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7 de maio de 2026

Sustentabilidade

Solo com menos microrganismos favorece ação de bactéria que combate doença do trigo – MAIS SOJA

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  • Solos com baixa diversidade microbiana favorecem doenças do trigo, mas também aumentam eficácia de bactérias benéficas.
  • Estudo da Embrapa revela que Pseudomonas inefficax atua de forma diferente conforme o tipo de solo.
  • Mesmo sem eliminar o fungo, bactéria promoveu maior crescimento das plantas em solos menos diversos.
  • Diversidade alta pode dificultar ação de inoculantes devido à competição microbiana.
    Resultados apontam para estratégias mais eficazes e sustentáveis de biocontrole no campo.

A vida microscópica presente no solo pode ser a chave para o sucesso – ou o fracasso – no controle biológico de doenças em lavouras de trigo. É o que mostra um estudo inédito liderado pela Embrapa Meio Ambiente, que revela como a diversidade microbiana influencia diretamente a eficácia de bactérias benéficas usadas como inoculantes. Em solos com pouca diversidade, a cepa Pseudomonas inefficax CMAA1741 demonstrou ação mais eficiente contra o fungo Bipolaris sorokiniana, causador da mancha marrom e da podridão radicular no trigo.

Para Caroline Sayuri Nishisaka, bolsista da Embrapa Meio Ambiente, o trabalho revela um paradoxo: solos com microbioma mais simples são ao mesmo tempo mais vulneráveis a doenças e mais receptivos a tratamentos biológicos. Em outras palavras, a ausência de diversidade permite que os microrganismos patogênicos se instalem com facilidade, mas também abre espaço para que bactérias benéficas atuem com mais liberdade, sem enfrentar grande competição.

Esse achado pode mudar a forma como o biocontrole é planejado no campo. “A composição microbiana do solo interfere diretamente na capacidade de atuação dos inoculantes”, explica a equipe da Embrapa. “Não basta apenas aplicar uma bactéria eficiente; é preciso conhecer o ambiente onde ela será introduzida.”

Experimentos com diferentes solos
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores manipularam o nível de diversidade do solo com uma técnica conhecida como “diluição-para-extinção”. O método resultou em cinco tipos de solo: natural, três versões diluídas e solo completamente esterilizado por autoclavagem. Cada solo recebeu diferentes combinações de inoculante e patógeno, totalizando 25 cenários experimentais.

O destaque foi a cepa CMAA1741 da bactéria P. inefficax, que reduziu significativamente a severidade da doença mesmo quando o fungo estava presente em alta abundância em solos menos diversos. A supressão ocorreu mesmo sem redução na quantidade do patógeno, indicando que a bactéria pode atuar modificando o microbioma da rizosfera – região do solo ao redor das raízes – para beneficiar a planta.

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Além disso, a presença da bactéria Fluviicola nesses ambientes empobrecidos também se correlacionou com a redução da doença, sugerindo uma possível atuação em conjunto com o inoculante.

Em solos ricos, ação limitada
Por outro lado, explica Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, nos solos naturais, com microbioma mais complexo, a introdução de P. inefficax não resultou em supressão significativa da doença. Apesar de a bactéria estimular o enriquecimento de gêneros associados à proteção de plantas, como Chitinophaga Dyadobacter, o efeito não foi suficiente para conter o avanço do patógeno.

A hipótese é que, em solos diversos, mas naturalmente conducivos ao progresso da doença, a bactéria inoculada encontra forte competição e tem dificuldade para se estabelecer. Isso confirma o que a ciência chama de “hipótese da diversidade-invasibilidade”: ambientes com alta diversidade microbiana resistem à introdução de novos organismos.

Por outro lado, um estudo anterior demonstrou que a pressão de seleção exercida pela presença contínua do patógeno ao longo de múltiplos ciclos de cultivo pode induzir o desenvolvimento de características supressivas no solo. Esse seria o cenário ideal: um solo com alta diversidade microbiana, capaz de inibir naturalmente os patógenos que afetam as raízes das plantas.

Mesmo sem eliminar o fungo, a combinação de P. inefficax com o patógeno promoveu maior crescimento das plantas em solos diluídos. Os pesquisadores mediram a altura, a biomassa seca das raízes e da parte aérea, e a severidade da doença e os dados mostraram que a presença da bactéria melhora o desempenho do trigo, mesmo em ambientes desafiadores.

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Entre os solos analisados, aquele que passou por uma diluição de 10⁻⁶ — ou seja, com apenas uma parte da amostra original para cada um milhão de partes de solução — foi o que apresentou melhores resultados no crescimento das plantas.

As análises metataxonômicas – que estudam a composição microbiana – mostraram que a ação da P. inefficax depende do solo onde é aplicada. Em solos autoclavados, a supressão da doença foi provavelmente causada por antagonismo direto ao fungo. Já em solos naturais, mais complexos, a bactéria parece depender da interação com outras espécies para exercer seu efeito.

Essa dinâmica é crucial para o desenvolvimento de novas estratégias de biocontrole. Os pesquisadores usaram algoritmos de aprendizado de máquina para identificar os microrganismos mais relevantes em cada ambiente. Nos solos autoclavados, por exemplo, gêneros como FluviicolaShinella Paenibacillus se destacaram. Já nos solos naturais, KribbellaChitinophaga Streptomyces foram os principais.

Fernando Andreote, pesquisador da Esalq, explica que a presença de fungos como Spizellomycetes Dothideomycetes também foi mais expressiva nos tratamentos com a cepa CMAA1741. A combinação desses microrganismos pode formar um microbioma protetor ao redor das raízes, fortalecendo a planta sem a necessidade de eliminar o patógeno diretamente.

Os resultados fornecem pistas importantes para o uso mais eficiente de inoculantes em lavouras reais. Uma das saídas pode ser o uso de consórcios microbianos sintéticos (SynComs), que combinam diferentes espécies benéficas de forma planejada. Outra possibilidade é aplicar os inoculantes em momentos estratégicos ou repetir os ciclos de aplicação, favorecendo a integração dos microrganismos ao solo.

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Tim Mauchline, pesquisador da Rothamsted Research, Reino Unido, alerta que os testes foram feitos em ambiente controlado. Para validar as estratégias no campo, serão necessários experimentos de longo prazo que considerem a variabilidade ambiental e a complexidade dos solos agrícolas.

Ainda assim, a mensagem é clara: entender a diversidade do microbioma do solo é essencial para garantir o sucesso de qualquer estratégia de controle biológico. A introdução de microrganismos não pode ser feita de forma padronizada; ela precisa levar em conta o contexto específico de cada lavoura.

Menos defensivos, mais sustentabilidade
Ao integrar o conhecimento sobre a diversidade microbiana ao manejo agrícola, é possível aumentar a resiliência dos sistemas de produção e reduzir a dependência de defensivos químicos. Isso contribui para a sustentabilidade ambiental e econômica do agroecossistema.

Mais do que aplicar uma bactéria promissora, o segredo pode estar em manejar o solo como um ecossistema vivo. “A saúde do solo é um fator central para o sucesso da agricultura moderna”, resume a equipe da Embrapa. “A diversidade microbiana não é um detalhe — ela é a base para uma produção mais eficiente e sustentável.”

Os autores do trabalho são Caroline Sayuri Nishisaka, Hélio Danilo Quevedo, João Paulo Ventura, Embrapa Meio Ambiente e ESALQ, Fernando Dini Andreote, ESALQ, Tim Mauchline, Rothamsted Research, Harpenden, UK e Rodrigo Mendes, Embrapa Meio Ambiente, que está disponível aqui.

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Sustentabilidade

Preço da soja no Brasil não resiste à nova queda de Chicago: veja as cotações

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Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve mais uma sessão de pouca movimentação, com negócios pontuais e ritmo lento tanto nos portos quanto no mercado interno.

De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, o cenário segue marcado pela cautela dos agentes e pelas cotações enfraquecidas.

Ao longo do dia, o analista menciona que a Bolsa de Chicago operou em queda, enquanto os prêmios não conseguiram compensar o movimento recente de baixa. "As ofertas continuam depreciadas em termos de valor", acrescenta.

Nos portos, o ritmo seguiu limitado, assim como no mercado doméstico. Segundo Silveira, o ambiente também é influenciado pela expectativa em torno do próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Todo mundo está esperando os números da próxima semana, que serão divulgados na próxima terça-feira, dia 12”, resume.

Preços médios da saca de soja

  • Passo Fundo (RS): R$ 122,50
  • Santa Rosa (RS): R$ 123,50
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 118,50 para R$ 118
  • Rondonópolis (MT): R$ 107,50
  • Dourados (MS): R$ 110,50
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 109,50 para R$ 109
  • Porto de Paranaguá (PR): baixou de R$ 128,50 para R$ 128
  • Porto de Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 128,50

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quinta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas acima das mínimas do dia.

Silveira pontua que o comportamento de outros mercados, principalmente do petróleo, foi determinante para as oscilações da soja, em dia de muita volatilidade e de ajustes.

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O petróleo iniciou o dia com fortes perdas, mas reduziu a retração na parte da tarde, chegando até mesmo a operar no território positivo.

“Tudo gira em torno das negociações entre Irã e Estados Unidos em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio. A falta de novidades trouxe certo ceticismo ao mercado”, relata o analista.

