Business
Produção de algodão na China pode superar 7 mi/t pelo segundo ano consecutivo

As previsões para a produção de algodão no Brasil e na Austrália seguem elevadas, assim como para a China, onde espera-se uma safra superior a sete milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.
Ao mesmo tempo, as incertezas em torno do consumo permanecem diante das altas taxas de juros, tensões geopolíticas, conflitos armados, incerteza sobre tarifas e demanda fraca por fios.
As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (21).
Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:
Algodão em NY – O contrato Jul/25 fechou nesta quarta-feira, 18/jun, cotado a 64,84 U$c/lp (-0,5% vs. 12/jun). O contrato Dez/25 fechou em 66,67 U$c/lp (-1,2% vs. 12/jun).
Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 991 pts para embarque Jun/Jul-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 18/jun/25).
Baixistas 1 – O contrato Dez/25 atingiu o menor patamar desde abril, pressionado por oferta abundante e demanda fraca.
Baixistas 2 – A produção no Brasil e Austrália permanece elevada. Na China, espera-se safra maior que 7 milhões de tons pelo segundo ano consecutivo.
Baixistas 3 – O consumo segue incerto diante de altas taxas de juros, tensões geopolíticas, conflitos armados, incerteza sobre tarifas e demanda fraca por fios.
Altistas 1 – Embora o USDA esteja projetando produção de 14 milhões de fardos este ano nos EUA, muitos analistas acreditam que essa previsão ainda está superestimada, especialmente diante das condições atuais de área e clima.
Missão Ásia 1 – A Abrapa encerrou com sucesso a missão na Ásia. Na segunda (16), o seminário Cotton Brazil Outlook reuniu os principais industriais têxteis da Coreia do Sul em Seul. O evento foi realizado em parceria com a SWAK, principal entidade do setor têxtil Coreano.
Missão Ásia 2 – O governador de MT, Mauro Mendes, prestigiou o evento com sua comitiva, assim como a embaixadora do Brasil na Coreia do Sul, Márcia Donner.
Missão Ásia 3 – A missão faz parte do programa Cotton Brazil, realizado pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil e apoio da Anea. Antes de Seul, a comitiva brasileira composta por produtores e traders brasileiros esteve no Congresso Chinês de Algodão em Guangzhou (China), e em Taipei (Taiwan).
Better Cotton Conference 1 – A Abrapa destacou durante a Better Cotton Conference a contribuição do cotonicultor brasileiro para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Better Cotton Conference 2 – O tema foi abordado pelo diretor da Abrapa, Marcelo Duarte, durante sua palestra no evento, que ocorreu nesta semana em Izmir, Turquia.
Better Cotton Conference 3 – O diretor da SLC Roberto Acauan participou de importante painel na plenária principal do evento. Roberto apresentou as ações do grupo para mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Better Cotton Conference 4 – A delegação brasileira que participou do evento, com representantes da Abrapa e da Anea, ainda realizou importantes reuniões para nosso setor durante o evento na Turquia.
Better Cotton Conference 5 – A Better Cotton anunciou que se tornará um padrão regenerativo nos próximos 12 meses, atualizando seus Princípios e Critérios, implementando uma estrutura de relatórios baseada em resultados socioambientais.
Better Cotton Conference 6 – Nick Weatherill foi apresentado como novo CEO da Better Cotton, substituindo Alan McClay após 10 anos. Ex-diretor executivo da International Cocoa Initiative, Weatherill traz ampla experiência em sustentabilidade.
Better Cotton Conference 7 – O primeiro compromisso internacional de Nick como CEO será uma viagem ao Brasil em Julho, em parceria com Abrapa e Anea.
EUA – O plantio nos EUA está chegando ao fim. O trabalho está quase concluído em seis dos 15 principais estados produtores e 85% da área estimada foi plantada até 15/jun (5 p.p. a menos que a média de cinco anos).
China 1 – As importações de algodão pela China em maio somaram cerca de 40 mil tons. Desde Out/16 os números não eram menores que 50 mil tons. O volume acumulado em 2024/25 é de 1,05 milhão de tons (contra 2,9 milhões tons da temporada passada).
China 2 – Importações de fios de algodão pela China atingiram 100 mil tons em maio (-7% X abr/25 e abaixo também de mai/2024). No acumulado da temporada, o total é de 1,06 milhão tons (contra 1,3 milhão em 2023/24).
China 3 – Observadores locais continuam prevendo um aumento na produção chinesa de algodão este ano, mesmo com o clima mais quente em Xinjiang.
Paquistão 1 – O plantio já foi concluído em muitos distritos paquistaneses.
Paquistão 2 – Entra em vigor em 1º de julho o imposto de 18% sobre fios importados. Fiações paquistanesas já preveem aumento de preços no mercado interno.
Brasil – Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 71,9 mil tons na primeira semana de maio. A média diária de embarque é 10,3% menor que no mesmo mês em 2024.
Brasil – Colheita 2024/25 – Até ontem (19/06), foram colhidos no estado da BA (6%), GO (30,55%), MG (25%), MS (2,25%), PI (9%), PR (75%) e SP (76,5%). Total Brasil: 2,42%.
Clique aqui, entre em nossa comunidade no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
Business
Embrapa indica estratégias para adaptar cultivo de hortaliças

Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) propõe diretrizes para tornar o cultivo de hortaliças no Brasil mais resiliente aos impactos do El Niño. O trabalho aborda as bases fisiológicas das plantas, as vulnerabilidades produtivas e as estratégias de adaptação para a produção.
Os especialistas da Embrapa Hortaliças (DF) analisaram diversos plantios para enfrentar sequências contínuas de eventos extremos característicos do El Niño, como ondas de calor mais longas e intensas, chuvas volumosas e secas agrícolas.
A adoção das práticas propostas representa uma mudança estrutural no modo de produzir: “As recomendações propostas não devem ser enxergadas como uma opção pontual, mas sim como o início de uma transição na forma como se cultivam hortaliças no Brasil, por meio de sistemas mais resilientes e adaptados climaticamente”, sugere o pesquisador Marcos Brandão Braga.
Diagnóstico e impactos
O trabalho faz um panorama da olericultura nacional e relata que a maioria das hortaliças consumidas necessita de temperaturas amenas (18 ºC – 25 ºC), boa qualidade da água e disponibilidade hídrica, além de não tolerar excesso de chuvas e estresse hídrico.
O estudo apresenta também a caracterização meteorológica do El Niño, correlacionando os cenários de altas temperaturas com o aumento da evaporação, da demanda hídrica e da escassez de água. Essas condições elevam os riscos de salinização do solo e de surtos de pragas.
Em contrapartida, o cenário de chuvas intensas gera encharcamento e excesso hídrico, o que compromete o desenvolvimento das raízes e o ciclo de vida das plantas, além de aumentar a incidência de doenças fúngicas e bacterianas.
Vulnerabilidade dos grupos de hortaliças
Devido às distintas exigências térmicas e hídricas das espécies vegetais, o trabalho mapeou as fragilidades específicas dos principais grupos de hortaliças:
- Solanáceas (tomate, pimentão e batata): apresentam alta sensibilidade a temperaturas elevadas, que afetam diretamente o florescimento e a frutificação.
- Folhosas e brássicas (alface, coentro, couve, brócolis, couve-flor e repolho): são vulneráveis pela exposição direta da área foliar ao calor extremo e à escassez de água.
- Aliáceas (alho e cebola): apresentam forte dependência de irrigação regular e alta sensibilidade às variações de temperatura.
- Raízes e tubérculos (cenoura, beterraba e batata-doce): desenvolvem-se no solo e dependem diretamente de estabilidade hídrica, pois o excesso ou a escassez de água compromete a formação e o crescimento das raízes.
- Cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora e abobrinha): necessitam de disponibilidade uniforme de água; o excesso de calor prejudica desde a germinação até o desenvolvimento dos frutos.
Estratégias de adaptação e práticas conservacionistas
Para reduzir as vulnerabilidades dos cultivos de hortaliças, os pesquisadores apontam seis eixos prioritários de atuação para os produtores:
- Monitoramento constante: acompanhamento do risco climático e das condições locais.
- Ajuste de calendário e genética: adoção de calendários agrícolas flexíveis, diversificação de culturas e uso de materiais geneticamente adaptados.
- Manejo integrado de recursos: gestão conjunta de água, conservação do solo e sistemas de drenagem.
- Manejo microclimático: proteção das lavouras para reduzir a exposição direta aos extremos térmicos.
- Manejo fitossanitário orientado ao risco: monitoramento e controle preventivo de pragas e doenças fortalecidos pelo diagnóstico climático.
- Validação de tecnologias conservacionistas: fortalecimento do cultivo mínimo e do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH).
Braga relata que a adoção de sistemas conservacionistas reduz a temperatura e a amplitude térmica (diferença entre as temperaturas máxima e mínima registradas em um local durante um determinado período de tempo) na superfície do solo, amortece o impacto direto das gotas de chuva, favorece a infiltração de água e reduz a evaporação, o escoamento superficial e a erosão.
As diretrizes de adaptação tecnológica para a olericultura variam conforme os riscos climáticos de cada região brasileira, priorizando a irrigação localizada e o manejo da salinidade no Norte e no Nordeste, o controle de encharcamentos e doenças no Sul, e o uso de sensores de umidade, de telas anti-insetos e de cultivo protegido no Centro-Oeste e no Sudeste.
Além do El Niño: resiliência de longo prazo
Os desafios climáticos enfrentados pela olericultura superam os limites temporais de episódios isolados do El Niño, alerta o pesquisador. A combinação simultânea de calor, alta demanda evaporativa, flutuações hídricas e pressão fitossanitária exige soluções integradas.
“Por isso, a resiliência depende da integração entre genética adaptada, manejo eficiente da água, conservação e drenagem do solo, manejo do microclima, diversificação, cultivo protegido e gestão fitossanitária”, ressalta Braga.
A estratégia de resiliência está detalhada em um estudo de autoria dos pesquisadores Marcos Brandão Braga, Samuel Cordeiro Vitor Martins e Carlos Eduardo Pacheco Lima, da Embrapa Hortaliças (Brasília, DF).
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
Business
cartilha orienta produtores rurais sobre folgas, jornadas e mudanças nos contratos

Organizar as escalas de trabalho, garantir duas folgas semanais aos empregados, revisar contratos e calcular os custos da nova jornada. Essas estão entre as principais orientações de uma cartilha elaborada pelo Sistema Faep para ajudar os produtores rurais a se adaptarem à escala de trabalho 5×2, que entra em vigor em 15 de dezembro de 2026.
O material, divulgado na última quarta-feira (4), apresenta 11 recomendações práticas para empregadores rurais, com foco na adequação das atividades dentro das propriedades e na prevenção de passivos trabalhistas, multas e outros prejuízos.
A mudança ocorre após a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, que determinou o fim da escala 6×1 e estabeleceu a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial.
Até 14 de dezembro, permanece o limite de 44 horas semanais, com uma folga por semana. A partir de 15 de dezembro, o máximo será de 42 horas, com dois dias de descanso remunerado. Em 15 de dezembro de 2027, o limite cairá para 40 horas semanais. Normas Legais+1
O que o produtor rural precisa fazer para se adaptar?
A cartilha recomenda que os empregadores comecem a reorganizar suas propriedades antes da entrada em vigor das novas regras.
Entre as principais orientações estão:
- Fazer um levantamento dos empregados: identificar todos os trabalhadores, suas funções, jornadas e formas de remuneração.
- Mapear as atividades da propriedade: separar os serviços que precisam ser realizados diariamente daqueles que podem ser concentrados em cinco dias da semana.
- Reorganizar as escalas: distribuir os trabalhadores de modo a garantir duas folgas semanais para cada empregado, sem comprometer as operações.
- Calcular os custos: avaliar a necessidade de contratação de funcionários, mudanças nos turnos e possíveis impactos sobre a folha de pagamento.
- Conversar com os trabalhadores: apresentar as alterações e organizar a transição antes do prazo previsto na legislação.
- Formalizar as mudanças: ajustar os contratos por meio de termos aditivos, observando as regras legais e os instrumentos coletivos aplicáveis.
- Atualizar os registros trabalhistas: revisar a folha de pagamento e as informações do eSocial com o apoio do contador.
- Controlar a jornada: registrar horários de entrada, saída e descanso para comprovar o cumprimento da legislação.
O guia ressalta que o registro de ponto é obrigatório nos estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores, mas recomenda o controle mesmo nas propriedades com equipes menores.
Como ficam a ordenha, a colheita e o trato dos animais?
Uma das principais preocupações no meio rural é a continuidade das atividades que não podem ser interrompidas, como ordenha, alimentação dos animais, irrigação, vigilância e colheitas realizadas em períodos específicos.
A nova legislação não impede que esses serviços sejam executados aos fins de semana ou em dias de descanso de outros empregados. No entanto, cada trabalhador deverá ter suas duas folgas semanais asseguradas.
Para lidar com essas situações, a cartilha apresenta duas alternativas.
A primeira é a escala de revezamento, na qual os empregados trabalham em dias diferentes, permitindo a continuidade das operações sem que um mesmo funcionário ultrapasse os limites de jornada e descanso.
A segunda é o regime de compensação de horários, que permite reorganizar a distribuição das horas de trabalho, respeitando os requisitos legais e a necessidade de negociação coletiva nas situações previstas.
Essas alternativas podem ser utilizadas para adequar atividades contínuas às novas exigências, mas precisam observar as regras específicas de cada relação de trabalho.
Contratos e acordos coletivos também precisam ser revisados
Outra orientação da cartilha é que produtores e sindicatos rurais analisem os contratos, acordos e convenções coletivas atualmente em vigor.
As cláusulas incompatíveis com a nova jornada perderão efeito em 15 de dezembro de 2026.
Por isso, o Sistema Faep recomenda que os sindicatos patronais procurem as entidades representantes dos trabalhadores para negociar os ajustes necessários antes dessa data, sem aguardar a próxima data-base.
Os termos aditivos aos instrumentos coletivos devem ser registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A entidade reforça que as alterações não podem resultar em redução dos salários ou dos pisos salariais dos trabalhadores.
Quais pontos ainda precisam de regulamentação?
Apesar da definição da nova jornada, a cartilha alerta que algumas situações ainda apresentam dúvidas sobre sua aplicação no meio rural.
Entre elas está a possibilidade de criação de regimes diferenciados conforme a atividade econômica, que dependerá de legislação específica.
Também existem questionamentos sobre as medidas transitórias previstas para micro e pequenas empresas, já que a norma não menciona expressamente os produtores rurais que atuam como pessoas físicas.
Outro ponto é a compatibilidade da escala 12×36 com as novas regras, especialmente para profissionais que exercem funções de vigilância e trabalhadores contratados como caseiros.
O documento também aborda as condições aplicáveis aos chamados empregados hipersuficientes, profissionais com diploma de nível superior e remuneração igual ou superior a 2,5 vezes o teto dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Onde consultar a cartilha?
O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta que o material pretende auxiliar os produtores na transição, mas não substitui uma avaliação individualizada das relações de trabalho.
“A cartilha é orientativa, ou seja, não substitui a análise de eventuais casos específicos pelo contador ou advogado. Em caso de dúvidas, o produtor pode procurar o sindicato rural local”, destaca.
O documento está disponível gratuitamente no site do Sistema Faep e reúne informações sobre jornadas, escalas, regimes de trabalho, folgas e adequações necessárias nas propriedades rurais.
Acesse a cartilha completa sobre a escala 5×2 no campo
*Sob orientação de Hildeberto Jr.
Business
IA e robôs desenvolvem plantas resilientes nos Países Baixos

Identificar quais plantas conseguem sobreviver melhor à seca, às altas temperaturas e a outras condições ambientais extremas, compreender os fatores que explicam essa resistência e utilizar os resultados no desenvolvimento de novas variedades agrícolas. Esse é um dos objetivos das pesquisas realizadas no Centro Neerlandês de Ecofenotipagem de Plantas (NPEC, na sigla em inglês), nos Países Baixos.
