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18 de julho de 2026

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Baiano vê vida tomar novos rumos após investir no café em Mato Grosso

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A produção de café em Mato Grosso está em franco crescimento, principalmente nas regiões noroeste e norte. Juína é considerado um dos principais municípios produtores e foi nele que há oito anos um baiano, que trabalhou praticamente a vida toda com construção civil em sua terra natal, decidiu apostar na lavoura e na cultura, mesmo sem saber um dos principais insumos para o sucesso na cafeicultura: a informação.

Pedreiro em São Gabriel, sua cidade natal no norte da Bahia, Carlos Jair Pereira Rocha migrou para Juína após convite dos pais e do irmão que há cerca de 30 anos já estavam no município.

O sorriso estampado hoje no rosto revela mais do que satisfação com o desempenho da safra. retrata a alegria de quem teve coragem para dar novos rumos para a própria vida, sem ter medo de recomeçar.

“O início foi difícil. Plantei cinco mil pés de café. Não sabia nada de café. Nem conhecia um pé, vim a conhecer aqui”, comenta Jair ao programa Senar Transforma desta semana.

A produção de café é o foco do produtor há oito anos. Segundo ele, o conhecimento da adubação correta, de como podar corretamente, espaçamento entre os pés chegou há três anos na Chácara do Barulho, propriedade localizada no Distrito de Terra Roxa, quando tomou conhecimento do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Mato Grosso, por meio da associação dos cafeicultores de Juína.

“Mudou demais. A produção de café aumentou para todos [da região] depois do técnico”.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Conhecimento que eleva sonhos

Os atendimentos da ATeG Cafeicultura na Chácara do Barulho, que hoje está em plena colheita do café, tiveram início em 2022.

O produtor é atendido pelo técnico de campo do programa do Senar Mato Grosso, Davi Gomes Ferraz. Conforme ele, quando o produtor começou a ser atendido, entre as orientações passadas estavam melhorias na adubação, implantação de ferramentas tecnológicas, melhorias na irrigação, além de caixas de abelhas para auxiliar na polinização e, consequentemente, na produtividade, entre outras.

Na propriedade são cultivados o chamado café comum e o café clonal.

“O ano passado tivemos uma colheita de 160 sacas por hectare. Uma das maiores colheitas que ele teve. Este ano teremos uma colheita similar, mesmo com aqueles 140 dias de seca”, diz ao Canal Rural Mato Grosso o técnico de campo da ATeG Cafeicultura.

O Distrito de Terra Roxa é uma região, explica o técnico, que chove dois mil milímetros e possui uma saturação de terra entre 70% e 80%, considerados ideias para o cultivo da cultura, além de um solo com 50% a 60% de argila.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Café em expansão no estado

A cafeicultura na região de Juína vem forte, de acordo com o técnico de campo da ATeG, tendo se renovado nos últimos 10 anos com a implantação do café clonal.

Hoje, a ATeG Cafeicultura atende 29 produtores na região do Distrito de Terra Roxa. A partir do próximo mês uma nova frente com 30 produtores irá iniciar.

A supervisora da ATeG do Senar Mato Grosso na região, Flávia Firmini de Lima Souza, pontua à reportagem que a cafeicultura vem ganhando espaço principalmente pelos preços pagos pela saca nos últimos anos, bem como pela praticidade de implantação da cultura em pequenas propriedades.

“A nossa região tem essa predominância de ter pequenos produtores. O Senar está com sete frentes em andamento, com perspectivas de mais duas até o final do ano. Atualmente, atendemos entre 200 e 210 produtores”.

A supervisora comenta ainda que além das regiões noroeste e norte de Mato Grosso, também já é possível ver o cultivo de café em regiões da BR-163 e Tangará da Serra.

Além das orientações técnicas, os produtores assistidos pelo programa também recebem informações e orientações quanto a parte de gestão durante as visitas mensais dos técnicos de campo, o que permite ao produtor saber o seu custo de produção, rentabilidade e até onde ele pode investir, principalmente em tempos de flutuação do preço dos insumos e clima.

