). Por fim, a taxa Selic segue projetada em 15% em 2025, mas caiu para 12,13% em 2026.

No agro mundial e brasileiro,o Índice de Preços dos Alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) encerrou novembro de 2025 com média de 125,1 pontos, queda de 1,2% frente a outubro (126,6 pontos), concretizando o terceiro recuo mensal consecutivo. A retração reflete o comportamento negativo dos laticínios, carnes, açúcar e óleos vegetais, que foi maior que o avanço dos cereais. Estes últimos valorizaram (+1,8%) mesmo com o cenário global de oferta confortável. O trigo foi influenciado por expectativas de compras chinesas de grãos norte-americanos, tensões geopolíticas no Mar Negro e projeções de menor plantio na Rússia. O milho também valorizou, sustentado pela forte procura internacional e atrasos nas lavouras de verão na América do Sul. Nos óleos vegetais (-2,6%), as cotações do óleo de palma e canola recuaram com perspectivas mais favoráveis de oferta global. Apenas o óleo de soja apresentou ligeira valorização, sustentado pelo mercado aquecido de biodiesel no Brasil e Estados Unidos.

A queda das carnes (-0,8%) foi puxada pela carne de aves e suína. No primeiro caso, influenciadas pela ampla oferta e pela recomposição de mercado após o fim das restrições sanitárias chinesas; no segundo, pela fraca demanda asiática e elevada disponibilidade na União Europeia. Entre os laticínios (-3,1%), os destaques foram a manteiga e o leite em pó, pressionados pela elevada produção na União Europeia e na Nova Zelândia. Por fim, o açúcar (-5,9%), obteve a maior queda devido à forte produção brasileira, somada às boas perspectivas para Índia e Tailândia e à queda nos preços internacionais do petróleo, que reduz o interesse pelo etanol.

A Conab divulgou o 3º Boletim de Safra de Grãos para o ciclo 2025/26. A nova estimativa aponta que a produção deve alcançar 354,4 milhões de t, o que representa um aumento de 0,6% (ou 2,2 milhões de t) em relação ao ciclo anterior. O resultado reflete a expansão da área semeada, projetada em 84,2 milhões de ha — um crescimento de 3% frente à safra passada. Contudo, a produtividade média das lavouras deve recuar 2,3%, estimada agora em 4.210 kg por ha. Em comparação com o levantamento de novembro, houve um ajuste negativo de 441 mil t no volume total esperado.

No milho,o relatório de dezembro do USDA para a safra 2025/26 revisou para baixo a estimativa de produção global do cereal, impulsionada principalmente por cortes na safra da Ucrânia, que mais do que compensaram os aumentos na União Europeia. A produção dos Estados Unidos (1º) manteve-se inalterada em relação a novembro, estimada em aproximadamente 425,5 milhões de t (16,75 bilhões de bushels). No entanto, o relatório trouxe um aumento expressivo nas exportações norte-americanas, elevadas em 3,2 milhões de t (125 milhões de bushels), o que reduziu os estoques finais do país.

Para os demais grandes produtores, as estimativas de produção permaneceram estáveis em relação ao mês anterior: China (2º), Brasil (3º) e Argentina (5º). Já a Ucrânia teve sua produção cortada em 3 milhões de t, caindo para 29 milhões de t devido à redução de área e produtividade. Para o ciclo 2025/26, estima-se que os estoques finais globais de milho cheguem a 279,2 milhões de t, uma queda de 2,1 milhões de t em relação à estimativa de novembro (281,3 milhões de t).

A estimativa total para a produção de milho (somando as três safras) foi ajustada para 138,9 milhões de t, indicando uma redução de 1,5% em comparação ao ciclo 2024/25. Para a 1ª safra, a previsão é de uma colheita de 25,91 mi de t (+3,9%); para a 2ª safra, de 110,5 mi de t (-2,4%); para a 3ª safra, 2,5 mi de t (-12,6%). A redução na estimativa total é influenciada pelas expectativas para as safras seguintes e ajustes climáticos. A área total destinada ao cereal deve ocupar 22,7 milhões de ha, alta de 4,1% em relação à safra anterior.

