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4 de maio de 2026

Sustentabilidade

Alternância de princípios ativos no manejo químico de pragas: como preservar a eficiência dos inseticidas e evitar a resistência – MAIS SOJA

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Em lavouras comerciais, os inseticidas químicos são amplamente utilizados para reduzir os danos causados por pragas. Apesar da existência de diversas ferramentas que podem ser integradas em programas de manejo sustentável, o controle químico ainda é o método mais recorrente em escala comercial, principalmente pela rapidez na redução das populações infestantes.

Contudo, a elevada pressão de pragas nos sistemas agrícolas, associada ao uso intensivo e inadequado dos inseticidas, tem favorecido a seleção de biótipos resistentes, resultando em casos de perda de eficiência de determinados produtos sobre algumas espécies. Do ponto de vista técnico, o controle químico deve ser adotado apenas quando a população da praga atinge o nível de controle, parâmetro previamente estabelecido para cada cultura com base no potencial de danos.

Visando um manejo eficiente das pragas em lavouras comerciais, uma das principais estratégias é segregar o ciclo da cultura em janelas de aplicação. Cada janela de aplicação deve ser o tempo necessário para a praga passar por uma geração (ovo/juvenil a adulto) ou a duração do efeito residual de uma única aplicação do inseticida usado (o que for mais longo). No entanto, nem sempre é fácil determinar o tempo de geração de um inseto. Portanto, na ausência dessas informações, o IRAC-BR recomenda o uso de uma janela de 30 dias para a maioria das pragas, mas uma janela de 15 dias para os pulgões e ácaros (IRAC-BR, s. d.).

Mesmo adotando o monitoramento frequente das áreas de cultivo e o posicionamento adequado dos inseticidas nas janelas de aplicação, é crucial atentar para o manejo da resistência das pragas aos inseticidas, possibilitando a manutenção da eficiência dos inseticidas registrados e o controle efetivo das pragas. Pensando nisso, é essencial adotar um manejo proativo, dando preferência por práticas que contribuam para o manejo da resistência das pragas aos inseticidas.

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Uma das principais e mais eficiente estratégias com esse intuito, é a rotação de modos de ação dos inseticidas. Aplicações múltiplas do mesmo modo de ação dentro de uma única janela são aceitáveis, desde que os efeitos combinados das aplicações não excedam os 30 dias duração da janela (IRAC, s. d).

Figura 1. Orientações para o manejo da resistência a inseticidas em soja não Bt, Bt e áreas de refúgio.
Adaptado: IRAC-BR
Figura 2. Orientações para o manejo da resistência a inseticidas em milho não Bt, Bt e áreas de refúgio.
Adaptado: IRAC-BR

É importante destacar que, independentemente da biotecnologia empregada na cultura, seja Bt (Bacillus thuringiensis) ou não, a rotação ou alternância de modos de ação dos inseticidas entre as janelas de aplicação é um componente central no manejo da resistência das pragas (Figuras 1 e 2). Dentro de uma mesma janela, inseticidas com o mesmo modo de ação podem ser utilizados; no entanto, a associação de diferentes modos de ação pode trazer vantagens, especialmente para o controle simultâneo de múltiplas pragas ou daquelas de difícil controle. As misturas de inseticidas, quando devidamente integradas às estratégias de rotação, podem contribuir para o manejo da resistência. Contudo, não se deve basear o programa fitossanitário apenas na eficácia de uma única mistura, sob risco de acelerar a perda de eficiência das moléculas envolvidas (IRAC, s. d.).

A associação de diferentes modos de ação de inseticidas, assim como sua rotação entre janelas de aplicação, amplia o espectro de controle e possibilita a supressão de pragas remanescentes, seja por “escape” em pulverizações com produtos seletivos, seja por resistência a determinados inseticidas. Essa estratégia também favorece o uso de produtos seletivos a inimigos naturais, contribuindo para a conservação do controle biológico dentro da lavoura.

Para o manejo adequado da resistência, recomenda-se evitar o uso de inseticidas com o mesmo modo de ação ou com resistência cruzada em janelas adjacentes ou sequenciais, restringindo-os apenas a janelas alternadas. Além disso, um programa eficaz deve contemplar a utilização de múltiplos modos de ação disponíveis e comprovadamente eficazes, garantindo maior sustentabilidade e longevidade do controle químico (IRAC-BR, s. d.).

Figura 3. Programas de rotação de inseticidas em soja.
Fonte: IRAC

Nesse contexto, é fundamental adotar a rotação de modos de ação, e não apenas de subgrupos químicos. Por exemplo, os inibidores de acetilcolinesterase constituem um modo de ação, enquanto carbosulfan e organofosforados representam subgrupos dentro desse mesmo mecanismo. Embora, em alguns casos, a rotação de modos de ação possa gerar custos adicionais no programa fitossanitário, essa prática é essencial para garantir a sustentabilidade das lavouras e a longevidade da eficácia dos inseticidas. Além disso, contribui não apenas para o manejo da resistência, mas também para um melhor desempenho no controle das populações de insetos-praga.