Um futuro de muito café e felicidade

Com quase 15 mil pés de café, entre normal e clonal, o produtor Carlos Jair Pereira Rocha revela ao Canal Rural Mato Grosso planos de plantar mais cinco mil pés ainda em 2025 e outros cinco mil em 2006.

Quando olha para o cafezal ele afirma que “a gente fica realizado” e que chega a não acreditar “que é da gente”.

“Na Bahia a gente não tinha isso. Um lugar muito seco. A gente fica muito alegre. Casei com o café. Estou feliz. Faria tudo de novo”.

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Algodão sob alerta: chuvas de inverno preocupam cotonicultores de MT durante a colheita

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As chuvas registradas em pleno período de colheita acenderam o alerta entre os cotonicultores de Mato Grosso. Em uma época normalmente marcada pelo tempo seco, as precipitações têm dificultado os trabalhos no campo, comprometido a qualidade da fibra e provocado perdas de produtividade justamente na reta final do ciclo da cultura.

Além dos impactos imediatos na colheita, a previsão de novas chuvas para os próximos dias aumenta a preocupação dos produtores, que temem um agravamento dos prejuízos em um momento decisivo para a safra.

O cenário é observado em municípios do Médio-Norte do estado, como Ipiranga do Norte, onde o algodão vem ampliando espaço nas propriedades rurais e consolidando-se como alternativa de diversificação ao lado da soja e do milho.

Apesar dos problemas causados pelo clima, a expectativa para a safra estadual segue positiva. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) elevou recentemente a estimativa de produtividade para 310,67 arrobas por hectare. Com isso, a produção é projetada em 6,41 milhões de toneladas, a terceira maior da série histórica do instituto, mesmo com redução de 11,1% na área plantada.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Para o presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira Bueno, o avanço da cultura acompanha o fortalecimento da cotonicultura no município. “O produtor que está bem estabilizado diversifica porque acaba diminuindo um pouco a área de milho e aumenta a área de algodão”.

Diversificação ganha espaço nas propriedades

Conhecido como o ouro branco do Cerrado, o algodão tem conquistado cada vez mais espaço nas áreas agrícolas de Ipiranga do Norte e figura entre as principais culturas cultivadas no município, ao lado da soja e do milho.

Eder lembra que o algodão faz parte da história da agricultura mato-grossense e agora avança com mais força em Ipiranga do Norte. Para ele, trata-se de uma cultura de maior risco e que exige investimento elevado. “O algodão ele já é uma cultura antiga em Mato Grosso e agora está chegando em Ipiranga forte. É uma cultura mais arriscada, ela tem um custo maior (…) é uma cultura nova que vem para agregar muito no município”.

Foi esse movimento que motivou o produtor Vinicius Domingos Padilha Daghetti a apostar na cultura há cinco anos. Além do cultivo, ele investiu em uma unidade de beneficiamento equipada com alta tecnologia para preparar a fibra destinada ao mercado externo. Nesta safra, foram plantados 1,3 mil hectares de algodão na propriedade.

Para Vinicius, a decisão também foi influenciada pelas oscilações do mercado do milho, que fizeram do algodão uma alternativa para diversificar a renda. “Com essa volatilização do mercado do milho aí, ele está sendo uma escolha bem razoável e está sendo uma bela alternativa”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Chuva fora de época provoca perdas e compromete a qualidade

Com aproximadamente 30% da área colhida, a expectativa de Vinicius era repetir o desempenho das últimas safras. No entanto, as chuvas registradas durante a fase final do ciclo alteraram o planejamento da colheita e dificultaram a operação das máquinas.

O produtor conta para a reportagem que o período normalmente é de tempo seco, quando ocorre o desfolhamento das plantas e a colheita avança sem interrupções. Neste ano, porém, as precipitações mudaram completamente o cenário. “É a época que falta a chuva e a gente está desfolhando o algodão e não contávamos com essa chuva (…) dentro dos anos que nós estamos dentro da cultura aí é o primeiro ano”.

A umidade já provoca perdas que afetam a rentabilidade da safra. “Em termos de perdas na colheita, que fica grudado no capuleto do algodão, em torno de 10 arrobas por hectare está ficando para trás. A máquina não consegue arrancar”, afirma, ressaltando que “é uma parte do lucro que está indo embora”.

Na propriedade do produtor Valcir Batista Gheno, também em Ipiranga do Norte, a colheita segue sob incerteza. Embora as chuvas tenham sido de menor volume, os primeiros efeitos já aparecem na qualidade da pluma.

“Já houve sim um escorrimento da pluma, já manchou um pouco ela, porque cai a sujeira da folha e pega na pluma. Com certeza já compromete a qualidade da pluma depois na comercialização, na classificação”, diz.

Além da qualidade, o produtor afirma que a umidade também atrasa a retirada da produção da propriedade e, por consequência, a entrada dos recursos da safra. “Tudo isso acaba atrasando e atrapalhando na nossa entrada de renda”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Previsão de novas precipitações amplia apreensão

A previsão de novas chuvas para os próximos dias mantém os produtores em alerta. O receio é que o volume de precipitações aumente justamente quando grande parte das lavouras estiver pronta para ser colhida, ampliando as perdas de produtividade e de qualidade da fibra.

Vinicius afirma que acompanha diariamente as previsões meteorológicas e admite preocupação com a possibilidade de novas precipitações. “Nós estamos de orelha em pé”.

Embora cerca de 70% da produção já esteja comercializada, o produtor admite que a previsão de chuva aumenta a apreensão. “Isso tira mais o sono com essa chuva que está vindo”.

Valcir também acompanha com preocupação as previsões do tempo. Ele lembra que o clima continua sendo um fator fora do controle do produtor, embora a lavoura tenha apresentado bom desenvolvimento. “Agora temos esse fator climático que nós não temos o domínio”.

Caso as chuvas persistam, os prejuízos poderão aumentar justamente na reta final da safra. “Não sabemos a intensidade que pode vir, mas realmente nos preocupa. Se vier mais aumentar esse tipo de problema que já temos hoje instalado (…) qualquer perda que venha com certeza vai acarretar em prejuízo”.


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Quais os prazos, juros e valores da MP da renegociação de dívidas? Cartilha da CNA esclarece

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Imagem gerada por IA

A nova Medida Provisória acordada entre governo, Congresso e bancada do agro sobre as dívidas rurais (MP 1.376), publicada na última quarta-feira (15), ainda levanta muitas dúvidas nos produtores. Para ajudar a clarear o assunto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou um documento com detalhes e informações para o produtor se organizar.

O texto da lei autoriza a contratação de linhas de crédito para liquidar ou amortizar dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs) de produtores afetados por perdas de safra, eventos climáticos extremos ou queda dos preços agropecuários.

O Comunicado Técnico da CNA (faça aqui o download) traz, por exemplo, informações detalhadas que constam na MP sobre quem poderá acessar as linhas de crédito, quais dívidas poderão ser incluídas e os prazos, além de alertar os produtores rurais para que organizem documentos e reúnam provas sobre as perdas.

Quem pode acessar as linhas de crédito?

O documento da CNA esclarece que poderão acessar as linhas de crédito:

  • Produtores rurais;
  • Cooperativas de produção agropecuária, na condição de produtor rural;
  • Com perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025;
  • Com redução mínima de 30% da renda bruta esperada

E os produtores deverão apresentar sempre a comprovação “por laudo de profissional habilitado”.

Já as dívidas que poderão ser incluídas são as seguintes:

  • Custeio, comercialização e industrialização;
  • Parcelas de investimentos vencidas ou com vencimento até 31/12/2026;
  • Operações renegociadas ou prorrogadas;
  • CPRs com liquidação financeira emitidas em favor de instituições financeiras.

Ao analisar a MP, a Confederação diz no Comunicado que o produtor poderá justificar as perdas que teve com eventos climáticos extremos, como enxurradas, alagamentos, inundações, chuvas de granizo, chuvas intensas, tornados, ondas de frio, geadas, vendavais, secas ou estiagens; ou redução dos preços de comercialização dos produtos agropecuários.

Prazo para contratação

A MP estabelece prazo de até 120 dias após a publicação para contratação das linhas, o que corresponde a 12 de novembro de 2026. A efetiva abertura das contratações dependerá da regulamentação e da disponibilidade de recursos.

