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4 de agosto de 2026

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MapBiomas lança primeira versão do mapa de agricultura de segunda safra

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Foto: Paulo Ribeiro/Embrapa Milho e Sorgo

O MapBiomas lança nesta quarta-feira (10) sua primeira versão do mapa de agricultura de segunda safra.

Ele agrega informações ao mapa de quantidade de ciclos que foi lançado ano passado e pretende identificar a cultura plantada após a colheita dos cultivos de primeira safra já mapeados no MapBiomas, que é uma rede multi-institucional, que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas.

O mapeamento aponta que o milho é a principal cultura de segunda safra no Brasil. Em 2024 foram identificados na segunda safra 14,7 milhões de hectares de milho, 2,5 milhões de hectares de algodão e 6,5 milhões de hectares de outros cultivos temporários ou de espécies para cobertura do solo.

Cerca de 95% das lavouras de milho de segunda safra mapeadas pelo MapBiomas foram plantadas após a colheita da soja. Estes são alguns dos dados que já estão disponíveis gratuitamente na plataforma.

“A segunda safra é um trunfo da agricultura tropical na produção de grãos. Ela incrementa o retorno econômico ao produtor e colabora na conservação da vegetação nativa, pois permite aumentar a produção sem abrir novas áreas. Além disso, aproveita nutrientes da cultura anterior e eleva o potencial de sequestro de carbono. O milho, em especial, deixa uma palhada abundante após a colheita, fundamental para a conservação do solo e da água e para a fixação de carbono no solo via plantio direto”, disse em comunicado o professor Eliseu Weber, um dos coordenadores do tema de agricultura do MapBiomas.

Contudo, ele salienta que a expansão da segunda safra também enfrenta desafios. “Um deles é a degradação do solo pelo uso mais intensivo, requerendo atenção especial com as práticas de manejo. Há também o clima, com tendência de redução da chuva e de alongamento da estação seca, que pode tornar inviável a segunda safra no futuro, especialmente do milho.”

Estados produtores

Em relação aos estados, o mapeamento identificou que em 2024 foram cultivados 7,1 milhões de hectares com milho (48% do total mapeado) e 1,6 milhão de hectares com algodão na segunda safra em Mato Grosso.

O Paraná apresentou um total de 5 milhões de hectares plantados com segunda safra, sendo 2,2 milhões de hectares com milho e 2,8 milhões de hectares com outra cultura de segunda safra ou plantio de cobertura. Em Mato Grosso do Sul, a segunda safra ocupou 2 milhões de hectares, sendo 1,9 milhão de hectares cultivados com milho e 100 mil hectares com algodão. Goiás apresentou números semelhantes: 2 milhões de hectares cultivados na segunda safra, sendo 1,7 milhão de hectares com milho e 300 mil hectares com algodão.

Cultivo de soja

lavoura soja boicote plano safra
Foto: Pixabay

No caso da safra de verão, o cultivo de soja passou de 4,5 milhões de hectares mapeados em 1985 para 40,7 milhões de hectares mapeados em 2024. Quase dois terços (65%) da agricultura mapeada em 2024 no Brasil correspondem a lavouras de soja de primeira safra. Mais de dois terços (65%) da área mapeada como soja na primeira safra de 2024 apresentou dois ciclos de cultivo (26,3 milhões de hectares) e 6,1%, três ciclos (2,5 milhões de hectares). Quase um quarto do total (21%) apresentou apenas um ciclo (8,6 milhões de hectares).

Em 2024, após a colheita da soja, foram cultivados 14 milhões de hectares de milho, 2,4 milhões de hectares de algodão e 6 milhões de hectares de outras culturas temporárias. A maior área com essa dinâmica fica no Mato Grosso, onde 6,7 milhões de hectares de milho são cultivados após a colheita da soja. Isso significa que 94% do total de milho no estado é cultivado em sucessão à cultura da soja na safra de verão. Em segundo lugar vem o Paraná (2,2 milhões de hectares), seguido pelo Mato Grosso do Sul (1,8 milhão de hectares).

Foram mapeadas também áreas de cana-de-açúcar, que passaram de 2,2 milhões de hectares em 1985 para 10,1 milhões de hectares mapeados em 2024. As áreas mapeadas com arroz passaram de 390 mil hectares em 1985 para 1,1 milhão de hectares mapeados em 2024.

No caso de citros, o aumento foi de 100 mil hectares, em 1985, para 400 mil em 2024. Dendê também teve um aumento expressivo, passando de 10 mil hectares mapeados em 1985 para 240 mil hectares em 2024, sendo este crescimento concentrado no estado do Pará. As áreas ocupadas com silvicultura passaram de 1,56 milhão de hectares em 1985 para 9 milhões de hectares em 2024.