No relatório semanal de progresso de safra (até 05/12), a Conab informou que o plantio do milho da primeira safra atingiu 71,3% da área prevista, abaixo dos 72,2% do mesmo período em 2024, mas acima dos 69,1% da média dos últimos 5 anos. O avanço foi favorecido pela regularização das chuvas na segunda quinzena de novembro, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, recuperando parte do atraso inicial.

No mercado futuro (Chicago), até 17/12, o contrato de Mar/26 do milho foi cotado a US$ 4,40/bushel, 2,0% menor do que o preço registrado há um mês (era de US$ 4,48/bushel).

Na soja,o relatório do USDA de dezembro para a safra 2025/26 trouxe estabilidade para o quadro de ofertada oleaginosa, com poucas alterações nos números de produção dos principais players. A produção global teve um leve ajuste nos estoques finais, que passaram de 122,0 milhões de t em novembro para 122,4 milhões de t em dezembro. O Brasil (1º) teve sua estimativa de produção mantida em 175,0 milhões de t, consolidando sua posição de liderança global, com exportações projetadas em 112,5 milhões de t. Da mesma forma, a produção dos Estados Unidos (2º) permaneceu inalterada em cerca de 115,7 milhões de t (4,25 bilhões de bushels), com os estoques finais americanos mantidos em 7,9 milhões de t (290 milhões de bushels). A produção da Argentina (3ª) também não sofreu alterações significativas neste relatório.

A Conab projeta uma safra de 177,1 milhões de t para a oleaginosa, consolidando um aumento de 3,3% em relação ao ciclo passado e estabelecendo um novo recorde, caso confirmado. A área destinada ao cultivo subiu para 48,9 milhões de ha, um crescimento de 3,4%.

Para a soja, o relatório indicou que a semeadura alcançou 90,3% da área total estimada, abaixo dos 94,1% do ano anterior, mas acima dos 89,8% da média dos últimos 5 anos. O plantio está virtualmente concluído nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. As precipitações recentes permitiram acelerar os trabalhos nas regiões que enfrentavam inconstância hídrica, como Minas Gerais e o Matopiba.

Na bolsa de Chicago, em 17/12, os contratos de soja para vencimento em Jan/26 estavam cotados em US$ 10,58/bushel, 8,2% menor do que o preço registrado há um mês (era de US$ 11,45/bushel).

No algodão, o relatório de dezembro do USDA para a safra 2025/26 revisou para baixo a estimativa de produção global da pluma, cortando cerca de 300 mil fardos para um total de 119,8 milhões de fardos (aproximadamente 26,1 milhões de t). Essa redução deve-se a colheitas menores no Mali e outros países da África Ocidental, que anularam o aumento de produção observado nos Estados Unidos.

A estimativa de consumo global também foi reduzida em cerca de 300 mil fardos, reflexo de uma demanda mais fraca. Em contrapartida, os estoques finais globais foram levemente elevados para 76,0 milhões de fardos (aprox. 16,5 milhões de t), impulsionados por estoques maiores nos EUA e no Brasil, que compensaram quedas no Vietnã e Bangladesh. A produção do Brasil (3º) segue estimada em patamares recordes, consolidando o país como um fornecedor chave no mercado internacional.

A segunda estimativa da Conab traz a produção de algodão em pluma estimada em cerca de 4,0 milhões de t, com área que deve ocupar 2,1 milhões de ha, mantendo-se próxima da estabilidade ou com leve alta de 0,7% na área. O cenário reflete um ajuste nas expectativas de produtividade (que deve cair 3,5% na safra e atingir 1.885 kg/ha) e área frente aos levantamentos anteriores, com o mercado atento ao desenvolvimento das lavouras que estão sendo implantadas.

No mercado futuro (Nova Iorque), até 17/12, o contrato de Mar/26 do algodão foi cotado em 63,43 centavos de dólar por libra-peso, 1,5% menor do que o preço registrado há um mês (era de 64,38 cent/lbp).

Nas demais culturas,para as culturas de inverno (referentes ao ciclo 2025), a Conab ajustou as estimativas, projetando agora uma produção total de 10,2 milhões de t. O grande destaque é o trigo, com volume revisado para 8,0 milhões de t. A produção das demais culturas segue estimada em: 1,3 milhão de t para a aveia, 595,7 mil t para a cevada e 324,5 mil t para a canola. A área total destinada a esses cultivos de inverno somou 3,3 milhões de ha, alcançando uma produtividade média conjunta de aproximadamente 3.056 kg por ha.

