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27 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa – 26/09/2025 – MAIS SOJA

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O algodão segue em faixa estreita de preços (66–69 c/lb), mas se aproximando cada vez mais do limite inferior desta banda. Cortes de juros nos EUA e exportações estáveis impediram queda maior. Somente um fato novo pode mudar essa monotonia: clima nos EUA, lei de incentivo ao uso de algodão, avanço comercial China–EUA.

Canal do Cotton Brazil – Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.

Algodão em NY – O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 25/set cotado a 66,28 U$c/lp (-0,9% vs. 18/set). O contrato Dez/26 fechou em 69,35 U$c/lp (-0,5% vs. 18/set).

Basis Ásia – O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 783 pts para embarque Out/Nov-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 25/set/25.

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Altistas 1 – Preços baixos curam preços baixos: se os preços continuarem abaixo do custo, produtores de todas as regiões migrarão para outras culturas com melhores margens.

Altistas 2 – Rolagem de compras não fixadas para Mar/26. A migração alivia a pressão imediata sobre o contrato dez/25 e dilui o desequilíbrio “on-call”. Com menos urgência para fixar.

Altistas 3 – Exportações semanais dos EUA seguem razoáveis para a época. A presença constante de compradores em Ásia e Mediterrâneo mostra que, a preços atuais, existe consumo “real” a ser atendido.

Altistas 4 – Relatos de estoques um pouco menores indicam que a indústria Chinesa não está superabastecida. Em momentos de reposição, a demanda marginal tende a vir do exterior, principalmente Brasil.

Baixistas 1 – Demanda fraca no varejo: consumo global estagnado, e poucos pedidos para as fábricas.

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Baixistas 2 – O mercado de algodão continua plenamente abastecido com a grande oferta e demanda limitada, embora com apenas estoques mínimos de “reserva” nas fiações.

Baixistas 3 – Tarifas e incertezas comerciais travam investimentos e pedidos com prazos mais longos.

Baixistas 4 – Fundos especulativas seguem fortemente vendidos, rolando posições de dezembro para março e aproveitando o carry (~200 pontos)

Oferta – A Cotlook revisou para baixo a previsão da produção global de algodão em 2025/26 para 25,9 milhões tons (-82 mil tons). Reduções na ZFA, Turquia e Paquistão superaram os aumentos nas estimativas para China, EUA e Índia.

Demanda – A estimativa de consumo global de algodão para 2025/26 é de 25,4 milhões tons, representando uma redução de 0,7% frente às 25,6 milhões tons em 2024/25.

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Brasil – O Brasil pode bater novo recorde na produção de algodão, com a safra 2024/25 estimada em 4,11 milhões tons, conforme anunciado pela Abrapa durante reunião da Câmara Setorial com Mapa, Anea e BBM.

EUA 1 – Condições das lavouras dos EUA na ultima semana: 6% muito ruim, 12% ruim, 35% regular, 37% boa e 10% excelente.

EUA 2 – As condições pioraram na semana com boas+excelentes caindo de 52% para 47%, e muito ruim+ruim subindo de 14% para 18%. Em comparação com a média, entretanto, a condição média da safra é excelente.

China 1 – A China Cotton Association divulgou produção de 7,216 milhões tons.

China 2 – A previsão do Cotlook para o consumo de algodão na China para 2025/26 foi elevada para 8,42 milhões tons após revisão positiva dos dados de 2024/25.

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China 3 – Importações chinesas de algodão em agosto foram de 72.714 tons (+37% vs julho, -50% vs ago/2024). Austrália foi o principal fornecedor (77%), seguida pelo Brasil (15%), e EUA, com apenas 1% (vs 30% em 2024).

Vietnã 1 – O mercado vietnamita segue moderado, com alta de cerca de 100 pontos no algodão Mid 37 do Brasil.

Vietnã 2 – O basis para algodão australiano LM 37 se fortaleceu, enquanto a demanda por algodão brasileiro tipo 36 está fraca, exigindo basis abaixo de 600 pontos para atrair interesse, com compradores preferindo fibra 37.

Vietnã 3 – As fiações vietnamitas continuam com vendas de fio abaixo da média, mas registraram demanda mais forte na primeira quinzena de setembro da China e de Hong Kong.

Vietnã 4 – O fortalecimento do CNY frente ao USD (1% em set) tornou o fio vietnamita mais barato para compradores chineses. O fio vietnamita está atualmente 5 a 15 centavos/kg mais barato que o chinês, com oferta doméstica chinesa firme.