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USDA aponta piora na condição do milho nos EUA e estabilidade da soja

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou, na segunda-feira (3), que 61% da safra de milho no país apresentava condição boa ou excelente no último domingo, com recuo de 2 pontos porcentuais em relação à semana anterior. Para a soja, o índice ficou em 63%, sem variação no período. O levantamento também atualizou os estágios de desenvolvimento das lavouras e o andamento da colheita de trigo.

No milho, o percentual de lavouras em condição boa ou excelente ficou abaixo dos 73% registrados um ano antes. Segundo o USDA, 90% da safra já havia formado espiga, ante 86% no mesmo período do ano passado e 87% na média dos cinco anos anteriores. Além disso, 43% das áreas estavam formando grãos, acima dos 40% de um ano antes e dos 38% da média. A parcela com formação de dentes chegou a 6%, contra 5% no ano passado e na média.

Na soja, 63% da safra estava em condição boa ou excelente, mesmo patamar da semana anterior. Um ano antes, o índice era de 69%. O USDA informou ainda que 88% das lavouras tinham florescido, ante 84% no ano passado e também na média de cinco anos. A formação de vagens alcançou 62%, acima dos 56% registrados um ano antes e dos 55% da média.

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O relatório mostrou também que a colheita do trigo de inverno atingiu 86%, em linha com a média de cinco anos e acima dos 85% observados em igual período do ano passado.

Para o trigo de primavera, 55% da safra apresentava condição boa ou excelente, avanço de 2 pontos porcentuais na semana. No ano passado, a parcela era de 48%. O perfilhamento alcançou 98%, ante 95% um ano antes e 97% na média de cinco anos. A colheita chegava a 5%, contra 4% no ano passado e 8% na média.

No algodão, 42% da safra estava em condição boa ou excelente, queda de 4 pontos porcentuais na semana. Um ano antes, o índice era de 55%. O USDA apontou ainda que 88% da safra estava florescendo, 55% havia formado maçãs e 4% já apresentava abertura de maçãs.

Os dados semanais do USDA mostram piora na condição do milho e do algodão, estabilidade da soja, melhora no trigo de primavera e avanço no desenvolvimento das principais lavouras de verão nos Estados Unidos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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CNA defende tecnologia e financiamento para adaptação climática no campo

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O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Muni Lourenço, participou nesta terça-feira (4), em São Paulo, do evento “Climate Week Brasil 2030: Economia, Clima e Competitividade”. No painel sobre agricultura, segurança alimentar e clima, ele destacou o papel do agro brasileiro na produção de alimentos e na agenda climática.

Promovido pela Times CNBC, o encontro teve o Sistema CNA/Senar entre os apoiadores e reuniu autoridades, investidores e especialistas para discutir desafios climáticos e soluções voltadas à produtividade, à sustentabilidade e ao desenvolvimento econômico.

Durante o debate, Muni Lourenço afirmou que a agropecuária é o setor da economia mais impactado pelas questões climáticas, por ser uma “indústria a céu aberto”. Segundo ele, o mesmo setor também se apresenta como provedor de soluções para o enfrentamento das mudanças climáticas.

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Na avaliação do vice-presidente da CNA, a incorporação de novas tecnologias tem permitido ampliar a produtividade agrícola sem aumento de área plantada. Ele afirmou ainda que esse processo contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa e para a produção sustentável de alimentos.

Muni Lourenço também defendeu financiamento para ciência e capacitação de produtores com foco na difusão de tecnologias ligadas à assistência técnica e à sustentabilidade. Entre as medidas citadas por ele estão melhorias em sistemas de previsão meteorológica e o uso de cultivares mais resistentes.

No painel, o representante da CNA relacionou essas ações à necessidade de ampliar as condições de adaptação dos produtores diante dos efeitos do clima sobre a atividade agropecuária.

A participação da CNA no evento concentrou a discussão em tecnologia, financiamento, capacitação e adaptação climática como pontos centrais para a produção agropecuária e a segurança alimentar.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Chuva prolonga colheita, encarece produção e expõe gargalos da armazenagem em MT

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho chega à reta final no Norte de Mato Grosso após uma sequência de chuvas que prolongou os trabalhos, elevou os custos e manteve a umidade dos grãos acima do ideal para a operação. Em algumas propriedades de Sinop, foram registrados até 70 milímetros de chuva em julho, período considerado atípico para a cultura.

O excesso de precipitações também aumentou a necessidade de secagem e estendeu a colheita para além do período normalmente esperado. Ao mesmo tempo, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e ajudaram a sustentar a produtividade em municípios como Vera, Feliz Natal e Sinop.

Em Vera e Feliz Natal, a produtividade ficou próxima do resultado registrado na temporada anterior. Em Sinop, onde foram cultivados cerca de 170 mil hectares de milho, o resultado é considerado um dos melhores já registrados na região.