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 13,4 bilhões em novembro de 2025, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado foi o segundo maior já registrado para o mês de novembro, refletindo o aumento de 6,5% no volume embarcado, que compensou a leve queda de 0,3% nos preços médios internacionais. As importações somaram US$ 1,5 bilhão (-2,1%), com retração nas compras de fertilizantes (US$ 1,12 bi | -10,1%) e defensivos agrícolas (US$ 516,9 mi | -3,8%), segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI/Mapa).

Entre os setores exportadores, seis grupos responderam por 81,2% do total embarcado: carnes (US$ 3,0 bi | 22,2%), complexo soja (US$ 2,4 bi | 18,2%), café (US$ 1,6 bi | 11,8%), produtos florestais (US$ 1,4 bi | 10,4%), complexo sucroalcooleiro (US$ 1,3 bi | 9,6%) e cereais e farinhas (US$ 1,2 bi | 8,9%). A soja em grãos foi destaque no mês, com US$ 1,83 bilhão (+64,6%) e 4,2 milhões de t embarcadas (+64,4%), impulsionado pela safra recorde de 171,5 milhões de t e pela forte demanda da China, que respondeu por 95% das exportações. A carne bovina in natura atingiu recorde histórico, com US$ 1,7 bilhão exportado (+57,9%) e 318,5 mil t (+39,6%).

A China absorveu 55% das vendas totais (US$ 1,0 bilhão), seguida por Rússia, União Europeia, México e Chile. Já o café verde registrou recorde em valor exportado, com US$ 1,5 bilhão (+9,1%), sustentado pelos altos preços internacionais do arábica, que voltaram a superar o patamar recorde de US$ 9/kg. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 155,25 bilhões, o maior valor da série histórica para o período (+1,7% em relação a 2024).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) revisou o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) para R$ 1,416 trilhão em novembro de 2025, o que representa um aumento de 11,7% em relação ao valor de 2024. Do montante, R$ 928,0 bilhões (+10,4%) são originários das lavouras, enquanto R$ 488,1 bilhões (+14,3%) vêm da pecuária. Enquanto a soja (R$ 327,4 bilhões) e o milho (R$ 166,3 bilhões) ocupam as primeiras posições na lavoura, os bovinos (R$ 210,4 bilhões) e o frango (R$ 112,2 bilhões) se destacam na pecuária.

O cenário econômico de dezembro foi marcado por movimentos opostos; nos EUA, o Federal Reserve anunciou novo recuo na meta da taxa de juros, enquanto no Brasil, o Copom optou pela manutenção da Selic em 15,00% ao ano. Para o agronegócio, a queda nos juros americanos tende a pressionar o dólar para baixo, o que pode reduzir a rentabilidade em reais das exportações. Internamente, a Selic em patamar elevado continua encarecendo o crédito rural e o capital de giro, exigindo do produtor maior cautela na gestão de caixa e novos investimentos.

Brasil supera EUA e assume liderança global na produção de carne bovina: relatório de dezembro do USDA aponta um marco histórico para a pecuária nacional, com o Brasil ultrapassando os Estados Unidos em volume de produção pela primeira vez. Este feito consolida o país não apenas como o maior exportador, mas agora também como o maior produtor mundial da proteína.

MAPA encerra 2025 com recorde histórico na abertura de mercados: o Ministério da Agricultura e Pecuária finalizou o ano com o maior avanço já registrado na diplomacia comercial, totalizando 507 novos mercados abertos desde o início da gestão para diversos produtos e destinos. Essa conquista traz impactos estruturais para o setor, pois a pulverização dos destinos reduz a dependência comercial de parceiros tradicionais e cria novas rotas de escoamento para a produção crescente, agregando valor a produtos que antes não tinham acesso a determinadas fronteiras.

Para finalizar nossa seção de análise do agro, apresentamos os preços mais recentes dos produtos do setor no fechamento da nossa coluna. No milho, considerando dados de cooperativa do estado de São Paulo, o preço físico era de R$ 65,00/sc; já o contrato para abr/26 (B3) estava em R$ 68,00. Na soja, o preço Spot estava em R$ 132,80/sc (FOB) e a entrega para mar/26 em R$ 124,00/sc (FOB). O algodão (Base Esalq) era cotado a R$ 115,67/lb. O trigo, estava em R$ 1.160,00/t (FOB). Demais preços, considerando dados do Cepea são: café arábica em R$ 2.158,72/sc, queda mensal de 3,3%; laranja para indústria em R$ 36,59/cx (40,8kg) a prazo, com queda de 6,8% no mês; e o boi gordo em R$ 319,20/@, retração de 0,6% no mês.

