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20 de junho de 2026

Sustentabilidade

Alternância de princípios ativos no manejo químico de pragas: como preservar a eficiência dos inseticidas e evitar a resistência – MAIS SOJA

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Em lavouras comerciais, os inseticidas químicos são amplamente utilizados para reduzir os danos causados por pragas. Apesar da existência de diversas ferramentas que podem ser integradas em programas de manejo sustentável, o controle químico ainda é o método mais recorrente em escala comercial, principalmente pela rapidez na redução das populações infestantes.

Contudo, a elevada pressão de pragas nos sistemas agrícolas, associada ao uso intensivo e inadequado dos inseticidas, tem favorecido a seleção de biótipos resistentes, resultando em casos de perda de eficiência de determinados produtos sobre algumas espécies. Do ponto de vista técnico, o controle químico deve ser adotado apenas quando a população da praga atinge o nível de controle, parâmetro previamente estabelecido para cada cultura com base no potencial de danos.

Visando um manejo eficiente das pragas em lavouras comerciais, uma das principais estratégias é segregar o ciclo da cultura em janelas de aplicação. Cada janela de aplicação deve ser o tempo necessário para a praga passar por uma geração (ovo/juvenil a adulto) ou a duração do efeito residual de uma única aplicação do inseticida usado (o que for mais longo). No entanto, nem sempre é fácil determinar o tempo de geração de um inseto. Portanto, na ausência dessas informações, o IRAC-BR recomenda o uso de uma janela de 30 dias para a maioria das pragas, mas uma janela de 15 dias para os pulgões e ácaros (IRAC-BR, s. d.).

Mesmo adotando o monitoramento frequente das áreas de cultivo e o posicionamento adequado dos inseticidas nas janelas de aplicação, é crucial atentar para o manejo da resistência das pragas aos inseticidas, possibilitando a manutenção da eficiência dos inseticidas registrados e o controle efetivo das pragas. Pensando nisso, é essencial adotar um manejo proativo, dando preferência por práticas que contribuam para o manejo da resistência das pragas aos inseticidas.

Uma das principais e mais eficiente estratégias com esse intuito, é a rotação de modos de ação dos inseticidas. Aplicações múltiplas do mesmo modo de ação dentro de uma única janela são aceitáveis, desde que os efeitos combinados das aplicações não excedam os 30 dias duração da janela (IRAC, s. d).

Figura 1. Orientações para o manejo da resistência a inseticidas em soja não Bt, Bt e áreas de refúgio.
Adaptado: IRAC-BR
Figura 2. Orientações para o manejo da resistência a inseticidas em milho não Bt, Bt e áreas de refúgio.
Adaptado: IRAC-BR

É importante destacar que, independentemente da biotecnologia empregada na cultura, seja Bt (Bacillus thuringiensis) ou não, a rotação ou alternância de modos de ação dos inseticidas entre as janelas de aplicação é um componente central no manejo da resistência das pragas (Figuras 1 e 2). Dentro de uma mesma janela, inseticidas com o mesmo modo de ação podem ser utilizados; no entanto, a associação de diferentes modos de ação pode trazer vantagens, especialmente para o controle simultâneo de múltiplas pragas ou daquelas de difícil controle. As misturas de inseticidas, quando devidamente integradas às estratégias de rotação, podem contribuir para o manejo da resistência. Contudo, não se deve basear o programa fitossanitário apenas na eficácia de uma única mistura, sob risco de acelerar a perda de eficiência das moléculas envolvidas (IRAC, s. d.).

A associação de diferentes modos de ação de inseticidas, assim como sua rotação entre janelas de aplicação, amplia o espectro de controle e possibilita a supressão de pragas remanescentes, seja por “escape” em pulverizações com produtos seletivos, seja por resistência a determinados inseticidas. Essa estratégia também favorece o uso de produtos seletivos a inimigos naturais, contribuindo para a conservação do controle biológico dentro da lavoura.

