Connect with us
20 de setembro de 2026

Business

agricultura indígena de MT ganha licença inédita do Ibama

Published

on


As máquinas cruzam o campo em ritmo acelerado, marcando o início de uma nova safra e um momento histórico para os povos Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki, em Mato Grosso. Após 15 anos de espera, o Ibama autorizou oficialmente o plantio mecanizado nas áreas agrícolas indígenas, em uma conquista inédita e exclusiva no país. A licença ambiental será publicada ainda neste ano no Diário Oficial da União e reconhece o projeto como referência nacional.

Animados com a liberação, os indígenas devem cultivar soja em cerca de 80% dos 19,7 mil hectares de área agricultável. O presidente da Cooperativa Agropecuária dos Povos Indígenas Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki (Coopihanama), Arnaldo Zunizakae, explica que a decisão vem para fortalecer uma trajetória construída com muito trabalho.

“Nós vamos plantar em torno de 75 a 80% da nossa área, um pouco de cautela porque a chuva está bem irregular. É necessário plantar soja, não tem como abrir mão dessa cultura. A preocupação mesmo é a segunda safra, porque se atrasar o plantio, compromete a colheita seguinte. Então é ter fé em Deus e trabalhar duro aqui”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.

O agricultor Ronaldo Zokezomaike ressalta que o projeto vem consolidando práticas sustentáveis e reforçando o compromisso com o meio ambiente. “A gente fez uma correção muito grande no calcário, investimos nas palhadas também. Nós já começamos a trabalhar essa parte da agricultura regenerativa para mostrar para o mundo que é possível a gente produzir consolidando tudo aí, a questão ambiental de forma correta”, explica.

Advertisement
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Licença inédita no Brasil e no mundo

A autorização marca uma virada histórica para as 13 fazendas da cooperativa, que passam a atuar com gestão, financiamento e comercialização própria dentro da reserva indígena. Para Sônia Aparecida Zoakamaero, administradora da Coopihanama, o documento consolida a autonomia e o protagonismo dos povos indígenas na produção sustentável.

“Essa licença foi uma conquista muito grande. É a primeira licença operacional no Brasil e no mundo. Nossa meta agora é criar o selo de produção indígena Paresi, com produtos de valor agregado, como a soja preta, e exportar um alimento natural e saudável para o mundo”.

Arnaldo Zunizakae reforça que a licença representa um passo importante para acessar o Plano Safra e consolidar a renda dentro dos territórios, sem abrir novas áreas.

“Essa licença ela só vem a formalizar ainda mais essa nossa atividade, e essa licença é mais um passo para acessarmos o Plano Safra, mas tem que deixar bem claro: essa licença é para nós plantar nessas áreas que estão abertas, 19.750 hectares na terra indígena Paresi, Nambikwara e Manoki. A licença não nos autoriza a plantar transgênico, não autoriza arrendar terra, não autoriza ampliar novas áreas”, enfatiza o presidente da Coopihanama.

Ele lembra que o projeto começou há 22 anos, quando a população Paresi somava pouco mais de 1,2 mil indígenas. Hoje, são quase 3 mil indígenas. “Foi um projeto difícil de se fazer, caro, mas quando você gera renda e trabalho, você melhora a vida da população. Trouxe benefícios para nós e a gente precisa consolidar a preservação dos nossos territórios e da nossa cultura, mas ao mesmo tempo garantir a permanência da nossa população com dignidade”, afirma.

Advertisement
Soja agricultura indígena Coopihanama foto Pedro Silvestre Canal Rural Mato Grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Sucessão e futuro no campo

Entre os que dão continuidade à história da agricultura indígena está Thiago Barcelos Zokezomaikae, estudante do oitavo semestre de agronomia. Ele cresceu entre as lavouras e agora representa a nova geração que alia tradição e tecnologia.

“Já vem desde a época do meu avô, passou para o meu pai e, se Deus quiser, vai passar para os meus filhos. Não é da nossa cultura a agricultura em grande escala, mas com esse solo abençoado e fértil, a gente aprendeu buscando conhecimento e tecnologia para se desenvolver cada vez mais. É da onde vem o nosso sustento, para a nossa família e para todas as outras famílias do território”, diz o estudante à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Para Arnaldo Zunizakae, ver os jovens assumindo o protagonismo é a confirmação de que o esforço valeu a pena. “Passando o bastão para essa molecada, porque chega uma hora que a gente precisa descansar, viver o resto da vida ali, voltar a caçar e pescar outra vez — hoje não como necessidade, mas como lazer e descanso”.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.



Advertisement
Continue Reading
Advertisement

Business

Caju vira alternativa de renda para produtores em região castigada pela seca no Ceará

Published

on


Foto: AGCO Agriculture Foundation

Em uma região marcada pela escassez de água e pelos desafios para manter a produção agrícola, o cultivo de caju vem sendo utilizado como alternativa para ampliar a geração de renda de pequenos produtores no semiárido do Ceará. Mais de 100 agricultores de 15 comunidades participam de uma iniciativa que prevê a implantação de novos pomares, capacitação e acompanhamento técnico.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Ao todo, 10 mil mudas estão sendo distribuídas pelo Projeto Caju, desenvolvido pela organização Amigos do Bem com apoio da AGCO Agriculture Foundation.

A escolha da cultura está relacionada à capacidade do cajueiro de se adaptar ao clima quente e a períodos de menor disponibilidade de água. A proposta é combinar essa característica com orientação técnica para ampliar as possibilidades de produção e renda nas propriedades.

Advertisement

Dos 107 produtores envolvidos na iniciativa, 63 receberam apoio direto por meio de recursos da AGCO Agriculture Foundation. Do total de participantes, 64% estão entrando agora no projeto, enquanto 36% já haviam recebido apoio anteriormente.

“Em regiões que enfrentam desafios climáticos e socioeconômicos tão grandes, apoiar o produtor significa também contribuir para que ele tenha condições de construir uma fonte de renda mais estável”, afirma Marcelo Traldi, gerente-geral da AGCO América Latina.

Produtores recebem capacitação para implantação dos pomares

Além da distribuição das mudas, a capacitação técnica é uma das principais frentes do projeto. Setenta agricultores participaram de treinamentos sobre implantação e manejo dos pomares.

As orientações incluem escolha de mudas produtivas e adaptadas às condições do semiárido, preparo do solo, definição do espaçamento, fertilização, controle de plantas daninhas e poda de formação.

Outro grupo de 34 produtores participou de um dia de campo, com demonstrações práticas de técnicas de plantio e manejo. A atividade também permitiu a troca de experiências e a discussão de dificuldades encontradas nas propriedades.

Advertisement

A combinação entre acesso às mudas e assistência técnica busca reduzir os riscos nas primeiras etapas de desenvolvimento dos pomares, especialmente diante dos períodos prolongados de seca enfrentados na região.

“Essa iniciativa demonstra como parcerias estratégicas podem gerar impacto positivo no campo. Ao apoiar os produtores com as mudas, capacitação e acompanhamento técnico, o projeto contribui para fortalecer a produção local e gerar renda para famílias em situação de vulnerabilidade”, afirma Alceu Caldeira, diretor de Desenvolvimento Institucional dos Amigos do Bem.

Projeto recebe investimento de mais de R$ 100 mil

A AGCO Agriculture Foundation destinou mais de R$ 100 mil à iniciativa. Os recursos são utilizados na produção das mudas, apoio aos pequenos agricultores, capacitações, monitoramento e gestão do projeto.

Com a implantação dos pomares, o trabalho entra agora na fase de acompanhamento técnico. Estão previstas visitas às propriedades para monitorar o desenvolvimento das plantas e orientar os agricultores durante o ciclo produtivo.

A programação prevê ainda novos treinamentos voltados à pré-colheita e pós-colheita, incluindo orientações sobre manejo, fortalecimento dos pomares e preparação para as próximas etapas da produção.

Advertisement

O Projeto Caju faz parte das ações dos Amigos do Bem no sertão nordestino. Segundo a organização, cerca de 150 mil pessoas de 300 comunidades em Alagoas, Pernambuco e Ceará são atendidas por iniciativas relacionadas à educação, geração de renda, acesso à água, moradia e saúde.

O post Caju vira alternativa de renda para produtores em região castigada pela seca no Ceará apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27?

Published

on


Divulgação Embrapa Soja

O mercado da soja teve uma semana marcada por projeções importantes para a safra 2026/27. No Brasil, a primeira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para um crescimento mais moderado da produção da oleaginosa. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao elevar a previsão para a safra norte-americana.

A Conab projeta produção de 181,64 milhões de toneladas de soja para a safra 2026/27, avanço de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está calculada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8%.

Apesar do crescimento mais moderado, a soja continua entre as principais responsáveis pelo avanço da produção brasileira de grãos. Para a Conab, o país deve manter a trajetória de expansão da oleaginosa e novamente superar a marca de 181 milhões de toneladas.

“ A soja vem mantendo uma trajetória constante de crescimento e é o produto que mais avança. Vamos ultrapassar novamente as 181 milhões de toneladas, garantindo outra grande safra. Seremos, mais uma vez, os maiores provedores do mundo, diante das quebras em outros países e do cenário de desabastecimento internacional”, afirmou o presidente da Conab, Silvio Porto.

Advertisement

Na temporada 2025/26, a produção brasileira chegou a 180,406 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

A área cultivada também avançou, passando de 47,346 milhões de hectares em 2024/25 para 48,608 milhões de hectares em 2025/26, crescimento de 2,7%. Já a produtividade subiu de 3.622 para 3.711 quilos por hectare no período.

USDA surpreende com safra maior nos EUA

Enquanto o Brasil deve apresentar um avanço mais contido, o USDA trouxe uma surpresa para o mercado internacional ao elevar a estimativa para a produção de soja dos Estados Unidos em 2026/27.

