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5 de maio de 2026

Sustentabilidade

Eficiência de fungicidas no controle da ferrugem-asiática – MAIS SOJA

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A ferrugem-asiática, causada pelo fungo (Phakopsora pachyrhizi) é uma doença responsável por perdas substanciais na produtividade da soja. Com elevada agressividade, os danos em decorrência da ferrugem-asiática podem chegar a 90% em casos mais severos (Godoy et al., 2024).

Ainda que distintas estratégias de manejo possam ser empregadas de forma integrada para o manejo da ferrugem-asiática em soja, o controle químico com o emprego de fungicidas é o método mais utilizado para reduzir os danos em decorrência da doença em lavouras comerciais. Em função da agressividade do fungo e dificuldade em controlar a ferrugem, recomenda-se que todas as medidas de controle da doenças sejam adotadas de forma preventiva a sua  ocorrência.

Figura 1. Sintomas típicos de ocorrência de ferrugem-asiática em soja.

Atualmente, 251 produtos apresentam registro no Ministério da Agricultura e Pecuária para o controle da ferrugem-asiática em soja (Agrofit, 2025). Além desses, há também fungicidas em fase de registro para uso na cultura da soja. Em meio a essa diversidade de produtos disponíveis para o manejo da ferrugem-asiática, posicionar os fungicidas que irão compor o programa fitossanitário pode ser uma tarefa complexa, exigindo perícia e cautela para definir as melhores opções.

Nesse sentido, conhecer a eficiência dos fungicidas no controle da ferrugem-asiática em soja é crucial para determinar o programa de fungicidas da lavoura, bem como posicionar fungicidas a fim de aumentar o desempenho no controle da doença e manejar a resistência do fungo aos fungicidas. Para avaliar a eficiência dos fungicidas no controle da ferrugem-asiática, experimentos em rede vêm sendo realizados desde a safra 2003/2004 (Godoy et al., 2025).

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Na safra 2024/2025, os experimentos conduzidos por 23 instituições, contemplaram os estados do Mato Grosso, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Tocantins. Os fungicidas avaliados pertencem aos grupos: inibidores da desmetilação (IDM – tebuconazol, protioconazol, ciproconazol e difenoconazol); inibidores da quinona externa (IQe – azoxistrobina, trifloxistrobina, picoxistrobina, metominostrobina e piraclostrobina), inibidores da succinato desidrogenase (ISDH – fluxapiroxade, bixafem e impirfluxam), ditiocarbamato (mancozebe), cloronitrila (clorotalonil), inorgânico (oxicloreto de cobre) e 2,6-dinitro-anilina (fluazinam) (Godoy et al., 2025). Os fungicidas com registro avaliados nos experimentos estão apresentados na tabela 1.

Para os fungicidas registrados foram avaliadas misturas de IDM + cloronitrila (T2 a T4), ISDH + IQe + cloronitrila (T5), IDM + IQe + inorgânico (T6), IDM + IQe + ISDH (T7), IDM + IQe + ISDH e ditiocarbamato (T8), ISDH + IDM e ditiocarbamato em mistura pronta (T13) e em mistura em tanque (T9 e T10), IQe + IDM + ditiocarbamato (T11, T12, T14 e T15). O tratamento 16 (programa FRAC) foi realizado com rotação de fungicidas comerciais, sendo realizados diferentes programas em cada experimento, mas sumarizados sem a separação por programa. Os programas utilizaram a sequência de ingredientes ativos dos grupos ISDH + IDM + multissítio ou ISDH + IQe + multissítio ou ISDH + IQe + IDM + multissítio (aplicação 1), ISDH + IDM + multissítio ou ISDH + IQe + IDM + multissítio (aplicação 2), IDM + IQe + multissítio (aplicação 3) e IDM + IQe + multissítio ou IDM + multissítio (aplicação 4). Além da rotação dos ingredientes ativos dos diferentes grupos, os programas também incluíram a rotação dos multissítios (oxicloreto de cobre, mancozebe e clorotalonil) (Godoy et al., 2025).

