Sustentabilidade
Chuvas e granizo afetam lavouras de milho e desaceleram plantio no RS – MAIS SOJA

A semeadura de milho avançou pouco nas principais regiões produtoras, mas continuou condicionada pela elevada umidade do solo e pela ocorrência de chuvas intensas. As lavouras implantadas (75%) estão predominantemente em germinação, emergência e início do desenvolvimento vegetativo. Apesar das baixas temperaturas, da reduzida luminosidade e do excesso hídrico em algumas áreas, o estabelecimento está satisfatório.
Os temporais registrados no final de setembro provocaram danos localizados a folhas e plantas, erosão, falhas de estande e perdas de potencial produtivo, e ocorreu granizo em diferentes regiões. Nas áreas não afetadas, avançaram as operações de adubação nitrogenada em cobertura e o manejo de insetos. Há incidência pontual de percevejos, grilos e cigarrinhado-milho, cuja pressão está baixa ou em redução em parte das lavouras.
A expectativa de produção está elevada nas áreas com bom estabelecimento, embora os danos provocados pelos eventos meteorológicos já tenham reduzido o potencial de algumas lavouras. A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 896.401 hectares e produtividade projetada de 7.711 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em Itacurubi, a precipitação de granizo atingiu as lavouras, e foram observados problemas de erosão em áreas declivosas ou com pouca cobertura de palhada. Em São Gabriel, as chuvas intensas provocaram problemas de germinação, falhas de estande e danos pontuais de granizo. Em São Borja, as plantas que ainda não receberam nitrogênio em cobertura apresentam coloração amarelada associada às baixas temperaturas e à nebulosidade. Em Manoel Viana, o desenvolvimento da cultura está adequado, e a semeadura está concluída.
As operações de manejo estão em andamento. Na de Caxias do Sul, a semeadura ocorre em ritmo muito lento devido às chuvas e à elevada umidade do solo. As áreas já implantadas apresentam boa germinação, mas o crescimento inicial está reduzido pela combinação de baixas temperaturas e luminosidade.
Na de Frederico Westphalen, cerca de 75% da área foi semeada, e o estabelecimento está satisfatório. As operações se concentram no controle de cigarrinha-do-milho e de percevejos e na aplicação de nitrogênio em cobertura.
Na de Ijuí, a semeadura permanece em 92% da área. As lavouras apresentam bom desenvolvimento, embora as chuvas tenham provocado danos foliares e o granizo tenha reduzido em até 50% o índice foliar nas áreas atingidas. Também ocorreram perdas de plantas por erosão em áreas de convergência do terreno. Foram observadas infestações pontuais de grilos e percevejos. O monitoramento de cigarrinha indica baixa incidência.
Na de Passo Fundo, a semeadura atingiu 90% da área prevista de aproximadamente 84 mil hectares. As lavouras se encontram em germinação e em início do desenvolvimento vegetativo. Foi realizada adubação nitrogenada em cobertura nas áreas mais precoces. Na de Pelotas, foram semeados 5%, e as lavouras com estabelecimento inicial satisfatório.
Na de Santa Rosa, 89% da área foi semeada, e o restante será implantado em safrinha. O granizo no final de setembro provocou perdas expressivas, e há necessidade de ressemeadura ou substituição por outra cultura em alguns casos. Em Santo Antônio das Missões, pelo menos 25 dos aproximadamente 100 pivôs de irrigação do município tombaram durante o temporal. Nas áreas não afetadas, avançaram as aplicações de nitrogênio. A população de cigarrinhas reduziu em relação às primeiras áreas emergidas.
Na de Soledade, não houve avanço da semeadura, que atingiu 60% da área. Os plantios mais precoces se encontram em fase de conclusão. As temperaturas mais baixas após as chuvas reduziram o ritmo de crescimento, mas há tendência de recuperação mediante elevação térmica.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,37%, passando de R$ 62,67 para R$ 62,44. Bolsa de Cereais de Cruz Alta R$ 75,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Manutenção de máquinas agrícolas: o insumo silencioso que protege a rentabilidade da safra – MAIS SOJA

A janela de plantio e colheita no agronegócio moderno não tolera amadorismo ou improvisos. Quando um trator ou uma colheitadeira para de forma inesperada no meio da operação, o prejuízo financeiro raramente se limita à nota fiscal da peça de reposição ou às horas do mecânico. O custo real, aquele que verdadeiramente corrói a margem do produtor rural, está no tempo perdido, na janela operacional perdida e, nos cenários mais severos, na perda direta de produtividade por hectare. É precisamente por essa razão que a manutenção preventiva de máquinas agrícolas deixou de ser uma simples rotina de oficina para se consolidar como uma ferramenta crucial de gestão e rentabilidade no campo.
Historicamente, o cuidado com a frota dependia quase exclusivamente de duas variáveis: a contagem do horímetro e a sensibilidade do operador. Embora essenciais, esses fatores isolados já não atendem às exigências de uma agricultura de precisão que busca eficiência máxima a cada hectare. A grande virada de chave do setor reside na transformação digital do maquinário agrícola. A telemetria e o avanço da conectividade embarcada mudaram drasticamente esse panorama, permitindo que a saúde dos equipamentos seja monitorada continuamente e em tempo real.
Na prática diária, essa evolução tecnológica redefiniu a dinâmica de trabalho nas propriedades. Acompanhar parâmetros cruciais como consumo de combustível, temperatura, alertas do sistema e códigos de falha em tempo real dá ao produtor o poder da previsibilidade. Antecipar-se a um dano grave significa agendar uma intervenção em momentos de pausa estratégica, e não ser surpreendido no pico do trabalho. Além disso, quando o atendimento em campo se faz indispensável, a concessionária já desloca a equipe técnica com o diagnóstico prévio e as peças corretas em mãos, reduzindo drasticamente o tempo de máquina parada.
Essa mudança de paradigma transforma também a relação entre o produtor, as concessionárias e os fabricantes. O pós-venda, tradicionalmente reativo e acionado apenas diante da quebra, passa a atuar como um consultor proativo de produtividade. Serviços de monitoramento remoto, alertas preditivos e inteligência de dados não apenas protegem o investimento do produtor, mas também geram um modelo de negócios mais sólido e rentável para a rede de distribuição. Em um ecossistema onde o tempo é o insumo mais valioso do agricultor, a manutenção inteligente e antecipada do maquinário deixa de ser um centro de custo e assume seu verdadeiro papel: o de guardião do resultado da safra.
Micael Duarte é Engenheiro Agrícola formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e possui ampla experiência com máquinas agrícolas. É especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na YANMAR Brasil, onde também já ocupou os cargos de Analista de Vendas Júnior e Assistente de Vendas – Desenvolvimento de Novos Produtos. Em sua trajetória profissional, reúne passagens pela Agrológica (Empresa Júnior da UNICAMP), CNPq (como bolsista de iniciação científica) e Toyota do Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Mercado de fertilizantes aumenta pressão sobre os custos da soja – MAIS SOJA

