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5 de maio de 2026

Agro Mato Grosso

Crédito agrícola encarece e sistema financeiro amplia participação no custeio da soja em MT

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A safra de soja 2025/26 em Mato Grosso será marcada por custos de produção mais altos e um ambiente de crédito significativamente mais restrito e caro. É o que aponta o relatório “Funding Soja 2025”, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O custeio médio por hectare avançou 7,08% em relação à safra anterior, impulsionado principalmente pelos gastos com fertilizantes (+9,36%) e serviços operacionais (+16,22%). A área plantada estimada é de 13,01 milhões de hectares, um crescimento modesto de 1,67%, refletindo a cautela dos produtores diante de margens apertadas.

O financiamento total necessário para custear a soja no estado atingirá R$ 54,39 bilhões. Nesse cenário desafiador, a composição das fontes de funding sofreu mudanças importantes. O Sistema Financeiro (bancos privados com linhas próprias) se consolidou como a principal fonte, respondendo por 35,42% do total, um aumento de 5,04 pontos percentuais. Por outro lado, os Recursos Federais (via Plano Safra) tiveram participação reduzida para apenas 5,07%, recuo de 3,59 p.p., afetados pelas altas taxas de juros e maior seletividade.

“As instituições financeiras estão operando com maior seletividade, reforçando garantias, ampliando o uso da alienação fiduciária e priorizando operações com menor risco”, destaca o estudo. Esse movimento ocorre em um ambiente de aumento da inadimplência e de recuperações judiciais no setor.

Multinacionais avançam, revendas perdem espaço

As Multinacionais e Tradings do setor de insumos e grãos mantiveram papel crucial, sendo a segunda maior fonte de recursos (30,74% do custeio). Elas absorveram parte do espaço deixado pelas Revendas de Insumos, cuja participação caiu pela metade, de 11,45% para 5,25%. A piora financeira desse segmento, com aumento de falências, limitou sua capacidade de oferecer crédito.

Recursos próprios crescem, mas com ressalvas

Os Recursos Próprios dos produtores atingiram 23,51% do custeio, aumento de 2,84 p.p. O relatório, porém, faz uma ressalva importante: parte desse montante pode representar a utilização da receita da safra passada (2024/25) para comprar insumos à vista para a nova temporada, um mecanismo contabilizado como autofinanciamento. “Esse movimento não indica um ganho estrutural de liquidez, mas uma resposta conjuntural ao ciclo de renda favorável e à limitação do crédito tradicional”, explica o texto.

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Ferramentas alternativas ganham destaque

Diante do crédito bancário caro e escasso, instrumentos como a Cédula do Produtor Rural (CPR) e operações estruturadas de barter (troca de insumos por grãos) se tornaram ainda mais essenciais para viabilizar a produção. “Essas modalidades privadas seguem centrais para viabilizar o custeio em um cenário de elevada seletividade”, conclui o estudo.

Perspectivas para a próxima safra

Para a safra 2026/27, uma primeira estimativa do Imea projeta uma leve redução de 0,54% nos custos de produção, puxada pela expectativa de queda nos preços de sementes e fertilizantes. No entanto, o financiamento deve permanecer um desafio.

“As perspectivas apontam para um cenário mais desafiador, considerando a menor disponibilidade de recursos próprios dos produtores e a necessidade crescente de participação do sistema financeiro”, alerta o relatório.

O aumento da inadimplência deve elevar a cautela dos bancos, resultando em condições ainda mais restritivas.

A gestão financeira e o gerenciamento de riscos climáticos, portanto, se tornam fatores decisivos para a sustentabilidade dos produtores nas próximas temporadas.

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Agro Mato Grosso

Pane a cada 10 minutos: mais de 400 motoristas pedem resgate na BR-163 durante feriado

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Agro Mato Grosso

Veja; os diferenciais do trator M5 lançado pela Valtra na Agrishow 2026

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Confira os diferenciais do trator M5 lançado pela Valtra na Agrishow 2026

Segundo Afonso Pavan, coordenador de marca e produto, o modelo chega com novo chassi, três opções de potência e pacote focado em conforto, hidráulica e versatilidade para cana, grãos e pecuária.

Apresentado no estande da Valtra na Agrishow 2026, o M5 é o novo passo da marca no segmento que consagrou a linha BH. Em entrevista à CanaOnline, Afonso Pavan afirmou que o lançamento preserva a robustez histórica, mas evolui em projeto, ergonomia e capacidade hidráulica para operações intensivas, com atenção especial à cana-de-açúcar.

