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18 de junho de 2026

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Guerra afeta o custo do feijão do Brasil

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O feijão enfrenta impactos indiretos significativos decorrentes do conflito Israel-Irã, que se intensificou dramaticamente com a entrada dos Estados Unidos na guerra e os ataques israelenses a instalações iranianas no 11º dia do conflito.

Os efeitos se manifestam principalmente através do encarecimento dos custos de produção e logística, embora não seja mencionado especificamente como uma das commodities mais afetadas diretamente pelo conflito.

Impactos nos fertilizantes para o feijão

O feijão, assim como outras leguminosas, depende de fertilizantes nitrogenados para seu desenvolvimento, especialmente durante as fases iniciais de crescimento. Com o Irã sendo o terceiro maior exportador de ureia do mundo, responsável por 10% da oferta global com 4,8 milhões de toneladas anuais, e fornecendo 17% da ureia importada pelo Brasil, o encarecimento desse insumo afeta diretamente os custos de produção do feijão.

A ureia é fundamental para o desenvolvimento vegetativo da cultura, e sua escassez ou encarecimento pode comprometer tanto a produtividade quanto a viabilidade econômica da lavoura.

O impacto nos preços foi imediato: o fertilizante subiu de US$ 399 por tonelada para US$ 500 por tonelada em menos de uma semana. Além disso, as tensões no Oriente Médio levaram à interrupção da produção de ureia no Egito, já que Israel reduziu a produção de gás em polos estratégicos, impactando diretamente o Egito, que utiliza esse insumo na fabricação de fertilizantes.

Isso mexe na oferta do mercado global, criando pressão adicional nos custos de produção para os produtores de feijão que ainda não adquiriram os insumos para a safra 2025/26.

Efeitos do aumento do petróleo

O preço do petróleo Brent subiu 19% desde o início dos primeiros ataques israelenses, atingindo US$ 77,1 por barril (R$ 419) nesta segunda-feira (23), refletindo a entrada dos EUA no conflito e a decisão do parlamento iraniano de considerar o fechamento do Estreito de Ormuz.

Esse aumento gera efeitos cascata que impactam a cultura do feijão:

  • Custos de transporte: o feijão brasileiro depende fortemente do transporte rodoviário para chegar aos centros de consumo. Com o aumento do preço do diesel – combustível essencial para abastecer caminhões responsáveis por transportar mais da metade das cargas no Brasil – os custos de frete tendem a subir, pressionando as margens dos produtores.
  • Custos operacionais: as operações de plantio, tratos culturais e colheita do feijão dependem de maquinário que consome diesel, elevando os custos diretos de produção.

Impactos logísticos e risco do Estreito de Ormuz

O conflito já provoca alta dos fretes marítimos, afetando não apenas a importação de fertilizantes, mas também o custo de importação de outros insumos utilizados na cultura do feijão, como defensivos agrícolas e equipamentos.

A decisão do parlamento iraniano de considerar o fechamento do Estreito de Ormuz representa uma ameaça crítica, já que por esse pequeno trecho marítimo de 33 quilômetros passam 20% da produção mundial de petróleo, equivalente a 19 milhões de barris por dia.

Israel atacou seis aeroportos do Irã nas regiões oeste, centro e leste, destruindo pistas, hangares e aeronaves, incluindo aviões militares F-14, F-5 e AH-1. Também mirou instalações de produção energética, incluindo o complexo South Pars, que abriga um dos maiores campos de gás natural do mundo, e refinarias de petróleo no sul do país.

Cenário de incertezas ampliado

O momento exige que os produtores de feijão apertem o cinto de segurança e revisem o planejamento praticamente toda semana. A escalada militar, com Israel utilizando mais de 15 aviões de combate para atacar instalações iranianas e o Irã respondendo com ataques que deixaram 11 pessoas feridas em Israel, cria um ambiente de extrema volatilidade.

A volatilidade dos preços de insumos e combustíveis cria um ambiente de incerteza que dificulta o planejamento de safra, especialmente considerando que o feijão tem ciclos mais curtos que outras culturas, permitindo múltiplas safras anuais.

A questão cambial também afeta indiretamente o feijão, uma vez que a desvalorização do real encarece a importação de fertilizantes e outros insumos, pressionando ainda mais os custos de produção dessa cultura essencial para a segurança alimentar brasileira.

