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17 de setembro de 2026

Sustentabilidade

O Foco Agora é o Clima e Impactos do La Niña nos Grãos – MAIS SOJA

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Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br

Reflexões dos fatos e números do agro em novembro/dezembro e o que acompanhar em janeiro

Na economia mundial e brasileira,na atualização mais recente do Banco Central, o Boletim Focus de 12/12 apresentou nova queda nas projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), estimado em 4,36% para este ano e 4,10% para o próximo. Quanto ao PIB, as expectativas aumentaram ligeiramente em relação há quatro semanas, indicando crescimento de 2,25% em 2025 e 1,80% em 2026. O câmbio deve encerrar o ano atual em R$ 5,40 e atingir R$ 5,50 ao final do ano seguinte (ambas expectativas em manutenção). Por fim, a taxa Selic segue projetada em 15% em 2025, mas caiu para 12,13% em 2026.

No agro mundial e brasileiro,o Índice de Preços dos Alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) encerrou novembro de 2025 com média de 125,1 pontos, queda de 1,2% frente a outubro (126,6 pontos), concretizando o terceiro recuo mensal consecutivo. A retração reflete o comportamento negativo dos laticínios, carnes, açúcar e óleos vegetais, que foi maior que o avanço dos cereais. Estes últimos valorizaram (+1,8%) mesmo com o cenário global de oferta confortável. O trigo foi influenciado por expectativas de compras chinesas de grãos norte-americanos, tensões geopolíticas no Mar Negro e projeções de menor plantio na Rússia. O milho também valorizou, sustentado pela forte procura internacional e atrasos nas lavouras de verão na América do Sul. Nos óleos vegetais (-2,6%), as cotações do óleo de palma e canola recuaram com perspectivas mais favoráveis de oferta global. Apenas o óleo de soja apresentou ligeira valorização, sustentado pelo mercado aquecido de biodiesel no Brasil e Estados Unidos.

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A queda das carnes (-0,8%) foi puxada pela carne de aves e suína. No primeiro caso, influenciadas pela ampla oferta e pela recomposição de mercado após o fim das restrições sanitárias chinesas; no segundo, pela fraca demanda asiática e elevada disponibilidade na União Europeia. Entre os laticínios (-3,1%), os destaques foram a manteiga e o leite em pó, pressionados pela elevada produção na União Europeia e na Nova Zelândia. Por fim, o açúcar (-5,9%), obteve a maior queda devido à forte produção brasileira, somada às boas perspectivas para Índia e Tailândia e à queda nos preços internacionais do petróleo, que reduz o interesse pelo etanol.

A Conab divulgou o 3º Boletim de Safra de Grãos para o ciclo 2025/26. A nova estimativa aponta que a produção deve alcançar 354,4 milhões de t, o que representa um aumento de 0,6% (ou 2,2 milhões de t) em relação ao ciclo anterior. O resultado reflete a expansão da área semeada, projetada em 84,2 milhões de ha — um crescimento de 3% frente à safra passada. Contudo, a produtividade média das lavouras deve recuar 2,3%, estimada agora em 4.210 kg por ha. Em comparação com o levantamento de novembro, houve um ajuste negativo de 441 mil t no volume total esperado.

No milho,o relatório de dezembro do USDA para a safra 2025/26 revisou para baixo a estimativa de produção global do cereal, impulsionada principalmente por cortes na safra da Ucrânia, que mais do que compensaram os aumentos na União Europeia. A produção dos Estados Unidos (1º) manteve-se inalterada em relação a novembro, estimada em aproximadamente 425,5 milhões de t (16,75 bilhões de bushels). No entanto, o relatório trouxe um aumento expressivo nas exportações norte-americanas, elevadas em 3,2 milhões de t (125 milhões de bushels), o que reduziu os estoques finais do país.

Para os demais grandes produtores, as estimativas de produção permaneceram estáveis em relação ao mês anterior: China (2º), Brasil (3º) e Argentina (5º). Já a Ucrânia teve sua produção cortada em 3 milhões de t, caindo para 29 milhões de t devido à redução de área e produtividade. Para o ciclo 2025/26, estima-se que os estoques finais globais de milho cheguem a 279,2 milhões de t, uma queda de 2,1 milhões de t em relação à estimativa de novembro (281,3 milhões de t).

A estimativa total para a produção de milho (somando as três safras) foi ajustada para 138,9 milhões de t, indicando uma redução de 1,5% em comparação ao ciclo 2024/25. Para a 1ª safra, a previsão é de uma colheita de 25,91 mi de t (+3,9%); para a 2ª safra, de 110,5 mi de t (-2,4%); para a 3ª safra, 2,5 mi de t (-12,6%). A redução na estimativa total é influenciada pelas expectativas para as safras seguintes e ajustes climáticos. A área total destinada ao cereal deve ocupar 22,7 milhões de ha, alta de 4,1% em relação à safra anterior.

