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6 de maio de 2026

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Apenas o arroz com feijão é capaz de educar crianças e desmistificar o agro na cidade

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O Brasil vive hoje um debate essencial: como o agro aparece nos livros didáticos usados nas escolas. Quem acompanha sabe que, muitas vezes, os conteúdos apresentam o setor apenas pelo lado negativo, focaqndo em desmatamento, impactos ambientais e uso da água. Contudo, deixam de lado uma parte fundamental da história: o agro que gera emprego, renda, tecnologia e, principalmente, coloca comida de verdade na mesa dos brasileiros.

Foi por isso que surgiu o Domme (De Olho no Material Escolar), grupo que reúne produtores, acadêmicos, empresas, comunicadores e lideranças para cobrar equilíbrio na forma como o agro é retratado nos materiais de ensino.

Não se trata de maquiar problemas ou esconder impactos, mas de garantir que os jovens tenham acesso a uma visão completa, em que o campo aparece também como solução. Afinal, sem agro não há alimento, e sem alimento não há futuro.

Paralelamente, no meio urbano circulam muitos equívocos sobre o setor. É comum ouvir que “a irrigação consome quase toda a água do Brasil” ou que “a agricultura tira água que poderia abastecer as cidades”. Esse raciocínio, porém, é equivocado. A Rede Nacional de Irrigantes (Renai) vem mostrando que a irrigação moderna é altamente eficiente, com sistemas de gotejamento, microaspersão e pivôs centrais que devolvem parte da água ao ciclo natural.

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Além disso, estudos indicam que mais de 35% da água tratada nas cidades brasileiras se perde em vazamentos e redes mal cuidadas, ou seja, não é o campo o grande vilão. Apontar o dedo apenas para o agro é simplificar um problema complexo e afastar a população urbana de uma compreensão mais justa.

De um lado, livros escolares que muitas vezes reforçam visões parciais. Do outro, uma população urbana que repete mitos e informações distorcidas. Surge então a pergunta: como aproximar o agro da sociedade?

A resposta pode estar bem diante de nós: no Prato Feito com arroz e feijão.

O vendedor da loja de sapatos, a balconista da farmácia ou o dono da papelaria dificilmente percebem como um recorde na soja impacta sua vida. Mas quando falamos de arroz com feijão, tudo muda. Esse par inseparável está presente no almoço de milhões de brasileiros, do Norte ao Sul. É democrático, acessível e parte da identidade cultural do país. Mais que uma combinação, é um símbolo de pertencimento coletivo.

O feijão não é apenas uma cultura agrícola, é cultura alimentar. Ele traduz o que o agro tem de mais próximo da vida das pessoas: nutrição, tradição e saúde. Hoje, o brasileiro consome em média 14 quilos de feijão por ano, número que já foi bem maior. Resgatar esse hábito é também resgatar saúde pública, já que a dupla arroz e feijão garante proteína completa, fibras, ferro e vitaminas essenciais.

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Feijão unindo forças

E agora, o feijão convida todos os outros integrantes do Prato Feito, o arroz, a salada, a proteína e a farofa, para irem juntos às escolas. Lá, o desafio é plantar uma nova semente: a conscientização de que alimento de verdade vem do agro, vem da irrigação bem feita, vem de produtores que transformam água, terra e tecnologia em nutrição e vida.

Esse movimento não acontece sozinho. Estamos buscando parcerias com diversas instituições que possam ajudar a abrir caminhos. Entre elas, destacam-se as organizações de mulheres que trabalham pelo agro, seja de forma institucional, seja liderando frentes sociais e produtivas.

Grupos como as Agroligadas e tantas outras redes femininas já mostram sua força ao conectar campo e cidade, defender políticas públicas, fortalecer a educação alimentar e apoiar causas que vão além da porteira. Esse protagonismo feminino é fundamental para dar legitimidade à mensagem e ampliar o alcance da conscientização sobre alimentos de verdade.