Contratos futuros

soja preço baixo guerra comercial
Foto: Pixabay/ Arte Canal Rural
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 2,50 centavos de dólar, ou 0,2%, a US$ 11,92 1/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,86 3/4 por bushel, com retração de 2,25 centavos de dólar ou 0,18%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,50% a US$ 318,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 74,15 centavos de dólar, com perda de 0,87 centavo ou 1,15%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,05%, sendo negociado a R$ 4,9222 para venda e a R$ 4,9202 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,8954 e a máxima de R$ 4,9304.

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Sustentabilidade

Colheita do arroz alcança 96,41% da área cultivada no RS – MAIS SOJA

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A colheita do arroz no Rio Grande do Sul atingiu 96,41% da área cultivada nesta primeira semana de maio. O levantamento foi realizado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e divulgado nesta quinta-feira (7/5).

Do total de 891.908,50 hectares destinados ao cultivo na safra 2025/2026, a maior parte das lavouras já foi colhida, consolidando o avanço dos trabalhos nas principais regiões produtoras do Estado.

As regionais da Zona Sul e da Planície Costeira Externa lideram os índices de colheita e estão mais próximas do encerramento das operações, com 98,81% e 98,46% das áreas colhidas, respectivamente.

Na sequência aparecem a Planície Costeira Interna, com 98,13%; a Campanha, com 97,02%; a Fronteira Oeste, com 95,92%; e a Região Central, que registra 89,84% da área colhida.

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De acordo com a Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater/Irga), ao término da colheita será realizado um levantamento consolidado da safra, contemplando dados de área colhida, produtividade e possíveis perdas registradas durante o ciclo produtivo.

Fonte: IRGA



 

FONTE

Autor:IRGA

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Site: IRGA

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Sustentabilidade

Cenário climático reforça a importância do planejamento agrícola – MAIS SOJA

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Em comparação a março, abril apresentou redução no volume de chuvas, especialmente na região central do Brasil, afetando diretamente a disponibilidade de água no solo. Conforme o Boletim do Sistema TempoCampo/Esalq de maio de 2026, embora grande parte do território nacional, com destaque para a região Norte, ainda apresente elevada umidade no solo, a região central registrou redução no volume de água armazenado durante o mês de abril (Figura 1).

Figura 1. Armazenamento de água no solo, meses de março e abril de 2026 (atualização 05 de maio de 2026).
Fonte: Prof Fábio Marin

Apesar da redução observada, o cenário ainda não caracteriza, na maior parte das regiões produtoras do país, condições críticas ao desenvolvimento das culturas agrícolas. Para a primeira quinzena de maio, as projeções climáticas indicam continuidade das maiores precipitações sobre a região Norte e faixa litorânea do Nordeste, situação que demanda atenção devido aos elevados volumes de chuva já registrados nessas áreas.

Segundo o INMET, para o trimestre maio-julho-julho, a previsão é de precipitações dentro da média climatológica na região central do Brasil, enquanto as regiões Norte e Sul tendem a registrar chuvas dentro ou ligeiramente acima da média (Figura 2).

Figura 2. À esquerda: precipitação total prevista para o trimestre maio-julho-julho de 2026. À direita: Anomalias de precipitação para o trimestre maio-julho-julho de 2026. INMET (06 de Maio de 2026).
Fonte: INMET (2026)

Ainda que previsões a longo prazo possam apresentar grande incerteza, para o mês de junho, caso as projeções climática se concretize, de acordo com as previsões de anomalia das precipitações, são esperadas chuvas dentro da média e/ou ligeiramente acima da média para o período, na maioria das regiões do país.

Fenômenos ENSO

Com divergência entre modelos climatológicos, a intensidade do Fenômeno El Niño ainda é indefinida. No entanto, a ocorrência desse fenômeno é esperada, havendo concordância entre a maioria dos modelos quanto a ocorrência do El Niño (figura 3) com mais de 90% de probabilidade de ocorrência desse fenômeno a partir do trimestre setembro-outubro-novembro (figura 4).

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Figura 3. Modelos de previsão ENSO para abril de 2026.
Fonte: IRI (2026)


Figura 4. Previsão oficial de probabilidade do CPC ENSO.
Fonte: IRI (2026)

Por outro lado, a intensificação do El Niño, especialmente a partir do trimestre agosto-setembro-outubro, poderá influenciar o estabelecimento e o desenvolvimento das culturas agrícolas, impactando as operações no campo. Diante disso, o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas e dos prognósticos climáticos será fundamental para o ajuste das estratégias de manejo e do planejamento das áreas de cultivo.

Confira abaixo o boletim completo do sistema TempoCampo/ESALQ de maio de 2026.


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Referências:

INMET. CLIMA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://clima.inmet.gov.br/progp/0 >, acesso em: 07/05/2026.

IRI. ENSO FORECAST. Columbia Climate Schol International Research Institute for Climate and Society, 2026. Disponível em: < https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/ >, acesso em: 07/05/2026.

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