Os cinco fatos do agro para acompanhar em janeiro são:

  1. Confirmar se a safra recorde projetada pela Conab (354,4 milhões de t) se materializa. A área cresceu (+3%), mas a produtividade segue pressionada (-2,3%), refletindo os efeitos das chuvas irregulares no início do plantio. Com a soja praticamente semeada (90,3%) e o milho 1ª safra avançando (71,3%), o foco passa a ser a qualidade do desenvolvimento vegetativoe o impacto climático sobre o potencial produtivo e a janela da safrinha em meio as projeções confirmadas de La Niña até pelo menos fevereiro de 2026.
  2. Grãos em ambiente internacional mais firme: milho ganha tração, soja segue dependente da China. O mercado internacional inicia o ano com milho mais sustentado, após cortes na produção global e redução dos estoques finais, puxados principalmente pela Ucrânia. O USDA revisou para cima as exportações dos EUA, reforçando a disputa por oferta. Já a soja mantém cenário mais equilibrado, com estoques globais elevados. Será fundamental acompanhar o ritmo das compras asiáticas, a competitividade do Brasil frente aos EUA e Argentina e os reflexos dos movimentos sobre prêmios, preços futuros e decisões de comercialização.
  3. Atenção ao ambiente de preços internacionais mais acomodados, endividamento elevados e juros ainda altos. Os pedidos de recuperação judicial no agro aumentaram em torno de 150% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado (Serasa Experian). O setor de máquinas agrícolas, por exemplo, já entra em 2026 sob forte pressão, com tendência de postergação da renovação de frota, maior busca por manutenção, e mercado de usados. Apesar da queda nos custos de fertilizantes e defensivos, os próximos meses vão exigir um olhar mais estratégico para a gestão de caixa e timing de vendas.
  4. O Brasil superou os Estados Unidos e se tornouo maior produtor de carne bovina do mundo, consolidando sua posição como principal player global da cadeia. No entanto, essa liderança torna fundamental acompanhar o ritmo dos embarques, a evolução da demanda chinesa e eventuais ajustes comerciais ou sanitários, pois qualquer desaceleração externa pode intensificar a pressão sobre margens do produtor e frigoríficos em um cenário de custos financeiros ainda elevados.
  5. Continuar de olho no câmbio, com o dólar voltando a se aproximar de R$ 5,46, refletindo a combinação de remessas ao exterior, maior cautela dos investidores e o aumento das incertezas no cenário eleitoral, fatores que tendem a manter a volatilidade cambial elevada no início de 2026. Para o agro, o movimento tem efeito duplo: por um lado, reforça a competitividade das exportações, sustentando receitas em reais para as cadeias; por outro, pressiona os custos de produção, pensando nos insumos importados, combustíveis e máquinas, em um momento de margens já mais apertadas.

Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) e da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). Sócio da Markestrat Group. É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em DoutorAgro.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves).

Vinícius Cambaúva é associado na Markestrat Group e professor na Harven Agribusiness School, em Ribeirão Preto – SP. Engenheiro Agrônomo pela FCAV/UNESP, mestre e doutorando em Administração pela FEA-RP/USP. É especialista em comunicação estratégica no agro.

Beatriz Papa Casagrande é associada na Markestrat Group, engenheira agrônoma pela ESALQ/USP e mestra em Administração na FEA-RP/USP. É especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Rafael Barros Rosalino é consultor na Markestrat Group, médico veterinário pela FCAV/UNESP. É especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Fonte: SNA



 

FONTE

Autor:Marcelo Sá – Sociedade Nacional de Agricultura

Site: SNA

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Mercado brasileiro de soja deve manter lentidão no início da semana – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de soja deve iniciar agosto com a mesma lentidão que encerrou a última semana de julho. Isto porque a Bolsa de Mercadorias de Chicago tem perdas moderadas, pressionada pelo petróleo, que despenca mais de 6% em Nova York. Por aqui, o dólar abriu com volatilidade frente ao real, sem tendência definida. E segue abaixo de R$ 5,10, o que também desestimula a comercialização.

