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7 de maio de 2026

Sustentabilidade

Banco de sementes de plantas daninhas: impacto da cobertura do solo e do manejo químico na redução – MAIS SOJA

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Algumas espécies de plantas daninhas apresentam uma grande capacidade reprodutiva, com elevado potencial em produzir sementes. Dependendo da espécie, a produção de sementes por planta pode chegar a 250.000, havendo relados na literatura de plantas com produção de sementes superior a 1 milhão, como é o caso do Amaranthus palmeri, popularmente conhecido como caruru gigante (Gazziero & Silva, 2017).

Assim como o caruru, diversas espécies daninhas do sistema de produção agrícola se reproduzem por sementes, as quais podem ser dispersas por distintos agentes dispersantes, dependendo das características das sementes. Essas sementes passam a integrar o banco de sementes do solo e podem permanecer viáveis por longos períodos, até que condições ideais de temperatura, umidade e luminosidade estimulem a germinação.

Sob condições favoráveis, essas sementes germinam e originam fluxos de emergência de plantas daninhas, que acabam infestando as culturas agrícolas. É importante destacar que algumas sementes apresentam particularidades quanto à exigência de luz para a germinação, sendo classificadas em três grupos: fotoblásticas positivas (necessitam de luz para germinar), fotoblásticas negativas (germinam na ausência de luz) e fotoblásticas neutras (germinam independentemente da luminosidade).

Nesse contexto, a cobertura do solo com palhada é uma das principais estratégias utilizadas para reduzir a germinação das sementes fotoblásticas positivas. A palhada na superfície do solo atua como uma barreira física, restringindo a chegada de luz no banco de sementes do solo. Esse fator é determinante para reduzir os fluxo de emergência de espécies que dependem de luz para germinar como a buva (Conyza sp.).

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Segundo  Yamashita & Guimarães (2011), além de temperatura e umidade, a germinação da buva é fortemente influenciada pela luminosidade, sendo que as sementes de Conyza canadensis e Conyza bonariensis germinação apenas na presença de luz. De acordo com Yamashita & Guimarães (2015) e corroborado por Rodrigues et al. (2024), o aumento da fitomassa seca/palhada na superfície do solo reduz substancialmente a germinação das sementes de buva (figura 1), independentemente da natureza da palhada (culturas de cobertura ou comerciais).

Figura 1. Emergência de plântulas de Conyza, sob quantidades crescentes de palha de milho.
Fonte: Yamashita & Guimarães (2015)

O mesmo é válido para outras espécies daninhas consideradas fotoblásticas positivas. Estudos demonstram que em sistemas de produção em que prevalece a cobertura do solo, há uma redução acentuada das populações de planta daninhas, contribuindo para um melhor estabelecimento inicial da cultura no campo e também redução da matocompetição.

Figura 2. Densidade de plantas daninhas. A) Com pousio; e, B) Sem pousio (com palhada da cultura anterior).
Fonte: Skora Neto (2022)

Além de restringir a passagem de luz, a biomassa de algumas espécies vegetais utilizadas como plantas de cobertura pode conter substancias alelopáticas que afetam a germinação de sementes de plantas daninhas. Dentre as principais espécies com alelopatia conhecida que atuam inibindo a germinação de algumas plantas, destacam-se o azevém (Lolium multiflorum) (Moraes et al., 2009).

Como consequência da redução dos fluxos de emergência e da população de plantas daninhas, ocorre também menor produção e dispersão de sementes no banco de sementes do solo, o que contribui para o manejo dessas plantas no sistema de produção agrícola. Outra alternativa para reduzir o banco de sementes do solo é o controle químico com o emprego dos herbicidas pré-emergentes.



Os herbicidas pré-emergentes atuam diretamente no banco de sementes do solo, em sementes em processo de germinação. Ao inviabilizarem a germinação dessas sementes, esses herbicidas reduzem consequentemente os fluxos iniciais de emergência de plantas daninhas, reduzindo indiretamente a produção e dispersão de sementes por essas populações.

Pesquisas demonstram que quando aplicados de acordo com as recomendações técnicas da cultura, os herbicidas pré-emergentes reduzem substancialmente a emergência das plantas daninhas, afetando consequentemente a produção de sementes e aporte ao banco de sementes do solo.

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Figura 3. Testemunha (a esquerda), tratamento com herbicidas pré-emergente (a direita) visando o controle do azevém em trigo.
Fonte: Rede Técnica Cooperativa – RTC (2021)

De acordo com Pedroso; Avila Neto; Dourado Neto (2020), o  controle dos fluxos de emergência das plantas daninhas é ainda superior quando os herbicidas pré-emergentes utilizados apresentam mais de um principio ativo ou mecanismo de ação em sua formulação, ampliando o espectro de ação no controle das populações infestantes.

Tabela 1. Percentagens de controle de caruru (Amaranthus spp.) registradas aos 39 dias após a pulverização do herbicida.
¹ Os tratamentos com herbicidas foram pulverizados após a semeadura da soja; 2Os tratamentos com herbicidas foram pulverizados antes da semeadura; 3Médias significativamente diferentes de acordo com o teste HSD de Tukey (p≤0,05) são indicados por diferentes letras minúsculas dentro de uma coluna; ns nenhuma diferença significativa entre médias consecutivas, segundo o teste HSD de Tukey (p≤0,05); 4Meios significativamente diferentes de acordo com o teste HSD de Tukey (p≤0,05) são indicados por diferentes letras maiúsculas dentro de um fileira. Adaptado: Pedroso; Avila Neto; Dourado Neto (2020)

Veja mais: Importância da palhada na eficácia dos herbicidas residuais na soja


Com isso em vista, adotar estratégias de manejo que garantam boa cobertura do solo, associadas ao uso de herbicidas pré-emergentes (preferencialmente formulados com dois ou três ingredientes ativos como o ZethaMaxx®Evo) contribui de forma efetiva para reduzir os fluxos de emergência das plantas daninhas. Como resultado, diminui-se o número de indivíduos capazes de produzir sementes e reforçar o banco de sementes do solo, favorecendo o estabelecimento dos cultivos sucessores.

Referências:

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 02/09/2025.

MORAES, P. V. D. et al. MANEJO DE PLANTAS DE COBERTURA NO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DO MILHO. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 27, n. 2, p. 289-296, 2009. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pd/v27n2/11.pdf >, acesso em: 02/09/2025.

PEDROSO, R. M; AVILA NETO, R. C.; DOURADO NETO, D. PRE-EMERGENT HERBICIDE APPLICATION PERFORMED AFTER CROP SOWING FAVORS PIGWEED (Amaranthus spp.) AND WHITE-EYE (Richardia brasiliensis) CONTROL IN SOYBEANS. Revista Brasileira de Herbicidas vol. 19, n. 01, p. 1-8, jan.-mar, 2020. Disponível em: < http://www.rbherbicidas.com.br/index.php/rbh/article/view/717 >, acesso em: 02/09/2025.

RODRIGUES, P. J. A. W. et al. USO DE CULTURAS DE COBETURA COMO FERRAMENTA NA ESTRATÉGIA DE MANEJO DE BUVA. Revista Caderno Pedagógico, 2024. Disponível em: < https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/5588/3738 >, acesso em: 02/09/2025.

SKORA NETO, F. MANEJO SUSTENTÁVEL DE PLANTAS DANINHAS: FUNDAMENTOS PARA UM SISTEMA DE PLANTIO DIRETO SEM HERBICIDA. IDR-Paraná, 2022. Disponível em: < https://www.idrparana.pr.gov.br/Pagina/L18 >, acesso em: 02/09/2025.

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YAMASHITA, O. M.; GUIMARÃES, S. C. EMERGÊNCIA DE PLÂNTULAS DE CONYZA CANADENSIS E Conyza Bonariensis EM SOLO COBERTO COM PALHA DA CULTURA DE MILHO. Evidência, 2015. Disponível em: < https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/8814611.pdf  >, acesso em: 02/09/2025.

YAMASHITA, O. M.; GUIMARÃES, S. C. GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE Conyza canadensis E Conyza bonariensis EM DIFERENTES CONDIÇÕES DE TEMPERATURA E LUMINOSIDADE. Planta Daninha, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pd/a/4tfpXDcshgRdVWj5d4DpxVt/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 02/09/2025.

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Sustentabilidade

Preço da soja no Brasil não resiste à nova queda de Chicago: veja as cotações

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Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve mais uma sessão de pouca movimentação, com negócios pontuais e ritmo lento tanto nos portos quanto no mercado interno.

De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, o cenário segue marcado pela cautela dos agentes e pelas cotações enfraquecidas.

Ao longo do dia, o analista menciona que a Bolsa de Chicago operou em queda, enquanto os prêmios não conseguiram compensar o movimento recente de baixa. "As ofertas continuam depreciadas em termos de valor", acrescenta.

Nos portos, o ritmo seguiu limitado, assim como no mercado doméstico. Segundo Silveira, o ambiente também é influenciado pela expectativa em torno do próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Todo mundo está esperando os números da próxima semana, que serão divulgados na próxima terça-feira, dia 12”, resume.

Preços médios da saca de soja

  • Passo Fundo (RS): R$ 122,50
  • Santa Rosa (RS): R$ 123,50
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 118,50 para R$ 118
  • Rondonópolis (MT): R$ 107,50
  • Dourados (MS): R$ 110,50
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 109,50 para R$ 109
  • Porto de Paranaguá (PR): baixou de R$ 128,50 para R$ 128
  • Porto de Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 128,50

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quinta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas acima das mínimas do dia.

Silveira pontua que o comportamento de outros mercados, principalmente do petróleo, foi determinante para as oscilações da soja, em dia de muita volatilidade e de ajustes.

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O petróleo iniciou o dia com fortes perdas, mas reduziu a retração na parte da tarde, chegando até mesmo a operar no território positivo.

“Tudo gira em torno das negociações entre Irã e Estados Unidos em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio. A falta de novidades trouxe certo ceticismo ao mercado”, relata o analista.

