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24 de junho de 2026

Sustentabilidade

Solo com menos microrganismos favorece ação de bactéria que combate doença do trigo – MAIS SOJA

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  • Solos com baixa diversidade microbiana favorecem doenças do trigo, mas também aumentam eficácia de bactérias benéficas.
  • Estudo da Embrapa revela que Pseudomonas inefficax atua de forma diferente conforme o tipo de solo.
  • Mesmo sem eliminar o fungo, bactéria promoveu maior crescimento das plantas em solos menos diversos.
  • Diversidade alta pode dificultar ação de inoculantes devido à competição microbiana.
    Resultados apontam para estratégias mais eficazes e sustentáveis de biocontrole no campo.

A vida microscópica presente no solo pode ser a chave para o sucesso – ou o fracasso – no controle biológico de doenças em lavouras de trigo. É o que mostra um estudo inédito liderado pela Embrapa Meio Ambiente, que revela como a diversidade microbiana influencia diretamente a eficácia de bactérias benéficas usadas como inoculantes. Em solos com pouca diversidade, a cepa Pseudomonas inefficax CMAA1741 demonstrou ação mais eficiente contra o fungo Bipolaris sorokiniana, causador da mancha marrom e da podridão radicular no trigo.

Para Caroline Sayuri Nishisaka, bolsista da Embrapa Meio Ambiente, o trabalho revela um paradoxo: solos com microbioma mais simples são ao mesmo tempo mais vulneráveis a doenças e mais receptivos a tratamentos biológicos. Em outras palavras, a ausência de diversidade permite que os microrganismos patogênicos se instalem com facilidade, mas também abre espaço para que bactérias benéficas atuem com mais liberdade, sem enfrentar grande competição.

Esse achado pode mudar a forma como o biocontrole é planejado no campo. “A composição microbiana do solo interfere diretamente na capacidade de atuação dos inoculantes”, explica a equipe da Embrapa. “Não basta apenas aplicar uma bactéria eficiente; é preciso conhecer o ambiente onde ela será introduzida.”

Experimentos com diferentes solos
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores manipularam o nível de diversidade do solo com uma técnica conhecida como “diluição-para-extinção”. O método resultou em cinco tipos de solo: natural, três versões diluídas e solo completamente esterilizado por autoclavagem. Cada solo recebeu diferentes combinações de inoculante e patógeno, totalizando 25 cenários experimentais.

O destaque foi a cepa CMAA1741 da bactéria P. inefficax, que reduziu significativamente a severidade da doença mesmo quando o fungo estava presente em alta abundância em solos menos diversos. A supressão ocorreu mesmo sem redução na quantidade do patógeno, indicando que a bactéria pode atuar modificando o microbioma da rizosfera – região do solo ao redor das raízes – para beneficiar a planta.

Além disso, a presença da bactéria Fluviicola nesses ambientes empobrecidos também se correlacionou com a redução da doença, sugerindo uma possível atuação em conjunto com o inoculante.

Em solos ricos, ação limitada
Por outro lado, explica Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, nos solos naturais, com microbioma mais complexo, a introdução de P. inefficax não resultou em supressão significativa da doença. Apesar de a bactéria estimular o enriquecimento de gêneros associados à proteção de plantas, como Chitinophaga Dyadobacter, o efeito não foi suficiente para conter o avanço do patógeno.

A hipótese é que, em solos diversos, mas naturalmente conducivos ao progresso da doença, a bactéria inoculada encontra forte competição e tem dificuldade para se estabelecer. Isso confirma o que a ciência chama de “hipótese da diversidade-invasibilidade”: ambientes com alta diversidade microbiana resistem à introdução de novos organismos.

Por outro lado, um estudo anterior demonstrou que a pressão de seleção exercida pela presença contínua do patógeno ao longo de múltiplos ciclos de cultivo pode induzir o desenvolvimento de características supressivas no solo. Esse seria o cenário ideal: um solo com alta diversidade microbiana, capaz de inibir naturalmente os patógenos que afetam as raízes das plantas.

Mesmo sem eliminar o fungo, a combinação de P. inefficax com o patógeno promoveu maior crescimento das plantas em solos diluídos. Os pesquisadores mediram a altura, a biomassa seca das raízes e da parte aérea, e a severidade da doença e os dados mostraram que a presença da bactéria melhora o desempenho do trigo, mesmo em ambientes desafiadores.

Entre os solos analisados, aquele que passou por uma diluição de 10⁻⁶ — ou seja, com apenas uma parte da amostra original para cada um milhão de partes de solução — foi o que apresentou melhores resultados no crescimento das plantas.