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Bangladesh 1 – Bangladesh já contratou cerca de 200 mil tons de algodão, com projeção de comprar até 500 mil tons do Brasil até jul/2026, representando 28% de suas importações totais.

Bangladesh 2 – O consumo projetado é de 1,76 milhão de tons. A participação dos EUA pode crescer por acordos tarifários, enquanto a Índia pode perder espaço devido aos altos preços.

Bangladesh 3 – As importações de algodão de Bangladesh em agosto foram de 133.122 tons (-12% vs ago/2024). ZFA foi o principal fornecedor (31%), seguida por Brasil e Austrália (17% cada), EUA (15%) e Índia (12%).

Índia – Apesar de uma queda de 5% na área plantada, a produção de algodão 2025/26 da Índia é estimada pela Cotlook em cerca de 5,19 milhões tons (99% do total da safra anterior).

Paquistão – Clima quente e seco persiste no cinturão do algodão. Observadores locais estimam a produção entre 1,02 – 1,19 milhão tons.

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Austrália – A Cotton Compass estima a produção da safra 24/25 em 1,18 milhão tons (1,04 milhão irrigadas + 138 mil de sequeiro).

Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 104,6 mil tons nas três primeiras semanas de setembro/25. A média diária de embarque é 13,6% menor que no mesmo mês em 2024.

Colheita 2024/25 – Até o dia de ontem (25/09) foram colhidos no estado da BA (98,6%), GO (99,11%), MA (100%), MG (100%), MS (100%), MT(100%), PI (100%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 99,74%.

Beneficiamento 2024/25 – Até o dia de ontem (25/09) foram beneficiados nos estados da BA (64%), GO (73,75%), MA (38%), MG (69%), MS (65%), MT (39%), PI (70,5%), PR (100%) e SP (97%). Total Brasil: 45,99%.

Preços – Consulte tabela abaixo 

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Quadro de cotações para 25-09

Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil – cottonbrazil@cottonbrazil.com

Fonte: Abrapa



 

FONTE
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Autor:ABRAPA

Site: Abrapa

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Ceema: Alta em Chicago e geopolítica impulsionam cotações da soja no Brasil – MAIS SOJA

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Nestes quase 30 dias em que estivemos ausentes deste comentário, o mercado da soja registrou importante elevação das cotações em Chicago. O bushel da oleaginosa passou de US$ 12,56 no dia 27/08 para US$ 13,28 no dia 21/09, tendo recuado um pouco após esta data, para fechar a quinta-feira (24) em US$ 13,16, contra US$ 13,19 uma semana antes. Destacando que a média de agosto chegou a US$ 11,98/bushel, com aumento de 0,17% sobre a média de julho, porém, neste momento estando longe dos preços praticados.

Este forte aumento em Chicago, além das especulações climáticas sobre a safra dos EUA, vem da pressão do preço do petróleo no mercado mundial, com o mesmo tendo atingido a pouco mais de US$ 100,00/barril neste período de setembro, devido a continuidade da guerra no Oriente Médio e da piora no conflito entre Rússia e Ucrânia.

Aliás, na Europa existe um grande temor de que este último saia da região dos dois países em conflito e se espalhe pelo continente, resultando em uma guerra mais ampla e destruidora. Alguns analistas chegam a falar que o mundo estaria às portas da 3ª Guerra Mundial. Junta-se a isso a forte especulação dos Fundos em Chicago.

Dito isso, importante se faz alertar que o último relatório do USDA, sobre oferta e demanda, divulgado neste mês de setembro, não revelou perdas na futura safra de soja dos EUA cuja colheita iniciou neste mês de setembro. Ao contrário, o mesmo até aumentou a produção esperada, agora indicando uma colheita de 123,4 milhões de toneladas, com estoques finais estadunidenses em 8,4 milhões, com pequena baixa em relação a agosto. Já a produção mundial foi mantida em 442 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais mantidos em 124 milhões. Por sua vez, mesmo com o aumento no preço mundial do petróleo, o óleo de soja, após atingir a 71,28 centavos de dólar por libra-peso no dia 10/09, recuou para 66,82 centavos no dia 24/09, sendo esta a quarta mais baixa cotação desde o dia 30 de junho em Chicago.

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Por sua vez, o farelo se manteve firme, atingindo a US$ 375,20/tonelada curta no dia 24/09, a mais alta cotação desde o dia 11 de julho de 2024. Enfim, lembrar que os Fundos estão muito comprados em Chicago devendo, assim que a ocasião se apresentar, iniciar um movimento mais amplo de correção, vendendo contratos, fato que pode pressionar para baixo as cotações dependendo da intensidade do movimento.