Se quisermos corrigir distorções nos livros didáticos e combater informações erradas nas cidades, precisamos começar pelas crianças. Mostrar que o agro não é apenas exportação de commodities, mas também é alimento no prato, saúde pública e cultura nacional. Mostrar que o arroz com feijão é patrimônio, é proteína completa e é orgulho de um país que precisa valorizar mais a sua comida de verdade.

O desafio do agro não é só produzir mais, mas comunicar melhor. Aproximar o campo da cidade exige falar a mesma língua, e essa língua é o Prato Feito, que une o Brasil inteiro.

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Porque, diante do arroz com feijão, somos todos um só país. Viva o feijão!

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Cooperativas de SC faturam R$ 105,7 bi em 2025, alta de 15,8%

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Foto gerada por IA.

As cooperativas de Santa Catarina faturaram R$ 105,7 bilhões em 2025, avanço de 15,8% em relação ao ano anterior, de acordo com o Sistema Ocesc. Os dados foram divulgados em entrevista coletiva e teve como base levantamento realizado junto a 236 cooperativas do Estado. Em nota, representantes do Sistema Ocesc destacaram que o ritmo de crescimento foi três vezes superior ao da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período.

O desempenho também se refletiu nas sobras (equivalentes ao lucro no modelo cooperativista), que cresceram 30,8% e somaram R$ 7,3 bilhões. Os recursos serão destinados a investimentos, fundos estatutários e distribuição entre os associados.

Em 2025, mais de 370 mil pessoas ingressaram em cooperativas, elevando o total para 5,08 milhões de associados, o equivalente a 61% da população catarinense. “Somos o Estado mais cooperativista do Brasil”, afirmou o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, durante a apresentação dos dados em Florianópolis, segundo a nota.

Crédito supera 4 milhões de associados

O ramo de crédito lidera em número de cooperados, com mais de 4 milhões de associados, seguido pelas cooperativas de infraestrutura (469 mil), consumo (467 mil) e agropecuária (84,9 mil). Ao todo, o sistema emprega diretamente 109,7 mil pessoas, após a criação de 7.301 vagas em 2025, um crescimento de 15,8% no quadro funcional.

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A carga tributária também aumentou. As cooperativas recolheram R$ 4,4 bilhões em impostos sobre a receita bruta no ano passado, alta de 12,9% na comparação anual.

Agro lidera receitas e empregos

O ramo agropecuário manteve a liderança dentro do cooperativismo catarinense, respondendo por 60% das receitas totais e 62% dos empregos diretos. As 45 cooperativas do segmento somaram R$ 63 bilhões em faturamento, crescimento de 10%, e geraram mais de 4 mil novas vagas, totalizando 68 mil postos de trabalho.

No comércio exterior, as cooperativas agropecuárias exportaram US$ 2,18 bilhões, o equivalente a 17,9% das exportações do estado e 38,9% dos embarques de aves e suínos. Entre os principais produtos estão cereais, proteínas animais, fertilizantes, lácteos e frutas. Os investimentos também seguem robustos. Em 2025, o setor aplicou R$ 1,34 bilhão em ampliação e modernização industrial. Para 2026, estão previstos aportes de R$ 1,53 bilhão.

O segmento de crédito registrou receitas de R$ 28,7 bilhões, alta de 36% em relação a 2024, mantendo-se como o segundo maior em faturamento. Já o ramo de saúde alcançou R$ 7,7 bilhões em receitas (+10%) e criou 800 empregos, totalizando 13,7 mil trabalhadores. As cooperativas de infraestrutura, focadas principalmente na distribuição de energia elétrica, somaram R$ 2,2 bilhões em receitas (+9%) e atendem cerca de 469 mil associados. Outros segmentos reuniram 475 mil cooperados e faturaram R$ 3,8 bilhões.

No acumulado de seis anos, as receitas do sistema cooperativista catarinense mais que dobraram, com alta de 126%, passando de R$ 46,8 bilhões em 2020 para R$ 105,7 bilhões em 2025. O desempenho reforça o papel do setor como um dos principais motores da economia estadual, especialmente nas cadeias do agronegócio, que respondem por cerca de 30% do PIB de Santa Catarina e 70% das exportações.

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Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluíram, nesta segunda-feira (5), em Araguari (MG), a série de encontros presenciais do programa “Fortalecendo o Trabalho Digno”.

A ação, voltada ao período pré-colheita da safra 2026 de café, teve foco na transferência de conhecimento sobre boas práticas trabalhistas nas propriedades rurais.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), a Coocacer Araguari, a Starbucks e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Segundo as entidades, o objetivo foi ampliar a orientação técnica aos agentes da cadeia cafeeira com base no diálogo social e na conformidade legal.

Durante o encontro, o chefe do Setor de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Uberlândia, Marco Antônio Ferreira Costa, apresentou os instrumentos legais disponíveis para contratação de mão de obra no meio rural, considerando as características de cada atividade desenvolvida nas fazendas.

A programação também incluiu explicações sobre prevenção ao trabalho análogo ao de escravo e ao trabalho infantil.

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Outro eixo técnico foi a saúde e segurança do trabalho, com destaque para a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) no campo. A ferramenta é usada para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais, com o objetivo de reduzir acidentes e organizar medidas preventivas antes do início das atividades mais intensas da colheita.

De acordo com o Cecafé, a devida diligência em direitos humanos foi tratada como elemento de gestão e de acesso a mercados, especialmente em cadeias exportadoras submetidas a exigências de rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade.

As entidades não divulgaram o número total de encontros realizados nem a quantidade de participantes desta edição.

O encerramento da série ocorre às vésperas da colheita e reforça a preparação técnica do setor para a safra 2026. A tendência, segundo os organizadores, é de continuidade das ações de orientação para reduzir riscos trabalhistas e fortalecer a adequação das propriedades às exigências legais e comerciais.

Fonte: cecafe.com.br

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Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina

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Foto: FPA

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que são necessários ao menos R$ 180 bilhões para renegociação das dívidas rurais.

“O governo ofereceu cerca de R$ 80 bilhões, do dinheiro que sobrou do Plano Safra que não conseguiram aplicar. Mas precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para começar a resolver o problema, já que as dívidas estressadas passam de R$ 800 bilhões”, disse a parlamentares da bancada durante reunião-almoço semanal.

O Ministério da Fazenda negocia com o Senado novas medidas para repactuação das dívidas rurais, dado o crescente endividamento do setor.

A ex-ministra afirmou que o “dilema” atual é buscar as fontes de recursos para as linhas de crédito para renegociação. “Apresentamos no projeto de lei 5122/2023 R$ 30 bilhões de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, que seriam insuficientes, mas o governo sinaliza não concordar com o uso dos recursos”, esclareceu a senadora.

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Tereza Cristina afirmou ainda que a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda necessita de ajustes. “Precisamos de uma coisa mais estruturante. Estamos conversando sobre outras receitas novas. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos], e o ministro da Agricultura, André de Paula, entenderam que o problema não é pontual”, defendeu a senadora.

A ex-ministra também lembrou que o enfrentamento das dívidas rurais depende de medidas do governo federal. “Não adianta ficar batendo no governo”, alertou aos seus colegas parlamentares. “Precisamos que o governo tenha vontade e abra caminho para usar fundos constitucionais”, apontou, citando a possibilidade de utilizar R$ 18 bilhões do Fundo Constitucional para o Nordeste.

“R$ 2 bilhões que tínhamos pensado já foram usados ontem”, pontuou. “O governo terá receita extraordinária de R$ 128 bilhões adicionais por aumento do petróleo. Há receitas, é preciso ver o caminho que o governo vai apontar”, pontuou .

Caso governo e Senado não avancem no tema, o PL 5122 pode ser votado na próxima semana na CAE.

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