O conflito representa um risco real para as cadeias globais de suprimentos, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar e à logística internacional, com expectativas de que os preços do petróleo possam alcançar os níveis observados no início da invasão russa da Ucrânia, gerando impacto inflacionário em diversas cadeias produtivas.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Paraná prepara novo edital do Compra Direta para cooperativas e agricultura familiar

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O Estado do Paraná se prepara para lançar, neste ano, a Chamada Pública Eletrônica nº 1/2026 do Programa Compra Direta Paraná. Vinculada ao Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Desan), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a nova etapa dará continuidade à compra de alimentos de cooperativas e produtores da agricultura familiar para atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo o material divulgado nesta quinta-feira (18), o programa foi implementado em 2020 e completa seis anos de execução em 2026. A política pública é voltada ao escoamento da produção de agricultores locais, com fornecimento para cozinhas comunitárias, restaurantes populares, hospitais filantrópicos e a rede socioassistencial paranaense.

No balanço de 2025, foram firmados 188 contratos com cooperativas e associações da agricultura familiar, somando R$ 77 milhões em investimentos em todas as regiões do Paraná. De acordo com a Seab, o programa entregou 9 milhões de toneladas de alimentos frescos nos 399 municípios do estado. Entre os produtos citados estão ovos, pães, sucos, arroz, feijão, frutas, legumes, hortaliças e orgânicos. O material informa ainda atendimento direto a 400 mil famílias em situação de vulnerabilidade.

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A nova chamada pública eletrônica foi estruturada em dois pilares: a distribuição dos alimentos em grupos e o uso de um sistema eletrônico para integrar as etapas do processo. A plataforma, segundo a secretaria, reúne cadastro do projeto de venda, registro dos agricultores, apresentação de propostas, classificação de produtos, habilitação de fornecedores e acompanhamento da execução dos contratos e das entregas.

De acordo com a coordenadora estadual do programa, Angelita Avi Pugliesi, as datas oficiais e as demais informações ainda serão divulgadas no site da Seab e pelos escritórios regionais da secretaria. O material não informa, até o momento, cronograma, valores previstos para o novo edital nem o número esperado de contratos para o ciclo 2026.

A nova etapa mantém a continuidade de uma política de compra pública voltada à agricultura familiar no Paraná, mas os detalhes operacionais do edital de 2026 ainda não foram divulgados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Fonte: agricultura.pr.gov.br

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Gargalos estruturais e margens apertadas desafiam mercado de sementes

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Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

O mercado de sementes enfrenta um ciclo severo de ajustes provocado pela compressão de margens em toda a cadeia produtiva. Além do estrangulamento financeiro, o esgotamento do crescimento puramente horizontal das últimas duas décadas e as restrições no acesso ao crédito rural trazem novos desafios para o setor.

O cenário foi debatido por executivos de grandes indústrias e empresas de genética nesta quinta-feira (18), durante o segundo dia da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem). O painel Perspectivas do Futuro da Comercialização de Sementes, realizado em Rondonópolis (MT), discutiu os rumos do segmento em meio ao avanço da digitalização e da integração de dados.

As dificuldades econômicas atuais afetam de forma homogênea desde a base produtiva até as companhias de insumos. Diante desse cenário de retração, a sobrevivência e a competitividade dos negócios dependem diretamente do aumento da eficiência comercial.

Para o líder Comercial Brasil e Paraguai da Corteva, Willian Weber, o momento do agronegócio exige resiliência de todos os elos. “Não só o setor de sementes, mas todo o agrícola está passando por margens apertadas. A indústria também”.

Ajustes e pressão do tempo

Na avaliação de Weber, o redesenho das relações comerciais torna-se obrigatório para superar a crise atual. “Ao mesmo tempo os desafios criam oportunidades. Não podemos sair dessa crise da mesma forma que entramos. Sairão aqueles que tiverem a capacidade de se sobressair. Cabe aqui uma reflexão. Não cabe aqui um alinhamento dos setores, dos multiplicadores?”.

Além da pressão financeira, o tempo de maturação das inovações e as barreiras burocráticas travam o ritmo de entrega de novas tecnologias ao produtor. O líder da Unidade Comercial de Soja e Lançamentos da Bayer, Fábio Passos, pondera que o intervalo entre a pesquisa básica e o uso comercial efetivo ainda é excessivo frente às necessidades urgentes constatadas nas lavouras.

Segundo Passos, a velocidade da resposta da indústria precisa acompanhar com mais dinamismo o dia a dia do campo. “Ao mesmo tempo que a gente inova, nós temos que ser efetivos. Quando olhamos para a inovação tem que ser cada vez mais curto o espaço de tempo. Hoje entre sair do laboratório até chegar no produtor são 15 anos. Precisamos ser mais efetivos nisso quando detectamos um problema, uma necessidade no campo”.

Essa perda de dinamismo encontra obstáculos estruturais complexos que vão além das porteiras das empresas. O vice-presidente da Divisão de Soluções para a Agricultura da Basf no Brasil, Marcelo Batistela, explica que o setor agrícola encerrou um longo período de expansão de área e agora precisa focar na organização interna da cadeia e nos custos operacionais.

“Estamos num ciclo de ajustes que estão afetando todos. O desafio hoje é estrutural. Nas últimas duas décadas vimos um crescimento horizontal, vamos continuar crescendo, mas não no mesmo ritmo. Hoje precisamos ajustar a questão de oferta e demanda”, alerta Batistela.

Para superar o atual cenário, o executivo defende que a cadeia precisa trabalhar melhor, organizando-se e cooperando mais entre si. “Outro problema estrutural é o custo. A demanda sempre vai continuar e nós do Brasil temos capacidade para ampliar a oferta. Nós todos como cadeia precisamos trabalhar melhor. Se organizar mais, cooperar mais.”.

O avanço tecnológico do país depende dessa união regulatória e de um olhar atento ao mercado global. Batistela pontua que o setor precisa de agilidade institucional e afirma que “precisamos estar mais atentos à legislação e ao exterior para a liberação das tecnologias”.

Consolidação e crédito restrito

O redesenho do mercado regional também é impulsionado por movimentos de consolidação corporativa. Francisco Soares, presidente da TMG, traça um paralelo com a evolução histórica da área plantada no estado e destaca o forte incremento tecnológico das últimas décadas.

“Há 25 anos o Brasil plantava 13 milhões de hectares de soja e isso Mato Grosso planta hoje. O salto produtivo foi muito grande. Onde na história se teve isso? A gente vê esses movimentos caminhando para as consolidações”, contextualiza Soares.

Na avaliação do executivo da TMG, as mudanças nos próximos anos serão direcionadas por esse processo de fusões e aquisições. “Eu acredito que os próximos anos caminharão para isso. Por outro lado, os produtores possuem cada vez mais sementes de qualidade”.

Na ponta final do negócio, o principal entrave para a comercialização tem sido a falta de liquidez e os critérios rigorosos de financiamento. Júlio César Poletto, líder de Negócios da GDM, avalia que, embora o mercado preserve espaço para os diferentes competidores a longo prazo, o cenário imediato é travado pela escassez de recursos.

“Creio que o mercado continuará tendo espaço para todos”, projeta Júlio César. Contudo, ele pondera que as dificuldades atuais de financiamento desaceleram o ritmo dos negócios, resumindo o atual momento do campo ao afirmar que “hoje precisamos melhorar mais o acesso ao mercado. Hoje temos restrições de crédito”.


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Força-tarefa vistoria 522 imóveis após foco de greening no Rio Grande do Sul

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A força-tarefa montada após a confirmação do primeiro foco de greening (HLB) no Rio Grande do Sul já vistoriou 522 imóveis e erradicou 201 plantas cítricas em Palmitinho, no Médio Alto Uruguai. Segundo informações apresentadas nesta quinta-feira (18/6), as ações são conduzidas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desde a confirmação da doença, em 8 de junho.

De acordo com o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, o protocolo de emergência foi adotado imediatamente após a confirmação do caso. Os trabalhos de fiscalização e erradicação no raio de 500 metros ao redor do foco já foram concluídos, enquanto o monitoramento na área ampliada de 2,4 quilômetros está em fase final.

Até esta quarta-feira (17/6), as equipes haviam vistoriado 42 imóveis no raio de 500 metros da propriedade onde a doença foi identificada. Nesse perímetro, foram erradicadas 178 plantas, realizadas 100 coletas de material para análise laboratorial e inspecionadas outras 217 plantas sem sintomas.

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Na área de monitoramento de 2,4 quilômetros, foram vistoriados 480 imóveis. As equipes coletaram 70 amostras para análise e identificaram 13 propriedades com necessidade de erradicação, totalizando a eliminação de 23 plantas.

Segundo Felicetti, a presença de grande quantidade de plantas cítricas em áreas urbanas levou à ampliação das ações de vigilância. Ele informou que, nas próximas semanas, serão feitas novas prospecções na área rural e que também poderá haver ampliação da vigilância para municípios vizinhos.

As ações seguem as diretrizes do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Huanglongbing (PNCHLB). O principal alvo do controle é o psilídeo Diaphorina citri, inseto transmissor da bactéria associada ao greening.

O superintendente do Mapa no Rio Grande do Sul, José Cleber Dias de Souza, afirmou que as equipes estaduais e federais seguem mobilizadas de forma coordenada para conter o foco identificado em Palmitinho.

Segundo o material apresentado, o greening não tem cura, compromete a produtividade, reduz a qualidade dos frutos e pode levar à morte das plantas. Por isso, a estratégia adotada no foco identificado em Palmitinho concentra erradicação, controle do inseto transmissor e monitoramento das áreas vizinhas. O conteúdo divulgado não informa prazo para o encerramento das ações nem estimativa de impacto sobre a citricultura gaúcha.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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