Por outro lado, os embarques de soja, pelos EUA, na semana encerrada em 17/09, chegaram a 759.200 toneladas, superando levemente as expectativas do mercado. Na comparação anual, o desempenho também foi superior, já que na mesma semana de 2025 haviam sido embarcadas 565.600 toneladas, o que representa crescimento de aproximadamente 34%. A China respondeu por 59% destes embarques.

Enquanto isso, a colheita da soja nos EUA atingia a 12% da área no dia 20/09, contra 8% na média histórica. De forma mais conjuntural, nesta semana os preços brasileiros da soja se mantiveram firmes, em alta. No Rio Grande do Sul, onde muitas praças estão sem cotação, a média semanal atingiu a R$ 141,72/saco. No final de agosto esta média estava em R$ 131,38. Ou seja, no período o saco de soja ganhou pouco mais de 10 reais junto ao produtor gaúcho. Nas demais praças nacionais o produto oscilou entre R$ 139,00 e R$ 145,00/saco. Um mês atrás os valores ficavam entre R$ 130,00 e R$ 140,00/saco. Ou seja, um aumento entre 5 e 9 reais por saco no período, dependendo da região do país. Auxiliou para isso a boa demanda pelo produto nacional, a relativa escassez do mesmo agora na entressafra, fato que elevou o prêmio nos portos (US$ 1,85/bushel para setembro, em Paranaguá), e a manutenção de um câmbio ao redor de R$ 5,15 por dólar.

No front externo, o mercado olha os resultados da nova reunião entre os presidentes da China e dos EUA. Xi Jinping chegou nesta quinta-feira (24) à capital norteamericana. Dentre os assuntos em discussão, existe a possibilidade de aumento nas compras de soja estadunidense pela China, fato que fortalece Chicago. Já no front interno, destaque para o início do plantio da nova safra de soja no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. No conjunto do país, 0,5% da área esperada havia sido semeada até o dia 18/09. Vale lembrar que no Mato Grosso, no momento, há umidade insuficiente no solo para um plantio adequado.

Enfim, embora os preços tenham perdido um pouco de fôlego nestes últimos dias, o produto posto nos portos segue com preços firmes. Para a soja disponível os mesmos seguem acima dos R$ 160,00/saco, enquanto a soja da safra 2026/27 continua trabalhando acima dos R$ 150,00 nos portos (R$ 155,00 para entrega em fevereiro e pagamento em abril, e R$ 151,00 para entrega em março, também com pagamento em abril).

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Sustentabilidade

Como ficaram as cotações da soja no fim desta semana? Saiba os preços por região

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com poucas alterações nesta sexta-feira (25), em um ambiente de baixa movimentação e poucas ofertas. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que algumas praças do mercado interno registraram recuo nos preços, com certo alívio nos basis locais.

Nos portos, o cenário permaneceu parado, sem reporte de movimentos firmes. Segundo Silveira, o quadro geral foi de poucas ofertas e de um mercado bastante travado, situação que também predominou ao longo da semana.

Na Bolsa de Chicago, a sessão foi marcada por bastante volatilidade, com o mercado encerrando com leves ganhos no spot. O dólar atingiu bons níveis ao longo do dia e ajudou a segurar os movimentos de queda registrados em tela.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 156,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 157,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 151,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 147,50 para R$ 148,00
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 148,00 para R$ 147,00

Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca seguiu em R$ 162,00. Em Rio Grande (RS), as referências não saíram de R$ 164,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira (25). Após operar em baixa durante parte da sessão, o mercado reverteu o movimento, enquanto os participantes seguem à espera de detalhes dos acordos comerciais entre Estados Unidos e China após a cúpula realizada na quinta-feira (24).

Embora o governo dos Estados Unidos tenha informado que acordos comerciais foram firmados para determinados produtos, os detalhes serão divulgados apenas na segunda-feira. A aguardada cúpula entre os dois países, até o momento, não resultou em novos compromissos chineses para compras de produtos agrícolas norte-americanos.

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A queda do petróleo pressionou as cotações durante a sessão. Os preços recuaram diante de notícias sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz, após o barril superar US$ 108 na sessão anterior.

Em sentido contrário, as chuvas persistentes no Meio-Oeste dos Estados Unidos atrasam o início da colheita em algumas regiões e restringem a oferta disponível para processamento.

Contratos futuros da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 2,25 centavos de dólar ou 0,17%, a US$ 13,19 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,32 3/4 por bushel, com avanço de 1,00 centavo de dólar ou 0,07%.