Na sexta-feira, o mercado brasileiro de soja teve uma sessão lenta, sem muitas novidades. Conforme avalia o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os movimentos registrados na Bolsa de Chicago foram pequenos e não provocaram alterações relevantes no mercado físico. O dólar também exerceu impacto limitado sobre as cotações.

Silveira destaca que, de maneira geral, as variações de preços foram apenas nominais, entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca. O analista acrescenta que o produtor permaneceu bastante afastado das negociações, assim como os demais players. “As indústrias também mostraram pouco apetite por compras, e nos portos não houve registro de volumes mais expressivos”, resume.

No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 140,00 para R$ 139,00, movimento semelhante ao registrado em Santa Rosa (RS), onde passou de R$ 141,00 para R$ 140,00. Em Cascavel (PR), as cotações caíram de R$ 134,00 para R$ 131,00. Em Rondonópolis (MT), os preços avançaram de R$ 127,00 para R$ 128,00, enquanto em Dourados (MS) a saca recuou de R$ 127,50 para R$ 127,00. Já em Rio Verde (GO), a cotação permaneceu em R$ 128,00.

Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca recuou de R$ 145,00 para R$ 143,00. Em Rio Grande (RS), as referências caíram de R$ 146,00 para R$ 145,00.

CHICAGO

* A Bolsa de Mercadorias de Chicago opera com perdas. A posição novembro/26 do grão recuava 0,56%, cotada a US$ 11,80 3/4 por bushel.

* O mercado mantém o recente viés negativo, pressionado pela forte queda do petróleo. O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que cancelou um ataque iminente ao Irã e que representantes dos dois países iniciarão negociações nesta segunda-feira (3). A valorização do dólar também pesa sobre as cotações, ao reduzir a competitividade da oleaginosa norte-americana no cenário internacional.

* As perdas, no entanto, encontram algum suporte na demanda chinesa. Segundo a Reuters, empresas estatais da China compraram entre 14 e 16 cargas de soja dos Estados Unidos na última sexta-feira, aproveitando a recente queda dos preços e às vésperas da esperada visita do presidente Xi Jinping aos EUA no próximo mês.

CÂMBIO

* O dólar comercial registra baixa de 0,08%, a R$ 5,0641. O Dollar Index registra alta 0,13%, a 99,762 pontos.

INDICADORES FINANCEIROS

* As principais bolsas da Ásia fecharam em baixa. China, -0,59%. Japão, -0,94%.

* As bolsas na Europa operam em alta. Paris, +1,34%. Frankfurt, +1,52%. Londres, +0,25%.

* O petróleo opera em forte baixa. Setembro do WTI em NY: US$ 79,26 o barril (-6,38%).

AGENDA

—–Segunda-feira (03/08)

12:00 – Inspeções de exportação semanal dos EUA – USDA.

16:00 – Esmagamento de soja em julho nos EUA/USDA.

16:00 – Uso de milho para fabricação de etanol em julho nos EUA/USDA.

16:00 – Dados de Oferta e Demanda de soja, milho e algodão no MT/Imea.

17:00 – Relatório de condições das lavouras dos EUA – USDA.

– Resultado financeiro do BB Seguridade.

—-Terça-feira (04/08)

09:30 – EUA: Balança Comercial de Bens e Serviços (junho).

11:30 – Dados sobre as lavouras do Paraná – Deral.

– Resultado financeiro da Gerdau e da Prio.

—–Quarta-feira (05/08)

06:00 – Zona do Euro: Índice de Preços ao Produtor (PPI, junho).

11:30 – EUA: Relatório Semanal de Petróleo da EIA.

18:30 – Definição da taxa Selic pelo Copom/BC.

– Resultado financeiro da Brava Energia.

—–Quinta-feira (06/08)

09:30 – Dados de exportação semanal de grãos dos EUA/USDA.

15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.

15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

15:00 – Balança comercial consolidada de julho/MDIC.

16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.

– Resultado financeiro da Petrorecôncavo e da Petrobras.

—–Sexta-feira (07/08)

09:30 – EUA: Relatório de Emprego/payroll (julho).