Para o manejo adequado da resistência, recomenda-se evitar o uso de inseticidas com o mesmo modo de ação ou com resistência cruzada em janelas adjacentes ou sequenciais, restringindo-os apenas a janelas alternadas. Além disso, um programa eficaz deve contemplar a utilização de múltiplos modos de ação disponíveis e comprovadamente eficazes, garantindo maior sustentabilidade e longevidade do controle químico (IRAC-BR, s. d.).

Figura 3. Programas de rotação de inseticidas em soja.
Fonte: IRAC

Nesse contexto, é fundamental adotar a rotação de modos de ação, e não apenas de subgrupos químicos. Por exemplo, os inibidores de acetilcolinesterase constituem um modo de ação, enquanto carbosulfan e organofosforados representam subgrupos dentro desse mesmo mecanismo. Embora, em alguns casos, a rotação de modos de ação possa gerar custos adicionais no programa fitossanitário, essa prática é essencial para garantir a sustentabilidade das lavouras e a longevidade da eficácia dos inseticidas. Além disso, contribui não apenas para o manejo da resistência, mas também para um melhor desempenho no controle das populações de insetos-praga.

Referências:

IRAC -BR. MANEJO DA RESISTÊNCIA DO PERCEVEJO-MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_4df4582b125f48ce990939fb0334b782.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

IRAC. RECOMENDAÇÕES DE MANEJO DE RESISTÊNCIA A INSETICIDAS E MANEJO DE PRAGAS PARA SOJA, ALGODÃO E MILHO NO BRASIL. IRAC, s. d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_f242d84f93a3495290d279305e66392e.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

IRAC-BR. MILHO: ORIENTAÇÕES PARA O MANEJO DA RESISTÊNCIA A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s. d. Disponível em:< https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_fb6f15d35444471ca2e99394bbcf8ffb.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

IRAC-BR. SOJA: ORIENTAÇÕES PARA O MANEJO DA RESISTÊNCIA A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_2c723ac51efa4bf9b18fe1438470b32c.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

 

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Sustentabilidade

Trigo fecha em baixa em Chicago com dólar forte e perspectiva de ampla oferta global – MAIS SOJA

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A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa, pressionada pela valorização do dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global. Ainda assim, o contrato julho acumulou ganho de 3,24% na semana.

O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente às principais moedas e pelas perspectivas de ampla oferta global de trigo. O índice do dólar atingiu o maior nível em um ano após a reunião de política monetária do Federal Reserve reforçar as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos.

A valorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional, tornando o cereal mais caro para os compradores externos. Também pesou sobre as cotações a expectativa de uma grande safra na Rússia, principal exportadora mundial de trigo.

Operadores também ajustaram posições antes do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, que manterá os mercados de Chicago fechados nesta sexta-feira (19). Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento negativo observado ao longo da sessão.

O cenário de ampla disponibilidade global continuou limitando o impacto positivo da demanda observada recentemente em licitações internacionais. A agência estatal de grãos da Argélia (OAIC) comprou mais de 800 mil toneladas de trigo de moagem em uma licitação internacional encerrada nesta quarta-feira (18), segundo traders europeus.

As vendas líquidas norte-americanas de trigo para a temporada comercial 2026/27, iniciada em 1º de junho, somaram 400.800 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi o Japão, com 167.400 toneladas. Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 26.900 toneladas. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 300 mil a 650 mil toneladas considerando as duas temporadas.

Os contratos com entrega em julho fecharam cotados a US$ 6,05 3/4 por bushel, com baixa de 7,00 centavos de dólar, ou 1,14%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em setembro encerraram a US$ 6,14 por bushel, com queda de 7,25 centavos de dólar, ou 1,16%.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços

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Imagem de Александр Пономарев por Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentações relevantes. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago impediu uma formação mais efetiva dos preços ao longo desta sexta-feira. Segundo ele, as cotações observadas foram basicamente nominais, servindo apenas como referência para os agentes do mercado.

Silveira destaca que não houve registro de negociações expressivas ou de grandes lotes ao longo do dia. “A semana fechou sem volumes importantes rodando”, resume.

Cotações de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 127,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 128,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 121,50
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 113,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 116,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,50
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 134,00

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1640 para venda e a R$ 5,1620 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,1325 e R$ 5,1685. Apesar da baixa desta sexta-feira, a divisa acumulou valorização de 2,08% na semana.2,08% na semana.