A safra norte-americana foi projetada em 4,535 bilhões de bushels, equivalentes a 123,4 milhões de toneladas. No relatório anterior, de agosto, a previsão era de 4,519 bilhões de bushels, ou cerca de 123 milhões de toneladas.

A revisão ocorreu mesmo com a produtividade sendo reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre.

Advertisement

O número também ficou acima da expectativa do mercado, que trabalhava com produção de 4,492 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais norte-americanos para 2026/27 foram estimados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas. Em agosto, a projeção era de 320 milhões de bushels, equivalentes a 8,71 milhões de toneladas.

O mercado esperava estoques finais de 289 milhões de bushels, ou 7,86 milhões de toneladas.

Para o esmagamento nos Estados Unidos, o USDA manteve a previsão em 2,78 bilhões de bushels. Já as exportações foram projetadas em 1,685 bilhão de bushels, acima dos 1,66 bilhão de bushels estimados anteriormente.

Produção mundial de soja

No cenário global, o USDA estima uma produção de 442,35 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente estável em relação à previsão de agosto, de 442,25 milhões de toneladas.

Advertisement

Os estoques finais mundiais estão projetados em 124,02 milhões de toneladas, acima da expectativa do mercado, de 123,1 milhões de toneladas.

Para a temporada 2025/26, os estoques finais foram estimados em 125,27 milhões de toneladas.

O USDA também manteve a previsão para a produção brasileira em 2025/26, em 180,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a estimativa segue em 186 milhões de toneladas.

Na Argentina, a projeção permanece em 49,5 milhões de toneladas para 2025/26 e em 50 milhões de toneladas para 2026/27.

China mantém demanda

Do lado da demanda, o USDA manteve as projeções para as importações chinesas de soja.

Advertisement

Para 2026/27, a expectativa permanece em 115 milhões de toneladas. Para 2025/26, o departamento trabalha com importações de 113 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior.

Com o Brasil projetando um crescimento mais moderado da produção e os Estados Unidos apresentando uma estimativa acima do esperado pelo mercado, o cenário para a soja passa a depender da evolução do clima, da produtividade e do comportamento da demanda dos grandes compradores globais ao longo da nova temporada.

O post Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Número de vinícolas cresce quase 5 vezes acima da média nacional em Goiás

Published

on


Foto: Emater Goiás

O número de vinícolas aumentou 9,1% em Goiás ao longo de 2025, ritmo quase cinco vezes superior à média brasileira. O estado chegou a 12 estabelecimentos registrados no período, enquanto o país alcançou 965, com avanço de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os dados fazem parte do Anuário do Vinho 2026, primeira publicação específica sobre essa cadeia produtiva lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O levantamento mostra que Goiás concentra 70,6% das vinícolas registradas no Centro-Oeste. Das 17 empresas contabilizadas na região, 12 estão no estado, enquanto Mato Grosso e o Distrito Federal têm dois estabelecimentos cada, e Mato Grosso do Sul, um.

Vinhos registrados

As vinícolas goianas somavam 161 vinhos registrados no Mapa em 2025, média de 13,4 por estabelecimento. O levantamento contabiliza produtos formalmente registrados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), por isso o número não corresponde necessariamente à quantidade de rótulos disponíveis comercialmente.

Advertisement

A quantidade de produtos coloca Goiás na sétima posição nacional em número de vinhos registrados. A média brasileira é de 16,8 por estabelecimento.

Dados da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) apontam cerca de 116 produtores de uva, 410 hectares cultivados e presença da cultura em 55 municípios de Goiás.

As principais áreas produtoras estão nas regiões Sul, Sudoeste, Centro e Noroeste, em municípios como Goiatuba, Santa Helena de Goiás, Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia e Itaberaí. A produção de uva de mesa ainda predomina, mas a Agência também aponta potencial para ampliação do cultivo destinado à fabricação de sucos e vinhos.

Vinhos de inverno

A presença de Goiás nessa nova geografia da produção brasileira está relacionada também ao desenvolvimento de técnicas que permitiram levar a vitivinicultura a regiões antes pouco associadas ao vinho.

Pesquisa da Embrapa Uva e Vinho identifica no país uma terceira macrorregião produtora, mais recente, baseada nos chamados vinhos de inverno. O modelo começou em Minas Gerais e chegou, entre outros estados, a Goiás.

Nesse sistema, a videira passa por duas podas ao ano, com a colheita deslocada para o inverno, entre junho e agosto. Segundo a Embrapa, essa nova fronteira está presente em áreas de clima subtropical e tropical de altitude, com vinhedos localizados entre 600 e 1.200 metros.

Advertisement

A técnica altera o calendário tradicional da cultura e permite que a maturação das uvas ocorra em condições diferentes das encontradas na colheita de verão.

O post Número de vinícolas cresce quase 5 vezes acima da média nacional em Goiás apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT