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5 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Lei do frete mínimo eleva custos de transporte do setor de fertilizantes em mais de 35%

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Prevista para iniciar na última segunda-feira (20), a intensificação da fiscalização eletrônica do Piso Mínimo de Frete, através do MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) — implantado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) com base na Lei 13.703/2018 — desperta questionamentos por parte do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos). A entidade avalia que a medida elevará os custos de transporte do setor em mais de 35% e defende a revisão de critérios da tabela da ANTT e a suspensão da cobrança de multas eletrônicas. “A nova precificação dos fretes ocasionará distorções não apenas no preço do serviço, mas também no preço dos alimentos, principalmente aqueles que integram a cesta básica”, destaca o engenheiro agrônomo Veríssimo Cubas, gerente executivo do Sindiadubos.

Cubas destaca que o setor de fertilizantes está mobilizado na defesa pela postergação da cobrança de multas por descumprimento da tabela vigente, que entrou em vigor neste mês, e a revisão dos critérios da tabela de frete mínimo. O Sindiadubos também defende uma adaptação da Lei 13.708/2018 ao real cenário de mercado, de logística e infraestrutura. Pois o texto atual não considera vários temas de mercado, como o próprio frete de retorno, tempo de carga e descarga, tempo útil dos equipamentos de transportes, dentre outros.

A Lei 13.703/2018 entrou em vigor após a greve dos caminhoneiros e a tabela de frete mínimo foi atualizada pela ANTT em junho de 2021. “A fiscalização eletrônica iniciada em outubro deste ano, está causando problemas à indústria de fertilizantes, especialmente em relação ao pagamento de 92% sobre o frete de retorno, o que é impossível para um setor que opera com margens de lucro de 3 a 4%”, aponta Cubas. Por isso, conforme o gerente do Sindiadubos, é necessário alertar a sociedade de que a medida causa um efeito cascata, já que não se trata apenas do preço mínimo de frete do transporte agrícola, mas de todas as atividades econômicas. “O setor de fertilizantes acaba por ser o mais afetado, devido ao nosso volume movimentado e envolve todo um planejamento logístico de levar os insumos do navio para a fábrica e da fábrica para a fazenda”, cita.

“A tabela do frete mínimo causa distorções, com fretes de curta e média distância, sendo a título de exemplo precificados a R$ 75/ton na tabela, mas custando R$ 180/ton no mercado, enquanto fretes de longa distância estão a R$ 380/ton na tabela e em torno de R$ 250/ton no mercado”, detalha o diretor executivo da Associação de Misturadores do Brasil (AMA Brasil), Antonino Gomes. De acordo com ele, essas discrepâncias, além da exigência do manifesto de frete eletrônico (MDF-e) e as multas aplicadas desde 1º de outubro, criam grande insegurança para as empresas de fertilizantes na contratação de fretes e impactam toda a cadeia produtiva. “A tabela de frete implementada causou desarmonia no livre comércio do setor de alimentos, resultando no encarecimento da produção agrícola e certamente na cesta básica”, pontua.

Segundo o gerente executivo do Sindiadubos, nesse momento é fundamental estabelecer uma discussão entre associações representativas, governo federal e empresas sobre a aplicação desses valores e qual a melhor saída para lidar com a implantação da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Para fomentar as discussões nas esferas dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), organização composta por 58 entidades representativas agropecuárias, está auxiliando os setores produtivos no contato com o Congresso Nacional. “O Ministério dos Transportes exigiu que fosse cumprida a Lei 13.703/2018 e, com isso, fosse aplicada a nova tabela de frete. Nosso setor apresentou para o IPA, que trabalha junta à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), um parecer destacando inconsistências sobre os valores e como isso irá inflacionar o mercado”, explica o diretor executivo da AMA.

“Ao levar a discussão para o Congresso, entendemos a importância de discutir medidas para aprimorar os requisitos e aplicabilidade da tabela de frete”, afirma Cubas. Também com esse objetivo, o Sindiadubos realizará uma mesa de discussão sobre o tema na abertura do Simpósio NPK 2025, no próximo dia 30 de outubro. O painel terá a participação do presidente da Fertipar, Alceu Feldman, e dos deputados federais Pedro Lupion e Tião Medeiros, da FPA, para debater os desafios diante dos valores cobrados do setor por conta da tabela de frete mínimo da ANTT.

Simpósio Sindiadubos NPK 2025

Com o objetivo de tratar das tendências no agronegócio e das mudanças ocorridas até o momento, tanto no âmbito nacional quanto internacional, o Sindiadubos realizará, no próximo dia 30 de outubro, em Curitiba (PR), a 19ª edição do Simpósio NPK 2025. O evento deve reunir aproximadamente 1.000 participantes e 300 empresas da cadeia do agronegócio, desde produtores de fertilizantes no Brasil e no exterior, operadores logísticos até consumidores finais.

O simpósio contará com a seguinte programação: Painel de Discussão do Setor; Performance e Perspectivas do Setor em 2025 e 2026; Cenário Nacional e Internacional do Agronegócio e Projeções de Custo e Rentabilidade da Safra 2025/2026. O evento terá a participação do diretor-presidente do Sindiadubos, Aluísio Schwartz Teixeira; do analista de fertilizantes da Agroinvest, Jeferson Souza; e da expert em agronegócio, jornalista e apresentadora Kellen Severo.

As informações são da assessoria de imprensa.

Fonte: Rodrigo Ramos / Agência Safras News



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Agro Mato Grosso

Em Jaciara, Celestino Piotto continua legado familiar e cultiva paixão de alimentar o mundo

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Aos 60 anos, o produtor rural de Jaciara carrega a história iniciada pelo avô e encontra na agricultura uma missão de vida que atravessa gerações

Muito antes de assumir a administração da propriedade rural em Jaciara, a trajetória de Celestino Piotto já havia começado pelas mãos do avô, que chegou à região no ano de 1950 acreditando no potencial da terra mato-grossense. Nove anos depois, parte da fazenda foi loteada para incentivar a colonização da região, ajudando a formar uma comunidade de produtores que, assim como a família Piotto, enxergavam no campo a oportunidade de construir uma vida.

Foi nesse ambiente que Celestino cresceu, enquanto o pai, vindo do interior de São Paulo, trazia consigo a experiência adquirida nas lavouras de café e os avós dedicavam-se à pecuária. Aos poucos, a família abriu novas áreas, formou pastagens, criou gado e iniciou o cultivo agrícola. O trabalho se tornou parte da rotina e, naturalmente, da identidade familiar.

Mesmo durante o período em que estudava em Cuiabá, nunca deixou de voltar para a fazenda nas férias. “Eu estudava em Cuiabá, mas nas férias de julho e de dezembro estava sempre aqui. Ficava junto do meu pai o tempo todo, acompanhando o trabalho. Sempre gostei disso.”

A decisão de permanecer no campo veio de forma espontânea. Em 1985, ao concluir os estudos, retornou definitivamente para a propriedade. O pai continuou cuidando das questões burocráticas, enquanto Celestino e o irmão passaram a conduzir as atividades da fazenda. Anos depois, o irmão mudou-se para Vila Bela da Santíssima Trindade, e Celestino permaneceu à frente do negócio da família. “Nunca pensei em desistir. Jamais. Isso aqui sempre foi a minha vida”, comenta.

Mais do que um local de trabalho, a fazenda representa a continuidade de uma história construída por várias gerações. Uma responsabilidade que, segundo ele, vai além da administração da propriedade, mas trata-se de preservar um legado. Para Celestino, esse legado nasce dentro de casa.

“Meu pai e minha mãe são o nosso esteio. São eles que nos ensinaram os valores que carregamos até hoje. A gente se espelha neles em tudo. Depois vem a família que construímos, a esposa, os filhos; é isso que dá sentido para continuar”, afirma.

Casado há 34 anos, ele divide a vida com a esposa e celebra a trajetória das três filhas: uma nutricionista, uma gastrônoma e a caçula, que cursa Medicina. Embora nenhuma delas esteja diretamente ligada à produção rural, Celestino fala da sucessão com naturalidade e esperança. “Minha mãe sucedeu meu avô, eu sucedi meus pais e agora precisamos fazer a sucessão para frente. Esse é o caminho. É assim que o legado continua.”

Ao olhar para trás, percebe que o amor pela agricultura nunca esteve ligado apenas ao trabalho. Está relacionado ao propósito que encontrou na atividade.  “Eu sinto muito orgulho de ser produtor rural. O planeta depende de nós. Assim como dependemos da chuva para produzir, as pessoas dependem daquilo que sai da nossa terra. Se a gente não produzir alimento, ele não aparece na gôndola do supermercado, nem dentro do freezer. Alguém precisa colocar a mão na massa, plantar e colher.”

Essa consciência faz com que veja a agricultura como uma das atividades mais essenciais para a humanidade. “Acho que, depois de Deus, o nosso maior compromisso é produzir alimentos. Todo mundo depende disso. Sem a agricultura, não existe vida.”

A fé também ocupa um lugar central na sua caminhada. É ela que fortalece o produtor diante das incertezas naturais da atividade e o lembra diariamente do verdadeiro significado do trabalho. Para Celestino, prosperar nunca significou acumular riquezas. “Nosso objetivo não é ser melhor do que ninguém ou enriquecer a qualquer custo. É prosperar, trabalhar com dignidade e alcançar nossos objetivos fazendo o que é certo.”

Ao longo das décadas, a Aprosoja Mato Grosso passou a fazer parte dessa caminhada. Segundo ele, a entidade se tornou uma importante aliada ao oferecer informações e suporte técnico que permitem ao produtor dedicar mais tempo ao que realmente importa: produzir.

“Ou a gente trabalha na fazenda ou cuida da burocracia. A Aprosoja MT ajuda justamente nisso. Quando precisamos de informações sobre logística, armazenagem ou outros assuntos importantes para o setor, ela já disponibiliza essas ferramentas. Isso facilita muito o nosso trabalho.”

Histórias como a de Celestino Piotto mostram que a agricultura não é feita apenas de máquinas, lavouras e números. Ela é construída por pessoas que transformam trabalho em propósito, preservam o legado de suas famílias e fazem da produção de alimentos um compromisso diário com toda a sociedade. É esse espírito que faz a diferença no campo e inspira as próximas gerações de produtores rurais.

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Agro Mato Grosso

Agrosolidário fortalece qualidade de vida de idosa atendida pelo CRAS de Campos de Júlio

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Em Campos de Júlio, no oeste de Mato Grosso, dona Maria Benedita dos Santos conhece cada metro da estrada que liga a pequena chácara onde mora ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município. Toda semana, ela faz o mesmo percurso a pé. São cerca de dois quilômetros caminhando até o lugar onde encontrou muito mais do que uma atividade para ocupar o tempo.

Foi ali que, aos 60 anos, ela descobriu novas amizades, aprendeu a transformar telhas em peças de artesanato e passou a receber a bebida de soja distribuído pelo programa Agrosolidário, iniciativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), que leva alimento e qualidade de vida a centenas de famílias em diferentes municípios do estado.   “Eu conheci a bebida de soja indo ao CRAS, onde faço o cursinho. Aí eu conheci esse produto, as meninas pegavam, eu também peguei e gostei”, comenta ela.

A simplicidade das palavras esconde a dimensão da mudança. Para dona Maria, sair de casa deixou de ser apenas um compromisso semanal e se tornou um momento de convivência, aprendizado e acolhimento. Enquanto aprende técnicas de artesanato ao lado de outras participantes, ela fortalece laços que hoje considera parte da família.
“As minhas amigas do CRAS também gostam da bebida de soja. Nós somos quase irmãs umas das outras, é muito forte a nossa amizade.”

A bebida de soja passou a fazer parte dessa rotina. Mais do que um alimento, dona Maria acredita que ele contribuiu para melhorar sua disposição e dar mais segurança aos movimentos do dia a dia. “Eu não podia ficar agachada. Para levantar, doía tudo. Agora não. Eu abaixo e já me levanto bem.”

Entre os sabores preferidos estão banana, laranja e uva. Pequenos detalhes que revelam o carinho com que fala de algo que passou a fazer parte da sua vida. “Eu gosto mais da bebida de soja porque é bom para a gente. Fortalece os ossos.”

Com felicidade, ela encontra motivos para agradecer até mesmo nos desafios da rotina. Caminhar deixou de ser um sacrifício e passou a representar independência. O CRAS deixou de ser apenas um espaço de atendimento e se transformou em um lugar de pertencimento.

Ao final da conversa, ela faz questão de agradecer às pessoas que tornam possível a continuidade do programa. “Agradeço ao Agrosolidário por trazerem a bebida de soja até nós. Eles sempre mandam para animar a gente quando estamos tristes. Agradeço a todos os envolvidos.”

Histórias como a de Dona Maria revelam que a solidariedade vai além da entrega de alimentos. Ela se manifesta na oportunidade de conviver, de aprender, de preservar a autonomia e de fortalecer vínculos.

No Agrosolidário, cada pacote de bebida de soja distribuído representa um compromisso com a segurança alimentar. Mas, para pessoas como a dona Maria, ele também simboliza cuidado, acolhimento e a certeza de que, ao final daqueles dois quilômetros percorridos toda semana, sempre haverá um lugar onde ela é esperada de braços abertos.

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Servidores denunciam compra de escultura por R$ 500 mil e energia solar por R$ 116 milhões

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu, nesta segunda-feira (3), um conjunto de 13 denúncias apresentadas por servidoras públicas de Rondonópolis que apontam supostas irregularidades em contratações e na aplicação de recursos públicos.

Na ocasião, foi destacado o volume de compras diretas, sem licitação, que, conforme o Platão, ferramenta de fiscalização do Tribunal, corresponde a 82% das contratações do município. Exemplos apresentados pelas denunciantes incluem a contratação de energia solar por inexigibilidade no valor de R$ 116 milhões e a compra de uma escultura por R$ 501 mil, contrariando o parecer técnico da procuradoria municipal.

“É um problema que nós estamos enfrentando em vários municípios, e o Tribunal de Contas já está trabalhando nisso. Hoje, em Mato Grosso, 62% das compras estão sendo feitas de forma direta. Ou seja, compra de qualquer jeito de quem quiser. Rondonópolis está acima da média, e a média já é alta”, alertou o presidente.

Diante da situação, Sérgio Ricardo determinou que o material seja encaminhado ao conselheiro-relator das contas de Rondonópolis, José Carlos Novelli. “Já está ocorrendo nesse momento uma auditoria em Rondonópolis, na questão dos livros. Sei que já há uma equipe trabalhando no município. Já vou encaminhar imediatamente para o relator. Tudo isso vai ser acrescentado à investigação que o Tribunal já está fazendo.”

Segundo a diretora Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (Sispem), Geane Lina Teles, o levantamento foi feito a partir de informações publicadas pelo próprio município. “Nenhum documento aqui foi tirado da minha cabeça. São dados da própria prefeitura. Nós começamos, dentro das nossas competências, a analisar esses documentos, e aí começamos a mandar para cá”, afirmou.

Ela também destacou a atuação do Tribunal, que vem intensificando o diálogo com gestores de todo o estado. “Eu quero agradecer ao Tribunal de Contas por abrir o espaço à sociedade, e o espaço de voz, que eu vou utilizar hoje representando a sociedade de Rondonópolis. Hoje, o grito de socorro é o Tribunal de Contas.”

A reunião integra a política de aproximação com a sociedade adotada pela gestão de Sérgio Ricardo, que ampliou os canais de atendimento direto a cidadãos, entidades e gestores municipais. “O Tribunal trata aqui de vários assuntos. As portas estão abertas na Presidência do Tribunal de Contas. São pessoas que pediram audiência aqui, e eu atendo todo mundo”, concluiu o presidente.

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