As análises metataxonômicas – que estudam a composição microbiana – mostraram que a ação da P. inefficax depende do solo onde é aplicada. Em solos autoclavados, a supressão da doença foi provavelmente causada por antagonismo direto ao fungo. Já em solos naturais, mais complexos, a bactéria parece depender da interação com outras espécies para exercer seu efeito.

Essa dinâmica é crucial para o desenvolvimento de novas estratégias de biocontrole. Os pesquisadores usaram algoritmos de aprendizado de máquina para identificar os microrganismos mais relevantes em cada ambiente. Nos solos autoclavados, por exemplo, gêneros como FluviicolaShinella Paenibacillus se destacaram. Já nos solos naturais, KribbellaChitinophaga Streptomyces foram os principais.

Fernando Andreote, pesquisador da Esalq, explica que a presença de fungos como Spizellomycetes Dothideomycetes também foi mais expressiva nos tratamentos com a cepa CMAA1741. A combinação desses microrganismos pode formar um microbioma protetor ao redor das raízes, fortalecendo a planta sem a necessidade de eliminar o patógeno diretamente.

Os resultados fornecem pistas importantes para o uso mais eficiente de inoculantes em lavouras reais. Uma das saídas pode ser o uso de consórcios microbianos sintéticos (SynComs), que combinam diferentes espécies benéficas de forma planejada. Outra possibilidade é aplicar os inoculantes em momentos estratégicos ou repetir os ciclos de aplicação, favorecendo a integração dos microrganismos ao solo.

Tim Mauchline, pesquisador da Rothamsted Research, Reino Unido, alerta que os testes foram feitos em ambiente controlado. Para validar as estratégias no campo, serão necessários experimentos de longo prazo que considerem a variabilidade ambiental e a complexidade dos solos agrícolas.

Ainda assim, a mensagem é clara: entender a diversidade do microbioma do solo é essencial para garantir o sucesso de qualquer estratégia de controle biológico. A introdução de microrganismos não pode ser feita de forma padronizada; ela precisa levar em conta o contexto específico de cada lavoura.

Menos defensivos, mais sustentabilidade
Ao integrar o conhecimento sobre a diversidade microbiana ao manejo agrícola, é possível aumentar a resiliência dos sistemas de produção e reduzir a dependência de defensivos químicos. Isso contribui para a sustentabilidade ambiental e econômica do agroecossistema.

Mais do que aplicar uma bactéria promissora, o segredo pode estar em manejar o solo como um ecossistema vivo. “A saúde do solo é um fator central para o sucesso da agricultura moderna”, resume a equipe da Embrapa. “A diversidade microbiana não é um detalhe — ela é a base para uma produção mais eficiente e sustentável.”

Os autores do trabalho são Caroline Sayuri Nishisaka, Hélio Danilo Quevedo, João Paulo Ventura, Embrapa Meio Ambiente e ESALQ, Fernando Dini Andreote, ESALQ, Tim Mauchline, Rothamsted Research, Harpenden, UK e Rodrigo Mendes, Embrapa Meio Ambiente, que está disponível aqui.

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Sustentabilidade

Doenças em soja: controle de fungos necrotróficos exige medidas integradas de manejo – MAIS SOJA

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Durante o ciclo de desenvolvimento da soja, diversas doenças podem acometer a cultura, afetando diferentes órgãos e estádios fenológicos da planta. Os patógenos responsáveis por essas doenças são, em sua maioria, de origem fúngica e podem estar presentes no ambiente de cultivo antes mesmo da semeadura, comprometendo inclusive as fases iniciais de estabelecimento da lavoura.

Além dos fungos biotróficos, que dependem de tecidos vivos do hospedeiro para sua sobrevivência e desenvolvimento, como ocorre com o agente causal da ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), existem fungos capazes de sobreviver em restos culturais e matéria orgânica presentes no solo. Esses patógenos, classificados como fungos necrotróficos, utilizam tecidos vegetais mortos como fonte de sobrevivência e podem permanecer viáveis entre safras, dificultando a redução do inóculo e favorecendo a ocorrência de novas infecções quando encontram condições ambientais adequadas de temperatura e umidade.

Entre os principais patógenos necrotróficos associados às doenças da soja destacam-se a mancha olho-de-rã (Cercospora sojina), a cercosporiose (Cercospora kikuchii), a mancha-parda (Septoria glycines), a antracnose (Colletotrichum truncatum), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) e as podridões radiculares e de colmo associadas a espécies dos gêneros Rhizoctonia, Fusarium e Sclerotinia. A capacidade de sobrevivência desses patógenos em resíduos culturais dificulta a controle efetivo dessas doenças e reforça a importância do manejo integrado de doenças, envolvendo práticas como rotação de culturas, tratamento de sementes, manejo da população de plantas, nutrição equilibrada e uso estratégico de fungicidas (Forcelini, 2010).