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No relatório semanal de progresso de safra (até 05/12), a Conab informou que o plantio do milho da primeira safra atingiu 71,3% da área prevista, abaixo dos 72,2% do mesmo período em 2024, mas acima dos 69,1% da média dos últimos 5 anos. O avanço foi favorecido pela regularização das chuvas na segunda quinzena de novembro, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, recuperando parte do atraso inicial.

No mercado futuro (Chicago), até 17/12, o contrato de Mar/26 do milho foi cotado a US$ 4,40/bushel, 2,0% menor do que o preço registrado há um mês (era de US$ 4,48/bushel).

Na soja,o relatório do USDA de dezembro para a safra 2025/26 trouxe estabilidade para o quadro de ofertada oleaginosa, com poucas alterações nos números de produção dos principais players. A produção global teve um leve ajuste nos estoques finais, que passaram de 122,0 milhões de t em novembro para 122,4 milhões de t em dezembro. O Brasil (1º) teve sua estimativa de produção mantida em 175,0 milhões de t, consolidando sua posição de liderança global, com exportações projetadas em 112,5 milhões de t. Da mesma forma, a produção dos Estados Unidos (2º) permaneceu inalterada em cerca de 115,7 milhões de t (4,25 bilhões de bushels), com os estoques finais americanos mantidos em 7,9 milhões de t (290 milhões de bushels). A produção da Argentina (3ª) também não sofreu alterações significativas neste relatório.

A Conab projeta uma safra de 177,1 milhões de t para a oleaginosa, consolidando um aumento de 3,3% em relação ao ciclo passado e estabelecendo um novo recorde, caso confirmado. A área destinada ao cultivo subiu para 48,9 milhões de ha, um crescimento de 3,4%.

Para a soja, o relatório indicou que a semeadura alcançou 90,3% da área total estimada, abaixo dos 94,1% do ano anterior, mas acima dos 89,8% da média dos últimos 5 anos. O plantio está virtualmente concluído nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. As precipitações recentes permitiram acelerar os trabalhos nas regiões que enfrentavam inconstância hídrica, como Minas Gerais e o Matopiba.

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Na bolsa de Chicago, em 17/12, os contratos de soja para vencimento em Jan/26 estavam cotados em US$ 10,58/bushel, 8,2% menor do que o preço registrado há um mês (era de US$ 11,45/bushel).

No algodão, o relatório de dezembro do USDA para a safra 2025/26 revisou para baixo a estimativa de produção global da pluma, cortando cerca de 300 mil fardos para um total de 119,8 milhões de fardos (aproximadamente 26,1 milhões de t). Essa redução deve-se a colheitas menores no Mali e outros países da África Ocidental, que anularam o aumento de produção observado nos Estados Unidos.

A estimativa de consumo global também foi reduzida em cerca de 300 mil fardos, reflexo de uma demanda mais fraca. Em contrapartida, os estoques finais globais foram levemente elevados para 76,0 milhões de fardos (aprox. 16,5 milhões de t), impulsionados por estoques maiores nos EUA e no Brasil, que compensaram quedas no Vietnã e Bangladesh. A produção do Brasil (3º) segue estimada em patamares recordes, consolidando o país como um fornecedor chave no mercado internacional.

A segunda estimativa da Conab traz a produção de algodão em pluma estimada em cerca de 4,0 milhões de t, com área que deve ocupar 2,1 milhões de ha, mantendo-se próxima da estabilidade ou com leve alta de 0,7% na área. O cenário reflete um ajuste nas expectativas de produtividade (que deve cair 3,5% na safra e atingir 1.885 kg/ha) e área frente aos levantamentos anteriores, com o mercado atento ao desenvolvimento das lavouras que estão sendo implantadas.

No mercado futuro (Nova Iorque), até 17/12, o contrato de Mar/26 do algodão foi cotado em 63,43 centavos de dólar por libra-peso, 1,5% menor do que o preço registrado há um mês (era de 64,38 cent/lbp).

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Nas demais culturas,para as culturas de inverno (referentes ao ciclo 2025), a Conab ajustou as estimativas, projetando agora uma produção total de 10,2 milhões de t. O grande destaque é o trigo, com volume revisado para 8,0 milhões de t. A produção das demais culturas segue estimada em: 1,3 milhão de t para a aveia, 595,7 mil t para a cevada e 324,5 mil t para a canola. A área total destinada a esses cultivos de inverno somou 3,3 milhões de ha, alcançando uma produtividade média conjunta de aproximadamente 3.056 kg por ha.

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 13,4 bilhões em novembro de 2025, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado foi o segundo maior já registrado para o mês de novembro, refletindo o aumento de 6,5% no volume embarcado, que compensou a leve queda de 0,3% nos preços médios internacionais. As importações somaram US$ 1,5 bilhão (-2,1%), com retração nas compras de fertilizantes (US$ 1,12 bi | -10,1%) e defensivos agrícolas (US$ 516,9 mi | -3,8%), segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI/Mapa).

Entre os setores exportadores, seis grupos responderam por 81,2% do total embarcado: carnes (US$ 3,0 bi | 22,2%), complexo soja (US$ 2,4 bi | 18,2%), café (US$ 1,6 bi | 11,8%), produtos florestais (US$ 1,4 bi | 10,4%), complexo sucroalcooleiro (US$ 1,3 bi | 9,6%) e cereais e farinhas (US$ 1,2 bi | 8,9%). A soja em grãos foi destaque no mês, com US$ 1,83 bilhão (+64,6%) e 4,2 milhões de t embarcadas (+64,4%), impulsionado pela safra recorde de 171,5 milhões de t e pela forte demanda da China, que respondeu por 95% das exportações. A carne bovina in natura atingiu recorde histórico, com US$ 1,7 bilhão exportado (+57,9%) e 318,5 mil t (+39,6%).

A China absorveu 55% das vendas totais (US$ 1,0 bilhão), seguida por Rússia, União Europeia, México e Chile. Já o café verde registrou recorde em valor exportado, com US$ 1,5 bilhão (+9,1%), sustentado pelos altos preços internacionais do arábica, que voltaram a superar o patamar recorde de US$ 9/kg. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 155,25 bilhões, o maior valor da série histórica para o período (+1,7% em relação a 2024).

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) revisou o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) para R$ 1,416 trilhão em novembro de 2025, o que representa um aumento de 11,7% em relação ao valor de 2024. Do montante, R$ 928,0 bilhões (+10,4%) são originários das lavouras, enquanto R$ 488,1 bilhões (+14,3%) vêm da pecuária. Enquanto a soja (R$ 327,4 bilhões) e o milho (R$ 166,3 bilhões) ocupam as primeiras posições na lavoura, os bovinos (R$ 210,4 bilhões) e o frango (R$ 112,2 bilhões) se destacam na pecuária.

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O cenário econômico de dezembro foi marcado por movimentos opostos; nos EUA, o Federal Reserve anunciou novo recuo na meta da taxa de juros, enquanto no Brasil, o Copom optou pela manutenção da Selic em 15,00% ao ano. Para o agronegócio, a queda nos juros americanos tende a pressionar o dólar para baixo, o que pode reduzir a rentabilidade em reais das exportações. Internamente, a Selic em patamar elevado continua encarecendo o crédito rural e o capital de giro, exigindo do produtor maior cautela na gestão de caixa e novos investimentos.

Brasil supera EUA e assume liderança global na produção de carne bovina: relatório de dezembro do USDA aponta um marco histórico para a pecuária nacional, com o Brasil ultrapassando os Estados Unidos em volume de produção pela primeira vez. Este feito consolida o país não apenas como o maior exportador, mas agora também como o maior produtor mundial da proteína.

MAPA encerra 2025 com recorde histórico na abertura de mercados: o Ministério da Agricultura e Pecuária finalizou o ano com o maior avanço já registrado na diplomacia comercial, totalizando 507 novos mercados abertos desde o início da gestão para diversos produtos e destinos. Essa conquista traz impactos estruturais para o setor, pois a pulverização dos destinos reduz a dependência comercial de parceiros tradicionais e cria novas rotas de escoamento para a produção crescente, agregando valor a produtos que antes não tinham acesso a determinadas fronteiras.

Para finalizar nossa seção de análise do agro, apresentamos os preços mais recentes dos produtos do setor no fechamento da nossa coluna. No milho, considerando dados de cooperativa do estado de São Paulo, o preço físico era de R$ 65,00/sc; já o contrato para abr/26 (B3) estava em R$ 68,00. Na soja, o preço Spot estava em R$ 132,80/sc (FOB) e a entrega para mar/26 em R$ 124,00/sc (FOB). O algodão (Base Esalq) era cotado a R$ 115,67/lb. O trigo, estava em R$ 1.160,00/t (FOB). Demais preços, considerando dados do Cepea são: café arábica em R$ 2.158,72/sc, queda mensal de 3,3%; laranja para indústria em R$ 36,59/cx (40,8kg) a prazo, com queda de 6,8% no mês; e o boi gordo em R$ 319,20/@, retração de 0,6% no mês.

Os cinco fatos do agro para acompanhar em janeiro são:

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  1. Confirmar se a safra recorde projetada pela Conab (354,4 milhões de t) se materializa. A área cresceu (+3%), mas a produtividade segue pressionada (-2,3%), refletindo os efeitos das chuvas irregulares no início do plantio. Com a soja praticamente semeada (90,3%) e o milho 1ª safra avançando (71,3%), o foco passa a ser a qualidade do desenvolvimento vegetativoe o impacto climático sobre o potencial produtivo e a janela da safrinha em meio as projeções confirmadas de La Niña até pelo menos fevereiro de 2026.
  2. Grãos em ambiente internacional mais firme: milho ganha tração, soja segue dependente da China. O mercado internacional inicia o ano com milho mais sustentado, após cortes na produção global e redução dos estoques finais, puxados principalmente pela Ucrânia. O USDA revisou para cima as exportações dos EUA, reforçando a disputa por oferta. Já a soja mantém cenário mais equilibrado, com estoques globais elevados. Será fundamental acompanhar o ritmo das compras asiáticas, a competitividade do Brasil frente aos EUA e Argentina e os reflexos dos movimentos sobre prêmios, preços futuros e decisões de comercialização.
  3. Atenção ao ambiente de preços internacionais mais acomodados, endividamento elevados e juros ainda altos. Os pedidos de recuperação judicial no agro aumentaram em torno de 150% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado (Serasa Experian). O setor de máquinas agrícolas, por exemplo, já entra em 2026 sob forte pressão, com tendência de postergação da renovação de frota, maior busca por manutenção, e mercado de usados. Apesar da queda nos custos de fertilizantes e defensivos, os próximos meses vão exigir um olhar mais estratégico para a gestão de caixa e timing de vendas.
  4. O Brasil superou os Estados Unidos e se tornouo maior produtor de carne bovina do mundo, consolidando sua posição como principal player global da cadeia. No entanto, essa liderança torna fundamental acompanhar o ritmo dos embarques, a evolução da demanda chinesa e eventuais ajustes comerciais ou sanitários, pois qualquer desaceleração externa pode intensificar a pressão sobre margens do produtor e frigoríficos em um cenário de custos financeiros ainda elevados.
  5. Continuar de olho no câmbio, com o dólar voltando a se aproximar de R$ 5,46, refletindo a combinação de remessas ao exterior, maior cautela dos investidores e o aumento das incertezas no cenário eleitoral, fatores que tendem a manter a volatilidade cambial elevada no início de 2026. Para o agro, o movimento tem efeito duplo: por um lado, reforça a competitividade das exportações, sustentando receitas em reais para as cadeias; por outro, pressiona os custos de produção, pensando nos insumos importados, combustíveis e máquinas, em um momento de margens já mais apertadas.

Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) e da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). Sócio da Markestrat Group. É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em DoutorAgro.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves).

Vinícius Cambaúva é associado na Markestrat Group e professor na Harven Agribusiness School, em Ribeirão Preto – SP. Engenheiro Agrônomo pela FCAV/UNESP, mestre e doutorando em Administração pela FEA-RP/USP. É especialista em comunicação estratégica no agro.

Beatriz Papa Casagrande é associada na Markestrat Group, engenheira agrônoma pela ESALQ/USP e mestra em Administração na FEA-RP/USP. É especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Rafael Barros Rosalino é consultor na Markestrat Group, médico veterinário pela FCAV/UNESP. É especialista em inteligência de mercado para o agronegócio.

Fonte: SNA



 

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FONTE

Autor:Marcelo Sá – Sociedade Nacional de Agricultura

Site: SNA

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Quais impactos esperar da Lei Complementar 235/26 no setor de fertilizantes? – MAIS SOJA

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Uma lei de importante impacto econômico para o setor agrícola foi sancionada pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, sem vetos. A Lei Complementar 235/26 tem como principais objetivos, mitigar impactos econômicos no mercado internacional de energia, decorrentes do atual conflito do Oriente Médio (Agência Câmara de Notícias, 2026). A lei excepcionaliza os benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes e à realização da Copa do Mundo Feminina, e dá outras providências (Agência Câmara de Notícias, 2026).

A lei complementar prevê até R$ 5 bilhoes em créditos fiscais para projetos de produção de fertilizantes e bioinsumos entre 2027 e 2031. Dada a dependência nacional da maioria dos fertilizantes utilizados na agricultura, a lei pode impactar o mercado nacional de fertilizantes, proporcionando maior autonomia nacional da cadeia produtiva. Além do estímulo à produção de fertilizantes, a da Lei Complementar 235/26 prevê medidas importantes como a desoneração de combustíveis, adiamento de IBS/CBS para operações com produtos agropecuários, redução da porcentagem mínima de exportação para enquadramento de empresas como “predominantemente exportadoras”, entre outras medidas (figura 1).

Figura 1. Principais medidas revistas na Lei Complementar 235/26.
Fonte: Agência Câmara de Notícias (2026)

Sobretudo, mesmo com a aporte considerável de créditos, o comportamento do mercado nacional e fertilizantes frente a adoção da lei e como ela passa a influenciar no cultivo das culturas agrícolas é uma dúvida atual. Para elucidas essas e outras questões a respeito dos impactos da Lei Complementar 235/26, a equipe Mais Soja realizou uma entrevista com Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Mineração e especialista no ramo, com experiencia em gestão e desenvolvimento de negócios.

Figura 2. Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Mineração.
Fonte: Massari Mineração

Quando questionado se o volume de até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para fertilizantes entre 2027 e 2031 é suficiente para estimular novos investimentos no setor, Saurin respondeu: “É um volume relevante e capaz de melhorar a viabilidade de novos projetos, mas não é suficiente, isoladamente, diante da dimensão do desafio brasileiro. A medida pode reduzir parte do risco de empreendimentos que exigem investimentos elevados e apresentam longos prazos de implantação e retorno. Projetos de mineração e fertilizantes são intensivos em capital e enfrentam riscos geológicos, ambientais, logísticos e regulatórios. Por isso, além do crédito fiscal, precisamos de previsibilidade, segurança jurídica, infraestrutura adequada, energia competitiva e processos de licenciamento eficientes.  Com a integração entre Massari e Morro Verde, estamos ampliando nossa capacidade produtiva porque acreditamos que existe espaço para aumentar a oferta nacional e reduzir a vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional. Vejo, portanto, os incentivos como instrumentos importantes para viabilizar e acelerar projetos necessários ao país, desde que integrados a uma política de longo prazo.

Já com relação aos impactos da lei, e como a medida pode reduzir a dependência brasileira das importações de fertilizantes, Saurin destaca que “o principal caminho é aumentar a produção no próprio país. A elevada dependência das importações deixa o produtor brasileiro mais exposto às variações dos preços internacionais, do câmbio e dos fretes, além de conflitos geopolíticos e possíveis problemas de abastecimento. Precisamos aproveitar melhor nossas reservas de fosfato, potássio, cálcio, magnésio, e outros minerais, desenvolvendo soluções adaptadas aos solos e à agricultura tropical brasileira. Não se trata apenas de substituir um produto importado por outro nacional, mas de utilizar melhor os recursos existentes no país e aumentar a eficiência agronômica na aplicação dos nutrientes. É justamente nesse ponto que iniciativas como as da Massari Fértil e da Morro Verde ganham importância. Estamos ampliando a produção nacional e desenvolvendo soluções que combinam matérias-primas, tecnologia, micronização e conhecimento agronômico. A LC 235 de 2026 pode acelerar esse movimento, embora a redução da dependência seja um processo de longo prazo, que exige investimentos contínuos em capacidade produtiva, pesquisa, infraestrutura e logística”.

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 E quais seriam os segmentos da cadeia de fertilizantes mais beneficiados pelos incentivos previstos na lei? De acordo com Saurin, “a medida alcança diferentes segmentos ligados à produção nacional de fertilizantes e de matérias-primas. Entre os que podem receber maior impulso estão os fertilizantes e as matérias-primas nacionais, os fosfatos naturais, os remineralizadores, os biofertilizantes e os bioinsumos, além dos projetos de modernização e ampliação de unidades produtivas. Os fertilizantes fosfatados e as matérias-primas produzidas no Brasil têm papel estratégico nesse processo. Essa é uma área em que a Massari Fértil e a Morro Verde vêm investindo e ampliando sua atuação, porque o país possui reservas, conhecimento e condições para aumentar a produção e depender menos do mercado externo. Os critérios de seleção deveriam priorizar projetos com capacidade efetiva de gerar volume, escala, eficiência agronômica, inovação e substituição de importações. Também é importante assegurar espaço para diferentes produtores, tecnologias e regiões, fortalecendo uma cadeia diversificada e mais segura”.

 Marcado Nacional X Mercado Internacional de fertilizantes

A partir dos incentivos previstos na LC 235/2026, pode-se esperar que os fertilizantes produzidos no Brasil se tornem mais competitivos em relação aos importados? Saurin explica que, “existe esse potencial, mas é importante não confundir incentivo fiscal com a competitividade estrutural de que o setor precisa no longo prazo. Para empresas que já investem em produção nacional, um ambiente com custos e riscos menores pode acelerar projetos, estimular a modernização das unidades e permitir ganhos de escala. Com maior escala, torna-se possível diluir custos e competir em melhores condições com o produto importado. Ao mesmo tempo, outros fatores têm peso decisivo, como os custos de energia e logística, o acesso às matérias-primas, a infraestrutura, a tecnologia, o licenciamento e a segurança jurídica. O incentivo pode dar um impulso importante, mas não substitui a necessidade de enfrentar esses gargalos. O objetivo deve ser construir uma indústria nacional estruturalmente competitiva, capaz de se sustentar no longo prazo, mesmo após o encerramento dos incentivos”.

Considerando o histórico de dependência externa, e iniciativas anteriores como Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola de 1974 e o Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 o que diferencia a Lei Complementar 235/2026 das medidas anteriores e como evitar que ela repita resultados limitados?

O CEO da Massari Fértil explica que “a principal diferença é a criação de um instrumento fiscal diretamente associado à realização de projetos produtivos. A lei estabelece uma janela de incentivos entre 2027 e 2031, enquanto o Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 definiu uma estratégia de longo prazo, com horizonte até 2050. O diferencial não será apenas conceder o crédito, mas selecionar projetos capazes de efetivamente acrescentar produção, tecnologia e capacidade instalada. Sem regulamentação rápida, previsibilidade orçamentária e acompanhamento das contrapartidas, existe o risco de repetirmos planos corretos no diagnóstico, mas limitados na execução. A experiência mostra que o incentivo, sozinho, não resolve. O Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola de 1974 já buscava ampliar e modernizar a indústria nacional. Para que a nova medida produza resultados mais consistentes, ela precisa ser acompanhada por infraestrutura, energia competitiva, acesso às matérias-primas, licenciamento eficiente, financiamento e segurança para quem está disposto a investir no longo prazo. O resultado deve ser avaliado pelo aumento efetivo da produção e da capacidade instalada, pelo avanço tecnológico e pela redução concreta da vulnerabilidade externa. É isso que pode transformar o incentivo em uma verdadeira política industrial”.

 Redução da dependência externa 

Essa medida constitui uma iniciativa sólida na busca pela independência nacional no campo de fertilizantes ou mesmo com a medida a agricultura brasileira ainda irá depender majoritariamente dos fertilizantes importados? 

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 De acordo com Saurin, “é uma iniciativa importante para aumentar a autonomia do Brasil, mas ainda estamos longe de alcançar independência em relação aos fertilizantes importados. Somos um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, e a produção nacional ainda não consegue atender integralmente à demanda. O caminho passa por fortalecer empresas e projetos que já estão aumentando a oferta interna. Com a integração entre Massari e Morro Verde, temos capacidade superior a 3 milhões de toneladas por ano e planejamos alcançar 5 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos. Isso demonstra que há capacidade e disposição para investir no Brasil, mas também evidencia a dimensão do desafio nacional. Por isso, é mais realista falar em segurança de abastecimento, autonomia e menor vulnerabilidade do que em autossuficiência. O Brasil continuará participando do mercado internacional, mas pode reduzir sua exposição ao ampliar a produção interna, diversificar matérias-primas, tecnologias e fornecedores e aproveitar melhor suas próprias reservas minerais.

Finalizando a entrevista, Saurin foi questionado quanto a possíveis impactos negativos no setor. Apesar dos benefícios esperados, a Lei Complementar 235/2026 pode gerar impactos negativos ou efeitos não desejados no longo prazo?  “Todo incentivo fiscal precisa ser acompanhado de perto. Um dos riscos é o benefício sustentar projetos que não se tornem competitivos após o seu encerramento. Também é necessário evitar a captura dos recursos por poucos grupos, o financiamento de capacidades apenas anunciadas, mas não efetivamente implantadas, e a criação de competição desigual entre empresas beneficiadas e produtores nacionais que não consigam acessar o programa. Os investimentos também não devem ficar excessivamente concentrados em poucos projetos ou regiões. Uma cadeia diversificada, com diferentes produtores, matérias-primas e tecnologias, aumenta a segurança de abastecimento. Ao mesmo tempo, a expansão da produção precisa caminhar com eficiência, inovação e responsabilidade ambiental. O programa deve medir toneladas efetivamente adicionadas, investimentos executados, ganhos de produtividade, empregos, conteúdo nacional e redução concreta da exposição externa. Benefício fiscal sem contrapartida mensurável não pode ser considerado política industrial.  Com metas claras, acompanhamento dos investimentos e avaliação periódica dos resultados, será possível direcionar o recurso público para a construção de uma indústria nacional mais competitiva e capaz de oferecer maior segurança ao agronegócio brasileiro. O Brasil não deve tentar apenas reproduzir internamente a matriz de fertilizantes importados. Precisa aproveitar suas reservas minerais, sua capacidade tecnológica e o conhecimento acumulado sobre solos tropicais para desenvolver uma matriz de fertilização mais diversificada, eficiente e segura”.

A Lei Complementar Nº 235, de 27 de Agosto de 2026 pode ser acessada clicando aqui!



Referências:

AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 235, DE 27 DE AGOSTO DE 2026. Agência Câmara de Notícias, 2026. Disponível em: < https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leicom/2026/leicomplementar-235-27-agosto-2026-799870-norma-pl.html >, acesso em: 17/09/2026.

AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. NOVA LEI REDUZ TRIBUTOS SOBRE COMBUSTÍVEIS E PREVÊ INCENTIVOS PARA FERTILIZANTES. Agência Câmara de Notícias, 2026. Disponível em: < https://www.camara.leg.br/noticias/1301020-nova-lei-reduz-tributos-sobre-combustiveis-e-preve-incentivos-para-fertilizantes >, acesso em: 17/09/2026.

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Redação: Equipe Mais Soja.