Contratos futuros

soja preço baixo guerra comercial
Foto: Pixabay/ Arte Canal Rural
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 2,50 centavos de dólar, ou 0,2%, a US$ 11,92 1/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,86 3/4 por bushel, com retração de 2,25 centavos de dólar ou 0,18%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,50% a US$ 318,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 74,15 centavos de dólar, com perda de 0,87 centavo ou 1,15%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,05%, sendo negociado a R$ 4,9222 para venda e a R$ 4,9202 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,8954 e a máxima de R$ 4,9304.

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Sustentabilidade

Colheita do arroz alcança 96,41% da área cultivada no RS – MAIS SOJA

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A colheita do arroz no Rio Grande do Sul atingiu 96,41% da área cultivada nesta primeira semana de maio. O levantamento foi realizado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e divulgado nesta quinta-feira (7/5).

Do total de 891.908,50 hectares destinados ao cultivo na safra 2025/2026, a maior parte das lavouras já foi colhida, consolidando o avanço dos trabalhos nas principais regiões produtoras do Estado.

As regionais da Zona Sul e da Planície Costeira Externa lideram os índices de colheita e estão mais próximas do encerramento das operações, com 98,81% e 98,46% das áreas colhidas, respectivamente.

Na sequência aparecem a Planície Costeira Interna, com 98,13%; a Campanha, com 97,02%; a Fronteira Oeste, com 95,92%; e a Região Central, que registra 89,84% da área colhida.

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De acordo com a Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater/Irga), ao término da colheita será realizado um levantamento consolidado da safra, contemplando dados de área colhida, produtividade e possíveis perdas registradas durante o ciclo produtivo.

Fonte: IRGA



 

FONTE

Autor:IRGA

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Site: IRGA

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Sustentabilidade

Cenário climático reforça a importância do planejamento agrícola – MAIS SOJA

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Em comparação a março, abril apresentou redução no volume de chuvas, especialmente na região central do Brasil, afetando diretamente a disponibilidade de água no solo. Conforme o Boletim do Sistema TempoCampo/Esalq de maio de 2026, embora grande parte do território nacional, com destaque para a região Norte, ainda apresente elevada umidade no solo, a região central registrou redução no volume de água armazenado durante o mês de abril (Figura 1).

Figura 1. Armazenamento de água no solo, meses de março e abril de 2026 (atualização 05 de maio de 2026).
Fonte: Prof Fábio Marin

Apesar da redução observada, o cenário ainda não caracteriza, na maior parte das regiões produtoras do país, condições críticas ao desenvolvimento das culturas agrícolas. Para a primeira quinzena de maio, as projeções climáticas indicam continuidade das maiores precipitações sobre a região Norte e faixa litorânea do Nordeste, situação que demanda atenção devido aos elevados volumes de chuva já registrados nessas áreas.

Segundo o INMET, para o trimestre maio-julho-julho, a previsão é de precipitações dentro da média climatológica na região central do Brasil, enquanto as regiões Norte e Sul tendem a registrar chuvas dentro ou ligeiramente acima da média (Figura 2).

Figura 2. À esquerda: precipitação total prevista para o trimestre maio-julho-julho de 2026. À direita: Anomalias de precipitação para o trimestre maio-julho-julho de 2026. INMET (06 de Maio de 2026).
Fonte: INMET (2026)

Ainda que previsões a longo prazo possam apresentar grande incerteza, para o mês de junho, caso as projeções climática se concretize, de acordo com as previsões de anomalia das precipitações, são esperadas chuvas dentro da média e/ou ligeiramente acima da média para o período, na maioria das regiões do país.

Fenômenos ENSO

Com divergência entre modelos climatológicos, a intensidade do Fenômeno El Niño ainda é indefinida. No entanto, a ocorrência desse fenômeno é esperada, havendo concordância entre a maioria dos modelos quanto a ocorrência do El Niño (figura 3) com mais de 90% de probabilidade de ocorrência desse fenômeno a partir do trimestre setembro-outubro-novembro (figura 4).

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Figura 3. Modelos de previsão ENSO para abril de 2026.
Fonte: IRI (2026)


Figura 4. Previsão oficial de probabilidade do CPC ENSO.
Fonte: IRI (2026)

Por outro lado, a intensificação do El Niño, especialmente a partir do trimestre agosto-setembro-outubro, poderá influenciar o estabelecimento e o desenvolvimento das culturas agrícolas, impactando as operações no campo. Diante disso, o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas e dos prognósticos climáticos será fundamental para o ajuste das estratégias de manejo e do planejamento das áreas de cultivo.

Confira abaixo o boletim completo do sistema TempoCampo/ESALQ de maio de 2026.


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Referências:

INMET. CLIMA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://clima.inmet.gov.br/progp/0 >, acesso em: 07/05/2026.

IRI. ENSO FORECAST. Columbia Climate Schol International Research Institute for Climate and Society, 2026. Disponível em: < https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/ >, acesso em: 07/05/2026.

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