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4 de maio de 2026

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o que esperar da soja em dezembro?

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O plantio de soja no Brasil continua abaixo da média histórica, aumentando o risco de atraso na colheita e comprometendo a janela ideal para o milho safrinha. Segundo a plataforma Grão Direto, a lentidão preocupa produtores e agentes do mercado, pois qualquer descompasso no calendário pode afetar oferta, preços e competitividade ao longo de 2026.

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Clima como desafio

A irregularidade das chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Norte atrasa o avanço da safra 2025/26. A presença do La Niña, que deve persistir até o verão de 2026, intensifica o risco climático e amplia a instabilidade nas principais regiões produtoras.

No Sul, o risco de estiagens durante o período crítico das lavouras é elevado. O Centro-Oeste registrou chuvas recentes, mas ainda convive com a possibilidade de veranicos que podem comprometer o plantio. Na Argentina, o risco de seca e ondas de calor é mais severo, prejudicando o desenvolvimento inicial da safra e aumentando a volatilidade na Bolsa de Chicago.

Exportações ainda fortes, mas fora do ritmo

Apesar de o Brasil manter exportações recordistas no acumulado do ano, as projeções para novembro foram revisadas para baixo. O desempenho permanece sólido, porém já revela sinais de desaceleração que podem alterar o balanço de oferta e demanda no curto prazo.

China

As compras chinesas chamaram aatenção do mercado. Mesmo após a trégua comercial com os Estados Unidos, a China adquiriu soja americana mais cara que a brasileira, evidenciando um movimento mais político do que econômico.

Além disso, os estoques elevados, as margens negativas das esmagadoras e a demanda fraca por farelo reduzem o ímpeto por novas compras expressivas no curto prazo.

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Mercado futuro e indicadores

O Índice de Soja FOB Santos registrou leve valorização, passando de 145,92 reais para 147,47 reais na semana, sustentado por um ambiente externo mais favorável. Em Chicago, os contratos de janeiro de 2026 subiram 0,98%, enquanto março de 2026 avançou 0,88%, indicando suporte moderado no mercado internacional.

O dólar recuou 1,30% no período, o que limitou parte da valorização interna, mas ainda assim o índice fechou em alta, refletindo ajustes nos prêmios e no mercado físico.

O que esperar do mercado?

Mesmo com a trégua comercial entre China e Estados Unidos, os estoques chineses continuam elevados, o que reduz o interesse por novas aquisições. As margens negativas da indústria e a demanda enfraquecida por ração reforçam a expectativa de importações mais controladas. Existem dúvidas sobre o cumprimento do compromisso de compra de 12 milhões de toneladas ainda este ano e, principalmente, sobre a meta de 25 milhões em 2026.

Exportações recordes no Brasil

Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou mais de 104 milhões de toneladas de soja, superando as 95,7 milhões registradas no mesmo período de 2024. Mesmo após a revisão da ANEC para 4,40 milhões de toneladas em novembro, o volume permanece quase o dobro do apurado em 2024. A China segue como principal destino, respondendo por cerca de 80% dos embarques até outubro.

Argentina

O plantio avança de forma mais lenta que no ciclo anterior. Cerca de 12% das áreas enfrentam excesso de chuvas que dificulta a semeadura e pode reduzir a produtividade. Além disso, o La Niña eleva o risco de secas intensas.

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Uma possível onda de calor em dezembro pode atingir o período mais sensível da cultura, comprometendo o potencial produtivo e elevando a preocupação no mercado internacional.

Cenário de cautela

A semana tende a manter o mercado em postura cautelosa. A combinação de incertezas na oferta sul-americana, demanda chinesa moderada e clima adverso na Argentina e no Sul do Brasil deve sustentar as cotações em Chicago.

O ambiente segue volátil, mas oferece oportunidades claras para quem acompanha tendência, clima e movimentos do mercado físico.

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Agro Mato Grosso

Desenrola 2.0: Produtor rural MT entra no programa pela primeira vez

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Programa fica aberto por 90 dias e cobre dívidas de famílias, estudantes, pequenas empresas e assentados da reforma agrária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Novo Desenrola Brasil, nova edição do programa federal de renegociação de dívidas. A iniciativa oferece juros de até 1,99% ao mês, descontos de até 90% sobre o valor total devido e possibilidade de usar o FGTS para quitar débitos. Uma das principais novidades é a inclusão do produtor rural e de famílias assentadas pelo programa de reforma agrária,público que não integrava o Desenrola original.

O programa funciona por 90 dias e se divide em quatro categorias:
  • Desenrola Famílias — para quem tem renda de até cinco salários mínimos
  • Desenrola Fies — para estudantes do ensino superior com financiamento estudantil
  • Desenrola Empreendedor — para micro e pequenas empresas
  • Desenrola Rural — para pequenos produtores rurais e assentados da reforma agrária

O foco recai sobre dívidas de cartão de crédito, cheque especial, Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e crédito rural.

A inclusão do setor rural representa a principal inovação do Desenrola 2.0. Pelo Desenrola Rural, pequenos agricultores e famílias assentadas podem renegociar dívidas com prazo estendido até dezembro. O governo ampliou o limite de adesão especificamente para esse público, que historicamente enfrenta dificuldades de acesso a programas de crédito urbano.

Famílias podem parcelar em até quatro anos

Para o público geral, o Desenrola Famílias garante descontos entre 30% e 90% do valor devido, com parcelamento em até 48 meses e prazo de 35 dias para o pagamento da primeira parcela. Famílias com renda mensal de até R$ 8.105 ainda podem liberar até 20% do saldo do FGTS para abater as dívidas.

Quem tem dívidas do Fies vencidas há mais de 90 dias pode negociar descontos entre 12% e 99% sobre juros e multas. O valor principal pode ser parcelado em até 150 vezes.