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Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Mercado da soja opera entre a volatilidade externa e o avanço da safra americana – MAIS SOJA

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Em Chicago, as cotações da soja, após despencarem a partir do dia 02/06, quando o bushel chegou a US$ 11,13 nos dias 09 e 12 (a mais baixa cotação desde o dia 09/02/26), ensaiaram uma recuperação nesta semana, com o bushel alcançando US$ 11,32 no dia 17/06, para o primeiro mês cotado. Já o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 11,22/bushel, contra US$ 11,15 uma semana antes.

Além da possibilidade de um acordo de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio, o mercado esteve pressionado pelo clima positivo nos EUA, para a nova safra, e de olho nos juros daquele país. A manutenção do juro básico em 3,5% a 3,75% aa por lá leva muitos investidores, que esperavam um aumento nos mesmos, a buscarem comprar contratos de commodities, dentre eles o de soja, o que faz o bushel subir de valor.

Além disso, houve rumores de que a China estaria para comprar soja dos EUA, novamente. Lembrando, ainda, que no dia 30/06 teremos o relatório de área final semeada nos EUA, o que poderá definir a tendência das cotações para julho. Por outro lado, o plantio da soja nos EUA, até o dia 14/06, atingia a 95% da área prevista, contra 93% na média. Do total semeado, 88% das lavouras estavam germinadas. Soma-se a isso o fato de que a qualidade das lavouras melhorou na semana, com 66% das mesmas estando entre boas a excelentes, após recuarem para 65% na semana anterior. Outros 28% das lavouras estavam regulares e 6% ruins ou muito ruins.

Dito isso, na semana encerrada em 11 de junho, os EUA embarcaram 522.687 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o volume embarcado totaliza 36,6 milhões de toneladas, ainda 20% a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA informou que o esmagamento de soja no país, em maio, atingiu a 5,68 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto a projeção do mercado era de 5,77 milhões. Apesar de ficar abaixo do esperado, o volume é 8% maior do que no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos estavam em 1,74 bilhão de libras, sendo 26% maiores do que um ano atrás.

Por sua vez, o acordo entre os EUA e o Irã para o término da guerra, que parece finalmente se consolidar, é positivo para os mercados e a economia mundial. Se ele for mantido, o mercado terá mais estabilidade a partir de agora, embora possa haver recuo nos valores da soja devido ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, puxados pelo recuo nas cotações mundiais do petróleo. Tanto é verdade que o fechamento do óleo de soja, em Chicago, no dia 18/06, ficou em 69,69 centavos de dólar por librapeso, rompendo o piso dos 70,00 centavos pela primeira vez desde o dia 20 de abril passado. Todavia, por enquanto, a volatilidade do mercado não foi totalmente eliminada, pois há dúvidas quanto a eficácia do acordo.

Soma-se a isso as especulações climáticas sobre a safra dos EUA, pois as tendências indicariam, para julho, um clima um pouco mais seco nas regiões produtoras de soja daquele país. Enfim, no Brasil o mercado se mantém estável, com o câmbio girando entre R$ 5,05 e R$ 5,15 por dólar durante a semana. Assim, os preços, nas principais praças gaúchas, ficaram em R$ 114,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os mesmos giraram entre R$ 102,00 e R$ 114,00/saco.

Dito isso, a Conab, em seu boletim mensal de junho, trouxe a safra brasileira de 2025/26 para 180,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões um ano antes. Isso representa um aumento de 5,1%. O Rio Grande do Sul, às voltas com nova estiagem, acabou colhendo 18,6 milhões de toneladas, contra 16,6 milhões no ano anterior, destacando que outras entidades gaúchas (Emater e iniciativa privada) avançam pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Segundo, ainda, a Conab, a produtividade média brasileira ficou em 61,9 sacos/hectare em 2025/26, enquanto a gaúcha atingiu a apenas 46,2 sacos.

Enfim, a exportação brasileira total de soja, em junho, está estimada em 15,3 milhões de toneladas segundo a Anec. Se confirmados, tais embarques cresceriam 1,5 milhão de toneladas em relação a junho do ano anterior.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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