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16 de setembro de 2026

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agricultura indígena de MT ganha licença inédita do Ibama

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As máquinas cruzam o campo em ritmo acelerado, marcando o início de uma nova safra e um momento histórico para os povos Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki, em Mato Grosso. Após 15 anos de espera, o Ibama autorizou oficialmente o plantio mecanizado nas áreas agrícolas indígenas, em uma conquista inédita e exclusiva no país. A licença ambiental será publicada ainda neste ano no Diário Oficial da União e reconhece o projeto como referência nacional.

Animados com a liberação, os indígenas devem cultivar soja em cerca de 80% dos 19,7 mil hectares de área agricultável. O presidente da Cooperativa Agropecuária dos Povos Indígenas Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki (Coopihanama), Arnaldo Zunizakae, explica que a decisão vem para fortalecer uma trajetória construída com muito trabalho.

“Nós vamos plantar em torno de 75 a 80% da nossa área, um pouco de cautela porque a chuva está bem irregular. É necessário plantar soja, não tem como abrir mão dessa cultura. A preocupação mesmo é a segunda safra, porque se atrasar o plantio, compromete a colheita seguinte. Então é ter fé em Deus e trabalhar duro aqui”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.

O agricultor Ronaldo Zokezomaike ressalta que o projeto vem consolidando práticas sustentáveis e reforçando o compromisso com o meio ambiente. “A gente fez uma correção muito grande no calcário, investimos nas palhadas também. Nós já começamos a trabalhar essa parte da agricultura regenerativa para mostrar para o mundo que é possível a gente produzir consolidando tudo aí, a questão ambiental de forma correta”, explica.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Licença inédita no Brasil e no mundo

A autorização marca uma virada histórica para as 13 fazendas da cooperativa, que passam a atuar com gestão, financiamento e comercialização própria dentro da reserva indígena. Para Sônia Aparecida Zoakamaero, administradora da Coopihanama, o documento consolida a autonomia e o protagonismo dos povos indígenas na produção sustentável.

“Essa licença foi uma conquista muito grande. É a primeira licença operacional no Brasil e no mundo. Nossa meta agora é criar o selo de produção indígena Paresi, com produtos de valor agregado, como a soja preta, e exportar um alimento natural e saudável para o mundo”.

Arnaldo Zunizakae reforça que a licença representa um passo importante para acessar o Plano Safra e consolidar a renda dentro dos territórios, sem abrir novas áreas.

“Essa licença ela só vem a formalizar ainda mais essa nossa atividade, e essa licença é mais um passo para acessarmos o Plano Safra, mas tem que deixar bem claro: essa licença é para nós plantar nessas áreas que estão abertas, 19.750 hectares na terra indígena Paresi, Nambikwara e Manoki. A licença não nos autoriza a plantar transgênico, não autoriza arrendar terra, não autoriza ampliar novas áreas”, enfatiza o presidente da Coopihanama.

Ele lembra que o projeto começou há 22 anos, quando a população Paresi somava pouco mais de 1,2 mil indígenas. Hoje, são quase 3 mil indígenas. “Foi um projeto difícil de se fazer, caro, mas quando você gera renda e trabalho, você melhora a vida da população. Trouxe benefícios para nós e a gente precisa consolidar a preservação dos nossos territórios e da nossa cultura, mas ao mesmo tempo garantir a permanência da nossa população com dignidade”, afirma.

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Soja agricultura indígena Coopihanama foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Sucessão e futuro no campo

Entre os que dão continuidade à história da agricultura indígena está Thiago Barcelos Zokezomaikae, estudante do oitavo semestre de agronomia. Ele cresceu entre as lavouras e agora representa a nova geração que alia tradição e tecnologia.

“Já vem desde a época do meu avô, passou para o meu pai e, se Deus quiser, vai passar para os meus filhos. Não é da nossa cultura a agricultura em grande escala, mas com esse solo abençoado e fértil, a gente aprendeu buscando conhecimento e tecnologia para se desenvolver cada vez mais. É da onde vem o nosso sustento, para a nossa família e para todas as outras famílias do território”, diz o estudante à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Para Arnaldo Zunizakae, ver os jovens assumindo o protagonismo é a confirmação de que o esforço valeu a pena. “Passando o bastão para essa molecada, porque chega uma hora que a gente precisa descansar, viver o resto da vida ali, voltar a caçar e pescar outra vez — hoje não como necessidade, mas como lazer e descanso”.


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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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