Na semana, a posição novembro/26 registrou ganho acumulado de 1,25%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,80 ou 0,48%, a US$ 370,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,84 centavos de dólar, com ganho de 0,29 centavo ou 0,42%.

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Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,1847 para venda e a R$ 5,1827 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1732 e a máxima de R$ 5,2137. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,72% ante o real.

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Sustentabilidade

Ceema: Quebra de safra, problemas de qualidade e importações aquecem o mercado do Trigo – MAIS SOJA

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Após disparar no final de agosto e início de setembro, quando o bushel atingiu a US$ 7,64 no dia 1º do corrente mês, a cotação do trigo, em Chicago, cedeu bastante, fechando a quinta-feira (24) em US$ 7,05, contra US$ 7,27 uma semana antes. A média de agosto ficou em US$ 6,76/bushel, ganhando 4,3% sobre a média de julho.

Apesar dos conflitos bélicos, especialmente entre Rússia e Ucrânia, o mercado do trigo cedeu, e vem oscilando em patamares menores nesta segunda quinzena de setembro. Enquanto isso, o plantio do trigo de inverno, nos EUA, chegava a 17% da área esperada no dia 20/09, contra 21% na média histórica. Já o trigo de primavera estava com 96% de sua área colhida relativa a última safra.

Quanto às exportações, na semana encerrada em 17/09 as mesmas atingiram a 335.300 toneladas nos EUA, ficando dentro das expectativas do mercado. Importante lembrar que o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 11/09, manteve uma safra reduzida de trigo nos EUA, com 41,7 milhões de toneladas e estoques finais, para 2026/27, em 19,5 milhões. No ano anterior a colheita e os estoques atingiram, respectivamente, 54 e 25 milhões de toneladas. Ou seja, a atual produção estadunidense é 22,8% menor do que a do ano anterior, enquanto os estoques finais são 22% menores. Já a produção mundial somaria 822,4 milhões de toneladas, ficando 22 milhões de toneladas menor do que a registrada no ano anterior. E no Brasil os preços subiram, com o cereal atingindo a média de R$ 71,94/saco no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná o produto atingiu valores entre R$ 79,00 e R$ 82,00/saco.

As condições das lavouras paranaenses pioraram diante das geadas tardias e do excesso de chuvas dos últimos dias. Com 46% da área colhida, apenas 64% das lavouras restantes se apresentavam em boas condições. O produto colhido apresenta baixa qualidade industrial, na maioria dos casos, enquanto a produtividade média está em recuo. Em termos gerais, aumenta a presença de trigo tipos 2 e 3, enquanto o produto de qualidade superior, tipo 1, está com menor disponibilidade.

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No Rio Grande do Sul a colheita ainda está distante, com apenas 1% da área realizada, e as constantes e significativas chuvas, acompanhadas de granizo e ventos fortes, vêm causando estragos nas lavouras. Nesta safra, o Estado gaúcho plantou 814.000 hectares com trigo, uma queda de 30% em relação ao ano anterior, e projeta uma produção quase 40% menor, estimada em cerca de 2 milhões de toneladas.

Assim, a disponibilidade de trigo será ainda menor no Brasil, após o forte recuo na área semeada. Isso eleva o preço interno do cereal e obriga o país a importar mais no ano comercial 2026/27. “A desuniformidade no desenvolvimento das lavouras é uma das marcas da atual safra gaúcha”. Afora tudo isso, as lavouras do sul do país está sendo atacadas por diferentes doenças, especialmente oídio e giberela.

Por enquanto, a Conab ainda projeta uma safra nacional de 5,7 milhões de toneladas (recuo de 27,1% sobre o ano anterior), porém, a qualidade do produto será baixa em grande parte das áreas colhidas. Com isso, as importações nacionais de trigo devem ficar entre 7 e 8 milhões de toneladas. Boa parte deverá vir da Argentina, porém, a dificuldade de produção em outras regiões do mundo tende a aumentar a concorrência pelo trigo do vizinho país.

Em tal contexto, para o produtor, “em um cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1, lotes que mantenham PH, força de glúten e demais parâmetros exigidos pela indústria podem encontrar valorização relativa, enquanto grãos de classificação inferior ficam mais expostos a descontos. Já para os moinhos, a questão será inversa: saber quanto da safra doméstica poderá efetivamente entrar na produção de farinha e quanto precisará ser substituído por produto argentino ou de outras origens” (cf. Cepea).

Enfim, se por um lado a safra menor sustenta as cotações, por outro lado será a qualidade do produto que definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: os ganhos ficarão com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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