Referências:

IRAC -BR. MANEJO DA RESISTÊNCIA DO PERCEVEJO-MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_4df4582b125f48ce990939fb0334b782.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

IRAC. RECOMENDAÇÕES DE MANEJO DE RESISTÊNCIA A INSETICIDAS E MANEJO DE PRAGAS PARA SOJA, ALGODÃO E MILHO NO BRASIL. IRAC, s. d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_f242d84f93a3495290d279305e66392e.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

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IRAC-BR. MILHO: ORIENTAÇÕES PARA O MANEJO DA RESISTÊNCIA A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s. d. Disponível em:< https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_fb6f15d35444471ca2e99394bbcf8ffb.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

IRAC-BR. SOJA: ORIENTAÇÕES PARA O MANEJO DA RESISTÊNCIA A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_2c723ac51efa4bf9b18fe1438470b32c.pdf >, acesso em: 29/08/2025.

 

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Com demanda aquecida, valor do grão segue firme

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Mesmo diante da safra recorde, estimada em 180 milhões de toneladas, os preços da soja seguem firmes no Brasil. A sustentação vem das aquecidas demandas interna e externa, e também do avanço das cotações dos derivados.

Segundo o Cepea, no mercado internacional, o conflito no Oriente Médio e a consequente valorização do petróleo reforçam o movimento de alta no Brasil, à medida que esse cenário eleva a atratividade do biodiesel e, consequentemente, a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

No campo, a colheita alcançou 92,1% da área, segundo a Conab, embora persistam diferenças regionais relevantes. No Sul, os trabalhos seguem mais lentos: Santa Catarina atingiu 71% e o Rio Grande do Sul, 65%, ambos abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No Matopiba, o ritmo permanece heterogêneo. Tocantins praticamente concluiu a atividade, com 98% da área já colhida, enquanto Maranhão (65%) e Bahia (90%) apresentam atraso em relação à safra anterior.

No Piauí, os trabalhos alcançam 96%, desempenho próximo ao do mesmo período de 2025. Na Argentina, chuvas pontuais nas principais regiões interrompem temporariamente a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, a recente chuva no Meio-Oeste trouxe alívio climático, mas limitou temporariamente as atividades de campo. Ainda assim, a semeadura atingiu 23% da área projetada para a safra 2026/27 até 26 de abril, superando o ano passado e a média dos últimos cinco anos.

Fonte: Cepea

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Sustentabilidade

Colheita de soja no Rio Grande do Sul atinge 79% da área, e milho chega a 92%

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A colheita da safra de verão no Rio Grande do Sul perdeu ritmo na semana passada devido ao excesso de umidade e à frequência de precipitações. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), divulgada nesta segunda-feira (4), a soja foi colhida em 79% da área semeada de 6.624.988 hectares, enquanto o milho alcançou 92% dos 803.019 hectares cultivados.

No caso da soja, a Emater/RS-Ascar informou que 20% das áreas restantes estão em maturação e 1% ainda em enchimento de grãos. Nas lavouras tardias, a entidade registrou aumento na presença de percevejos e de doenças como a ferrugem-asiática.

A produtividade média estadual da oleaginosa está estimada em 2.871 quilos por hectare. O órgão ressalta, no entanto, que há variações regionais expressivas, com perdas superiores a 50% em áreas afetadas anteriormente por restrição hídrica. No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos recuou 1,68% e foi fixado em R$ 115,25.

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Para o milho, o avanço semanal foi de 1 ponto porcentual. A Emater/RS-Ascar atribui a evolução mais lenta à priorização de outras culturas e às chuvas. A produtividade média projetada é de 7.424 quilos por hectare, favorecida pela recuperação hídrica em áreas de safrinha. A cotação da saca de 60 quilos permaneceu estável em R$ 58,19.

No milho para silagem, a colheita chegou a 89%, com rendimento médio de 37.840 quilos por hectare. Já o arroz entrou em fase final de retirada das lavouras, com 93% da área de 891.908 hectares colhida. Segundo a Emater/RS-Ascar, a umidade do solo e dos grãos reduziu a eficiência operacional das máquinas em pontos específicos. A produtividade estimada é de 8.744 quilos por hectare, e o preço médio da saca de 50 quilos subiu 0,26%, para R$ 60,93.

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Os dados indicam que o ritmo da colheita no Estado segue condicionado às condições climáticas de curto prazo, especialmente nas áreas ainda remanescentes de soja e arroz, onde a umidade elevada pode continuar limitando a operação de campo e a qualidade final dos grãos.

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Sustentabilidade

MILHO/CEPEA: Liquidez segue limitada; preços têm leves ajustes

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As negociações seguiram pontuais nas principais regiões de produção e comercialização de milho do Brasil, na semana passada. Pesquisadores do Cepea indicam que, enquanto compradores priorizaram a utilização dos estoques negociados antecipadamente e seguiram atentos à colheita da safra verão, vendedores, limitaram a oferta de lotes, preocupados com a irregularidade do clima no período. Neste contexto, segundo pesquisadores do Cepea, os preços registraram leves ajustes, prevalecendo as ofertas e as demandas regionais.

Entre as praças paulistas, leves valorizações foram observadas, sustentadas pela restrição de vendedores. Já no Sul e no Centro-Oeste, as quedas prevaleceram. De acordo com o Cepea, a pressão veio do avanço da colheita da safra de verão do cereal nos estados do Sul, dos elevados estoques de passagem e também da colheita robusta da soja no Centro-Oeste. Esse contexto faz com que produtores tenham maior interesse e necessidade em negociar o cereal, ainda que em patamares relativamente estáveis.

Fonte: Cepea



 

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