A série chega com três motorizações: 165 cv e 185 cv (quatro cilindros) e 205 cv (seis cilindros). O trator estreia chassi remodulado e frente mais robusta, inspirada na linguagem da série T, além de adotar padrões globais de identidade visual, com a identificação concentrada na plaqueta frontal. A proposta é ser um trator para diferentes operações, do transbordo na cana ao uso com implementos em grãos e pecuária.

No conforto, a cabine ficou mais ampla e teve ergonomia aprimorada, com comandos na coluna lateral. Um diferencial é a geladeira integrada, com acionamento próprio e desligamento automático ao apagar o trator. Na transmissão, o M5 mantém a robustez da família BH, mas busca mais suavidade: o câmbio é sincronizado e a troca entre faixas também pode ocorrer sob carga. Há ainda “steps” de marcha no botão (mais/menos), com atuação automática para reduzir marchas quando o esforço aumenta e retomar quando a carga alivia.

Voltado à realidade da cana, o M5 evolui em hidráulica, com mais capacidade de levante e maior vazão que o BH: segundo Pavan, são 205 litros, destaque na categoria. Para usinas, pode sair de fábrica com preparação de frenagem e freio auxiliar, aumentando a segurança com carretas e implementos. Na cabine, há opção de piloto automático e tomadas elétricas dedicadas, com proteção por fusíveis e relés. Lançado na Agrishow 2026, o M5 já está à venda na rede Valtra, com versões definidas para o mercado brasileiro.

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C/canaonline

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Agro Mato Grosso

Desenrola 2.0: Produtor rural MT entra no programa pela primeira vez

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Programa fica aberto por 90 dias e cobre dívidas de famílias, estudantes, pequenas empresas e assentados da reforma agrária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Novo Desenrola Brasil, nova edição do programa federal de renegociação de dívidas. A iniciativa oferece juros de até 1,99% ao mês, descontos de até 90% sobre o valor total devido e possibilidade de usar o FGTS para quitar débitos. Uma das principais novidades é a inclusão do produtor rural e de famílias assentadas pelo programa de reforma agrária,público que não integrava o Desenrola original.

O programa funciona por 90 dias e se divide em quatro categorias:
  • Desenrola Famílias — para quem tem renda de até cinco salários mínimos
  • Desenrola Fies — para estudantes do ensino superior com financiamento estudantil
  • Desenrola Empreendedor — para micro e pequenas empresas
  • Desenrola Rural — para pequenos produtores rurais e assentados da reforma agrária

O foco recai sobre dívidas de cartão de crédito, cheque especial, Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e crédito rural.

A inclusão do setor rural representa a principal inovação do Desenrola 2.0. Pelo Desenrola Rural, pequenos agricultores e famílias assentadas podem renegociar dívidas com prazo estendido até dezembro. O governo ampliou o limite de adesão especificamente para esse público, que historicamente enfrenta dificuldades de acesso a programas de crédito urbano.

Famílias podem parcelar em até quatro anos

Para o público geral, o Desenrola Famílias garante descontos entre 30% e 90% do valor devido, com parcelamento em até 48 meses e prazo de 35 dias para o pagamento da primeira parcela. Famílias com renda mensal de até R$ 8.105 ainda podem liberar até 20% do saldo do FGTS para abater as dívidas.

Quem tem dívidas do Fies vencidas há mais de 90 dias pode negociar descontos entre 12% e 99% sobre juros e multas. O valor principal pode ser parcelado em até 150 vezes.

Para micro e pequenas empresas, o programa ampliou prazos e limites. A carência de pagamento sobe de 12 para 24 meses, o prazo máximo passa de 72 para 96 meses e a tolerância no atraso vai de 14 para 90 dias. O teto de crédito sobe para R$ 180 mil (ante R$ 130 mil) para empresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, e para R$ 500 mil (ante R$ 250 mil) para CNPJs com faturamento de até R$ 4,8 milhões.

Recursos vêm do FGO e de valores esquecidos nos bancos

O programa acessa o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que já conta com R$ 2 bilhões disponíveis e pode receber um aporte adicional de até R$ 5 bilhões. O governo também prevê uso de recursos do SVR (Sistema de Valores a Receber), que reúne dinheiro esquecido em instituições financeiras.

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O Novo Desenrola também altera as regras do crédito consignado do INSS e do servidor público. As duas modalidades deixam de vincular o cartão ao empréstimo. Para aposentados e pensionistas do INSS, o prazo das operações sobe de 96 para 108 meses, a carência chega a 90 dias e a margem de comprometimento de renda cai de 45% para 40%.

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Agro MT