Connect with us
5 de maio de 2026

Sustentabilidade

Nova taxação de Trump anunciada para o Brasil preocupa Agronegócio – MAIS SOJA

Published

on


Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última quarta-feira, 9 de julho, que qualquer produto brasileiro será sobretaxado em 50% a partir de 1 de agosto. A notícia pegou de surpresa a indústria, o comércio e analistas de mercado, que não anteviram nova investida tributária do republicano contra o país. Há poucos dias, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que equipes das duas nações estavam em negociação para firmar um acordo, ainda na esteira do tarifaço inicial de abril, que havia reservado ao Brasil alíquota de 10%. O Portal SNA cobriu, na ocasião, o impacto global do pacote protecionista americano e seus desdobramentos, com a devida ênfase na agropecuária nacional.

Em carta endereçada ao presidente Lula, Trump alegou que o Brasil possui superávit em sua relação comercial com os EUA, e saiu em defesa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, criticando o Judiciário. O conteúdo da mensagem vazou para a imprensa antes de ser formalmente recebido e assimilado pelos canais oficiais, o que causou forte mal estar diplomático. O encarregado da embaixada americana em Brasília, que está sem um titular, foi chamado duas vezes ao Itamaraty para dar explicações ao governo brasileiro.

Para além dos atritos políticos, fato é que a nova taxação, caso entre em vigor, atingirá negativamente as cadeias produtivas agropecuárias. Por isso mesmo, a reação do setor foi imediata e forte, com diversas entidades exigindo uma reação que preconize a cautela e não eleve ainda mais as tensões crescentes entre os dois países. Mais importante do que embates partidários ou ideológicos, há uma parceria comercial longeva e fecunda, que precisa sobreviver a sobressaltos institucionais, assim como os trabalhadores que dela dependem.

Advertisement

No agronegócio, Brasil e Estados Unidos são concorrentes no mercado mundial de alguns produtos, como soja e algodão. Em outros, são parceiros comerciais. Os americanos são o segundo maior destino das exportações do setor, como mostram as estatísticas do Ministério da Agricultura. Em 2024, foram 9,43 milhões de toneladas de produtos, que geraram uma receita de US$ 12,09 bilhões. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do agro brasileiro, atrás apenas da China.

 Diversas cadeias produtivas podem ser impactadas e manifestam receio

Alguns segmentos tendem a ficar mais vulneráveis. É o caso da carne bovina, que vem num ano bom de vitórias importantes, como abertura de novos mercados na Ásia e certificação de país livre de febre aftosa, outorgada ao Brasil pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A Associação Brasileira das Exportadoras de Carne declarou que o aumento da tarifa atrapalha o comércio e afeta negativamente o setor produtivo.

ABIEC informou que é importante que questões geopolíticas não se transformem em barreiras ao abastecimento global. Só no primeiro semestre deste ano, os frigoríficos do Brasil exportaram 181,4 mil toneladas aos norte-americanos, em negócios que renderam US$ 1,04 bilhão, a um preço médio de US$ 5,73 mil por tonelada, segundo a associação.

O setor de suco de laranja, que tem os Estados Unidos como principal cliente para suas exportações, disse ter sido foi pego de surpresa com o anúncio das tarifas. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) declarou que a medida afeta não apenas o Brasil, mas toda a indústria de suco dos Estados Unidos, que emprega milhares de pessoas e tem o país como principal fornecedor externo há décadas. Na prática, as exportações podem ser inviabilizadas, com graves consequências para o mercado interno brasileiro.

Advertisement

A indústria de açúcar do Nordeste do Brasil, que também tem nos Estados Unidos um importante destino, manifestou preocupação. Para o setor, a tarifa pode inviabilizar exportações e gerar desemprego. Atualmente, as empresas têm cota de 150 mil toneladas por safra, que rendem até R$ 600 milhões. Ainda não há clareza no setor produtivo nordestino se a taxação vai afetar as cotas estabelecidas pelos Estados Unidos.

Os exportadores de café também avaliam que a tarifa de 50% vai onerar toda a cadeia, além do consumidor americano. Com a taxação, a alíquota vai superar os 60%, segundo fontes do mercado. Em declaração oficial, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) observou que o Brasil é o principal fornecedor de café para os EUA, respondendo por cerca de 30% das importações americanas. A entidade afirmou ainda que tem buscado construir uma agenda positiva com os EUA, por meio de contatos com parceiros como a National Coffee Association (NCA), que representa o segmento no país.