Operado conjuntamente pelas universidades de Wageningen e Utrecht, o centro utiliza robôs, sensores, câmeras tridimensionais e inteligência artificial (IA) para acompanhar o desenvolvimento de milhares de plantas e identificar características associadas à produtividade e à resistência a condições adversas.
A infraestrutura conta com um sistema automatizado de cultivo capaz de controlar e fornecer quantidades precisas de água e nutrientes conforme as necessidades dos experimentos.
Em estufas envidraçadas, espécies como alface, batata e tomate são monitoradas continuamente. As informações coletadas permitem aos pesquisadores analisar o crescimento das plantas e suas respostas a diferentes condições ambientais, substituindo parte das avaliações visuais por medições automatizadas e análises preditivas.
O objetivo é acelerar a identificação de variedades com maior potencial produtivo e capacidade de adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para o desenvolvimento de uma agricultura mais eficiente e sustentável.
Como funciona a tecnologia
O NPEC utiliza uma abordagem conhecida como ecofenotipagem, que consiste na medição quantitativa e automatizada das características e do desempenho das plantas, tanto acima quanto abaixo do solo, em ambientes controlados ou em condições de campo.
Para isso, a infraestrutura reúne esteiras automatizadas, balanças, sensores, câmeras, equipamentos de escaneamento 3D e sistemas de inteligência artificial.
Essas tecnologias permitem registrar informações sobre crescimento, desenvolvimento das raízes, consumo de água e respostas das plantas a diferentes estímulos ambientais.
Os experimentos avaliam fatores como temperatura, luminosidade, umidade, concentração de gás carbônico e características do solo, além de interações com microrganismos, competição entre plantas e resistência a doenças.
A partir dessas medições, os cientistas conseguem relacionar características físicas e fisiológicas das plantas, chamadas de fenótipos, às informações genéticas, identificando quais genótipos apresentam melhor desempenho em determinadas condições.
Segundo Rick van de Zedde, gerente de programas da Universidade de Wageningen, a principal contribuição do centro está na capacidade de acompanhar o desenvolvimento de um grande número de plantas simultaneamente, com menor necessidade de intervenções humanas.
“Não fazemos genômica, edição ou melhoramento genético. Nosso foco é medir o desempenho da planta ao longo do tempo, sob diferentes condições ambientais, fornecendo ferramentas para ajudar a estudar o máximo de plantas possível em um único experimento, sem muitos humanos envolvidos”, explicou.
Pesquisa pode acelerar o desenvolvimento de novas variedades
Uma das principais aplicações da tecnologia está no melhoramento vegetal. Ao identificar características relacionadas à tolerância à seca, à salinidade e a doenças, os pesquisadores podem fornecer informações para a seleção de genótipos mais adaptados às condições de cultivo.
O monitoramento contínuo também permite observar como diferentes variedades reagem ao estresse ambiental ao longo do desenvolvimento, em vez de avaliar apenas o resultado final do crescimento.
Com essas informações, os programas de melhoramento podem selecionar antecipadamente materiais com maior potencial de adaptação, reduzindo a necessidade de testar um número elevado de variedades nas etapas seguintes.
A expectativa é que o uso combinado da automação e da inteligência artificial contribua para reduzir o tempo necessário ao desenvolvimento de novas cultivares, embora a validação em condições reais de campo continue sendo necessária.
“Focamos principalmente em medir o desempenho da planta ao longo do tempo”, ressaltou Van de Zedde.
De pequenas mudas a lavouras inteiras
Para realizar experimentos em diferentes escalas, o NPEC está organizado em seis módulos tecnológicos integrados, que permitem acompanhar desde pequenas mudas até plantas cultivadas em áreas agrícolas.
Nas câmaras climáticas multiambiente, os pesquisadores conseguem reproduzir situações de estresse, como seca e temperaturas extremas, para avaliar a resposta das espécies.
O centro também conta com salas de crescimento de alta performance, preparadas para analisar simultaneamente milhares de plantas em condições rigorosamente controladas.
Nas estufas, o transporte automatizado por esteiras permite que as plantas sejam encaminhadas aos equipamentos de medição, incluindo sensores de visão computacional e scanners tridimensionais.