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Pesquisa da Síntese Agro Science identifica bactéria capaz de reduzir em 67,8% nematoide que ataca raízes da soja – MAIS SOJA

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A Síntese Agro Science, empresa brasileira de biotecnologia aplicada ao agronegócio, identificou uma bactéria com potencial para proteger o sistema radicular da soja e ampliar as alternativas disponíveis para o manejo integrado. Batizada de SB005, a cepa foi isolada de folhas de soja cultivadas no Brasil. Em estudo publicado na edição de agosto da revista científica internacional Process Biochemistry, o microrganismo registrou redução de 67,8% na população do nematoide das galhas (Meloidogyne javanica), parasita microscópico de solo que prejudica o desenvolvimento das raízes, com eficácia estatisticamente comparável à do produto químico usado como referência.

“O resultado mostra o potencial de microrganismos endofíticos encontrados no Brasil para gerar tecnologias com desempenho competitivo e viabilidade de produção em escala. É esse domínio científico e industrial que permite transformar pesquisas em soluções rentáveis e aplicáveis ao campo”, afirma Willian Marcusso, engenheiro agrônomo e diretor de Projetos e Inovação da Síntese Agro Science.

O nematoide é praticamente invisível a olho nu e sua presença costuma ser percebida pela formação de manchas (reboleiras) na lavoura em que as plantas apresentam menor desenvolvimento e folhas amareladas, sinais de que a absorção de água e nutrientes foi comprometida. Um levantamento atribuído à Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) estima em R$ 16,2 bilhões por ano as perdas provocadas por nematoides na cultura da soja no Brasil.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores isolaram o microrganismo e desenvolveram um processo de fermentação capaz de multiplicá-lo em escala, etapa fundamental para avançar sua aplicação como bioinsumo. Para viabilizar a produção, utilizaram a milhocina, um subproduto agroindustrial de baixo custo que funciona como substrato altamente eficiente para a fermentação da bactéria.

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O processo de produção foi validado inicialmente em escala de bancada e posteriormente ampliado para biorreatores de até 100 litros, etapa considerada um dos maiores desafios para transformar uma descoberta em tecnologia viável. O estudo demonstrou ainda que o tratamento de sementes com o SB005 favoreceu o desenvolvimento das raízes da soja, tanto nos testes realizados em areia quanto em solo.

Os resultados acompanham um momento de expansão do setor: segundo a CropLife Brasil, a área tratada com bionematicidas passou de 28 milhões para 44 milhões de hectares entre 2024 e 2025, expansão de aproximadamente 60%. A pesquisa integra a estratégia da Síntese Agro Science, que mantém em Maringá (PR) uma estrutura dedicada à bioprospecção de microrganismos encontrados no Brasil e ao desenvolvimento de tecnologias nacionais que ampliem as alternativas disponíveis ao produtor.

A consistência dessa linha de pesquisa também foi demonstrada em outro estudo da Síntese, publicado em setembro na revista científica internacional Archives of Phytopathology and Plant Protection. A pesquisa avaliou quatro outras cepas bacterianas — SB001, SB002, SB003 e SB004 — e identificou potencial para reduzir a população do mesmo nematoide na soja, além de efeitos positivos sobre o desenvolvimento das plantas.

A descoberta acontece em um momento de expansão da companhia, que projeta crescimento de 50% no faturamento nesta safra. A empresa investe cerca de R$ 90 milhões em um novo parque tecnológico em Maringá (PR), com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2027, além de manter uma coleção própria de cerca de 500 microrganismos catalogados.

Segundo Willian Marcusso, a estratégia da companhia é se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo por meio do desenvolvimento de ativos biotecnológicos próprios. O novo complexo terá 9 mil metros quadrados dedicados à pesquisa e à produção em escala. A companhia mantém hoje 19 pesquisadores em dedicação integral e pretende ampliar o time para 60 profissionais até 2030.

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Sobre a Síntese Agro Science

Fundada em 2018, a Síntese Agro Science é uma empresa brasileira de biotecnologia aplicada no agro, com atuação nacional, dedicada ao desenvolvimento de soluções que ampliam a eficiência produtiva com menor impacto ambiental.

A empresa desenvolve tecnologias para nutrição vegetal, bioestimulação e aplicação agrícola, transformando pesquisas em soluções práticas que aumentam a produtividade no campo com mais previsibilidade e eficiência. Suas soluções não deixam resíduos tóxicos nos grãos e nas culturas tratadas, atendendo e superando os principais protocolos internacionais de exportação na Europa, Ásia e América do Norte, alinhadas a práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e desenvolvidas com foco na biodiversidade e na saúde humana e animal.

Com base em biotecnologia de nova geração, a Síntese Agro Science investe em pesquisa e estrutura laboratorial para desenvolver soluções a partir de microrganismos e processos biológicos controlados, antecipando, em ambiente industrial, respostas que tradicionalmente ocorreriam no campo.

A companhia tem como objetivo contribuir para a evolução do modelo produtivo do agro, integrando biotecnologia ao manejo agrícola para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade do produtor brasileiro.