Cobrança por resposta, mas com cautela

O tom crítico aos Estados Unidos da reunião de cúpula dos BRICS, realizada no último final de semana no Rio de Janeiro, pode ter levado Trump a subir o tom para obter resultados mais vantajosos na negociação com o Brasil. Cabe salientar que ele também enviou cartas semelhantes a outros países com os quais não encontrou consenso após o tarifaço original, mas nenhum deles recebeu alíquota tão pesada. No evento, que o Portal SNA cobriu, declarações dirigidas ao governo americano, num grupo que é integrado por alguns de seus aliados e também adversários, por parte do governo brasileiro, tiveram repercussão.

Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)   reagiu com preocupação à decisão de Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. “A nova alíquota produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras. Diante desse cenário, a FPA defende uma resposta firme e estratégica: é momento de cautela, diplomacia afiada e presença ativa do Brasil na mesa de negociações”, diz um trecho da nota oficial divulgada.

Advertisement

O momento parece refletir algo que o Portal SNA já abordou, que é a tendência de gestores públicos de muitos países e diferentes inclinações políticas deixarem as paixões ditarem seu processo decisório, em detrimento dos interesses nacionais. Que as autoridades brasileiras saibam conduzir bem o diálogo, bem respaldadas que são por entidades já aqui citadas, cujas manifestações serviram de base para esta reportagem, além do corpo diplomático do Itamaraty.

Esta matéria seguirá sendo atualizada.

As informações deste texto foram reunidas a partir de declarações disponibilizadas publicamente pelos citados.

Fonte: SNA 



 

Advertisement
FONTE

Autor:Marcelo Sá – Sociedade Nacional de Agricultura

Site: SNA

Continue Reading
Advertisement

Sustentabilidade

Milho em MT: Exportações da Safra 24/25 Crescem 5%, mas Ritmo de Embarques Sofre Ajuste – MAIS SOJA

Published

on


A exportação de milho da safra 24/25 foi projetada em 25,00 mi t, avanço de 5,04% em relação à safra 23/24. No entanto, na messma revisão de mai/26, o instituto reduziu a estimativa em 3,85% frente ao relatório anterior, refletindo a menor expectativa para o ritmo de embarques entre abril e junho.

Até o momento, o estado exportou 23,86 mi t, restando cerca de 1,14 mi t para o cumprimento da projeção. Isso é influenciado por fatores como a queda do dólar, menores preços do milho e questões externas, como o conflito no Irã, que impactam o volume escoado por MT. Para a safra 25/26, a Imea estima exportações de 25,90 mi t, volume 3,60% superior ao projetado para a temporada anterior. No mercado interno, o consumo da safra 24/25 está estimado em 18,91 mi t, alta de 15,93% em relação à safra anterior, motivado pela expansão da produção de etanol de milho e pela maior demanda da indústria de ração. Para a safra 25/26 o consumo deve somar 20,72 mi t, avanço de 9,54% frente à safra 23/24.

Confira os principais destaques do boletim:
  • POSITIVO: na última semana, o preço do milho na CME – Group apresentou variação positiva de 2,25%, e fechou o período na média de US$ 4,64/bu, motivada pela alta demanda do milho americano.
  • AUMENTO: o preço da paridade de exportação para o contrato de julho fechou a semana na média de R$ 36,05/sc. A alta de 2,46% é explicada pela volta da valorização do dólar na semana.
  • INCREMENTO: na semana do dia 27/04, o valor do dólar compra Ptax fechou com alta em seu comparativo semanal de 0,21%, e finalizou o período a R$ 4,98/US$.
Em mai/26 o Imea manteve a área de milho da safra 25/26 em MT, projetada em 7,39 mi de ha.

Assim, a estimativa de área de milho da atual temporada está 1,83% maior que a da safra passada. Para a produtividade, a projeção cresceu 1,81% em relação ao mês anterior, atingindo 118,71 sc/ha. O melhor desempenho projetado está ligado às boas condições das lavouras, favorecidas pelas chuvas dos últimos três meses, que vêm beneficiando principalmente as áreas das regiões Médio-Norte, Noroeste e Oeste do estado. Na região Sudeste, ainda são necessários maiores volumes de chuva, especialmente nas áreas semeadas mais tardiamente, mantendo o cenário regional indefinido.