Tabela 1. Produtos comerciais (ingredientes ativos) e doses dos fungicidas registrados para controle da ferrugem-asiática, Phakopsora pachyrhizi, na cultura da soja. Protocolo para os experimentos com FUNGICIDAS REGISTRADOS realizados na safra 2024/2025.
Fonte: Godoy et al. (2025)

De acordo com os resultados observados na safra 2024/2025, todos os tratamentos apresentaram severidade inferior à testemunha sem fungicida (T1). A porcentagem de controle dos fungicidas registrados variou de 63% (T7 – Fox Ultra e T14 – Evolution) a 76% (T11 – Blindado TOV). As maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com Blindado TOV (T11 – 76%), Fox Ultra e Milcozeb (T8 – 75%), Fox Supra e Milcozeb (T9 – 74%), Curatis (T15 – 73%), Almada (T13 – 73%) e Excalia Max e Tróia (T10 – 73%) (Godoy et al., 2025).

De acordo com Godoy et al. (2025), a associação de fungicidas multissítios a fungicidas sítio-específicos (Milcozeb + Fox Ultra (T7)), aumentou o controle de 63% para 75% além de reduzir a fitotoxicidade de 9,4% para 2,7%. Com relação a produtividade da soja, os maiores rendimentos foram observados nos tratamentos com os fungicidas Fox Ultra e Milcozeb (T8 – 4.028 kg/ha), Fox Supra e Milcozeb (T9 – 3.957 kg/ha), Almada (T13 – 3.949 kg/ha), Excalia Max e Tróia (T10 – 3.926 kg/ha), Proteus (T3 – 3.904 kg/ha), para o programa FRAC (T16 – 3.884 kg/ha), Tridium (T12 – 3.875 kg/ha), Curatis (T15 – 3.857 kg/ha) e Cortina Gold (T4 – 3.855 kg/ ha). A redução de produtividade do tratamento sem fungicida (T1 – 3003 kg/ha) em relação ao tratamento com a maior produtividade (T8) foi de 25,4%. Confira os resultados na tabela 2.

Tabela 2. Severidade da ferrugem-asiática (SEV), porcentagem de controle (C) em relação à testemunha sem fungicida, fitotoxicidade média das plantas causada pela aplicações dos fungicidas (FITO), produtividade (PROD) e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, no protocolo com FUNGICIDAS REGISTRADOS. Média de 15 experimentos para severidade, 11 para produtividade e 10 para fitotoxicidade, safra 2024/2025.
Fonte: Godoy et al. (2025)

Além dos fungicidas registrados para a cultura da soja, os ensaios da safra 2024/2025 também avaliaram a eficiência de fungicidas em fase de registro e a sensibilidade do fungo Phakopsora pachyrhizi a ingredientes ativos isolados. Com relação aos fungicidas em fase de registro, todos os tratamentos apresentaram severidade inferior à testemunha sem fungicida, com porcentagem de controle variando de 59% a 80%, sendo que as maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com picoxistrobina + tebuconazol + clorotalonil (Godoy et al., 2025).

Já com relação a sensibilidade do fungo Phakopsora pachyrhizi a ingredientes ativos isolados, Godoy et al. (2025) observaram que, entre os inibidores da desmetilação, a maior porcentagem de controle foi observado para tebuconazol (54%), seguido de protioconazol (45%), e que ciproconazol apresentou o menor controle. Entre os inibidores da quinona externa, a maior porcentagem de controle foi observada para picoxistrobina (41%), seguido de metominostrobina (36%), enquanto a menor porcentagem de controle foi observada para azoxistrobina (27%). Entre os fungicidas multissítios, a maior porcentagem de controle foi observada para clorotalonil (55%), seguido de mancozebe (46%) e oxicloreto de cobre (46%). Fluazinam apresentou 51% de controle, sendo inferior somente a clorotalonil e tebuconazol (Godoy et al., 2025).

Figura 2. Média da porcentagem de controle da ferrugem-asiática com os fungicidas tebuconazol (TBZ), ciproconazol (CPZ), tetraconazol (TTZ), protioconazol (PTZ), azoxistrobina (AZ), picoxistrobina (PCZ) e metominostrobina (MTM) nos experimentos (n) cooperativos nas safras: 2003/2004 (n=11), 2004/2005 (n=20), 2005/2006 (n=15), 2006/2007 (n=10), 2007/2008 (n=7), 2008/2009 (n=23), 2009/2010 (n=15), 2010/2011 (n=11), 2011/2012 (n=11), 2012/2013 (n=21), 2013/2014 (n=16), 2014/2015 (n=21), 2015/2016 (n=23), 2016/2017 (n=32), 2017/2018 (n=26), 2018/2019 (n=25), 2019/2020 (n=14), 2020/21 (n=19), 2021/2022 (n=19), 2022/2023 (n=18), 2023/2024 (n=12) e 2024/2025 (n=13) em diferentes regiões produtoras de soja no Brasil.
Fonte: Godoy et al. (2025)

Com base nos aspectos observados, pode-se dizer que misturas comerciais ou de tanque de diferentes princípios ativos, incluindo fungicidas multissítios, tendem a resultar em uma maior eficiência de controle da ferrugem-asiática. Vale destacar que os resultados apresentados nos ensaios cooperativos não constituem uma recomendação de manejo, contudo, podem auxiliar no posicionamento de fungicidas em soja.

Confira todos os resultados sumarizados dos ensaios cooperativos da safra 2024/2025 clicando aqui!

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Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 23/07/2025.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 219, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177349/1/Circ-Tec-219.pdf >, acesso em: 23/07/2025.

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Sustentabilidade

Em tempos de nutrientes caros, usar calcário é uma das soluções mitigadoras, diz diretor do IAC – MAIS SOJA

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Os efeitos da guerra no Irã sobre o agronegócio brasileiro podem ser reduzidos. Uma das ações mitigadoras é a calagem, que, a partir do uso do calcário, amplia os efeitos dos fertilizantes, um dos principais meios de obtenção de nutrientes pelo solo.

A avaliação é do diretor da Divisão de Solos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Heitor Cantarella. Recentemente, o pesquisador utilizou o perfil do IAC no Youtube para apresentar alternativas para os agricultores brasileiros diante do encarecimento dos preços dos produtos que contêm nutrientes.

O Brasil tem jazidas abundantes de calcário na maioria dos estados. Cantarella lembrou ainda que o calcário não tem cotação em dólar e nem passa pelo Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o comércio global e que foi afetada pela guerra.

O diretor do IAC destaca ainda a análise de solo como ferramenta fundamental nesse período.

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Confira a apresentação de Heitor Cantarella.

Fonte: Abracal

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Sustentabilidade

IMEA: Safra 25/26 de algodão em MT tem queda na oferta e redução nos estoques finais – MAIS SOJA

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Em mai/26, o Imea divulgou a nova estimativa de Oferta e Demanda do algodão em pluma de Mato Grosso para a safra 25/26. Desse modo, a Oferta foi projetada em 3,45 milhões de
toneladas, redução de 3,92% em relação ao ciclo anterior. Parte desse decréscimo está vinculado à menor produção prevista, com queda de 15,91% no comparativo entre safras,
ficando estimada em 2,52 milhões de toneladas. Já a demanda foi projetada em 2,69 milhões de toneladas, incremento de 1,02% em relação à safra passada. Esse avanço está associado à maior estimativa de exportação para o ciclo, projetada em 2,04 milhões de toneladas.

Dessa maneira, os estoques finais ficaram projetados em 762,92 mil toneladas, retração de 18,07% ante a safra anterior. Por fim, desse total, estima-se que 743,42 mil toneladas já estejam vendidas, mas que devem ser escoadas somente no próximo ciclo.

Confira os principais destaques do boletim:

  • ALTA: o contrato jul/26 da Ice NY apresentou aumento de 0,62% em relação à última semana, sendo cotado na média de ¢ US$ 80,16/lp, impulsionado pela valorização do dólar.
  • APRECIAÇÃO: o preço pluma Cepea teve alta de 1,41% no comparativo semanal, acompanhando o mercado externo e a postura mais cautelosa dos vendedores no período de entressafra.
  • VALORIZAÇÃO: o preço do caroço de algodão em Mato Grosso registrou elevação de 1,26% frente à semana passada, ficando precificado na média de R$ 910,77/t.
Em mai/26, o Imea divulgou nova estimativa de safra para o algodão da temporada 25/26.

A área destinada à cotonicultura da safra 25/26 ficou projetada em 1,38 mi de hectares, representando redução de 3,33% em relação à estimativa anterior e 11,11% quando comparado ao consolidado do ciclo 24/25. Parte dessa redução está ligada às margens rentáveis da cultura apresentarem-se mais estreitas em relação aos anos anteriores, atrelada ao cenário de custos mais elevados.

Com isso, os cotonicultores tendem a reduzir a área de algodão, concentrando o cultivo nos melhores talhões e destinando os demais a outras culturas de segunda safra. Em relação à produtividade, houve incremento de 2,34% ante a estimativa passada, projetada em 297,69 @/ha, aumento relacionado às condições climáticas favoráveis, que têm proporcionado um melhor desenvolvimento vegetativo das lavouras. Por fim, a produção de algodão em caroço ficou prevista em 6,14 mi de t, redução de 16,04% em relação à safra passada.

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Fonte: IMEA



 

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Sustentabilidade

Preços da soja têm queda após alta generalizada na sessão anterior

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve um dia travado para a comercialização, revertendo o movimento positivo observado na segunda-feira (4).

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, o cenário foi marcado por queda generalizada nas cotações.

"Os preços caíram em praticamente todas as praças, refletindo a forte queda do dólar e a devolução de parte dos ganhos em Chicago", afirma. Segundo ele, os prêmios apresentaram apenas pequenas mudanças e não foram suficientes para compensar as perdas.

Assim, o ambiente foi de retração tanto por parte dos compradores quanto dos vendedores. “Algumas tradings ficaram fora do mercado e o produtor também se manteve retraído, aguardando melhores oportunidades”, conta Silveira.

Preços médios da saca de soja

  • Passo Fundo (RS): recuou de R$ 126 para R$ 124
  • Santa Rosa (RS): caiu de R$ 127 para R$ 125
  • Cascavel (PR): passou de R$ 122 para R$ 120
  • Rondonópolis (MT): reduziu de R$ 111 para R$ 109
  • Dourados (MS): diminuiu de R$ 113,50 para R$ 112
  • Rio Verde (GO): foi de R$ 113 para R$ 111
  • Portos de Paranaguá (PR): decresceu de R$ 132 para R$ 130
  • Porto de Rio Grande (RS): recuou de R$ 132 para R$ 130

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Após os bons ganhos de ontem, o mercado realizou lucros, com base em fatores técnicos.

  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

A forte queda do petróleo no mercado internacional e as condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras estadunidenses completaram o cenário baixista.

De acordo com relatório de segunda-feira do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o plantio das lavouras de soja atingiu 33% da área prevista no país. Em igual período do ano passado, o índice era de 28%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 23%. Na semana anterior, o número era de 23%.

Os investidores também se posicionam frente ao relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para a próxima terça-feira (12), e à reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para 14 e 15 de maio, em Pequim.

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Contratos futuros da soja

soja preço baixo guerra comercial
Foto: Pixabay/ Arte Canal Rural

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 11,25 centavos de dólar, ou 0,92%, a US$ 12,11 1/2 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 12,05 por bushel, com redução de 11,00 centavos de dólar ou 0,90%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 0,50 ou 0,15% a US$ 320,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 76,91 centavos de dólar, com ganho de 0,38 centavo ou 0,49%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 1,09%, sendo negociado a R$ 4,9122 para venda e a R$ 4,9102 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9057 e a máxima de R$ 4,9527.

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