Nas condições gerais, os produtores enquadrados no Pronaf poderão contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano e prazo de até oito anos.

Para o Pronamp, o limite é de até R$ 2 milhões, com juros de 9% ao ano e prazo de até oito anos. Para os demais produtores, o limite chega a R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano e prazo de até oito anos.

O Comunicado detalha que, para produtores com perdas climáticas em pelo menos três safras e redução mínima de 40% da renda bruta agropecuária esperada, estão previstas condições excepcionais.

No Pronaf, o limite será de até R$ 500 mil, com juros de 5% ao ano e prazo de até 10 anos. No Pronamp, o limite chega a R$ 2,5 milhões, com juros de 8% ao ano e prazo de até 10 anos. Para os demais produtores, o limite será de até R$ 8 milhões, com juros de 11% ao ano e prazo de até 10 anos.

A primeira parcela de amortização do principal vencerá dois anos após a contratação. Durante esse período, haverá pagamento de juros. As garantias poderão ser reduzidas, quando consideradas excessivas, ou ampliadas, quando insuficientes para a nova operação.

As instituições financeiras também poderão prorrogar, por até 30 dias, determinadas parcelas de principal e juros que atendam aos critérios da MP.

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Quando quem planta também transforma: da cooperativa à indústria

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Foto: Leandro Balbino

É domingo. Passam das oito da noite e o ronco das colheitadeiras ainda ecoa pelas lavouras do norte de Mato Grosso.

Julho é tempo de colheita. Até o fim deste mês, as máquinas serão as primeiras a despertar e as últimas a silenciar. Entre uma carreta e outra, o café já não espera esfriar, o almoço chega à beira da lavoura e o relógio perde importância. Quando o clima ajuda, cada hora conta.

Em poucos minutos, o milho recém-colhido deixa o campo. Durante décadas, aquele era apenas o início de uma longa viagem. O destino estava distante: alguma indústria, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, o que significava percorrer cerca de 2.500 quilômetros. Em muitos casos, porém, o milho permanecia nas próprias fazendas, destinado à alimentação animal e utilizado como cultura de rotação com a soja. Isso quando não apodrecia na própria lavoura.

“Como a margem do milho era negativa, abaixo do custo, ele era moeda de troca com fertilizantes e outros produtos. Havia uma função agronômica muito mais importante do que a comercial. Alguns produtores deixavam claro: eu planto milho por conta da soja” – diz André Lunardi, presidente da Coanorte.

Hoje, o percurso é outro. Em poucos quilômetros, o milho chega à indústria construída pelos próprios produtores que o cultivaram. É ali que uma commodity começa a se transformar em etanol, óleo de milho, DDGS, energia e, principalmente, em uma nova forma de enxergar o agronegócio.

Nós já sonhávamos com a verticalização e agregação de valor para a produção. A gente dizia: temos que fazer algo com esse milho aqui na nossa região. Mas entre pensar e agir, foi um longo percurso” – pontuou Lunardi.

Soja matéria Caroline Pilz Pinnow Foto Leandro Balbino
Foto: Leandro Balbino

Essa história não começou com uma indústria. Começou em 2019, quando um grupo de produtores decidiu fazer algo que parecia ainda mais difícil: confiar uns nos outros e criar a Cooperativa Agroindustrial do Norte de Mato Grosso (Coanorte), com o objetivo inicial de fortalecer o poder de compra e de comercialização dos produtores. O resultado veio muito rápido. Em cerca de dois anos, os produtores que tinham 100 hectares (ha) estavam negociando junto com os de 10 mil ha. Isso abriu um novo horizonte de possibilidades.

Com a cooperativa consolidada veio o passo da verticalização. “Nós já estávamos comercializando com algumas indústrias que haviam chegado para transformar o milho em etanol aqui em MT. Então, quando paramos para estudar a viabilidade do negócio, decidimos iniciar o projeto de construção da nossa própria indústria”, comentou Paulo Pinto, produtor rural, associado da Coanorte e acionista da Evermat.

Nos quinze anos que antecederam a entrada das usinas, o milho só era produzido quando havia problemas climáticos ou alguma crise mundial. Hoje, com a transformação do milho em etanol, DDGS, WDG e óleo vegetal, o mercado equilibrou, o superávit foi se reduzindo e os grãos passaram a ter valor. O resultado veio em forma de investimento para as lavouras de milho – melhorando a produtividade por hectare (que praticamente dobrou em cerca de quatro anos), por meio de tecnologia e investimento em sementes e, principalmente, pelo compartilhamento das informações por meio da própria cooperativa.

Antes, grande parte do milho produzido em Mato Grosso deixava o estado in natura. Hoje, uma parcela cada vez maior é industrializada localmente, agregando valor antes de seguir para o mercado. “Neste ano, toda a nossa safra foi vendida para a indústria. A logística é muito melhor e estamos gerando um impacto aqui, onde estamos. Toda a economia se beneficia”, reforça o associado Coanorte e Evermat, Célio Riffel.

Soja matéria Caroline Pilz Pinnow Foto Leandro Balbino
Foto: Leandro Balbino

Superando a resistência

O conselheiro da Coanorte que é presidente da Evermat, Tiago Stefanello, é enfático em dizer: “Cansamos de apenas reclamar do clima, do solo ou dos preços. Decidimos que era preciso fazer algo”. Pela confiança dos sócios, ele foi eleito para levar a obra adiante, com carta branca para as decisões, em nome das 36 famílias associadas.

Seriedade e idoneidade vêm de berço, foram valores que nos uniram na cooperativa. São famílias que acreditaram num sonho, num projeto, e nos dão a liberdade e autoridade para encabeçar a empresa. Quando se tem uma base forte, todo sonho é alcançado”, pontuou.

Valores

Mais difícil do que começar algo novo é garantir que ele se mantenha, e é por isso que, de forma unânime, o discurso dos produtores envolvidos no projeto convergem para um mesmo ponto – valores. Os valores que também são a essência do cooperativismo: ajuda mútua, autorresponsabilidade, democracia, igualdade, equidade, solidariedade, honestidade, abertura, responsabilidade social e interesse pelos demais.

O associado Leo Righi diz que quando viu as pessoas que estavam junto com ele, não teve dúvidas: ‘eram pessoas de firmeza, caráter e honestidade, eu falei – é aqui que vou colocar minha sementinha para crescer junto. O meu sangue é de produtor e agora está se transformando em industrializador, que é uma versão moderna que estou amando ser”.

O milho continua deixando as lavouras todos os dias. A diferença é que agora ele percorre poucos quilômetros antes de ganhar uma nova forma, um novo valor e um novo destino. Mais do que transformar grãos em etanol, os produtores descobriram que o cooperativismo também era capaz de transformar o próprio futuro. E talvez essa tenha sido a maior colheita de todas.

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Foto: Leandro Balbino

Evermat em números

Idealizada por 36 famílias de produtores rurais, a Evermat representa um investimento superior a R$ 1 bilhão. Em sua primeira fase de operação, a indústria tem capacidade para processar 1.250 toneladas de milho por dia, transformando a produção agrícola em energia, biocombustíveis e ingredientes para nutrição animal.

Anualmente, a unidade poderá produzir até 207 mil m³/ano de etanol anidro ou hidratado (215 mil m³); 134 mil m³/ano toneladas de DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles / grãos de destilaria adicionados de solúveis líquidos) ou WDG (Wet Distillers Grains / grãos úmidos de destilaria); 7,9 mil toneladas de óleo de milho e 13 MW de energia elétrica a partir de biomassa.

A construção da indústria mobilizou mais de 2 mil trabalhadores diretamente, além de milhares de empregos indiretos. Com o início da operação comercial, em maio deste ano, a Evermat mantém mais de 200 empregos diretos e cerca de 800 indiretos, fortalecendo a economia e impulsionando o desenvolvimento do norte de Mato Grosso. A Evermat está localizada em Sinop (MT), às margens da BR-163, os principais corredores logísticos são os do Arco Norte, especialmente aqueles que utilizam a rodovia BR-163 até o Pará. Os principais destinos para escoamento de produtos por Miritituba (Itaituba–PA), Santarém (PA), Barbacena (PA) e Porto de Itaqui (São Luís–MA).


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