Nesse contexto, de acordo com dados da NOAA, a perspectiva indica baixos índices hídricos nas próximas semanas nessas áreas, que se encontram em estágios iniciais de desenvolvimento. Por fim, diante da manutenção da área e do avanço na expectativa do rendimento obtido, a produção da safra 25/26 cresceu em MT, e ficou estimada em 52,65 mi de t.

Fonte: IMEA

Advertisement


 

Continue Reading

Sustentabilidade

Em tempos de nutrientes caros, usar calcário é uma das soluções mitigadoras, diz diretor do IAC – MAIS SOJA

Published

on


Os efeitos da guerra no Irã sobre o agronegócio brasileiro podem ser reduzidos. Uma das ações mitigadoras é a calagem, que, a partir do uso do calcário, amplia os efeitos dos fertilizantes, um dos principais meios de obtenção de nutrientes pelo solo.

A avaliação é do diretor da Divisão de Solos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Heitor Cantarella. Recentemente, o pesquisador utilizou o perfil do IAC no Youtube para apresentar alternativas para os agricultores brasileiros diante do encarecimento dos preços dos produtos que contêm nutrientes.

O Brasil tem jazidas abundantes de calcário na maioria dos estados. Cantarella lembrou ainda que o calcário não tem cotação em dólar e nem passa pelo Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o comércio global e que foi afetada pela guerra.

O diretor do IAC destaca ainda a análise de solo como ferramenta fundamental nesse período.

Advertisement

Confira a apresentação de Heitor Cantarella.

Fonte: Abracal

Continue Reading

Sustentabilidade

IMEA: Safra 25/26 de algodão em MT tem queda na oferta e redução nos estoques finais – MAIS SOJA

Published

on


Em mai/26, o Imea divulgou a nova estimativa de Oferta e Demanda do algodão em pluma de Mato Grosso para a safra 25/26. Desse modo, a Oferta foi projetada em 3,45 milhões de
toneladas, redução de 3,92% em relação ao ciclo anterior. Parte desse decréscimo está vinculado à menor produção prevista, com queda de 15,91% no comparativo entre safras,
ficando estimada em 2,52 milhões de toneladas. Já a demanda foi projetada em 2,69 milhões de toneladas, incremento de 1,02% em relação à safra passada. Esse avanço está associado à maior estimativa de exportação para o ciclo, projetada em 2,04 milhões de toneladas.

Dessa maneira, os estoques finais ficaram projetados em 762,92 mil toneladas, retração de 18,07% ante a safra anterior. Por fim, desse total, estima-se que 743,42 mil toneladas já estejam vendidas, mas que devem ser escoadas somente no próximo ciclo.

Confira os principais destaques do boletim:

  • ALTA: o contrato jul/26 da Ice NY apresentou aumento de 0,62% em relação à última semana, sendo cotado na média de ¢ US$ 80,16/lp, impulsionado pela valorização do dólar.
  • APRECIAÇÃO: o preço pluma Cepea teve alta de 1,41% no comparativo semanal, acompanhando o mercado externo e a postura mais cautelosa dos vendedores no período de entressafra.
  • VALORIZAÇÃO: o preço do caroço de algodão em Mato Grosso registrou elevação de 1,26% frente à semana passada, ficando precificado na média de R$ 910,77/t.
Em mai/26, o Imea divulgou nova estimativa de safra para o algodão da temporada 25/26.

A área destinada à cotonicultura da safra 25/26 ficou projetada em 1,38 mi de hectares, representando redução de 3,33% em relação à estimativa anterior e 11,11% quando comparado ao consolidado do ciclo 24/25. Parte dessa redução está ligada às margens rentáveis da cultura apresentarem-se mais estreitas em relação aos anos anteriores, atrelada ao cenário de custos mais elevados.

Com isso, os cotonicultores tendem a reduzir a área de algodão, concentrando o cultivo nos melhores talhões e destinando os demais a outras culturas de segunda safra. Em relação à produtividade, houve incremento de 2,34% ante a estimativa passada, projetada em 297,69 @/ha, aumento relacionado às condições climáticas favoráveis, que têm proporcionado um melhor desenvolvimento vegetativo das lavouras. Por fim, a produção de algodão em caroço ficou prevista em 6,14 mi de t, redução de 16,04% em relação à safra passada.

Advertisement

Fonte: IMEA



 

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT