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21 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Lei do frete mínimo eleva custos de transporte do setor de fertilizantes em mais de 35%

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Prevista para iniciar na última segunda-feira (20), a intensificação da fiscalização eletrônica do Piso Mínimo de Frete, através do MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) — implantado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) com base na Lei 13.703/2018 — desperta questionamentos por parte do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos). A entidade avalia que a medida elevará os custos de transporte do setor em mais de 35% e defende a revisão de critérios da tabela da ANTT e a suspensão da cobrança de multas eletrônicas. “A nova precificação dos fretes ocasionará distorções não apenas no preço do serviço, mas também no preço dos alimentos, principalmente aqueles que integram a cesta básica”, destaca o engenheiro agrônomo Veríssimo Cubas, gerente executivo do Sindiadubos.

Cubas destaca que o setor de fertilizantes está mobilizado na defesa pela postergação da cobrança de multas por descumprimento da tabela vigente, que entrou em vigor neste mês, e a revisão dos critérios da tabela de frete mínimo. O Sindiadubos também defende uma adaptação da Lei 13.708/2018 ao real cenário de mercado, de logística e infraestrutura. Pois o texto atual não considera vários temas de mercado, como o próprio frete de retorno, tempo de carga e descarga, tempo útil dos equipamentos de transportes, dentre outros.

A Lei 13.703/2018 entrou em vigor após a greve dos caminhoneiros e a tabela de frete mínimo foi atualizada pela ANTT em junho de 2021. “A fiscalização eletrônica iniciada em outubro deste ano, está causando problemas à indústria de fertilizantes, especialmente em relação ao pagamento de 92% sobre o frete de retorno, o que é impossível para um setor que opera com margens de lucro de 3 a 4%”, aponta Cubas. Por isso, conforme o gerente do Sindiadubos, é necessário alertar a sociedade de que a medida causa um efeito cascata, já que não se trata apenas do preço mínimo de frete do transporte agrícola, mas de todas as atividades econômicas. “O setor de fertilizantes acaba por ser o mais afetado, devido ao nosso volume movimentado e envolve todo um planejamento logístico de levar os insumos do navio para a fábrica e da fábrica para a fazenda”, cita.

“A tabela do frete mínimo causa distorções, com fretes de curta e média distância, sendo a título de exemplo precificados a R$ 75/ton na tabela, mas custando R$ 180/ton no mercado, enquanto fretes de longa distância estão a R$ 380/ton na tabela e em torno de R$ 250/ton no mercado”, detalha o diretor executivo da Associação de Misturadores do Brasil (AMA Brasil), Antonino Gomes. De acordo com ele, essas discrepâncias, além da exigência do manifesto de frete eletrônico (MDF-e) e as multas aplicadas desde 1º de outubro, criam grande insegurança para as empresas de fertilizantes na contratação de fretes e impactam toda a cadeia produtiva. “A tabela de frete implementada causou desarmonia no livre comércio do setor de alimentos, resultando no encarecimento da produção agrícola e certamente na cesta básica”, pontua.

Segundo o gerente executivo do Sindiadubos, nesse momento é fundamental estabelecer uma discussão entre associações representativas, governo federal e empresas sobre a aplicação desses valores e qual a melhor saída para lidar com a implantação da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Para fomentar as discussões nas esferas dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), organização composta por 58 entidades representativas agropecuárias, está auxiliando os setores produtivos no contato com o Congresso Nacional. “O Ministério dos Transportes exigiu que fosse cumprida a Lei 13.703/2018 e, com isso, fosse aplicada a nova tabela de frete. Nosso setor apresentou para o IPA, que trabalha junta à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), um parecer destacando inconsistências sobre os valores e como isso irá inflacionar o mercado”, explica o diretor executivo da AMA.

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“Ao levar a discussão para o Congresso, entendemos a importância de discutir medidas para aprimorar os requisitos e aplicabilidade da tabela de frete”, afirma Cubas. Também com esse objetivo, o Sindiadubos realizará uma mesa de discussão sobre o tema na abertura do Simpósio NPK 2025, no próximo dia 30 de outubro. O painel terá a participação do presidente da Fertipar, Alceu Feldman, e dos deputados federais Pedro Lupion e Tião Medeiros, da FPA, para debater os desafios diante dos valores cobrados do setor por conta da tabela de frete mínimo da ANTT.

Simpósio Sindiadubos NPK 2025

Com o objetivo de tratar das tendências no agronegócio e das mudanças ocorridas até o momento, tanto no âmbito nacional quanto internacional, o Sindiadubos realizará, no próximo dia 30 de outubro, em Curitiba (PR), a 19ª edição do Simpósio NPK 2025. O evento deve reunir aproximadamente 1.000 participantes e 300 empresas da cadeia do agronegócio, desde produtores de fertilizantes no Brasil e no exterior, operadores logísticos até consumidores finais.

O simpósio contará com a seguinte programação: Painel de Discussão do Setor; Performance e Perspectivas do Setor em 2025 e 2026; Cenário Nacional e Internacional do Agronegócio e Projeções de Custo e Rentabilidade da Safra 2025/2026. O evento terá a participação do diretor-presidente do Sindiadubos, Aluísio Schwartz Teixeira; do analista de fertilizantes da Agroinvest, Jeferson Souza; e da expert em agronegócio, jornalista e apresentadora Kellen Severo.

As informações são da assessoria de imprensa.

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Fonte: Rodrigo Ramos / Agência Safras News



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MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

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Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga

A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.

Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.

O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.

Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.

Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).

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Persistência da família Ceni construiu parte da história de Santa Carmem

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Rudimar Ceni conta sobre a trajetória iniciada pelo pai, os desafios enfrentados, o trabalho que hoje divide com o filho e a fé na próxima geração, sua netinha

Na década de 70, um agricultor paranaense decidiu conhecer Sinop e encontrou uma cidade que ainda era pouco mais que uma promessa aberta na floresta. Não tinha nada por ali, mas ele se encantou com o que viu. Quatro anos depois comprou a área de terra em Santa Carmem que a família cultiva até hoje.

“Eu tenho muito orgulho do meu pai, porque ele foi um visionário. Ele veio conhecer Sinop em 1977, não tinha nada em Sinop, e ele se encantou com isso aqui. E daí em 1981 adquiriu essa área de terra. Tinha que desbravar tudo. Mas mesmo assim ele teve essa visão e veio”, conta Rudimar Ceni, produtor rural do Núcleo de Sinop da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

Naquele mesmo ano, Rudimar cursava faculdade em Curitiba e veio ao norte de Mato Grosso passar as férias de julho e conhecer a terra recém-comprada pelo pai. Voltou para a sala de aula sem conseguir tirar a região da cabeça. No ano seguinte, trancou a matrícula e resolveu criar raízes em Mato Grosso.  “Eu vim conhecer aqui em 1981, em julho. Fiquei apaixonado por isso aqui e já queria até ficar. Só que não me deixaram, queriam que eu terminasse a faculdade. Mas no ano seguinte eu não aguentei, tranquei a faculdade e em 1982 vim pra cá”, lembra. O cenário que encontrou exigia mais teimosia do que planejamento.

Não havia estrutura, e o trajeto entre Sinop e a fazenda era um obstáculo em qualquer época do ano. Os anos seguintes trouxeram um desafio: a mãe faleceu em 1993 e a família perdeu o eixo. O pai desanimou e chegou a considerar vender a propriedade. Rudimar, que mantinha um beneficiamento de madeira em Sinop, decidiu recomeçar longe dali.

“Não, eu já desisti, inclusive. Em 1993 minha mãe faleceu e o pai também deu uma boa desanimada, pretendia vender a fazenda e ir embora. Vendi o beneficiamento e fui embora para o Paraná”, afirma.

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A saída durou pouco. Em 1998, o pai mudou de ideia e decidiu entrar na agricultura. Bastou isso para que o filho refizesse o caminho de volta.“Aí eu fiquei louco e voltei pra cá de novo. E daí começamos na agricultura que está hoje”, diz.

A esposa Rudimar conheceu ainda no Paraná, onde se casaram antes de ela vir para Mato Grosso. Dessa união veio Felipe, hoje responsável por toda a parte financeira da propriedade. Ele acompanhava o avô no escritório e assumiu a função quando ele se aposentou.

A divisão de tarefas entre pai e filho funciona por afinidade.“Ele fica lá no escritório, na cidade, e eu fico mais aqui na fazenda. Eu gosto mais de ficar aqui”, revela. A sucessão já está no horizonte e ganhou uma personagem a mais. “Estou com esperança na minha neta. Estou com bastante esperança na minha neta. Ela é um espetáculo”, conta.

Aos 63 anos, Rudimar avalia que a escolha feita aos 19, segue valendo a pena em todos os ciclos que vieram depois e que ainda estão por vir. “A agricultura é uma coisa essencial no mundo, é o que leva a comida à mesa de cada um. É uma coisa que a gente tem orgulho de fazer. É cheia de riscos, a gente sabe que os riscos são enormes, mas a gente se acostumou. Vai passando um ano, vai entrando o outro e quando vê, está plantando de novo, está colhendo de novo. Eu tenho muito orgulho, sim”, finaliza.

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