03:00 – Alemanha: Produção Industrial (junho).

08:00 – IGP-DI e os componentes: IPA-DI, IPC-DI e INCC-DI de julho/FGV.

16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.

– China: Balança Comercial (julho).

Autor/Fonte: Rodrigo Ramos – rodrigo@safras.com.br (Agência Safras)

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Preços da soja sobem aqui e em Chicago e comercialização melhora em julho – MAIS SOJA

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Julho foi positivo para o mercado brasileiro de soja. Os preços subiram nas principais praças do Brasil, acompanhando o comportamento dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, e o ritmo dos negócios melhorou, apesar do câmbio desfavorável. Os prêmios seguiram firmes e ajudaram a consolidar o bom momento para os negócios.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 129,00 para R$ 140,00 durante o mês. Em Cascavel (PR), o preço saltou de R$ 124,00 para R$ 134,00. Em Rondonópolis (MT) a cotação avançou de R$ 115,00 para R$ 127,00. No Porto de Paranaguá, a saca aumentou de R$ 135,00 para R$ 145,00.

Em Chicago, os contratos com vencimento em novembro, os mais negociados, apresentaram alta mensal de 4,26%, sendo negociados na manhã do dia 31 a US$ 11,92 por bushel. No melhor momento de julho, a cotação superou a casa de US$ 12,50, se colocando nos melhores patamares em mais de dois anos.

Três fatores contribuíram para os ganhos em Chicago. O petróleo voltou a subir com a tensão no Oriente Médio escalonando. A demanda chinesa pelo produto americano se aqueceu e, completando o cenário positivo, boletins apontando clima seco e altas temperaturas sobre o cinturão produtor americano garantiram picos característicos desse mercado de clima. Agosto promete muita volatilidade, já que é o período crítico para a formação do potencial produtivo da safra americana.

Plantio

A intenção de plantio da nova safra brasileira de soja aponta diversos desafios para 2027, mas ainda mantém uma perspectiva de aumento da produção, desde que não ocorram problemas climáticos relevantes. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira.

Por um lado, há potencial para novos avanços de área, principalmente nos estados do Centro-Oeste. “É o caso de Mato Grosso, que mantém uma expectativa de expansão de aproximadamente 1,5% na área cultivada”, pontua o consultor.

Segundo ele, mesmo com margens mais apertadas, as elevadas produtividades registradas nas últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas, permitindo que a atividade permaneça economicamente viável, ainda que com rentabilidade mais limitada. “Goiás segue uma dinâmica semelhante, embora a situação dos produtores seja mais fragilizada”, exemplifica.

Por outro lado, o clima é um dos principais fatores de preocupação para a temporada. A expectativa de um evento de El Niño mais intenso levanta riscos importantes para a safra brasileira, especialmente por sua maior influência estar prevista para meses decisivos ao desenvolvimento da cultura e à definição do potencial produtivo. “Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade”, ressalta Silveira.

Ainda assim, Safras & Mercado não trabalha com quebras de safra antecipadamente, adotando essa premissa apenas quando há evidências concretas de perdas no campo. “No entanto, nossa expectativa é de produtividades potenciais inferiores às observadas na última temporada para a maioria das regiões”, afirma. Além do risco climático, os custos de produção seguem elevados, principalmente em função da alta dos fertilizantes ao longo do primeiro semestre. “Esse cenário pode levar parte dos produtores a reduzir o nível de investimento em tecnologia e manejo, fator que tende a limitar o potencial produtivo da safra 2026/27”, explica.

Assim Safras & Mercado projeta um avanço de aproximadamente 1,2% na área plantada, impulsionado principalmente pelos estados do Centro-Oeste, devendo chegar a 49,107 milhões de hectares. A região Sudeste também deve registrar expansão de área, contribuindo para uma expectativa de produção de 180,089 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 178,3 milhões de toneladas estimados para a safra 2025/26.

A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, equivalente a 61,43 sacas por hectare, praticamente estável em relação à safra anterior, que registrou 3.692 quilos por hectare, ou 61,54 sacas por hectare.

Estados Unidos

A área plantada com soja nos Estados Unidos em 2026 deverá totalizar 85,4 milhões de acres, conforme o relatório de área plantada Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Se confirmada, a área ficará 5% acima do total cultivado no ano passado, de 81,215 milhões de acres.

O número ficou dentro da expectativa do mercado, que era de 85,4 milhões de acres. O número veio acima da área indicada no relatório de intenção de plantio, divulgado em março, que era de 84,7 milhões de acres. Na comparação com o ano passado, a área aumentou ou ficou inalterada em 23 dos 29 estados produtores.

Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua e Rodrigo Ramos / Agência Safras

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Ceema: cotações da soja, em Chicago, recuaram bastante nesta última semana de julho. – MAIS SOJA

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As cotações da soja, em Chicago, recuaram bastante nesta última semana de julho.

Após o primeiro mês cotado ter atingido a US$ 12,48/bushel no dia 24/07, o mercado iniciou um recuo importante, atingindo a US$ 11,77 no fechamento da quinta-feira (30), contra US$ 12,37 uma semana antes. Por sua vez, o farelo de soja despencou 5,3% nos últimos seis dias úteis, até o dia 30/07, ao fechar neste dia em US$ 314,10/tonelada curta, a mais baixa cotação em Chicago desde o dia 02/07. Já o óleo de soja perdeu 9,6% nos últimos cinco dias até o dia 30/07, fechando este dia em 68,35 centavos de dólar por libra-peso, sendo esta a mais baixa cotação desde o dia 06/07.

O motivo principal foi o retorno das chuvas nas regiões produtoras de soja dos EUA, arrefecendo a especulação iniciada em princípios de julho. Além disso, uma nova tentativa de acordo de paz entre EUA e Irã esfriou os preços do petróleo, puxando o óleo de soja e influenciando a cotação do grão. Também, neste final de mês, houve forte realização de lucros por parte dos Fundos na Bolsa, ajudando a derrubar as cotações. Assim, se o clima nos EUA continuar no caminho positivo, a pressão baixista sobre os preços da soja tende a continuar. Caso contrário, haverá novas altas. Ou seja, o mercado continua sob forte influência do clima naquele país e, portanto, muito volátil.

Por enquanto, no dia 26/07, apenas 9% das lavouras estadunidenses de soja se apresentavam entre ruins a muito ruins, outras 28% estavam regulares e 63% entre boas a muito boas.

E no Brasil, os preços recuaram um pouco diante deste movimento baixista de Chicago, porém, o câmbio, que se manteve ao redor de R$ 5,10 por dólar, segurou o recuo, assim como os prêmios ao redor de US$ 1,50/bushel nos portos brasileiros.

Desta forma, nos portos o produto se manteve ao redor de R$ 140,00 a R$ 150,00/saco, enquanto nas principais praças nacionais, no balcão, os valores oscilaram entre R$ 119,00 e R$ 127,50/saco. No Rio Grande do Sul, a média esteve em R$ 127,60.

Vale destacar que, diante das preocupações e primeiras evidências do fenômeno El Niño, aumenta a inquietude quanto ao impacto disso sobre a produção de soja global.

Com isso, parte dos compradores estão antecipando suas aquisições visando diminuir riscos, o que ajuda os preços a subirem.

Enfim, novas estimativas dão conta de que o Brasil deverá exportar 115,4 mihões de toneladas de soja em 2026, o que seria 6,7% acima do exportado no ano passado. Já o esmagamento local da oleaginosa atingiria o recorde de 63,3 milhões de toneladas, com aumento de 7,8% sobre o ano de 2025. Com isso, a estimativa de estoques finais para o atual ano comercial foi reduzida, ficando em 6,58 milhões de toneladas. Mesmo assim, o maior volume desde 2019. Já a produção de farelo de soja, pelo Brasil, chegará a 48,7 milhões de toneladas enquanto a de óleo atingirá 12,75 milhões, ambos recordes igualmente. A exportação de farelo pode chegar a 24,9 milhões de toneladas e o consumo interno do subproduto em 21,4 milhões. No óleo de soja, a exportação poderá chegar a 1,7 milhão de toneladas. A receita com a exportação do complexo soja atingiria US$ 60,6 bilhões, contra US$ 52,9 bilhões no ano anterior. A soja em grão participa com US$ 49 bilhões do total esperado, contra US$ 43,5 bilhões em 2025 (cf. Abiove)

 

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

FONTE

Autor:Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

Site: CEEMA

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