Fonte: Assessoria de imprensa

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Sustentabilidade

A largada para a safra de soja 2026/2027: o desafio de plantar com margens apertadas e mudanças de tempo – MAIS SOJA

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Por Gustavo Rocha*

Com a chegada de setembro e o fim oficial do período de vazio sanitário nos principais estados produtores, o campo brasileiro se prepara para dar a largada na safra de soja 2026/2027. Os tratores estão revisados e as sementes aguardam nos galpões, mas o momento exato de colocar a plantadeira na terra exigirá, mais do que nunca, extrema precisão. Entramos em um ciclo agrícola onde a margem para erros é mínima, e a estratégia agronômica precisará caminhar lado a lado com um planejamento financeiro disciplinado.

A narrativa de que o Brasil cresce apenas abrindo novas fronteiras ficou no passado. O avanço territorial da soja está praticamente estagnado, figurando como a menor taxa de expansão em 20 anos. Contudo, isso não significa estagnação de volume, muito pelo contrário!

Mesmo com menos áreas abertas, o Brasil não apenas manterá sua liderança global, como tem fôlego para registrar um novo recorde histórico. O segredo está da porteira para dentro: uma forte expectativa de ganho em produtividade. Segundo projeções da Datagro, a eficiência das lavouras deve saltar para 3.763 kg/ha, o que eleva o potencial da safra nacional para 185,6 milhões de toneladas. O produtor brasileiro provará nesta safra que é possível fazer muito mais com o mesmo hectare, utilizando a tecnologia como principal aliada.

Produziremos como nunca, mas com margens apertadas

No entanto, as expectativas positivas com o volume escondem desafios conjunturais. Os dados consolidados do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divugados em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), somados às análises de mercado, apontam para o “paradoxo do recorde”: produziremos como nunca, mas as margens financeiras estão mais justas do que nunca, operando muito próximas do chamado breakeven, ou ponto de equilíbrio, em que a receita total se igual aos custos totais – o que na prática significa que não houve lucro nem prejuízo.

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Medidas anunciadas pelo Governo Federal

No final de junho, o Governo Federal fez dois importantes anúncios que impactam pequenos, médios e grandes produtores rurais.

Para o Plano Safra 2026/2027, foram anunciados R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, um acréscimo de R$ 9 bilhões sobre os R$ 516,2 bilhões do ciclo anterior, com aumento de 1,7%.

Já para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, foram anunciados 97,3 bilhões em recursos. Um montante que será destinado para crédito, seguro agrícola, compras públicas, extensão rural e assistência técnica. Do total, R$ 85,2 bilhões serão para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Um aumento de quase 9% em relação à safra anterior. Dentro do pacote, também estão a redução das taxas de juros e a ampliação dos limites de financiamento.

Esses recursos para custeio, comercialização e investimentos serão a principal alavanca para garantir o fluxo de caixa do produtor ao longo dos próximos meses. Porém, somado ao desafio financeiro, há sempre o impacto do clima. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta sobre a continuidade do El Niño, com efeitos que devem se estender até 2027. As previsões indicam riscos reais de chuvas irregulares e ondas intensas de calor na região Centro-Oeste entre agosto e outubro. Isso transforma a janela de abertura do plantio em um verdadeiro xadrez. Plantar no pó ou aguardar a consolidação das chuvas? A decisão definirá o estande de plantas e, consequentemente, o teto produtivo de toda a safra.

É importante frissar também que não há milagres quando se trata de plantar e colher. Além de um bom planejamento, a plantação também demanda uso de produtos que a projetam quando o tempo fica seco demais ou a chuva cai em excesso. Se no dia a dia, nós seres humanos, fazemos uso de vitaminas e remédios, a planta ali a céu aberto, também carece desses cuidados.  Um bom exemplo, é um produto lançado recentemente pela Agrichem – marca da Nutrien com foco em nutrição vegetal – que  traz mais mobilidade e translocação de potássio pela planta na comparação com concorrentes tradicionais. Chamado de Supa K, o fertilizante apresenta, do ponto de vista prático de manejo, diferenciais fundamentais como um baixo índice salino e menor ponto de deliquescência. Para o produtor que enfrenta o estresse térmico e hídrico do El Niño, isso se traduz em segurança fisiológica e menor dependência da umidade relativa do ar para que o nutriente seja efetivamente absorvido.

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Experiência somada à inovação

A safra de soja 2026/2027 não será lembrada apenas pelos seus volumes, mas pela resiliência e profissionalismo de quem a plantou. Diante de margens espremidas e de um clima volátil, a sorte deixa de ser uma variável aceitável. O sucesso da soja brasileira neste ciclo residirá puramente na eficiência técnica, na adoção de tecnologias de ponta em sementes e nutrição, e em uma gestão financeira rigorosa. É hora de aliar o conhecimento milenar de olhar para o céu com a tecnologia moderna de proteger a lavoura e olhar para a planilha. A safra já começou, e ela será vencida na excelência dos detalhes.

Sobre o autor: Gustavo Rocha é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e gerente de Marketing da Agrichem.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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