“Tivemos uma média de produtividade similar à do ano passado. Não foi uma produtividade excelente, mas foi uma produtividade quase dentro do esperado. Entre 120 e 130 sacas por hectares o pessoal fechou na média geral dos dois municípios”, diz Rafael Bilibio, presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal.

milho grão foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Chuva muda ritmo da colheita e eleva custo

A sequência de precipitações de chuva fora de época alterou o calendário de retirada do milho das lavouras. Em vez de concentrar os trabalhos no período normalmente esperado para a segunda safra, produtores precisaram interromper as operações e retomar a colheita conforme as condições de campo permitiam.

Em Vera, o agricultor Thiago Strapasson concluiu a colheita dos 1.440 hectares cultivados com milho depois de enfrentar um cenário que considera incomum. “Coisa bem atípica, nunca tinha visto”, relata ao projeto Mais Milho sobre as chuvas em junho e julho.

Segundo ele, foram registrados volumes que variavam entre 12 e 50 milímetros ao longo do período, muitos acompanhados de vento. Além do atraso, a condição aumentou a preocupação com possíveis perdas provocadas pelo tombamento das plantas.

A permanência da umidade também trouxe impacto direto sobre os custos. Cerca de dois terços da área cultivada por Thiago precisaram passar pelo secador porque os grãos não atingiam naturalmente o nível adequado de umidade.

“Não baixava a umidade”, afirma. A operação exigiu mais madeira para a queima e consumo de energia, acrescentando despesas ao ciclo produtivo.

Produtividade segura resultado da safra

Apesar das dificuldades impostas pelo clima durante a colheita, a chuva prolongada também teve um efeito positivo sobre o desenvolvimento das lavouras. A disponibilidade de água favoreceu o ciclo das plantas e ajudou a manter o potencial produtivo no Norte do estado.

Em Sinop, as condições climáticas foram consideradas especialmente favoráveis. Ilson José Redivo, presidente do Sindicato Rural do município, classifica a safra como uma das melhores já registradas na região.

O calendário também contribuiu para esse resultado. Com a antecipação do plantio da soja, o milho foi semeado mais cedo e teve mais tempo para aproveitar as condições de umidade durante o ciclo.

“Foi uma safra das melhores que ocorreram na nossa região em todos os tempos. O produtor colheu melhor essa safra em função dos fatores climáticos que foram favoráveis”, pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com Redivo, a regularidade das precipitações se estendeu por um período incomum. Houve chuvas em maio e junho e, em algumas fazendas, os registros chegaram a 70 milímetros em julho.

milho a céu aberto armazenagem foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Milho ganha espaço, mas armazenagem contínua limitada

A evolução da cultura também aumenta a pressão sobre uma estrutura que não acompanhou o crescimento da produção: a armazenagem. Em Vera e Feliz Natal, o milho precisa permanecer na região para atender uma demanda crescente, especialmente das indústrias de etanol.

Sem espaço suficiente nos armazéns, produtores têm recorrido ao silo-bolsa para manter os grãos armazenados.

A alternativa ajuda a absorver a produção no curto prazo, mas evidencia a falta de investimentos em estruturas permanentes. Conforme Bilibio, há produtores armazenando milho fora dos armazéns convencionais, enquanto novos projetos não acompanham a necessidade da região.

“Praticamente não se ouve falar em investimentos significativos na nossa região. Deveria ter um programa governamental para fazer com que o produtor fizesse o seu armazém na propriedade”, defende.

Para o dirigente, a armazenagem própria também amplia a capacidade de decisão do agricultor sobre o momento de comercializar a produção. Com o milho guardado na fazenda, ele consegue organizar as vendas e liberar a estrutura para a entrada da soja, em vez de depender exclusivamente da disponibilidade de armazéns de terceiros.

Boa colheita não garante margem ao produtor

Em Sinop, o problema aparece de outra forma. A produtividade elevada não necessariamente se converte em resultado financeiro, principalmente diante da diferença entre os custos atuais de produção e os preços recebidos pelo milho.

Redivo destaca que o produtor passou a investir mais na cultura, que deixou de ser tratada apenas como uma “safrinha” e ganhou peso dentro do sistema produtivo. O plantio mais cedo, favorecido pela antecipação da soja, também contribuiu para o resultado desta temporada.

Os custos de máquinas, implementos agrícolas, diesel e mão de obra pesam sobre a atividade, enquanto os preços do milho permanecem abaixo dos níveis observados alguns anos atrás. Durante a pandemia, relembra Redivo, a saca chegou a ser comercializada entre R$ 75 e R$ 80. Nesta safra, os negócios ficaram entre R$ 38 e R$ 47 por saca.

“A rentabilidade de novo não é satisfatória, porque estamos vivendo momentos em que o produtor tem alto custo de produção”, frisa.

Mesmo com uma boa colheita, a margem não é suficiente para sustentar novos investimentos. “Aquele que produziu bem consegue pagar a conta, mas ele não tem aquela rentabilidade esperada que precisa para continuar investindo, crescendo e melhorando o seu sistema de produção”.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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