Para micro e pequenas empresas, o programa ampliou prazos e limites. A carência de pagamento sobe de 12 para 24 meses, o prazo máximo passa de 72 para 96 meses e a tolerância no atraso vai de 14 para 90 dias. O teto de crédito sobe para R$ 180 mil (ante R$ 130 mil) para empresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, e para R$ 500 mil (ante R$ 250 mil) para CNPJs com faturamento de até R$ 4,8 milhões.

Recursos vêm do FGO e de valores esquecidos nos bancos

O programa acessa o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que já conta com R$ 2 bilhões disponíveis e pode receber um aporte adicional de até R$ 5 bilhões. O governo também prevê uso de recursos do SVR (Sistema de Valores a Receber), que reúne dinheiro esquecido em instituições financeiras.

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O Novo Desenrola também altera as regras do crédito consignado do INSS e do servidor público. As duas modalidades deixam de vincular o cartão ao empréstimo. Para aposentados e pensionistas do INSS, o prazo das operações sobe de 96 para 108 meses, a carência chega a 90 dias e a margem de comprometimento de renda cai de 45% para 40%.

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Agro Mato Grosso

Pecuária de MT lucra com a venda de pênis bovino para a Ásia

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Na exportação de carne, Estado se destaca também pela comercialização de subprodutos. Como o vergalho

Enquanto os cortes nobres seguem como protagonistas nas exportações de carne bovina brasileira, outros produtos vêm ganhando relevância estratégica no comércio internacional.

Nos últimos anos, Mato Grosso tem se destacado não apenas na venda de carne bovina, mas também na comercialização de subprodutos.

Como o pênis bovino, conhecido como vergalho, destinado, principalmente, ao mercado asiático.

A ampliação desse tipo de comércio contribui para o melhor aproveitamento do animal e para o aumento da rentabilidade da cadeia produtiva da pecuária.

Além da venda no mercado interno, com preço médio de R$ 21 o quilo, o vergalho bovino tem entre os principais destinos internacionais Hong Kong, onde o valor da tonelada pode chegar a US$ 6 mil.

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O produto é exportado na forma in natura, seguindo rigorosos protocolos sanitários.

“A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, afirma o gerente de marketing da SulBeef, Alan Gutierrez, uma das indústrias mato-grossenses autorizadas a exportar esse subproduto.

Segundo ele, a regularidade das vendas demonstra a existência de um mercado consolidado para esse tipo de produto.

Na culinária asiática, especialmente em países e regiões com forte tradição no consumo integral do animal, o vergalho é utilizado em preparações cozidas, ensopadas e pratos típicos, sendo valorizado pela textura e pela capacidade de absorver temperos e caldos.

Essa característica cultural sustenta uma demanda estável por subprodutos bovinos, como miúdos e partes menos convencionais para o paladar ocidental, ampliando as oportunidades comerciais para países exportadores.

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Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, esse tipo de mercado evidencia a força e a competitividade da pecuária mato-grossense.

“Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva e o potencial do estado em agregar valor em todas as etapas”.

“Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecemos a economia, reduzimos riscos e aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, diz o diretor de Projetos do Imac.

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Agro Mato Grosso

Seguro rural premia manejo do solo e corta 50% do custo do seguro

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A entrada de Mato Grosso do Sul em um novo modelo de seguro rural muda a lógica de proteção da lavoura no país: pela primeira vez, o produtor passa a pagar menos conforme melhora o manejo do solo, e não apenas pelo histórico climático da região.

A mudança vem com a ampliação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo (ZarcNM), ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O modelo foi estendido ao Estado por meio da Resolução nº 111/2026 do Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural.

Na prática, o impacto é direto no bolso. No milho safrinha, uma das culturas mais sensíveis à seca no Estado, o governo federal poderá bancar até 50% do valor do seguro nas áreas com melhor classificação de manejo. Em propriedades com nível mais baixo, o subsídio começa em 40%.

Para a soja, o incentivo também existe, mas em menor escala: varia de 20% a 40%, conforme o nível da área produtiva. A diferença entre um produtor e outro passa a depender do que ele faz dentro da porteira. Áreas com plantio direto consolidado, cobertura de solo e maior capacidade de retenção de água tendem a receber classificação mais alta e, com isso, pagar menos pelo seguro.

Esse enquadramento será feito previamente por meio do Sistema de Identificação de Níveis de Manejo (SINM), da Embrapa. Com isso, o produtor saberá antes de contratar a apólice qual será seu nível de risco e o percentual de subvenção a que terá direito.

O modelo também muda o tempo da decisão. O seguro poderá ser contratado antes mesmo do plantio, com base nas janelas do Zarc, trazendo previsibilidade para o planejamento da safra. No caso do milho safrinha, as lavouras plantadas no início de 2027 já poderão entrar nesse novo sistema.

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A exigência mínima é contratar seguro com cobertura de pelo menos 65% da produtividade esperada. Caso a apólice seja cancelada, o subsídio precisa ser devolvido — o que aumenta o compromisso com a contratação efetiva.

Até aqui, o projeto estava restrito à soja no Paraná. Com a ampliação, Mato Grosso do Sul entra como área prioritária tanto para soja quanto para milho de segunda safra, ao lado de Estados do Sul.

O avanço ocorre em um momento de perdas recorrentes por clima no Estado, especialmente no milho safrinha. Ao atrelar o valor do seguro à qualidade do manejo, o governo tenta atacar o problema na origem: reduzir o risco produtivo dentro da própria lavoura.

No limite, a mudança transforma o seguro rural em instrumento de gestão, e não apenas de compensação. Quem produz melhor — e com mais resiliência — passa a pagar menos para se proteger.

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Agro MT