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8 de outubro de 2026

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Chuva irregular escalona início do plantio da soja em Gaúcha do Norte

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O plantio da soja começou de forma lenta e escalonada em Gaúcha do Norte, em Mato Grosso, diante da distribuição irregular das chuvas. Enquanto algumas propriedades já colocaram as máquinas em campo, outras ainda aguardam umidade suficiente para iniciar a semeadura.

A expectativa do Sindicato Rural é que a oleaginosa ocupe aproximadamente 230 mil hectares no município na safra 2026/27. Até agora, porém, a estimativa é de que apenas 5% dessa área tenha sido plantada.

O atraso ocorre em um cenário de solo seco e temperaturas elevadas. Em uma das propriedades, foram registrados até 65°C na superfície do solo, enquanto o acumulado desde o início de setembro chegou a cerca de 80 milímetros.

Na fazenda do produtor rural Adalberto Grando, o plantio começou pelas áreas irrigadas. Dos 2,1 mil hectares que serão cultivados com soja nesta safra, 600 hectares contam com irrigação e já foram semeados. “A chuva está muito escalonada ainda”, resume.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Janelas de umidade definem avanço

Nas áreas de sequeiro, a decisão de semear depende da ocorrência de chuvas capazes de garantir umidade suficiente para a emergência das plantas. Parte desses talhões chegou a receber sementes na tentativa de aproveitar os primeiros volumes registrados, mas o estabelecimento das plantas ainda é acompanhado.

“A gente tinha plantado até algumas alcinhas fora da área irrigada para aproveitar, não estava nascendo, vamos ver como vai ficar o estande, como vai ficar a qualidade do plantio”, relata Grando ao Patrulheiro Agro.

A propriedade tem 25% da área destinada à soja sob irrigação. Mesmo com a tecnologia disponível e a proteção da palhada, o produtor afirma que a condição climática interfere no início da lavoura.

“Falar que não tem impacto isso é não entender a sistemática, porque por mais que a gente tenha uma proteção de palhada, por mais que a gente tenha uma estrutura melhor, o impacto ainda existe”, pontua.

Em outras propriedades do município, a semeadura ainda não começou. O avanço, portanto, ocorre conforme as oportunidades de umidade, enquanto os produtores avaliam o risco de comprometer a formação inicial da lavoura.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custo elevado aumenta cautela

Além da condição climática, o custo da safra pesa na decisão. Grando calcula que a implantação da soja ultrapasse R$ 5 mil por hectare, reduzindo a margem para erros em uma temporada de despesas elevadas.

“É um dilema em alguns momentos. Simplesmente a gente olha e pede a Deus, porque é risco de plantar e plantar mal a soja. Nós estamos falando de um custo de mais de R$ 5 mil por hectare”, afirma.

O produtor também chama atenção para o impacto que um atraso na soja pode provocar sobre o milho segunda safra. “Não plantar o milho na janela certa, nós estamos falando em ter uma produtividade que não paga nem a conta”, acrescenta.

A combinação de despesas elevadas e risco climático aumenta a preocupação com a tomada de decisão. “As margens na agricultura estão tão apertadas. Qualquer erro, qualquer problema que der a gente não consegue mais recuperar”, frisa Grando ao Canal Rural Mato Grosso.

Apesar da apreensão, ele considera que o cenário atual não deve necessariamente repetir o observado em 2015/16. Naquele período, segundo o produtor, a propriedade teve produtividade de 37 sacas de soja por hectare e perdeu a safrinha de milho.

“Todo mundo está jogando para cima dessa questão do super El Niño, comparando com 2015/16. Nós aqui em 2015/16 nós produzimos 37 sacas de soja de produtividade por hectare e perdemos 100% da safrinha de milho”, relembra.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Município aguarda regularização

Em outra propriedade em Gaúcha do Norte, o agricultor Josenei Zemolin ainda não iniciou a semeadura dos 1.080 hectares previstos com soja. A falta de umidade e as temperaturas elevadas mantêm as máquinas paradas.

“Nada, e as chuvas estão bem escassas, o solo está seco, o clima, temperatura muito quente e não tem condição de dar andamento no plantio”, relata à reportagem.

Para ele, a decisão também precisa considerar o custo da temporada. “Esse ano para nós é um custo bastante puxado, praticamente é uma das safras mais caras que Mato Grosso já plantou”, afirma.

A estratégia, neste momento, é aproveitar rapidamente os períodos de chuva para colocar as máquinas em operação. “Na hora que aparecer a chuva você vai aproveitar essa umidade que tem, talvez vai ter que tocar 24 horas para aproveitar a umidade”, explica Zemolin.

O presidente do Sindicato Rural de Gaúcha do Norte, Valdomiro Schulz, estima que apenas cerca de 5% da área do município tenha sido plantada até agora.

“Gaúcha do Norte o que tem plantado é muito pouco. Poucas fazendas plantaram. Eu mesmo não plantei nada porque na nossa área não teve umidade suficiente ainda”, comenta.

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A expectativa entre os produtores é que a chuva se regularize e permita acelerar os trabalhos. Schulz salienta que a retomada depende diretamente de uma melhora nas condições climáticas.

“Acredito que Deus vai mandar chuva o suficiente para que possamos fazer o plantio e acreditamos que daqui para frente a chuva normaliza e os plantios vão se normalizar e logo logo nós vamos estar com uma área plantada dentro do nosso município”, conclui.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Política brasileira entra em fase de adaptação ao novo eleitor

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As eleições de 4 de outubro expuseram uma mudança na forma como o eleitor brasileiro se relaciona com a política. A escolha nas urnas passa a refletir uma sociedade mais atenta à atuação das instituições, à entrega de resultados e à relação direta entre representantes e suas bases.

Essa transformação também aparece dentro do próprio sistema político. A redução do número de partidos, a formação de federações e blocos e a renovação dos quadros do Congresso indicam uma reorganização que ainda está em andamento.

Ao mesmo tempo, a tecnologia mudou a forma como candidatos chegam ao eleitor. A comunicação deixou de depender apenas dos meios tradicionais e passou a ser filtrada por algoritmos que selecionam conteúdos de acordo com os interesses e comportamentos de cada pessoa.

Para o analista político João Henrique Hummel, esse conjunto de mudanças aponta para uma alteração mais profunda na relação entre sociedade e política. “A gente está aprendendo a conviver com isso”, resume em entrevista ao programa Direto ao Ponto, ao avaliar a nova configuração de poder entre Congresso, Executivo e sociedade.

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A percepção sobre as instituições é um dos elementos desse processo. Na avaliação do especialista, existe uma diferença cada vez mais evidente entre a confiança na estrutura institucional e a avaliação de quem ocupa esses espaços.

O analista considera que essa distância ajuda a explicar parte do comportamento observado nas eleições. “Vemos que as pessoas acreditam nas instituições, mas não acredita nas pessoas que estão nas instituições”, afirma.

Essa mudança também aumenta a cobrança sobre os representantes eleitos. O debate deixa de estar concentrado apenas na escolha de nomes e passa a envolver a capacidade de produzir resultados e responder às demandas da sociedade.

Nesse ambiente, o Congresso ganha peso. Hummel avalia que a estrutura constitucional brasileira criou uma relação de poder que exige adaptação tanto dos parlamentares quanto dos eleitores. A sociedade, segundo ele, ainda está entendendo como funciona esse novo equilíbrio.

Foto: Canal Rural Mato Grosso

Partidos passam por reorganização

A transformação não se limita ao comportamento do eleitor. O próprio sistema partidário está passando por uma reestruturação, com redução no número de legendas e formação de federações e blocos.

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Hummel vê nesse movimento uma tendência de maior organização da atividade política. As emendas parlamentares também entram nesse processo porque aproximam a atuação dos congressistas das regiões onde concentram votos.

Na prática, o parlamentar passa a precisar acompanhar onde os recursos são aplicados e quais resultados produzem. A cobrança do eleitor, portanto, não termina na urna.

“Os partidos estão diminuindo, está tendo uma profissionalização e se está criando blocos, estrutura, formação de times”, pontua. Para ele, esse processo tende a fortalecer organizações partidárias mais estruturadas e reduzir o espaço para candidaturas sem uma base política definida.

A mudança também alcança a relação entre candidatos e seus territórios eleitorais. A destinação de recursos para determinadas regiões cria uma espécie de vínculo permanente com o eleitorado, em um modelo que, na avaliação do analista, se aproxima de algumas características do voto distrital.

Algoritmos tornam eleitor mais individualizado

A tecnologia acrescenta outra camada a essa transformação. Hummel observa que os algoritmos se tornaram mais eficientes nos últimos anos e passaram a interferir diretamente na maneira como as pessoas recebem informações políticas.

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O eleitor pode bloquear determinados conteúdos, por exemplo, deixar de acompanhar pessoas e selecionar aquilo que deseja consumir. Com isso, a comunicação política se torna cada vez mais individualizada.

“Você só vai receber a informação que você quer e que você está preparado para receber”, afirma Hummel ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Ainda na avaliação dele, essa mudança faz com que políticos tenham de identificar demandas cada vez mais específicas para estabelecer uma relação com seus eleitores.

O cenário ainda está em construção. A sociedade, os partidos e os próprios candidatos precisam aprender a lidar com uma dinâmica em que a informação circula de forma segmentada e as escolhas são influenciadas por ambientes digitais personalizados.

Para Hummel, esse aprendizado será gradual. “Nós estamos no processo de adaptação”, resume. Nesse contexto, participação, debate e acompanhamento da atuação política passam a ter peso maior na construção da relação entre eleitor e representantes, frisa.

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SLC Agrícola projeta ampliar em 2,2% a área plantada na safra 2026/27

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A SLC Agrícola projetou área plantada de 854,4 mil hectares na safra 2026/27, crescimento de 2,2% sobre os 836,1 mil hectares orçados para 2025/26. A estimativa foi divulgada em fato relevante nesta quarta-feira (7) e considera expansão liderada pelo algodão de segunda safra, principalmente com ampliação da área irrigada. A companhia também informou que fatores climáticos poderão afetar a projeção.

Segundo a SLC Agrícola, a redistribuição do mix de culturas busca maior rentabilidade, em linha com a rotação de culturas e com as práticas adotadas pela empresa no modelo de produção.

Na soja, incluindo grão comercial e sementes, a área deve passar de 429,7 mil hectares para 442,1 mil hectares, avanço de 2,9%. No algodão em pluma, a área total projetada é de 200,4 mil hectares, alta de 0,3%. Dentro desse total, o algodão de primeira safra deve recuar 10,8%, para 92,2 mil hectares, enquanto o algodão de segunda safra deve crescer 12,2%, para 108,2 mil hectares. Já o milho de segunda safra tem previsão de 154,6 mil hectares, queda de 2,3%.

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A companhia também estima aumento de produtividade. Para a soja, a previsão é de 4.080 quilos por hectare, alta de 1,1% ante o orçamento de 2025/26. No milho de segunda safra, a produtividade esperada é de 7.957 quilos por hectare, avanço de 2,8%. No algodão em pluma, a projeção é de 2.075 quilos por hectare na primeira safra e de 2.000 quilos por hectare na segunda, altas de 0,4% e 0,9%, respectivamente.

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O custo médio de produção por hectare está estimado em R$ 7.217, alta de 2,2%. A empresa atribuiu a variação principalmente à alta dos fertilizantes em dólar e à inflação projetada de 4%, com compensação parcial pela queda dos defensivos em dólar e pela valorização do real. A SLC informou ainda que 57% do custo de produção está indexado ao dólar e 43% está denominado em reais.

Na posição de hedge da safra 2026/27, a SLC Agrícola informou ter 52,9% da soja com preço travado a US$ 12,36 por bushel e 23,8% com câmbio protegido a R$ 5,3916 por dólar. No algodão, 62,2% da produção está travada a 79,14 centavos de dólar por libra-peso, e 23% tem câmbio protegido a R$ 5,7642 por dólar. Para 2027, a empresa estima ainda venda de 112,5 mil cabeças de gado e produção de 86.280 big bags de sementes.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Fórum em Pelotas debate investimento e expansão da irrigação no sul do RS

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O 1º Fórum de Irrigação da Metade Sul do Rio Grande do Sul reuniu nesta quarta-feira (7/10), em Pelotas, representantes do governo, produtores e especialistas para discutir a importância da irrigação para a produção rural. O encontro ocorreu durante a 100ª Expofeira, no Parque de Exposições Ildefonso Simões Lopes, com foco em experiências práticas e perspectivas para o desenvolvimento da região.

O subsecretário de Irrigação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Davi Teixeira, participou do debate como mediador. Segundo ele, o Rio Grande do Sul já projetou o investimento necessário para ampliar a área irrigada de sequeiro.

Teixeira afirmou que são necessários aproximadamente R$ 25 bilhões em investimento privado por parte dos produtores, com recursos próprios ou financiados. Pela política de incentivo Irriga+ RS, o Estado precisaria de R$ 3,6 bilhões para subvenção de até 20%.

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De acordo com o subsecretário, estudos da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) indicam que esse recurso pode vir da arrecadação adicional de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerada pelo incremento de produtividade proporcionado pela irrigação. Ele também disse que está em estruturação um mapeamento completo da infraestrutura hídrica disponível e das ações necessárias para uma expansão planejada.

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Durante o fórum, o produtor rural Gabriel Fernandes, administrador da Estância Santa Maria, afirmou que a pecuária apresenta maior segurança de condução em aspectos como venda, tratos e clima, em comparação com a soja. Segundo ele, a expansão da pecuária intensiva ocorre de forma mais gradual por causa da alta demanda de capital de investimento.

Fernandes defendeu o aumento dos indicadores por hectare e por unidade animal, com ganhos em etapas como desmame, recria e engorda. Na avaliação dele, planejamento, alto rendimento e irrigação estão entre os fatores centrais desse processo.

O engenheiro agrônomo Eduardo Burck, gestor da Estância Capororoca, afirmou que é preciso reduzir entraves governamentais e ambientais em articulação com as entidades. Já o presidente da Farsul, Domingos Velho, defendeu maior atuação na imagem do setor, independentemente da cadeia produtiva e do porte do produtor.

Realizado dentro da 100ª Expofeira de Pelotas, o fórum concentrou o debate sobre ampliação da área irrigada, necessidade de investimento, planejamento da infraestrutura hídrica e uso da irrigação como ferramenta de suporte à produção rural na Metade Sul do Estado.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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