Já os experimentos em campo utilizam plataformas móveis, robôs terrestres e drones equipados com câmeras térmicas e hiperespectrais.
Esses equipamentos permitem coletar informações em condições reais de cultivo, complementando os resultados obtidos nos laboratórios e nas estufas.
“Vamos aos campos com equipamentos, drones ou com um rover para medir as plantas e ajudar os agrônomos a coletar dados e descobrir quais genótipos crescem melhor sob certas condições”, explicou Van de Zedde.
Pesquisadores brasileiros já utilizam a tecnologia
A infraestrutura do NPEC também está disponível para pesquisadores de outros países, incluindo o Brasil.
Segundo Van de Zedde, o centro já desenvolve cooperações científicas com instituições brasileiras, entre elas o Centro de Melhoramento Molecular de Plantas (CeM²P), ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Uma das pesquisas realizadas em colaboração com cientistas brasileiros envolve a análise da interação entre bactérias e gramíneas, utilizando o sistema automatizado de fenotipagem de raízes.
“Tivemos a satisfação de receber pesquisadores do Brasil para estudar a interação entre bactérias e gramíneas, por exemplo, utilizando nosso sistema automatizado de fenotipagem radicular. Estamos de portas abertas para receber novos professores, doutorandos e projetos de pesquisa em parceria com cientistas brasileiros”, afirmou.
A estrutura também recebeu uma delegação brasileira durante a Fapesp Week Países Baixos, iniciativa de cooperação científica internacional.
O NPEC recebeu um novo aporte de € 5,4 milhões do Conselho de Pesquisa dos Países Baixos (NWO) para modernizar sua infraestrutura e ampliar a capacidade de processamento e interpretação dos dados coletados.
O investimento faz parte do projeto NPEC 2.0, com duração prevista de cinco anos e cofinanciamento das universidades de Wageningen e Utrecht, além do Jan IngenHousz Institute.
Entre as aquisições previstas estão equipamentos para coleta de amostras profundas de solo, drones de nova geração e câmeras de fluorescência de raios X capazes de analisar a distribuição de elementos químicos em plantas vivas.
Outra prioridade é ampliar a equipe de especialistas em ciência de dados e inteligência artificial.
De acordo com Van de Zedde, um dos desafios enfrentados pelos pesquisadores é lidar com o volume de informações produzido pelos equipamentos, que inclui milhares de imagens e terabytes de dados.
“Nos últimos anos de operação, percebemos que os pesquisadores de biologia vegetal enfrentavam dificuldades para lidar com os terabytes de dados e milhares de imagens que geramos. No NPEC 2.0, estamos contratando cientistas de dados e especialistas em IA para desenvolver pipelines automatizados de análise, facilitando o uso das informações e entregando aos cientistas todos os insights necessários para a tomada de decisão”, afirmou.
Com a ampliação da capacidade de análise, o centro pretende facilitar a utilização dos resultados por cientistas e programas de melhoramento vegetal, contribuindo para identificar variedades mais produtivas, resistentes e adaptadas aos desafios climáticos da agricultura.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
Business24 horas agoPI AgSciences nomeia Jonas Cuzzi para comandar operação no Brasil
Business23 horas agoIA e robôs desenvolvem plantas resilientes nos Países Baixos
Sustentabilidade22 horas agoQueda em Chicago pressiona preços da soja; Brasil afoga e perde ritmo
Featured24 horas agoBombeiros salvam bebê de dois meses engasgada com leite materno no interior de MT — O Livre
Featured6 horas agoMais de 5 milhões de candidatos realizam primeiro dia de provas do Enem neste domingo — O Livre
Featured8 horas agoSaiba como usar a nota do Enem para entrar em universidades no Brasil e em Portugal — O Livre
Featured5 horas agoPolícia Civil prende quatro adultos e apreende adolescente em menos de 24 horas por homicídio qualificado em Guarantã do Norte — O Livre
Business6 horas agocartilha orienta produtores rurais sobre folgas, jornadas e mudanças nos contratos