Figura 1. Esquema de manejo integrado de doenças causadas por fungos necrotróficos em soja.
Adaptado: Forcelini (2010)

Considerando que a manutenção da cobertura permanente do solo é uma das premissas fundamentais do sistema plantio direto, a destruição dos resíduos culturais (palhada) não constitui uma estratégia tecnicamente recomendada para o manejo de fungos necrotróficos em ambientes agrícolas. Nesse contexto, a redução da sobrevivência e do potencial de inóculo desses patógenos deve ser baseada em práticas integradas, reforçando a necessidade da rotação de culturas com espécies não hospedeiras, do uso de cultivares com maior resistência genética e do tratamento de sementes com fungicidas eficientes e específicos.

Dessa forma, a definição adequada das culturas que compõem o sistema de rotação, priorizando espécies pertencentes a diferentes famílias botânicas e sem relação de hospedeiro com os principais patógenos, é fundamental para interromper o ciclo de sobrevivência dos fungos necrotróficos e reduzir a pressão de doenças na soja. Além disso, estudos indicam que sementes infectadas ou contaminadas podem representar importantes fontes de inóculo inicial desses patógenos em áreas de cultivo de soja (Reis; Reis; Zanatta, 2022). Portanto, o uso de sementes com elevada qualidade fisiológica e sanitária, associado ao tratamento de sementes com fungicidas apropriados, constitui uma etapa essencial no manejo integrado de doenças, contribuindo para a proteção inicial das plantas e para a redução da disseminação dos patógenos na lavoura.



Referências:

FORCELINI, C. A. DOENÇAS EM SOJA: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS ENTRE BIOTRÓFICOS E NECROTRÓFICOS. Revista Plantio Direto, N. 7, 2010. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/711702511/3-230207-193658 >, acesso em: 24/06/2026.

REIS, E. M.; REIS, A. C.; ZANATTA, M. QUANTO A EFICÁCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES COM FUNGICIDAS. – ÊNFASE EM GRANDES CULTURAS DE GRÃOS. Summa Phytopathol, 2022. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/sp/a/5CQ64Z9QkJkhM7yvGr9xgcw/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 24/06/2026.

 

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Sustentabilidade

ARROZ/CEPEA: Oferta restrita sustenta preços – MAIS SOJA

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Mesmo com o retorno pontual de compradores em parte das regiões produtoras, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul apresenta baixa liquidez. De acordo com o Cepea, produtores seguem retraídos diante dos atuais patamares de preços, considerados insuficientes para remunerar adequadamente a atividade.

Com isso, segundo o Centro de Pesquisas, a oferta disponível continua restrita em parte do estado, sustentando as cotações em praças específicas. Ao mesmo tempo, agentes consultados pelo Cepea acompanham novos sinais do mercado internacional e as perspectivas climáticas para a safra 2026/27, fatores que podem influenciar as estratégias de comercialização nos próximos meses.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Business

Exportações podem atingir novo recorde em junho MT

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Mesmo durante a entressafra, a ampla disponibilidade de algodão em pluma no Brasil e a necessidade de escoamento do excedente produtivo vêm mantendo intenso o ritmo de exportações.

De acordo com pesquisadores do Cepea, durante as últimas safras, o País consolidou sua capacidade de abastecer o mercado internacional de forma contínua ao longo do ano, diferentemente do padrão observado anteriormente, quando os embarques se concentravam no segundo semestre. Como resultado, as exportações brasileiras passaram a apresentar maior regularidade, alcançando recordes mensais inclusive em meses tradicionalmente marcados pela menor disponibilidade da pluma.

Segundo dados da Secex, os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 146,8 mil toneladas nos 14 primeiros dias úteis de junho/26. Embora esse volume ainda esteja 49,6% abaixo do registrado em maio/26, já supera em 10,6% o total embarcado em todo o mês de junho/25. A média diária atingiu 10,49 mil toneladas, expressivos 57,9% acima das 6,64 mil toneladas observadas no mesmo período do ano passado.

Se mantido o ritmo atual, as exportações podem alcançar cerca de 220 mil toneladas em junho, um novo recorde para o mês e superando com folga as 160,4 mil toneladas registradas em junho de 2024, até então o maior volume da série histórica da Secex para esse período.

Fonte: Cepea

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