Com a safra de soja 2026/2027 sendo semeada em Mato Grosso do Sul, o mercado de fertilizantes continua no radar do produtor pelos reflexos que pode gerar sobre os custos e, consequentemente, sobre a margem de lucro.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Mesmo com a redução na quantidade, o país desembolsou US$ 8,8 bilhões, alta de 8%. Isso significa que o Brasil está adquirindo menos fertilizantes e pagando mais pelo produto.
“O ponto central não é apenas a redução do volume importado, mas o aumento do desembolso para adquirir o fertilizante. Quando o Brasil importa menos e paga mais, temos um sinal de deterioração das condições de oferta que pode ser incorporado ao custo de produção da soja e pressionar a margem do produtor”, aponta o analista de Economia Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
O Brasil é dependente das importações para atender à demanda interna por fertilizantes. Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, foram 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.
“O cenário de 2026, entretanto, ocorre em meio a novos fatores de pressão sobre a oferta. O início de um novo conflito no Oriente Médio afetou regiões produtoras e rotas de comércio, enquanto a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia mantém impactos sobre o mercado internacional de fertilizantes”.
Segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo Brasil estava 13,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, a redução chegou a 24,1%.
“A dependência externa faz com que o custo do fertilizante esteja sujeito a variáveis que não são controladas pelo produtor, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e frete internacional. Essa exposição aumenta a volatilidade do custo e dificulta a formação de uma expectativa mais precisa de margem”.
A vulnerabilidade brasileira é observada nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio.
O nitrogênio apresentou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.
No mercado de potássio, porém, a concentração dos fornecedores representa um ponto adicional de atenção. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025.
Ao mesmo tempo, o Brasil possui participação inferior a 1% da produção mundial de potássio, o que evidencia a dependência do mercado externo para atender ao consumo nacional.
Diante da concentração da oferta, a busca por fornecedores alternativos aparece como uma das estratégias para reduzir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional.
O levantamento da Aprosoja/MS mostra que países como China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de nitrogenados, mas possuem participação reduzida nas importações brasileiras. Isso indica a existência de potenciais alternativas, embora a disponibilidade para exportação e as condições comerciais precisem ser avaliadas.
A diversificação, no entanto, não depende apenas da existência de produção. É necessário considerar o excedente disponível em cada país, sua demanda interna, capacidade de exportação, preços e custos logísticos para que uma nova origem seja efetivamente competitiva para o mercado brasileiro.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Soja avança no Pará e Tocantins e recua em Minas Gerais, aponta Serasa – MAIS SOJA

A área cultivada com soja aumentou cerca de 175 mil hectares no Pará e Tocantins na safra 2025/26, enquanto recuou aproximadamente 85 mil hectares em Minas Gerais, segundo levantamento da Serasa Experian.
No Pará, a área cresceu cerca de 100 mil hectares, para 1,3 milhão de hectares, enquanto no Tocantins houve avanço de 75 mil hectares, para 1,7 milhão de hectares. Em Minas Gerais, a área recuou para aproximadamente 2,75 milhões de hectares, registrando o segundo ano consecutivo de queda.
A expansão da soja nas últimas seis safras chegou a 92,7% no Pará, com acréscimo de cerca de 620 mil hectares, e a 44,4% no Tocantins, com aumento de aproximadamente 530 mil hectares. Em Minas Gerais, apesar do crescimento acumulado de 23,2% no período, a área caiu cerca de 5% desde a safra 2023/24.
O levantamento aponta que a retração da soja em Minas Gerais ocorreu simultaneamente ao avanço do milho de primeira safra. A área cultivada com o cereal aumentou cerca de 95 mil hectares, para aproximadamente 500 mil hectares em 2025/26.
O estudo também identificou cerca de 211 mil hectares de soja em imóveis com registros de supressão de vegetação considerados em critérios socioambientais do Manual de Crédito Rural (MCR). Desse total, aproximadamente 113 mil hectares estão no Tocantins, 70 mil no Pará e 28 mil em Minas Gerais.
Segundo a Serasa Experian, o indicador não caracteriza, isoladamente, irregularidade ambiental. O mapeamento é realizado com imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento para acompanhar a expansão, retração e distribuição das culturas.
As informações são da assessoria de comunicação da Serasa.
Fonte: Agência Safras
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